Contando e Cantando (Volume 2)

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6 dicas para ler mais livros este ano

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(Foto: Thinkstock)

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Mude sua mentalidade sobre abandonar livros pela metade e faça um compromisso público de ler mais

Publicado na Época Negócios

Quanto você, de fato, lê? Você aproveita o tempo que tem? Faz da leitura uma prioridade? Em artigo publicado na Harvard Business Review (HBR), Neil Pasricha, autor do best-seller The Happiness Equation e diretor do The Institute for Global Happiness, conta que durante toda sua vida adulta leu em média cinco livros ao ano. Isso se tivesse sorte ou férias. No ano passado, no entanto, Neil mudou diversos de seus hábitos de leitura. O resultado? 50 livros lidos. Em 2017, ele resolveu dobrar sua meta: quer chegar à marca dos 100. Ler mais, defende, permitiu a ele ser mais criativo em todas as áreas de sua vida. Hoje, garante, arrepende-se de não ter estabelecido metas mais ambiciosas para suas leituras nos anos anteriores.

Neil não aumentou seu ritmo de leitura se tornando mais rápido, até porque ele diz ser lento na tarefa, mas sim mudando comportamentos, de modo que a leitura ganhasse mais espaço em seu dia a dia.

Ele, por exemplo, começou a centralizar sua leitura dentro de casa. Que tal gastar menos tempo vendo televisão? Um modo que ele e sua esposa encontraram de fazer isso foi mover a televisão de lugar. Eles a levaram para o porão da casa e instalaram uma estante de livros na parede que, outrora, era ocupada pelo equipamento. Ver TV tornou-se um “programa”, quando eles assistem a série especiais ou a importantes jogos de futebol. No dia a dia, ela não está mais ali no caminho para ser ligada a qualquer hora e por qualquer motivo.

Além disto, Neil tomou outras atitudes para manter sua meta de leitura e se manter estimulado a alcançá-la, dando um passo de cada vez. Ou melhor: de leitura em leitura. Confira abaixo:

Faça um compromisso público: no livro As Armas da Persuasão (Influence: The Psychology of Persuasion), Robert Cialdini compartilha um estudo da área de psicologia que mostra que, uma vez que as pessoas tornam suas apostas públicas no jockey, elas se sentem muito mais confiantes de que seus cavalos irão vencer. Cialdini utiliza o exemplo para defender que o compromisso público é uma das “seis grandes armas da persuasão”. Então, por que não seguir com os livros o mesmo método de apostas?

Há vários aplicativos e serviços que podem te ajudar nisso. O Goodreads ou o Reco são bons exemplos. Neles, é possível estabelecer uma meta anual, conectar-se a amigos ou colegas, acompanhar o que eles estão lendo e inserir livros para leituras futuras. O Goodreads, por exemplo, permite que você não somente mostre qual livro está lendo aos amigos, como vá atualizando o “progresso”: as páginas que vai conquistando a cada dia. Ao final, você irá dar uma nota (de 1 a 5 estrelas) para a obra.

Encontre listas confiáveis e com curadoria: Pense que a indústria literária coloca no mercado, em média, 50 mil livros por ano. É impossível ter tempo de sentar e conferir todos eles. Como selecionar então uma boa obra diante dessa infinidade de opções? Neil diz que gosta de olhar a lista de sugestões elaborada por livrarias pequenas e indepedentes, além de buscar “os livros favoritos” de pessoas que admira — Bill Gates, por exemplo, sempre faz a sua anual. Achar listas boas nem é tão difícil assim. O difícil é conseguir encontrar aquela que combina com seu gosto de leitura. Para isso é preciso caçar, buscar, ler, conversar e ouvir podcasts.

Mude sua mentalidade sobre abandonar um livro: você já se sentiu muito mal em abandonar um livro pela metade? Não se sinta. Neil defende que, pelo contrário, isso pode ser um motivo de orgulho. Mude sua mentalidade. Não perca tempo com algo que não está gostando. Ele comenta que desiste de três ou quatro livros para cada livro que, de fato, termina. Sua técnica é fazer o teste das “cinco primeiras páginas” antes de comprar qualquer livro – ele lê o início da obra, analisando a linguagem, o ritmo e o tom.

Monte uma “estante dinâmica”: Neil afirma que percebeu que deixou sua estante igual por anos e a via como algo “fixo” ou como “objeto artístico”. Ela estava sempre lá, rodeada por lindos vasos com flores. Agora, ele a encara como um “organismo vivo”. Precisa estar sempre em mudança. A cada semana, ele comenta que coloca cinco novos livros e tira outros três. Empresta alguns livros para bibliotecas do bairro, lojas ou vende em outlines online. Repassa livros para amigos. Ter uma estante dinâmica, como define, é importante porque estimula a ler mais, a mudá-la sempre e a torná-la sempre atraente.

Leia livros de papel: Neil diz que não gosta de ler e-books ou fazer leituras direto pelo celular. Ele se esforça diariamente para trazer novos livros para casa — e fazê-los circular depois. “Em uma era na qual somos filmados e fotografados e tudo vai para o digital, há um sentimento especial em ter uma coleção física de livros na sua própria casa. É, no fundo, uma representação física da evolução e mudanças que estão passando pela sua cabeça enquanto você está lendo. E pode ser também, em meio a tantas telas digitais que nos cercam, um descanso tocar os livros com nossas próprias mãos — sem precisar ligar ou desligá-los”, afirma.

Há uma oportunidade a cada esquina: Neil relembra uma história narrada por um amigo que lhe contou um conselho do escritor Stephen King: gastar cinco horas por dia lendo. Ele achou aquilo uma besteira ou, no mínimo, algo impossível. Mas, anos depois, ele estava de férias em Maine (EUA), esperando para entrar em um teatro com sua namorada. E, justo quem estava na sua frente, aguardando na fila? Stephen King. Sua cara estava praticamente grudada a um livro e King continuou lendo até que todas as luzes se apagassem. Também voltou a ler quando a peça acabou. Foi quando ele confirmou, ao vivo, o conselho de King. No final, a lição que tirou é que nós podemos ler muito mais do que lemos atualmente. Há oportunidades a cada esquina, enquanto você aguarda em uma fila, pelo ônibus ou metrô.

O segredo para ler 200 livros por ano

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É só fazer as contas e colar nos bons hábitos

Publicado no Administradores

As práticas de leitura têm mudado drasticamente à medida em que as pessoas passam mais tempo online. A última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro, apontou que houve um aumento no número de leitores, mas o quadro ainda é preocupante: 44% dos entrevistados não haviam lido nenhum livro nos três meses anteriores à realização da pesquisa. Outros 30% nunca compraram um livro.

Em média, os brasileiros leem 4,96 livros por ano – sendo que 0,94 é indicado pela escola e 2,88 são lidos por vontade própria. Os pesquisadores perguntaram aos não-leitores – aqueles que não haviam lido nenhum livro nos três meses anteriores – quais eram os principais motivos do desinteresse pela leitura. A resposta campeã, com 32% dos entrevistados, foi a falta de tempo.

A falta de gosto (28%), falta de paciência (13%) e a preferência por outras atividades também preocupam. Mas vamos nos ocupar do motivo principal.

A melhor maneira para o desenvolvimento cognitivo, aprendizado, e até para ter uma melhor inteligência emocional é a boa e velha leitura. Não apenas especialistas recomendam a prática, como também profissionais bem sucedidos em suas áreas – podemos citar, seguramente, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Barack Obama e Warren Buffett.

O último, a propósito, deu a seguinte dica para quem tem interesse em ser bem-sucedido: “Leia 500 páginas por dia. É assim que o conhecimento funciona. Ele é construído, como juros compostos. É tudo o que qualquer um pode fazer, mas garanto que poucos irão”.

Em um artigo publicado no site Better Humans, o autor Charles Chu revela que, nos últimos dois anos, conseguiu ler 400 livros de capa a capa. “A decisão de começar a ler foi uma das mais importantes da minha vida. Livros me deram coragem para viajar. Livros me deram a convicção para deixar meu trabalho. Livros me deram modelos, heróis e significados num mundo onde eu não tinha nada disso”, conta.

O segredo para ler essa quantidade prodigiosa de livros – ou ao menos uma quantidade significativa – se baseia apenas em um melhor gerenciamento do tempo. Ele aponta três passos para qualquer pessoa que queira ler mais.

1. Não desista antes de começar

A primeira reação de qualquer um quando confrontado com algo como “leia 500 páginas por dia” é inventar alguma desculpa. “Sou muito ocupado”, “não sou tão inteligente” ou “não gosto muito de livros” são algumas.

Como em qualquer outra ação, o primeiro passo é o mais decisivo. Mas, para conseguir chegar à meta de 200 livros por ano, não basta apenas o entusiasmo inicial.

2. Faça as contas

Um adulto consegue ler, em média, 200 a 400 palavras por minuto. Livros de não-ficção, que têm uma escrita mais fluida e direta, têm em torno de 50 mil palavras.

— 200 livros x 50 mil palavras/livro = 10 milhões de palavras
— 10 milhões de palavras/400 palavras por minuto = 25 mil minutos
— 25 mil minutos/60 minutos por hora = 417 horas

Para ler 200 livros, são necessárias 417 horas. Pode haver uma margem, a velocidade de leitura pode ser menor, mas é uma média razoável.

Para quem trabalha 40 horas ou mais por semana, ainda é um desafio conseguir tanto tempo. Mas não é impossível.

3. Encontre tempo

O brasileiro gasta 650 horas por ano em redes sociais. O tempo desperdiçado é 60% superior à média mundial. Os dados são da pesquisa Digital Future Focus Brazil 2015, da comScore.

Ainda não chegamos às maratonas de séries na Netflix ou aos programas de TV. Apenas nas horas gastas com os olhos colados no smartphone enquanto o polegar rola o feed de atualizações.

Portanto, não é exagero dizer que existe muita gordura para ser queimada nesse bife. Vale lembrar também que não são apenas os brasileiros: norte-americanos passam 608 horas nas redes sociais e 1642 horas em frente à TV – são 2250 horas perdidas por ano.

Se utilizadas para leitura, um adulto comum conseguiria ler mil livros por ano. Portanto, tempo não é uma desculpa aceitável. “Todos nós temos o tempo que precisamos. O assustador – a parte que todos ignoramos – é que estamos muito viciados, muito fracos e muito distraídos para fazermos o que é realmente importante”, aponta Chu.

A teoria é simples. Menos redes sociais, mais leitura. A prática, como sempre, é difícil.

4. Execução

Se você chegou até aqui, entende que a leitura é importante para seu desenvolvimento como profissional e como ser humano. Para dar uma utilidade a essa informação, é necessário saber o que fazer de agora em diante.

Use o ambiente

Viciados em cocaína que querem deixar o vício sabem que não podem ter drogas ao alcance dentro de casa. Com as redes sociais não é tão diferente, já que elas são criadas para viciar – fazer com que as pessoas passem a maior parte possível do seu tempo conectadas, consumindo publicidade.

O primeiro passo, portanto, é adequar o ambiente. Por exemplo, deixando livros em locais de fácil acesso e removendo todas as distrações do local. Isso inclui a tela inicial do smartphone. Sim, aqueles atalhos e notificações que chegam a cada minuto.

Construa hábitos

Um passo após o outro, um dia acompanhado do próximo. Não existem maneiras fáceis de desenvolver um hábito. Mas, como já antecipou Warren Buffett em relação à própria leitura, funciona como juros compostos: quanto mais acumula, mais obtém de retorno.

Chu recomenda o livro Superhuman by habit (sem edição em português), que contém dicas práticas para construir hábitos. No entanto, esse é um processo que pode durar meses ou anos e está sujeito a erros. Desistir, no entanto, só vai prejudicar. Porque, um dia, você vai querer retomar o hábito da leitura, e vai gastar energia para isso. Errando ou acertando, não pare.

Leia em várias plataformas

Ler mais não significa gastar fortunas com livros. Livros podem ser lidos em papel ou em telas de vidro. Podem ser lidos em parques, bibliotecas ou banheiros. Podem até ser ouvidos.

“Seja oportunista em relação à leitura. Se você tiver uma chance, agarre. Se não tiver, encontre uma”, recomenda Chu.

Quantos livros você leu no ano passado? A leitura é importante para você? Deixe sua opinião nos comentários.

Simples passos para conseguir ler mais ao longo do ano

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Em primeiro lugar, nada como reduzir o tempo que se passa nas redes sociais.

Daniela Costa Teixeira, no Notícias ao Minuto

Ler é uma das atividades que mais estimula o lado intelectual das pessoas. Um bom livro é capaz de ensinar, relaxar e dar asas à imaginação, mas um bom livro é também – ou pelo menos devia ser – uma forma de passar o tempo, sempre apostando na qualidade.

Para quem pretende ler mais este ano, o primeiro passo a dar é reduzir o tempo que se passa nas redes sociais. Como indica o site Quartz, o tempo que as pessoas passam online ao longo do ano daria para lerem 200 livros, sim, 200 livros.

Depois, continua a explicação, é preciso escolher um livro que seja do agrado e não desistir antes de começar… ou às primeiras páginas. Algumas histórias cativam logo nas primeiras palavras, mas outras podem implicar uma maior atenção e paciência.

Encontrar um momento do dia para ler e fazer disso uma rotina diária é fundamental para que se ganhe o hábito e para que a história se mantenha cativante, contudo, existem muitos fatores que interferem com a capacidade de concentração e entusiasmo. O ambiente do local onde se vai ler deve ser o mais organizado e iluminado possível e não conter qualquer tipo de distração, incluindo-se aqui a televisão, que deve manter-se desligada. O celular deve estar fora do alcance e o computador desligado também.

Conhecer o hábito de leitura vai levar à estabilização do mercado

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Maria Fernanda Rodrigues, no Hoje em Dia

ENTREVISTA
ROBERT DARNTON, historiador

Em 2009, o americano Robert Darnton, então diretor da Biblioteca de Harvard, lançou A Questão do Livro, uma coletânea de ensaios sobre passado, presente e futuro deste que é um de seus principais objetos de estudo. À época, o e-book ganhava força nos Estados Unidos e já chamava a atenção de editores de outros países. Aposentado há um ano, ele segue interessado no tema – tanto que entrega, na próxima semana, o original de A Literary Tour de France, sobre o livro e seu mercado no século 18, e será o principal nome do 6.º Congresso do Livro Digital, dia 25.

Nesta entrevista ao Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo, ele atualiza algumas questões de sua obra e reafirma que o futuro será mesmo digital.

Há tempos o senhor pesquisa a história do livro. O que, deste momento que estamos vivendo, deve entrar para a história?

A mudança mais óbvia é a tecnológica. A internet transformou o modo como os livros são produzidos, vendidos e lidos. As mudanças que começaram em 1991, com o desenvolvimento da internet, são tão grandiosas quanto às da Era Gutenberg. E elas continuam. Não é exagero dizer que o mundo do livro está passando por sua maior transformação em 500 anos. É excitante e ameaçador para profissionais do livro, mas, para mim, é um tempo de grandes oportunidades.

Quando o senhor lançou A Questão do Livro, discutia-se o futuro do livro diante do crescimento do e-book – e os mais catastróficos falavam no seu fim. Lá se vão 7 anos e há quem fale, agora, na morte do livro digital. Como o senhor avalia esses últimos anos no que diz respeito às ameaças do digital ao físico e às ameaças da conjuntura ao digital?

As pessoas amam fazer declarações dramáticas como essas e sobre a obsolescência das bibliotecas, e isso entra na imaginação de outras pessoas. Mas são afirmações imprecisas. No geral, penso que a situação dos livros, impressos e digitais, é melhor hoje que há 10 anos. E também as bibliotecas, pelo menos nos EUA, estão num ótimo momento e se tornando mais importantes do que nunca. Sobre a morte do e-book, e eu só posso dizer isso por informações dos EUA, sabemos que a venda do digital diminuiu cerca de 10%. A estatística é acompanhada de outra informação interessante. Houve um aumento do número de livrarias independentes – e elas só vendem obras impressas. Podemos dizer que houve um revival do livro impresso, mas isso não sinaliza uma transformação para o mercado de e-books. Depois de um período de fascinação com o e-book, tudo está se estabilizando agora, o que quer dizer que a demanda é estável. Além disso, é provável que seja verdade que diferentes tipos de leitura requeiram diferentes tipos de livros. As pessoas estão lendo mais literatura light em e-readers e o impresso tende a atrair e estimular leituras mais profundas. Admito que o pensamento é simples. O que acontece é que se está tentando conhecer os hábitos de leitura. Como resultado, podemos ter uma espécie de estabilização do mercado no lugar do desaparecimento do e-book, que continua indo bem.

Então ainda não é o momento de desanimar?

Pelo contrário. Há informações de que a venda de um e-book pode favorecer a venda de sua versão impressa e isso é fascinante. Um dos problemas que todos os editores enfrentam é como fazer com que a informação sobre seu livro chegue ao leitor no cenário em que há menos revistas e jornais publicando resenhas e em que as livrarias podem exibir um número limitado de livros. Então ocorre um processo que chamo de degustação. As pessoas podem ler um pouco do livro online para decidir se vão comprar ou não. As editoras estão descobrindo que podem ganhar dinheiro oferecendo gratuitamente um livro na internet e depois vendendo o exemplar em livrarias. Não deve ser verdade sempre e nem em todos os lugares, mas é um exemplo de como podemos ser otimistas sobre o futuro do livro em geral.

Muito se discute, também, se a informação é assimilada de forma mais superficial.

Minha intuição é que as pessoas usam aparelhos eletrônicos para literatura de entretenimento, mas não é verdade que elas nunca os usam para ler literatura séria. O problema é que é muito difícil anotar em livros digitais. Além disso, o antiquado codex é uma das maiores invenções de todos os tempos e já provou o quão eficiente ele ainda é. Outra coisa interessante: descobrimos que, nos EUA, a venda de livros impressos aumentou e que algo como 310 mil novos títulos foram lançados no ano passado nos EUA; de e-books, foram cerca de 700 mil, e muitos deles eram gratuitos. Isso quer dizer que as pessoas estão publicando mais porque é mais fácil. Temos uma democratização do mundo dos autores e dos leitores. As coisas estão mudando de um jeito muito interessante.

O fato de os e-books serem mais baratos ou gratuitos desvaloriza o produto ou ajuda a promover o acesso à leitura?

Há alguma verdade nisso de as pessoas não valorizarem o que podem ter gratuitamente. Mas o que acontece é que um público mais amplo está tendo acesso a livros graças a plataformas de acesso livre e às novas tecnologias. Um bom exemplo é o projeto SimplyE, parceria entre a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública Digital da América. Ele torna livre o acesso a livros por crianças e jovens ao redor do país. Pessoas de áreas mais pobres podem, agora, ter livros gratuitamente e ler. Editores querem seus títulos no projeto porque ele vai espalhar o hábito da leitura. E mais: as editoras não estão perdendo dinheiro porque essas pessoas não compravam livros. O público leitor está sendo ampliado graças ao livro digital.

Como o senhor vê o mercado editorial hoje?

Não há muita diferença entre os livros que estão sendo publicados hoje e os do passado. A leitura está se tornando mais superficial com a disseminação do e-book? Bem, talvez sim, talvez não. Alguns dos argumentos não me convencem, sobretudo o que finge ser baseado em artigos científicos sobre como o cérebro funciona. Dizem que ler coisas online e nos tablets nos deixa mais burros. Honestamente, não acho que já sabemos como o cérebro funciona para termos uma certeza assim.

É preferível ler qualquer coisa a não ler nada?

Uma vida sem leitura é triste. E não lendo nada seríamos cortados de boa parte de nossa cultura. A importância de democratizar o acesso por meio da internet me parece central.

Como fazer isso?

Deveria haver mais apoio público às bibliotecas e elas deveriam se tornar centros eletrônicos de difusão da literatura. Fácil de dizer, difícil de executar. O potencial está lá. Alguém deve assumir a liderança e convencer governos a dedicar mais atenção a isso. Não se trata de uma ideia ingênua. Estamos descobrindo que podem haver consequências econômicas se tivermos maior e melhor acesso a livros e artigos.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leitura: em ranking de 30 países, Brasil ocupa 27ª posição

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Brasil: 27ª posição posição no ranking de leitura.

Brasil: 27ª posição posição no ranking de leitura.

Pesquisa de “hábitos de mídia” mostra que brasileiro gosta mesmo é de televisão, rádio e internet – nesta ordem!

Cícero Nogueira, no Blasting News

Em maio deste ano, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) surpreendeu ao admitir que os livros de colorir estavam salvando o mercado editorial brasileiro – até então, haviam movimentado R$ 25,18 milhões.

Agora, uma possível explicação para isso chegou de Londres: de acordo com o NOP World Culture Score Index, um estudo realizado pela agência NOP World para medir “hábitos de mídia” em 30 países, o Brasil se classificou na 27ª posição no ranking de leitura, à frente apenas de Tawian, Japão e Coréia.

A pesquisa mostrou que o brasileiro dedica, em média, apenas 5 horas e doze minutos por semana para a leitura de livros.

Ao que parece, a preferência nacional é mesmo ver televisão (18 horas e quinze minutos) – neste quesito nos classificamos na oitava posição – e ouvir rádio (17 horas semanais).

Também surpreende o apetite do brasileiro para a internet: por aqui se gasta em média 10 horas e trinta minutos semanais navegando com fins não profissionais, o que nos coloca na nona posição do ranking.

Venezuelanos e argentinos são os melhores classificados na América do Sul

Entre os trinta países, destacam-se na América do Sul a Venezuela (14ª no ranking) e a Argentina (18ª), com 6 horas e vinte e quatro minutos e 5 horas e cinquenta minutos de leitura semanal, respectivamente.

Nas duas posições imediatas à frente do Brasil encontram-se o Reino Unido e o México. Os súditos da rainha Elizabeth II reservam semanalmente 5 horas e dezoito minutos para a literatura; os hispanohablantes mais desenvolvidos das Américas, 5 horas e trinta minutos.

E o troféu vai para… a Índia!

Tudo o que conhecemos da Índia pode se resumir ao folhetim de Glória Perez, ao premiado filme ‘Quem quer ser um milionário’ e às reportagens de Glória Maria no Globo Repórter? Arebaguandi! Acrescente na sua lista de conhecimentos o fato de os indianos serem os que mais dedicam horas semanais para a leitura de livros, de acordo a NOP World.

O tempo médio semanal de leitura na Índia é 1 hora e trinta minutos maior do que a segunda colocada do ranking, a Tailândia. Os indianos utilizam 10 horas e quarenta e dois minutos de seu tempo semanal para a leitura de livros; os tailandeses, 9 horas e vinte e quatro minutos.

E você? Dedica mais ou menos tempo que a média nacional para a leitura de livros?

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