Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged geração

Nicholas Sparks fala sobre carreira e novo livro, “Dois a Dois

0
Autor esteve recentemente no Brasil para lançamento da publicação | Foto: Divulgação / CP

Autor esteve recentemente no Brasil para lançamento da publicação | Foto: Divulgação / CP

Publicado no Correio do Povo

Poucos escritores se encaixam tão bem na categoria de best-seller como Nicholas Sparks. Com 51 anos – 20 de carreira -, o norte-americano já vendeu mais de 100 milhões de cópias dos 19 livros que lançou. Desses, 11 foram adaptados para o cinema, viraram sucesso de bilheteria e alguns até podem ser considerados clássicos do romance, como “Um Amor para Recordar” e “Diário de Uma Paixão”.

Agora, porém, o escritor decidiu navegar em outras águas. Em vez do romance entre jovens apaixonados, fórmula que o consagrou, ele decidiu investir no drama familiar: em “Dois a Dois”, livro que acaba de chegar ao Brasil, Sparks conta a história de Russ, um homem que vê sua vida desmoronar e que precisa assumir, sozinho, os cuidados de sua filha London, de apenas 5 anos. “É uma história sobre paternidade”, resume Sparks, que é pai de cinco filhos e que acaba de terminar um casamento de 25 anos.

No Brasil, a impressão que fica é que os fãs não se importaram com o distanciamento de Sparks do romance. Em apenas uma noite, foram mais de 1,2 mil livros autografados em São Paulo. Como resultado, um sorriso inabalável em seu rosto, apesar do cansaço. À reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, Sparks falou sobre seu novo livro, sobre as suas inspirações para escrever tantas histórias, sobre novos projetos e sobre ser tachado de escritor “água com açúcar”. A seguir, os melhores trechos da conversa:

O que o senhor espera que as pessoas sintam com a história de ‘Dois a Dois’? O que quer falar com esse livro?

É um livro sobre o amor de um homem por sua filha, com os medos naturais de um pai que tenta ser bom para ela. Mas a trama central, que inspirou o título do livro, é a ideia de que as pessoas não são feitas para percorrer caminhos sozinhas. O mundo é mais fácil quando você tem alguém do seu lado, seja sua família, um amigo ou filhos. Apenas pessoas que se importam com você. São essas duas ideias principais: a paternidade e a necessidade de ter alguém do seu lado.

A história é surpreendente para quem acompanha o seu trabalho. Ela tem um pouco de romance, mas é mais dramática. De onde veio esse desejo de escrever uma história sobre um drama familiar?

Dramas familiares sempre fizeram parte dos meus romances. É fácil pensar sobre os meus livros como sendo apenas histórias de amor, mas é muito mais do que isso. Minhas histórias são mais do que romances, e tem sido muito mais do que isso ao longo de toda a minha carreira. Para mim, é natural escrever sobre um drama familiar. Ele envolve as principais emoções que sentimos e eu acho que, se você as coloca numa história, você ecoa as emoções nos leitores. E com isso eles tendem a lembrar da história muito depois de terminar de ler.

Em “Dois a Dois”, temos duas personagens homossexuais. Mas até hoje não tivemos nenhuma obra sua com personagens principais gays. O sr. pensa em fazer algo assim?

Esses personagens refletem a realidade e eu gosto de romances que refletem a realidade. Tenho familiares que são gays, eu trabalho com homossexuais, e eles acabam nos meus livros. É um movimento natural e isso deve continuar a acontecer.

O sr. não sente vontade de escrever livros de diferentes gêneros? Tenho curiosidade de saber como seria um livro policial escrito pelo sr., ou até mesmo um conto de terror.

É interessante, mas não tenho vontade. Afinal, quando eu escrevo dramas, eu sempre coloco elementos de outros gêneros na história. Meu último livro, No Seu Olhar, se transforma em suspense em determinado momento da história. Na última metade do livro, as pessoas até se perguntam: ‘Cadê o meu romance?’. Já consegui usar suspense, elementos sobrenaturais e até mesmo faroestes em minhas histórias. Não tenho motivo para mudar completamente para um outro gênero literário.

Mas o sr. recebe críticas por ser muito ‘água com açúcar’, não é?

Eu não penso nisso.

Nunca?

Quando escrevo um livro, sei que é o melhor trabalho que posso fazer. Se a minha agente e o meu editor estão felizes com a história, sei que é o melhor resultado que poderia ter. Fico feliz com as minhas histórias, independentemente do que as pessoas digam ou das críticas que meu livro recebe.

E você faz muito sucesso no cinema com essas histórias.

Sim, tive muitos livros adaptados para o cinema. E eu não sei o motivo. Quando Uma Carta de Amor estreou, rendeu mais de US$ 50 milhões de bilheteria e logo começamos a fazer outro filme. E aí fizemos Um Amor para Recordar e foi um sucesso. Arrecadou cerca de US$ 60 milhões, enquanto gastamos US$ 6 milhões. E a partir daí, um sucesso leva a outro.

Qual o segredo para isso?

Meus filmes possuem papéis interessantes para atores, o que atrai bons nomes para minhas produções. É divertido fazer um filme de aventura ou um filme da Marvel, mas esses personagens não possuem alcance. Por isso, bons atores querem atuar em meus filmes e, talvez por isso, eles fazem tanto sucesso.

Você participa da produção dos filmes?

Sempre me envolvo muito. Fico muito envolvido durante o processo de criação, trabalhando com o diretor, me envolvendo com o elenco. E, quando o filme começa, eu deixo os diretores e os atores fazerem seus trabalhos.

Você tem planos de adaptar “Dois a Dois” para o cinema?

Esse é um tipo de história pela qual eu tenho muito interesse em adaptar para o cinema. Mas não é algo imediato.

Qual o sentimento de fazer parte da vidas das pessoas? Afinal, “Diário de Uma Paixão”, por exemplo, marcou uma geração.

É um dos melhores sentimentos do mundo. É muito honroso ter fãs de 15 anos ou 90 anos. Nos lançamentos dos meus livros, encontro mães, filhas, avós. Todas com meus livros. Fico feliz por ter sido capaz de ultrapassar gerações.

Quais são seu planos futuros?

Estou trabalhando num romance, espero terminá-lo até julho. E espero começar outro em seguida, se tiver uma ideia. Mas claro, ainda tenho vida. Tenho filhos, filmes. Não posso parar.

Como (e por que) ler Manoel de Barros, o poeta das miudezas

0
O autor publicou seu primeiro livroem 1937, 'Poemas concebidos sem pecado'

O autor publicou seu primeiro livroem 1937, ‘Poemas concebidos sem pecado’

 

A pedido do ‘Nexo’, dois conhecedores da obra do mato-grossense aconselham por onde começar a lê-lo e destacam um poema preferido

Juliana Domingos Lima, no Nexo

O poeta mato-grossense Manoel de Barros morreu em 2014 e faria 100 anos em 19 de dezembro de 2016. Sua obra conta com 18 livros de poesia publicados, textos infantis e relatos autobiográficos. É marcada pela inventividade na linguagem, característica que já o fez ser comparado a Guimarães Rosa (autor contemporâneo a ele), pela proximidade com a natureza e com aquilo que é prosaico.

“Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios”

Manoel de Barros

No poema “Tratado geral das grandezas do ínfimo”

“A grande marca da poesia de Manoel de Barros é seu interesse de poeta pelas pequenas coisas. Pelas miudezas, dejetos, lixos, sobras – tudo aquilo que, no mundo dominado pelo consumo de hoje, nós costumamos desprezar”, afirmou o escritor e crítico literário José Castello em entrevista ao Nexo. “A poesia de Manoel nos mostra o valor do pequeno – numa época em que todos querem ser grandes e poderosos e vencedores”, completa.

Castello também ressalta a relação da obra do poeta com a transfiguração. Para ele, essa qualidade transforma o olhar do leitor frente à realidade.

Um mecanismo usado pelo poeta que propõe um novo olhar para o mundo é dar voz às coisas: “É o que acontece no poeminha sobre os caracóis: ‘Ah, como serão ardentes nos caracóis os desejos de voar!’ Essa é uma perspectiva que vem do caracol. Quem vai imaginar que o caracol quer voar? Manoel imagina pontos de vista que não são humanos. Isso significa se tornar ‘coisal’, quando o homem se funde com a natureza”, diz Adalberto Müller Jr., professor de Teoria da Literatura da UFF (Universidade Federal Fluminense), em uma entrevista para a revista “Ciência e Cultura”.

“Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta.
Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa,
Eram quase quatro da manhã.
Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.”

Manoel de Barros

No poema “Difícil carregar o silêncio”

Bacharel em Direito e nome da geração de 45

Barros se formou bacharel em Direito no Rio de Janeiro em 1941. Depois, viveu entre a capital carioca e o Pantanal, seu habitat de origem. Antes de se formar, em 1937, o autor publicou seu primeiro livro: “Poemas concebidos sem pecado”.

Manoel de Barros foi personagem no documentário “Só dez por cento é mentira” (2008) dirigido por Pedro Cézar. Seus textos também inspiraram peças de teatro e o álbum “Música de sobrevivência”, de Egberto Gismonti.

“Eu o fantasiei magro e triste, mas ele é gorducho e tem o vigor de um empresário feliz. Eu imaginei um homem quieto e inadaptado, e ele é um senhor firme, que se move com nobreza e não esconde o desencanto. Eu imaginei um homem ingênuo, que passasse os dias entre cachorros e passarinhos, catando frutos no mato, os pés metidos na terra, e agora devo aceitar que Manoel de Barros não é a figura que eu tirei de seus poemas. Poemas e poeta estão separados por um abismo, e é ele que, a partir de agora, deve me interessar. A poesia está nessa divisão, é essa fenda que se abre à minha frente.”

José Castello

Trecho do perfil do poeta, parte do livro ‘Inventário de Sombras’

Manoel de Barros pertenceu à geração de 45, da qual também fizeram parte os poetas João Cabral de Melo Neto e Mário Quintana. Sua linguagem é cheia de neologismos e resgata uma fala pura, de matuto.

“Para mim, o que torna o Manoel de Barros um grande poeta é um olhar grande para as coisas pequenas e uma certa liberdade de usar as palavras e brincar com elas de uma maneira bem matuta, bem interiorana. De conseguir ver que a poesia está nesse modo de falar mais rústico, de uma certa maneira”, diz o leitor e artista plástico Kammal João.

“A obra de Barros é inexplicável como o milagre, como qualquer obra de arte quando é genuína. É um poeta por necessidade, por dom… Do estado de ruína do mundo, à inevitável fragmentação do sujeito, sua obra reflete o desmoronamento de uma cultura e de uma forma de humanidade. Seu universo pantaneiro aparece poeticamente filtrado por pontos de vista humanos, animais, vegetais e minerais altamente elaborados: um mundo intocado e profundamente humanizado, um mundo poético, encantado”

Jorge La Rossa

Escritor e tradutor da obra de Manoel para o espanhol, no site da Fundação Manoel de Barros

O Nexo perguntou a dois conhecedores da obra do poeta sobre seus poemas eleitos e sobre a melhor entrada para começar a ler Manoel de Barros:

Kammal João é artista plástico e ilustrador
José Castello é crítico literário e escritor, autor de “Inventário de Sombras”, coletânea de perfis literários que captam captar uma face desconhecida de escritores, entre eles Manoel de Barros

Por onde começar a ler Manoel de Barros

Kammal João Por afinidade, por afetividade, “Tratado geral das grandezas do ínfimo”, que tem bem a ver com o meu modo de olhar para a poesia dele.

José Castello Por qualquer lado. Na “Poesia Completa” publicada pela editora Leya, por exemplo, os livros são apresentados em ordem cronológica. Mas isso é totalmente dispensável. Há várias maneiras de entrar na poesia de Manoel e cada leitor deve escolher a sua, inventar a sua. Eu, por exemplo, gosto muito de abrir a “Poesia Completa”, ou os livros separados agora republicados pela Alfaguara, ao acaso. Deixar que o acaso me ajude a ler Manoel. Ele valorizava muito o acaso e agindo assim sei que estou me aproximando um pouco mais dele.

O poeta em um poema

Kammal João Tendo que escolher um poema, escolheria exatamente um do livro “Tratado das grandezas do ínfimo”, que chama “A Pedra”. A escolha vem porque nesse momento, me encontro em um projeto [http://www.cadernosecaminhos.com/] na Chapada Diamantina, cercado por pedras. Esse poema tem reverberado bastante no meu olhar para o entorno por aqui.

José Castello Escolheria “Matéria de poesia”, o poema em três partes que abre o livro de mesmo nome, publicado em 1970, quando ele tinha 54 anos. Nesse poema, Manoel tenta fazer um resumo de sua estratégia poética. Fala do inútil, do pouco, dos detritos, do ordinário, das “coisa sem préstimo”, do “sem importância”, dos destroços, do inexistente, da loucura, etc, como matéria de sua poesia. Nele, Manoel age, um pouco, como um crítico de si mesmo. Tenta ler a si mesmo. Cita um verso do poeta francês Arthur Rimbaud que resume tudo isso: “Perder a inteligência das coisas para vê-las”. Vê-la não com a razão, mas com a invenção – o que significa reinventá-las. “Poesia é a loucura das palavras”, ele define. Escreve também: “Cada um tem seu caminho”, o que significa uma defesa intransigente do Singular e do Um. Coisas como a cópia, as “tendências”, o consagrado, o premiado não interessavam a Manoel. Ele escrevia em direção contrário: para buscar aquilo por que ninguém se interessava. As “inutilidades”, como definia com tanta precisão.

Convidado da Flip, Daniel Alarcón visitou presídios peruanos para escrever novo romance

0

Um dos mais celebrados autores de sua geração, escritor criado nos EUA lança no país ‘À noite andamos em círculos’

Maurício Meireles em O Globo

RIO – Ele já passou uma noite na cadeia. Reincidente, voltou a ela várias vezes — por meses. Viu como os presos se organizam atrás das grades e ouviu sobre suas vidas. Depois disso, Daniel Alarcón virou uma celebridade no mundo do crime no Peru. Os presos lhe confiavam seus e-mails e manuscritos, na esperança que ele contasse suas histórias — afinal, ele estava lá como jornalista e não como detento. As reportagens que Alarcón fez nos presídios — especialmente em Lurigancho, o maior deles — são a principal fonte de pesquisa de seu novo romance, “À noite andamos em círculos” (Objetiva), que acaba de chegar às livrarias brasileiras.

1

Aos 37 anos, Alarcón, que nasceu no Peru, mas vive desde criança nos Estados Unidos, onde é considerado um dos maiores escritores de sua geração, vem ao Rio no fim do mês como convidado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de 30 de julho a 3 de agosto. Participará da mesa “Romance em dois atos”, no último dia do evento, ao lado de Fernanda Torres.

— A primeira vez em que estive num presídio peruano foi há cinco ou seis anos, e volto sempre que estou em Lima, porque é muito fascinante — conta Alarcón. — Foi surpreendente o quanto aprendi e gostei. Fiquei surpreso com o quão abertas as pessoas podem ser com suas histórias, e como os presos se organizam em comunidades dentro da cadeia. Como jornalista, gosto muito daquele momento em que é como se você ficasse invisível num lugar.

Uma pátria em duas línguas

Alarcón foi escolhido, pela revista “New Yorker”, um dos melhores autores com menos de 40 anos nos EUA e, pela “Granta”, um dos melhores jovens escritores do país. Mas “escritor americano” não o define bem, porque sua pátria são duas línguas. O inglês é a que mais domina, mas em casa só fala espanhol com os filhos. Por isso, ele se diz “um latino-americano que escreve em inglês e um americano que escreve sobre a América Latina”. Alarcón mudou-se com os pais para os Estados Unidos aos 3 anos, em 1980, quando começou o conflito que opôs grupos terroristas e forças do governo em seu país, deixando um saldo de mais de 60 mil mortos e incontáveis desaparecidos, incluindo um tio do hoje escritor.

A guerra é o tema mais marcante da literatura de Alarcón. Seu primeiro romance, “Rádio cidade perdida” (Rocco), se passa durante o conflito, e o novo, depois dele. “À noite andamos em círculos” cruza as histórias de Nelson e Henry. O primeiro é um ator frustrado que foi deixado pela namorada; o segundo, um dramaturgo de um grupo de teatro que, durante a guerra, foi considerado subversivo e enviado para uma das prisões mais violentas do país. Tempos depois do conflito, o grupo de teatro se prepara para uma nova turnê de sua peça mais famosa, e Nelson é escalado como ator. Embora não se passe todo nele, o presídio é um dos principais elementos do romance. O livro é narrado por um jornalista, que conta a história depois que ela já aconteceu — criando a suspeita de que algo trágico ocorreu aos protagonistas. A pergunta que fica é: se Alarcón só viu a guerra de longe, escrever sobre ela vem de alguma espécie de culpa por ter sobrevivido?

— Penso sempre no fato de eu ter tido uma vida e os outros (peruanos) não — afirma o autor. — Culpa de sobrevivente talvez seja um pouco dramático, mas sempre penso em versões diferentes da minha vida. No Peru, ela teria sido outra. Eu não seria o mesmo escritor. Só posso falar do Peru como falo porque não vivi lá.

O distanciamento rendeu críticas a Alarcón. Já houve quem dissesse que ele tenta “anglicizar” a América Latina em seus livros.

— Necessariamente, eu a estou anglicizando por escrever em inglês. Mas não há nada errado nisso. É apenas um fato da minha vida. Nasci no Peru e me mudei para os EUA. O inglês é uma das línguas que eu tenho à disposição — diz.

Talvez a crítica seja mesmo injusta, porque Alarcón mantém uma relação de grande proximidade com a América hispânica. Além de colaborador da premiada revista peruana “Etiqueta Negra”, ele é produtor executivo da Rádio Ambulante, uma rádio on-line criada por ele e pela mulher para encontrar histórias e personagens pela América Latina. Ele também costuma escrever reportagens sobre questões latinas para algumas das principais revistas dos EUA.

Não à toa, sua maior influência é a mesma de nove em cada dez escritores latino-americanos: Roberto Bolaño, morto em 2003. Como no universo do chileno, o romance de Alarcón tem os artistas no centro da trama.

— Bolaño tem a figura do poeta super-herói. Sua versão da Cidade do México e de Barcelona tem os artistas no cerne de tudo. Fui muito influenciado pelas descrições que Bolaño faz desses mundos de artistas boêmios de grandes cidades latino-americanas — diz.

“A culpa é do Felipão”

Como muitos latino-americanos, Alarcón adora futebol — quando era criança, sonhava ser “o Maradona peruano” — e deve ter muito assunto com o público brasileiro na Flip. Assumindo seu lado técnico, ele aproveita a entrevista para comentar a derrota do Brasil para a Alemanha:

— Estou completamente chocado. E a culpa é do Felipão — aponta. — Como você pode perder um zagueiro e o time entrar em colapso? Não é um time bom. Parecia que eles nunca tinham jogado juntos. Era como se não soubessem nem quem eram. Sei que o Thiago Silva é um zagueiro de primeira classe, mas, meu Deus, eles jogaram como se estivessem treinando!

10 Romances da geração de 30 que você precisa ler

0

Uma lista de grandes romances da geração de 30. Gente como: Érico Veríssimo, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Amando Fontes, Dyonélio Machado e Cyro dos Anjos.

José Figueiredo, no Homo Literatus

Não que no Brasil não houvesse bons prosadores, mas a verdade é que nunca antes na história desse país houve uma geração tão impressionante de romancistas. Dos mais intimistas aos urbanos e universais, os romancistas de trinta mostraram que o Brasil era capaz de marcar a posição do país no mundo do romance.

Para tanto, indicamos dez romances, dentre tantos, para mostrar a mudança que essa geração provocou na literatura nacional ao mostrar as modificações que ocorriam em nosso país.

***

1. O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo

Érico Veríssimo

Érico Veríssimo

Érico Veríssimo criou o maior épico brasileiro escrito até hoje. O Tempo e o Vento narra nada menos que duzentos anos da história do Rio Grande do Sul – e, por que não, do país. Da chegada dos primeiros habitantes ao estado até a derrocada das velhas famílias estancieiras representadas pelos Terra-Cambará, vemos passar uma galeria de personagens apaixonantes. Temos Ana Terra e Bibiana, mulheres fortes em meio a um mundo de homens hostis; temos Capitão Rodrigo, uma mistura de galã e aventureiro, cativante como só ele pode ser. Há guerras – muitas guerras – e passagens marcantes dessa história de formação de um estado marcado por homens que morreram à toa e mulheres que sofreram por eles.

2. A Bagaceira – José Américo de Almeida

José Américo de Almeida

José Américo de Almeida

O primeiro dos romances de 30 foi publicado em 1928. Nele podemos encontrar boa parte do que seriam as características de uma geração: o foco numa região periférica do país; e a mostra da violência das velhas elites que viam seu entardecer logo ali. José Américo nos apresenta uma família de retirantes que vai morar em um engenho e as consequências da relação entre o filho do senhor do engenho, Lúcio, e da filha do sertanejo, Soledade. Com muito sangue e violência, vemos os rígidos códigos de sertanejo sendo aplicado a todos, doa a quem doer.

3. O Quinze – Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz

Um romance de paradoxos: se por um lado, é o romance menos inventivo do ponto de vista técnico (poderia se dizer que é um romance do século passado), por outro é extremamente moderno em sua temática. Ao narrar a história de Conceição, personagem central da obra, Rachel de Queiroz, no auge dos seus vinte anos, dá um final surpreendente para uma mulher em meio a uma sociedade patriarcal e machista da época. Também inovou ao mostrar as mazelas proporcionadas pela seca no nordeste – algo, pelo incrível que pareça, quase totalmente ignorado pela maioria dos romancistas anteriores. Instigante, é o primeiro e melhor romance da autora.

4. São Bernardo – Graciliano Ramos

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos

Poderíamos dizer muitas coisas sobre esse romance: que fala sobre a ascensão e queda de Paulo Honório, que fala dos ciúmes doentios de um homem, que é um romance de fina análise psicológica de tradição machadiana. Não adianta, tentar encaixar Graciliano Ramos em poucas palavras, é covardia, afinal ele joga com tantos níveis ao mesmo tempo nesta narrativa da fazenda São Bernardo que a única coisa que podemos dizer é: leiam, por favor, leiam!

5. Fogo Morto – José Lins do Rego

José Lins do Rego

José Lins do Rego

Romance único não só na sua própria obra como também na sua geração. Não que conte algo de novo, pois a história, como em outros livros dessa lista, é sobre a derrocada de um antigo coronel. No entanto, a forma como é feita, dando o foco narrativo a três personagens diferentes, dá ao romance uma construção impar. Do Mestre José Amaro até o Capitão Vitorino, José Lins nos apresenta a derrocada inevitável de um mundo frente à modernidade, aproveitando para nos mostrar a derrocada social e psicológica do Coronel Lula de Holanda. Vale ainda uma grande ressalva ao melhor dos personagens do autor: Capitão Vitorino. De percepção limitada e sentimentos nobres, é o melhor personagem de cunho quixotesco que temos em nossa literatura.

6. Terras do Sem Fim – Jorge Amado

Jorge Amado

Jorge Amado

Como muitos dos romances de Jorge Amado, este também virou novela. Há, entretanto, algo de diferente nessa história. Não é a Bahia gostosa dos seus romances mais tardios, muito menos a denúncia da vida sofrida das camadas mais baixas. Jorge Amado nos brinda com um épico sobre a tomada do Sequeiro Grande e a luta de dois clãs, o de Horácio e o dos Badarós, para tomar as melhores terras para o plantio de cacau. Temos de tudo um pouco no meio do caminho: tocaias, incêndios, traição e muito mais. Romance único na obra do autor, temos uma aventura impar sobre o auge da era do cacau e uma terra adubada de sangue. (mais…)

Temas da atualidade que podem cair no Enem e vestibulares 2014/15

0
Enem 2014: confira os temas da atualidade que podem aparecer na prova (Thinkstock)

Enem 2014: confira os temas da atualidade que podem aparecer na prova (Thinkstock)

Crise energética, água e 50 anos do golpe militar estão entre apostas dos professores. Saiba como se preparar para as provas deste ano

Bianca Bibiano, na Veja

Em junho do ano passado, VEJA.com pediu a professores que apontassem uma série de temas a partir dos quais os candidatos poderiam se preparar para a redação do Enem (clique para ver o conteúdo especial). A ideia não era tentar prever o tema da redação, mas oferecer assuntos que provocassem reflexão e propiciassem treinamento para os estudantes. Entre os assuntos elencados pelo time de especialistas apareceu o seguinte: lei seca. Quem realizou a prova oficial, em novembro, deve se lembrar do tema da redação do Enem 2013: efeitos da implantação da lei seca no Brasil. O acerto, raro em provas como o Enem, revela a importância da preparação: quem conferiu o conteúdo elaborado por professores e publicado por VEJA.com, ganhou um reforço no estudo.

Para o Enem e os vestibulares 2014/2015, VEJA.com voltou a conversar com professores de alguns dos principais cursos preparatórios do país. A tarefa agora é elaborar uma lista de assuntos da atualidade que de fato podem aparecer nas provas. A lista abaixo traz um resumo das apostas dos mestres, explica como os assuntos podem aparecer na avaliação e oferece links para reportagens de VEJA relacionadas aos temas: a leitura delas pode ampliar a visão do candidato sobre os tópicos tratados.

Acompanhar assuntos que são discutidos no Brasil e no mundo é um fator importante para um bom desempenho no Enem e nos vestibulares em geral. Ao contrário de outros vestibulares, o Enem não cobra de seus candidatos informações pontuais sobre atualidades. Mas o exame é permeado de assuntos do cotidiano que exigem do estudante conhecimentos básicos sobre o que está em debate no país e no mundo.

“O Enem não é factual, não cobra do aluno detalhes de um assunto que ganhou as manchetes dos jornais às vésperas da prova, mas exige atenção a temas que pautaram as discussões no Brasil nos últimos doze meses”, diz Paulo Moraes, coordenador da área de geografia do Anglo Vestibulares, de São Paulo. “Os temas apresentados, portanto, podem introduzir questões que testam as habilidades específicas do aluno e medem seu conhecimento geral.”

Extração de gás e petróleo de xisto

A extração de gás e petróleo a partir das rochas de xisto tem crescido a cada ano, ganhando destaque nas discussões sobre matriz energética. Em 2013, o petróleo obtido a partir desse minério representou 29% da produção total do produto nos Estados Unidos. O gás de xisto, por sua vez, representou 40% do total.

O tema é uma das principais apostas dos professores Joel Pontin, do Cursinho da Poli, e Alexandre Gobbis, do Cursinho do XI, para o Enem 2014. Segundo Pontin, é imprescindível que os estudantes conheçam os processos de extração e entendam a importância desse minério para a economia mundial. “O grande comprador de energia são os Estados Unidos, que estão priorizando o xisto. Essa questão pode alterar todo o cenário energético mundial”, diz.

As reservas desse minério representam 10% do total de petróleo e 32% do gás disponível no planeta. O país que mais detém reservas é a Rússia, seguida por Estados Unidos, China e Argentina. Já os países com maiores reservas de gás de xisto — encontradas entre as camadas do mineral — são China, Argentina, Argélia e Estados Unidos. O Brasil  também possui grandes quantidades do minério e, em 2013, o governo chegou a realizar leilões de exploração da reserva. A produção a partir desse material, entretanto, está paralisada por falta de regulamentação específica.

Para produzir petróleo e gás a partir do xisto é preciso explodir as rochas do minério por um processo chamado de “faturamento hidráulico”, que injeta grandes quantidades de água misturada a produtos químicos sob grande pressão. A técnica, porém, é questionada por ambientalista e já foi proibida na França e na Bulgária.

Água e crise no sistema hídrico

As anomalias verificadas nos índices pluviométricos, que tiveram como consequências a falta de água em São Paulo e enchentes em outros Estados da região Sudeste, também estão entre as apostas dos professores de cursinho. “O stress hídrico esteve na pauta dos jornais por meses e o tema abre margens para toda a sorte de perguntas no Enem, que pode cobrar desde conhecimentos sobre mananciais até a fórmula química da água”, afirma Joel Pontin, do Cursinho da Poli.

No início do verão, houve muitas chuvas em Minas Gerais, Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro. No leste de Minas Gerais e no norte do Espírito Santo, não chovia tanto desde 1979. Essa umidade, entretanto, não alcançou a cidade de São Paulo. Dezembro de 2013 foi o terceiro mês menos chuvoso dos últimos 71 anos na capital, só perdendo para os anos de 1999 e 1963. Ainda assim, as chuvas na capital só atingiram o volume de 237,9 milímetros, inferior à média histórica de 265,6 milímetros. Com isso, o reservatório da Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, teve sua capacidade reduzida. Na última terça-feira, o volume armazenado de água caiu para 11,9% da capacidade.

Já na região Norte, o excesso de chuvas deixou diversos pontos de Porto Velho (RO) submersos e o Acre ilhado em função da cheia do Rio Madeira, que em março de 2013 bateu recorde histórico com 25,44 metros de profundidade. A cheia afetou pelo menos 66.000 pessoas e deixou famílias desabrigadas em dez cidades da região, além de interromper o tráfego nas principais rodovias de Rondônia, como a BR-364 e a BR-319.

Crise energética

A crise no setor energético é um dos temas constantes no Enem, afirma Paulo Moraes, do Anglo Vestibulares. “É um tema que mistura questões de física, química e biologia, uma interdisciplinaridade que é típica de questões do exame federal”, explica. O Brasil tem atualmente capacidade elétrica instalada de 120.000 megawatts, mas desde 2013 enfrenta dificuldades no abastecimento, com registros de apagões em diversas regiões do país que acarretaram problemas para a economia.

Em janeiro, foram registrados os dez maiores picos de consumo de energia da história do Brasil e, em fevereiro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou apagões em onze Estados das regiões Norte, Sudeste e Sul. Só na região Sudeste, a falha no sistema elétrico pode ter atingido 950.000 pessoas. Pelas normas de segurança, o sistema elétrico brasileiro precisa trabalhar com sobra de energia equivalente a 5% da eletricidade consumida no país. Entretanto, em janeiro, essa marca atingiu 2%.

Uma das justificativas para o problema apresentadas pela ONS foi uma interrupção no fornecimento de 5.000 megawatts/hora para essas regiões. Outra explicação para os apagões é a de que descargas atmosféricas (raios)  provocaram curtos-circuitos no sistema nacional, causando a queda de energia. Entretanto, apesar de o Brasil ser um dos países com maior quantidade de raios do mundo, o sistema elétrico foi montado para ser à prova de descargas elétricas, com a proteção de uma grande rede de para-raios.

O principal gerador de energia no país são as usinas hidrelétricas, que respondem pela geração de 86.923 MW, seguidas das termelétricas a gás (9.816 MW), as usinas a biomassa (8.870 MW) e usinas a óleo e bicombustíveis (5.297 MW). Outras formas de energia respondem por parcelas menores do fornecimento, como as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e centrais geradoras hidrelétricas, que somaram no ano passado 4.805 MW de capacidade de geração. As usinas a carvão mineral registraram 3.152 MW, as eólicas marcaram 2.181 MW e as nucleares, 2.007 MW.

Problemas urbanos e sistemas modais

Outro assunto “clássico” do Enem são as questões relacionadas a problemas urbanos. “Esse é um assunto frequente, que é renovado com os temas que estiveram na imprensa nos últimos meses”, afirma Paulo Moraes, do Anglo Vestibulares. Este ano, o transporte é uma das apostas do educador, tendo como ponto de partida as manifestações de 2013 que reivindicaram melhorias no transporte público e colocaram o tema no topo das agendas governamentais. “As questões do Enem não devem abrir margem para o debate político. Elas provavelmente vão cobrar conhecimentos sobre os sistemas modais mais usados no Brasil”, explica.

Atualmente, mais de 80% da população vive nos centros urbanos, nos quais o transporte mais utilizado é automotivo. Em 2012, a frota de carros no Brasil chegou a 50,21 milhões. A cada minuto, 152 novos automóveis deixam as fábricas do mundo para ganhar as ruas. Comparativamente, usando como base a cidade de São Paulo, a frota de ônibus representa apenas 8,2% do total de carros. A desproporção acarreta imensos congestionamentos nas grandes capitais e, ao mesmo tempo, dificulta a locomoção em cidades menores, que sofrem com a falta de linhas de transporte nos bairros mais afastados.

A pressão da sociedade por melhor transporte público acabou chegando ao gabinete da Presidência. Em julho do ano passado, a presidente Dilma Rousseff falou da necessidade de uma mudança na matriz do sistema de transporte, enfatizando o aumento das redes de metrô, trens leves e corredores de ônibus. Dilma também anunciou a liberação de 50 bilhões de reais para empreendimentos de mobilidade urbana.

Movimentos sociais

A partir das manifestações por melhorias no transporte em junho 2013, a onda de protestos organizados por movimentos sociais e por grupos como os black blocs ganhou força em todo o país. Exatamente pelo destaque que teve nos últimos meses, o tema é uma das apostas do professor Samuel Loureiro, do Cursinho do XI, para o Enem. “A discussão sobre os protestos pode abrir caminho para o questionamento sobre a trajetória histórica dos movimentos sociais”, analisa.

Saber quais foram as motivações dos principais movimentos sociais do Brasil e fazer a correlação entre os antigos e os atuais é um dos caminhos para compreender como eles influenciaram e ainda influenciam o país, explica o professor.

O movimento feminista é um dos que pode aparecer na prova do Enem, segundo Loureiro. “É um grupo que conseguiu influenciar as políticas públicas e já foi citado em exames anteriores”, explica. Conquistas do grupo, como a Lei Maria da Penha e a ação de movimentos internacionais como o Femen, também podem cair na prova. Ainda segundo o professor, para entender melhor os movimentos sociais e se preparar para a prova, os estudantes devem pesquisar um pouco sobre as ideologias políticas e ecônomicas que pautam esses grupos. “O aluno tem que saber diferenciar o comunismo do anarquismo e entender quais outras ideologias estão presentes no cenário mundial hoje. Isso é imprescindível para garantir o bom desempenho nas questões relacionadas à sociologia, geopolítica e história.”

50 anos do golpe militar

Há 50 anos o Brasil foi palco de acontecimentos políticos tão dramáticos e relevantes que ainda hoje continuam em discussão: o golpe militar de 1964. O ação, que resultou em mais de 20 anos de regime militar, também é uma das grandes apostas dos professores de cursinho para o Enem este ano. “A importância histórica desses fatos e a quantidade de documentos da ditadura que foram revelados recentemente levaram o tema com mais força para as salas de aula”, explica Samuel Loureiro, do Cursinho do XI.

O mês de março deste ano foi palco de protesto contra o golpe, que destitui do poder o então presidente João Goulart, e também de uma nova marcha da família, em homenagem à Marcha da Família com Deus pela Liberdade de 1964, que reuniu cerca de 100.000 pessoas na Cinelândia, no Rio de Janeiro, dias antes da tomada do poder pelos militares. A correlação histórica é necessária para entender os efeitos da ditadura e o processo de redemocratização do país, garante Loureiro.

Outro assunto relacionado à ditadura que também pode aparecer na prova é a Comissão da Verdade. Instituída em 2012 pela presidente Dilma Rousseff, a comissão tem a missão de apurar crimes cometidos durante a ditadura. Entre as medidas tomadas pela comissão, está a exumação dos restos mortais de João Goulart para analisar a causa de sua morte.

Vacina contra o vírus do HPV

Em março deste ano, o governo federal começou a vacinar gratuitamente meninas de 11 a 13 anos de idade contra o vírus do HPV. O tema, apesar de recente, já havia passado por discussão em 2013 e é um dos assuntos com grande probabilidade de cair no Enem neste ano. Para o professor Joel Pontin, do Cursinho da Poli, o assunto pode servir de gancho para perguntas sobre biologia. “Vacinação, de modo geral, não é um assunto muito presente no Enem, que pode usar a grande repercussão dessa vacina para introduzir algumas questões”.

A vacina contra o HPV é capaz de prevenir a transmissão do vírus causador do câncer do colo do útero, que pode ser contraído por meio de relação sexual, contato direto com pele ou mucosa infectadas, e também no momento do parto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 290 milhões de mulheres no mundo sejam portadoras do HPV, sendo que 32% são infectadas pelos tipos causadores do câncer. Por ano, 270.000 pessoas morrem em decorrência da doença.

Até 2016, o governo quer expandir a vacinação para meninas de nove anos, faixa etária considerada ideal para evitar a propagação do vírus do HPV, segundo especialistas. Para o professor Pontin, é importante que os estudantes pesquisem mais informações sobre o vírus do HPV e sobre a atuação da vacina no corpo humano. “O tema pode aparecer em uma pergunta mais ampla sobre a vacinação, abrangendo inclusive outros tipos de vacinas”, explica.

Go to Top