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Chega às livrarias a primeira edição das obras do poeta Ruy Belo

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Português, que morreu em 1978, é considerado um dos maiores nomes da geração pós-Fernando Pessoa

Ruy Belo é tema de documentário em finalização, reunindo críticos e artistas como Chico Buarque, por quem o escritor tinha admiração. Divulgação

Ruy Belo é tema de documentário em finalização, reunindo críticos e artistas como Chico Buarque, por quem o escritor tinha admiração. Divulgação

Guilherme Freitas, em O Globo

RIO – Ruy Belo provavelmente acharia graça de ser incluído no panteão de grandes escritores portugueses. A poesia era para ele “um ato de insubordinação a todos os níveis”, e o poeta, aquele que “introduz a intranquilidade nas consciências, nas correntes literárias ou ideológicas, na ordem pública, nas organizações patrióticas e nas patrióticas organizações”, escreveu.

Mas é justamente por essas características que o autor, que completaria 80 anos em 2013, continua a conquistar leitores e críticos, mesmo 35 anos após sua morte. Agora, Belo está mais próximo dos brasileiros, que ganham a primeira edição nacional de suas obras completas, pela Editora 7Letras, e em breve poderão ver um documentário, do diretor português Nuno Costa Santos, em que intelectuais e artistas — entre eles Chico Buarque — comentam e declamam seus versos.

Coordenada pelo escritor e crítico Manoel Ricardo de Lima, autor de “Fazer, lugar: a poesia de Ruy Belo” (Lumme Editor), a coleção da 7Letras publicará até o fim deste ano todos os nove livros do português. Os três primeiros — “Aquele grande rio Eufrates” (1961), sua obra de estreia, “O problema da habitação” (1962) e “Boca bilíngue” (1966) — serão lançados nesta segunda-feira (15), às 19h, na livraria da 7Letras, em Ipanema.

Entre religião e política

Os nove volumes têm prefácios de poetas brasileiros, como Carlito Azevedo, Eduardo Sterzi, Júlia Studart, Tarso de Melo e o próprio Lima. Os textos sinalizam a relevância de Belo para autores nacionais. E fazem a ponte entre o leitor contemporâneo e o escritor que abominava quem buscava na poesia “coerência, evolução harmoniosa, enquadramento numa tradição”.

— Ruy Belo quase sempre é lido em torno de uma questão um tanto tardia da nacionalidade (“esse apontamento sempre antipático”, como disse Drummond) e de uma inserção seminal apenas na tradição da poesia que chamam portuguesa. Quisemos deslocar um pouco dessa afasia cansativa — diz Lima, professor de literatura na Unirio.

“Deslocamento” é palavra-chave na curta vida de Belo. Nascido em 1933, em família católica no vilarejo de São João da Ribeira, cursou Direito em Coimbra e Lisboa, estudou religião em Roma, e integrou por dez anos a Opus Dei.

Mais tarde, rompeu com a Igreja (passou a chamar esse período de “aventura mística”) e embrenhou-se nos debates literários e políticos de seu tempo. Fez oposição ao regime Salazar, perdeu uma eleição para deputado e chegou a se exilar em Madri por sete anos antes de morrer, em Queluz (Portugal), aos 45 anos.

As preocupações metafísicas e políticas deixaram marcas em sua obra. A espiritualidade está em poemas como “Homem para deus” (“ele vai só ele não tem ninguém/ onde morrer um pouco toda a morte que o espera”), de “Aquele grande rio Eufrates”, cujo título é uma citação bíblica. A militância está em versos como os de “Morte ao meio-dia”, em “Boca bilíngue” (“O meu país é o que o mar não quer/ é o pescador cuspido à praia à luz/ pois a areia cresceu e a gente em vão requer/ curvada o que de fronte erguida já lhe pertencia”).

Autor do prefácio de “Transporte no tempo” (1973), a sair este ano, Eduardo Sterzi identifica dois momentos na obra de Belo: um católico e outro em que “o repertório religioso se torna metáfora política”.

— Há uma constante de um momento a outro, algo que eu chamaria, tomando expressão cara ao próprio Belo, de “nomadismo”. Mas há também uma mudança: se, no primeiro momento, o deslocamento incessante com que figura a vida humana tinha, como meta, a Terra Prometida, a partir de certo ponto não há mais Terra Prometida, apenas terra, a percorrer, a servir de objeto de nostalgia, de destino plenamente terreno, da terra à terra — diz Sterzi, poeta e professor de literatura na Unicamp.

Desde sua morte, Belo passou a ser considerado um dos maiores nomes da poesia portuguesa pós-Fernando Pessoa, a quem admirava (“Pessoa é o poeta vivo que me interessa mais”, escreveu em um poema de 1970 — 35 anos depois da morte do autor de “Tabacaria”). Mantinha diálogo constante com seus contemporâneos, como Sophia de Mello Breyner Andersen, Herberto Hélder e Jorge de Lima. Sua intensa correspondência com este último será publicada em livro no ano que vem.

Gosto por autors do Brasil

Viúva do poeta e responsável por seu espólio, Teresa Belo diz que ele tinha grande interesse também por autores brasileiros, como Carlos Drummond de Andrade (que chegou a conhecer, em Lisboa), Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Mas sua maior paixão no país era Chico Buarque:

— Ele encomendava LPs do Chico aos amigos que vinham do Brasil. Ficava muito comovido com as canções e admirava a postura politica dele — lembra Teresa.

A admiração é recíproca. Em junho, Chico interrompeu a escrita de seu novo romance, em Paris, para participar das filmagens do documentário “Ruy Belo, era uma vez”, de Nuno Costa Santos. Declamou dois poemas de Belo: “Orla marítima” e “Oh as casas as casas as casas”.

Previso para ser concluído este ano, o documentário, que reúne ainda críticos e escritores portugueses, ajudará a lançar luz sobre a obra de Belo dos dois lados do Atlântico, reforçando o trabalho da edição brasileira de seus livros. Tarefa mais do que urgente, diz o poeta Tarso de Melo, autor do prefácio de “Boca bilíngue”:

— O desconhecimento da poesia portuguesa pós-Pessoa por aqui é colossal — lamenta Melo, citando, além de Belo, poetas como Hélder e Sophia. — Esses autores são capazes de nos fazer rever não apenas a forma como nos relacionamos com a poesia portuguesa, mas com nossa própria poesia.

Um em cada 11 estudantes falta à escola por medo de violência

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Entre 109 mil alunos do 9ª ano do ensino fundamental ouvidos pelo IBGE, 8,8% deixaram de ir a pelo menos uma aula nos 30 dias anteriores à pesquisa

Cinthia Rodrigues, no Último Segundo

A violência no trajeto ou dentro da escola afasta estudantes das redes pública e particular. A informação está entre os dados da segunda edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) realizada em 2012 por IBGE, e ministérios da Saúde e da Educação e divulgada nesta quarta-feira. Em consulta a 109 mil alunos de 3 mil escolas, 8,8% disseram que deixaram de ir à aula ao menos uma vez nos últimos 30 dias por não se sentirem seguros.

Guilherme Lara Campos/Fotoarena

Guilherme Lara Campos/Fotoarena

Escolas públicas no Brasil já são fechadas com grades e cadeados

O porcentual é ainda maior quando observados apenas os alunos de escolas públicas (9,5%) e cai entre os de escolas privadas (5,0%). A proporção de alunos que deixaram de ir à escola por terem medo de violência dentro do ambiente foi de 8,0%. A região Sudeste é onde há mais insegurança, com 9,9% dos estudantes tendo faltado por insegurança e 8,8% por medo de algo que possa ocorrer dentro das escolas.

A pesquisa também perguntou aos estudantes se eles haviam se envolvido em brigas com armas brancas nos últimos 30 dias e 7,3% disseram que sim. Entre os meninos, o porcentual é de 10,1%. Neste tópico, a região Centro-Oeste foi a que teve maior porcentual de envolvidos em geral, com 8,4%.

Armas de fogo
Também é alto o número de estudantes que já estiveram envolvidos em brigas com arma de fogo. Segundo a pesquisa, 6,4% dos escolares, sendo também mais frequente em alunos do sexo masculino (8,8%), do que no sexo feminino (4,3%) já tiveram algum envolvimento em conflitos em que alguém estava armado.

Observaram-se diferenças entre as esferas administrativas das escolas, sendo 6,7% para estudantes de escola pública e 4,9% de escolas privadas. A região Centro-Oeste também registrou a maior proporção de estudantes que participou de brigas em que havia arma de fogo, 8,0%.

Também foi questionado quanto se sentiram vítimas de bullying pelos colegas. Do total, 7,2% afirmaram que sempre ou quase sempre se sentiram humilhados por provocações. Neste caso, a proporção foi maior entre as escolas privadas, 7,9%, do que entre as públicas, 7,1%.

O número dos que praticam bullying é o triplo. Questionados se nos últimos dias haviam feito ações como esculachar, zoar, mangar, intimidar ou caçoar dos colegas, 20,8% disseram que sim.

dica do Rogério Da Hora Moreira

Conheça 7 excelentes livros do charmoso gênero mafioso

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Luiz Guilherme, no Literatortura

A máfia nos livros ganhou e ainda adquire muitas faces, personalidades e vestimentas, seja a de Don Vito Corleone (Marlon Brando) ou Michael Corleone (Al Pacino) que comandaram a inesquecível e igualmente tradicionalista família Corleone e até a de Francis Costello (Jack Nicholson) em Os Infiltrados (The Departed).

Sendo a grande maioria de origem italiana, o modo como as máfias se organizam (dando ênfase a todas as formalidades exigidas) e efetuam seus atos ilícitos na ficção nos leva a analisar o mundo de outra forma. As sábias frases proferidas por Don Vito Corleone ecoam na mente de quem as lê, levando o leitor a viajar por um mundo instável e por vezes lúgubre, no qual seus inimigos estão realmente próximos de você e tudo parece estar dominado por disputas pelo poder, negócios ilegais, mortes quase sem explicações e corrupção até atingir um clímax dramático após o suspense.

As organizações criminais servem de base para estudos e grandes reportagens por parte de intelectuais, além de influenciar diversos escritores de obras fictícias. A “admiração” acompanhada de um certo repúdio por este tema me faz lembrar o termo que o criminólogo gaúcho Salo de Carvalho utiliza ao se referir sobre o estudo do crime quando cita “o fascínio pela violência”.

A palavra “máfia” que já era bastante difundida nos Estados Unidos, finalmente começou a se popularizar no Brasil por meio de livros de administração, auto-ajuda, culinária e muitos outros além do literário. Apesar de apareceram nos noticiários os horrores efetuados por organizações criminosas italianas, a máfia da ficção e da não-ficção (majoritariamente livros-reportagem) ainda assim se tornaram tão clássicas que é inadimissível deixar de admitir que os “homens de honra” serviram de inspiração na literatura. Cada escritor do gênero possuía a sua própria receita, havendo casos até de ameaças dirigidas a eles caso ousassem revelar os bastidores da máfia.

Poderoso Chefão/ Omertà/ O Siciliano e outros – Mario Puzo

Um dos pais do gênero mafioso, Mario Puzo escreveu diversos livros sobre a máfia italiana. Sua obra mais famosa que inspirou a trilogia de mesmo nome e rendeu-lhe o Oscar de Melhor Roteirista além da fama internacional foi O Poderoso Chefão (The Godfather), que descreve a saga da família Corleone nos Estados Unidos na década de 40, posterior ao ápice do poder criminal que ocorreu nos períodos da Lei Seca. O livro revelou inúmeros detalhes sobre a hierarquia e a atuação da máfia por debaixo dos panos, salientando diversas vezes a importância de se negociar com as autoridades e paralelamente saber competir e administrar o negócio. O que poucos sabem é que Mario Puzo teve a inspiração em produzir The Godfather “do nada” enquanto ele escrevia reportagens policiais, conforme comentou em entrevistas.

A Firma – John Grisham

Um dos livros que melhor retratam a frase: “a máfia não esquece”. O advogado e escritor norte-americano, John Grisham, é um nome que aos poucos ganha espaço nas prateleiras das livrarias brasileiras. Sendo pioneiro em escrever obras cujo foco são os tribunais, causas jurídicas e o Direito em si, em A Firma (The Firm) que já inspirou uma longa metragem estrelando Tom Cruise e mais recentemente um seriado, Mitch McDeere é um advogado prodígio que se formou em Harvard e acaba de ser convidado por um grande escritório de direito tributário. Mesmo com a tranquilidade repousando o seu dia-a-dia, Mitch ao ser interceptado pelo FBI, que o alerta sobre o escritório e após realizar investigações próprias, descobre que os seus colegas advogados contribuem para lavar o dinheiro de uma organização criminosa e por consequência o grande escritório de advocacia serve de fachada para atos ilícitos e transações fraudulentas com âmbito mundial. Impedido de sair, tendo em vista que todos os advogados que pediram demissão foram mortos por motivos desconhecidos, também corre o risco de ser preso por cooperar com a máfia.

Gomorra – Roberto Saviano

O escritor italiano Roberto Saviano tornou-se bastante conhecido ao receber elogios de famosos (inclusive ganhadores de prêmios Nobel) por ter tido coragem em denunciar a atuação da máfia italiana Camorra, descrevendo minuciosamente suas atividades no país. O livro alcançou grandes números de vendas no Brasil e no mundo, contudo Roberto acabou pagando um preço bastante caro ao publicar a sua obra, já que hoje ele vive com guarda-costas e em lugares não revelados por ter sido ameaçado de morte.

Roberto Saviano ist in Lebensgefahr

Honra teu Pai – Gay Talese

Outro livro estilo reportagem que foca a história da família Bonanno, liderada por Joseph “Joe Bananas” Bonanno, uma das maiores dos Estados Unidos. Abordando as relações familiares de Joseph além do vínculo com o crime, Gay Talese disponibilizou ao público um pequeno dossiê de Bonanno.

Minha Vida Secreta na Máfia – Joseph D. Stone

Livro que inspirou o filme Donnie Brasco (com Al Pacino e Johnny Deep), o policial Joe Pistone se infiltra na máfia italiana presente nos Estados Unidos com a identidade de Donnie Brasco. Gradativamente Joe ganha a confiança da máfia e embora esteja arriscando a sua vida, denuncia diversos líderes para colocá-los posteriormente na prisão.

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Educação Siberiana – Nicolai Lilin

Pessoalmente fiquei curioso com a publicação de Educação Siberiana. Há uma carência muito grande quanto aos relatos da máfia russa e os que existem não são muito divulgados devido à grande influência que tal organização criminal ainda exerce nos países da antiga União Soviética. Nicolai narra um incrível relato sobre os urcas siberianos que se ascenderam na queda da União Soviética quando conseguiram adquirir quotas de empresas estatais e privadas. Lilin se aprofunda no enredo e conta como eram os ensinamentos que teve de aprender nas ruas siberianas habitadas por uma grande quantidade de criminosos na maioria deportados.

O lado oriental da máfia

Tóquio Proibida: Uma viagem perigosa pelo submundo japonês

O jornalista Jake Adelstein foge totalmente daquele paradigma clássico em descrever a máfia ítalo-americana. Em Tóquio Proibida (Tokyo Vice), Adelstein segue uma vida bastante similar com a de Saviano na vida real, sendo ameaçado diversas vezes pela máfia japonesa após a publicação de seu livro. A obra nos traz ricos detalhes dos negócios obscuros de uma organização criminosa que apesar de ter ramificações no mundo todo, não é bastante vista pelos holofotes da mídia.

Tóquio Proibida, como o próprio título já ilustra, não é apenas um mero dossiê da Yakuza, mas sim um relato de fatos incomuns aos quais até os próprios japoneses veem com certa incredulidade.

Existem diversas outras obras que oferecem um retrato genuíno e extremamente rico em detalhes, incluindo as próprias ficções. Livros que abordam a máfia acabam sendo um símbolo do lado sombrio de nossa sociedade, mostrando cicatrizes da civilização e servindo até como uma metáfora para nós mesmos que lembramos de frases de lendários chefes quando estamos prestes a adotar uma postura rígida e meticulosa diante de um fato.

Por fim gostaria de esclarecer que o presente texto não tem como meta fazer apologias à máfia e tampouco divulgar suas ações. O que foi abordado aqui é o gênero e não estritamente o objeto.

“Na sua idade diziam que nós podíamos ser policiais ou criminosos. Hoje eu lhe digo o seguinte: com uma arma apontada para você, que diferença faz?” (Frase do filme Os Infiltrados – The Departed)

De Garfield a Bob Marley, veja figuras ‘pop’ que já caíram no Enem

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Para professores, referências fazem jovens estar sempre ‘antenados’.
Menina Mafalda e viking Hagar já apareceram em seis edições do exame.

Garfield, Bob Marley, Mutantes, Mafalda e Capitão América já caíram em questões do Enem (Foto: Reprodução/Divulgação/AFP)

Garfield, Bob Marley, Mutantes, Mafalda e Capitão América já caíram em questões do Enem (Foto: Reprodução/Divulgação/AFP)

Paulo Guilherme, no G1

O que Bob Marley, Mutantes, Coldplay, Twitter, Capitão América, Blitz, Garfield e Mafalda têm em comum? Estas e outras figuras da cultura pop já foram tema de perguntas que caíram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nestes 15 anos de existência. Nos últimos anos, a presença de artistas e personagens nas questões se tornaram mais frequentes no Enem. Segundo professores ouvidos pelo G1, esta é uma tendência que deve crescer cada vez mais para buscar estudantes “antenados” com o mundo.

A primeira edição do Enem, em 1998, abriu com Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz…” A letra da música O que é, o que é foi o tema da redação do Enem há 15 anos e deu origem a uma série de citações, usos de letras de músicas, capas de discos e desenhos de figuras presentes na cultura pop.

Nos últimos dois anos, a presença de artistas populares nas questões do Enem aumentou. Em 2010, a letra de “Viva la vida”, da banda britânica Coldplay, caiu em uma questão de inglês. Em 2011, o Enem trouxe perguntas citando Garfield, Twitter e Bob Marley. A questão sobre o cantor jamaicano dizia: “Bob Marley foi um artista muito popular e atraiu muitos fãs com suas canções. Ciente de sua influência social, na música War o cantor se utiliza de sua arte para alertar sobre… (resposta certa: a persistência da guerra quando houver diferenças raciais e sociais).”

O Enem de 2012 fez muito uso destas “celebridades” nas questões. A prova de linguagens e códigos trouxe questões com as canções “Aqui é o país do futebol”, de Wilson Simonal, e “A dois passos do paraíso”, da banda pop Blitz; e uma pergunta sobre a banda Mutantes e o movimento de contracultura no final dos anos 60. Na prova de espanhol, uma tira da personagem Mafalda foi tema de uma de cinco questões.

Já a prova de ciências humanas apresentou a capa do primeiro número da revista do Capitão América, lançada no início da década de 1940. A imagem trazia o desenho do Capitão América dando um soco no líder nazista Adolf Hitler e perguntava ao candidato contra o que a participação dos Estados Unidos na luta se associava (a resposta certa era a alternativa ‘os regimes totalitários, na Segunda Guerra Mundial’).

Coldplay caiu no Enem em 2010 (Foto: Divulgação)

Coldplay caiu no Enem em 2010 (Foto: Divulgação)

Para os professores de cursinhos, todas estas referências nas questões do Enem têm como objetivo buscar um aluno mais antenado, que não fique restrito apenas ao conteúdo oferecido pelas escolas no ensino médio.

“É importante que o candidato tenha uma atitude ativa. O Enem quer aluno interessado em tudo o que a vida possibilita, que seja sempre um cidadão curioso”, afirma o professor Luis Felipe Abad, do cursinho pH, do Rio.

Para o professor Gilberto Alvarez Giusepone Junior, especialista em Enem e diretor do Cursinho da Poli, de São Paulo, o Enem busca um candidato com perfil ‘eclético’. “Por trás dessa linha pop está a busca por um estudante preocupado em ter uma formação que é maior do que a escola dá, que tenha hobbies e que leia jornais, revistas, noticiário em sites e busque informações que tenham relação com o conteúdo básico cobrado pelo Enem”, diz o professor Giba, como é conhecido.

Mafalda, de Quino, já apareceu seis vezes na  história do Enem (Foto: Reprodução/Quino)

Mafalda, de Quino, já apareceu seis vezes na
história do Enem (Foto: Reprodução/Quino)

Mafalda e Hagar
O professor cita como exemplo as tirinhas da personagem Mafalda. “Apesar de ser um desenho, a Mafalda tem sempre um toque político inserido na mensagem, e isso faz com que o candidato do Enem saiba relacionar o tema com seu contexto histórico.”

A menina Mafalda, aliás, é uma das figuras campeãs de aparições da história do Enem. A personagem criada pelo cartunista argentino Quino, já apareceu em seis das 15 provas do Enem já realizadas desde 1998 (em 2010 foram feitas duas provas por causa de um problema de impressão no primeiro exame), assim como o viking Hagar, de Dik Browne.

Em seguida aparece o gato Garfield, personagem de Jim Davis, com cinco aparições em questões do Enem ao longo da história do exame.

“Mafalda, Garfield e Hagar são personagens presentes nas seções de quadrinhos de grandes jornais e, por isso, muito conhecidos do público que faz o Enem”, destaca Rafael Menezes, professor de história do Sistema Elite de Ensino, de Porto Alegre. Segundo ele, o uso de quadrinhos é comum para “arejar” as provas, em vez de colocar um enunciado extenso, e pode ser aproveitado para as questões de português e de língua estrangeira (inglês ou espanhol). “Os mangás japoneses ainda não apareceram no Enem, mas isto pode vir a acontecer por eles também fazerem parte do universo dos jovens”, indica Menezes.

“O Enem tem esta característica de aproximação do jovem ao seu cotidiano e aplicar estes fatos ao conteúdo exigido”, explica Kadu Lima, professor do Curso Progressão Autêntico, do Rio. “Os alunos não leem tanto, não têm tanta base literária, então, quando se cobra exemplos mais próximos, como os do cinema e da música, facilita o entendimento da prova.”

VEJA SUGESTÕES DE PROFESSORES SOBRE TEMAS ‘POP’ QUE PODEM SER ABORDADOS

A pedido do G1, os professores listaram alguns exemplos de como algumas figuras populares podem aparecer nas provas do Enem e como associá-los com temas da atualidade.

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‘Era do Gelo’

Cinema

“A série de filmes de animação mostra como o resultado dos impactos ambientais no planeta pode ser abordado em uma prova de ciências da natureza.”

Kadu Lima, Curso Progressão Autêntico

 

 

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X-Men

Quadrinhos/cinema

“Estes personagens nasceram no final dos anos 60 nos Estados Unidos, uma época em que o movimento negro norte-americano estava em alta. É possível estabelecer em uma questão do Enem um paralelo sobre a busca dos negros pelas mesmas oportunidades dos brancos.”

Rafael Menezes, Sistema Elite de Ensino

 

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Subway e Spoleto

Restaurantes fast food

“Estes exemplos de restaurantes no qual o cliente monta seu prato remete à relação de sistemas de produção da indústria conhecido como toyotismo, ou seja, a flexibilização na produção, produção sob encomenda ou demanda.”

Kadu Lima, Curso Progressão Autêntico

 

 

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Copa do Mundo

Esportes

“O Enem pode usar a realização da Copa do Mundo no Brasil para pedir ao candidato que estabeleça uma conexão maior com política, economia, momento atual brasileiro.”

Professor Giba, Cursinho da Poli

 

 

 

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Twitter e Facebook

Internet

“As redes sociais rompem fronteiras e foram muito usadas em movimentos populares como a Primavera Árabe para a derrubada de governos autoritários.”

Kadu Lima, Curso Progressão Autêntico

 

 

 

VEJA FIGURAS DA CULTURA ‘POP’ QUE JÁ CAÍRAM EM PROVAS DO ENEM

Música

Gonzaguinha (1998)
Chico Buarque (1999 e 2005)
Gilberto Gil (2001)
Engenheiros do Hawaii (2007)
Titãs (2007)
Lobão (2009)
Coldplay (2010)
Bob Marley (2011)
Jimi Hendrix (2011)
Sá e Guarabyra (2011)
Mutantes (2012)
Luiz Gonzaga (2012)
Blitz (2012)
Wilson Simonal (2012)

Desenhos/cartunistas

Mafalda (1999, 2003, 2004, 2005, 2010 e 2012)
Graúna/Henfil (1999 e 2005)
Angeli (2000, 2007)
Chico Bento (2000)
Garfield (2000, 2001, 2002, 2011 e 2012)
Frank e Ernest (2001 e 2004)
Laerte (2001, 2008 e 2012)
Calvin e Haroldo (2002 e 2010)
Hagar (2002, 2004, 2008, 2009, 2010 e 2012)
Ziraldo (2005 e 2010)
Caco Galhardo (2004)
Adão Iturrusgarai (2009)
Capitão América (2012)

Internet

Twitter (2010)
Wikipedia (2010)
Redes sociais (2011)

VEJA TODAS AS PROVAS DO ENEM

Conheça 13 conselhos do transgressor Chuck Palahniuk sobre escrever

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“Escreva os livros que você deseja ler”

Guilherme Carmona, no Literatortura

Nos últimos vinte anos, poucos autores têm dado socos na mente do leitor como Chuck Palahniuk o fez. Com um estilo pontuado por frases curtas e uma linguagem feroz e irônica, a prosa do autor brinca constantemente com inversões no tempo da narrativa e explora temáticas controversas, anárquicas e, por vezes, violentas. As atmosferas por ele criadas parecem oscilar entre o bizarro e o cômico, e são palcos onde a sociedade de consumo e a alienação dela proveniente são os principais objetos de crítica. Seu trabalho mais conhecido é o livro Clube da Luta, que a adaptação para o cinema em 1999 veio a consagrar como fenômeno cult. Palahniuk gosta de intitular seu trabalho de Ficção transgressional, ou transgressiva.

Além do trabalho autoral, o escritor e jornalista Chuck Palahniuk frequentemente compartilha seu bocado de experiência com os leitores por meio de ensaios, palestras e workshops. O autor começou a carreira por volta dos 30 anos, quando passou a frequentar uma oficina literária liderada pelo escritor Tom Spanbauer. Na época, Palahniuk só conseguia escrever durante seus períodos de tempo livre, pois trabalhava como mecânico para uma empresa fabricante de veículos. Além disso, foi difícil encontrar quem publicasse seus primeiros trabalhos, muitas vezes taxados como perturbadores.

Este conjunto de conselhos do autor parte de uma coleção de 36 ensaios datados de 2005. A despeito de a produção literária tratar-se de um processo muito particular, Chuck Palahniuk consegue abordar, no apanhado de dicas a seguir, assuntos cotidianos de um escritor, como o público, a solidão, o experimentalismo, a necessidade de paixão e envolvimento com seus livros.

Abaixo segue o trabalho de Chuck, traduzido exclusivamente para vocês:

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“Vinte anos atrás, uma amiga e eu fomos até o centro de Portland no Natal. As grandes lojas de conveniência: Meier & Frank… Frederick & Nelson… Nordstroms… cada uma das grandes vitrines exibia uma cena simples, bonita: um manequim vestindo roupas ou uma garrafa de perfume de pé sobre a neve falsa. Mas as janelas na loja J.J. Newberry, droga, elas eram abarrotadas com bonecas e ouropel e espátulas e kits de parafusos e travesseiros, aspiradores de pó, cabides de plástico, gerbils, flores de seda, doces – você entende o que quero dizer. Cada um das centenas de objetos diferentes era tabelado com um círculo descolorido de papelão. E, caminhando por lá, minha amiga, Laurie, deu uma longa olhada e disse, “A filosofia de decoração de janelas deles deve ser: ‘se a janela não parecer bem o bastante – coloque mais’.” (mais…)

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