Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged grupo

Mulher se torna a primeira cigana a ter doutorado na América Latina

0

cigana

Rodolfo Lucena, em Folha de S.Paulo

Mãe de três filhos, Paula Soria é a primeira mulher cigana a concluir o doutorado na América Latina. Fugiu de seu grupo aos 15 anos, quando os pais queriam obrigá-la a se casar.

Sobreviveu com apoio externo e com as artes ciganas; assim que pode, retomou a educação formal. Sua tese sobre literatura e identidade romani foi aprovada no mês passado na Universidade de Brasília.

Fugi do meu grupo cigano quando eu tinha 15 anos, meus pais queriam me casar e eu não aceitava, queria continuar estudando. Ainda hoje as meninas se casam muito cedo, com 14, 16 anos. Não é uma coisa fácil. Depois que passa, é emocionante; na hora, não, é de desespero.

Naquela época, estávamos na Bolívia, trabalhávamos com ouro, então se ia muito a Potosí. Saí com a bagagem que tinha, algum ouro. Também sabia ler mãos, colocava cartas, era a minha ferramenta de sobreviver.

Quando a gente é romà –a denominação que os ativistas usam, a gente não usa o termo cigano– trabalha desde criança. Trabalhar é um negócio que está na sua vida. Fui palhacinha de circo quando pequena, vendia coisas na rua, a gente faz de tudo. Nossa formação é para saber se virar na vida, saber viver. Geralmente as pessoas fazem três, quatro coisas, cinco atividades.

O grupo sempre rejeitou a escrita, o letramento, a escolarização dos filhos. A opção por isso era para não se aculturar, para que o grupo sobrevivesse, apesar de todas as perseguições, tentativas de genocídio cultural e étnico.

Não se sente a escola como obrigatória. Algumas mães, alguns tios até tinham noção de que seria bom ter alguém que soubesse ler ou escrever no grupo. Mas não ficar estudando; aprender um pouquinho, o suficiente para assinar o nome, fazer uma conta, para tirar uma carteira de motorista no futuro, não sei, qualquer coisa.

Eu pude ir. Ao frequentar a escola, comecei a tomar gosto. Faltava muito às aulas, mudava muito de escola, porque o grupo tinha uma vida nômade. Por estar sempre viajando, nem sei bem onde nasci.

Quando criança, alguns velhos me diziam que havia sido em uma estrada na Argentina, outros diziam que essa estrada era na Bolívia, outros que havia sido em uma estrada no Brasil. O que importava é que tinha sido em uma estrada.

A grande maioria deles não tinha documentos –alguns ainda não têm. O que importava é que eram romà. Aos dez anos, estando no Brasil (de onde saí e para onde voltei diversas vezes) ganhei papeis brasileiros e comecei a estudar.

Deixaram que eu fosse à escola. Mas, na hora de casar, teria de deixar a escola. Então houve a ruptura. O grupo não vê com bons olhos a pessoa que se desenvolve individualmente.

Quando eu fugi, tive de aumentar minha idade. Eu tinha amizades fora do grupo, era querida por pessoas não romãs, elas me ajudaram. De lá passei pela Argentina, vim para cá… Viajar para mim é muito mais fácil; não se acomodar a uma situação não foge muito de nossa realidade.

Aqui no Brasil, casei com um não romà, uma pessoa que tinha esse espírito, não sendo Roma, de andar. Pude então adiantar os estudos. Com apoio de fora ficou muito mais fácil. Fiz jornalismo em Honduras, me formei em artes cênicas na Universidade de Brasília.

Hoje moro em Brasília. Tenho contatos com meu grupo –a maior parte está na Argentina, há uma parte na Espanha. Tenho três filhos, estão todos na universidade, e eu quero seguir a vida acadêmica.

Estudo a literatura cigana há mais de dez anos, desde antes do mestrado –fui a primeira mulher cigana com mestrado na América Latina, agora sou a primeira com doutorado. Que eu saiba, há aqui no Brasil um homem doutor, especialista em biologia, e duas mulheres na Espanha.

Há muitos escritores, mas estão dispersos. Não tem como pensar em literatura romaní sem pensar no mundo inteiro. Trabalhei com cinco nacionalidades: canadense, francesa, húngaro, argentino e alemão; não há nada no Brasil.

Os romà são uma nação transnacional; a representatividade é assim, em várias nacionalidades. A literatura romaní é um lugar de construção identitária. Não está atrelada ao ativismo, mas boa parte dos escritores assume uma postura ativista, trazem as vozes do povo.

Decidi ter o próprio grupo como tema. Foi muito sofrido. Ninguém faz essas rupturas sem sofrer demasiado, enfrentar a rejeição dos seus mais queridos.

Hoje mantenho contato, eles me dão algum apoio, conseguem compreender a importância do que eu faço hoje, mas isso não mudou a realidade. Eles continuam sem estudar, mas algumas crianças já estão indo para a escola. Isso já é uma vitória.

Termo “cigano”

A nova doutora em literatura Paula Soria diz que os ativistas evitam usar o termo “cigano”, que tem conotação negativa. Mas, como “romà”, a palavra politicamente correta para identificar o grupo, é pouco conhecida, optou por usar os dois na abertura de sua tese.

“‘Juncos ao Vento’: Literatura e Identidade Romani (Cigana)” é o título do trabalho que foi aprovado pela banca da Universidade de Brasília no mês passado. Ela explica que o termo romà foi estabelecido no Primeiro Congresso Romani Internacional, realizado em 1971 em Londres.

O congresso também definiu “a luta pelo reconhecimento de ser um povo diaspórico, possuidor de uma raiz comum indiana e de se constituir numa nação transnacional estabelecida no seio de outras nações, nas quais são minorias étnicas”.

Os termos usados pelos ativistas, explica Soria, são rom para cigano, romà para ciganos, romani para cigana (adjetivo) e romaní (com acento no i) para a língua, além de romí (para cigana, a mulher).

O vocábulo romà é proveniente da denominação de um dos grupos -os rom- e significa originalmente “homens” em romaní. Os romà hoje se dividem em rom, sinti e calés (ou calons no Brasil); há várias subdivisões.

Cerca de 200 mil alunos não conseguem renovar contratos do Fies

0

Prazo para 1,9 milhão de estudante que tinham o crédito estudantil em 2014 fazerem a renovação terminou na segunda-feira

liberf

Publicado em O Globo

Instituições de ensino calculam que cerca de 200 mil alunos não conseguiram renovar, ainda para o primeiro semestre de 2015, os contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Amábile Pacios, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), informou que a estimativa envolve estudantes que iniciaram o processo de aditamento, mas não conseguiram concluir por algum problema no sistema.

O prazo para 1,9 milhão de alunos que tinham o crédito estudantil em 2014 fazerem a renovação para este ano terminou na segunda-feira.O Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao MEC que administra o Fies, afirmou que um balanço deve sair apenas na próxima semana, mas destacou que “esse número de 200 mil (contratos que não foram aditados) nos parece irreal”.

— Fica uma situação difícil para o aluno e para a instituição. O segundo semestre está começando e nós não temos soluções para os problemas do primeiro semestre. O governo fala em 100 mil aditamentos que não foram feitos, nossa estimativa é de 200 mil — afirmou Amábile.

Os aditamentos do Fies foram marcados, este ano, por problemas. No início de 2015, a plataforma digital acessada pelos alunos para fazer a renovação dos contratos ficou fora do ar. Depois, entre janeiro e fevereiro, instituições e estudantes se deram conta de que havia uma trava no sistema, impedindo aditamentos de cursos que sofreram reajustes superiores a 4,5%, o que foi confirmado pelo governo.

O teto acabou sendo elevado, ainda na gestão do então ministro da Educação Cid Gomes, para 6,41%. Mesmo assim, problemas persistiram, porque nem todas as instituições respeitaram o patamar. Ações na Justiça questionaram o novo limite. Em meados de março, porém, o sistema passou a aceitar renovações acima do teto imposto.

Apesar disso, nem todos os aditamentos foram feitos dentro do prazo inicialmente estipulado, que era 30 de abril. O período foi prorrogado para 29 de maio, depois estendido para 30 de junho e, por último, 20 de julho. Outro problema é que os aditamentos feitos acima de 6,41% saíram com a condição de “preliminar”, preocupando os estudantes.

O FNDE informou aos alunos que, nos aditamentos feitos como preliminar, “o crédito a ser repassado às instituições de ensino superior será limitado a 6,41% de reajuste”, acrescentando que “eventual pagamento da diferença de reajuste acima de 6,41% ficará retido” até a conclusão das análises feitas por grupo de trabalho formado por FNDE, MEC e Ministério da Justiça, em 20 de março, para identificar correções abusivas por parte das instituições.

Mas, até agora, nenhuma análise do grupo de trabalho foi tornada pública. Na última terça-feira, o prazo para que as pastas apresentassem os resultados foi prorrogado pela segunda vez, por mais 60 dias. O FNDE afirmou que ainda não tem informações sobre o que foi feito pelo grupo de trabalho. E que, na semana que vem, poderá ser levantado o número de contratos aditados em caráter preliminar.

Professor universitário é criticado por fazer comentário machista em grupo no Facebook

0

Em conversa com O GLOBO, docente reconheceu o erro e enfatizou que frase não o representa

facha

Publicado em O Globo

O comentário de um professor da Faculdades Integradas Helio Alonso (Facha), no Rio, criou polêmica nas redes sociais. Tudo começou com uma publicação, num grupo fechado para estudantes e alunos da instituição, que perguntava aos membros o que eles achavam da campanha “Homens que amamos”, da marca de esmalte Risqué, cujos produtos foram batizados com nomes como “André fez o jantar”, “Leo mandou flores” e “Guto fez o pedido”. Muitos integrantes do grupo responderam; Entre eles, o docente Pedro Murad escreveu:

“Pena que é um trabalho acadêmico… Eu sugeriria você colocar que isso é falta de sexo mesmo! (pra não dizer falta de pau)”.

A postagem do professor gerou repercussão e uma nota de repúdio assinada por diversos coletivos feministas. Em resposta, o professor afirmou ao GLOBO que não tinha percebido que era um grupo ligado à universidade, que nunca utilizou a rede social para outros fins que não a interação com seus amigos e que a resposta não passa de uma brincadeira que não representa o que ele acredita.

– Eu nunca usei o Facebook dentro do contexto da Facha, como professor. Foi um comentário equivocado. Achei que estava conversando com amigos, estava falando como Pedro, em um contexto de brincadeira. Não como professor. Além disso, o que está lá não representa o que eu penso. A galera que criticou mereceu uma retratação por minha parte. Fiz um texto e publiquei no mesmo grupo onde foi postado o comentário pela primeira vez – afirmou Pedro.

Na nota de repúdio da Pagu – Núcleo Feminista da Facha, a publicação do professor é criticada pelo desrespeito com as mulheres.

“Cremos ser inadmissível que um docente de uma instituição de ensino superior, que confiamos junto ao corpo acadêmico a nos fornecer conhecimento e formação intelectual, reduza uma questão séria, concernente a um curso ministrado na Facha, à uma frase simplista. Estamos extremamente decepcionadas com tal afirmação, uma vez que, diante de uma pesquisa sobre desigualdade de gênero, o professor recorre aos mesmos recursos preconceituosos e justifica pela falta de falo a razão para tal questão. Senhor professor, as mulheres, portanto, estão inaptas biologicamente a serem respeitadas por si próprias, uma vez que não nasceram com tal “pau” que o senhor sugere? Precisamos de relações sexuais com o sexo masculino para, assim, não nos manifestarmos?”, questiona a nota.

Em contato, a Facha não respondeu sobre o episódio.

Uma pequena biblioteca está fazendo a diferença em Granada

0
West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

Lú Sampaio, no Global Voices

Existe uma biblioteca em Granada fora do comum. Foi fundada por um escritor, um grupo da igreja e por um grupo de ação social chamado Groundation GrenadaMt. Zion é uma pequena biblioteca que está promovendo a cultura do voluntariado, o que não é comum no Caribe, incentivando a juventude não apenas a se envolver, mas também a aprender a gostar de ler.

O foco do projeto são os jovens, o que é especialmente importante após o relatório sobre desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,de 2009, mostrar que Granada possui a mais alta taxa de pobreza dos países ingleses do Caribe. A juventude é a mais prejudicada, a situação econômica afeta sua escolaridade e empregabilidade. A taxa de desemprego no país, atualmente, está em torno de 40%.

A Mt. Zion está transformando os serviços bibliotecários em uma opção de carreira viável e sendo o bônus uma nova geração que está se apaixonando pela leitura.

Groundation Grenada compartilha um exemplo: Alesia Aird, 20 anos, cantora e artista que não se parece em nada com uma bibliotecária convencional. Ela escuta o ícone do reggae jamaicano Peter Tosh e sua música consciente e se parece mais com a Lauryn Hill do que com a Nancy Pearl. No entanto, ela passa a maior parte de seu tempo livre voluntariando na biblioteca e se apaixonou por literatura indiana contemporânea e por obras de ficção científica.

Groundation explica:

Alesia nem sempre foi leitora. Na verdade, ela relembra que a leitura parecia uma punição, algo que era forçada a fazer. Descreve sua experiência na escola sendo similar a ensinar um peixe a subir em uma árvore, já que o sistema escolar não conseguiu reconhecer e aplicar diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.

Então, como um não leitor se candidata a voluntário de uma biblioteca? Pouco a pouco, como se vê. Um amigo pediu-lhe para ajudá-lo na classificação de alguns livros. Ela concordou e se deixou levar pela “boa vibração” do que dizem as pessoas envolvidas no projeto. Diz que o que a fez ficar foi “o sorriso dos leitores que se converteram depois da leitura de um livro de que gostaram”.

Aird está convencida que a biblioteca Mt. Zion é especial, não apenas pela paixão dos voluntários, mas também pela “sua localização [no coração de St. George] e sua origem, que dão à biblioteca características únicas e pouco convencionais”.

A popularidade da Mt. Zion continua crescendo – dois novos membros se registram por dia – especialmente os mais jovens, que lá encontram um espaço de apoio, onde podem trocar ideias e serem eles mesmos.

dica do Tom Fernandes

Go to Top