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“É muito perigoso ser mulher”, diz a best-seller Karin Slaughter

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Karin Slaughter: "Numa grande cidade, as mulheres vivem preocupadas em não se tornarem vítimas" - Marc Brester / Divulgação

Karin Slaughter: “Numa grande cidade, as mulheres vivem preocupadas em não se tornarem vítimas” – Marc Brester / Divulgação

 

Autora de thrillers sobre violência de gênero, americana participa da Bienal do Livro

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO — Nos Estados Unidos, uma em cada cinco mulheres mortas, com idades entre zero e 45 anos, são vítimas de homicídio. No caso das grávidas, assassinato é a principal causa de morte. Os dados são citados de cabeça pela escritora americana Karin Slaughter, best-seller com mais de 30 milhões de livros vendidos em todo mundo e que participou neste sábado do “Encontro com autores”, na 18ª Bienal do Livro do Rio, em sua edição mais feminina e feminista.

Com quatro livros lançados no Brasil – “Esposa perfeita”, “Flores partidas” (HarperCollins Brasil), “Gênese” e “Destroçados” (Record) -, Karin se tornou célebre com seus thrillers que abordam a violência contra mulheres num registro “o mais realista possível”, nas suas próprias palavras. Em entrevista ao GLOBO, antes de sua participação na Bienal, ela afirma que tratar desses temas na ficção é uma forma de trazer a discussão à tona.

— Quando está falando de violência contra a mulher, você precisa mostrar do jeito que é. Porque não é sexy ou romântico. É horrível. É muito perigoso ser mulher e não acho que no Brasil seja diferente dos Estados Unidos. É assim em todo mundo — diz Karin. — A Escandinávia tem uma das maiores taxas de violência doméstica do Ocidente, mas eles não falam sobre isso, é algo muito estigmatizado. Numa grande cidade, as mulheres vivem preocupadas em não se tornarem vítimas. Os homens não vivem esse tipo de coisa. Uma boa razão para as mulheres escreverem sobre isso é que nós podemos escrever sobre nossa experiência.

Não à toa, a primeira protagonista dos romances de Karin é a médica legista Sara Linton. A autora lembra que, há 17 anos, quando lançou seu primeiro romance, eram raras as autoras mulheres de thrillers. Ao lado dela, havia apenas Patricia Cornwell e Kathy Reichs nos Estados Unidos. Na construção de Sara, até hoje uma presença constante em suas histórias, Karin quis fazer dela o que não encontrava na literatura de crime americana: mulheres fortes e inteligentes, mas que também falhavam. Na sua opinião, durante muito tempo as personagens femininas na literatura foram tratadas como “unidimensionais”.

— Quando comecei a escrever, a maior parte dos thrillers era sobre machões que bebiam muito. Eu queria criar uma mulher que tivesse falhas, cometesse erros, mas que estivesse sempre buscando fazer a coisa certa — conta Karin, que tentou também dar uma outra perspectiva para a relação entre Sara e o detetive Will Trent, também protagonista de vários de seus livros. — Com Will, eu queria que ele fosse o tipo de cara que alguém como Sara seria interessada. Muitos dos livros que eu li, as mulheres eram interessantes, mas os homens eram meio que subservientes.

Perguntada sobre as razões de as histórias de crime continuarem tão populares, mesmo num mundo cada vez mais violento, Karin aponta que os grandes clássicos da literatura têm nas suas tramas episódios de violência. Dos romances do inglês Charles Dickens a “Guerra e Paz” e “Crime e castigo”, dos russos Liev Tolstói e Fiodor Dostoiévski, respectivamente, passando pela tradição americana de Fitzgerald, com “O grande Gatsby”, e “E o vento levou”, de Margaret Mitchell. Ela cita ainda o sucesso de Margareth Atwood.

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— Se você pensar em “O conto da aia” (de Atwood, adaptado recentemente para TV), é um livro mutio violento. Mulheres são transformadas escravas, são estupradas. Eu acho difícil apontar uma obra que seja muito popular e não tenha algum tipo de crime. Não é porque há crimes relacionados ao tráfico de drogas na sua vizinhança que você vai ficar menos interessada na ficção sobre isso. (A série de TV) “Sopranos” é um bom exemplo — diz a escritora.

Para escrever os seus romances, Karin se refugia num lugar que parece perfeito para um crime: uma cabana isolada no norte do estado da Geórgia, nos Estados Unidos. Lá, não responde e-mails, telefonemas e nem entra nas redes sociais, onde costuma conversar com os seus fãs — inclusive do Brasil. Ela garante que não tem medo.

—Eu tenho uma arma — diz, aos risos, e brinca: — Eu acho que eu deveria ficar preocupada. É o lugar perfeito para um crime, é verdade, mas acho que não vai acontecer porque é muito óbvio.

Universidade dinamarquesa oferece curso sobre ‘Beyoncé, gênero e raça’

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Beyoncé (Foto: Reprodução/Youtube)

Beyoncé (Foto: Reprodução/Youtube)

Publicado na Galileu

Estudantes, let’s get in formation: a Universidade de Copenhague, na Dinamarca, oferecerá um curso com base nas performances, músicas e clipes da Beyoncé. A ideia foi tão bem recebida pelos alunos da instituição que todas as vagas da disciplina já foram preenchidas.

Chamada de “Beyoncé, Gênero e Raça”, a aula terá como objetivo analisar gênero, sexualidade e raça. “Vamos analisar as músicas e clipes dela”, explicou o professor responsável pela aula, Erik Steinskog, em entrevista à emissora TV2. “Um dos objetivos é apresentar o pensamento do feminismo negro, que não é muito conhecido na Escandinávia.”

Segundo o professor do Departamento de Artes e Estudos Culturais da universidade, a cantora é uma das principais artistas do momento. Ele ressalta o fato de ela apresentar discussões sobre feminismo e raça em seus trabalhos, que são consumidos pelo grande público.

Na música “Flawless”, do disco Beyoncé (2013), a cantora fala sobre autoestima e toca uma parte do discurso da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi-Adichie sobre feminismo. “Feminista, a pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica dos sexos”, diz.

Já o disco mais recente da artista, Lemonade (2016), explora a experiência de ser uma mulher negra nos Estados Unidos.

“Ela é uma feminista controversa, o que é crucial. Beyoncé nos faz considerar o que significa ser feminista — ou o que pode significar, mas o feminismo dela é apresentado para uma plateia que não é acadêmica”, refletiu. “É difícil não se impressionar. Ela é extremamente boa no que faz. A vida é curta demais para trabalhar com músicas das quais não gosto.”

 

Saiba mais sobre o curso aqui.

Biografias puxam recuperação do mercado de livros em 2017

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(iStock/iStock)

(iStock/iStock)

Vendas crescem 5,47% em volume e 6,59% em faturamento nos primeiros sete meses do ano em relação a 2016; sozinho, gênero biográfico subiu 12,18%

Publicado na Veja

Depois de um 2016 muito difícil, devido à crise econômica que inibe o consumidor, o mercado de livros segue respirando melhor em 2017, graças, principalmente, aos títulos do segmento de não ficção, entre os quais estão incluídas as biografias. Os dados são de pesquisa do Snel, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, em parceria com a Nielsen.

No acumulado até julho, as vendas de livros cresceram 5,47% em volume e 6,59% em faturamento. Isolado, o segmento chamado de Não Ficção Trade, apresentou um aumento de 12,18% em receita. Com o resultado, a fatia do gênero saltou de 22,52% para 23,70% do total do mercado.

O nicho de livros infantis, juvenis e educacionais, porém, segue na dianteira, inclusive ampliando seu domínio: sua fatia passou de 24,86% em 2016 para 25,23% neste ano.

O desconto, porém, também cresceu 1,3% em 2017, na comparação com o mesmo período de 2016, com destaque para os segmentos infantil, juvenil e educacional, onde subiu 3,3%, não ficção, onde o aumento foi de 2,1%.

Clube de assinaturas: um pacote de presentes literários

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Primeira iniciativa do gênero no Ceará, Pacote de Textos entrega mensalmente um livro aos seus assinantes. Clássicos e contemporâneos integram a seleção.

Jader Santana, no Leituras da Bel

Lima Barreto, Tolstói, Kafka, Cortázar e Álvaro de Campos viajaram pelo Brasil nos seis meses iniciais do Pacote de Textos, primeira iniciativa literária do tipo clube de assinaturas do Ceará. Da Rússia ao Brasil, de Portugal à Argentina, o clube tem a proposta de oferecer aos seus membros o que há de melhor e mais relevante na literatura mundial.

Criado pelo escritor Rafael Caneca, o Pacote de Textos foi lançado no último mês de julho. Seus primeiros doze assinantes – todos de Fortaleza – receberam a novela A Metamorfose, do tcheco Franz Kafka, história clássica de um homem que acorda metamorfoseado em um inseto.

“Uma amiga veio me dizer que estava esperando que eu criasse um clube do livro, porque sempre acompanhava minhas recomendações. A ideia ficou martelando e, no mês seguinte, criei o Pacote”, explica Rafael. É ele o responsável pela curadoria das obras que são enviadas mensalmente aos assinantes: “são livros que eu gosto e quero espalhar”.

O clube conta hoje com 70 membros de vários estados do Brasil, e os livros escolhidos fazem um passeio pelo que há de mais relevante na literatura brasileira e mundial, clássica e contemporânea. Depois de Kafka, os assinantes receberam A Morte de Ivan Ilitch (Tolstói), Recordações do Escrivão Isaías Caminha (Lima Barreto), Todos os Fogos o Fogo (Cortázar), e a obra poética de Álvaro de Campos. “Quero oferecer um panorama mundial das letras, e tento não repetir o gênero ou o país. São livros que dialogam com um número grande de leitores”, explica Rafael.

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O feedback dos assinantes vem sendo positivo. Segundo o criador do Clube, as pessoas enxergam a iniciativa como uma oportunidade para dedicar mais tempo à leitura, tendo em mãos opções de qualidade inegável. “Tem gente que sempre ouviu falar de Lima Barreto no colégio, mas que nunca pôde ler o autor. O clube ajuda nesse sentido”, conta.

A assinatura do Pacote de Textos ainda está com seu valor promocional. Quem é de Fortaleza paga R$ 29,90 mensais. Para os de fora da cidade, o valor sobe para R$ 35,90. O livro vem acompanhado de um marcador de página e de algum brinde personalizado. Para o próximo ano, a iniciativa também vai ganhar encontros presenciais em livrarias da cidade, no formato de um clube para debater o livro do mês

Saiba mais
Quer saber qual foi o livro escolhido para o mês de Dezembro? Rafael Caneca dá as dicas: “O autor é contemporâneo e foi premiado com um Nobel recentemente. Nesse livro, ele joga muito com a memória e com as recordações da infância”.

Serviço
Pacote de Textos
Preço: R$ 29,90 (para Fortaleza) e R$ 35,90 (para outras cidades)
Para assinar: 85 – 9 8819 8643

ONU disponibiliza planos de aula para professores trabalharem gênero na escola

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Crédito: Pixabay

Crédito: Pixabay

 

Carol Patrocínio, no Ondda

A discussão sobre educação de gênero nas escola já é uma pauta discutida há algum tempo, porém o entendimento disso ainda é superficial. Não se leva em consideração que todas as nossas relações são pautadas pela maneira como nos enxergamos e enxergamos ao outro. Já existe educação de gênero nas escolas, mesmo que silenciosa, e ela não é inclusiva.

A ONU – Organização das Nações Unidas lançou, em parceria com a iniciativa O Valente não é Violento, organizou e publicou um currículo de gênero que pode ser implantado com facilidade nas escolas e mudar essa realidade. O projeto foi financiado pelo União Europeia e revisado pela área de Projetos de Educação da UNESCO.

A ideia é atingir alunos do ensino médio com debates,discussões e materiais que os façam refletir sobre as relações que criam entre si e como todas elas são influenciadas por papéis de gênero e amarras sociais.

As aulas falam sobre (1) Sexo, gênero e poder; (2) Violências e suas interfaces; (3) Estereótipos de gênero e esportes; (4) Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia; (5) Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades; e (6) Vulnerabilidades e prevenção. Os documentos trazem referências, bibliografia e até indicação de filmes que abordam as questões.

Todas as aulas estão disponíveis para download e os profissionais que quiserem discutir o currículo ou falar sobre sua aplicação podem entrar em contato com a instituição pelo e-mail [email protected]

Dica de Amiel Modesto

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