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Qual é o futuro do mercado de livros no Brasil?

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A TODAVIA, de Moura, Conti, Levy, Ana, Setubal e Sarmatz, aposta no poder civilizatório dos livros nesse momento de discussões rasas da internet (Foto: Rogério Albuquerque)

A TODAVIA,
de Moura, Conti, Levy, Ana, Setubal e Sarmatz, aposta no poder civilizatório dos livros nesse momento de discussões rasas da internet (Foto: Rogério Albuquerque)

A boa onda dos negócios com propósito chega ao setor de livros – e novas editoras, investidores e mecenas com sobrenomes famosos tentam revigorar um mercado de R$ 5,2 bilhões

Rogério Albuquerque, na Época Negócios

Chegamos.” No post de apresentação em seu perfil no Instagram, em 20 de junho passado, a editora Todavia (@todavialivros) se vale de um dos memes mais divertidos do ano. Um professor de relações internacionais de uma universidade da Coreia do Sul vê seu escritório em casa invadido pelos filhos pequenos durante uma transmissão ao vivo para um telejornal da BBC. A edição que a editora fez do vídeo sublinha o pedido de desculpas do professor – “my apologies” – antes de piscar a logomarca da Todavia. É um discurso completo da nova empresa em seu humor highbrow e presença digital, ainda que não deixe claro se, ao disputar a atenção no espaço proibido, ela estará mais para os bebês, quase insolentes em cena, ou para o acadêmico, absoluto em seu autocontrole e domínio do fato.

Contudo, a Todavia não está para brincadeira. Com dois dias em exposição na semana de lançamento, O Vendido, do americano Paul Beatty, aparecia em quarto lugar entre os livros mais vendidos na Travessa, a livraria oficial da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. “Já fizemos uma reimpressão de 3 mil exemplares, depois da tiragem inicial de 4 mil, pouco acima da média do mercado”, conta o editor Flávio Moura, um dos sócios-fundadores da nova casa editorial. Vencedor do Man Booker Prize no ano passado, Beatty sentou-se à mesa em um dos mais concorridos eventos da festa literária de Paraty, encerrada no último dia 30, em que se discutiu “o grande romance americano” – e apropriação cultural e racismo. Sua vinda diz muito dos mares em que a Todavia quer navegar, que não são os clássicos mares do quanto maior e mais rápido o retorno financeiro melhor. “A gente quer escolher títulos que adensem o debate nesse momento em que a rede social tomou a dimensão que tomou com esse tipo de discussão rasa e acirrada”, diz Moura. “Nesse aspecto, a editora tem um papel civilizatório.”

O posicionamento da empresa, explicado com um misto de entusiasmo e cautela pelo editor – “pode parecer demagogia” –, é o que conferiu o valor diferencial na avaliação do risco tomado pelos financiadores do projeto. “Os jovens empreendedores trabalham com conceitos diferentes, não estão olhando para os negócios apenas pelo lado financeiro, que é uma visão estreita”, avalia o presidente da holding Itaúsa, Alfredo Egydio Setubal, o principal entre os três investidores iniciais da Todavia. “Estamos investindo porque acreditamos que ainda haja espaço para editoras desse tipo, que buscam qualidade. A ideia é construir uma editora influente, que colabore e interfira nos debates importantes para a sociedade brasileira.”

Há importantes sinais de mudança aí. “Tem se tornado cada vez mais comum esse investidor ou proprietário, de perfil mais paciente”, afirma Roberto Sagot, diretor-executivo da Fundação Dom Cabral e coordenador de um programa com CEOs de grandes empresas em busca de propósito – e não somente de lucro. Seja por convicção, seja por conveniência, o retorno não se mede mais apenas do ponto de vista financeiro e do curto prazo. “Eles têm se perguntado ‘o que vou deixar para a próxima geração?’.” Sagot lembra que não são poucos os estudos sobre a relação entre posturas socialmente mais responsáveis e seus benefícios diretos na geração de caixa. “Em tese, a Todavia vai conversar com um tipo de público que já valoriza esse tipo de empresa”, observa. “Eu não me espantaria se eles descobrirem, com o tempo, que criaram um negócio hiper-rentável.”

“Ninguém está lá para pressionar a turma a ter, sei lá, 20% de rentabilidade ao ano”, acrescenta o gestor de fundos da Indie Capital Luiz Henrique Guerra, reforçando a sintonia do grupo inicial de investidores. A visão é de que, mesmo em se tratando de um segmento desafiador – “especialmente no nicho em que eles estão, da alta literatura” –, há um espaço para crescer no vácuo deixado pela finada Cosac Naify, que fechou as portas em 2015 depois de uma história de quase 20 anos de prejuízos. “Na nossa modelagem, o break even é de quatro a cinco anos”, afirma Guerra. “O planejamento não levou em conta a expectativa de emplacar hits, mas o cenário não está descartado. A editora conta com um grupo de editores experientes.”

Fundada por Moura e os colegas André Conti e Leandro Sarmatz, o diretor comercial Marcelo Levy (todos egressos da Companhia das Letras), a agente literária Ana Paula Hisayama (ex-Agência Riff) e o editor em formação Alfredo Nugent Setubal, filho de Alfredo Egydio, a Todavia soube atrair um capital interessado em remunerar o trabalho. “Este não é um investimento de startup, em que você põe o dinheiro, a coisa cresce e você vende”, avisa Conti. “São investidores que têm afinidade com a área cultural, que estão com a gente também por reconhecer a importância social desse tipo de empreendimento.” A editora já tem 50 títulos comprados e deve publicar entre 50 e 60 títulos novos por ano, ante 30 por mês da Cia. das Letras, por exemplo. “Em um cenário de longo prazo, em 15 anos teremos 900 títulos em catálogo”, diz o diretor comercial Marcelo Levy.

Detentores de 25% da Todavia, os sócios-fundadores não abriram os números que a credenciam como “uma editora média”, em sua autodeclaração, mas demarcaram claramente os limites de sua pretensão. Segundo o Painel das Vendas de Livros no Brasil, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), o mercado editorial brasileiro movimentou R$ 5,2 bilhões em 2016. Grosso modo, metade diz respeito aos livros didáticos e vendas para o governo. A outra metade é dividida quase meio a meio entre livros técnicos e religiosos e a área de interesse geral. “É nesses 25% [interesse geral] que vamos atuar. Somos uma editora literária, com gosto pelas narrativas. Estamos falando de um mercado grande, de R$ 1,1 bilhão, com uma incrível segmentação”, observa Moura. “As maiores editoras brigam por 8%. Metade dessa fatia é disputada por editoras com 1% de participação. Há espaço para crescer.”

Há um componente cruel a acrescentar imprevisibilidade neste cenário, a um só tempo promissor e desafiador: 44% dos brasileiros não leram um mísero livro nos três meses anteriores ao levantamento “Retratos da Leitura no Brasil”. São os chamados “não leitores”. Para o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, a leitura, de fato, vem perdendo importância na sociedade. Da terceira geração de editores na família, dono da Sextante, ele resume: “Há cinco anos, era comum você ir a uma festa e conversar sobre o que estava lendo. Hoje o assunto são as séries de TV. As pessoas são capazes de passar três horas seguidas assistindo ao Netflix, mas não de gastar meia hora lendo um livro.” Pereira lembra a frase-bordoada de Monteiro Lobato que enfeitava a sala do avô, José Olympio, em sua editora: “Um país se faz com homens e livros”.

À frente do sindicato da categoria, Pereira sabe melhor que ninguém que “todo mundo tem investido muito em qualidade” gráfica e editorial – “o livro é um excelente presente”. Ele entende que a estratégia de vender mais para quem já lê é a mais urgente agora por ser mais barata, mas avalia que só o investimento para converter o “não leitor” em leitor garantirá um crescimento sustentável. “As editoras defendem muito bem os lançamentos, mas precisamos ir mais ao mundo para defender o livro como fonte de entretenimento, conhecimento, imaginação.” O tom é de mea-culpa. “Como recuperar o valor da leitura na sociedade?” Essa é a pergunta de R$ 5,2 bilhões, com estimativa de crescimento de 6,5% este ano, segundo o Snel. Para o doutor em sociologia na USP José Muniz Jr., que realizou estudos sobre o mercado editorial independente no Brasil e na Argentina, os nossos baixos índices de leitura são resultados de uma série de fatores. “Talvez o mais importante deles seja o precário, descontinuado e incompleto processo de democratização do sistema educativo”, avalia. “Mas o nosso mercado também tem sua parcela de culpa. Ao ficar tão refém da leitura escolar, principalmente via compras públicas, talvez tenha se esquecido de cativar o leitor depois que ele sai da escola.” Para o pesquisador, o problema também pode estar na falta de ousadia na busca de novos canais de venda e na falta de uma política de produção de livros mais baratos, “mesmo que para isso fosse necessário abdicar, em parte, da qualidade editorial e gráfica”.

Para as pequenas e médias editoras, são justamente estes os componentes que garantem sua existência. Fundada em 2015, a Carambaia se especializou em edições numeradas de mil exemplares de obras desconhecidas de autores clássicos ou obras clássicas com o interesse renovado pelo esmero da edição. “Fizemos uma experiência com Dom Casmurro, de Machado de Assis”, diz o diretor editorial Fabiano Curi, cofundador – “não houve investidor, são recursos próprios” – com a jornalista Graziella Beting. “A edição especial, de cem exemplares por R$ 200 com intervenções individuais feitas pelo artista plástico Carlos Issa, esgotou-se em dois meses.”

A Ubu segue o caminho do meio. Fundada por Florencia Ferrari, Elaine Ramos – que trabalharam por mais de uma década na Cosac Naify como diretoras editorial e de arte, respectivamente – e Gisela Gasparian, a nova editora trouxe 35 títulos da velha casa. “Conseguimos um bom ‘fundo de catálogo’ nas áreas de sociologia, design e arquitetura, já trabalhados com professores e universidades, e isso nos garante um bom fluxo de caixa”, revela Florencia. É nos títulos novos que a Ubu demonstra sua linhagem (acabamento gráfico refinado e fama de careira), como a já reimpressa edição de Os Sertões, com 13 novos textos críticos e um projeto gráfico que remete à caderneta de anotações de Euclides da Cunha, e a futura edição de Macunaíma, prevista para o mês que vem. Além de um ensaio que aponta a fonte original dos mitos indígenas declaradamente decalcados por Mario de Andrade – o livro Do Roraima ao Orinoco, do viajante alemão Theodor Koch-Grünberg –, a edição terá uma tiragem especial de 200 exemplares, com papel especial e capas únicas ilustradas pelo artista plástico Luiz Zerbini. “Com o preço em torno de R$ 300, esses exemplares especiais vão ajudar a financiar o trabalho da edição ‘normal’, de 3,5 mil exemplares”, diz Florencia. Fartamente ilustrados, os exemplares comuns custarão cerca de R$ 69.

Cada pequena e média editora desenvolve sua estratégia para garantir a sobrevivência e enfrentar a árdua negociação com as livrarias. As grandes redes levam à risca o modelo não incomum também nos grandes mercados, como o americano: a consignação e, em média, 50% do valor de capa. Isso significa que, em um livro de R$ 70, sobram às editoras R$ 35 para pagar a impressão, transporte, projeto gráfico, tradução e preparação de texto, direitos autorais e ainda remunerar os eventuais investidores e garantir sua margem. “Muitas vezes, uma edição só começa a se pagar a partir da terceira reimpressão”, diz Gisela, da Ubu. Por isso, muitas delas têm recorrido às vendas diretas ao leitor, no canal digital. “Hoje, trabalhamos com cerca de duas dezenas de livrarias e nenhuma grande rede. Nosso modelo é inflexível, porque se eu oferecer mais de 30%, pago para a livraria vender meu livro”, diz Curi, da Carambaia. “Na venda direta, controlo o envio, a embalagem, o brinde. O cliente paga, assim, o custo unitário do livro e uma porcentagem a mais para fazer a editora funcionar.”

Mesmo com a gravidade da crise econômica, a puxar para baixo os resultados, e a má reputação do preço de capa – “o livro brasileiro não é barato, mas é acessível”, defende Pereira, do Snel, o mercado vive “um movimento cultural em que a gente precisa ficar de olho mesmo”, diz o jornalista e editor Paulo Werneck, sócio-fundador da revista de resenhas literárias 451, “a revista dos livros”. Nascida em maio, ela conta com um capital simbólico e financeiro poderoso. “Em vez de investidores, temos doadores”, diz Werneck, sem revelar nomes, que podem ser inferidos a partir de seu conselho fundador: Kati de Almeida Braga, Teresa e Candido Bracher, Fernando Moreira Salles e Neca Setubal, para citar alguns. “É um mecenato, mas sem leis de incentivo. Pessoas físicas dando a fundo perdido”, conta Werneck.

O plano de negócios contou com duas parcerias importantes: a doação do papel pela Suzano e o berço da revista Piauí, de João Moreira Salles, em que 27 mil dos 32 mil exemplares mensais da 451 serão encartados para assinantes até outubro. Para a geração de caixa, Werneck e a sócia, Fernanda Diamant, criaram planos anuais de assinaturas: R$ 136 por dez números (o exemplar avulso custa R$ 17), R$ 100 para leitores em idade de formação (menores de 26 anos) e R$ 250 para assinantes entusiastas. “Os entusiastas já são 10% do total. Nos três primeiros números, somamos 600 assinantes. E pretendemos fechar o ano com 1,2 mil planos vendidos”, planeja Fernanda. A publicidade também tem desempenhado um papel importante. Na edição de julho, sua estrutura cresceu de 40 para 48 páginas. “Havia um gargalo no canal de circulação de informações sobre livros”, diz Werneck. “A imprensa tem dedicado cada vez menos espaço, e as livrarias são muito disputadas pelas editoras com políticas comerciais que impedem alguns livros de aparecer para o leitor.”

A 451 tem resenhado e divulgado a cada edição cerca de 200 títulos do setor de “interesse geral”, o das editoras literárias, pequenas ou grandes. Ao final de um ano, terá dado conta de 10% dos lançamentos feitos no país – segundo o Snel, 19.370 em 2016. “Esses livros estavam muitas vezes sem canal de divulgação”, continua Werneck. “A biografia da Rita Lee é boa ou não é? E Elena Ferrante? E o Drauzio Varella? Vale a pena ler o último livro dele? São perguntas que qualquer leitor se faz e a gente precisa dar uma resposta para ele. A nossa missão é essa, acompanhar o mercado não importa o tamanho.”

Na soma de iniciativas como a “revista dos livros”, o investimento em novas editoras e até no surgimento de espaços dedicados à autopublicação pode residir a solução para a sustentabilidade do negócio e a valorização do livro e da leitura. “Um mercado editorial saudável é aquele em que proliferam e sobrevivem as editoras de porte médio, sinal de equilíbrio maior entre os gêneros mais e menos rentáveis”, diz Muniz Jr., da USP. Mas ele lembra que essa oposição “grandes” e “pequenas” é uma espécie de esquema mental que se popularizou nos últimos 20 anos e não corresponde à realidade. “Esse tipo de oposição não contempla os numerosos casos que fogem à regra: grandes grupos que publicam boa literatura e pequenas que publicam má literatura.” De resto, é história.

Livros que previram o futuro com uma precisão assustadora

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the-matrix

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

O falecido Tom Clancy ficou conhecido por sua incrível capacidade de prever com precisão acontecimentos futuros com os seus livros de ficção. Seu romance “Dívida de Honra” de 1994, descreve curiosamente um ataque em 11 de setembro, assim como seu livro “Vivo ou Morto” de 2010 que descreve a captura de Bin Laden como um inimigo público.

Apesar de notável, essas aparentes premonições não são tão incomuns quanto se pensa. Escritores de ficção científica vem prevendo o futuro há séculos. Jules Verne descreveu naves espaciais e submarinos antes mesmo que estes veículos existissem. Apesar de não mergulhar nas profundezas do oceano dentro de “um objeto longo, fusiforme, às vezes fosforescente, e infinitamente maior e mais rápido que uma baleia”, sua previsão, enquanto distorcida, tornou-se realidade.

Isso nos leva a clássica pergunta do ‘ovo e da galinha’: Escritores simplesmente percebem o sentido que um fenômeno cultural está tomando, ou são suas idéias que inspiraram a mudança cultural e tecnológica de uma era? Em alguns casos, a imaginação de um escritor serve como uma espécie de catalisador para novas tecnologias. Mas em outros casos, chega a ser difícil dizer se o autor tem, ou não, a ver com as eventuais invenções que surgem.

Abaixo você encontra algumas dessas previsões literárias da ficção científica, que acabaram virando parte da nossa realidade:

✔A bomba atômica em “The World Set Free” (HG Wells)
Os livros de Wells são daquelas obras que, infelizmente, podem ter mudado o curso da história com suas previsões tecnológicas. Basta dizer que o físico Leo Szilard leu o livro no mesmo ano em que o nêutron foi descoberto.

Wells escreveu:”Certamente parece que agora nada poderia ter sido mais óbvio para as pessoas do início do século XX do que a rapidez com que a guerra estava se tornando possível. E, certamente eles não perceberam. Eles não notaram até que as bombas atômicas estourassem em suas desastrosas mãos … ”

Felizmente, ainda insistimos em criar bombas bem como as que ele descreveu que, quando lançadas, causam uma literal “explosão contínua de chamas.”

✔ A mídia digital em “2001: Uma Odisseia no Espaço” (Arthur C. Clarke)
Clarke não só previu o imediatismo da notícia, ele também teve um grande palpite sobre os dispositivos nos quais os leitores leriam sobre os eventos atuais.

Ele escreveu: “Um por um, ele iria evocar os principais jornais eletrônicos do mundo … Mudando a memória de curto prazo da unidade de exibição, ele mantinha a página da frente, enquanto rapidamente procurou as manchetes e observou os itens que lhe interessavam.”
Não é muito diferente de quando você usa o seu tablet, concorda?

✔ O Big Brother e a vigilância em massa em “1984” (George Orwell)
1984 é o romance clássico responsável por conceitos que geraram o programa Big Brother e a patrulha ideológica.

Escrito sobre uma sociedade distópica completamente dominada pelo Estado surgida quase 40 anos após a Segunda Guerra Mundial, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro.

O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que “só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro”.
Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando ao infinito a realidade.

✔ Computadores inteligentes em “O Mestre de Moxon” (Ambrose Bierce)
Computadores ultra-inteligentes são, na maioria das vezes, o foco do gênero de ficção científica. Curiosamente, somos culturalmente fascinados pelos computadores desde que ele conseguiu bater um mestre do Xadrez com anos de experiencia.

O Jeopardy-winning da IBM foi previsto por Bierce, no conto onde descreve o super-computador Watson como um robô invencível no jogo xadrez.

Os famosos testes que levam um ser humano a desafiar suas habilidades contra um computador não foi praticado até que o autor escreveu “Computing Machinery and Intelligence”, em 1950.
Os seus contos e suas reviravoltas narrativas são, ainda hoje, uma referência para os estudiosos da Literatura em todo o mundo.

✔ Os fones de ouvido em “Fahrenheit 451” (Ray Bradbury)
Além das experiências com imersão e filmes 3D descritos em um punhado de histórias curtas no livro de Bradbury, ele também previu um aparato que a maioria de nós, hoje em dia, não conseguiria viver sem: Os fones de ouvido.

Para quem não sabe, 451 graus Farenheit, ou 233 graus Celsius, é a temperatura de combustão do papel comum. Logo, dos livros. E os livros são os instrumentos que “incendeiam” as ideias. A sociedade de Farenheit 451, porém, é uma sociedade que preza a paz acima de tudo.
Vamos apenas esperar que as outras previsões feitas nessa obra não sejam tão precisas.

✔ Conversas por vídeo em “The Machine Stops” (E.M. Forster )
Ainda sem uma tradução merecida aqui no Brasil, a obra ‘The Machine Stops’ de 1909 antecipou as nossas conversas de Skype com uma enorme precisão.
Forster descreve:

“Mas era totalmente 15 segundo antes da placa redonda que ela segurava em suas mãos começar a brilhar. Uma luz azul fraca disparou através dela, escurecendo para púrpura, e atualmente ela podia ver a imagem de seu filho, que morava do outro lado da terra. E ele podia vê-la.”

Como ainda não podemos desfrutar dessa obra em português, sugerimos a leitura de ‘Maurice’, escrito em 1913, mas só publicado em 1971, após a morte do autor e conforme o seu desejo. Apesar de não ser referente a tecnologias em si, esse livro antecipa alguns conflitos sociais modernos, envolvendo religião, classe social e opção sexual.

✔ A descoberta de duas luas de Marte em “As Viagens de Gulliver” (Jonathan Swift)
Quem lê pela primeira vez a versão original de Viagens de Gulliver , tendo como pano de fundo uma vaga lembrança de adaptações infantis, espanta-se ao constatar que tem nas mãos um dos textos mais amargos do cânone ocidental.

Esta conhecida sátira social de 1726 narra a viagem de um homem à diferentes mundos, sendo um deles ocupado por pequenos seres humanos, e outro habitado por gigantes.
Em uma das cenas de Gulliver em visita a ilha de Laputa, um mundo flutuante cheio de cientistas, os astrônomos do lugar observam que Marte possui duas luas em sua órbita. Mais de 150 anos depois, em 1877, de fato foi descoberto que o planeta vermelho ostenta exatamente duas luas.

✔ Os antidepressivos em “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley)
Extraordinariamente profético, Admirável Mundo Novo é um dos livros mais influentes do século XX. Neste romance distópico acompanhamos um mundo que tornou-se uma sociedade capitalista dependente de drogas em que a racionalidade se tornou a nova religião, e a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários.

Em seu livro de 1931, além de prever o uso de pílulas para o aumento químico de humor, Huxley também deslumbrou a tecnologia reprodutiva, e os futuros problemas de superpopulação mundial.

✔ O ciberespaço em “Neuromancer” (William Gibson)
Considerada a obra precursora do movimento cyberpunk e um clássico da ficção científica moderna, Neuromancer conta a história de Case, um cowboy do ciberespaço e hacker da Matrix. Como punição por tentar enganar os patrões, seu sistema nervoso foi contaminado por uma toxina que o impede de entrar no mundo virtual. Agora, ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, cometendo pequenos crimes para sobreviver, e acaba se envolvendo em uma jornada que mudará para sempre o mundo e a percepção da realidade

William Gibson criou a palavra ciberespaço em um conto de 1982, mas ela só ficou popular mesmo após a publicação dessa obra. Ele descreveu o ciberespaço como “uma representação gráfica de dados abstraídos dos bancos de todos os sistemas de computadores criado pelo homem”.

“Neuromancer ” não só foi o primeiro romance a ganhar a tríplice coroa de prêmios da ficção científica (o prêmio Hugo, o Prêmio Nebula, e o Prêmio Philip K. Dick), como também inspirou a série “Matrix”.

7 autores de ficção científica preveem o futuro das Olimpíadas

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 (Photo by Ezra Shaw/Getty Images)

(Photo by Ezra Shaw/Getty Images)

 

Publicado no Brasil Post

Os anos passam, mas trabalhadores mal remunerados seguem construindo as instalações olímpicas; o COI se recusa a pagar atletas muitas vezes em situação financeira difícil; os testes anti-doping continuam sendo driblados; as autoridades locais continuam afirmando falsamente que os Jogos vão ajudar a economia local; e a discrepância entre os gêneros continua parecendo datada.

Para muitos fãs de esporte, a Olimpíada é o símbolo da velha guarda, a ponto de nos perguntamos: além de excitar as paixões nacionais, o que mais as Olimpíadas têm de bom? E qual é seu futuro?

Seria pessimismo considerar as Olimpíadas uma distopia sem solução. Então, pedimos que sete autores de ficção científica imaginassem como podem ser os Jogos do futuro. As respostas – incluindo uma visão de atletas humanos competindo contra robôs e uma alternativa aos eventos baseados em gênero – imaginam soluções possíveis e oferecem alento.

Será que os Jogos Olímpicos de Inverno terão de ser realizados em lugares fechados?

Será que os Jogos Olímpicos de Inverno terão de ser realizados em lugares fechados?

1. A mudança climática vai obrigar os Jogos de Inverno a mudar drasticamente

Madeline Ashby, autora de Company Town

“Primeiro eu questiono se as Olimpíadas têm muito futuro. Entendo que há estruturas de poder existentes trabalhando para manter os Jogos, e por essa razão é provável que eles continuem. Mas, no longo prazo, diante de escândalos, custos cada vez mais altos – e temperaturas cada vez mais altas –, parece improvável que os Jogos possam continuar da mesma maneira.

Afinal de contas, como é possível ter esportes de inverno quando o inverno é só uma lembrança?

Mas as pessoas amam esporte. Amam competição. Amam demonstrações de força – tanto física quanto de vontade, necessária para se tornar um atleta olímpico (honesto).

É por isso que, com o tempo, vamos ver mais movimentos como o Revival dos Jogos Nemeus, que têm menos a ver com marcas e mais a ver com, bem, com jogos. Também acredito que vamos ter uma diversidade de jogos: para humanos “modificados”, para diferentes tipos de corpos, jogos que reconheçam que os gêneros são fluidos.

Se o COI quiser ser fiel a seus ideais, terá de acabar com a corrupção e abrir espaço para mudanças.”

2. Uma alternativa mais ambientalmente sustentável vai surgir

Malka Older, autora de Infomocracy

“Gostaria de imaginar uma Olimpíada separada do nacionalismo (ou, por que não?, um mundo sem nacionalismo!), em que veríamos os melhores atletas competindo uns contra os outros, não só os melhores escolhidos por cada país.

Neste mundo, os países não teriam nenhum orgulho especial em sediar os jogos, e a decisão seria tomada de acordo com análises sóbrias sobre quem seria beneficiado e quem seria prejudicado.

Ou talvez pudéssemos separar os Jogos dos interesses comerciais, de modo que o país que se oferecesse para sediá-los o faria com seus próprios recursos. (Nestes dois casos, a propósito, o COI está devendo muito, provavelmente inclusive à Justiça.)”

Os Jogos não teriam novas construções, estacionamentos lotados e instalações pouco seguras, com um rastro de trabalhadores mortos.

Nenhum desses cenários parece provável. A combinação de nacionalismo subsidiado por empresas e investimentos subsidiados pelo dinheiro do contribuinte é benéfica demais para os dois lados. Em vez disso, imaginemos uma fagulha de esperança menor, um evento alternativo, a Olimpíada Sustentável.

Elas poderiam levar o nome do primeiro lugar que aceitar não construir arenas caríssimas, causar enormes congestionamentos e explorar os trabalhadores: Jacartíada? Talinníada? Reykjavikíada?”

De qualquer modo, esses jogos não teriam novas construções, estacionamentos lotados e instalações pouco seguras, com um rastro de trabalhadores mortos.

Eles seriam transmitidos para quem quisesse assistir, sem histórias melodramáticas sobre os atletas além das que eles escolherem contar. Seria um evento tranquilo, de baixa manutenção, baixas emissões de carbono, mas o que estaria em jogo seria o mesmo de sempre: o título de melhor do mundo.”

ão é difícil imaginar assistir à Olimpíada via um sistema de realidade virtual.

Não é difícil imaginar assistir à Olimpíada via um sistema de realidade virtual.

 

3. Histórias piegas de interesse humano serão substituídas por uma experiência de mídia mais imersiva, controlada pelos atletas

S.B. Divya, autora de Runtime

“O futuro da Olimpíada não parece muito promissor, a menos que os Jogos façam mudanças para aumentar o envolvimento do público. Hoje, o Comitê Olímpico Internacional está preso na era da TV de mão única, tentando usar a internet mas estrangulando os atletas e o acesso à comunicação.

Que os competidores sejam os olhos e ouvidos e comentaristas dos Jogos.

Enquanto isso, o mundo caminha em direção a mais interatividade – vídeos 3D, realidade virtual, celebridades em tempo real. Essa sede por experiências compartilhadas só vai aumentar. Os Jogos Olímpicos são uma maneira incrível de mostrar o drama de uma vida inteira que tem o objetivo de atingir o pico da performance.

As pessoas devoram esse tipo de história, mas a audiência de amanhã está cada vez mais sofisticada. As pessoas percebem muito facilmente quando uma história é editada e curada. O que elas querem – desde já – é a perspectiva individual, nua e crua de cada atleta. Acesso instantâneo, sem filtros.

Se a Olimpíada quiser prosperar, o COI precisa abrir as comportas da informação e permitir que os atletas interajam diretamente com o mundo. Que os competidores sejam os olhos e ouvidos e comentaristas dos Jogos. A experiência olímpica do futuro será imersiva. Espero que cheguemos lá.”

O americano Alfred Adolf Oerter quebrou o recorde olímpico do lançamento de disco com uma distância de 58,22 metros, em 1960. Em 2012, o alemão Robert Harting ganhou a medalha de ouro com um arremesso de quase 68,3 metros.

O americano Alfred Adolf Oerter quebrou o recorde olímpico do lançamento de disco com uma distância de 58,22 metros, em 1960. Em 2012, o alemão Robert Harting ganhou a medalha de ouro com um arremesso de quase 68,3 metros.

 

4. Os Jogos serão uma ode nostálgica aos tempos em que os humanos eram menos perfeitos cientificamente

Max Gladstone, autor de Four Roads Cross

“Qual é o futuro dos Jogos Olímpicos? Pense no vinil.

Deixe de lado mudança do clima, revoluções e escassez de recursos e presuma que a nossa sociedade dura mais dois séculos. Quanto mais entendemos o corpo humano, mais rápido vamos correr, mais alto vamos saltar. Atletas, reguladores e público terão de negociar o que significam os ideais atléticos quando o corpo humano torna-se um fator limitante.

Um dia os filhos dos nossos filhos vão se reunir para assistir, com olhos de metal, um grupo de crianças ferozes feitas de carne e osso correndo os 400 m com obstáculos.

A discussão já começou. Os atletas podem usar algumas drogas, como a cafeína, mas não outras, como o seu próprio sangue. Não para pernas artificiais que permitem que os velocistas corram mais rápido, sim para os maiôs que deixam os nadadores mais lisos. A cada novo desenvolvimento, decidimos o que é um atleta ‘autêntico’.

Um dia uma mente humana num corpo robótico vai correr os 100 m rasos em um segundo. Mas, durante muito tempo, vamos achar que esse resultado não conta.

O esporte vai enfrentar o dilema do hipster. O vinil é pesado e frágil. Um disco maior um iPads tem apenas quatro músicas de cada lado. Mas as pessoas compram discos, cuidam deles e valorizam o chiado ‘autêntico’.

Se sobrevivermos, um dia os filhos dos nossos filhos, que poderão pular até o topo de um prédio, vão se reunir para assistir, com olhos de metal, um grupo de crianças ferozes feitas de carne e osso correndo os 400 m com obstáculos.”

5. E eles vão fazê-lo pelo mesma motivo que gostam de ir ao cinema ou apreciar arte

Patrick Hemstreet, autor de The God Wave

“[No futuro], seu contador, seu massagista e seu mordomo (sim, todos teremos um C-3PO pessoal) vão cuidar das suas necessidades por meio de uma confluência sinfônica de circuitos e sistemas hidráulicos.

Computação ultra-rápida processadores precisos vão garantir que todas as tarefas pertinentes sejam realizadas de forma eficiente e livre de erros. Da mesma forma, os Jogos Olímpicos vão mostrar o talento dessas amadas estrelas do esporte, como X4-T34G e RP4567-F.

‘Sim – só que eu realmente duvido dessa última parte’.

Não há esteroides suficientes para transformar um atleta olímpico num X4-T34G.

Ainda vou ao teatro para ver seres humanos vivos representando histórias de ficção e fantasia. O maior teatro de Houston fica a cerca de 50 metros de um cinema, mas ainda gosto de assistir a peças. Ainda vou a concertos de música clássica, embora tenha um smartphone (e um bom par de fones de ouvido) para escutar a música que eu quiser com apenas um toque do meu dedo.

E é bem possível que também seja assim com você. Ainda quero ver humanos interagindo com outros humanos para demonstrar habilidades adquiridas com treinamento e talento.

Por quê? Eu – não – nós gostamos de testemunhar os picos e as complexidades da capacidade humana. Ver membros de nossa espécie rompendo barreiras aparentemente intransponíveis é a maior forma de entretenimento. Ouvir uma nova história ou ficar maravilhado com a criatividade de um artista novo é uma experiência que está firmemente consagrada em carne e osso. Este intercâmbio entre almas é, ouso dizer, sagrado e nunca será cedidos a autômatos metálicos não-conscientes.

Dito isso, a presença de cidadãos mecânicos Lucasianos terá algum efeito sobre os Jogos Olímpicos, principalmente no que diz respeito aos produtos farmacêuticos. O uso de drogas que melhoram o desempenho certamente irá permanecer ilegal.

Mas o doping ilícito em uma sociedade pós-revolução robótica será inútil e, francamente, tolo. Afinal, não há esteroides suficientes para transformar um atleta olímpico num X4-T34G.

Quando chegar o dia em que estivermos cercados por IBMs e Apples ambulantes, vamos apreciar o que significa ser humano, com todas as nossas falhas inerentes. A santidade da esportividade (e de todas as empreitadas humanas) será ressuscitada e celebrada como resultado da evolução implacável.”

Uma representação digital do genoma humano.

Uma representação digital do genoma humano.

 

6. Ou… pode ser diferente, e as empresas vão patrocinar atletas com base em suas sequências de DNA

Stacey Berg, autora de Dissension

“O futuro dos Jogos Olímpicos já chegou. Atletas tiram proveito de toda a tecnologia disponível, de monitores portáteis a câmaras que simulam altitude e, é claro, o doping. O que vai mudar no futuro é que os atletas serão a tecnologia.

A nova discussão é se devemos permitir a participação de atletas cuja sequencia inteira do DNA é sintética, uma tecnologia desenvolvida originalmente para aplicações militares.

Quando a 50ª edição dos Jogos Olímpicos começar, em 2092, os eticistas ainda estarão debatendo se é um direito ou um privilégio que traços causadores de doenças sejam removidos de seus embriões. Mas a Olimpíada já estará muito à frente. A edição do gene humano torna possível criar o esportista perfeito para cada modalidade, com corações maiores, pulmões melhores e músculos mais rápidos e mais fortes.

Empresas soberanas patrocinam atletas dotados de sequências genéticas patenteadas; os torcedores, pelo menos aqueles que podem pagar, compram essas sequências para inseri-las em seus próprios embriões. A nova discussão é se devemos permitir a participação de atletas cuja sequencia inteira do DNA é sintética, uma tecnologia desenvolvida originalmente para aplicações militares.

Enquanto isso, os CyborGames, cujos atletas abraçam abertamente as modificações mecânicas e biológicas, atraem o público mais jovem e descolado. Ninguém sabe ainda que, em 2093, o Reboot Retro-Olímpico vai ser a surpresa do ano, com seus atletas produzidos por cruzamentos aleatórios.”

Brett Hawke durante uma sessão de fotos na piscina do Somerset College, 7 de maio de 2004, na Austrália.

Brett Hawke durante uma sessão de fotos na piscina do Somerset College, 7 de maio de 2004, na Austrália.

 

7. E cada evento olímpico lidará com a questão do gênero de maneira diferente

Ada Palmer, autora de Too Like the Lightning

“Uma grande mudança que eu acho que os Jogos Olímpicos terão de enfrentar no próximo século é como lidar com a segregação de gênero no esporte. Mesmo aqui no começo do século 21, as categorias de gênero binárias já estão se despedaçando. Imagino uma Olimpíada em que cada evento lida com a questão do gênero de forma diferente. Em eventos onde há pouca diferença — como tiro ou xadrez — todos competiriam juntos.

Eventos em que tamanho ou peso oferecem grandes vantagens teriam uma divisão “aberta”, da qual qualquer um poderia participar, mas também eventos segregados por altura ou peso, bem como o boxe, por exemplo. As categorias menores teriam participantes principalmente do sexo feminino, e as maiores, principalmente do sexo masculino, mas o sexo não seria o divisor – isso ficaria por conta das características secundárias, como altura, alcance, tamanho das pernas, largura dos ombros etc.

As categorias menores teriam participantes principalmente do sexo feminino, e as maiores, principalmente do sexo masculino, mas o sexo não seria o divisor – isso ficaria por conta das características secundárias, como altura, alcance, tamanho das pernas, largura dos ombros etc.

Também imagino que no futuro os Jogos Olímpicos continuem sendo uma peça central do processo de paz e de cooperação internacional. De muitas maneiras, a maior barreira entre nós e um futuro Jetsons, em que podemos pular de um país para o outro só para fazer um piquenique, são as lei internacionais, as fronteiras, os conflitos e a segurança nacional num mundo essencialmente sem fronteiras.

Muitos setores que se beneficiariam com mais viagens internacionais — como turismo e esporte – pressionam por fronteiras mais permeáveis, mas poucas organizações contam com tanto respeito internacional, confiança e influência como os Jogos Olímpicos.

Então eu imagino que os Jogos Olímpicos, e os fãs de esportes em geral, poderiam liderar um movimento por regulamentações de viagens mais simples, que permitam que todos os cidadãos do planeta possam entrar num carro voador e assistir a Olimpíada ao vivo.

Olhando para o futuro, acho que os Jogos Olímpicos continuarão sendo um espaço em que nações inimigas se reúnem após o conflito, em que grupos marginalizados e oprimidos pressionam por reconhecimento, em que alianças são celebradas, causas discutidas.

Um espaço em que os países que ainda não existem continuam a manter os mais altos padrões de excelência. Afinal, se a Antártica representa o sexto anel da futura bandeira olímpica, a Lua ou Marte podem ser o sétimo.”

Educação no futuro será portátil, personalizada e onipresente

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Everton Lopes Batista, na Folha de S.Paulo

Enquanto o aluno caminha para a escola, recebe textos sobre a aula do dia. Softwares identificam, com base nas suas atividades, as necessidades individuais para que, a partir daí, o professor possa escolher exercícios customizados para ele.

Assim será o futuro da educação, segundo gestores do setor ouvidos pela Folha. A mobilidade, a personalização da aprendizagem e o modelo híbrido (presencial e on-line) –já praticado nos cursos de educação a distância– devem ser levados aos programas de ensino básico. A escola, ou boa parte dela, vai caber nos dispositivos móveis.

A educação se tornará onipresente. Discussões em ambientes virtuais, por exemplo, serão incorporadas às aulas presenciais, segundo Daniel Ribeiro Silva Mill, professor e gestor de educação a distância na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Essa personalização do aprendizado traz como grande mudança a possibilidade de respeitar o ritmo de cada aluno, segundo Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann, que atua na área da educação. Caberá ao professor de amanhã o papel de curador. “Ele vai escolher os conteúdos, os meios e fazer a conexão disso com o mundo real.”

Mas a incorporação da tecnologia pela escola brasileira apresenta desafios como falhas na infraestrutura e na formação docente, diz Mizne. “O governo precisa aprender a escolher a tecnologia que vai comprar e complementar com formação de professor.”

Uma dessas tecnologias é o big data, análise de dados em larga escala, que entra em cena para auxiliar na customização do ensino. “Já há softwares capazes de analisar os perfis dos alunos para traçar trilhas de estudo” de acordo com cada caso”, diz Mairum Ceoldo Andrade, superintendente de tecnologia do Cieb (Centro de Inovação Para a Educação Brasileira).

Um exemplo é a Knewton, plataforma de ensino adaptativo que já atua no Brasil em parceria com a escola de idiomas Wizard e com a LFG, empresa de cursos preparatórios do grupo Kroton Educacional. Ela indica os pontos que precisam ser melhorados depois de fazer a análise das respostas do aluno às questões propostas de acordo com o nível de ensino.

O professor recebe um relatório, tal qual um prontuário médico, que o ajuda a fornecer o melhor diagnóstico para as dificuldades de aprendizagem.

NA ESCOLA

Algumas escolas já colocam em prática essas tendências. Nas Steve Jobs Schools, com mais de 20 unidades na Holanda e duas na África do Sul, os alunos fazem todas as atividades em tablets. Em vez de aulas há workshops, com temas escolhidos por eles.

Em Cotia (Grande SP), a associação Projeto Âncora mantém uma escola onde o estudante dita o ritmo, escolhendo conteúdo e cronograma. O professor é só auxiliar do processo, um mentor.

“No futuro, a criança vai ter um caminho só dela e investir no campo de conhecimento que escolheu”, diz Rosa Alegria, pesquisadora do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP. “A educação será voltada para fazer a pessoa mais feliz”.

Para Mill, da UFScar, o desafio é educar professores e alunos, para que saibam quais ferramentas usar. Nem sempre a tecnologia adequada é a mais nova, diz. “A tecnologia da escrita ainda é mais importante que a digital”, exemplifica.

Segundo Mill, o docente precisa pesquisar a tecnologia, mas não tem tempo nem salário que o incentive a isso.

“O ensino básico tem grande deficit de qualidade, ainda é muito ruim, e os professores são desvalorizados”, concorda Madalena Guasco Peixoto, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP. “Mas como, sem dinheiro, fazer políticas eficientes para melhorar o ensino?”

Economia Criativa é o futuro da sociedade

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publicado na Zupi

Sabe qual é um setor que está conseguindo dar um olé na crise? A chamada economia criativa. Aliás, esse é o momento de criar e inovar. Entre todas as possibilidades que este ramo proporciona, uma delas está resolver problemas, propor colaborativismo e soluções pragmáticas para problemas do cotidiano. Uma ideia na cabeça e saber o que fazer com ela, essa é a grande sacada. Ser diferente e empreender, num mercado com produtos e serviços cada vez mais massificados, é garantia de sucesso.

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Qualquer pessoa é capaz de intervir, modificar e perceber uma demanda que ainda não é atendida. Inquietação e plano de negócios, estas são as palavras. O primeiro passo é entender que criatividade é o ponto de partida, mas que qualquer negócio exige estratégia, e empreender pensando em minimizar os riscos é fundamental. Exemplos de economia criativa surgem todos dos dias: O Uber reinventou um modelo tradicional de negócios, agregando um alto valor aos serviços prestados.

Allan Szacher – formado em Propaganda e Marketing e artes gráficas – e Simon Szacher – formado em Administração – são as cabeças por trás da Zupi, maior crossmedia de arte e criatividade do Brasil e mais um exemplo de economia criativa bem sucedida. Este ramo de negócios trabalha com o mais incrível dos materiais: A criatividade humana.
O mundo e você precisam estar atentos a esse movimento que cresce diariamente e, felizmente, se transforma num caminho sem volta. Investir em estratégia e criatividade nos permite desempenhar atividades que antes pareciam impossíveis. E isso é maravilhoso!Novas profissões vão surgir e estar por dentro destas mudanças, e buscar novas oportunidades, é o caminho para se manter competitivo. Investir em cursos e aprimoramento, esta é a melhor das dicas.

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Dia 17 de abril, na Zupi Academy, o Allan e o Simon Szacher vão ministrar um Workshop de Economia Criativa aqui em São Paulo. Não há momento melhor para você começar a desenvolver aquela ideia super diferente que você teve, mas não sabe como transformá-la em negócio. O curso é a chance de trocar ideias, networking e o melhor de tudo: Tirar aquele projeto do papel e transformá-lo numa ideia viável e com grandes chances de dar certo.O curso tem como objetivo melhorar a formação do profissional criativo para empreender suas ideias com menos riscos e inserir o conceito de business em qualquer negócio. O curso é destinado à empreendedores, freelancers e qualquer profissional interessado no mercado que busca desenvolver soluções criativas.

O curso tem um pré-requisito muito importante: Ter uma ideia e querer torná-la realidade. Ahhh… Se você tem alguma já sendo realizada e quer melhorar… O curso também é pra você.

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