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7 livros que mostram às meninas que elas podem ser o que quiserem

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Publicado no Catraca Livre

Os livros são uma ótima forma de ampliar o repertório das crianças, de palavras, mas também de universos, ideias e realidades. A seguir, compartilhamos uma seleção feita pelo site Garimpo Miudo, com livros com protagonistas meninas, para crianças já alfabetizadas, livros para empoderar e mostrar que as meninas podem chegar onde desejarem. Confira:

Reinações de Narizinho

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Pinóquio, Peter Pan, Tom Sawyer: por que tantos clássicos infantis narram a vida de um personagem do sexo masculino? Quem seria o equivalente feminino? No Brasil, certamente, é Emília, de Monteiro Lobato, que aparece pela primeira vez em 1920, no livro “A menina do narizinho arrebitado”, e ganha corpo em 1931, quando foi publicado “Reinações de Narizinho”, continuação ampliada de seu precursor. Em uma época em que não eram bem-vindos nem os adultos questionadores (enquanto o Brasil era governado por Getúlio, o fascismo e nazismo ascendiam pelo mundo), dar voz a uma personagem criança, mulher e não humana, era triplamente transgressor. Monteiro Lobato faz com Emília mais do que inaugurar uma nova estética da literatura infantil, ele funda um novo jeito de ser menina.

A faladeira e atrevida boneca Emília eternizou referenciais fortíssimos de desobediência civil, liberdade e contravenção. Dizer isso já justificaria o tão sabido potencial de clássico revisitado dos livros em que aparece, mas já que aqui o assunto é o protagonismo feminino, nunca é demais revisitar também a personalidade inquieta de Emília, capaz de dizer coisas como “Verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia”; ou a consagrada definição da boneca do que é a vida: “Viver é isso. É um dorme e acorda (…) A vida da gente neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia.”

Engolir uma pílula falante do Doutor Caramujo já era fantasia demais para o ambiente moralizante, realístico e altamente escolarizado em que o livro infantil surgiu, mas a partir do momento em que a boneca Emília recebe mais visibilidade do que a própria Narizinho, que dá título do livro, algo se transforma para sempre no paradigma social de representação feminina. Afinal, a uma menina inventada que nem humana era, foi possível perguntar e perguntar de novo, se a resposta não fosse suficiente.

É curioso perceber que apensar de o Sítio do Picapau Amarelo ser minado dos personagens mais diversos, é Emília que Monteiro Lobato escolhe para dizer o que pensa. É com a voz dela que ele faz as suas reclamações sobre a sociedade. Para a crítica Laura Sandroni, no livro “De Lobato a Bojunga”, Emília é o alter-ego de Lobato. No artigo “Independência ou morte em Emília”, publicado na Revista Emília (não por acaso, batizada em sua homenagem), a jornalista Gabriela Romeu eleva a personalidade curiosa de Emília ao grau de reinvenção da realidade. “Desiludido do mundo dos adultos – “bichos sem graça” –, Lobato sonhava há algum tempo em fazer um livro onde as crianças pudessem morar. Criou o Sítio do Picapau Amarelo, um universo que mistura o real e o maravilhoso em uma só realidade literária. Para as crianças, acreditava o escritor, ‘um livro é todo um mundo’. No mundo de Lobato, a fantasia iluminou a realidade”.

Píppi Meialonga

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A protagonista deste livro é uma espécie de Emília brasileira, mas é, na verdade, anterior a ela. A sueca Astrid Lindgren escreveu Píppi Långstrump (no Brasil, traduzido como Píppi Meialonga) em 1945, para presentear a filha de dez anos que estava doente.

Nada usual para a época em que foi criada a personagem, Píppi é uma garotinha de nove anos que não tem pai e nem mãe e que fala de si mesma sempre em tom altivo e seguro. “Sou uma achadeira. O mundo é cheio de coisas que estão esperando para serem encontrados”, ela diz.

Píppi vive somente na companhia de um cavalo e um macaquinho; cozinha sua própria comida, faz suas próprias roupas, bota policiais para correr, enfrenta meninos mais velhos e valentões, não dá ouvidos a nenhum conselho de adulto e fala o que dá na cabeça. Ousadia pura, mas não esvaziada de sentido, se pensarmos que o livro nasceu no período pós-guerra e contesta um histórico de tradição paternalista em um momento de fragilidade social e reconstrução de paradigmas. Segundo Emy Beseghi, Professora de Literatura Infantil da Faculdade de Ciências da Formação, da Universitá degli Studi di Bologna, “A escandalosa Píppi, a irredutível moleca, a irreverente, irônica e contestadora Píppi, é sempre atual. Um clássico ao qual se retorna continuamente”. Para ela, é um livro que “não conhece o desgaste do tempo”.

Sucesso editorial que foi, a historia de Píppi se tornou uma série de livros amplamente traduzidos, longa-metragem e animação. No Brasil, chegou pela Companhia das Letras em 2001, e já outras duas edições nos dois anos seguintes. Píppi representa a gênese de uma infância que considera meninas e meninos igualmente capazes, e foi um decisivo divisor de águas na história da representação da criança, oferecendo novíssimos e libertários referenciais do que é ser menina.

Luna Clara & Apollo 11

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O nome de Adriana Falcão no território dos livros para crianças está quase que automaticamente ligado a Mania de Explicação, mas este Luna Clara & Apollo 11 é, pra mim, o seu grande feito. Tudo o que outro tem de lirismo e poesia, esse tem de ficção pura. É literatura das maiores: tem narrativa saborosa, personagens cativantes, um cenário onírico e diálogos deliciosos. Um texto que se sustenta sozinho, pega o leitor pela mão e não deixa que ele fuja do livro. E quem faz da história tudo isso é Luna Clara. “Os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta”.

Incluir uma história de ficção tão recente numa lista em que figuram exemplos do começo do século XX pode parecer algo fora de lugar. No entanto, para se convencer de que Luna Clara é uma heroína das maiores basta se deixar seduzir pelo texto que vai na orelha do livro, assinado por Ziraldo: “Adriana aqui reinventa não só a narrativa como a linguagem. Ela reinventa a maneira de contar uma história. E faz isso com mão de mestre.

Luna Clara tem 12 anos e é uma menina incomum cercada de pessoas e coisas incomuns. Seus parentes têm nomes como Aventura, Equinócio, Erudito, Odisseia da Paixão e Divina Comédia. Ela tem um avô que perdeu as histórias que colecionou a vida toda e um pai que carrega a chuva em cima da cabeça. No meio do caminho, ela descobre que o amor pode estar em alguém cuja maior vontade na vida é querer alguma coisa (sem spoilers!). Onde ela mora, os lugares têm nomes como Desatino do Sul e Desatino do Norte, e nenhuma lei ou regra do mundo de cá faz sentido lá, onde as festas podem durar para sempre.

E é nesse cenário de sonho e fantasia que acontece a desconstrução da imagem da menina indefesa e frágil – Luna Clara é forte, atinada e decidida. O mote do enredo é a busca da menina pelo pai, Doravante, que se perdeu de sua mãe por conta de um infortúnio do destino. “Luna Clara vive seus dias com um pai contado em vez de tido”. Mas, longe de resvalar em qualquer sentimentalismo ou retratar a fragilidade de uma criança sem pai, a narrativa se constrói ao sabor de grandes clássicos, como Pinóquio e Peter Pan, em que a criança amadurece, ganha corpo e sabedoria ao longo das aventuras do caminho – mas dessa vez, com uma menina no centro da história. E isso muda tudo. Um livro que prova que 327 páginas é, sim, tamanho de livro pra criança.

Matilda

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Empoderamento infantil. É com este livro que o aclamado Road Dahl consegue elevar ao grau máximo o desejo de retratar a criança como um ser autônomo, completo e capaz. O livro recebeu inúmeras edições no Brasil e foi adaptado para o cinema em 1996: um clássico do imaginário infantil dos anos 90, repetido à exaustão nas sessões de cinema em casa. Mas, se à época, ninguém parava para pensar no inusitado de uma criança renegada pelos pais ter tanta autoconfiança, hoje, pensamos em Matilda quando queremos dizer a uma menina que vencer na contramão é possíve

A personagem é filha de pai e mãe que só valorizam o filho homem e não dão atenção para nada relacionado a ela. Proibida de ler e escrever, Matilda passa a frequentar a biblioteca para buscar o que lhe era negado. É lá que ela conhece C.S. Lewis, Tolkien, Burnett, e com eles descobre novas fechaduras por onde observar o mundo.

Como é comum nos livros de Road Dalh, em Matilda, os adultos são representados do modo como as crianças o vêem – quase sempre impacientes, sem trato com os pequenos e um tanto cegos e tolos. Nesse cenário, uma personagem como Matilda revoluciona a imagem da criança como um ser dependente do adulto: ela é astuta e superdotada em um mundo onde ninguém repara em suas habilidades. Símbolo da autossuficiência infantil, Matilda rejeita os planos que fazem para o seu futuro, e cria ela mesma seus próprios modos de estar no mundo.

Alice no país das maravilhas/Alice Através do Espelho

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Falar de Alice para aficionados por literatura é quase redundância. Falar de Alice para quem gosta ou estuda literatura infantil, então, aí já é pleonasmo vicioso. Brincadeiras à parte, a questão é que a menina curiosa que segue um coelho branco para descobrir a fatia maravilhosa do mundo, hoje, funciona como metáfora para o desejo de transcender a realidade – afinal, já sabemos, ela não basta. Com Alice, aprendemos que podemos ir além do espelho e da realidade conhecida; podemos vasculhar o inconsciente, escolher os nossos próprios buracos onde vale a pena mergulhar, desafiar as nossas próprias rainhas vermelhas, desviar da normalidade com nossos próprios Chapeleiros Malucos.

Impressiona que um livro de 1865 (Alice Através do Espelho foi escrito seis anos antes do primeiro livro, Alice no País das Maravilhas). Mas não é por acaso que Alice é heroína. Quando a Rainha de Copas ordena que “Cortem-lhe a cabeça!” (quem não se lembra?), ela não recua, não precisa de ninguém para protegê-la, sua proteção é sua própria esperteza e habilidade de argumentação. É uma personagem que sabe escolher, tomar decisões: “Deveria saber em que direção está indo mesmo que não saiba o próprio nome!”, ela diz, em Alice Através do Espelho.

Um livro como esse nas mãos de uma criança é uma porta para as possibilidades. E aí, claro, não se pode escolher quais, o pacote vem inteiro, com os ônus e os bônus do confronto com a realidade. Como Alice, a criança talvez triplique de tamanho, nem que seja pelo caminho do contato com o âmago da condição humana.

Procurando firme

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Publicado pela primeira vez em 1984 (Nova Fronteira), Procurando Firme já foi editado outras duas vezes, em 1997 (Ática) e 2009 (Salamandra). Ruth Rocha conta, aqui, a história de uma princesa diferente das outras por um único motivo: ela não quer ser princesa. No lugar de ficar no castelo e esperar pelo príncipe, ela quer sair para conhecer o mundo.

Até mesmo seu nome, “Linda Flor”, faz parte da intenção da autora de ironizar a imagem da mulher delicada e dócil, ao mesmo tempo em que apresenta para o pequeno leitor um recorte do pensamento feminista. Todo composto na forma de um grande diálogo com quem está lendo e cheio de metalinguagem, o livro retoma a tradição oral dos contos de fada para questionar padrões diversos – da mulher, da família, do próprio conceito de cultura e intelectualidade. Um dos diálogos chama a atenção pela metalinguagem sutil e precisa com que Ruth Rocha caracteriza a maneira de se autodefinir de Linda Flor:

– Maviosa?

– É, maviosa, melodiosa. Eu sei que essa palavra não se usa mais, mas se eu não usar umas palavras bonitas, meio difíceis, vão ficar dizendo que eu não incentivo a cultura dos leitores.

Linda Flor é uma antiprincesa, questiona não só os porquês de corresponder à imagem que a sociedade faz de uma menina, mas também as referências européias normalmente associadas às princesas dos livros infantis. Em certo momento do livro, ela resolve adotar o visual africano, depois de conhecer a Africolândia.

Malala, a menina que queria ir para a escola

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A protagonista deste livro é real, quase foi morta por querer ir à escola, mas por um misto de desobediência civil e resistência e uma porção considerável de sorte (em 2012, um atentado em seu ônibus escolar por pouco não tirou a sua vida), ela tem hoje 19 anos e continua na luta pela educação de meninas em seu país.

O livro, editado pela Companhia das Letrinhas em 2015 e escrito pela jornalista Adriana Carranca, é a versão infantil de Eu sou Malala, publicado um antes pela Companhia das Letras, e faz de função não didatizante de contar a história de uma pequena menina paquistanesa em um livro-reportagem documental. Parece ficção, mas é realidade latente, boa de se mostrar desde cedo para as crianças, afinal, trata-se de um livro não só sobre criança, para para a criança.

Malala nasceu no vale do Swat, no Paquistão, um lugar dominado pelo grupo extremista Talibã. Um lugar onde música e literatura são proibidos, onde o nascimento de um filho homem é festejado enquanto o de uma menina não é sequer anunciado, onde as mulheres não podem andar nas ruas e somente meninos podem frequentar a escola. Então, armada somente com seu discurso incisivo sobre a democratização do ensino, Malala resolveu encampar uma luta incansável pelo direito a uma educação de que seu país a privava

Longe de questionar uma cultura onde somos nós o estrangeiro, o livro coloca a História (essa mesma, com letra maiúscula) em perspectiva para mostrar as possibilidades de transformação que o acesso à palavra ofereceu a uma menina. As ilustrações de Bruna Assis Brasil são parte fundamental dessa proposta, pois representam uma realidade da qual conhecemos muito pouco ou quase nada, acompanhadas de notas de rodapé que explicam para os pequenos leitores termos como “dupatta”, “shawl”, “burca” e “niqab”, diferentes nomes para a vestimenta que as mulheres de lá são obrigadas a usar.

Um livro para discutir não só a representatividade feminina, mas também para dimensionar a cultura, o livro, a palavra por si só. Em 2014, Malala foi a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

Com informações de Garimpo Miudo.

Como ‘Malalas’ se uniram na luta pela educação de meninas sírias

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Malala e Muzoon lançarão campanha em defesa da educação de garotas sírias

Malala e Muzoon lançarão campanha em defesa da educação de garotas sírias

 

Publicado na BBC Brasil

“Duas Malalas é melhor do que uma?”, pergunta a reportagem da BBC para as duas sorridentes jovens sentadas no sofá de uma biblioteca no norte da Inglaterra.

A questão provoca alguns risos discretos.

“Ou duas Muzoons”, responde Malala Yousafzai, de 18 anos. Muzoon Almellehan, de 17 anos, sorri timidamente para a mais famosa ativista da educação de meninas, e que está rapidamente se tornando uma amiga próxima.

Em um dia frio e chuvoso, as famílias das duas estão reunidas em uma sala com fachada de vidro na Newcastle City Library, que oferece uma abrangente vista do novo lar de Muzoon no Reino Unido.

A família de Muzoon está entre as primeiras a chegar ao Reino Unido vindas dos campos de refugiados localizados nas fronteiras da Síria.

Sobrevivente de uma tentativa de assassinato cometida pelo Talebã, a paquistanesa Malala viajou dois anos atrás para a fronteira da Síria com a Jordânia para conhecer refugiados que fugiam da guerra civil.

Foi quando ouviu falar de uma garota apelidada de “Malala da Síria”.

À época, Muzoon ia de tenda em tenda no campo de refugiados para encorajar pais a educarem suas filhas, em vez de casá-las.

As vidas das duas garotas foram transformadas para sempre por causa de dois conflitos bastante diferentes. Agora, elas são estudantes no Reino Unido, e veem suas vidas passarem por uma nova e profunda mudança.

“Nós queremos um exército Malala-Muzoon para inspirar garotas a lutar por seus direitos”, diz Malala, enquanto Muzoon acena firmemente em sinal de apoio. “Sempre quisemos trabalhar juntas, e agora nós podemos.”

O próximo projeto de ambas, em prol da educação de garotas sírias, será lançado durante uma conferência de ajuda humanitária em Londres, no início de fevereiro.

Durante o encontro das jovens, suas mães também conversaram

Durante o encontro das jovens, suas mães também conversaram

 

Encontro

Malala já é uma bem-sucedida ativista e tem um fundo em seu nome que não para de crescer em escala e ambição.

A reportagem da BBC assistiu, em julho, a sua entrada na vida adulta em uma incomum celebração de aniversário de 18 anos – ela cortou um bolo em formato de escola na abertura de seu primeiro colégio para garotas sírias.

Mesmo com esse histórico, a jovem militante – dona de um Prêmio Nobel – faz generosos elogios à amiga síria, que é apenas um pouco mais jovem e bem menos experiente no mundo das campanhas humanitárias.

“Eu estava com algumas estudantes no campo de refugiados na Jordânia quando uma delas me disse: ‘É maravilhoso te conhecer, mas não foi você, foi Muzoon quem me inspirou a estudar”, recorda Malala.

Ela também lembra a horrível situação local, em “campos sem eletricidade, que ficam muito quentes no verão e muito frios no inverno”.

“É sempre difícil começar algo”, diz Muzoon ao refletir sobre sua nova vida no Reino Unido, um local cuja cultura é totalmente diferente da sua.

Sua fluência no inglês melhorou bastante nos últimos anos. Dominar totalmente a língua é agora uma de suas metas, para que assim possa “conversar com Malala sobre tudo” e perseguir o sonho de se tornar jornalista.

Drama dos refugiados

As duas garotas foram criadas em conservadoras famílias muçulmanas e têm pais professores, que despertaram em ambas a paixão pela educação.

Enquanto elas conversavam, os pais de ambas debatiam com a ajuda de um tradutor. As mães das duas também encontraram formas de superar as barreiras da língua.

O drama dos milhares de refugiados sírios que partem em perigosas jornadas em busca de segurança na Europa está na cabeça de Malala.

“Nós dizemos que não podemos resolver esse problema porque a quantidade de refugiados é muito grande”, afirma ela, citando uma estimativa de 4 milhões de pessoas.

“Mas eu lancei mão de uma calculadora”, diz. “Se cada país (mais…)

Menina de 11 anos cria clube para ensinar programação a outras garotas

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Adeline Daniele, na Info

Tecnologia é coisa de mulher sim. E de todas as idades. Ava Brodie, uma garota norte-americana de apenas 11 anos, é prova disso.

Ao descobrir seu talento para a programação enquanto tinha aulas na Twin Falls Middle School, ela decidiu criar um clube exclusivo para ensinar programação a meninas.

Ava Brodie, 11, e a astronauta da NASA, Yvonne Cagle [foto: divulgação/ Daily Dot]

Ava Brodie, 11, e a astronauta da NASA, Yvonne Cagle [foto: divulgação/ Daily Dot]

A ideia é fazer com que as garotas não se sintam intimidadas em tentar entrar num mercado dominado por homens.

Além de aprender a programar em linguagens como Python e Ruby, as participantes também têm aula de desenvolvimento de jogos.

A iniciativa de Ava ficou tão conhecida que ela foi a convidada de honra no evento Tech Superwomen Summit, em São Francisco, e pôde conversar com várias outras mulheres da área de tecnologia.

O desafio de educar meninas

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"O fato é que hoje as meninas aprendem que seu papel é ter uma boa aparência e se comportar educadamente", diz a educadora britânica Sue Palmer (Foto: Ragnvid Magnus/Getty Images)

“O fato é que hoje as meninas aprendem que seu papel é ter uma boa aparência e se comportar educadamente”, diz a educadora britânica Sue Palmer (Foto: Ragnvid Magnus/Getty Images)

Você, que é pai ou mãe de menina, já se deu conta do desafio que é educar sua filha. Comportada, linda, inteligente, meiga… Cuidado com as prescrições! É o que alerta a educadora britânica Sue Palmer em seu novo livro sobre como criar garotas em uma sociedade consumista e desigual. Confira o que ela disse para a CRESCER

Naíma Saleh, na revista Crescer

Meninas usam rosa e vestem saias e vestidos – que, aliás, sempre atrapalham na hora de brincar. Além disso, têm o dever de se comportar bem e estar com o visual impecável para causar boa impressão. De que século estamos falando mesmo? A educadora britânica Sue Palmer, em sua obra mais recente, 21st Century Girls (Meninas do Século 21, em tradução livre), investiga como a educação e o desenvolvimento das garotas vêm sendo transformados pelos adventos da modernidade – desde a cobrança para alcançar padrões estéticos inatingíveis até a desvalorização das características tipicamente femininas, como a empatia e o cuidado. E aponta caminhos para os pais não deixarem isso acontecer.

Especializada em alfabetização, Sue já escreveu mais de 250 publicações e há 15 anos dá palestras sobre o assunto no Reino Unido. O contato com diferentes centros de ensino, educadores e especialistas serviu de matéria-prima para seus livros, além, é claro, de sua experiência como mãe – hoje, sua filha, Beth, tem 28 anos. Confira a seguir os principais pontos do bate-papo exclusivo que CRESCER teve com a autora.

Meninos x Meninas

“A diferença essencial é que garotas têm mais facilidade para se socializar. O que pode ser bom para adquirir habilidades sociais, mas ruim se levar ao excesso de complacência – uma tendência a agradar as pessoas ou uma ansiedade constante a respeito da impressão que causa nos outros. Isso também mostra que as meninas, normalmente, são mais conscientes dos sentimentos alheios, o que é positivo pela empatia e pelo cuidado, mas ruim se a habilidade for usada para a manipulação. Em contrapartida, os meninos, sendo menos sociáveis, em geral, são mais diretos.”

“Alpha girls”

“O mundo está cheio de garotas que eu chamo de ‘alpha girls’. Elas pertencem a famílias razoavelmente ricas, vivem sob tremenda pressão para serem impecáveis, vestem-se na moda, são magras, tiram boas notas na escola, fazem uma porção de atividades extracurriculares e têm vida social fervilhante. A pressão para manter esse personagem é exaustiva. Segundo a feminista Courtney Martin, elas ouvem ‘você pode fazer qualquer coisa’ e traduzem como ‘eu preciso ser tudo’. A maneira de evitar isso é tratar
a filha desde bem cedo como um ser individual com personalidade única e dar a ela a certeza de que é amada por ser ela mesma e não pelo que ela parece ser, por suas conquistas ou por suas notas na escola. Isso ajudaria os pais na educação.”

Como criar garotas

“A função de um adulto, na educação de qualquer criança – menino ou menina– é ensinar a capacidade que o ser humano tem de amar. Isso se traduz na empatia e no cuidado, que são tão vitais para a sobrevivência humana quanto o potencial intelectual. No entanto, o maior desafio de pais de garotas é aproveitarem juntos, relaxarem, explorarem a natureza, passarem experiências de vida interessantes e serem modelos inspiradores. Frequentemente, os adultos não têm esse tempo e as crianças começam a cultivar a publicidade e o marketing como referência. O papel da mãe, diretamente em contato com a filha, também é essencial para transmitir o conhecimento acumulado durante gerações.”

Consumismo, tecnologia e sexualidade

“A infância passa por uma ‘tempestade perfeita’, causada pela convergência do consumismo competitivo, da inovação tecnológica e da revolução sexual. Tudo isso tem afetado as meninas. No fim do século 20, acreditávamos avançar na igualdade de gênero, no fato de que as mulheres seriam (mais…)

Promoção: “Manual para pais de garotas descoladas”

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Antes, ela saía correndo pela casa em direção aos seus braços, gritando “papai” ao menor sinal de sua chegada. Agora, ela mal lhe dá boa noite. De uns tempos para cá, uma placa nada simpática inibe a sua entrada no quarto dela: proibido para garotos (você é um deles!). Não é nada pessoal, meu caro. A sua garotinha só está na pré-adolescência.

Perceber que ela cresceu não é lá muito fácil para você. Mas essa também é uma fase difícil para ela, que está vivendo um turbilhão de mudanças, com as quais nem sempre sabe lidar. O fato é que ela precisa de você, de sua amizade e orientação para que se torne uma mulher segura e autoconfiante.

Nancy Rue também já escreveu um manual para as mães e traz neste livro dicas fundamentais para que você, pai, construa uma relação forte com sua filha. Aprenda a manter um canal de comunicação aberto com ela, a dar-lhe a atenção de que necessita, a não superprotegê-la e, acima de tudo, descubra como demonstrar o seu amor.

Vamos sortear 3 exemplares de “Manual para pais de garotas descoladas“, lançamento da Mundo Cristão.

Para concorrer, basta fazer login e preencher os requisitos do aplicativo abaixo.

O resultado será divulgado no dia 25/6 e os nomes dos ganhadores serão conhecidos aqui no post e no perfil @livrosepessoas.

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