Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Fuvest

Fuvest divulga lista de livros obrigatórios para 2017, 2018 e 2019

0

nIa0i9g

Publicado no UOL

A Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) que seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo) acaba de divulgar a nova lista de livros obrigatórios para as seleções de 2017, 2018 e 2019. A Fuvest tem mudado a lista a cada três anos.

Confira a lista para os vestibular 2017:

Para o vestibular 2018, sai a obra “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, e entra “Minha vida de menina”, de Helena Morley. Veja a lista:

Já no processo seletivo de 2019, a Fuvest mudou a obra de Eça de Queirós: sai “A cidade e as serras” e entra “A relíquia”. Os demais livros são mantidos. Confira a lista completa:

Autor angolano

Praticamente todos os títulos da lista são de consagrados autores da literatura brasileira ou portuguesa — ou seja, fazem parte do conteúdo esperado para o ensino médio. A surpresa deste ano é a inclusão de uma obra do angolano Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), que foi guerrilheiro do MPLA, político e governante.

Seu livro Mayombe é “uma narrativa que mergulha fundo na organização dos combatentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), trazendo à tona as suas dúvidas, contradições, medos e convicções”, segundo sua descrição no site da Leya, que o edita no Brasil.
Mudanças neste processo seletivo

Em relação à lista anterior (que vigorou nos últimos três anos) foram mantidas para o processo seletivo de 2017 as seguintes obras: Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis; O cortiço, de Aluísio Azevedo; A cidade e as serras, de Eça de Queirós; Vidas secas, de Graciliano Ramos e Capitães da areia, de Jorge Amado.

Os livros que entraram na lista de 2017 foram: Iracema, de José de Alencar; Claro enigma, de Carlos Drummond de Andrade; Sagarana, de João Guimarães Rosa e Mayombe, de Pepetela.

Os título que saíram foram: Viagens na minha terra, de Almeida Garrett; Til, de José de Alencar; Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida e Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade.

Nunca desista! Em um ano, aluno vai da reprovação na 1ª fase ao 1º lugar em direito na USP

0

João Vitor Silva Rodrigues

Publicado no Amo Direito

Quando estava prestes a terminar o 3º ano do ensino médio, João Vitor Silva Rodrigues fez o mesmo que muitos jovens: prestou o vestibular. No seu caso, a única escolha foi o curso de direito na USP (Universidade de Sâo Paulo).

O vestibular é dos concorridos e com fama de difícil, elaborado pela Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular). A lista de aprovados foi divulgada na terça (2).

Após uma vida de estudo em escolas públicas, João Vitor não tinha muita confiança em um bom desempenho.

Na primeira tentativa, a Fuvest 2015, ele fez 46 pontos e ficou longe da 2ª fase. Naquele ano, a nota de corte foi 58. Para a seleção de 2016, os candidatos tiveram que acertar 59 das 90 questões para ir à segunda fase. A concorrência foi de 24,47 candidatos por vaga.

Um ano depois, o jovem de 18 anos atingiu seu objetivo de ser aprovado para estudar no Largo São Francisco, casa do tradicional curso de direito da USP, no Centro de São Paulo. O “detalhe” é que ele passou em primeiro lugar.

Achei que tinha coisa errada
“[O primeiro lugar] foi uma surpresa. Quando vi no site, achei que tinha alguma coisa errada. Tirei uma foto e mandei para um professor confirmar para mim. Minha ficha ainda nem caiu”, afirmou o jovem.

A frustração do ano anterior fez João Vitor obter uma rotina e uma disciplina invejáveis. Não que fosse um mau aluno. Mas, a base que adquiriu nas escolas municipais de São Caetano, na Grande São Paulo, onde estudou toda sua vida não foi suficiente.

Por isso, a primeira atitude do jovem em 2015 foi tentar uma bolsa de estudos em um cursinho. Conseguiu apenas 30% e já achou a prova para conseguir o desconto difícil. Mesmo assim, não desanimou. Encarava, diariamente, uma hora de trem e metrô até o cursinho Poliedro, na Vila Mariana, em São Paulo.

No primeiro mês, estava perdido
Chegava por lá por volta das 6h20, tomava café, e começava a aula às 7h. Ficava sentado, prestando atenção em tudo, até às 12h40, almoçava pelas redondezas, e voltava ao cursinho, de onde só saía por volta das 20h, depois de uma maratona de exercícios e de ter todas as dúvidas sanadas pelos professores. Os livros para a Fuvest, ele lia na viagem de metrô e trem para casa.

Os primeiros meses foram complicados. João Vitor tinha clara noção de que estava defasado em relação aos colegas.

“Em fevereiro, comecei a estudar. Estava perdido. Não tinha ideia do que falavam na aula. A maioria dos colegas era de escola particular com mais bagagem do que eu”, contou.

“Em um mês, entrei no ritmo deles. Por meio dos simulados, eu via qual era meu nível. Eram provas específicas para a Fuvest. Nos primeiros, eu tirava média de 3, de zero a 10. Por fim, minha média era de 7 ou 7,5. Fui vendo meu crescimento e tendo uma ideia de pontos fracos e fortes”, completou.

Em junho, com a vida dedicada ao vestibular, João Vitor passou por um baque. Em um sábado de manhã cedo, quando ia a pé para a estação de trem, foi abordado por um assaltante que levou sua mochila e, consequentemente, todas as anotações feitas em sala de aula.

“Todas as minhas anotações, folhas, cadernos e rascunhos eu perdi. Desanimei bastante. Contei para os professores e eles me deram todo o apoio. Passei as férias de julho reescrevendo tudo com base nas fotos das folhas dos cadernos dos meus colegas”, relembrou.

Música também era uma opção
Por pouco, João Vitor não optou por outro curso. Durante oito anos, o jovem estudou música em uma instituição de sua cidade. Hoje, ele é violinista e toca em uma orquestra de São Caetano. Por isso, o curso de música por muito tempo foi uma opção.

“Desde a oitava série, eu tenho a vontade de estudar direito, mas sempre ficava no impasse com música. Agora, penso em me formar em direito, passar em um concurso público, obter uma certa estabilidade e, então, voltar a estudar música”, explicou.

Claro que a música não vai ficar de lado. Em 2015, por causa do vestibular, João Vitor teve de dar um tempo com a orquestra. Mas, agora, já avisou o maestro que vai dividir o violino e as apresentações com sua vida de estudante universitário.

Fonte: Vestibular Uol

Soninha está certa: vestibular é uma prova cretina

0

esps-mais-tranquilidade-no-vestibular

Marcelo Rubens Paiva, no Estadão

SONINHA FRANCINE foi vítima da intriga política polarizada.

A ex-vereadora do PPS, ligada ao PSDB, que ocupa o cargo de coordenadora de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual do governo do Estado, formada em Comunicações, teria dito depois de prestar vestibular para Gestão de Políticas Públicas neste ano e ser reprovada:

“Como sempre, a prova da Fuvest foi sem cabimento. Eu não fazia a mais puta ideia de como responder metade da prova. As perguntas olhavam para mim como se fossem escritas cuneiforme. Em algumas delas, mal havia um sinal, um signo, um vocábulo que eu reconhecesse. Não faz sentido.”

Saiu em todo lugar na quarta-feira antes do Carnaval. Até eu ironizei.

Minha caloura da ECA-USP de 1988 desabafou depois que não passou.

Hahaha…

As redes sociais se esbaldaram

Acontece que Soninha NÃO fez a prova. Estava trabalhando. Fez a primeira fase, passou e comentou.

Seus inimigos acompanharam a lista de aprovados da Fuvest, não monitoraram direito e passaram a nota falsa.

Quer saber?

Gafe jornalística. E ela tem toda razão.

A Fundação Universitária para o Vestibular é uma fundação sem fins lucrativos criada para realizar o vestibular da USP e outras.

Seu primeiro vestibular, em 1977, foi também meu primeiro vestibular.

Podia-se escolher entre opções do mesmo curso de três universidades diferentes, USP, Unicamp e Unesp.

Entrei em engenharia na Unicamp. No primeiro dia de aula, Cálculo, o professor anunciou: “Sabe o que vocês vêm estudando na escola para o vestibular? Esqueçam. É uma bobagem que não serve pra nada. Isso aqui é matemática.”

E escreveu na lousa Cálculo Diferencial e Integral.

Descobri que de fato a matemática ensinada nas escolas era uma perda de tempo; um resumo tolo do que realmente interessa.

Como quase tudo que se ensina nas escolas [as frequentamos por 13 anos e saímos sem falar fluentemente uma língua estrangeira]

Há 40 ANOS, o vestibular é o mesmo: uma primeira fase de múltipla escolha em dezembro faz um corte para uma segunda fase escrita em janeiro.

E atesta a incompetência ou preguiça da USP arrumar um jeito melhor e mais justo de selecionar seus alunos há 40 ANOS!

Unicamp e Unesp já saíram fora dessa anomalia curricular.

Se são em média 120 mil estudantes/ano que fazem a Fuvest, 4,8 milhões de pessoas já a fizeram. Se a taxa média de inscrição é de R$ 145 [tem isentos], é um negócio que já faturou quase R$ 700 milhões.

A pergunta é se ela é um mal necessário ou um achaque.

A melhor universidade do país se acomodou e ainda os obriga a ler obras secundárias da literatura mundial como Viagens na Minha Terra (Almeida Garrett), Til (José de Alencar), e A Cidade e as Serras (Eça de Queirós).

O sujeito que faz vestibular para Educação Física lê os mesmos autores que o que presta para Geologia, Física, Filosofia, Letras e Áudio Visual.

E não lê, nunca foi exigido, Shakespeare, Voltaire, Cervantes, Vitor Hugo, Melville, Flaubert, Rimbaud, Dostoievski, Tolstoi, Kafka, Conrad, Hemingway, Beckett…

Quem tem matemática pela frente, tem de responder:

No plano cartesiano Oxy, a circunferência C tem centro no ponto P = (2,1), e a reta t é tangente a C no ponto Q = (-1,5). Determine o raio da circunferência C, encontre uma equação para a reta r, calcule a área do triângulo PQR, sendo R o ponto de interseção de t com o eixo Ox.

A prova de português não é ruim. Mas o aluno que leu os NOVE livros pedidos respondeu nem sobre a metade deles. Leu à toa.

As provas em geral são bem-feitas.

Fala-se de energia, poluição, saneamento de água, Cantareira, Plutão, feminismo, Malvinas, Oriente Médio.

Mas Soninha está certa.

E se defendeu como pôde na sexta-feira de Carnaval:

“Vejam que aula de jornalismo. A Mônica Bergamo escreveu na Folha de São Paulo que eu fui reprovada na Fuvest. Só que eu não fiz a segunda fase. Teria de faltar três dias no serviço e, se passasse, não iria ter a disponibilidade necessária para cursar uma faculdade pública como se deve. Escrevi pra Folha, e ela logo publicou online, com o título teimoso de ‘Soninha diz que não passou porque não fez a prova’. Só faltou escrever ‘alega’.”

“Na sequência um professor de jornalismo me detonou no G1 dizendo que minha crítica ao vestibular – uma prova CRETINA, digo isso todo ano – demonstra meu preconceito e orgulho de ser ignorante. Os comentários ao post dele são ótimos – ‘se eu não sei calcular cosseno, sou burra’; ‘o pessoal de humanas despreza exatas e tem mais preguiça de estudar’. Mas quem tem preconceito, diz o professor no título, sou eu.”

“Agora a revista Forum avança e diz que eu fui reprovada e reclamei da prova… Isso é jornalismo, não é o ‘vale tudo’ de internet… Talvez todos tenham diploma da USP, o que significa que um dia passaram na Fuvest (como eu, em 1988). Sabem cosseno, mas não sabem apurar matéria e têm dificuldades com interpretação de texto.”

SONINHA fez 51 pontos na primeira fase da Fuvest. “Podia ter feito 90 e ia continuar achando uma prova ridícula, anacrônica, inútil, contraproducente.”

Concordo totalmente.

É ridícula, cretina, anacrônica, inútil e contraproducente.

Devemos desculpas a ela.

E engolir esse vexame da USP por mais quantos anos?

Fuvest aceitará só a nova ortografia em prova da 2ª fase

0

vestibular

Publicado no UOL

São Paulo – A morte anunciada agora se consumou. O novo acordo ortográfico, obrigatório desde o dia 1.º, sepultou o trema, além de acentos e hifens de centenas de palavras. Se a maioria nem notou a diferença, os quase 26 mil candidatos da 2.ª fase da Fuvest, que começa hoje, devem ficar atentos. O exame de acesso à Universidade de São Paulo (USP) será o primeiro grande vestibular do País em que apenas a nova grafia será aceita.

Hoje, 10, haverá a prova de Língua Portuguesa e redação e a exigência ortográfica será preocupação extra para os candidatos, alfabetizados no modelo antigo – principalmente os de cursos mais concorridos. Segundo especialistas, a reforma no idioma não deve ser motivo de dor de cabeça: altera apenas 0,8% das palavras usadas no Brasil.

Outro motivo é a familiaridade dos alunos com as novas regras. Desde 2009, o Brasil viveu um período de transição, em que as duas ortografias eram permitidas e usadas. Inicialmente, essa etapa terminaria em 2013, mas o governo federal estendeu o prazo para 2016.

Com isso, nos últimos anos, a maioria dos colégios, cursos pré-vestibulares e materiais escolares já seguia o novo padrão. A Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) estima que “100%” das obras didáticas e a maioria das literárias estão adaptadas.

Mesmo para os mais velhos, a mudança não será surpresa. “Esses candidatos têm mais dificuldades. Mas, como a imprensa adota a nova ortografia, quem lê jornais e revistas está habituado”, pondera Eduardo Calbucci, supervisor de Português e Redação do Cursinho Anglo.

Durante a preparação, vestibulandos recorreram a cartilhas e aplicativos de celular para decorar as normas. “Português nunca foi meu forte”, reconhece José Inácio da Silva Neto, de 20 anos, que tenta Medicina na USP pela terceira vez. “A dificuldade que terei com o acordo ortográfico é uma que os outros também terão”, prevê.

Além da Redação, a Fuvest obriga o candidato a escrever mais: traz questões abertas das disciplinas do ensino médio. Em alguns pontos, para o jovem, a mudança linguística até ajudou. “Eu errava e me esquecia de colocar acentos. Agora que muitas palavras deixaram de ter, fica mais fácil”, afirma.

O hífen, segundo professores, costuma ser o grande vilão. “Tiraram o hífen em umas palavras, em outras passou a ter. É confuso”, reclama José. O trema, antes da reforma, já era ignorado pela maioria dos alunos. As três letras reincorporadas ao alfabeto – k, y e w – também já eram de uso cotidiano.

Na ponta da língua. Marcos Antônio Marinovic Júnior, de 22 anos, usa estratégias para gravar as regras. “Quando você memoriza um exemplo, lembra outras palavras parecidas e fica intuitivo”, afirma ele, que também tenta entrar em Medicina pela terceira vez. “E, se esquece a grafia de uma palavra, dá para pensar em um sinônimo para colocar no texto.”

Júnior admite ter “um pouco de medo” da nova ortografia. “No colégio, só peguei essas mudanças no último ano do ensino médio. Eu tive de me adaptar.” Ele acredita, porém, que a boa preparação mantém o candidato no páreo. “Em uma redação bem coerente, um pequeno erro de gramática não é tão levado em conta para a nota”, afirma.

O deslize ortográfico isolado, de acordo com especialistas, não é tão significativo no resultado da Fuvest. A reincidência de erros ou a variedade de equívocos é que penaliza o estudante. Para prevenir esse problema, recomenda-se uma revisão cuidadosa.

“O aluno deve fazer todo o possível para não errar. Em carreiras mais disputadas, isso pode fazer diferença”, aconselha Héric José Palos, professor de Português do cursinho Etapa. “No vestibular, o candidato não compete com os outros, mas com ele mesmo”, acrescenta.

Além dos vestibulares, o novo acordo se tornou exigência em concursos públicos – alguns têm cobrança bem mais rígida que as universidades em ortografia. As novas normas também já são obrigatórias em Portugal e Cabo Verde. Outros cinco países lusófonos assinaram o tratado e estão em processo de adaptação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fuvest 2016: ‘Paro de estudar só para ver os fogos’, diz aprovada na 1ª fase

0

Estudantes mudam planos no fim de ano para se dedicarem ao vestibular.
Provas da segunda etapa acontecerão nos dias 10, 11 e 12 de janeiro.

jhesika-fuvest

Publicado em G1

Os estudantes que foram aprovados para a segunda fase da Fuvest mudaram os planos para o fim de ano. Como foco, não pensam em festejar natal ou ano novo: querem mesmo é comemorar a aprovação para a Universidade de São Paulo no dia 2 de fevereiro, quando a primeira chamada será divulgada.

A lista de convocados para a segunda fase foi publicada na sexta (18). Dos 142.724 inscritos, foram classificados 25.967 candidatos. Do total, 2.192 são treineiros.

Jhesika Pena, de 19 anos, busca uma vaga no curso de geologia. Ela foi convidada para viajar ao Guarujá, no litoral de São Paulo, e aproveitar as férias com uma amiga. Mas preferiu recusar – sua prioridade são os estudos. “Sempre abdiquei da diversão. É só um momento. Prefiro perder o lazer, mas saber que me dediquei ao máximo. É melhor do que, depois, me arrepender de não ter estudado o suficiente”, diz.

Ela garante que no dia 31 de dezembro vai continuar se preparando para a Fuvest. “Só vou parar para ver os fogos por uns cinco minutos. Depois retomo”, conta. “Não posso perder essa chance. Só vou descansar na véspera da segunda fase.”

Candidata a uma vaga em engenharia civil, Thais Perpetuo, de 19 anos, também disse “não” ao namorado, Philip di Simone, quando ele propôs uma viagem. O casal iria a Belo Horizonte, no ano novo, para visitar os parentes. “Decidimos que é melhor ficar aqui em São Paulo para eu me concentrar melhor. Vou ficar estudando, mas paro só nos dias 24, 25 e 31. Já me matei muito, preciso descansar um pouco pelo menos nesses dias”, conta a jovem.

Ela enfrenta uma maratona de vestibulares – além da USP, tenta ser aprovada também na Unicamp, na Unesp e, como última opção, na faculdade privada Mackenzie. Mesmo deixando de lado momentos de lazer, ela conta com o apoio de Philip para estudar. Ele cursa engenharia mecânica na Unicamp. “Ele tem facilidade com exatas, então me ajuda muito”, afirma.

“Saí da escola pública e levei um choque no cursinho”
A mudança nos planos de fim de ano também foi a opção de Denise Ribeiro, de 20 anos. Ela focou no preparo ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para tentar uma vaga na Ufscar. E se surpreendeu quando viu seu nome na lista de aprovados para a segunda fase da Fuvest.

Desde sexta (18), quando o resultado foi publicado, ela intensificou os estudos.
“Não vou viajar, já sabia que precisaria abrir mão disso. Não estou ligando muito para as datas comemorativas. Tenho pouco tempo para estudar e preciso aproveitar esses dias”, conta.

Denise deseja seguir a área de ciências sociais para trabalhar com projetos de educação. Ela recebe o bônus na nota da Fuvest por ser negra e ter estudado durante o ensino médio inteiro em escolas públicas. Aos 16 anos, começou a trabalhar como instrutora de inglês em uma escola de idiomas – e, com o salário, conseguiu pagar as mensalidades de um cursinho particular.

Ela investiu o dinheiro que ganha no trabalho para comprar livros e um notebook, usado para pesquisa. No dia 31, pelo menos durante o período da manhã, seguirá estudando. Seus pais a apoiam, mas acham que ela deveria descansar mais. “Eles cursaram só até o ensino fundamental, não têm noção de como é difícil passar na faculdade. Eu explico que preciso me esforçar muito para conseguir”, conta.

A jovem percebeu que poderia atuar profissionalmente para diminuir a desigualdade na qualidade de ensino. “Eu saí da escola pública e levei um choque no cursinho, que é mais de elite. Percebi que, realmente, as cotas são necessárias. Estamos em desvantagem, somos marginalizados, querendo ou não. Muitos que estão na USP são brancos e teriam condições de pagar uma faculdade particular. Eu não teria”, conta Denise.

Go to Top