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Pesquisa mostra que alunos pobres estão em escolas menos preparadas

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Escolas não têm sido capazes de reduzir desigualdades - Marcos Alves / Agência O Globo

Escolas não têm sido capazes de reduzir desigualdades – Marcos Alves / Agência O Globo

 

Análise da Fundação Lemann revela que instituições têm diretores inexperientes e oferecem menos recursos

Paula Ferreira em O Globo

RIO- Um levantamento feito pela Fundação Lemann divulgado hoje revela um aspecto curioso e ao mesmo tempo preocupante da educação pública brasileira: alunos com menor nível socioeconômico (NSE), que dependeriam ainda mais de um ensino de qualidade para reduzir desigualdades, são aqueles que estão em escolas menos preparadas. De acordo com a análise “As desigualdades na educação no Brasil: o que apontam os diretores das escolas”, que traz respostas de 51.136 gestores escolares ao questionário da Prova Brasil, 10% dos diretores que comandam escolas que atendem alunos com NSE muito baixo dizem não ter concluído os estudos no ensino superior. O índice é de 5,6% entre os gestores de escolas onde o nível socieconômico dos alunos é baixo — já naquelas onde os estudantes têm perfil mais abastado, o índice é de 0%.

Mesmo quando os diretores de escolas com perfil socieconômico muito baixo têm o ensino superior, falta experiência. Entre os que dirigiram instituições nesse perfil, 56,4% têm, no máximo, sete anos de formados. A inexperiência também é grande entre os gestores que trabalham em colégios onde os alunos têm nível socioeconômico baixo: 47,1% se formaram nos últimos sete anos. A taxa cai bastante quando analisadas escolas que atendem estudantes com características opostas. Naquelas onde o NSE é alto, 10,1% dos diretores se formaram há sete anos ou menos. Nas de nível muito alto, gestores com esse perfil são apenas 4%.

Para mensurar as diferenças socioeconômicas dos estudantes, o Ministério da Educação (MEC) leva em consideração a posse de bens domésticos, renda e contratação de serviços pela família dos alunos, além do nível de escolaridade de seus pais. Os alunos podem ser distribuídos em seis estratos: muito baixo, baixo, médio baixo, médio, médio alto, alto, muito alto.

O estudo também revela que boa parte dos diretores de escolas mais carentes recebem baixos salários, o índice de docentes com vínculo com essas instituições é menor, entre outros aspectos que demonstram que o padrão de qualidade necessário para minimizar as diferenças entre esses alunos e jovens com melhor condição social não existe.

— As condições das escolas que atendem alunos de baixo nível socieconômico são muito piores. As instituições não estão conseguindo contribuir para reduzir a desigualdade. A infraestrutura é pior, há mais carência em aspectos pedagógicos. É um cenário inadmissível. Os alunos que mais precisam são os de baixa renda, que necessitam que a escola compense as poucas oportunidades que eles têm fora dali, e vemos que está acontecendo o contrário — afirma Ernesto Faria, autor da análise e gerente da Fundação Lemann.

PROFESSORES SEM VÍNCULO

O vínculo de professores com as instituições de ensino que atendem alunos mais carentes também costuma ser mais raro. Segundo a pesquisa, entre as escolas com NSE muito baixo, 30% delas têm no máximo um quarto do corpo docente estável. Entre as instituições com NSE muito alto o índice é de 3,9%. A rotatividade de professores e o fato de muitos diretores estarem no início da carreira demonstram que, quando podem escolher, os educadores costumam ir para escolas com contexto mais favorável.

—Há mais professores temporários nas escolas que atendem alunos de baixa renda. Os professores mais bem formados, os diretores que podem escolher as escolas que vão coordenar não estão indo para aquelas que atendem alunos carentes. Os mais inexperientes, que muitas vezes não têm opção, é que vão. Muitas vezes as instituições com esse perfil ficam em regiões mais violentas, têm um ambiente pior, não são bem vistas pela comunidade, e aí quando o professor e o diretor tem a possibilidade de escolher, ele evita essa escola — explica Faria.

Para contornar a questão, Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) defende que os governos definam estratégias para conduzir os bons profissionais até essas escolas.

— O quadro é preocupante, porque reforça a desigualdade social a partir da desigualdade educacional. Todos sabemos que equipes escolares estáveis tendem a produzir um resultado educacional muito melhor, mesmo em condições socioeconômicas mais precárias— afirmou Callegari. — Pelo processo de gestão, é possível criar mecanismos para recrutar equipes mais preparadas para enfrentar problemas mais complexos. É possível dar aos professores e diretores incentivos de carreira e remuneração que atraiam os melhores para lidar com os desafios.

Nas escolas onde as deficiências educacionais dos alunos são mais evidentes paradoxalmente é onde os estudantes encontram menor apoio acadêmico. A análise mostra que entre as instituições com NSE muito baixo, 19% afirmaram não realizar atividades de reforço escolar, como monitorias, aulas extras ou recuperação. Nos colégio de nível socieconômico baixo, o percentual foi de 16%. A falta mecanismos de apoio ao estudo chegou a 10% e 11% nas escolas de NSE alto e muito alto, respectivamente. Todo o contexto, segundo especialistas, explica outro dado da análise: em mais de 80% das escolas mais carentes sobram vagas após a matrícula. Na visão dos educadores, o motivo é simples: as pessoas não querem estudar lá.

Pesquisa aponta ‘segredos’ de seis escolas públicas de excelência

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Escolas foram detectadas em pesquisa da Fundação Lemann.
Entre as seis, a maioria é pequena e duas delas estão em áreas rurais.

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Publicado em G1

Seis escolas públicas brasileiras destoam dos números ruins do cenário nacional e sedestacam por suas boas práticas de ensino entre os anos finais do ensino fundamental. Formação contínua de professores, avaliações frequentes e proximidade com a comunidade estão entre os segredos para o sucesso do ensino nessas unidades.

As escolas foram detectadas em uma pesquisa feita pela Fundação Lemann, com apoio da Instituto Credit Suisse e do Itaú, cruzando dados do Censo Escolar e da Prova Brasil 2013. Foram levados em conta critérios como o índice de conhecimento considerado adequado em matemática e português, a evolução dos alunos entre o 6º e o 9º ano, entre outros indicadores.

Apesar de poucos recursos, o índice de aprendizado nestas escolas está acima da média brasileira. Entre as escolas selecionadas como cases, todas são municipais, só duas têm redes consideradas grandes, uma no Rio de Janeiro e a outra em Belo Horizonte (MG), as demais são pequenas e estão localizadas em Sobral (CE), Novo Horizonte (SP). Duas delas, além de pequenas, são da zona rural e ficam em Pedra Branca e Brejo Santo, no Ceará (veja lista com os nomes abaixo).

Para Ernesto Martins Faria, coordenador do estudo, diz que ao divulgar o trabalho dessas unidades o objetivo é “dar protagonismo para quem está realmente fazendo a diferença” na edição do Brasil. “A mensagem que o estudo passa é que todo o aluno importa. Não dá para cair na armadilha de olhar só para o aluno mais engajado. Não se perde nenhum aluno.”

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Envolvimento da comunidade
Para fazer com que os alunos aprendam com qualidade, uma das estratégias da escola municipal Miguel Antonio de Lemos, localizada na área rural de Pedra Branca, no Ceará, é envolver a comunidade nas decisões e vida escolar.

A unidade atende 3.136 alunos do 6º ao 9 ano. Lá, o acesso é feito somente por pau de arara, os ônibus não têm passagem por conta das condições das estradas. Nada disso, no entanto, impede a aprendizagem dos alunos.

“Não vivemos só de problemas. Fazemos com que os alunos aprendam e conscientizamos a comunidade. Nosso lema é fazer com que a escola seja a diferença na vida do aluno. Fui alfabetizado nessa escola e tenho uma causa de amor com ela”, diz o diretor Amaral Barbosa de Lima.

Na escola Maria Leite de Araújo, também da área rural de Brejo Santo (CE), a relação estreita com a comunidade também é uma realidade. A escola é pequena, possui 2.465 alunos do 6º ao 9º ano. Os professores moram próximos às famílias dos alunos e as mães acompanham o desenvolvimento e acompanhamento das crianças.

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Olho na evasão
Na escola de Belo Horizonte também destacada pela pesquisa, a Armando Ziller, um dos desafios é a violência do entorno. “Temos problemas como qualquer centro urbano”, afirma a vice-diretora Ivani de Paula Campos.

Para garantir o aprendizado dos alunos, a escola impõe regras e controla as faltas – se houver cinco consecutivas, ou dez alternadas, os pais são convocados. Também faz questão de trazer os pais para a escola. Frequentemente realiza sessões de cinema e bingo para os familiares dos alunos.

Formação de professores
Na escola Gerardo Rodrigues, de Sobral (CE), o diferencial está na formação de professores. Todos os meses os docentes passam por formações sob acompanhamento de uma consultoria e uma vez por semana, se reúnem para estudar e conversar sobre os problemas dos alunos.

“Sabemos quais são os alunos que têm dificuldades e quais são elas”, afirma a Fernanda Lopes, professora de português. Fernanda lembra que outra característica da escola é trabalhar a questão da afetividade entre os alunos. “Atendemos muitas crianças carentes, inclusive no sentido afetivo”

Avaliações frequentes
É de Novo Horizonte, em São Paulo, uma cidade agrícola, a mais de 400 km da Capital, que vem outro bom exemplo de educação pública. Na escola municipal Hebe de Almeida Leire Cardoso, o índice de aprendizado adequado entre os alunos do 9º ano em matemática e português ultrapassa a marca dos 50%.

A qualidade do ensino é mensurada por avaliações, da escola, dos professores e da secretária da educação. O professor de história Ademir Almagro explica que todas as sextas-feiras os alunos fazem uma prova. O resultado, com a média da sala, e da individual, chega já na segunda-feira. “Dá para medir como o está sendo o aprendizado de maneira imediata. Eu sei aonde eu tenho de voltar.”

Almagro diz que a escola colhe agora os frutos de um trabalho que começou há 12 anos. “Queremos que o aluno aprenda com a sensibilidade do professor em sala de aula e com os números revelados pelas avaliações.”

Turno integral
A escola municipal Rodrigues Alves, localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, aderiu ao programa Ginásio Carioca, implantado pela Prefeitura do Rio em 2011. Nas unidades que fazem parte do projeto, os alunos estudam em tempo integral e têm professores de dedicação exclusiva.

No colégio Rodrigues Alves todos os alunos são acompanhados de perto, os que têm dificuldade no aprendizado participam do reforço no contraturno escolar. “A gente nunca desiste do aluno, não importa se ele veio com alguma defasagem. Está todo mundo envolvido. Nós não podemos resolver o problema do país inteiro, mas podemos fazer algo por quem está na nossa frente”, diz a coordenadora pedagógica Maristela Motta.

Depois do período regular das aulas, os alunos têm atividades como xadrez, italiano, história em quadrinhos, debates sobre temas adolescentes, sessões de cinema aliadas aos projetos de leitura, entre outros. As opções mudam a cada semestre.

Maristela lembra que as dificuldades existem como em tantas outras escolas públicas do Brasil, a Rodrigues Alves, por exemplo, não possui uma quadra coberta, e muitas vezes os alunos precisam fazer aulas sob um sol de 40 graus. No entanto, para ela, o diferencial é a “vontade de fazer” da equipe que lá atua. “É a vontade, a maneira de tratar o ser humano. Não é o que fazemos, é como fazemos, a maneira.”

Veja a lista das escolas selecionadas pela pesquisa:
1) Escola Municipal Rodrigues Alves – Rio de Janeiro (RJ)
2) Escola Municipal Armando Ziller – Belo Horizonte (BH)
3) Escola Municipal Gerardo Rodrigues – Sobral (CE)
4) Escola Municipal Hebe de Almeida Leite Cardoso – Novo Horizonte (SP)
5) Escola Municipal Miguel Antonio de Lemos – Pedra Branca (CE)
6) Escola Municipal Maria Leite de Araújo – Brejo Santo (CE)

 

(**) As informações que estão nas imagens são do Inep Censo Escolar e Prova Brasil

Universidades de ponta abrem inscrições para bolsas de estudos. Saiba como concorrer

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Mapa mostra mais de trinta opções cursos de pós-graduação em cinco áreas de estudo que oferecem bolsas integrais ou parciais para brasileiros. Aulas começam no segundo semestre de 2015

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Universidade de Yale, nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

Bianca Bibiano e Luana Massuella, na Veja on-line

Nessa época do ano, as principais universidades da Europa e dos Estados Unidos abrem inscrições para os processos seletivos de bolsas de estudo para cursos de pós-graduação. Os programas podem cobrir desde uma parte das despesas universitárias até os gastos pessoais do estudante durante a estadia no exterior. “As bolsas de estudos têm sido um grande atrativo para os brasileiros, que são bem recebidos nas universidades devido às suas qualificações acadêmicas, facilidade de entrosamento, perfil de liderança, iniciativa e criatividade”, diz Anna Laura Schmidt, coordenadora de projetos da Fundação Lemann, instituição que financia bolsas de estudos em universidade de ponta, como Harvard, Stanford e Yale, nos EUA.

As vantagens para a carreira do profissional que estuda no exterior vão além da formação acadêmica. “O aprimoramento do idioma, a troca de experiência com estudantes de outras nacionalidades e a vivência em outro país resultam em amadurecimento pessoal e profissional”, diz Leonardo de Souza, diretor-executivo da empresa de recrutamento de executivos Michael Page.

Além do programa Ciência Sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudos no exterior para estudantes e profissionais das áreas de engenharia, ciências e tecnologia, a maioria das universidades na Europa e nos Estados Unidos investe em programas de internacionalização e oferece bolsas de estudos para pessoas da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio em diversas outras carreiras. Em alguns cursos, cerca de 25% dos estudantes não são nativos.
Participar desses programas, contudo, não é tão simples. Cada universidade tem seu próprio sistema de seleção, que inclui etapas que vão desde a análise dos documentos até entrevistas pessoais ou por webconferência e que começam cerca de seis meses antes do início do curso. Para ajudar estudantes na procura por uma bolsa, o site de VEJA fez uma seleção de 30 cursos de mestrado, doutorado e MBA que oferecem bolsas integrais ou parciais.

Como se inscrever — A inscrição para os programas de bolsa é feita em duas etapas paralelas: a admissão na universidade e a obtenção da bolsa. Isso porque as bolsas são ofertadas por fundações ou grupos de apoio que financiam estudos, como a Fundação Lemann e o Instituto Ling, ambos brasileiros. Além disso, também é possível concorrer pelo processo interno nas universidades, que oferecem bolsas parciais de acordo com o currículo do candidato.

Para ser selecionado na universidade, o primeiro passo é escolher um curso de interesse. No mapa elaborado por VEJA.com, é possível escolher programas de bolsas de estudo em cinco áreas: negócios, saúde, educação, direito e ciências humanas. Depois, é preciso saber qual curso se enquadra melhor no perfil do candidato. Para isso, basta clicar no nome da universidade no mapa. No site de cada universidade, o candidato encontra informações detalhadas sobre as áreas de estudo priorizadas em cada instituição de ensino e sobre os programas de pesquisas em andamento.

Os processos seletivos são feitos apenas pela internet. Para isso, serão necessários: cópias digitalizadas de diploma universitário; histórico do curso com as notas obtidas em cada disciplina; documentos pessoais; currículo e cartas de recomendação, em inglês, de profissionais ou professores universitários; e certificado de fluência em inglês, que pode ser TOEFL ou IELTS, dependendo da universidade.

É importante atentar para o período de inscrição para envio de toda a documentação necessária. As entrevistas pessoais ou por telefone e outras solicitações serão feitas nos meses seguintes, após o fim do prazo. “Diferente da pós-graduação no Brasil, em que existe uma seleção quantitativa para seleções de bolsas de estudo, no exterior a seleção é mais qualitativa, baseada nos objetivos do profissional, no histórico acadêmico e na sua capacidade de mostrar liderança”, explica Anna Laura. As entrevistas são usadas para detalhar esses aspectos e para comprovar a fluência em inglês do candidato.

Feira divulga vagas na Europa — Entre os dias 29 e 30, os interessados em estudar na Europa podem entrar com em contato com representantes de  diversas universidades na feira Euro-Pós, que acontece no Centro de Eventos São Luiz, em São Paulo. Promovida pelas instituições de fomento ao ensino superior da França (Campus France), Alemanha (DAAD – Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e Holanda (Nuffic – Organização Neerlandesa para a Cooperação Internacional no Ensino Superior), o evento contará com a participação de países como Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Reino Unido, Irlanda, Hungria, Suíça, Holanda, Alemanha e Itália.

“Será uma oportunidade para que os estudantes interessados em cursos superiores na Europa conheçam mais sobre a instituição onde desejam estudar. Serão 85 expositores entre universidades europeias e instituições oficiais de informação”, afirma Silvia Bauer, coordenadora de marketing do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. A feira tem entrada gratuita e fica aberta das das 14h às 19h. Para mais informações, acesse o site do evento.

Autodidata, professor se destaca com aulas criativas de física e é convocado pelo Google

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Publicado no Boa Informação

Aulas de Idelfrânio Moreira farão parte de uma sessão dentro do site Youtube sinalizada pelo Google como as melhores videoaulas em língua portuguesa. (FOTO: Chico Célio)

“Você sabe Física, só não sabe que sabe!” É assim que Idelfrânio Moreira convence seus alunos a estudarem a disciplina, sem resistência ou preconceito. Mesmo sem ter cursado faculdade, ele leciona há 20 anos e desenvolve um novo método de estudar a Física. Com a divulgação de vídeoaulas criativas no Youtube há cinco anos, ele foi um dos 40 educadores selecionados em todo o Brasil para participar de um treinamento em tecnologias educacionais no Google.

Em seu canal, é possível acessar sessões específicas para Escolas Militares, Academia Enem, Fenômenos Físicos e Vestibulares tradicionais. Além de explicar o conteúdo, ele também responde a questões de Física e comenta o resultado, como estão nas sessões: “Eu sei o que vocês erraram na questão passada”, “Simulando Enem”, “Se essa questão fosse minha”, “Plantão da física marginal” e “As questões (de Física) mais legais do mundo”.

Uma das sessões mais irreverentes é nomeada pelo jargão do professor: “Você sabe física, só não sabe que sabe”. Nela, Idelfrânio utiliza cenas do cotidiano para mostrar que a Física é aplicável e que na maioria das vezes o aluno entende o processo físico, mas não parou para pensar nos termos técnicos. Além de explicar, ele costuma usar frases da literatura brasileira para contextualizar os assuntos.

Convite do Google

A publicação dos vídeos na internet chamou a atenção de uma das maiores empresas multinacionais de serviços online, o Google, que convidou o professor a fazer parte daseleção de um time de 40 educadores do Brasil para participar de um treinamento na sede do Google no Brasil, onde eles seriam capacitados para utilizar o potencial de seu canal no Youtube e acelerar o processo de tecnologia educacional via internet.

“Eu fiquei muito feliz e surpreso, pois eu persisto muito na Física Marginal. Meus vídeos nem tinham tanta repercussão assim, eu tinha, no máximo, 300 assinantes. Isso prova que a curadoria da Fundação Lemann não escolhe pela quantidade, e sim pelo conteúdo. Ratifica o trabalho que eu tô fazendo e mostra que estou indo no caminho certo”, conclui.

Todos os 40 educadores selecionados explicaram como trabalham, e receberam treinamento do Google para aprimorar educação e tecnologia via internet. Eles farão parte de uma sessão dentro do site Youtube sinalizada pelo Google como as melhores videoaulas em língua portuguesa.

“Eu queria ser Einstein, descobrir várias coisas. Buscava entender a teoria e tinha que explicar na prática pro meu pa. A ciência popular que eu aprendi em casa me fez estudar a física de forma contextualizada, e assim eu passei a ensiná-la contando histórias”.

Escolha da profissão

Antes mesmo de cursar o ensino médio, período em que a Física é inserida na grade curricular, Idelfrânio já estudava a disciplina. Recebeu livros doados por sua prima e começou a estudar e resolver exercícios sozinho. “Quando era mais novo, assistia aquele seriado do MacGyver e lembrava do meu pai e meu avô, que trabalhavam consertando objetos. Aquilo que eu via no seriado justificava tudo que o meu pai e meu avô faziam, então passei a me interessar pela Física. Mas além da prática, eu também queria entender a teoria”, relembra.

Ao cursar o ensino médio, aprimorou os conhecimentos e ganhou uma bolsa de estudos em uma escola particular de Fortaleza. Lá, participou da 1ª Olimpíada Cearense de Ciências e obteve nota 10. Logo, os diretores da escola perceberam o seu potencial e o convidaram para ser monitor da disciplina. Também dava aula particular aos colegas de sala que tinham dificuldade em resolver os exercícios.

Devido ao seu desempenho, foi contratado pela escola para ser professor substituto e depois como professor oficial da disciplina para turmas especiais e pré-vestibular. Em seus 20 anos de carreira já ensinou em três grandes escolas de Fortaleza e em cursos preparatórios para concursos. “Eu acho que o meu diferencial é ensinar a Física contando histórias. E isso vem do meu pai, porque à medida em que eu explicava a teoria, ele pedia que eu ensinasse como funcionava na prática. Então, eu tentava explicar de uma forma mais didática e próxima do universo dele”.

Física marginal

Professor utiliza a literatura e cenas do cotidiano para ensinar Física. (FOTO: Arquivo pessoal)

Professor utiliza a literatura e cenas do cotidiano para ensinar Física. (FOTO: Arquivo pessoal)

Apesar de ter alunos campeões de olimpíadas cearense, brasileira e mundial, Idelfrânio decidiu avançar. Em 2009 começou a desenvolver seu conceito de Física Marginal, que busca estudar a disciplina de forma dinâmica, contextualizada e interdisciplinar. Saiu de seu emprego, onde era professor exclusivo, e dedicou-se à educação pela internet. Criou um canal no Youtube, onde há cinco anos dá aulas, e possui um site com questões de sua autoria que seguem todos os padrões do Enem.

A resposta foi imediata: os alunos passaram a acompanhar as aulas e manter contato com o professor. “Eles usam momentos do seu cotidiano e me enviam dizendo: ‘Professor, isso aqui dá uma questão, dá uma aula’. E a ideia é justamente essa, fazer com que a pessoa se encante pela Física”. Como estava desempregado, e as videoaulas eram de iniciativa própria, ele teve que vender alguns bens materiais, por ter diminuído seu padrão de vida, e pediu ajuda aos amigos que possuíam estúdio para gravar as aulas.

Futuro

Após voltar a dar aula em escolas particulares, Idelfrânio segue com as videoaulas da Física Marginal. Está desenvolvendo uma adaptação em seu site para que possa rastrear o tempo que o aluno passou online e quais questões foram resolvidas, para dar um retorno a esse aluno avaliando o seu desempenho. Também apresenta a Física Marginal em palestras e através de desafios, como o LiterArte, evento organizado pelo Sesc Fortaleza, que tem o objetivo de mostrar quando a arte dialoga com o Enem.

Para participar do projeto, o professor se propôs a falar sobre a Física Marginal contada, cantada e ilustrada por Roberto Carlos, Patativa do Assaré, Lulu Santos, Michael Jackson, João Ubaldo Ribeiro, Shakespeare, Seu Jorge, Geraldo Amâncio, Ary Barroso e Clarice Lispector. Na próxima apresentação pretende falar sobre Período Barroco, Bel Canto e os Castratti. E ainda pretende dar uma aula contextualizando os 50 anos da Ditadura Militar com a Física. Antes de qualquer estranhamento, ele garante: “Tem Física nisso sim!”.

 

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