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Cresce número de estrangeiros em programa de intercâmbio da USP

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J. R. Penteado/UOL

O francês Olivier Dhavid, há um ano e meio na USP, faz estágio e pensa ficar para o mestrado / J. R. Penteado/UOL

J. R. Penteado, no UOL

Fruto do aumento da importância do Brasil no cenário internacional ou da crise nos países desenvolvidos, o fato é que o número de alunos estrangeiros estudando na mais renomada universidade do país, a USP (Universidade de São Paulo), tem crescido de forma constante nos últimos quatro anos.

Em 2009, eram 690 os estudantes que faziam intercâmbio na universidade. Em 2012, esse número saltou para 1088. Neste ano, o ritmo se acelerou e agora são 1427, um aumento de 31% em relação ao ano passado. O balanço, no entanto, é provisório, pois as matrículas ainda estão em andamento e a universidade costuma receber mais estudantes no segundo semestre.

No mesmo período, a quantidade de estudantes brasileiros da USP enviados ao exterior teve um crescimento parecido: eram 926 em 2009 e 1200 no ano passado.

De acordo com a VRERI (Vice-Reitoria Executiva de Relações Internacionais) da USP, o crescimento levou a reitoria a orientar que todas as unidades da universidade criassem escritórios próprios de relações internacionais para mediar os intercâmbios com instituições estrangeiras.

Segundo a USP, além do aumento do interesse pelo país, outro fator que contribuiu para o maior fluxo de intercambistas foi o fato de universidades mais tradicionais, como as dos Estados Unidos e do Reino Unido, terem ficado mais caras. Também pesou o aumento no número de convênios fechados entre as unidades da USP com universidades estrangeiras e a boa colocação da universidade nos rankings que medem a qualidade de instituições universitárias no mundo. No ano passado, a USP ficou em primeiro lugar em uma lista das melhores universidades da América Latina.

Gringos
O estudante Jarryns Cabezas, 22, veio de Lima, no Peru, onde fazia curso de Produção, Qualidade e Marketing na PUC (Pontifícia Universidade Católica) local. Chegou a São Paulo no dia 15 de fevereiro e diz pretender ficar entre 6 a 7 meses, assistindo aulas na Escola Politécnica. “A USP é uma universidade importante, com um reconhecimento mundial. É a primeira no ranking do continente. Amigos que estudaram aqui antes me recomendaram”, disse, justificando a sua escolha pela USP. Sobre a estadia no Brasil, ele contou ter boas expectativas. “Espero aprender muito, f­azer amigos, e viver as diferenças culturais.”

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A posição da USP como a melhor universidade da América Latina atraiu a chilena Gabriela Morales, 23, que veio com o namorado, Augustín Benavides

Luis Duarte, 23, veio de Portugal, onde estudava Engenharia Informática na Universidade da Madeira. “Queria fazer intercâmbio em um lugar mais longe possível das minhas origens. Resolvi então vir para o Brasil, e para a USP, que é bastante reconhecida mundialmente.” Duarte também falou que planeja um tempo de estadia entre 6 a 7 meses. “Quero fazer quatro matérias e depois tirar um tempo para conhecer o país.”

A chilena Gabriela Morales, 23, veio da Universidade de Valparaíso, no Chile, onde fazia Engenharia de Produção. Ela não chegou sozinha – está acompanhada de seu namorado, Agustín Benavides, que também faz intercâmbio. Gabriela é outra que menciona o bom posicionamento da USP no ranking de universidades. “A USP é a primeira da América Latina e isso contou muito. Também tenho amigos que estiveram aqui no ano passado e que me recomendaram. Disseram que as aulas e os professores eram muito bons.” As recomendações, porém, não se restringiram somente à natureza acadêmica da instituição. “Contaram para nós que aqui tem festas toda quinta, sexta e sábado. Estamos esperando para ver.”

O francês Olivier Dhavid veio da cidade de Lille, na França, mas há mais tempo – está na USP há um ano e meio. Lá, estudava engenharia na universidade Centrale Nantes. “Vim porque é a melhor universidade da América Latina e também para poder aprender outra língua”, revela. O fato de o Brasil viver um crescimento econômico também foi um atrativo. “Aqui faço estágio em uma pequena empresa que faz túneis, e projetos na área de engenharia civil não faltam. Isso se deve ao bom desenvolvimento do país”. Apesar de criticar um pouco a “desorganização” local, Olivier diz que gosta da sociabilidade dos brasileiros, e pensa até em estender sua estadia, que inicialmente seria até julho deste ano. “Gosto muito da universidade, os professores são muito bons. Tenho até pensado em fazer mestrado e doutorado por aqui”, conta.

Boas vindas
Para recepcionar e auxiliar os intercambistas de outros países que chegam à Poli, alguns estudantes criaram o Escritório Politécnico Internacional, conhecido como “iPoli”. “Nosso papel é o de receber os alunos estrangeiros, auxiliar com documentos, dar informações e até ajudar a inseri-los socialmente. Fazemos coisas como buscar no aeroporto e organizar passeios pelo centro da cidade”, conta Giulia Avallone, 18, uma das integrantes do iPoli. A entidade também assiste os estudantes brasileiros que queiram estudar no exterior. “Agora mesmo estamos organizando uma semana de palestras, onde vamos explicar aos alunos que queiram estudar fora quais os procedimentos que eles devem tomar”, revela.

Veja como evitar gafes no cotidiano de outros países aqui.

Microeditoras oxigenam mercado com livros de alta qualidade

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Livros de microeditoras variadas à venda na sede d'A Bolha, na antiga fábrica de chocolates da Bhering, no Rio

Livros de microeditoras variadas à venda na sede d’A Bolha, na antiga fábrica de chocolates da Bhering, no Rio

Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

Houve um tempo em que aquela fábrica, na zona portuária do Rio, era célebre pelos chocolates que produzia e por doces como toffees de caramelo e as balas Boneco, guloseima sabor framboesa.

A fantástica fábrica de chocolates se foi. Mas quem sobe os cinco estreitos lances de escada que levam ao terraço da antiga Bhering, em Santo Cristo, encontra lá no topo um galpãozinho amarelo onde se produzem alguns dos melhores confeitos do mercado editorial brasileiro.

É ali que fica A Bolha, caprichosa editora de livros de arte, quadrinhos e ficção contemporânea que tem só duas funcionárias, suas sócias, a mineira Rachel Gontijo e a californiana Stephanie Sauer.

São elas que escolhem os títulos, negociam direitos, encomendam traduções, editam, cuidam da produção, impressão e, a partir de março, venderão os livros pedalando pela zona sul do Rio num triciclo batizado de A Bolha Móvel.

No bauzinho dessa minilivraria móvel viajarão obras de artistas e escritores de Finlândia, Reino Unido, França, Moçambique, Estados Unidos, Argentina e Canadá.

Criada há um ano e meio, a editora já publicou 15 títulos. Só dois são de brasileiros.

Um deles é o livro de arte “Talvez o Mundo Não Seja Pequeno”, com desenhos do brasiliense Virgílio Neto, 26. O outro é “The Obscene Madame D”, de Hilda Hilst.

Publicado em parceria com a editora nova-iorquina Nightboat Books, a versão para o inglês de “A Obscena Senhora D” é a primeira de uma série de obras de Hilst (1930-2004). Logo virão volumes gringos de “Cartas de um Sedutor” e “Fluxo-Floema”.

A ligação d’A Bolha com os EUA não é fortuita. Foi lá que as fundadoras se conheceram, em 2006, quando estudavam na escola do prestigiado Art Institute of Chicago.

O inglês também é a língua que a brasileira Rachel, 34, escolheu para se expressar como escritora. Sua ficção já apareceu em boas publicações alternativas de língua inglesa, como “Action Yes”, “Everyday Genius” e “Mandorla”, e será neste idioma seu primeiro “romance”.

As aspas ela mesma é quem sugere. “Primary Anatomy”, ficção relacionada com livros de anatomia, será um livro sem um gênero muito definido.

CATÁLOGO

São assim boa parte das obras da editora. O “best-seller” da casa, por exemplo, se chama “Vá para o Diabo”, do argentino Federico Lamas.

Do tamanho de uma caderneta de telefone, o livrinho tem apenas desenhos. Quando vistos através de um slide vermelho, mostram algo diferente (um simpático rapaz vira um lobisomem, Frida Kahlo vira Diego Rivera sentado sobre um crânio).

No catálogo d’ A Bolha, há espaço para um livro em capa dura sobre jazz (do americano Studs Terkel), um livreto brochura apenas com desenhos de um rapaz fazendo sexo com neve (“Ice Fuckers”, do francês Frédéric Fleury), para o quadrinho “udigrudi” de Gary Panter (“O Babaca”) e para um delicado romance sueco chamado “A Traidora Honrada”, de Tove Jansson.

Bem acabados, os livros são impressos em tiragens pequenas, em geral de mil exemplares. Não são comercializados em livrarias tradicionais, mas pelo site da editora e em lojas como a da estilista Isabela Capeto e a livraria Blooks (no Rio), além da paulistana Loja da Iara.

A Bolha também vende livros em sua sede, onde organiza animados microeventos culturais. Todo sábado, a editora realiza o happy hour “Hora Feliz”. No próximo dia 26 de março, no mesmo espaço, ela promoverá seu festival de cinema. É o “A Bolha Open Air – o menor festival de cinema ao ar livre do Rio”.

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ONDE COMPRAR

A Bolha
Pelo site abolhaeditora.com.br; na sede da editora, na r. Orestes, 28, no Rio; ou em lojas do Rio como Blooks e Isabela Capeto

Mínimas
Pelo editoraminimas.com ou em lojas selecionadas no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte (inf.: [email protected])

Arte e Letra
Pelo arteeletra.com.br ou na al. Pres. Taunay, 130, Curitiba

Cultura e Barbárie
Pelo culturaebarbarie.org

Demônio Negro
Pelo demonionegro.com ou no espaço cultural Intermeios, na r. Luis Murat, 40, São Paulo

Foto: Leonardo Wen/Folhapress

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