Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Frei Betto

Autores de ideias polêmicas vão temperar programação da Feira do Livro de Brasília

0

maxresdefault1

Bate-papos com convidados como Caio Fábio, Miriam Leitão, Frei Betto e Vladimir Neto devem atrair grande público ao evento literário, que começa no próximo dia 16/7

Rosualdo Rodrigues, no Metropoles

A 32ª edição da Feira do Livro de Brasília promete movimentar a vida cultural da cidade entre os dias 16 e 24 deste mês. Na extensa programação, chama a atenção a variedade de temas das conversas programadas para o Café Literário — de gastronomia a espiritualidade — e a presença do veterano autor gaúcho Carlos Nejar.

Também ganha espaço destacado a literatura na era da internet — por meio do 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Literários. Mas o que vai dar um tempero mais forte ao evento literário será a presença de autores capazes de atrair um público interessado não só em literatura, mas também em temas polêmicos ou figuras midiáticas.

Caio Fábio
O psicanalista amazonense tem trajetória polêmica. Pastor presbiteriano, rompeu com o protestantismo em 2003. Tornou-se líder e mentor do Movimento Caminho da Graça e criou a entidade assistencial Fábrica de Esperança, no Rio de Janeiro. Mas teve seu nome envolvido em escândalos, como quando foi ligado ao chamado Dossiê Cayman, em 1998, e quando foi acusado de negociar a concessão da TV Vinde. Ele participa de bate-papo em torno de seu novo livro, “Sem Barganhas com Deus”, no dia 20, às 20h, no Café Literário.

Esther Grossi
Educadora reconhecida, a gaúcha é pouco convencional não apenas no visual — pinta os cabelos de cores variadas. Dona de uma extensa bibliografia sobre educação, Esther Grossi surpreendeu meio mundo em 1998 (época em que era deputada federal pelo PT-RS) lançando “Mesa Sutra” (L&PM), livro de receitas afrodisíacas, que ela relança em Brasília, durante a Feira do Livro, no dia 18, às 20h. Um dias antes, a autora autografa outra obra sua mais recente, “A Festa Está Dentro de Nós” (editora Argumento), às 17h.

Frei Betto
O escritor e religioso dominicano sempre se destacou por seus posicionamentos políticos. Adepto da Teologia da Libertação, tem um importante histórico de militância na esquerda brasileira, registrado por ele mesmo em livros como “Cartas da Prisão” e “Batismo de Sangue”. Frei Betto participa de um bate-papo sobre felicidade e espiritualidade, no dia 19, às 19h, no Auditório Alvorada. Em seguida, autografa a edição revista e ampliada de seu livro “Fidel e a Religião”, lançada pela Companhia das Letras.

Leonardo Boff
Outro nome que transita entre a religião e a política, o teólogo (foto acima) tem sido um catalisador de debates por conta de posicionamentos em defesa dos direitos humanos ou por conceitos teológicos. Era frade quando suas teorias sobre a hierarquia na Igreja Católica lhe renderam um processo junto à Congregação para a Doutrina da Fé. No dia 20, às 19h, no Auditório Alvorada, ele vai falar sobre “Direitos do Coração: Como Reverdecer o Deserto”, mesmo título do livro que ele lança pela Paulus e autografa sem seguida ao bate-papo.

Miriam Leitão
Em tempos de polarização política, as análises econômicas da jornalista (foto no alto), apresentadas nos telejornais da TV Globo, frequentemente esbarram em ferrenhos críticos. Miriam terá agenda extensa na feira. A maratona da autora começará às 17h do dia 23, no Auditório Alvorada, onde ela fala sobre literatura infantil e família. Logo em seguida, autografa seus títulos infantis, “A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos” e “A Menina de Nome Enfeitado”, ambos da Rocco. Às 19h, se encontra com o público para um tema mais árido — A história do futuro: o horizonte do Brasil no século 21.

Vladimir Netto
Filho de Miriam Leitão e colega da mãe no jornalismo da TV Globo, o repórter Vladimir Netto aborda um tema quente (e capaz de provocar controvérsias e paixões) no livro “Lava Jato — O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil”, lançado recentemente pela editora Primeira Pessoa. Na obra, ele acompanha a investigação do maior escândalo de corrupção do Brasil. E é sobre isso que o jornalista conversa com o público da Feira do Livro no dia 23, às 16h, no Auditório Alvorada, antes de autografar a obra.

Frei Betto chega aos 70 anos somando 60 livros escritos, de infantis a religiosos

0

Autor escreve desde que foi alfabetizado, sob influência do pai

Frei Betto - O Globo / Marcos Alves

Frei Betto – O Globo / Marcos Alves

Maurício Meireles em O Globo

RIO — Setenta anos e uma produção intensa. Frei Betto, articulista do GLOBO, completa sete décadas de vida na próxima segunda-feira, dia 25, com a marca de 60 livros escritos. O de número 59, “Oito vias para ser feliz” (Planeta), sobre o Sermão da Montanha, acaba de ir para a gráfica; o 60, “Um Deus muito humano”, sobre sua relação com Jesus, ainda não tem editora, mas já está pronto. Em julho, ele já havia lançado “Reinventar a vida” (Vozes, de crônicas) e o infantil “Começo, meio e fim” (Rocco).

Neste último, Frei Betto escreve para os pequenos sobre a morte — tema do qual, diz ele, os pais deviam tratar mais com seus filhos.

— Tenho um casal de amigos que perderam os pais, em acidente aéreo, quando eram crianças. A família cometeu o erro de não levá-los ao velório e ao enterro. Cresceram com a sensação de que os pais foram abduzidos — afirma.

Entre espiritualidade, política e até livros de culinária ou romances policiais, a produção de Frei Betto é tanta que ele conta que um amigo, o jornalista Ricardo Kotscho, brinca que os verdadeiros autores das obras são “40 fradinhos que habitam os porões do convento”. O frei vive no monastério dominicano Santo Alberto Magno, em São Paulo.

Frei Betto reserva 120 dias por ano para escrever, busca um local tranquilo — um sítio ou casa de praia de amigos —, desliga o celular e deixa a criação fluir. Ele mesmo, que é autor de livros de culinária como “Comer como um frade — Divinas receitas para quem sabe por que temos um céu na boca”, cozinha durante esses períodos.

Ele escreve desde que foi alfabetizado, sob influência do pai, que atuava em jornais de Minas Gerais, e da mãe, autora de um livro de culinária. Quando era adolescente, porém, duvidou do sonho de ser escritor e virou jornalista, para ficar perto das palavras.

Quando foi preso por quatro anos pela ditadura, de 1969 a 1973, escrevia cartas para familiares e amigos — que viraram o livro “Cartas da prisão” (Agir). Os anos atrás das grades, dois deles entre presos comuns, foram um período de consolidação de sua relação com a escrita e a espiritualidade.

Mas o que dá mais prazer?

— A ficção, porque é mais criativa. Fico “grávido” da história e, aos poucos, ponho no papel. Primeiro redijo à mão, depois passo ao computador. E faço mil revisões — afirma Frei Betto.

O frade conta que uma das suas maiores influências o ajudou a sobreviver na prisão: Santa Teresa D’Ávila. O escritor diz dever à santa espanhola o aprendizado da oração. Na literatura, suas influências são Machado de Assis, Guimarães Rosa, Camus, Flaubert e outros.

‘UM JESUS MILITANTE’

Frei Betto já ganhou, em 1982, o principal prêmio literário do país, o Jabuti, por seu livro mais conhecido: “Batismo de sangue”, que foi adaptado para o cinema em 2007, sob direção de Helvécio Ratton. A história mostra como os frades dominicanos se levantaram contra a ditadura militar, aliando-se à Ação Libertadora Nacional, comandada por Carlos Marighella.

Nesse contexto, a espiritualidade na qual Frei Betto se formou, durante seus anos de Ação Católica, diz ele, é “mais libertadora”.

— Minha geração tinha sido formada numa espiritualidade que falava de pecado, de um Deus castigador. Na Ação Católica não tinha isso. O pecado social era mais importante que o pessoal. Havia um Jesus militante — diz ele.

O escritor já foi traduzido em 24 idiomas e 35 países. Seu best-seller no exterior é “Fidel e a religião”, uma entrevista com o líder da Revolução Cubana sobre o assunto: 3 milhões de exemplares vendidos, 1,3 milhão só em Cuba.

E por que escrever?

— Escrevo como quem respira: para sobreviver. Não suporto passar 48 horas sem redigir algo. Escrever e orar me fazem feliz — resume Frei Betto.

Go to Top