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Livro é caro? Não há bibliotecas? Por que os moradores de São Paulo não leem?

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Biblioteca do Parque Villa-Lobos, um dos equipamentos públicos mais legais de SP
Crédito: Nelson Kon/Divulgação/BPV

Pesquisa sobre hábitos culturais feita pelo Ibope, a pedido da Rede Nossa São Paulo, expõe as razões apontadas pelos moradores da cidade para não ler

Bia Reis, no Estadão

Diz o senso comum que no Brasil se lê pouco porque o livro é caro e porque não há bibliotecas por perto. Muitos podem considerar o preço alto e morar em lugares onde não há equipamentos públicos, é verdade, mas esses não são os motivos apontados pelos moradores de São Paulo para não ler. É o que indica pesquisa sobre hábitos culturais na cidade feita pelo Ibope a pedido a Rede Nossa São Paulo. O levantamento, divulgado nesta terça-feira, 9, ouviu 800 pessoas entre 6 e 21 de dezembro de 2018.

Segundo a pesquisa, apenas 3% dizem que não leram nos últimos três meses porque o livro é caro; outro 1% afirmou não ter dinheiro para comprar um. A falta de uma biblioteca por perto é apontada como razão para não ler por 2% dos entrevistados.

As maiores razões para não ter lido um livro são não gostar de ler/não ter o hábito de ler, citado por 34% dos entrevistados, e falta de tempo, por 32% (que é relativa, já que muitos de nós gastamos algumas horas do dia na internet, não é?). Além disso, 9% das pessoas contaram que não têm paciência para ler, o que também indica de alguma forma falta de hábito. Juntos, esses três motivos somam 75%.

São citados também como razão para não ter lido um livro nos últimos três meses o fato de preferir outras atividades (14%), ter dificuldade para ler (6%), se sentir muito cansado para ler (6%), preferir ler revistas e jornais (5%), não ter lugar apropriado para ler (1%) e não saber ler (1%).

O fato é que as pessoas não leem porque não se transformaram em leitores, porque não foram conquistados pelo livro, por inúmeras razões. Quando a leitura é um hábito estabelecido, falta de tempo ou de paciência não são razão para não ler. Afinal, a gente se esforça para arrumar tempo para o que gosta, o que faz sentido, não é?

Você leu nos últimos três meses?

Perguntados se leram algum livro nos últimos três meses, 38% dos entrevistados responderam que sim, leram um livro inteiro; 20% que sim, leram partes de um livro; e 42% que não. Isso significa que mais da metade dos moradores de São Paulo (58%) tiveram contato com ao menos um livro no período.

Entre os que leram livros completos, o maior porcentual está entre pessoas de 25 a 34 anos (49%), seguido pelas de 16 a 24 anos (43%), de 35 a 44 anos (39%), mais de 55 anos (33%) e de 45 a 54 anos (28%).

A pesquisa reforça a ideia de que pessoas com melhor nível econômico e formação são mais leitoras do que as pessoas com pior nível econômico e formação. Entre os entrevistados com nível superior, por exemplo, 20% afirmaram não ter lido nenhum livro nos últimos três meses – o porcentual sobe para 69% quando se tratam de pessoas que só fizeram o ensino fundamental (1.º a 9.º ano). Entre os entrevistados da classe A, 61% leram um livro inteiro e 18% não leram nenhum; na classe B o porcentual é de 56%, na C, 29%, e na D/E, 10%.

Você frequentou bibliotecas?

Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo
Crédito: Gabriela Biló/Estadão

Questionados se frequentaram alguma biblioteca no último ano, 79% responderam não e 20%, sim (1% não soube opinar). O maior porcentual ficou entre os jovens de 16 a 24 anos: 34% responderam que foram a uma biblioteca no período. A frequência cai conforme a idade avança – entre 25 a 34 anos, 26% responderam sim; entre 35 e 44 anos, 16%; entre 45 e 54, 12%; e mais de 55, 15%.

A pesquisa também aponta que, diferentemente do que muita gente pensa, as bibliotecas são mais frequentadas por pessoas das classes A e B do que C e D. Entre os entrevistados com melhor condição econômica (classe A), 44% disseram ter ido a uma biblioteca nos 12 meses anteriores à pesquisa. O porcentual cai para 28% entre as pessoas da classe B, para 15% entre a classe C e chega a apenas 5% nas classes D e E.

O Ibope também encontrou diferenças entre a frequência de acordo com a região onde a pessoa mora. O centro concentra o maior porcentual de frequentadores: 32% dos entrevistados responderam que foram a uma biblioteca no último ano ante 28% dos moradores da zona oeste, 27% da zona norte, 21% da zona sul e apenas 12% da zona leste.

A pesquisa questionou os moradores de São Paulo sobre o que os fariam frequentar mais espaços culturais. A pergunta não é direcionada às bibliotecas, mas inclui este tipo de equipamento. É curioso observar que se destaca o item “preços mais acessíveis”: 42% dos entrevistados de todas as idades afirmam que frequentariam mais atividades culturais se o preço fosse mais acessível. Nas bibliotecas públicas não há nenhum tipo de cobrança, nem para as atividades nem para a retirada de livros. Entre os outros itens avaliados estão proximidade de casa, facilidade de acesso, horários e diversidade da programação.

Como fazer os filhos terem prazer pela leitura

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Publicado no UOL

A importância da leitura é inegável. A questão é: como fazer as crianças criarem o hábito? Pois, sabe-se que para a maioria das crianças a leitura não é tão atrativa. Especialmente se comparada com outras atividades, como esportes, brincar com amigos, e , claro videogames e computadores. Olhando por cima, ler parece chato. Então, como ajudar as crianças a sentirem o prazer da leitura? Olhando por cima, ler parece chato. Você está basicamente sentado encarando um maço de papéis por um longo tempo. Então, como ajudar as crianças ver a magia e possibilidades infinitas que estão escondidas nestas páginas?

Em MindShift, algumas sugestões (listadas abaixo) que podem não garantir curar todo o desdém de algumas crianças pela leitura, mas com certeza vão colocar você e sua família na direção correta.

Passos para desenvolver leitores:

De acordo com pesquisas realizadas em escolas dos Estados Unidos, três quartos dos pais reportam que gostariam que os filhos lessem por diversão. Mas como fazer isso?

Mesmo não sendo só uma alternativa, tem algumas atitudes que as famílias podem fazer para encorajar as crianças a ler, diz o Professor Psicólogo da Universidade da Vírginia, Daniel Willingham, em seu livro Raisiing Kids Who Read: What Parants and Teachers Can Do. A primeira delas é repensar suas razões por querer que seus filhos leiam mais.

Willingham quer que os pais reimaginem a leitura como tendo menos a ver com escola e mais com um prazer. Em vez de dizer as crianças que ler vai melhorar suas notas e ajudar na carreira, devem tornar a leitura parte de um valor familiar maior:o amor por aprender.

“A leitura é parte de um contexto mais amplo de valores que os pais comunicam às crianças”, disse Willingham. “São famílias que valorizam aprender coisas novas. E não apenas no contexto da escola. ”

Quando aprender sobre o mundo através dos livros se torna um valor familiar em vez de uma responsabilidade da escola, os pais não são mais vistos como executores: em vez disso, eles são os aproveitadores, Willingham sugere. As crianças podem então absorver a mensagem de valores, “a leitura é importante para quem somos; ler é o que fazemos.

DISPOSITIVOS DE LEITURA E DIGITAL

Modelar um bom comportamento de leitura também funciona, disse Willingham, em que uma criança pode observar que mamãe ou papai devem gostar de ler, então talvez eu também gostaria de ler. A modelagem pode ser feita até mesmo com o seu celular ou iPad, disse Devorah Heitner, pai de dois e autor de Screenwise: Ajudando Crianças a prosperar em seu mundo digital – apenas diga aos seus filhos o que você está fazendo quando está sentado no sofá, olhando para o seu telefone. “Eu faço muitas leituras na internet e em outras formas de exibição na tela”, ela disse, embora também passe bastante tempo em mídias sociais e jogos. “Então, quando estamos modelando hábitos de leitura para nossos filhos [e você está no seu telefone], informe a eles o que você está lendo. Eles não poderão dizer apenas olhando para você. ”

Uma coisa que Heitner adverte é criar uma mentalidade de Telas vs. Livros, em que os pais podem ser tentados a recompensar a “leitura real” com o tempo de tela. (Willingham também aconselha a pisar levemente com qualquer recompensa pela leitura, embora ele diga que às vezes possa ser usada) No entanto, os pais muitas vezes sentem que os dispositivos digitais competem pelo tempo que as crianças usariam para ler e estão procurando orientação.

O professor de inglês do ensino médio, Jarred Amato, sabe que, para seus calouros de Nashville, os telefones celulares são de fato uma barreira para a leitura. Em um post recente no blog intitulado “O que os 100 alunos do nono ano me disseram sobre o porquê de não lerem”, Amato relata uma pesquisa com estudantes e confirma o que ele já sabia: embora os alunos citam muitas razões para não ler – não consegue encontrar um silêncio lugar em casa, outras responsabilidades e atividades – os telefones celulares assumem a máxima prioridade.

“O vício em telefones celulares é, de longe, o motivo número um pelo qual meus alunos disseram que não liam”, disse Amato. “Eles são quase impotentes para isso. Não é apenas um problema de crianças – adultos e crianças estão lendo menos em todo o mundo. E acho que há um valor em conversar com os alunos sobre isso. “Na esperança de reconectar um hábito, Amato tem feito com que os alunos guardem seus telefones e pratiquem a leitura silenciosa em sua aula com qualquer livro que eles gostem, esperando que façam o mesmo. mesmo por alguns minutos – em casa.

Willingham disse que com o tempo as crianças são adolescentes, quando o aumento da autonomia e atividades sociais lotam seus dias, incentivar a leitura pode ser uma batalha difícil, então é melhor incutir o “valor da família” cedo, quando as crianças passam mais tempo com os pais. E embora ele tenha dito que há pesquisas para comprovar como a chegada da televisão mudou os hábitos de leitura, para os dispositivos digitais, pode não ser tão cortada e seca – afinal, as crianças vêm encontrando outras coisas por muito tempo.

“Não é o caso que houve essa idade de ouro da leitura, nos velhos tempos”, disse ele, rindo. “Eu penso em mim mesmo crescendo nos anos 70, e quem está enganando quem? Se eu quisesse andar com meus amigos, eu queria andar com meus amigos. Nós não gostamos de olhar um para o outro e dizer, bem, não temos nada para fazer, vamos ler! Nós tínhamos outras maneiras de matar o tempo, mesmo que não tivéssemos o X-Box. ”

Embora ler mais melhore o desempenho escolar, essa não a única vantagem. Habilidades de pensamento crítico, empatia e um método de relaxamento estão no topo da lista. No começo seu filho pode ler somente porque não tem escolha, mas Baumert está otimista de que ele encontrará o livro que “inflama” o amor pela leitura. Ela também adorava ler quando criança, e ainda acha que a leitura a ajuda a relaxar e descomprimir.

O que é importante é tentarmos não só com palavras, mas com exemplos. Se os pais amarem a leitura, fica muito mais fácil. Então podemos criar famílias que valorizem e incentivem o prazer de aprender e ler

Saiba porquê estas adolescentes são colecionadoras de livros

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A paixão pela leitura das colecionadoras de livros. | Foto: Hermann Traub/Pixabay

Tatiana Marin, no Midiamax

O insetinho que desperta o prazer pela leitura está picando os adolescentes desta geração. Mesmo com um leque de dispositivos eletrônicos a disposição, a paixão pelos livros acomete os jovens com esta “doença” saudável que é o vício pela leitura e as fazem ser colecionadoras de livros.

Em 2015 a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livros revelou um dado interessante. Entre os que afirmam que leem por gosto, a grande maioria compõe-se e adolescentes entre 11 e 13 anos (42%) e crianças de 5 a 10 anos (40%).

Outro indicativo é o perceptível aumento de esforços do mercado editorial direcionado aos jovens. Sagas e coleções infanto-juvenis vem ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras das livrarias e, com isso, impulsionam os ávidos jovens leitores em busca dos novos lançamentos.

Em mais um capítulo do especial sobre bibliotecas e a Lei 12.224, contamos um pouco sobre adolescentes que amam ler e são colecionadoras de livros.

“Sair da realidade”

Com a meta de ler 50 livros em 2018, Fernanda Sanches Machado Rocha, de 13 anos tem no mínimo 40 livros em sua estante – entre eles, 5 em inglês -, mas este número não representa a quantidade de livros que já leu. “Eu só guardo os meus preferidos, os outros eu troco no sebo”, diz ela. Até o momento, Fernanda já leu 29 livros.

“Sempre gostei de ler e lia gibi, mas parei de ler por um tempo”, conta ela. Mas o livro de fantasia “Enraizados” recobrou a avidez pela leitura. “Depois que li este livro pensei ‘ler é tão legal, porque eu parei?’”, questionou-se. Ela também lê livros digitais, mas prefere os de papel.

“Livro para mim é um jeito de sair da realidade, a gente pode entrar em qualquer história e se perder totalmente. Leitura é uma coisa que muda a vida. Quanto mais a gente lê, mais forma seu caráter. É um jeito diferente de se divertir, se entreter e escapar do celular”, define

Alguns dos livros de Fernanda. | Foto: Arquivo Pessoal

A mãe de Fernanda, a médica Magali da Silva Sanches Machado, de 54 anos, acha muito interessante este gosto pela leitura. “Ainda mais nesses dias de hoje que a gente vê eles no celular. Acho muito interessante ela gostar de ler. Abre um outro mundo, aumenta o vocabulário”, avalia Magali e conta que Fernanda até influencia os amigos.

O gosto da filha é tamanho que às vezes é preciso refrear os impulsos. “Se ela vai na livraria, quer comprar uns 4 ou 5 livros, então às vezes dou uma segurada. Às vezes eu digo ‘não aguento mais comprar livro’, mas meu marido diz ‘não reclama’. A gente fala assim brincando, mas gosto muito desse hábito dela”, explica.

“Um trem invisível”

A vida de leitora de Giovanna Pereira, de 14 anos, é dividida entre a época em que apenas gostava de ler e agora, que é viciada em leitura. O responsável por isso foi um livro dado de aniversário pela avó. Nos nichos do seu quarto estão distribuídos cerca de 60 livros, entre os que leu a pedido da escola e os que comprou e ganhou. Ela não se desfaz de nenhum. “Eu tenho dó”, explica.

Neste ano ela já leu 11 livros e tem 17 publicações na sua lista de desejos. Mas seu sonho de consumo é a coleção “Instrumentos Mortais”. “Não é de terror”, adverte, “mas tem tema sobrenatural”, adiciona.

Vitória Gomes Rodrigues, de 14 anos, é outra das colecionadoras de livros e tem um acervo um pouco menor, com cerca de 30 livros. Ela conta que na 6ª série sua família mudou-se de cidade e na nova escola havia um projeto de leitura nas férias. “A escola de antes não incentivava a leitura”, conta.

Com a incumbência da escola para as férias, ela não só escolheu e leu o livro, como descobriu a paixão pelas histórias. “Eu achei um livro com histórias de garotas normais, baseadas em histórias das princesas, eu gostei muito”, relata ela.

400 livros

Júlia Mazzini ainda não é adolescente, tem 9 anos, mas quando chegar lá vai bater, não só os da sua idade, mas também adultos. Na verdade, já bate. Segundo seu pai, o jornalista André Mazzini, “ela já deve ter lido uns 400 livros. Ela tem muito mais livros do que eu e minha esposa já lemos na vida inteira”.

Júlia lê desde os 3 anos. | Foto: Arquivo Pessoal

Também, pudera, Júlia aprendeu a ler e escrever aos 3 anos. “Começou o fascínio desde então. Minha esposa, que é pedagoga, e eu sempre lemos muito e temos muitos livros em casa”, afirma o jornalista. “Este gosto dela começou a se espalhar para outros mundos. Ela ganhou o concurso nacional de redação da Folha de São Paulo aos 6 anos”, conta o pai.

“Eu gosto da sensação de entrar no personagem, é uma viagem que se faz sem sair do lugar, a gente mergulha como se fosse uma lagoa e se esquece do mundo”, descreve Julia, que prefere os grandes livros, “com mais história”.

Ao ser perguntada sobre qual livro ela está lendo no momento ela responde: “vários”. Simples assim. Alguns deles são “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que faz parte da coleção que ela está terminando. Ainda tem “Pax”, que está lendo com a mãe e, com o irmão mais novo, está relendo “Felizmente o Leite”.

O pai percebe o benefício que a leitura trouxe à filha. “Ela consegue desenvolver diálogos de reflexões muito interessantes com a gente por conta da leitura. Consegue lidar com os sentimentos, situações adversas, na escola ou em outro ambiente. Ela tem a capacidade de refletir sobre o que acontece, o que é um tanto incomum com a maioria das crianças, e acredito que isso seja devido à leitura”, pontua.

Por que ler é cada vez mais importante

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Publicado em O Povo

O que se espera de um corretor de imóveis? Além de conhecimento técnico do assunto, desenvoltura para apresentar bem um produto e uma boa dose de empatia e criatividade. Habilidades que nem sempre são aprendidas em sala de aula. Pelo menos não foi assim com a jovem Elisiane Rocha, de 31 anos. “Eu era uma pessoa extremamente tímida, tinha muita dificuldade de falar em público. Foi nos livros que aprendi a perder este medo, quanto mais eu lia, mais me sentia mais segura para falar sobre diversos assuntos. Também me inspiro em algumas histórias para apresentar o imóvel de forma diferente”.

A corretora Elisiane Rocha conta que até se inspira em algumas histórias que lê para apresentar um empreendimento MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO

A corretora Elisiane Rocha conta que até se inspira em algumas histórias que lê para apresentar um empreendimento MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO

Hábitos como o da Elisiane, apesar de serem fundamentais para o desenvolvimento da carreira, não são tão comuns no Brasil. Uma pesquisa divulgada ano passado pelo Instituto Pró-livro, em parceria com o centro de pesquisas Ibope Inteligência, mostra que apenas metade dos brasileiros lê com regularidade. No Nordeste, este percentual é de 51%. Porém, esta prática é mais frequente entre os que possuem nível superior.

Em parte porque desde muito cedo a forma como estes livros são apresentados às crianças é feita de forma impositiva, obrigatória, explica a técnica de leitura e literatura do Sesc Fortaleza, a pedagoga Lúcia Marques. “O que é um erro. A leitura tem que ser algo prazeroso. Gostar de ler é uma questão de incentivo e oportunidade”.

Para ela, quem lê por prazer, tem mais chances de se tornar um profissional bem sucedido. “Quem lê mais, escreve bem, tem um vocabulário mais rico, se expressa melhor e, com certeza, aprende mais. E isso vale para qualquer instância da vida”.

A editora executiva da Fundação Demócrito Rocha, Regina Ribeiro, explica, que de um modo geral, um bom leitor pode se desenvolver mais rapidamente num espaço de tempo menor. Ela pondera que a leitura sozinha não faz milagres. Mas afirma que, entre os leitores, é fácil detectar certa “autonomia mental” que pode ser muito importante na hora de lidar com produtos que exigem criatividade. “Em qualquer área ou empresa uma pessoa com boa prática de leitura tem condições de agregar. No mínimo, terá uma boa conversa”.

Também destaca que pesquisas em Harvard mostram que mesmo a literatura de ficção é recomendada para melhorar a performance em muitas áreas. “Não existe uma receita pronta. Cada pessoa poderá ler o mesmo livro de uma forma diferente. No geral, a leitura contribui com a imaginação, com um melhor uso das palavras e um refino na capacidade de ser irônico e bem humorado. E não tem coisa pior do que viver sempre num mundo literal e sisudo, principalmente no trabalho, onde ficamos tantas horas por dia”.

Uma pequena biblioteca está fazendo a diferença em Granada

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West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

Lú Sampaio, no Global Voices

Existe uma biblioteca em Granada fora do comum. Foi fundada por um escritor, um grupo da igreja e por um grupo de ação social chamado Groundation GrenadaMt. Zion é uma pequena biblioteca que está promovendo a cultura do voluntariado, o que não é comum no Caribe, incentivando a juventude não apenas a se envolver, mas também a aprender a gostar de ler.

O foco do projeto são os jovens, o que é especialmente importante após o relatório sobre desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,de 2009, mostrar que Granada possui a mais alta taxa de pobreza dos países ingleses do Caribe. A juventude é a mais prejudicada, a situação econômica afeta sua escolaridade e empregabilidade. A taxa de desemprego no país, atualmente, está em torno de 40%.

A Mt. Zion está transformando os serviços bibliotecários em uma opção de carreira viável e sendo o bônus uma nova geração que está se apaixonando pela leitura.

Groundation Grenada compartilha um exemplo: Alesia Aird, 20 anos, cantora e artista que não se parece em nada com uma bibliotecária convencional. Ela escuta o ícone do reggae jamaicano Peter Tosh e sua música consciente e se parece mais com a Lauryn Hill do que com a Nancy Pearl. No entanto, ela passa a maior parte de seu tempo livre voluntariando na biblioteca e se apaixonou por literatura indiana contemporânea e por obras de ficção científica.

Groundation explica:

Alesia nem sempre foi leitora. Na verdade, ela relembra que a leitura parecia uma punição, algo que era forçada a fazer. Descreve sua experiência na escola sendo similar a ensinar um peixe a subir em uma árvore, já que o sistema escolar não conseguiu reconhecer e aplicar diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.

Então, como um não leitor se candidata a voluntário de uma biblioteca? Pouco a pouco, como se vê. Um amigo pediu-lhe para ajudá-lo na classificação de alguns livros. Ela concordou e se deixou levar pela “boa vibração” do que dizem as pessoas envolvidas no projeto. Diz que o que a fez ficar foi “o sorriso dos leitores que se converteram depois da leitura de um livro de que gostaram”.

Aird está convencida que a biblioteca Mt. Zion é especial, não apenas pela paixão dos voluntários, mas também pela “sua localização [no coração de St. George] e sua origem, que dão à biblioteca características únicas e pouco convencionais”.

A popularidade da Mt. Zion continua crescendo – dois novos membros se registram por dia – especialmente os mais jovens, que lá encontram um espaço de apoio, onde podem trocar ideias e serem eles mesmos.

dica do Tom Fernandes

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