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‘A resposta está nos nativos digitais’, diz o historiador Roger Chartier

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Roger Chartier é professor de Collège de France, diretor na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales e professor visitante na University of Pennsylvania

Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

Cinthya Oliveira | Hoje em Dia

Um dos mais prestigiados historiadores do mundo, o francês Roger Chartier nos mostrou que é possível conhecermos mais sobre a humanidade a partir das pesquisas sobre as relações entre os homens e os textos. O pesquisador é o convidado do projeto “Literaturas: questões do nosso tempo”, que será realizado nesta terça, no Sesc Palladium, dentro da programação comemorativa de cinco anos do centro cultural.

Ao lado do historiador Robert Darnton (diretor da biblioteca da Universidade de Harvard), Chartier vai falar sobre os marcos e as transformações da prática literária desde a invenção do codex – manuscrito que substituiu o pergaminho.

Por ter a história da leitura como foco principal de suas pesquisas, Chartier passou a ser muito estudado não somente por estudantes de História, mas também nos cursos de Educação e Letras. Com o Hoje em Dia, ele conversou sobre contemporaneidade e o impacto das novas tecnologias sobre a história da leitura. Confira.

Houve muitos fatos históricos que contribuíram para a popularização da prática de leitura ao longo do mundo moderno e contemporâneo, como a invenção da imprensa e a universalização do ensino. Com a tecnologia e a internet, vivenciamos novas mudanças. Quais contribuições e questões a revolução digital tem trazido à prática de leitura na contemporaneidade?

Para responder à sua pergunta, me parece que devemos pensar que a descontinuidade existe inclusive nas aparentes continuidades. A leitura diante da tela é uma leitura descontínua, segmentada, ligada mais ao fragmento que à totalidade. Não seria talvez, por esse motivo, a herdeira direta das práticas permitidas e suscitadas pelo codex? Esse último convida a folhear os textos, apoiando-se em seus índices ou mesmo a “saltos e cabriolas” – à “sauts et gambades” como dizia (o jurista Michel de) Montaigne. É o codex, e não o computador, que convidou a comparar diferentes passagens, como queria a leitura tipológica da Bíblia que encontrava no Antigo Testamento prefigurações do Novo, ou a extrair e copiar citações e frases, sentenças e verdades universais, assim como exigia a técnica humanista dos lugares comuns. Contudo, a similitude morfológica não deve levar ao engano. A descontinuidade e a fragmentação da leitura não têm o mesmo sentido quando estão acompanhadas da percepção da totalidade textual contida no objeto escrito, tal como propõe o codex, e quando a superfície luminosa da tela, onde aparecem os fragmentos textuais, sem nos deixar ver imediatamente os limites e a coerência do corpus (livro, número de revista ou de periódico) de onde foram extraídos. A descontextualização dos fragmentos e a continuidade textual, que não diferencia mais os diversos discursos a partir de sua materialidade própria, parecem contraditórias com os procedimentos tradicionais do aprender lendo, que supõe tanto a compreensão imediata como a percepção das obras como obras, em sua identidade, totalidade e coerência.

Conforme o tempo passa, mais leitores o mundo ganha. O Brasil, por exemplo, viu seu mercado editorial crescer muito nos últimos anos. Mas além da quantidade, a qualidade da leitura vem se transformando ao longo do tempo?

A noção de “qualidade” da leitura pode ser muito subjetiva. A questão mais essencial para mim é: como preservar maneiras de ler que construam a significação a partir da coexistência de texto em um mesmo objeto (um livro, uma revista, um periódico), enquanto o novo modo de conservação e transmissão dos escritos impõe à leitura uma lógica analítica e enciclopédica, onde cada texto não tem outro contexto além do proveniente de seu pertencimento a uma mesma temática? Estas perguntas têm relevância particular para as gerações mais jovens que, ao menos nos meios sociais com recursos e nos países mais desenvolvidos, têm se iniciado na cultura escrita através da tela do computador. Nesse caso, uma prática da leitura muito imediata e naturalmente habituada à fragmentação dos textos de qualquer tipo se opõe diretamente às categorias forjadas no século 18 para definir as obras escritas a partir da individualização de sua escrita, a originalidade da criação e a propriedade intelectual de seu autor. A aposta não é sem importância, pois pode levar tanto à introdução na textualidade eletrônica de alguns dispositivos capazes de perpetuar os critérios clássicos de identificação de obras como tal, em sua coerência e identidade, quanto ao abandono desses critérios para estabelecer uma nova maneira de compor e perceber a escrita como uma continuidade textual sem autor ou copyright, no qual o leitor corta e reconstrói fragmentos móveis e maleáveis.

A transformação digital também permitiu que todos se tornassem não apenas leitores, mas também produtores de textos, mesmo que isso aconteça apenas em redes sociais. Qual é o impacto disso em uma sociedade?

Me parece que devemos distinguir três modalidades da revolução digital. Primeiramente, a transformação dos textos que existem ou poderiam existir na forma impressa e o processo que construiu coleção digitais ou que geralmente fundamenta a edição digital. Em segundo, a criação de obras digitais irredutíveis na forma impressa, tanto obras de ficção multimídia quanto “livros” de saber que aproveitam as possibilidades hipertextuais e a coexistência entre textos, imagens e materiais sonoros. Em terceiro, a digitalização das experiências e conceitos mais fundamentais da existência humana. Com as redes sociais, são as noções de identidade, intimidade, amizade ou espaço público que se encontram profundamente redefinidas. Nunca devemos esquecer que as discussões sobre o livro, a edição ou a leitura (no sentido clássico) representam uma parte muito marginal da conversão digital de nosso tempo.

A história da leitura é estudada por meio dos vestígios deixados por leitores nos livros, como marcações nas margens, sublinhados e assinaturas. É possível imaginar como será o estudo dos historiadores no futuro, quando o foco do estudo estiver ligado ao século 21?

Também deixa vestígios a leitura digital (por exemplo as anotações compartilhadas, as discussões dos blogs ou dos “youtubers”, ou o que se escreve sobre as leituras nas redes sociais), mas é verdade que estes vestígios também são ameaçados pelo apagamento. E o mesmo com a escrita digital que deixa vestígios no computador, mas vestígios que não se podem comparar com os documentos utilizados pela crítica genética. Talvez para ajudar aos historiadores do século 21 seria útil multiplicar hoje pesquisas sociológicas, dados estatísticos e observações etnológicas sobre os leitores de hoje.

Há dez anos, o senhor esteve no Fórum das Letras, em Ouro Preto, para realizar a conferência “A morte do livro”, em que tratava das possibilidades do futuro do livro como obra e do livro como material. O que mudou nestes dez anos sobre a sua percepção sobre o assunto?

Terminei esta palestra com uma incerteza. Hoje me parece ainda mais justificada. Por um lado, resiste o livro impresso no mercado do livro. Salvo nos Estados Unidos e no Reino Unido, a porcentagem dos livros digitais nas vendas de livros nunca supera 5%. Por outro lado, todas as “instituições” da cultura impressa se encontram num estado de crise. Na Europa livrarias desaparecem a cada dia, frente à concorrência dos supermercados ou da Amazon. No mundo todo, os jornais têm grandes dificuldades econômicas. E as bibliotecas conhecem a tentação de privilegiar as coleções digitais e afastar os leitores dos objetos impressos. Dentro da longa duração da cultura escrita, toda mudança (o aparecimento do codex, a invenção da imprensa, as várias revoluções da leitura) produziu uma coexistência original de objetos do passado com técnicas novas. Pode-se supor que, como no passado, os escritos serão redistribuídos entre os diferentes suportes (manuscritos, impressos, digitais) que permitem sua inscrição, sua publicação e sua transmissão. Resta, porém, o fato da dissociação de categorias que constituíram uma ordem do discurso fundamentada sobre o nome do autor, a identidade das obras e a propriedade intelectual e, de outro lado, o radical desafio a essas noções no mundo digital. Podemos pensar e esperar como Umberto Eco e Jean-Claude Carrière por um futuro no qual existiria uma coexistência das varias culturas escritas. Mas acho que a verdadeira resposta não está nos hábitos e desejos dos leitores que entraram no mundo digital a partir de suas experiências como leitores de livros impressos. A resposta pertence aos “digital natives” (nativos digitais) que identificam espontaneamente cultura escrita e textualidade eletrônica. São suas práticas da leitura e da escrita, mais do que nossos discursos, que vão decidir a sobrevivência ou a morte do livro, o apagamento do passado ou sua presencia perpetuada.

Ler livros aumenta longevidade, diz estudo

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Pesquisa diz que quem lê livros tem redução de 20% no risco global de mortalidade

 

Phillippe Watanabe, na Folha de S. Paulo

“‘Viram?’, disse Hermione quando Harry e Rony terminaram. ‘O cachorro deve estar guardando a Pedra Filosofal de Flamel!’. ‘Uma pedra que produz ouro e não deixa a gente morrer!’, exclamou Harry.”

O trecho de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” pode ser adaptado, pelo menos em partes, para a vida real. É só trocar a pedra filosofal por um livro.

Claro que a ideia de vida eterna também é um exagero, mas uma pesquisa recente afirma que a leitura de livros pode resultar em um tempo a mais de vida.

Ler livros reduziu, aparentemente, em 20% os riscos de mortalidade das pessoas que, por 12 anos, foram acompanhadas. A pesquisa, publicada na revista “Social Science & Medicine”, utilizou dados do Health and Retirement Study, realizado pela Universidade de Michigan. Os 3.635 entrevistados eram adultos acima de 50 anos.

Além de verificar se e quanto as pessoas liam, o estudo, chamado “A Chapter a Day” (Um Capítulo por Dia, em tradução livre), precisou “descontar” o efeito de alguns fatores que influenciam a longevidade, entre eles: câncer, doenças de pulmão, infarto, diabetes e hipertensão. Estado civil e situação e trabalho, histórico de depressão, idade, sexo, raça e condição econômica também foram considerados.

Mesmo assim, os pesquisadores da Universidade Yale constataram uma bela vantagem na sobrevivência daqueles que liam em média 30 minutos por dia, quando comparados a não leitores.

“É divertido saber que quanto mais leio mais tempo vou ter para ler”, diz o professor de literatura Edmundo Juarez, 57.

O estudo afirma que livros propiciam uma “leitura imersiva”, na qual o leitor consegue fazer conexões entre o que está sendo lido e o mundo ao redor, as possíveis aplicações daquilo na vida real.

Vocabulário, concentração, pensamento crítico, empatia, comportamentos mais saudáveis e menos estresse. A melhora de todos esses processos cognitivos, no fim, pode levar a uma vida um pouco mais longa.

Juarez concorda que a leitura diária melhora a saúde mental. Um dia sem livros faz com que ele se sinta mal.

“É o melhor passatempo que existe e é barato. O tempo passa voando, mesmo que ele vá devagar. Você se sente bem ao terminar a leitura.”

O brasileiro, em geral, tem opiniões um pouco diferentes sobre o assunto. Segundo a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada este ano pelo Instituto Pró-livro e pelo Ibope Inteligência, apenas 24% dos entrevistados disseram gostar de ler livros no tempo livre.

Redes sociais, televisão, música, WhatsApp, tudo isso está na frente da leitura de livros no gosto dos brasileiros.

A mesma porcentagem de pessoas, 24%, declararam gostar de ler jornais e revistas no tempo livre, outro tipo de leitura que também foi levado em conta na análise dos pesquisadores da Universidade Yale. Contudo os resultados para os periódicos, mesmo ainda positivos, não foram tão expressivos.

PRÓXIMA PÁGINA

Mesmo que o estudo norte-americano tenha tentado controlar todos os fatores que, de alguma forma, poderiam influenciar na expectativa de vida, algumas coisas podem ter escapado.

“A qualidade da educação recebida. Se uma pessoa estudou em escolas melhores (mesmo tendo a mesma escolaridade), isso pode ter levado ela a, ao mesmo tempo, ler mais livros e também a adquirir maior conhecimento sobre saúde que a levem a tomar mais cuidado com a sua saúde e portanto viver mais”, afirma Alexandre Chiavegatto, professor de estatísticas de saúde da USP.

Mesmo com a pesquisa bem conduzida, mais estudos ainda são necessários para provar a relação. “Se a associação for confirmada no futuro, espero que escrevam um livro sobre o assunto”, brinca Chiavegatto.

Na dúvida, vale guardar sua pedra filosofal –ou tentar encontrar uma.

É assim que o Google está mudando a sua memória

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O “efeito Google” descreve a influência da internet na memorização. Até que ponto isso é ruim?

Emerson Martins, no Tecnoblog

Como é o nome daquele filme? Aquele que tem o ator que fez aquela série lá sobre mentiras? Peraí, deixa eu ver aqui (no smartphone). Ah, é Tim Roth!

Essa cena, que ocorreu comigo durante uma conversa de bar, ilustra bem um fenômeno que vem sendo chamado de “efeito Google”: usamos tanto a tecnologia para obtermos informações que nos habituamos a não retê-las na memória; se precisarmos saber de algo rapidamente, uma olhadinha no Google resolve.

Mas até que ponto isso é benéfico?

Esse comportamento vem sendo fortemente percebido em instituições de ensino. Muitos alunos já não recorrem à biblioteca como antes e dão pouca importância à memorização, o que pode comprometer processos de aprendizagem. Em empresas, funcionários mais novos podem ficar perdidos na tomada de decisões se não tiverem a tecnologia como meio para isso.
Como assim efeito Google?

O efeito Google recebeu informalmente essa denominação por volta de 2010, quando o assunto começou a ser estudado com afinco. De lá para cá, o fenômeno ganhou mais força por causa desse dispositivo aí que está bem pertinho de você: o smartphone.

Em 2010, os dispositivos móveis já eram bastante usados para acesso à internet, mas desktops e laptops ainda dominavam. Hoje, a realidade é bem diferente: por questões de custos e praticidade, muita gente sequer tem um PC em casa, delegando o acesso à internet inteiramente ao smartphone.

A praticidade é incontestável. Precisa saber se amanhã é feriado? Tira o celular do bolso e pesquisa. Qual a temperatura ideal para beber vinho? Idem. Qual estação do metrô é mais próxima daquele shopping? Google Maps. Como é “trilhão” em espanhol? Google Tradutor. É “mussarela” ou “muçarela”? Recorra ao Google Now.

Os exemplos remetem ao Google, mas o acesso rápido à informação não se limita aos serviços da empresa. Hoje, temos à nossa disposição aplicativos para bolsa de valores, guia de restaurantes, avaliação de filmes, previsão do tempo, resultado de jogos esportivos, tradução em tempo real, receitas culinárias, agenda e assim por diante.
Qual o problema?

Tudo é tão fácil, tão imediato na internet. O que pode haver de errado nisso? Segundo pesquisadores, acabamos recorrendo tanto à tecnologia que o cérebro se adapta a esse comportamento sem percebermos: a internet aparece com um recurso infindável e permanente, logo, não é necessário memorizar tanto. Se estamos com sede, bebemos água. Se estamos com frio, nos agasalhamos. Se precisamos saber alguma coisa, perguntamos ao Google.

Betsy Sparrow, professora de psicologia da Universidade Columbia, é uma grande estudiosa do assunto. Ela ressalta que o cérebro humano busca, sobretudo, eficiência: se o órgão perceber que vale mais a pena saber como efetivamente encontrar informação do que guardá-la, vai priorizar o primeiro comportamento.

Aí está o ponto de ruptura: nos tornamos excelentes em encontrar informação. As gerações atuais sabem combinar palavras-chave no Google ou acionam o aplicativo certo para cada tipo de atividade de maneira muito mais rápida e efetiva que uma pessoa que não esteve tão imersa na evolução tecnológica.

O “sintoma” mais presente é o esquecimento de coisas corriqueiras, como o telefone de casa ou o nome de um artista muito admirado. Mas o ponto que mais preocupa é que esse novo modo de agir pode interferir em habilidades e processos que são críticos no dia a dia.

Um dos testes conduzidos por Sparrow em seus estudos foi bem simples: a um grupo de voluntários foi dada a tarefa de digitar no computador frases de curiosidades, como “o olho do avestruz é maior que o seu cérebro”. Todos foram orientados a memorizar o máximo possível de afirmações. Posteriormente, o grupo foi dividido em dois. O primeiro foi informado de que as informações digitadas seriam apagadas. O segundo, não. Na etapa final, que consistia em revelar as afirmações memorizadas, o grupo que não sabia que as informações seriam apagadas teve desempenho bem pior.

No ambiente de ensino, esse comportamento pode dificultar o desenvolvimento do raciocínio lógico ou da habilidade de analisar e comparar informações. Isso porque o indivíduo acaba não encontrando necessidade real de estudar o assunto com profundidade.

Em outra parte da pesquisa, voluntários foram submetidos a um teste de Stroop, que mede a nossa reação quando nos deparamos com cores fora do contexto, por exemplo, a palavra ‘azul’ escrita com a cor amarela. A tarefa consistia em identificar as cores das palavras sem se importar com o significado delas. Se você demora mais para identificar ou se lembrar de uma cor, significa que, provavelmente, a palavra associada a ela tem mais importância para você.

Pois bem, a equipe de Sparrow notou que os participantes tiveram mais dificuldades para processar cores relacionadas a nomes como ‘Yahoo’ e ‘Google’, especialmente depois de enfrentar perguntas difíceis, sugerindo que o primeiro impulso dessas pessoas é buscar na internet respostas para as questões que elas não sabem responder.

Essa dependência pode deixar a pessoa perdida quando ela não tem como acessar a internet ou, pela dificuldade de se concentrar em outros meios de obtenção de informação (uma biblioteca, por exemplo), excessivamente cansada.

As pessoas também podem ter dificuldades para estimar esforços ou a habilidade para resolver problemas. Um estudo conduzido por Adrian F. Ward, da Universidade Harvard, mostrou que um grupo de voluntários teve menos desempenho em um teste do que eles acreditavam que teriam. Para eles, é como se a internet fosse uma extensão do cérebro. Se a informação está lá e você tem acesso imediato a ela, fica mais difícil mensurar o que se sabe e o que não se conhece.
Ufa, não estamos ficando burros

Isso significa que estamos ficando menos inteligentes ou qualquer coisa assim? Não. É necessário levar em conta que a internet propicia o aumento da quantidade de informações com as quais lidamos em curtos intervalos de tempo, logo, o tal do efeito Google também pode ser visto como uma forma que o cérebro encontrou para não ficar (tão) sobrecarregado. Notificações de aplicativos diversos, email, redes sociais, mensagens instantâneas, notícias… É muita coisa para processar.

Não é difícil entender esse mecanismo. Se você tem um único compromisso para a semana que vem, provavelmente se lembrará dele. Mas se são vários, é bom ter tudo numa agenda. Diante desse grande volume de informações, o cérebro priorizará o mecanismo que dá acesso a elas (neste caso, te lembrará de sempre consultar a agenda). Assim, a memória de curto prazo fica livre para outros afazeres.

Betsy Sparrow e outros pesquisadores chamam isso de memória transacional. O que estamos vendo aqui é que o cérebro se comporta do mesmo jeito em relação à internet. Como ali a carga de informações é muito maior, o comportamento retratado pelo chamado efeito Google se torna padrão.

Assim, a percepção do efeito Google serve de alerta, fundamentalmente. Não é ruim termos tanta facilidade para obtenção de informações, mas é importante usarmos os recursos disponíveis com equilíbrio. Via de regra, todo excesso faz mal. Felizmente, é mais fácil do que parece.

Já se sabe que, na hora de estudar, escrever à mão em vez de digitar costuma ter muito mais efeito na memorização e, consequentemente, na compreensão da ideia. Se estamos em um passeio, teremos muito mais benefícios cognitivos e satisfação se não ficarmos o tempo todo preocupados em tirar fotos ou filmar.

Jogos de tabuleiro ou cartas, por exemplo, também ajudam a manter as nossas capacidades de raciocínio e memorização aguçadas. O hábito de ler livros também (mas tem que ser hábito mesmo).

Para quem se o preocupa com o assunto, acima de tudo, vale a pena fazer uma reflexão sobre os hábitos online e, a partir daí, tentar aplicar os ajustes necessários. Se perguntar se você conseguiria executar determinada tarefa sem consultas à internet ou se sujeitar a testes de conhecimento sem ajuda do Google pode ser um bom jeito de começar.

Saiba como despertar nas crianças o interesse pela leitura

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Publicado no Ribeirão Preto Online

O brasileiro lê muito pouco, apenas 4,96 livros por ano. Esse fato foi constatado pela quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Para completar, o estudo mostrou ainda que o incentivo para reverter a situação é baixíssimo. Por exemplo, 67% da população não recebeu qualquer apoio de alguém para abrir um livro sequer.

Para o professor, coordenador pedagógico e fundador do blog “Como educar seus filhos” Carlos Nadalim, o hábito da leitura deve vir de casa. Segundo ele, para combater a falta de interesses, os pais precisam contar mais histórias em voz alta para as crianças.

O especialista conta que muitas vezes esse é o grande momento do dia dos filhos por ser uma ocasião de descobertas da criança e também da aproximação da família. “Minha primeira dica é que leiam em voz alta, para eles mesmos, o livro escolhido”.

Por que fazer isso? Para se familiarizar com a narrativa, é preciso dominar a história antes de lê-la. Isso porque os pequenos percebem quando o pai ou a mãe está lendo por ler uma determinada história. Elas sabem quando estamos fingindo interesse. Evite isso a todo custo – relata.

Outro ponto a ser analisado, segundo Nadalim, é que o texto precisa ser interessante para o leitor e para o ouvinte. Ele enfatiza a importância de se colocar no lugar das crianças e observar se o conteúdo é instigante e se a sonoridade é agradável. “Caso seu filho tenha certa idade, será capaz de entender o significado de determinada palavra em outros contextos”.

Por esse motivo, sugiro sempre fazer uma leitura prévia. Isso permite ver se existe algum ponto do texto que deva ser omitido ou que não mereça destaque. Muitas vezes, nós, pais, pegamos o primeiro livro que temos à mão e fazemos a leitura. Surge então um trecho ou palavra que você julga inadequado para a criança naquele momento e você acaba lendo sem pensar. Ela então ouve o que você disse e começa a repetir – diz.

Nadalim ressalta também que a ilustração merece cuidados. Os pais devem ter a percepção se o desenho vai atrair a criança e chamar a atenção dela. Ele chama enfatiza ainda o fato de se ao longo da história há frases repetidas.

Ele explica que as imagens conseguem manter o interesse dos pequenos, por incrível que pareça. Quando você lê histórias em que as frases se repetem, isso cria expectativa na criança, ela espera por essa repetição. “Trata-se de um recurso interessante para a leitura em voz alta”.

Obviamente há muitas outras sugestões acerca desse assunto tão vasto que é a preparação da leitura em voz alta e os critérios para você escolher os livros e as histórias. Portanto, use e abuse desse recurso – conclui.

Site: http://comoeducarseusfilhos.com.br/blog/

Estudo conclui que quem lê livros tende a viver mais

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Hábitos de leitura. Foto: Reuters

Hábitos de leitura. Foto: Reuters

 

De acordo com uma nova investigação, quem habitualmente lê livros vive, em média, mais dois anos do que aqueles que não têm hábitos de leitura

Publicado no TVI 24

São diversos os estudos que revelam que a leitura tem múltiplos benefícios para a saúde. Agora, uma nova investigação concluiu que aqueles que cultivam mais frequentes hábitos de leitura têm, em média, mais dois anos de esperança de vida do que os restantes.

De acordo com o New York Times, o estudo levado a cabo por Becca L. Levy, professora de epidemiologia na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou dados de 3635 pessoas com idades acima dos 50 anos. Os cientistas dividiram a amostra em três grupos: os que não liam livros, os que liam até três horas e meia por semana e o os que liam mais do que isso.

Comparativamente com o grupo que não lia de todo, aquelas pessoas que tinham o hábito de ler livros até três horas e meia por semana tinham menos 17% de probabilidade de vir a morrer nos 12 anos seguintes. Já os que liam mais do que isso, tinham menos 23% de probabilidade de vir a morrer nesse espaço de tempo.

Apesar de os motivos não terem sido enunciados, concluiu-se que há uma ligação semelhante com a leitura de jornais, ainda que mais tênue.

O estudo revelou ainda que a maioria dos leitores são mulheres, pessoas que possuem mais elevados níveis de alfabetização e que pertencem a grupos com rendimentos mais altos.

Segundo o The Independent, um estudo de 2008 da “Prison Reform Trust” já tinha revelado que há uma ligação entre os níveis de alfabetização e o crime. De acordo com esse estudo, cerca de 48% dos prisioneiros britânicos eram praticamente analfabetos.

Um outro estudo feito na Universidade de Pádua, em Itália, concluiu que as crianças que têm mais acesso à leitura de livros tendem a poder esperar maiores rendimentos, enquanto adultos, do que aquelas que não tinham acesso à leitura.

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