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A história da ex-professora que hoje ganha a vida fazendo arte por apostar nos seus sonhos

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Publicado por Hypeness

A professora de música Layla Fanucci sempre admirou um poster de Monet e refletia sobre sua vontade de ter na parede algo que tirasse o fôlego das pessoas ao observar. Após uma visita pouco produtiva pelas galerias de Napa Valley, ela resolveu arregaçar as mangas e fazer sua própria obra de arte, mesmo sem nunca ter feito algo do tipo.

O resultado foi impressionante tanto para ela quanto para seus amigos. A primeira pintura foi feita numa tela 6m x 5m de altura e, quando ela a colocou no chão, começou uma explosão de tinta, nas cores azul, vermelho, amarelo, verde e branco. Depois do desenho abstrato, ainda acrescentou algumas imagens, um clarinete, uma árvore de Natal e três figuras que representam seus filhos.

Quando viram o quadro arrojado de Layla, os amigos também quiseram uma obra de arte para chamar de sua e encomendaram telas da nova artista. Ela declarou que um casal chegou a combinar as cores de casa baseadas em sua pintura. A partir de então, Layla não parou mais e, mesmo amando música e ensiná-la, descobriu seu verdadeiro talento, escondido como um tesouro a ser lapidado.

Depois de largar o emprego e descobrir o quanto é difícil viver de arte, ela estipulou uma meta de dois anos para dar certo na profissão. Se não conseguisse sobreviver no meio artístico, voltaria a dar aula.

Trabalhando de 10 à 12 horas por dia, a ex-professora alcançou seu objetivo e produziu mais de 200 quadros. A partir de então, começou a ganhar dinheiro e a ser reconhecida por sua habilidade. Após críticas e uma constante busca por um estilo único, Layla se encontrou retratando cenários de cidades, como Nova York, Paris e Roma. “Bem, todos nós temos talentos escondidos”, declarou Layla Fanucci “Se os descobrirmos, temos que os desenvolver todos os dias e deixá-los florir. Eu penso muitas vezes no que podia ter perdido, senão tivesse desistido de um salário estável e confiável, para seguir a minha paixão”, declarou.

Nas imagens abaixo, você confere como deu certo:

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Todas as fotos © Layla Fanucci

Grafite invade sala de aula

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Depois de vencer preconceito e chegar a galerias, a arte urbana conquista espaço nos bancos de universidades e escolas, onde é debatida e ensinada

O artista Igor Nunes foi convidado a compor um dos espaços da ESPM, onde ele estuda Ana Branco / Agência O Globo

O artista Igor Nunes foi convidado a compor um dos espaços da ESPM, onde ele estuda Ana Branco / Agência O Globo

Eduardo Vanini, em O Globo

Quando ainda cursava o ensino médio, o artista plástico Igor Nunes, de 22 anos, costumava ouvir da mãe: “seu caderno tem mais rabiscos do que matéria”. Ainda bem. Em poucos anos, os mesmos traços que apareciam despretensiosamente nas folhas pautadas começaram a ganhar força e identidade. Hoje, Igor encara a arte urbana com profissionalismo, estuda a linguagem na faculdade de Design da ESPM e ganha dinheiro com isso.

Os tempos de marginalidade do grafite ficaram para trás. Ele ganhou prestígio das galerias, caiu no mundo dos negócios e agora é discutido nos bancos de universidades e escolas. O próprio Igor, que entrou no ramo por influência de amigos, buscou a graduação para incrementar sua atuação profissional.

Hoje ele ganha, em média, R$ 2.500 por mês com os trabalhos de grafite. Com a faculdade, pretende ficar ainda mais conectado ao mercado. No curso, Igor encontrou total liberdade para trabalhar a técnica e chegou a grafitar um dos espaços da própria faculdade.

O professor André Beltrão, que leciona a disciplina de desenho livre na ESPM, é um dos incentivadores do uso do grafite. Ele conta que, frequentemente, os próprios alunos buscam essa linguagem como referência para seus trabalhos.

— Esta arte se insere em diversas matérias do curso e é, inclusive, uma tendência hoje. Já deixou de habitar apenas muros para ocupar também embalagens e superfícies de objetos.

E mesmo sendo algo essencialmente urbano, Beltrão lembra que a profissionalização é sempre enriquecedora. Afinal, quando há o domínio de ferramentas e técnicas, as possibilidades de atuação aumentam.

Artista plástico e designer, Bruno Big dá aulas de estêncil e gravura na PUC e também defende a profissionalização.

— Há vários grafiteiros que fizeram cursos de Design e depois começaram a mostrar seus trabalhos. Esses são os melhores que conheço — afirma.

Para ele, quem gosta da arte tem mais é que aproveitar.

— O grafite sempre abriu portas para mim. Vejo a aceitação cada vez maior. Com isso, se beneficia quem faz a coisa com seriedade.

Para se aprofundar:

Graduação

O curso de Design da ESPM aborda o grafite em algumas disciplinas, além de abrir espaço para que os alunos desenvolvam trabalhos a partir dessa linguagem. Na PUC, a arte urbana também está presente em cursos, como Design e Desenho Industrial, nos quais especialistas em grafite fazem parte do corpo docente.

Gratuitos

O AfroReggae tem oficinas de grafite nos núcleos de Nova Era, Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão (www.afroreggae.org). O Núcleo de Educação e Cultura da Fundição Progresso, na Lapa, também oferece aulas gratuitas de grafite para jovens (www.fundicaoprogresso.com.br). Outra opção é a Central Única das Favelas (Cufa), que realiza oficinas de grafite no Viaduto de Madureira (www.cufa.org.br). Nos três casos, as inscrições estão abertas.

Aulas particulares

No Espaço Rabisco, em Copacabana, é possível fazer aulas particulares que abordam diferentes vertentes do grafite, divididas em oito módulos. A idade mínima para participar é de 10 anos, e a escolaridade é livre (www.espacorabisco.com).

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