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Valesca Popozuda lança na Bienal do Livro de SP ‘Sou Dessas’, com memórias, reflexões e autoajuda

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Valesca Popozuda lança sua autobiografia - Ana Branco / O Globo

Valesca Popozuda lança sua autobiografia – Ana Branco / O Globo

 

‘Agora sou escritora, e ninguém vai me segurar!’, diz

Publicado em O Globo

Ex-frentista, ex-funcionária de borracharia, Valesca Reis Santos exulta:

— Agora eu sou escritora, e ninguém vai me segurar!

Sim, Valesca Popozuda, cantora de funk, dos sucessos “Beijinho no ombro”, “Eu sou a diva que você quer copiar” e, é claro, “Agora eu sou solteira”, está lançando seu primeiro livro: “Sou dessas: pronta pro combate” (Best Seller), com noite de autógrafos hoje, a partir das 18h, na abertura da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Com orelha assinada pela atriz Susana Vieira, “Sou dessas” traz relatos em primeira pessoa sobre os 37 anos de vida da funkeira (“Mas não é uma biografia. Se fosse, 200 páginas seria pouco para contar tudo”, diz ela), muitos conselhos lastreados em suas experiências (é uma espécie de livro de autoajuda também) e várias reflexões sobre feminismo, vaidade, mídia, orientação sexual e igualdade racial (que justificariam a alcunha de “Valesca pensadora”, que ela ganhou em 2014, na prova de filosofia de uma escola pública de Taguatinga), “Sou dessas” bate, logo nas primeiras páginas, numa velha tecla: “Eu sou a prova viva de que, quando você quer mesmo alguma coisa, o universo vai conspirar a seu favor e a mágica vai acontecer”.

Ex-frentista, ex-funcionária de borracharia, Valesca Reis Santos exulta:

— Agora eu sou escritora, e ninguém vai me segurar!

Sim, Valesca Popozuda, cantora de funk, dos sucessos “Beijinho no ombro”, “Eu sou a diva que você quer copiar” e, é claro, “Agora eu sou solteira”, está lançando seu primeiro livro: “Sou dessas: pronta pro combate” (Best Seller), com noite de autógrafos hoje, a partir das 18h, na abertura da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Valesca Popozuda - Ana Branco / O Globo

Valesca Popozuda – Ana Branco / O Globo

Com orelha assinada pela atriz Susana Vieira, “Sou dessas” traz relatos em primeira pessoa sobre os 37 anos de vida da funkeira (“Mas não é uma biografia. Se fosse, 200 páginas seria pouco para contar tudo”, diz ela), muitos conselhos lastreados em suas experiências (é uma espécie de livro de autoajuda também) e várias reflexões sobre feminismo, vaidade, mídia, orientação sexual e igualdade racial (que justificariam a alcunha de “Valesca pensadora”, que ela ganhou em 2014, na prova de filosofia de uma escola pública de Taguatinga), “Sou dessas” bate, logo nas primeiras páginas, numa velha tecla: “Eu sou a prova viva de que, quando você quer mesmo alguma coisa, o universo vai conspirar a seu favor e a mágica vai acontecer”.

Com a editora, ficou a responsabilidade pelo texto final e pela divisão em capítulos.

— Algumas vezes, eles botaram o linguajar deles no livro, mas aí eu cheguei e disse: “Não, o livro tem que ser Valesca, nada de muito enfeite” — diz ela, uma leitora de livros nada contumaz. — O último que eu li todo foi “A menina que roubava livros” (best seller do australiano Markus Zusak). Leio mais revistas de moda.

“Sou dessas” (dedicado à mãe, “uma mulher guerreira, que dormiu na rua, passou fome, mas nunca me deixou passar fome”) termina com um capítulo sobre estupro — algo que ela diz não ter sofrido, mas que a revolta.

 

— O homem tem que parar com essa loucura de achar que a mulher está pedindo — prega ela, que no entanto livra a cara do cantor Biel, envolvido em escândalo ao dizer que estupraria uma repórter que o entrevistava. — Adolescente fala besteira — diz, apesar de Biel já ter 21 anos. — O que pesa é que ele é um artista. Se não fosse um adolescente funkeiro, ninguém estaria criticando. Mas agora ele vai pensar melhor antes de falar.

Enquanto divulga o livro, Valesca segue firme na música. E lança, ainda neste ano, as músicas “Viado” e “Pimenta”:

— Gosto de cantar o que o povo quer ouvir. Só não canto em inglês. Nunca busquei ser internacional.

Professora usa rap e funk para ensinar História: ‘Não estudei para domesticar aluno’

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Ane Sarinara tem 27 anos e é professora há oito; é militante do movimento negro e feminista e, lésbica assumida, também combate o preconceito contra a comunidade LGBT

Ane Sarinara tem 27 anos e é professora há oito; é militante do movimento negro e feminista e, lésbica assumida, também combate o preconceito contra a comunidade LGBT

 

Renata Mendonça, na BBC Brasil

Um aluno entra na sala e coloca não o caderno, mas uma arma sobre a mesa. Outro salta pela janela do segundo andar, no meio da aula, para fugir de um traficante. Uma garota entra correndo e chorando após ter conseguido se livrar de dois colegas que tentavam abusar dela no banheiro.

O estresse causado por situações como essas já fizeram a professora Ane Sarinara, que ensina História na periferia de São Paulo, se afastar do trabalho e até pensar em desistir. Mas recentemente ela criou uma estratégia para envolver os alunos nas aulas: usar funk e rap para trazer um pouco do cotidiano difícil deles para a sala.

“A escola está completamente fora da realidade deles, e a educação, sem significado, não tem sentido nenhum. É aquela ideia: você finge que explica, eles fingem que entendem. São cidadãos que não gritam, que não berram, omissos, obedientes. Costumo dizer que não estudei para domesticar aluno. Querem que eu faça isso, mas eu não consigo”, conta ela à BBC Brasil.

Para quem questiona a opção por esses ritmos musicais, a professora de 27 anos, há oito na profissão, tem a resposta na ponta da língua: “os alunos gostam disso, é o que eles escutam e é a linguagem que eles sabem”.

Funk escrito por alunos de Ane do 1º ano do Ensino Médio na Fundação Casa

Funk escrito por alunos de Ane do 1º ano do Ensino Médio na Fundação Casa

 

Tudo começou com um estudante muito problemático, mas que era muito bom em algo: cantar funk.

“Outros professores tratavam isso como indisciplina. Só que eu sou da periferia, escuto funk desde que me conheço por gente”, lembra. “Sugeri que ele escrevesse um funk sobre a matéria – foi a forma que encontrei para ele fazer parte da aula.”

Quando o garoto apresentou o trabalho, ela percebeu que a tarefa havia “conquistado” não só a atenção dele, mas de toda a sala.

“Um dos meninos se ofereceu para fazer o beatbox (reprodução de sons com a boca e o nariz), outro pegou a lata de lixo, outros batucavam na mesa, batiam palmas”, recorda.

“Nisso, a diretora entrou para perguntar o que estava acontecendo. Para ela, parecia uma zona. Mas não era: a gente estava tendo aula.”

Resistência

Ane expandiu a experiência para além da música.

Uma vez, por exemplo, dividiu os alunos em dois grupos e criou um tribunal: o primeiro representaria a polícia e o outro, o tráfico.

“Na periferia, a polícia é muito mal vista porque chega sempre com violência. Mas a ideia era mostrar para eles que o tráfico, que é quem acaba fazendo as melhorias que eles precisam na região em que o Estado é ausente, não tem só coisas positivas.”

Mas fugir do “padrão” também trouxe problemas: diretores e outros professores reclamavam de que Ane era “liberal demais”, e que seus alunos saíam achando que “podiam fazer tudo” nas outras aulas.

Ocupação de alunos nas escolas de São Paulo no ano passado chamou a atenção de Ane: "Esses alunos estão gritando. Elas estão dizendo que não está dando mais. Que a escola nao está comportando o que eles precisam. E a gente está demorando demais para ouvir:"

Ocupação de alunos nas escolas de São Paulo no ano passado chamou a atenção de Ane: “Esses alunos estão gritando. Elas estão dizendo que não está dando mais. Que a escola nao está comportando o que eles precisam. E a gente está demorando demais para ouvir:”

 

“Eles diziam: ‘alguns pais estão reclamando, se eles forem na Diretoria de Ensino você vai ter que se retirar da escola’. E eu respondia: ‘não vou mudar, não estou fazendo nada de errado’.”

Além de não ter desistido, ela hoje aplica seu método também na Fundação Casa (instituição que abriga menores de idade infratores em São Paulo). Onde, aliás, enfrenta os mesmos problemas causados pelo modelo convencional.

“Quando entro na Fundação Casa, lembro das grades da minha escola. É igual. Não vejo diferença. A escola é uma prisão, a única diferença é que ela não tem seguranças. O resto é tudo igual. A mesma rotina, as mesmas grades, aquela lousa lá na frente, professor estressado.”

‘Cara de prisão’

Nascida e criada na periferia de São Paulo, Ane sentiu na pele os desafios que seus alunos têm no dia a dia.

Ela morava com a família em Jandira, na região metropolitana, mas aos quatro anos teve de ir morar em um orfanato na vizinha Carapicuíba. Viciado, seu tio passara a enfrentar problemas com traficantes, que ameaçaram a família toda.

No orfanato, conheceu o racismo, apanhou sem saber o porquê e enfrentou as amarras da escola, que para ela sempre teve “cara” de prisão.

“A escola era uma prisão, é uma grande jaula. Você joga as pessoas lá, transforma todas elas em máquinas de obedecer sem questionar, mostra um mundo fora da realidade delas. Era como eu me sentia dentro da escola: presa.”

Ane foi morar em Osasco – onde vive até hoje – e logo decidiu que queria ensinar. Mas com um objetivo: que seus alunos não sentissem o que ela sentia na escola.

“Pensava: como eu gostaria que tivessem me dado essa aula? Foi por isso que comecei a tentar essas coisas diferentes.”

E decidiu permanecer na periferia para “devolver algo” algo ao lugar que a criou.

“As pessoas costumam estudar e trabalhar para poder sair daqui. Mas eu não penso assim. Não tenho que sair desse lugar, eu quero transformar esse lugar.”

Cansaço

Mesmo com o discurso repleto de esperanças, Ane admite o cansaço – ela acredita que “não vai durar muito tempo” na profissão.

“Não tem nada de legal nessa profissão. Parece exagero, mas é isso. Você é humilhado todos os dias, não tem nenhum reconhecimento. O que motiva o professor nesse país é o ideal dele.”

Ela conta que, no decorrer dos anos, conseguiu bancar sua escolha de “mandar o currículo para o saco e fazer o que eu acho que tem que ser feito”. Mas reclama do peso da missão.

“Jogam toda a carga em cima do professor. Tenho que educar, dentro e fora da escola, socorrer aluno, salvar aluno, salvar a sociedade… eu tenho que ser perfeita. Mas enquanto isso, o sistema está me arrochando dos dois lados, e você fica sem saber para onde correr. Geralmente a gente corre para o banheiro para chorar.”

Ela diz cogitar abandonar a sala de aula por medo de sair de lá “de camisa de força”. E, após citar números de professores que cometem suicídio, conclui:

“Muitos colegas meus já tomam tarja preta pra conseguir dar aula. Não quero ficar desse jeito. Aí é que está a questão: eu não consigo me adaptar ao sistema. Mas aí todo mundo me diz: vai chegar uma hora que você vai ter que escolher entre ficar e se adequar ou sair. E está chegando essa hora já.”

Escritor do Rio de Janeiro bate três recordes com livro sobre funk

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Marcelo Gularte conquista três recordes junto ao RankBrasil através do livro ‘A lenda do funk carioca’

Marcelo Gularte conquista três recordes junto ao RankBrasil através do livro ‘A lenda do funk carioca’

Publicado por Folha Vale do Café

Rio de Janeiro – Marcelo Gularte, de 42 anos, conquista três recordes junto ao RankBrasil através do livro ‘A lenda do funk carioca’, publicado de maneira independente pelo próprio autor. A obra de 1.177 laudas é o Maior romance em número de páginas do país. Com mais de 500 personagens, a publicação também foi considerada o Livro com a maior cronologia sobre o funk, contemplando mais de quatro décadas do gênero musical, período entre 1970 e 2014.

Além dessas marcas, Marcelo produziu um material extenso em um curto período de tempo. Foram apenas nove meses, escrevendo de 15 a 20 horas por dia, assim acabou se tornando o Mais rápido a pesquisar e publicar livro de Literatura. Nascido em Madureira, no Rio de Janeiro (RJ), o autor vive na zona sul da cidade maravilhosa, no bairro Catete. Um fato curioso sobre o escritor é que ele nunca frequentou os bailes do gênero.

O interesse pelo tema surgiu por influência do irmão e cresceu após produzir o curta-metragem ‘Mc Magalhães, uma lenda viva do funk’. Tratar este assunto representou um desafio.

“A primeira questão a se pensar foi desenvolver um trabalho direcionado à massa funkeira, considerada público não leitor. Decidi trazer o funkeiro como protagonista e narrador de sua própria história, valorizando personagens míticos, estruturando a escrita da maneira mais coloquial possível e preservando o vocabulário. O segundo fator era destrinchar esse período, sabendo que nenhum livro elucidava os festivais para me basear. O Dj Marcelo Negão do Apafunk representou meu fio de Ariadne e me ajudou bastante”.

A partir daí foram muitas reuniões com músicos e frequentadores das festas. O carioca nem sequer precisou de gravador no registro dos fatos. Cada encontro com um dos mais de 500 personagens presentes na publicação, escrevia por horas sem parar.

De acordo com o autor, o livro ainda não lançado por editora já é considerado a ‘Bíblia do funk’. “Ele foi construído por histórias reais, exigindo muita dedicação. É uma pesquisa monstruosa sobre a construção de uma cultura que representa uma identidade não só do Rio de Janeiro, mas também de fora do Brasil”, explica.

A grande quantidade de páginas dificulta a publicação em massa da obra, sendo necessário patrocínio. Além da versão impressa com 1.177 laudas, o escritor tem disponível um formato com 1.400 páginas.

Quatro vezes recordista

Conhecido como o rei dos ditados populares, Marcelo Gularte obteve o primeiro recorde junto ao RankBrasil em março de 2014 por realizar a Maior narração literária com ditos populares do país, com mil expressões por apresentação.

Cineasta e roteirista também dirigiu os curtas-metragens ‘Bang território em transição’ e ‘Mc Magalhães, uma lenda viva do funk’. Ele ainda coordena dois Pontos de Cultura em comunidades: um transforma lixo em instrumentos musicais e o outro ensina técnicas de cinema para adolescentes.

Quem ficou com curiosidade em conhecer o escritor, ele é facilmente encontrado em Ipanema, na Rua Vinicius de Moraes, onde toca flauta religiosamente todos os sábados de manhã.

Professores adotam o funk para motivar alunos antes do vestibular

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Paródias de hits recentes e antigos do funk fazem sucesso na sala de aula.
Professores do Rio de Janeiro contam como o ritmo foi parar na educação.

Ana Carolina Moreno, no G1

Os alunos do professor Silvio Predis, de 37 anos, não usam só o caderno e caneta para memorizar o conteúdo das suas aulas de química no Rio de Janeiro. As mãos batucando na carteira ao ritmo de funk com letras adaptadas também ajudam a reter a matéria. Predis, que dá aulas no cursinho Miguel Couto e no Colégio Santo Agostinho, afirma que começou a compor paródias de funk para motivar os estudantes a não desistirem da preparação para o vestibular

“Existe um desgaste emocional que acontece ao longo da preparação para o vestibular. A música vem em um momento para quebrar esse estresse. Numa hora dessa você consegue arrancar um sorriso que não conseguiria [de outra forma], de um aluno que pode estar bastante angustiado. Ela faz o aluno receber a química de peito mais aberto”, explicou Predis ao G1.

O professor de química levou o funk para a sala de aula há mais de dez anos e ganhou fama no Rio de Janeiro, em outros estados e até fora do país por causa disso. Segundo ele, os alunos começaram a gravar as “aulas-show” e, nos últimos anos, elas foram parar nas redes sociais. Em janeiro, ele foi convidado para dar uma aula em uma escola em Alagoas.

Silvio Predis, professor de química do Rio, ficou famoso por suas aulas com paródias de funk (Foto: Arquivo pessoal/Silvio Predis)

Silvio Predis, professor de química do Rio, ficou
famoso por suas aulas com paródias de funk
(Foto: Arquivo pessoal/Silvio Predis)

Vira e mexe Predis volta a “viralizar” na web com suas aulas. No dia 30 de junho, um usuário do Facebook publicou um de seus vídeos, reclamando, na descrição, que seus professores nunca deram aula desse tipo na sua escola. Em menos de um mês, foram mais de 12 mil compartilhamentos. No YouTube, porém, dezenas de vídeos com as aulas de Predis já renderem mais de 1,5 milhão de visualizações. Em um deles, Silvio canta a música sobre equilíbrio químico e até usa figurino para ajudar a animar os alunos.

O vídeo foi publicado por Paola Pugian, de 21 anos, em 2011. “A minha intenção era divulgar para os amigos de turma poderem estudar. Eu sentava na frente e conseguia filmar direitinho as aulas”, explicou ela ao G1. Hoje, Paola estuda farmácia na Universidade Federal Fluminense (UFF), e diz que já pensava em seguir a carreira, mas as aulas de química do professor Silvio “ajudaram um pouco mais” para que ela optasse pela profissão. “Adorava as aulas dele. As músicas eram somente uma parte das aulas. Excelente professor”, disse ela.

Vem, vem, vem, vem, vem, vem
Na oxidação o anodo é negativo
Onde ocorre a corrosão
Eletrodo corrído
Concentrando a solução
Os elétrons vão partindo
Pro catodo boladão
E o nox vai subindo
Um beijão no coração”
‘Funk da pilha’
(paródia de música de MC Niterói)

Inspiração no trânsito

Predis conta que não tem formação em música e não sabe tocar instrumentos. A ideia de usar o funk apareceu por acaso.

“Como você fica dando aula o dia inteiro, quando sai de uma aula o conteúdo fica martelando na cabeça. Liguei um som, com aquilo na cabeça girando, aí fui bolando e saiu o começo da música. Cheguei em casa, terminei a música e saiu.”

Além do ritmo, ele diz que a batida do funk é fácil de aprender e que isso ajuda na interação dos alunos. Depois da primeira apresentação, ele diz que os alunos gostaram tanto que ele acabou compondo paródias para mais de dez músicas.

Mas Predis explica que memorizar uma música não significa aprender a matéria, e que as paródias são apenas uma pequena parte da sua metodologia de ensino. “As músicas sempre acontecem como fechamento de um grande tema. A música é um fechamento, uma bonificação para aquele que prestou bastante atenção, participou.”

‘Beijinho no ombro’ dos concorrentes na Uerj

O funk também entrou na tradicional paródia pré-prova que os professores do Curso e Colégio De A a Z, também no Rio, elaboram especialmente para seus alunos. No ano passado, quem inspirou uma das montagens foi a cantora Anitta. Neste ano, o ‘Beijinho no ombro’ de Valesca se transformou no ‘Azinho na Uerj’ em uma superprodução do cursinho publicada no início de junho no canal do colégio no YouTube (assista ao vídeo acima), na véspera do primeiro exame de qualificação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

“O que a gente faz que é uma coisa nossa, uma tradição, é fazer esses vídeos mais motivacionais”, explicou Fellipe Rossi, professor de matemática e vice-diretor acadêmico do colégio. Ele também se vestiu de Valesca e protagonizou o vídeo, que foi gravado no Castelo de Itaipava, mesmo local da gravação do vídeo original que rapidamente viralizou na web. “Na véspera das principais provas aqui no Rio a gente sempre faz esses vídeos. É para os alunos que estão mais cansados, mais nervosos, conseguirem dar uma relaxada.”

Segundo Fellipe, o trabalho é coletivo: a produtora de vídeos do colégio se ocupa da filmagem e edição, e os professores dividem as tarefas de elaboração das letras e do figurino.

Antes de publicarem o vídeo na web, os professores também passam o resultado final na sala de aula. “Quando termina de passar, a reação dos alunos é inexplicável. Uns choram, uns riem, uns choram de rir”, diz o professor de matemática.

O funk no vídeo não explica nenhum conteúdo que cai nas questões do vestibular, mas estimula os jovens vestibulandos a acreditarem que o esforço na preparação antes das provas vai valer a pena no final. “Eles percebem como a gente se esforçou, se superou para fazer isso tudo. E a mensagem é exatamente essa: a gente é capaz de tudo para tentar fazer os alunos se prepararem melhor, relaxarem, porque eles são capazes de coisas que nem imaginam.”

Valesca Popozuda é escolhida como patronesse em formatura da UFF

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Alunos do curso de mídia queriam uma representante da cultura de massas.
‘Foi uma surpresa enorme, até perguntei se não era trote’, diz funkeira.

Paulo Guilherme, no G1

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da turma de formandos em Estudos de Mídia da UFF (Foto: Alexandre Durão/G1)

A funkeira Valesca Popozuda é patronesse da
turma de formandos em Estudos de Mídia da UFF
(Foto: Alexandre Durão/G1)

Os formandos do curso de curso de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense resolveram quebrar a tradição da faculdade e elegeram como patronesse a funkeira Valesca Popozuda. A cantora, dançarina e destaque de escola de samba dá o nome à turma de sete alunos que concluíram o curso no final do ano passado e colaram grau na semana passada no campus da universidade, em Niterói. Este grupo de concluintes da graduação será sempre conhecida como “Turma Valesca Popozuda”.

Foi a primeira vez que o patrono de uma turma do curso não foi alguém do meio acadêmico. Em anos anteriores, personalidades como o antropólogo espanhol-colombiano Jesús Martín-Barbero e o professor de direito Milton Santos foram escolhidas como patrono. A decisão dos estudantes da turma atual de formandos surpreendeu até a homenageada. “Eu me senti honrada! Cheguei a perguntar ao meu empresário se não era trote”, disse Valesca. “Foi uma surpresa enorme, fiquei muito feliz.”

A formanda Letícia Gabbay, de 24 anos, disse que a escolha da turma de seis moças e um rapaz pelo nome de Valesca Popozuda foi unânime. “Queríamos quebrar paradigmas e escolher alguém que representasse bem a cultura de massa, que estudamos muito no nosso curso”, explica Letícia. A turma chegou a cogitar escolher outro nome do funk, MC Catra, mas o nome de Valesca ganhou força entre as meninas do grupo.

A turma de formandos de Estudos de Mídia da UFF colou grau na última quarta-feira (3); Valesca não pode ir ao evento (Foto: Arquivo pessoal/Leticia Gabbay)

A turma de formandos de Estudos de Mídia da UFF colou grau na última quarta-feira (3); Valesca não pode ir ao evento (Foto: Arquivo pessoal/Leticia Gabbay)

“A Valesa Popozuda é uma figura polêmica. Por ser mulher, siliconada, tudo ligado a ela tem estigma muito forte de cultura de massas”, diz a formanda. “Sabemos que existe muito preconceito com o movimento funk, que hoje em dia é um dos mais autênticos da música brasileira.”

A cantora diz que sente orgulho de ser funkeira de 34 anos. “O funk entrou na minha vida como um filho”, diz Valesca. Infelizmente ainda existe discriminação com quem canta funk. Fico feliz em saber que este ritmo é estudado nas universidades.”

Popozuda não pode comparecer à colação de grau porque no dia já tinha um show agendado, mas prometeu participar da festa de comemoração dos formandos. A turma estuda fazer um evento em uma casa de shows de funk em São Gonçalo. A universidade preparou uma placa com o nome na patronesse: Valesca Reis Santos.

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