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Posts tagged Futuros

Muita teoria e pouca prática formam os professores

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Fábio Takahashi, na Folha de S.Paulo

1“Não dá para formar um professor só lendo Piaget.”

A frase é do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em alusão à carga teórica dos cursos que formam docentes para a escola básica, como a literatura de Jean Piaget, pensador do século 20.

Foi dita recentemente em encontro com mil secretários municipais da área de ensino. Arrancou aplausos.

A declaração sintetiza a avaliação dos gestores de que a formação universitária dos futuros professores da educação básica é um dos entraves para a melhoria da qualidade do ensino no país.

A reclamação é que os futuros docentes têm muito contato com teóricos da educação, mas terminam o curso despreparados para enfrentar salas de aulas.

CARGA HORÁRIA

Um dos mais amplos estudos no país sobre currículos das licenciaturas foi feito recentemente pelas fundações Victor Civita e Carlos Chagas.

O trabalho apontou que nos cursos de licenciatura do país que formam professores de português e de ciências, a carga horária voltada à docência fica em 10%.

Já o tempo destinado aos conhecimentos específicos das áreas passa dos 50%.

“Os professores chegam às escolas com bom conhecimento da sua disciplina, mas não sabem como ensinar”, disse à Folha o secretário estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald.

Na opinião do secretário, cuja rede tem 200 mil professores, um docente de matemática, por exemplo, é muito mais um matemático do que um professor.

Para Voorwald, as licenciaturas deveriam ter menos conteúdos específicos das matérias e mais técnicas sobre como dar aulas.

Presidente da comissão de graduação da Faculdade de Educação da USP, Manoel Oriosvaldo discorda que a formatação dos cursos de pedagogia e de licenciatura seja responsável pela má qualidade do ensino básico.

“Com o salário que se paga ao professor, é difícil convencer um jovem a assumir uma sala de aula”, afirma. “Se as condições de trabalho melhoram, sobe o nível de quem seguirá na carreira.”

Especificamente sobre os currículos, ele diz que diminuir a teoria dos cursos “simplifica o papel do professor”.

Para Oriosvaldo, a teoria permite que o professor consiga refletir sobre sua atividade constantemente. E corrigi-la quando necessário.

Além disso, o docente deve ter condição de ensinar aos alunos o histórico que levou à resolução de uma equação, por exemplo. Assim, o jovem conseguirá também produzir conhecimento.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

SEM MUDANÇAS

A maioria dos alunos e dos coordenadores dos cursos de formação de professores tem avaliação semelhante à do professor da USP, mostra estudo feito pela Fundação Lemann, a pedido da Folha.

O trabalho aponta que há menos coordenadores de cursos de pedagogia ávidos por mudanças em seus currículos (38% das respostas) do que em engenharia civil (50%), por exemplo.

A pedagogia forma professores para atuar com os alunos de seis a dez anos. A partir daí, os demais professores vêm das licenciaturas.

A opinião sobre os cursos foi tabulada a partir das respostas dadas nos questionários do Enade 2011, exame federal de ensino superior.

As respostas mostram também que os formandos em pedagogia se sentem mais bem preparados para a profissão (68%) do que os de engenharia de produção (57%).

Contraditoriamente, o Enade revela que os concluintes dos cursos de formação de professores estão entre os que possuem notas mais baixas em conhecimentos gerais. Pedagogia está na 46ª pior posição, entre 59 cursos.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Livros baseados em games cativam jovens leitores

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Renata Honorato, na Veja

Professora americana que estudou o assunto afirma que obras sobre jogos eletrônicos podem transformar alunos relutantes em leitores ávidos

(Thinkstock)

(Thinkstock)

“No momento em os estudantes foram apresentados aos livros inspirados em games, houve uma mudança na percepção deles sobre literatura. Ler não era mais uma tarefa obrigatória, mas sim divertida.”

A professora e pesquisadora americana Kristie Jolley, de 30 anos, é uma entusiasta dos livros baseados em games. Em um estudo publicado nos Estados Unidos em 2008, ela mostrou como essas obras podem despertar o interesse de pré-adolescentes pela literatura de forma geral. A pesquisa foi feita com 250 estudantes com idades entre 13 e 14 anos da Springville Junior High School, em Springville, no estado americano de Utah. Segundo Kristie, oferecer aos jovens obras sobre um assunto familiar é o caminho certo para cativar futuros leitores. VEJA.com conversou com a professora por e-mail. Confira a entrevista a seguir:

Por que a senhora decidiu explorar o potencial dos livros baseados em games em suas aulas? Eu já dei aulas para alunos pouco habituados à prática da leitura e outros relutantes. Sempre soube o quão importante é para eles ler textos sobre assuntos que lhes sejam familiares. Utilizar um conhecimento pré-adquirido é a chave para a compreensão de um texto. Na época do meu estudo, muitos alunos estavam jogando Halo, da Bungie. As crianças amavam esse game e falavam sobre ele o tempo todo. Foi natural começar a pesquisar maneiras de envolver aspectos da vida dos alunos em uma rotina de leitura. Pesquisei e encontrei uma série de três livros baseados em Halo. Isso coincidiu com o fato de os alunos pedirem para ler textos baseados em games.

Como a senhora escolheu os melhores livros para as aulas? Meus estudantes estavam jogando títulos que possuíam versões literárias e sugeriram a inclusão dessas obras na nossa biblioteca da sala de aula. Também contei com a colaboração de um colega para encontrar outros textos baseados em games. Pedi algumas referências a professores de uma universidade local especializados em literatura juvenil. Conversei com os pais de cada aluno para explicar a razão pela qual estava utilizando esse tipo de material e pedir a autorização deles para indicar essas obras a seus filhos.

O que os outros professores acharam da sua iniciativa? Uma amiga também professora me apoiou muito. Ela me ajudou a obter recursos para a compra de novos livros para a biblioteca da escola pública e também me auxiliou a nutrir o interesse dos alunos pelos livros baseados em games, já que esse tipo de material é raro nas bibliotecas públicas. Sempre estávamos à disposição para ajudar esses estudantes. Descobrimos também que essa é uma boa ferramenta para que alunos que têm o inglês como segunda língua se familiarizem com o novo idioma. Esses alunos carregavam uma bagagem sobre o game: ler uma história baseada na história os ajudava a ampliar o vocabulário.

Divulgação/Arquivo pessoal - Professora americana Kristie Jolley

Divulgação/Arquivo pessoal – Professora americana Kristie Jolley

Segundo seu estudo, qual o potencial dos livros baseados em games? A conclusão dessa pesquisa reforça a constatação de que estudantes são bem sucedidos quando se sentem confiantes. Quando comecei a avaliar os livros baseados em jogos estava ciente de que encontraria um nicho de alunos que poderia se interessar por essas obras mesmo sem saber da existência delas. No momento em que foram apresentados aos livros, houve uma mudança na percepção deles sobre literatura. Ler não era mais uma tarefa obrigatória, mas sim divertida. Assim, esses livros são uma espécie de retrato do interesse dos estudantes. Quando uma criança pega um livro por iniciativa própria e se diverte com ele, uma porta é aberta para que ela escolha outro e se torne um leitor independente.

Como outros professores podem usar esses livros em sala de aula? Usei esses livros como ponto de partida. Quando percebia que havia um aluno desinteressado ou relutante em ler qualquer coisa, mas que gostava de videogames, eu o apresentava a uma das obras sobre jogos. Um professor deve conhecer seus alunos individualmente antes de sugerir uma leitura. Eu conhecia os meus. Sabia que esse tipo de livro poderia abrir portas. Porém, se um professor apenas recomenda a leitura e, em seguida, se acomoda, não está executando bem seu trabalho. O próximo passo é ajudar os estudantes a enxergar adiante. Se um livro do gênero explora a sobrevivência e a bravura, deve-se em seguida recomendar uma obra que aborde esses temas. O professor deve se comunicar com o aluno para entender a variedade de textos que pode lhe recomendar, a fim de transformá-lo em um leitor confiante a ponto de buscar seus próprios textos. Isso fará com que ele se transforme em um leitor e aprendiz ao longo de toda a vida.

A senhora continua usando esses livros em classe? A idade dos meus alunos mudou. Ao invés de ensinar adolescentes, hoje trabalho com crianças mais jovens. Nesse caso, não é apropriado sugerir esse tipo de leitura. De qualquer forma, sempre vou sugerir livros para meus estudantes com base em seus interesses. Conhecer um assunto é imprescindível para a compreensão de um texto. Se meus alunos estiverem interessados em pássaros, vou lhes oferecer textos que explorem o assunto: só assim, constrói-se uma relação de confiança que me possibilita indicar outras obras. A chave é começar com o que os estudantes já conhecem e, então, construir algo a partir dali.

A senhora joga videogames? Sim, especialmente no iPhone. Gosto de puzzles como Tetris ou Dr. Mario. Se um dia alguém escrever um livro baseado em Tetris, ficarei interessada em saber como a questão do enredo será resolvida em um caso como esse.

O fim do mundo em 10 livros

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Veja como o apocalipse foi retratado na literatura por autores como Stephen King, José Saramago e Cormac McCarthy

Publicado no IG

Se a profecia se confirmar e o mundo realmente acabar nesta sexta-feira (21), quantos livros você terá deixado fechados na estante ou empilhados na mesa de cabeceira? Um número considerável, talvez, mas não desanime: se o apocalipse da vida real for minimamente semelhante aos narrados na literatura, há uma chance de você ser o único ou um dos poucos sobreviventes.

Nesse caso, você ainda terá tempo para ler, e personagens criados por autores como Richard Matheson e Cormac McCarthy poderão dar algumas dicas sobre como encontrar alimentos e combater canibais em um planeta destruído.

 

Reprodução

“O Último Homem”, de Mary Shelley

 

 

Pensando nisso, o iG separou uma lista de livros sobre o fim do mundo – que também valem a leitura mesmo se nada acontecer.

“Apocalipse”, livro final do Novo Testamento (45 e 90 d.C.): É intitulado e iniciado pela palavra “apocalipse” que, no grego, significa “revelação”, “descoberta”. O autor, identificado como o apóstolo João, descreve eventos futuros que foram revelados a Jesus Cristo, que passou tal conhecimento aos seus discípulos.

“O primeiro anjo tocou a trombeta. Granizo e fogo misturados de sangue foram jogados sobre a terra. A terça parte da terra virou brasa, a terça parte das árvores e toda erva verde. O segundo anjo tocou a trombeta. Foi lançada no mar como que uma grande montanha ardendo em chamas e a terça parte do mar se converteu em sangue. Morreu a terça parte das criaturas que vivem no mar e foi destruída a terça parte dos navios.”

“O Último Homem”, de Mary Shelley (1826):Da mesma autora de “Frankenstein”, o livro se passa no ano 2100. Lionel Verney, filho de uma família nobre lançada à pobreza, é o único sobrevivente de uma praga que, gradualmente, destruiu a humanidade.

“Enquanto isso, meu pai, esquecido, não conseguia esquecer. Ele lamentava a perda daqueilo que para ele era mais necessário do que ar ou comida – a excitação do prazer, a admiração dos nobres, a vida luxuosa e polida dos grandes. A consequência foi uma febre nervosa, durante a qual ele recebeu os cuidados da filha de um camponês pobre, que lhe ofereceu abrigo.”

“Eu Sou a Lenda”, de Richard Matheson (1954): Adaptado três vezes para o cinema, conta a história do único sobrevivente de uma epidemia de um vírus. Em Nova York, ele continua lutando por sua vida, ameaçada por humanos infectados que se transformaram em criaturas semelhantes a vampiros.

“Ele se deitou na cama e respirou a escuridão, torcendo para conseguir dormir. Mas o silêncio não ajudou muito. Ele ainda podia vê-los lá fora, os homens de rosto branco rondando sua casa, incessantemente procurando um jeito de entrar e chegar até ele. Alguns deles, provavelmente, agachados como cães, os olhos vidrados na casa, os dentes se mexendo devagar; indo e vindo, indo e vindo.”

“Na Praia”, de Nevil Shute (1957): Depois de a Terceira Guerra Mundial devastar a maior parte do planeta com ataques nucleares, alguns sobreviventes na Austrália são ameaçados por nuvens radioativas que se movimentam em sua direção. Quando um capitão de um submarino detecta um sinal vindo da região onde antes se encontrava uma cidade americana, tem início uma busca por possíveis sobreviventes.

“O tenente-comandante Peter Holmes, da Marinha australiana, acordou pouco depois do amanhecer. Ele ficou deitado, sonolento, por um tempo, embalado pelo quente conforto de Mary, que dormia a seu lado. Ele sabia, pelos raios de sol, que era por volta de 5h: muito em breve a luz iria acordar sua filha Jennifer, no berço, e eles teriam de levantar e começar os afazeres. Não havia motivo para começar antes disso; ele podia ficar deitado um pouco mais.”

 

Reprodução

J.G. Ballard, autor de “O Mundo Submerso”

 

“Um Cântico para Leibowitz”, de Walter M. Miller Jr. (1960): Centenas de anos após uma guerra nuclear acabar com a maior parte da Terra, monges em um monastério no deserto americano tentam preservar livros que podem salvar o que sobrou da humanidade.

“Fervorosamente, Paulo rezara para que esse momento fosse como uma ponte sobre o abismo de doze séculos – e para que, através dele, o último cientista martirizado de uma era remota pudesse dar a mão ao porvir. Havia, na verdade, um abismo. Isso era claro. O abade sentiu de repente que não pertencia à era presente, que ficara encalhado num banco de areia ao longo do rio do Tempo, e que nunca houvera uma ponte.”

“O Mundo Submerso”, de J.G. Ballard (1962): A sacada do escritor britânico foi criar um protagonista que, ao contrário dos presentes na maioria dos livros sobre o apocalipse, não se sente perturbado, mas, sim, fascinado pelo caos que se instaurou sobre a Terra após uma catástrofe ambiental.

“Do balcão do hotel pouco após as oito horas, Kerans viu o sol despontar além das densas matas de gigantescas gimnospermas crescendo sobre os telhados das lojas de departamento abandonadas, a quatrocentos metros dali, do lado leste da lagoa.(…) O disco solar já não era há muito uma esfera bem definida, mas uma elipse, saltando no horizonte ocidental como uma colossal bola de fogo, seu reflexo tornava a superfície morta do lago em um escudo brilhante de cobre.”

(mais…)

Livraria Cultura lança leitor eletrônico Kobo Touch no Brasil por R$ 399

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Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil
Kobo Touch, fabricado pela canadense Kobo, é visto em evento em Tóquio; aparelho custará R$ 399 no Brasil

Emerson Kimura, na Folha de S.Paulo

A Livraria Cultura anunciou nesta segunda (26) que venderá por R$ 399 o leitor de livros digitais Kobo Touch, trazido ao país em parceria com a fabricante do aparelho.

Consumidores que adquirirem o e-reader por meio da pré-venda, que começa nesta terça-feira (27), à 0h, por meio do site da livraria, receberão o aparelho no próximo dia 5 –quando o Kobo também chegará às lojas físicas da empresa.

Segundo a companhia, 12 mil títulos em português estarão disponíveis para aquisição e download para o dispositivo, entre os cerca de 1 milhão em outras línguas.

O aparelho tem memória interna de 2 Gbytes –expansíveis por meio de cartão SD– e suporta os formatos PDF, Mobi e ePub, além de imagens, textos em TXT, HTML e RTF e quadrinhos em CBZ ou CBR.

AMAZON

A Amazon, gigante norte-americana que fabrica os leitores Kindle, foi mencionada algumas vezes durante o evento de lançamento para a imprensa.

“Nós competimos com a Amazon globalmente, em vários países do mundo”, disse Todd Humphrey, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da Kobo.

A estratégia da Kobo é ter um parceiro forte em cada país, afirmou Humprhey. No Brasil, é a Livraria Cultura.

Sergio Herz, executivo-chefe da Livraria Cultura, reforçou o conceito de “read freely” (leia de maneira livre), que permite a leitura em aparelhos Kobo de livros comprados em outros dispositivos e plataformas. “E o livro é seu, você pode copiá-lo para outros aparelhos”, acrescentou, numa crítica implícita à Amazon, que tem uma política mais fechada –títulos comprados na loja virutal para o Kindle costumam ser compatíveis apenas com o próprio Kindle.

FUTUROS LANÇAMENTOS

Sobre a disponibilização de periódicos, Pedro Herz, presidente do conselho de administração da Livraria Cultura, disse: “Cabe aos jornais e revistas, não a nós, tomar a iniciativa de disponibilizar seus produtos em formatos eletrônicos”.

Sergo Herz revelou que a Cultura pretende lançar o tablet Kobo Arc, que diz ser mais adequado para a leitura de periódicos, no primeiro trimestre do ano que vem.

No mesmo período, devem ser lançados também o Kobo Mini, modelo de e-reader mais compacto, e o Kobo Glo, leitor com iluminação embutida.

Ainda não há previsão de data e preço para o Arc, o Mini ou o Glo.

foto: Yoshikazu Tsuno/France Presse

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