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Posts tagged Geral

Até o inferno tira férias

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Lista geral entra em calmaria de férias

Cassia Carrenho, no PublishNews

A lista está em clima de férias. Os cinco primeiros livros da lista geral são os mesmos da semana passada e até com números parecidos, com exceção do primeiríssimo lugar, Inferno (Sextante) que apesar de manter sua colocação isolada, vendeu quase 15% a menos do que na última semana. O restante da lista geral também entrou na calmaria, apenas 3 livros são diferentes da classificação da semana passada. Dá até pra sentir o balanço da rede e o gosto da água de côco.

Já no ranking das editoras, a Sextante não descansou, emplacou 14 livros e abriu uma boa vantagem sobre as outras editoras, que estão emboladas entre si. Do 2º ao 6º lugar, a diferença é de apenas 2 livros: Intrínseca, 9, Santillana e Vergara&Riba, 8 e Companhia das Letras e Record, 7.

Mas algumas novidades chegaram para fazer um pouco de marola na lista: não ficção, A civilização do espetáculo (Objetiva), de Mario Vargas Llosa, e Guia Orlando 2014 (Europa); infantojuvenil, de John Green, Quem é você, Alasca? (WMF Martins Fontes); autoajuda, Milagres acontecem (Sextante) e Os cães nunca deixam de amar (Universo dos livros).

‘Chegava em casa estraçalhado emocionalmente’, conta ex-diretor de escola

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Marcelle Souza, no UOL

De uma salinha na parte administrativa da escola, ele decide quase tudo: falta de papel higiênico, briga entre alunos, problemas de professores e questões burocráticas com a Secretaria de Educação. Mas quem é esse personagem que aparece nas nossas lembranças da infância como o temido chefe do colégio?

“Vou chamar o diretor já”, “o diretor vem vindo aí…”, Se eles estão fora da classe, basta apontar a cara no corredor para desembestarem em uma correria geral rumo a sala de aula. Como alguém pode ser simpático com uma propaganda tão eficiente? “Vai tomar uma suspensão do diretor”

“Eu chegava em casa todos os dias estraçalhado emocionalmente, é muito pesado, muito desgastante. Você trabalha com os extremos: a ingenuidade de uma criança e a canalhice de alguém que comete alguma irregularidade. Pensei várias vezes em desistir”, afirma Luiz Benedito Ponzeto, 67.

Diretor por dez anos, Ponzeto se aposentou e decidiu contar o cotidiano dessa função. Ele acaba de publicar o livro de crônicas “Diário de um diretor de escola”, com histórias ficcionais sobre o dia a dia da profissão.

Nos textos, Ponzeto mostra que a imagem de temido – quem nunca ouviu a frase “vou chamar o diretor” ou “você vai para a sala a do diretor”? – esconde um ser humano cheio de expectativas e problemas.

Luiz Benedito Ponzeto, ex-diretor

Luiz Benedito Ponzeto, ex-diretor

Uma bomba por dia para desarmar
Foram 30 anos de dedicação à escola, como professor de matemática, coordenador pedagógico e diretor de escolas públicas e privadas de várias cidades de São Paulo, e uma “bomba por dia para desarmar”. Há cinco anos, ele se aposentou e teve que romper com os desafios e êxitos da profissão. Precisava descansar.

O livro veio então da vontade de retratar o dia a dia da escola e foi resultado de um grupo de estudos e dos primeiros exercícios escrevendo crônicas. As histórias retratadas, diz o ex-diretor, são ficções, mas bem que poderiam se passar em muitas escolas do país. “Eu queria um texto alegre, ao mesmo crítico, que mostrasse a escola como uma coisa dinâmica, em constante transformação”, diz.

E o cotidiano do narrador do livro não é nada fácil. Imagine ter que virar técnico para resolver o problema no som de uma turma que vai fazer uma festa, conversar com a mãe de um garoto que brigou com os colegas na escola ou decidir entre abrir ou não um pacote suspeito enviado sem remetente.

Em uma das crônicas, a “bomba” do dia é a falta de papel higiênico. Arrecadar dinheiro com alunos? Fazer uma festa? Usar o dinheiro já repassado pelo Ministério da Educação? Ou aguardar a burocracia dos órgãos competentes? Com bom humor e uma dose de preocupação, o diretor dessa escola de mentirinha tenta resolver esse problema tão real.

Um dia de cada vez
Em um trabalho dinâmico, Ponzeto diz que o mais frustrante da função é ver projetos interrompidos e não atingir os objetivos traçados. “Como diretor, você não sabe o que aconteceu com aquela pessoa depois que ela saiu da escola, se valeu ou não todo o trabalho que foi feito”.

Acontece que o Jeferson já aparenta ser adulto, com barba na cara e tudo o mais. E a experiência que já acumulou na sua vida é maior do que a da equipe escolar inteira. Só estão mandando ele de volta para a escola porque foi pego num assalto junto com outros “menores infratores”. E como ainda é menor, não pode ficar fora da escola. Depois que foi pego, cumpriu uns meses na Fundação Casa. Agora está livre para recomeçar do zero, aqui na escola.

Conseguir mudar alguma coisa na vida de um aluno, por outro lado, é maior conquista de um diretor. “O trabalho com o ser humano é muito agradável, especialmente quando você se dedica à construção dele. É muito emocionante, até hoje é muito forte para mim”, diz.

Leia a seguir um trecho do livro:
Uma bomba por dia para desarmar

“Isso aqui está mais para filme de ação do que para instituição de ensino. Mas por que alguém me mandaria uma bomba dessas? Se as xerifes da escola não conseguiram saber a origem desse troço, de nada adianta eu perguntar para Deus e o mundo. Só vou é dar bandeira e colocar mais lenha na fogueira. E muito menos seguir a sugestão da Sandra. Já imaginou o bairro todo ouvindo a sirene da polícia chegando aqui na escola? Vai ser sopa no mel, ou é mel na sopa, nunca sei. As mães invadirão a escola desesperadas para salvar os seus filhos, atropelando os das outras, descompensadas e histéricas: todas elas. Não, isso não, a imprensa, o Datena, Jornal Nacional… E quem vai abrir então? Fiz a pergunta para mim mesmo, estou sozinho na sala, sem pão doce com recheio e nem água com açúcar. Vai que elas têm razão. Dar uma de herói é que eu não vou, nunca tive essa vocação, por isso mesmo fui ser diretor de escola. Mas e os alunos? Se souberem que eu afinei: “amarelou hein diretor”, não admito ser chamedo de bundão. Pensando bem, quem faria uma maldade dessas comigo? Não tenho nenhum inimigo conhecido, tenho conhecido inimigos, isso sim, mas são professores; acho que não saberiam montar uma bomba, muito menos caseira, nem existe mais laboratório de ciências.”

Idealizadora da Flip confirma próxima edição para agosto de 2014

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Liz Calder fez declaração durante última mesa do evento, no domingo.
Este ano ficou marcado pelo tema protestos e três cancelamentos de autores.

Publicado no G1

 

No último dia da  11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Logo após o encerramento da 11ª Flip, público recebe cachaça gratuita em mesa montada atrás da Tenda dos Autores (Foto: Cauê Muraro/G1)

Liz Calder, idealizadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), confirmou que a próxima edição do evento acontecerá em agosto de 2014 – normalmente acontece em julho. Ela fez o anúncio durante o encerramento da 11ª Flip, na “Mesa de cabeceira”. O diretor-geral Mauro Munhoz já havia falado durante coletiva na tarde deste domingo que a 12ª Flip provavelmente seria adiada para agosto por conta da Copa do Mundo.

O evento chegou ao final na noite deste domingo (7), comemorando o fato de ter sido “tão harmônica e tranquila nesse momento de manifestações”, declarou o diretor-geral Mauro Munhoz durante entrevista coletiva. No entanto, os protestos foram o centro das atenções neste ano, cuja programação ganhou três mesas somente sobre a situação atual política brasileira, com muita participação da plateia. Além disso, o assunto foi abordado em meio a outros debates literários e os próprios paratienses organizaram suas reinvidicações.

Outra questão da 11ª Flip foi a desistência de três autores estrangeiros: o francês Michel Houellebecq e o norueguês Karl Ove Knausgård, por “problemas pessoais”, e o egípcio-palestino Tamim al-Barghouti, por “extravio de passaporte”. “Os cancelamentos são muito chatos e não tem como controlar. Tentamos manter contato regular com o autor para ter certeza de que ele não mudou de ideia, mas, quando acontece em cima da hora, não tem o que dizer além de insistir e contornar. Mas encontramos boas substituições. Fiquei feliz que o T.J. Clark topou fazer uma aparição extra”, contou.

Por conta disso, o curador Miguel Conde afirmou não ter tido tempo de pensar na próxima edição. “Ainda não temos um autor homenageado escolhido para o ano que vem. Essas semanas foram corridas e ainda está em aberto. Pensamos em vários nomes, mas isso vai ter de ser conversado”, declarou. Munhoz disse que Mario de Andrade, Lima Barreto, Rubem Braga ou “talvez alguma mulher” sejam as possibilidades.

O evento homenageou o romancista alagoano Graciliano Ramos, o que o curador considerou “adequado para este momento político”. “Nos outros anos tivemos Gilberto Freyre e Nelson Rodrigues, mas o Graciliano não é apenas um escritor que teve uma atuação de militância, mas cuja obra se define com essa preocupação. É um escritor que pensa as implicações do seu próprio lugar como intelectual no Brasil”, disse.

(mais…)

Menos amor e mais sexo

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Na semana dos namorados, os livros eróticos dominaram a lista

Cassia Carrenho, no PublishNews

Quem apostou nos livros fofinhos, com corações e ursinhos na capa para o Dia dos Namorados, literalmente broxou… Os grandes campeões de venda essa semana foram os recheados de algemas e cintas-liga. O lançamento da Paralela, Para sempre sua, foi direto para o 2º lugar na lista geral, vendendo 16.420 exemplares. Ficou atrás apenas do Inferno (Sextante), que continua esquentando a lista com 20.937 livros vendidos. Só no ranking geral aparecem mais 6 títulos na linha de romance eróticos, entre eles os três fenômenos editoriais da coleção Cinquenta tons (Intrínseca). Já na lista de ficção o número sobe para 8.

Na lista de autoajuda chegaram dois livros do tipo “S2 forever”: Meu jeito de dizer eu te amo (Sextante) e 100 coisas para fazer a dois (Vergara & Riba). Conclusão da semana: o amor é lindo, mas o sexo dá mais dinheiro.

Outras novidades na semana foram: Ficção, O palácio da meia noite (Sumas das Letras); não ficção, Dirceu (Record) e 1942: O Brasil e sua guerra desconhecida, do músico João Barone (Nova Fronteira); infantojuvenil Minha vida fora de série – 2ª temporada (Gutenberg); autoajuda, Louco por viver (Gente), De bem com o espelho (Editora Belas Letras) e Como vender você (Clio); negócios, Sobrou dinheiro (Bestbolso).

No ranking semanal das editoras a Sextante ganhou uma folguinha e ficou com 13 livros. Logo atrás vem a Intrínseca com 10. A Vergara&Riba e a Santillana empataram em 3º lugar, com 9 livros e, também empatados, com 8 livros cada um, Companhia das Letras e Record dividem o 4º lugar.

Quase metade dos aprovados em medicina no Sisu migra de estado

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Com 46,85%, mobilidade em medicina é o triplo da média geral, diz MEC.
Em 11 estados, alunos locais são minoria entre os matriculados na carreira.

Ana Carolina Moreno, no G1

Quase metade das vagas de medicina oferecidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no primeiro semestre deste ano – que estão entre as mais cobiçadas do processo seletivo – foi ocupada por estudantes que não moravam no mesmo estado da instituição em que vão estudar. Levantamento feito pelo Ministério da Educação a pedido do G1 mostra que, das 1.731 matrículas em cursos de medicina oferecidas pelo Sisu, 46,85% foram preenchidas por calouros de outros estados. Veja a tabela da mobilidade de medicina pelo Sisu

A migração provocada pelas vagas em medicina é mais que o triplo da mobilidade média registrada pelo governo federal na edição do primeiro semestre de 2013 do Sisu. Segundo os números do MEC, 13% dos matriculados em todas as 118.996 vagas já preenchidas no país são “forasteiros” nos estados em que vão fazer faculdade.

O Sisu usa as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar candidatos. As inscrições para a edição do 1º semestre de 2014 terminam às 23h59 desta segunda-feira (27).

Para os cursos de medicina em 2013 foram oferecidas vagas em universidades públicas de 19 estados, menos no Distrito Federal, Amapá, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.

1Acre, Amazonas, Roraima, Mato Grosso e Paraná foram os que mais receberam calouros de medicina de outros estados, com mais de 70% de estudantes “forasteiros”. No total, em 11 estados os alunos locais são minoria entre as matrículas do curso (Veja na tabela ao lado).

Para especialistas, a alta mobilidade das vagas de medicina, em comparação com a média geral, é um fenômeno não muito diferente do que já acontecia antes nos vestibulares para carreiras muito disputadas, onde os estudantes com acesso aos melhores métodos de ensino costumavam ocupar a maioria das vagas.

Eles afirmam que, além de investimentos na melhoria das redes públicas de ensino, as políticas de ações afirmativas podem auxiliar no processo de democratização das vagas mais procuradas.

Paulistas ocupam mais vagas de fora

Assim como na média de todas as vagas, os paulistas também são os que mais conseguiram aprovações em vagas oferecidas longe de casa. Dos 811 universitários que mudaram de estado para fazer medicina, 211 (ou 26%) são de São Paulo. Um dos motivos para o “êxodo” de paulistas, segundo especialistas, é a baixa oferta de vagas.

1Entre as quatro instituições federais do estado que participam do Sisu, só a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) oferece vagas de medicina. Neste ano, 53 matrículas foram feitas. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o curso é um dos sete que ainda não trocaram o vestibular pelo Sisu. A instituição já descartou a mudança para as vagas de medicina em 2014.

São Paulo é o segundo em número absoluto de aprovados na carreira pelo Sisu 2013, mas está apenas na 11ª colocação na lista de estados com o maior número de vagas oferecidas no sistema.

A três dias do fim das inscrições, segundo os balanços divulgados pelo MEC, os três estados que mais inscreveram candidatos no Enem 2013 são São Paulo, Minas Gerais e Ceará. Eles também são os três que mais aprovaram calouros em medicina. Juntos, eles respondem por 45% das vagas na carreira ocupadas neste semestre. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, atribui a predominância dos candidatos de alguns estados na concorrência pelas vagas de medicina ao resultado da meritocracia na qual o Sisu está baseado.

De acordo com o professor Tufi Machado Soares, que dá aulas de estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), cursos como medicina e odontologia já eram ocupados em todo o país por uma minoria da elite, porque a concorrência tem sido historicamente alta. “Isso já acontecia normalmente, e a tendência com o Sisu é aumentar. São cursos que demandam muito do estudante, mas têm um grande retorno”, explica.

No sentido horário: Luciana Rabelo, João Vitor Peter, Tialisson Scotti e Agnes Costa, alguns dos 811 calouros de medicina do Sisu que mudaram de estado para fazer faculdade (Foto: G1)

No sentido horário: Luciana Rabelo, João Vitor Peter, Tialisson Scotti e Agnes Costa, alguns dos 811 calouros de medicina do Sisu que mudaram de estado para fazer faculdade (Foto: G1)

Alunos locais perdem vagas

Durante as inscrições do Sisu, o MEC divulgou um balanço parcial com a lista dos dez cursos com a maior concorrência. Nove deles eram de medicina, incluindo os das universidades federais do Acre (Ufac) e do Amazonas (Ufam). Depois de preenchidas as vagas, o relatório de mobilidade mostra que, no Acre, das 37 matrículas feitas até maio, apenas duas eram de estudantes acreanos. Cinco são mineiros e cinco, paulistas. No caso do Amazonas, só três candidatos locais conseguiram a aprovação, enquanto 11 calouros saíram de São Paulo para estudar no Amazonas.

95% das vagas de medicina na Ufac e na Ufam foram preenchidas por candidatos de fora dos dois estados; apenas 2 acreanos e 3 amazonenses foram aprovados nos cursos, que estavam entre os dez mais procurados do Sisu

Em Alagoas, 56% dos novos alunos de medicina neste ano saíram de outros estados – a grande maioria deles morava em estados que não fazem fronteira com a unidade da federação para onde se mudaram.

O pró-reitor de graduação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Amauri da Silva Barros, afirma ao G1 que respirou um pouco mais aliviado neste ano ao ver o resultado do Sisu. “Foi uma situação muito difícil a de 2012. Em medicina oferecemos 80 vagas e, no final de todas as chamadas, foram 20 alagoanos matriculados”, conta. Neste ano, com a instituição na segunda chamada da lista de espera, esse número já está “entre 20 e 25”, segundo ele, e a expectativa é preencher até 35 das vagas de medicina com calouros locais.

Professores de cursinhos agora correm para se atualizar nos conteúdos do Enem e ajudar os vestibulandos de medicina alagoanos a concorrerem com os milhares de candidatos que decidiram disputar uma vaga no curso desde o ano passado, com a adesão total da Ufal ao Sisu.

Barros diz que a inscrição para medicina saltou de 2.700 em 2011 para 7.800 no ano seguinte. “E o nosso ensino básico está na UTI há anos, aí quebra a gente.”

Em entrevista ao G1, Mercadante afirma que os indicadores educacionais ainda mostram discrepância grande entre as regiões brasileiras, mas a solução para a concorrência nacional criada pelo Sisu não é a reserva de vagas, e sim o investimento na melhoria da educação. “Estamos fazendo um investimento grande no ensino público médio, e parcerias para focar onde temos mais dificuldade no ensino médio. Temos que melhorar a qualidade no ensino para que haja condições de competir”, afirma.

Cursinhos veem aprovação despencar

No curso pré-vestibular do Colégio Contato, em Maceió, o número de estudantes que conquistavam uma vaga em medicina na Ufal caiu drasticamente. “A nossa aprovação era de 35 alunos, 40 alunos. Hoje reduziu para dez”, afirma Sandro Fonseca, coordenador do curso.

O aluno começou a sentir o peso do Enem, então, por conta disso, o esforço dele tem que ser maior, ele sabe que a concorrência não é só local, é nacional”
Sandro Fonseca,
coordenador do cursinho do Colégio Contato

“Antes era muito mais fácil para um estudante alagoano entrar na medicina na Ufal”, diz. Segundo Fonseca, a nota de corte do Sisu 2013 na carreira foi de 872 no Enem.

Para reduzir o déficit entre os estudantes locais e os candidatos de outras partes do país, o coordenador afirma que os professores estão buscando mais qualificação para preparar seus vestibulandos. “A gente continua correndo atrás, aprimorando, fazendo reciclagem de professor, de material, mudando tudo. O aluno começou a sentir o peso do Enem. Então, por conta disso, o esforço dele tem que ser maior, ele sabe que a concorrência não é só local, é nacional.”

Médicos que não ficam na cidade

Um dos efeitos do aumento da concorrência do curso de medicina da Universidade Federal do Acre, no entanto, foi a decisão dos vestibulandos locais de disputar uma vaga na carreira em processos seletivos de outros estados, que ainda não aderiram ao Sisu.

Segundo Ticiana Paula Castro de Souza, diretora do cursinho Aprovação, de Rio Branco, “os alunos não estão acreditando mais no Enem”. Ela afirma que isso ocorre tanto pelo aumento da disputa quanto pelas polêmicas a respeito da correção da prova da redação.

“Tenho aluno aprovado na Unir [Universidade Federal de Rondônia], na UEA [Universidade Estadual do Amazonas]. Os alunos acreanos estão procurando faculdades em outras regiões onde o vestibular é melhor para eles”, contou ela.

A diretora afirma ter visto a concorrência das vagas de medicina da Ufac subir de 40 para 200 candidatos por vaga. A maioria dos aprovados de outros estados acaba optando por se mudar para Rio Branco porque não conseguiu vaga em outras regiões, e o objetivo costuma ser voltar para casa após a conquista do diploma.

“A maioria vai embora do estado, e o estado fica sem médico. Até nisso é ruim para a cidade de Rio Branco. A cidade está precisando de médicos”, reclama Ticiana.

São efeitos que não se tinha muita noção que poderiam acontecer, nem uma avaliação segura das suas consequências”
Jaime Tadeu Oliva,
professor do IEB-USP

Jaime Tadeu Oliva, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo, acredita que a alta mobilidade do Sisu em cursos concorridos é uma de várias consequências que a centralização de mais de 100 mil vagas em um único sistema de seleção pode provocar.

“Esse efeito e certamente muitos outros que vão se percebendo são efeitos que não se tinha muita noção de que poderiam acontecer, nem uma avaliação segura das suas consequências. São efeitos mais ou menos inesperados, que precisam ser repensados”, explica. Oliva não acredita que eles indiquem o fracasso do Sisu, mas defende a possibilidade de busca de alternativas, como uma reserva mínima de vagas.

Tufi Machado Soares, da UFJF, acredita que a lei de cotas, que fará com que, a partir de 2016, metade de todas as vagas das universidades federais sejam destinadas a estudantes de escola pública e negros, pardos e indígenas, também ajudará no processo de democratização do acesso ao ensino superior.

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