Contando e Cantando (Volume 2)

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Desligue a TV e vá ler um livro

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Publicado no Campo Grande News

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. (Foto: Marcos Ermínio)

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. (Foto: Marcos Ermínio)

Título original: Por 1 ano e meio ele aboliu a TV de casa e trocou os canais por vida diferente

Em março do ano passado as correntes que prendiam o decorador José Clovis Guerreiro, de 55 anos, foram quebradas. Longe de qualquer clichê, ele que é conhecido como Zezé Guerreiro, parou de só reclamar da programação da TV e resolveu abolir o aparelho de casa. O resultado foi 1 ano e meio longe da telinha, 20 livros lidos e a liberdade de não ter mais como patroa, a televisão.

“A TV nos prende muito e a programação é um horror. Sem a televisão se tem qualidade de vida, porque ela tem um poder que deixa você ligado o tempo todo. Você dorme pouco, dorme tarde…”, exemplifica.
Zezé conta que a rotina de só dormir depois que tal programa fosse visto chegou ao fim depois que ele levou o aparelho para uma casa que mantém no interior de São Paulo.

Foi há 15 dias que a protagonista que, hoje é coadjuvante na casa, voltou a ter espaço nos cômodos. O combinado foi que ela só voltaria para filmes e aos finais de semana, o que para ele não tem representado dificuldade nenhuma. “Comecei a descobrir muitas coisas e ler virou mania. Estou no meio de um livro e já vou comprando outro. Acostumei tanto que se eu fico sem ler me irrita”, relata.

A troca dos canais pelas páginas veio logo depois da ausência da ‘patroa’. O decorador começou a buscar a leitura a partir do momento em que a TV foi abolida. “Ela direciona muito o seu tempo, vira uma patroa na sua vida e determina seus horários”.

Aquele velho ditado caberia muito bem na vida de Zezé, adaptado para “quanto mais vejo TV, mas gosto dos meus livros”. Analisando as novelas de agora, o que a tela ensina, na visão dele, é maldade o tempo todo. “É um tal de um querer passar a perna no outro. Sempre achei que o ser humano gostasse mais das coisas erradas mesmo. Programa dá ibope quanto tem briga, coisa boa ninguém quer ver”, avalia. E há de se convir que ele está certo mesmo.

Nas conversas entre amigos e gente que desconhecida até então, o que ele mais viu foi nariz torcido e olhos arregalados quando vinha à tona a abolição assinada por ele dentro de casa. “Não, o quê? Mas você é crente? Como? Por quê? E eu dizia não, é uma opção. Falava com o maior orgulho”.

A história de ficar deprimido em frente à TV com o Faustão seguido do Fantástico, anunciando que o final de semana acabou também foi extinta da vida dele. “Eu não fico desesperado. Tem gente que já está até acostumada, para! Não deixa que ela determine a sua vida”, repreende.

Dos bate-papos em casa para um diálogo cada vez mais monossilábico. A televisão influencia até na convivência das famílias que vem deixando de trocar informações sobre o dia-a-dia para por em pauta a novela, por exemplo.

Desde criança, Zezé tinha horário para ver desenho e depois desligar o botão. De resto, a brincadeira era na rua mesmo. Bem oposto ao que ele vê hoje, de gente que não conversa e quando faz, se resume a um micro diálogo. “Se chega em casa e ‘tuf’ liga a TV. Hoje eu saio da onde ela está”.

O decorador assume que não foi e nem é fácil se desligar do bendito aparelho. Mas que o capítulo pós abolição foi envolto de leitura. “Aquele aparelho determinada alguma parte e de repente não determina mais. Então muda. É uma mudança de vida falar não para a TV e sim para o livro”.

Depois da quarentena, bem maior que o tempo proposto do termo chegou ao fim, ele colocou a TV de volta, mas sem tirar qualquer livro da estante. “Eu não vou perder o que conquistei, essa vontade de ler. Eu recomendo e muito, mas para o brasileiro isso é loucura. Se todo mundo fosse louco assim o mundo ia ser maravilhoso”. A paixão com que ele passa os relatos dá vontade de abolir também.

Conselho aprova proposta contra proibição de biografias não autorizadas

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Imagem: Google

Gabriela Guerreiro, na Ilustrada

O Conselho de Comunicação Social, instalado no Congresso Nacional, aprovou nesta segunda-feira (3) proposta que acaba com a proibição de veicular ou publicar biografias que não sejam autorizadas pelos biografados.

A proposta também sugere que um juiz não poderá decidir pelo recolhimento ou impedir a circulação de obras biográficas depois que elas já estiverem sendo comercializadas. O Conselho de Comunicação Social é formado por membros e funcionários de empresas de comunicação e da sociedade civil, com o objetivo de auxiliar os parlamentares em questões relacionadas à mídia por meio de estudos, pareceres e recomendações.

Pelo texto, a ausência de autorização não impediria a realização da biografia de pessoas cuja trajetória pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública. O texto não acaba com a possibilidade de eventuais indenizações aos biografados se houver ilícitos ou irregularidades na elaboração da obra –mas diz que não deve haver prejuízos à sua circulação.

“Ao juiz, fica vedado o recolhimento da obra. Depois se discute a indenização. Isso está em sintonia com a Corte Interamericana de Justiça. A privacidade de uma pessoa notória é diferente da privacidade de uma pessoa comum. Precisamos reconhecer os direitos da personalidade, mas precisamos também reconhecer o direito à realização de biografias que hoje se encontra restrito”, disse o relator da proposta, o advogado Ronaldo Lemos.

As mudanças se aplicariam, segundo o relator, às pessoas públicas ou cuja trajetória “pessoal, artística ou profissional tenha dimensão pública ou esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade”. “Para o indivíduo comum, vale a regra de que prevalece o direito à privacidade. Mas a esfera da privacidade de uma pessoa pública é menor”, disse Lemos.

O texto do relator, que é colunista da Folha e diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e do Creative Commons no Brasil, previa a elaboração de uma proposta legislativa para tramitar no Congresso com as mudanças. O conselho decidiu, porém, apenas encaminhar a proposta como recomendação aos presidentes da Câmara e do Senado — sem formalizar um texto para tramitar no Congresso, onde já correm três projetos sobre o tema.

A maioria dos conselheiros entendeu que não é atribuição do órgão elaborar propostas legislativas. “Não fomos chamados para tanto e que não temos competência para apresentar emendas a um projeto de lei”, disse o conselheiro Alexandre Jobim.

Pela legislação atual, uma publicação pode ser proibida caso o biografado não a autorize. Recentemente, a comercialização de uma biografia do cantor Roberto Carlos, já pronta, foi proibida após decisão judicial.

“Nos EUA, Michael Jackson e Barack Obama têm 160 biografias publicadas cada um. Discursos considerados problemáticos devem ser respondidos com mais discursos, e não com a proibição”, disse Lemos.

A proposta de Lemos preserva o direito do biografado de ingressar com ação judicial civil se houver abuso ou má-fé na elaboração da obra –ou se os autores adotarem meios ilícitos na divulgação, transmissão, exposição, publicação ou utilização de escritos, palavras e imagens de terceiros.

A proibição de biografias não autorizadas também é alvo de ação no Supremo Tribunal Federal, que questiona a constitucionalidade do artigo, por violar a liberdade de expressão. O conselho não tem competência para discutir essa ação.

RECOMENDAÇÃO

Com a decisão, o relator também vai encaminhar a proposta como recomendação aos deputados autores dos três projetos de lei que tramitam no Congresso sobre o tema. Os parlamentares podem, ou não, adotar a proposta sugerida pelo conselho.

Um dos projetos, de autoria do deputado Newton Lima Neto (PT-SP), altera o Código Civil para derrubar a proibição e determinar que a falta de autorização do biografado, sozinha, não pode impedir a publicação da obra.

Na última reunião do órgão, realizada nesta segunda-feira, foi aprovada proposta que altera artigos do regimento interno do conselho. A principal mudança formaliza a determinação para que propostas da sociedade civil não sejam encaminhadas diretamente ao órgão — mas ao presidente do Congresso, que as repassa ao órgão auxiliar do Legislativo.

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