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Encontro Mundial da Invenção Literária, acontece em São Paulo este mês

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Publicado no Vá de Cultura

Com 200 horas de programação totalmente gratuita, acontecerá em São Paulo entre os dias 12 e 15 de novembro o 1.º Emil – Encontro Mundial da Invenção Literária. A abertura será no dia 11 de novembro, num evento especial no Museu da Língua Portuguesa, do qual participarão os organizadores, autoridades, escritores e convidados. O Emil será realizado em cerca de 35 locais da cidade de São Paulo, entre 25 livrarias e 10 equipamentos públicos, como centros culturais, bibliotecas públicas e teatros.

O objetivo do Emil, uma iniciativa comum da Academia Paulista de Letras (APL), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Nacional de Livrarias (ANL), com apoio da Prefeitura de São Paulo, além de diversas parcerias e patrocínios, é estimular o hábito de leitura em todas as idades, promover a cidadania e fortalecer a criação de um Estado leitor. Com uma programação totalmente gratuita ao público, o EMIL contará com mesas de criação e leitura, saraus e sessões de contação de histórias, que permitirão diferentes formas de abordagem, abrangendo todos os perfis de público.

Desta forma, o EMIL deverá estreitar o contato do livro com os públicos infantil, jovem, adulto e idoso, amplificando o poder formativo e educacional da literatura, além de valorizar o papel de dois pilares fundamentais do circuito literário: professores e livreiros, na qualidade, respectivamente, de agentes de incentivo à leitura e de difusão do livro.

Para estimular a relação dos professores com o livro e livrarias, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo irá distribuir quase 80 mil vouchers para os profissionais da rede pública municipal, professores, gestores, corpo técnico e de apoio. O Voucher Educador, no valor de R$ 50,00, é uma das ações do Programa Leia, São Paulo!, da Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Associação Nacional de Livrarias – ANL. O prazo para a troca do voucher por livros se dará entre 01/11/2015 e 31/12/2015.

Luiz Torelli, presidente da CBL, considera que eventos como o Emil visam construir, articular e potencializar o incentivo à leitura, entendendo-a no seu sentido mais amplo, como um processo de compreensão abrangente da realidade e que se apresenta em várias linguagens.

A leitura vai, portanto, além do texto, e começa ainda antes do contato com ele. Processo dinâmico, ler implica diálogo entre o leitor e o objeto lido, seja este um texto escrito, uma paisagem, uma canção, ou, o próprio cotidiano que nos envolve”.

Gabriel Chalita, Secretário de Educação do Município de São Paulo e presidente da Academia Paulista de Letras (APL), é um dos maiores entusiastas do Emil. Ele acredita que o movimento deve ter amplo interesse por conta de sua formatação, que consiste na simultaneidade de eventos em várias livrarias da cidade. Além disso, diz ele, há a relevância de autores nacionais e estrangeiros que estão sendo convidados. Sobre os vouchers, ele entende que o professor que lê tem seu trabalho em sala de aula facilitado.

Com o voucher o professor vai a uma livraria e escolhe um livro segundo sua preferência, sem nenhuma imposição por parte da secretaria”.

Para Chalita, o Emil será uma excelente oportunidade de o público ter contato com seus autores e se envolver ainda mais no universo dos livros.

Queremos que o Emil atue como mola propulsora de estímulo à leitura, por isso o caráter amplo e de difusão do livro e das livrarias”.

O 1.º Emil tem curadoria do jornalista e crítico literário Manoel da Costa Pinto, cuja trajetória é marcada pela constante presença nos segmentos culturais ligados aos livros e à literatura. Costa Pinto foi um dos criadores da revista Cult, editou por vários anos uma coluna de literatura na Folha de S. Paulo, foi curador da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty em 2011. O curador disse que o Emil terá cerca de 100 escritores nacionais e 10 estrangeiros e adiantou os nomes de Paulo Lins, Michel Laub, Raimundo Carrero, Rubens Figueiredo e do angolano José Eduardo Agualusa.

“Teremos autores consagrados e escritores pop”, acrescentou Costa Pinto.

O Emil é realizado de forma conjunta pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), Academia Paulista de Letras (APL), Associação Nacional de Livrarias (ANL), Sesc SP, escolas, universidades, consulados e governos Federal, Estadual e Municipal. Por isso, o Emil acontecerá simultaneamente em vários locais, cuja programação será previamente anunciada e disponibilizada ao público por meio do site oficial e página do Emil nas redes sociais. O site do Emil é www.emil.art.br e a página no Facebook éhttps://www.facebook.com/encontromundialdainvencaoliteraria .

Chalita assume presidência da Academia Paulista de Letras

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Publicado por Folha de S.Paulo

Mais jovem integrante da Academia Paulista de Letras, o escritor Gabriel Chalita, 45, toma posse nesta quinta (11) na presidência da instituição. A cerimônia será às 12h30, em almoço com imortais na sede da APL, no largo do Arouche (centro de São Paulo).

Chalita é autor de mais de 40 livros, como o volume de poemas “Estações”, de 2006, reeditado em 2010 pela Globo, e “Mulheres de Água – Contos sobre o Universo Feminino”, de 2007, relançado neste ano pela Planeta.

Ocupante desde 2006 da cadeira número 5 da APL, concorreu como candidato único à presidência da instituição para o biênio 2015/2016, após ter o nome lançado pelos ex-presidentes Ives Gandra da Silva Martins, José Renato Nalini e Antonio Penteado Mendonça.

Gabriel Chalita, 45, mais jovem integrante da Academia Paulista de Letras / Bruno Poletti/Folhapress

Gabriel Chalita, 45, mais jovem integrante da Academia Paulista de Letras / Bruno Poletti/Folhapress

Foi eleito por unanimidade, com 35 votos, na quinta (4), na sede da academia, com a presença de imortais como Lygia Fagundes Telles, Mauricio de Sousa, Juca de Oliveira e Eros Grau.

“É um privilégio conviver com escritores que, com olhares e registros diferentes, criam conceitos e personagens que permanecem formando nossa identidade”, diz o escritor, professor da PUC-SP e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e deputado federal pelo PMDB-SP até janeiro (não concorreu nas últimas eleições).

A prioridade do presidente será ampliar a interlocução com a sociedade, atraindo jovens escritores, estimulando pesquisas na biblioteca da APL e organizando eventos.

O principal desses eventos, uma feira literária com participação de grandes nomes da literatura internacional, já vem sendo costurado.

“Estamos formatando o projeto e conversando com os organizadores da Feira de Frankfurt [maior evento editorial do mundo] para uma parceria. Queremos valorizar as bibliotecas e livrarias de São Paulo, levando-as a participar da feira. Vamos espalhar escritores e contadores de história pela cidade”, diz.

Com cerca de 10 milhões de livros vendidos e conhecido pelo trabalho na área da educação, Chalita pretende ainda estimular a formação de leitores. “Precisamos do engajamento dos educadores, dos pais e da mídia. Fico feliz quando vejo crianças manuseando livros, lendo. Mas precisamos de mais.”

Escola não tem o poder de substituir educação que vem de casa

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Gabriel Chalita, no UOL

Fico feliz ao ver quanta gente de diferentes áreas escreve e opina sobre educação. Há um movimento da sociedade, muito positivo, que acredita ser a educação a garantidora de melhores tempos para nosso país.

Todos os temas da vida humana passam pela educação. A ética depende da educação. É preciso ensinar a honestidade. O fim dos preconceitos também carece de uma educação capaz de entranhar (termo aristotélico) as mais belas verdades sobre o respeito e a convivência plural. As tantas competências exigidas por um mercado cada vez mais competitivo dependem de uma educação de qualidade. O bem escrever, o bem falar, o bem realizar conexões desenvolvendo autonomia e senso crítico também dependem da educação.

Evidentemente, a educação não é um processo que se esgota em sala de aula. Tudo educa. E tudo pode deseducar. Por isso, é preciso formar a capacidade reflexiva para discernir entre o correto e o errado. Nossa vida é determinada por escolhas. Saber escolher também depende da educação que forja nosso caráter.

O artigo 205 da Constituição Federal evidencia o necessário em um processo educativo: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

A educação é direito de todos. Isso me parece pacificado. É dever do Estado e da família. Portanto, não apenas do Estado. A família tem papel essencial assim como a sociedade. O artigo elenca, ainda, os objetivos da educação, quais sejam: o pleno desenvolvimento da pessoa, com todas as suas complexidades racionais e emocionais; o exercício da cidadania, com a compreensão e a prática de direitos e deveres; e a qualificação para o mercado de trabalho, fazendo com que se transforme informação e conhecimento em benefício para a sociedade.

Sabedores de que precisamos formar a pessoa e prepará-la para o mercado de trabalho, faz-se mister refletir sobre as formas de educar para esses fins.

Tripé da educação

Poderíamos nos deter nas estatísticas internacionais, analisando os indicadores de qualidade que mudaram o cenário de países como a Coréia do Sul e, mais recentemente, a China. Ou, ainda, trazermos um exemplo mais próximo como o Chile. Entretanto, há três pontos convergentes nesses sistemas sobre os quais educadores brasileiros já se debruçaram. Chamo-os de “o tripé da educação com qualidade”.

O primeiro ponto é o professor. Mesmo em tempos de alta tecnologia e de todo o aparato presente na sala de aula ou nos ambientes virtuais, é o professor a alma do processo educativo. E, por isso, a carreira de professor deve ser desejada, valorizada, respeitada.

Fico pasmo quando leio alguns opinantes sobre educação afirmarem que não é relevante dar um bom salário ao professor. Sejamos mais profissionais. Remunera-se muito mal o professor. E mesmo não ganhando bem, a maioria desempenha com mestria seu papel. Há, sim, abnegados que abraçam a educação como bandeira de vida e que, independentemente do quanto recebem, fazem prodígios nas salas de aula.

Precisamos de milhares e milhares de professores para atender à demanda do ensino de qualidade. E isso requer que jovens tenham o desejo de abraçar o magistério como profissão. Se não tivermos um salário digno e um plano de carreira atraente, os jovens não optarão por essa profissão. Sem professores, como vamos educar? Uma remuneração justa, uma formação continuada que garanta qualidade, atualização, entusiasmo dos que ensinam nas salas de aula presenciais ou a distância compõem o primeiro ponto.

O segundo ponto é o currículo inteligente, significativo, que obedeça ao que indica o artigo 205 da Constituição, ou seja, que forme a pessoa, o cidadão, e que o prepare para o mercado de trabalho. Estamos muito atrasados nas escolas em tempo integral em oposição a todos os outros países que, avaliados pelo PISA, conseguem se destacar em qualidade.

Um currículo inteligente intercala teoria e prática, oferece problemas para desafiar os alunos, inquieta para que a habilidade cognitiva seja despertada e socializa as emoções para que o encontro com os diferentes (e diferentes são todos) forme uma cultura de paz. É preciso levar em conta que os alunos são menos atentos. A “geração do instantâneo” não consegue ficar quieta, ouvindo um professor falar durante muito tempo.

O currículo inteligente abrange uma arquitetura diferenciada da sala de aula. Estações de aprendizagem são mais eficazes do que a antiga disposição das carteiras enfileiradas com o professor à frente. Estando o dia todo na escola, o aluno conseguirá suprir suas deficiências e ampliar o horizonte do aprendizado.

O terceiro ponto é a participação familiar. É a família a educadora por excelência. Por melhor que seja uma escola, ela não terá o poder de substituir uma família ausente ou uma família que diz ou pratica anti-valores que colidem com a obrigação de formar a pessoa. Preconceitos nascem em famílias que se desrespeitam. Vejam os índices de violência doméstica. A casa é o primeiro ambiente a educar.

A escola pode ajudar os pais a refletirem sobre a complexa tarefa de educar. Se o mundo virtual é importante, é preciso ter limites. Como em tudo na vida. Os pais contadores de história são fundamentais para o desenvolvimento da curiosidade e da inteligência, além da dimensão afetiva. A cena de uma mãe ou de um pai lendo ou contando histórias para os filhos vale muito mais do que brinquedos e computadores caros. São universos que vão povoando uma mente em formação.

Professores, currículo inteligente, participação familiar. Esse é o tripé de que precisamos. Sem muitos malabarismos. Mas presente em todas as escolas como obrigação de governantes nas esferas federal, estadual e municipal. Um caminho que precisa ser percorrido sob pena de desperdiçarmos o futuro.

Gabriel Chalita planeja criar evento literário em São Paulo

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Publicado por Folha de S.Paulo

Gabriel Chalita, 45, deputado federal de São Paulo pelo PMDB até janeiro de 2015, não concorreu a nenhum cargo público neste ano, mas está cheio de projetos literários.

Autor de mais de 70 livros, que segundo ele já venderam 10 milhões de cópias, pretende presidir a APL (Academia Paulista de Letras), criar um evento literário em São Paulo e concluir um livro de ficção iniciado há sete anos.

Retrato do escritor e político Gabriel Chalita, em São Paulo, em setembro passado / Bruno Poletti - 10.set.2014/Folhapress

Retrato do escritor e político Gabriel Chalita, em São Paulo, em setembro passado / Bruno Poletti – 10.set.2014/Folhapress

Na sexta (10), ele deu a palestra “Semiótica na Educação e o Desafio de Formar Novos Leitores” na Feira do Livro de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, na Alemanha. Antes, concedeu a seguinte entrevista à Folha.

***

Folha – Por que o sr. não se candidatou a nenhum cargo público nestas eleições?

Gabriel Chalita – Decidi focar na vida de escritor, que é algo caro e prazeroso para mim. Cumpri minha missão como deputado ao presidir a Comissão de Educação da Câmara [em 2013] no momento em que o Plano Nacional de Educação foi discutido. É um excelente plano, que foca na melhoria da carreira do professor, no currículo e na ligação da família com a escola, pontos centrais para melhorar a educação brasileira.

E o que está escrevendo?

Dois livros. No “Inteligência Alpha” resgato ideias de Aristóteles para mostrar como desenvolver a inteligência emocional dos alunos. O outro é uma ficção, “O Julgamento de Maria Aurora”. Tem livro que escrevo em duas semanas, mas este estou escrevendo há sete anos, sempre acho que falta algo.

Além disso, escrevo muito por encomenda de editoras. Como escritor não posso reclamar, meus livros saem com tiragem de 50 mil cópias. Vendi ao todo 10 milhões, mesmo sem ter livros comprados pelo governo federal.

O sr. tem algum outro projeto além de escrever livros?

Devo presidir a Academia Paulista de Letras a partir do fim do ano. Tenho ainda de ser eleito, mas a princípio sou candidato único.

Quero criar em São Paulo um grande evento literário, algo que misture a Feira de Frankfurt com a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, mas espalhado pelas livrarias de São Paulo.

Além disso, três peças minhas devem ser encenadas em 2015. Uma delas, “Muito Louca”, será dirigida por José Possi Neto. Meu livro “Mulheres de Água” está sendo adaptado para TV. E continuo dando aula [de direito] na universidade, porque amo. Nasci para ser professor.

O sr. veio a Frankfurt exclusivamente para palestrar?

Não. Também me encontrei com agentes literários para falar da venda de meus livros para o exterior. “Sócrates e Thomas Moore” já foi vendido para o Líbano, e “Os Dez Mandamentos da Ética”, para a Espanha. Agora há interesse de outros países.

Não sente falta da política?

A política tem coisas boas e ruins. Não gosto de falar para não desanimar as pessoas, mas o Brasil não pode ter a quantidade de partidos que tem. Perde-se muito tempo na Câmara, por exemplo, cada vez que um partido orienta sua bancada a votar. Gosto de fazer muitas coisas. Mas estarei à disposição para ajudar.

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