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6 personagens da literatura que podem inspirar sua carreira

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6 personagens da literatura que podem inspirar sua carreira

Cláudia Gasparini, na Exame
São Paulo – “A literatura é o melhor MBA sobre gente que existe”. É assim que Fernando Jucá, sócio da Atingire e co-autor do livro “O executivo que gostava de ler” (com Fábio Paiva, da Editora Nobel) justifica a importância dos livros para a formação profissional de qualquer pessoa.

Segundo ele, o mercado de trabalho privilegia quem entende de negócios, mas também quem compreende as outras pessoas. “Os bons livros têm justamente o papel de nos revelar verdades atemporais sobre o ser humano”, diz.

Nesta galeria você encontrará (ou reencontrará) alguns personagens criados por autores como José Saramago, Ernest Hemingway e Guimarães Rosa – cada qual com uma história interessante sob o ponto de vista profissional. Veja nas fotos a seleção e boa leitura!

Santiago, de "O velho e o mar"

Santiago, de “O velho e o mar”

Santiago é um velho pescador que parte numa jornada pelo Golfo de Cuba para caçar um gigantesco peixe. Sua árdua saga é acompanhada por um diálogo interno constante.

O que extrair do personagem: Segundo Jucá, a perseguição empreendida por Santiago pode servir como metáfora para os grandes desafios da vida profissional. “O que fica para o leitor é que, para ser resistente às adversidades, é preciso ter paixão pelo que se faz e compreender o qual é sua contribuição para o mundo”, diz.

“O velho e o mar”, de Ernest Hemingway (Bertrand Brasil)

O homem que queria um barco, de "O conto da ilha desconhecida"

O homem que queria um barco, de “O conto da ilha desconhecida”

Nesta curta novela, um personagem sem nome procura um barco para explorar uma ilha desconhecida. Para tanto, procura a ajuda do rei, que tenta demovê-lo da ideia de viajar, com o argumento de que todas as ilhas já são conhecidas pelo homem.

O que extrair do personagem: O homem que insiste na ideia de ter um barco para fazer a viagem ao desconhecido é considerado um louco pelo rei, mas é um símbolo do não-conformismo. “Trata-se de uma lição sobre inovação, sobre as dificuldades de vender um sonho, uma ideia original”, diz Jucá.

“O conto da ilha desconhecida”, de José Saramago (Editoral Caminho)

Zé Bebelo, de "Grande Sertão: Veredas"

Zé Bebelo, de “Grande Sertão: Veredas”

No clássico brasileiro, Zé Bebelo é o comandante de uma tropa de jagunços. Sua forma de reconhecer e desenvolver seus liderados chama a atenção do leitor.

O que extrair do personagem: Jucá acredita que a história de Bebelo pode ser lida como um rico compêndio sobre liderança. “É um convite a pensar sobre o que significa ser chefe, a importância de identificar talentos e treiná-los”, afirma.

“Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa (Editora Nova Fronteira)

Giovanni Drogo, de "O deserto dos tártaros"

Giovanni Drogo, de “O deserto dos tártaros”

Um jovem é enviado para permanecer num isolado forte militar – uma etapa que acredita ser transitória em sua carreira. Aos poucos, entretanto, percebe que está criando raízes no local e pode ficar preso a ele pelo resto da vida.

O que extrair do personagem: A experiência de Drogo é um alerta sobre o comodismo. De acordo com Jucá, a lição trazida pelo livro é que há um imenso perigo em não ser o protagonista da sua história profissional. “Renunciar a isso pode levar a uma grande frustração”, afirma.

“O deserto dos tártaros”, de Dino Buzzati (Editora Cavalo de Ferro)

Leo, de "Viagem ao Oriente"

Leo, de “Viagem ao Oriente”

Leo faz parte de um grupo que empreende uma espécie de viagem mística rumo ao Oriente. Durante a jornada, ele está sempre sorrindo, assobiando e ajudando os outros.

O que extrair do personagem: Leo nunca está em destaque e parece ser uma figura insignificante num primeiro momento. No entanto, quando perde contato com o grupo e sai da história, o leitor percebe que ele era a fonte do entusiasmo do grupo. “O personagem mostra que existem líderes ou chefes que não são importantes pela hierarquia ou pela imposição, mas sim pelo serviço que prestam à equipe”, diz Jucá.

“Viagem ao Oriente”, de Herman Hesse (Civilização Brasileira/Record)

O capitão, de "O agente secreto"

O capitão, de “O agente secreto”

O capitão assume o comando de um navio pela primeira vez na vida. Nessa experiência inédita, ele atravessa inúmeras adversidades e dilemas impostos pela liderança.

O que extrair do personagem: Da insegurança sobre a própria autoridade à busca pela confiança da tripulação, o personagem vive todos os dramas de uma primeira experiência como líder. Para Jucá, a leitura é obrigatória para qualquer chefe de primeira viagem.

“O agente secreto”, de Joseph Conrad (Editora Landmark)

Grande Sertão: Veredas ganha adaptação em quadrinhos

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Adaptação para Graphic Novel teve aprovação da família de Guimarães Rosa

Publicado no Divirta-se

Grande Sertão: Veredas ganha adaptação em quadrinhosA história de Riobaldo Tatarana, ex-jagunço que relembra lutas e a paixão reprimida por Diadorim, é traçada por uma travessia pelo sertão e pelas águas do rio São Francisco, retratada em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. O clássico da literatura brasileira ganhou adaptação em quadrinhos, com roteiro de Eloar Guazelli e arte de Rodrigo Rosa.

Na história, a tentação aparece de diversas formas, uma delas é a figura do diabo. No caso de Eloar, a tentação veio em forma de desafio: cortar o texto de aproximadamente 600 páginas.

“Não pensei em desistir. A partir do momento que decidi entrar, foi como entrar no sertão, mesmo… E, quando você entra no sertão, desistir é morrer.”

Eloar conta que adaptar a linguagem do clássico foi uma ousadia: “É uma obra de 600 páginas, e eu tive que cometer o pecado de cortar, cortar e cortar e me ater à essência. É um tratado antropológico, filosófico e uma das obras mais importantes sobre ser brasileiro. Procurei ser fiel e traduzir os mais belos momentos de algumas frases.”

Na obra original — famosa por sua prosa poética, de sintaxe inovadora —, a narrativa é pontuada por idas e vindas no tempo, além de pausas em que Riobaldo reflete sobre questões como a existência ou não do diabo. Na adaptação, porém, a cronologia está em ordem. Por isso, a cena famosa, em que Riobaldo e Diadorim se conhecem, ainda crianças, está quase no começo do livro.

Além dos prazos e da arte de condensar mais de 600 páginas em quadrinhos, outro grande desafio foi convencer a família de Guimarães Rosa a autorizar a publicação da graphic novel.

A família dele é conhecida por fazer restrições a tudo que se refere a obra dele. Os exemplos mais conhecidos são o filme Grande Sertão, para o qual o cineasta Silvio Tendler que refez o caminho de Riobaldo e a biografia Sinfonia Minas Gerais — A vida e a literatura de João Guimarães Rosa, de Alaor Barbosa, retirada das livrarias em 2008.

Os autores, no entanto, contam que a família acompanhou a produção da HQ. “A única etapa que foi um pouco mais difícil foi acertar os traços da personagem Diadorim. Depois de algumas tentativas, chegamos ao visual dela”, lembra Rodrigo.

Desafios da ilustração
Representar em imagem um livro que usa a ambivalência como recurso foi o desafio que o ilustrador Rodrigo Rosa encontrou. O exemplo mais famoso dessa ambiguidade é o “jagunço” Diadorim, que na verdade é mulher. Rodrigo buscou um traço andrógino sem revelar de cara seu segredo. “Foi uma das coisas mais difíceis de desenhar, acho que fizemos seis versões. Tive cuidado para não ficar a cara da Bruna Lombardi”, diz Rodrigo, em referência à atriz que interpretou Diadorim na versão televisiva do romance, em 1985.

Rodrigo conta que outra passagem difícil foi o suposto pacto que Riobaldo faz com o diabo. Afinal, o personagem conta sua história de vida a um interlocutor a fim de convencê-lo — e convencer a si mesmo — de que o demônio não existe. “Como no livro o pacto não é claro, tentei passar essa dúvida. Mostro Riobaldo na encruzilhada e o desenho vai ficando com um traço mais surrealista”, afirma.

Trabalhar os momentos da obra de Guimarães sem ser redundante foi o terceiro de desafio. “Procurei brechas que permitissem o dialogo. Li o livro e anotei as coisas que me pareciam interessantes graficamente. Fiz pesquisa sobre a região, os costumes, tudo o que pode ser acrescentado, no aspecto visual”, lembra.

‘Grande sertão: veredas’ ganha adaptação em quadrinhos com edição de luxo

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Cena do pacto de Riobaldo com o diabo, no romance de Guimarães Rosa - Reprodução

Cena do pacto de Riobaldo com o diabo, no romance de Guimarães Rosa – Reprodução

Com tiragem de 7 mil exemplares, versão em HQ tenta expressar em imagens a ambiguidade do clássico da literatura brasileira

Mauricio Meireles, em O Globo

RIO – O diabo na casa, no meio da escrivaninha. O Cão, o Sete Peles, o Cramulhão, o Pé de Bode, o Coisa Ruim, o Capiroto — pausa para respirar, porque são muitos os nomes do Tinhoso — quis que o artista plástico e cineasta Eloar Guazzelli caísse em tentação. A tentação era, diante da devoção a “Grande sertão: veredas”, não conseguir cortar o texto do romance para que ele coubesse na adaptação em quadrinhos do clássico de Guimarães Rosa. Guazzelli precisou pegar o Capeta pelos chifres

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/livros/grande-sertao-veredas-ganha-adaptacao-em-quadrinhos-com-edicao-de-luxo-14687193#ixzz3KO9k7Pcm
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O artista é responsável pelo roteiro da versão em HQ de “Grande sertão: veredas”, ilustrada por Rodrigo Rosa, que a Globo Livros lança em edição de colecionador e numerada (são 7 mil exemplares de tiragem). O livro, que começa a chegar às prateleiras hoje, será vendido pela Livraria Cultura, por conta de um acordo de exclusividade entre a rede livreira e a editora. A ideia é que em algum momento, porém, uma edição comercial seja lançada.

— É um inferno. A narrativa de um roteiro é baseada no gesto brutal do corte. Fui tentado pelo demo a não cortar, mas me orgulho de ter feito essa travessia — ri Guazzelli. — Quando a gente se refere a cortar um texto como “Grande sertão: veredas”, a coisa fica mais difícil.

O pecado capital, diz ele, seria não alcançar a fidelidade à obra de Rosa. Mas a linguagem dos quadrinhos é diferente. Por isso, Guazelli, que fez roteiro e storyboard da adaptação, precisou trabalhar sobre a história do jagunço Riobaldo, protagonista do livro.

Na obra original — famosa por sua prosa poética, de sintaxe inovadora —, a narrativa é pontuada por idas e vindas no tempo, além de pausas nas quais Riobaldo reflete sobre questões que lhe interessam: a existência ou não do diabo, a religião, o mal, a guerra, o amor, a vingança, entre outros. Na adaptação, porém, o leitor vai encontrar a cronologia em ordem. Por isso, a cena famosa, em que Riobaldo e Diadorim se conhecem, ainda crianças, está quase no começo do livro.

— “Grande sertão…” tem uma estrutura que lembra romances como “Dom Quixote”, com uma história dentro da história dentro da história… Li e reli várias vezes, foi um trabalho braçal grande. Mas quis manter o poeta Guimarães Rosa. Não à toa, a versão em quadrinhos usa o próprio texto do romance — diz Guazzelli, que já adaptou também obras como “O pagador de promessas”, “Escrava Isaura” e “O bem amado”.

Quem teve também teve de lidar com um desafio grande foi Rodrigo Rosa, o ilustrador. Como representar em imagem um livro que usa a ambivalência como recurso literário, num jogo de ocultamento? O exemplo mais famoso dessa ambiguidade é o “jagunço” Diadorim, que na verdade é mulher. Riobaldo se apaixona por ela, mas não segue adiante porque acredita ser ela homem. Tudo bem que a essa altura do campeonato muita gente já conhece o mistério da personagem, mas Rodrigo buscou um traço andrógino para ela — sem revelar de cara seu segredo.

— Foi uma das coisas mais difíceis de desenhar, acho que fizemos seis versões. Tive cuidado para não ficar a cara da Bruna Lombardi — diz Rodrigo, em referência à atriz que interpretou Diadorim na versão televisiva do romance, em 1985.

Outro momento difícil de transformar em imagem é o suposto pacto que Riobaldo faz com o diabo. Afinal, o personagem conta sua história de vida a um interlocutor a fim de convencê-lo — e convencer a si mesmo — de que o demônio não existe. Assim, nem ele tem certeza se o pacto foi feito.

— Como no livro o pacto não é claro, tentei passar essa dúvida. Mostro Riobaldo na encruzilhada e o desenho vai ficando com um traço mais surrealista, como se fosse um estado de loucura — observa Rodrigo, que trabalhou na adaptação de “Os sertões”.

Perguntado se a ideia é criar um jeito de introduzir novos leitores à obra de Guimarães Rosa, Eloar Guazzelli diz não gostar dessa definição. A ideia, diz, não é reproduzir “Grande sertão: veredas”, mas representá-lo.

— Poderíamos usar 600 a mil páginas e não ficaria bom. O mapa não reproduz a terra, mas a representa — diz Guazzelli. — O livro é pontuado pela ideia de travessia, que tem muito a ver com o fazer artístico. O sertão é também a página em branco.

SERVIÇO

“‘Grande sertão: veredas’ em quadrinhos'”

Autor: João Guimarães Rosa

Roteiro: Eloar Guazzelli

Publicidade

Arte: Rodrigo Rosa

Editora: Biblioteca Azul (Globo Livros)

Quanto: R$ 199,90

Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros

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Carlos Willian Leite, na Revista Bula

Pedimos aos leitores e colaboradores — escritores, jornalistas, professores — que apontassem os poemas mais significativos de Manoel de Barros, um dos mais aclamados poetas contemporâneos brasileiros. Nascido em Cuiabá em 1916, Manoel de Barros estreou em 1937 com o livro “Poemas Concebidos sem Pecado”. Sua obra mais conhecida é o “Livro sobre Nada”, publicado em 1996.

Cronologicamente vinculado à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro, Manoel de Barros criou um universo próprio — subvertendo a sintaxe e criando construções que não respeitam as normas da língua padrão —, marcado, sobretudo, por neologismos e sinestesias, sendo, inclusive, comparado a Guimarães Rosa.

Em 1986, o poeta Carlos Drummond de Andrade declarou que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo. Antonio Houaiss, um dos mais importantes filólogos e críticos brasileiros escreveu: “A poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor”. Os poemas publicados nesta seleção fazem parte do livro “Manoel de Barros — Poesia Completa Bandeira”, editora Leya. Por motivo de direitos autorais, apenas trechos dos poemas foram publicados.

O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.

Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas —
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anônimas —
Passaram essa tarefa para os poetas.

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

Aprendimentos

O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada.

Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.

E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.

Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —
esse pessoal.

Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam
que o fascínio poético vem das raízes da fala.

Sócrates falava que as expressões mais eróticas
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Uma didática da invenção

I

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

II

Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou
uma gravanha.
Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.

III

Repetir repetir — até ficar diferente.
Repetir é um dom do estilo.

IV

No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:

Poesia é quando a tarde está competente para dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa.
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras.

V

Formigas carregadeiras entram em casa de bunda.

VI

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas
por crianças.

VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

VIII

Um girassol se apropriou de Deus: foi em
Van Gogh.

IX

Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde, no mês de agosto.
Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz .
Hoje eu desenho o cheiro das árvores.

X

Não tem altura o silêncio das pedras.

Sete autores, de Thalita Rebouças a Antonio Torres, revelam os livros mais importantes em suas vidas

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No Dia Nacional do Livro, escritores falam sobre obras essenciais e Guimarães Rosa domina a lista

Thalita Rebouças, Laurentino Gomes e Antônio Torres estão entre os sete autores que escolheram sua obra nacional preferidos no Dia Nacional do Livro - Reprodução

Thalita Rebouças, Laurentino Gomes e Antônio Torres estão entre os sete autores que escolheram sua obra nacional preferidos no Dia Nacional do Livro – Reprodução

Marilise Gomes e Eduardo Rodrigues em O Globo

RIO — No Dia Nacional do Livro, sete autores nacionais respondem uma pergunta considerada por muitos um impasse: “Qual foi o livro nacional mais marcante em sua vida?”. As respostas de Thalita Rebouças, Laurentino Gomes, Bernardo Kucinski, Antônio Torres, Luisa Geisler, Raphael Montes, Clarice Freire foram tão diversas quanto a literatura brasileira e vão desde de a poesia de Adriana Falcão à aventura de Riobaldo, em “O grande sertão veredas”.

A gaúcha Luisa Geisler está na lista dos vinte melhores jovens escritores brasileiros da Revista Granta. Estudante de Ciências Sociais (UFRGS) e Relações Internacionais (ESPM/RS), teve seu livro de estreia, “Contos de mentira” (Record), premiado na categoria conto do Prêmio Sesc de Literatura 2010/2011. No ano seguinte, “Quiçá” (Record) recebeu o mesmo prêmio na categoria romance e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria autor estreante. Seu livro mais recente é “Luzes de emergência se acenderão automaticamente” (Alfaguara).

“Me lembro da primeira vez que li “Grande Sertão: Veredas”. Tinha algo como 11 anos, alguém o mencionou na escola. Entendi aproximadamente nada. E me lembro da segunda vez que li “Grande Sertão: Veredas”. Meu professor do curso pré-vestibular passara duas aulas a contar a história do livro, prendendo a atenção de uma turma de 200 adolescentes. Tentei de novo. Por já ter noção, entendi uns 60%. Eu me irritava por não entender trechos, ou precisar reler com calma e (pasmem) pensar. Transformei-o quase em um ritual de verão. “Grande Sertão: Veredas” me ensinou o prazer de um livro que seduz nos mistérios dele mesmo e se desvenda mais de uma vez. Não tenho dúvida que comecei a “querer” ser escritora porque “Grande Sertão” mostrou que eu “podia” escrever de um jeito não tão linear, certinho. Foi um livro que mostrou que o leitor importava. Anos depois, tatuei um “Travessia.”, mas sempre duvidei de quem disse entender 100% do livro.”

Raphael Montes ganhou destaque no cenário nacional com sua literatura de suspense. Com o livro “Suicidas” (Ed. Benvirá), o autor, de 24 anos, já foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura, em 2010, do Prêmio Machado de Assis, em 2012, da Biblioteca Nacional e Prêmio São Paulo de Literatura, no ano posterior. Em abril de 2014, publicou “Dias Perfeitos” (Ed. Companhia das Letras), que teve os direitos de tradução vendidos para oito países (EUA, Canadá, Inglaterra, França, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda) e será adaptado para o cinema.

“Na medida em que é quase impossível determinar um único livro que nos influencia na forma de escrever ou nas ideias, busco na memória o livro nacional que me influenciou na escolha da profissão. Eu tinha doze anos e não gostava de ler – lá em casa, não havia muitos livros e os da escola me pareciam chatos, herméticos, escritos só para que a professora fizesse perguntas difíceis na prova de português.

Foi nessa época, durante um fim de semana em Pentagna (distrito de Valença, interior do Rio de Janeiro), que conheci o tal Sherlock Holmes e tomei gosto pela leitura. Logo depois, minha tia-avó me presenteou com “A droga da obediência”, do Pedro Bandeira. Era uma aventura divertidíssima de uns jovens chamados “Os Karas” que se metem numa trama internacional sobre uma perigosa droga testada em colégios de São Paulo. Fiquei vidrado, enlouquecido com os mistérios, as deduções, as ameaças do Doutor QI. Fechei o livro pensando que queria ser um dos Karas. Não durou muito. Ser detetive não era minha praia. Então, pensei: que tal escrever histórias de detetive?”

Com 18 livros publicados, Thalita Rebouças é sinônimo de sucesso: já vendeu mais de um milhão de exemplares. Com 10 anos já se autodenominava “fazedora de livros”, mas foi só depois de cursar Direito e Jornalismo que a carreira de escritora tornou-se realidade, graças a um incentivo na infância. Seu próximo livro será “360 DIAS DE SUCESSO” (Rocco), já em pré-lançamento.

“Do alto dos meus 14 anos estava na fase “ler é chato”, convicta de que livros eram tediosos e só serviam para fazer provas – e olha que passei a infância devorando Ziraldo, Ruth Rocha e Mauricio de Sousa e a pré-adolescência entregue aos títulos da série “Vaga-lume”. Quando o professor de literatura mandou a turma ler “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva, a coisa mudou de figura.

Ao contrário do que acontecia quando o mestre indicava obras literárias, não torci o nariz. Achei o título diferente, fiquei louca para ler. A curiosidade foi saciada em poucas horas, o tempo que levou para que eu me encantasse com a história – que me fez rir, chorar, refletir e, mais importante: me fez gostar de livros de novo. Pra sempre. Valeu, Marcelo!”

Aos 25 anos de idade, Clarice Freire alcançou primeiro o sucesso nas redes sociais: desde 2011, são mais de 1,2 milhões de pessoas que a acompanham no Facebook e mais de 103 mil seguidores no Instagram. Tamanho o sucesso fez com que ela chegasse às páginas físicas. A pernambucana lançou “Pó de lua” (Ed. Intrínseca) em agosto e desde então, está nas listas de mais vendidos.

“Pense na dificuldade que é, para mim, apontar “o mais”, “o que mais”. Escolher sempre foi um sofrimento, apesar de gostar de superlativos. E isso aumenta com a idade, pode crer. Não que a minha seja muito avançada. Ou seria? Estou em dúvida. A dificuldade da escolha do livro nacional que mais me marcou é grande porque um me marcou mais na poesia, outro na alma, outro nas gargalhadas, outro no aprendizado, cada um em uma fase diferente da vida. Por fim, acabei escolhendo um que li mais recentemente. Se chama “Luna Clara e Apolo Onze”, de Adriana Falcão. Escolhi simplesmente porque ele me transpassou direta e delicadamente pela poesia, pela alma, pela gargalhada e aprendi absurdamente. Poucas coisas me tocam mais que os encontros e desencontros da vida e este livro gira em torno deles, regado de poesia, de nomes e nomenclaturas regadas de significado, de filosofia, de beleza e tudo dentro de um universo fantástico. Muito mais interessante que os nossos universos, na minha opinião. Sentimentos e ideias são personagens tão concretos quanto os de carne e osso. Ou letra e papel. É uma viagem ao coração, passando pela lua dos apaixonados, pela pureza perspicaz da criança e a entrega dos loucos. Um encanto.”

Laurentino Gomes foi responsável por fazer a História Nacional sucesso de vendas e de crítica. Com a publicação do livro “1808”, sobre a chegada da família real no Brasil, ganhou, em 2008, o prêmio de melhor livro de ensaio pela Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Jabuti de literatura. Dois anos depois, publicou o livro “1882”, tratando sobre a independência do Brasil. A obra foi “Livro do Ano” na categoria de não-ficção da 53º edição do Prêmio Jabuti. E esse ano, Laurentino Gomes levou o Jabuti categoria Reportagem com “1889”.

“’Sagarana’, de João Guimarães Rosa, é um livro que marcou profundamente toda a minha formação desde a época da adolescência em Maringá, a cidade em que nasci no Paraná. É uma obra de linguagem aparentemente simples e despretenciosa, mas revolucionária e surpreendente na forma e no conteúdo. Meu conto preferido é ‘O Burrinho Pedrês’, o primeiro da obra, que narra a saga e os pensamentos – sim, os pensamentos, porque em Guimarães Rosa os bichos pensam, falam, meditam e filosofam – de um velho e experiente animal durante uma temporada chuvosa de uma fazenda do interior de Minas Gerais. Publicado originalmente em 1946, é um livro de contos, uma pequena obra-prima na qual Guimarães Rosa testou com absoluto êxito a fórmula que, uma década mais tarde, o consagraria definitivamente em ‘Grande Sertão: Veredas’, seu romance mais famoso. Por isso, considero Guimarães Rosa o mais talentoso e inovador de todos os escritores da língua portuguesa. Reinventou a literatura brasileira ao incorporar o vocabulário simples, mas riquíssimo, do sertão de Minas Gerais para contar estórias envolvendo animais, tipos humanos e paisagens. Ainda hoje costumo reler ‘Sagarana’ sempre que possível, na maioria das vezes por simples prazer.”

Nascido em 1937, em São Paulo, Bernardo Kucinski descende de uma família de judeus imigrantes da Polônia. Apesar de graduado em Física pela Universidade de São Paulo, tornou-se tornou-se jornalista e foi editor-assistente da revista Veja e do jornal Gazeta Mercantil e cofundador de vários jornais alternativos, entre os quais “Amanhã”, “Opinião”, “Movimento” e “Em Tempo”, e do site “Carta Maior”. Seu romance “K.” (Cosaf Naify) foi finalista dos prêmios Portugal Telecom e São Paulo de Literatura de 2012 e narra a história de um pai em busca da filha que desapareceu durante a ditadura militar no Brasil.

“Desde a infância leio tanto que não posso dizer ‘este livro foi o que mais me influenciou’. De cada um, algo ficou dentro de mim. Na infância, certamente, Monteiro Lobato tomou conta da minha imaginação. Já na adolescência foram muitos, Jorge Amado, Graciliano, Machado, na maturidade Verissimo, Guimarães Rosa e Clarice. Lembro ainda de ‘A morte e a morte de Quincas Berro D´água’ , de Jorge Amado, ‘Grande Sertão: Veredas’, de Guimarães Rosa e ‘Vidas Secas’, de Graciliano. Hoje, já como escritor em busca de suporte, estou lendo autores portugueses e africanos, e relendo Graciliano e José Lins do Rego.”

Dono da cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras desde novembro de 2013, Antônio Torres é um dos nomes mais importantes da sua geração. Nasceu no pequeno povoado do Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias), no interior da Bahia e, em Salvador, formou-se jornalista, trabalhando no Jornal da Bahia e no Última Hora. Em 2000, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o conjunto da obra: 17 publicações, entre romances, livros infanto-juvenis, contos e crônicas.

“Vim do sertão (baiano) e já havia chegado a São Paulo quando bati os olhos pela primeira vez num livro de Guimarães Rosa. Foi um deslumbramento. Através de suas páginas, eu iria fazer uma viagem de volta texto à fauna e flora, cheiros, cores e falares da minha infância. Memorável João. Embreei-me em suas veredas.”

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