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Atividades para estimular o hábito da leitura na sua Família

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familia lendo

Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Estudos recentes afirmam que se os pais estão ativamente envolvidos no progresso da leitura de uma criança, o pequeno tem mais chances de alcançar o sucesso pessoal. Nossa compreensão das coisas, isto é, a capacidade individual de assimilar conhecimentos, seja na área profissional ou na vida pessoal, a maioria dessas coisas depende da leitura.

E não estou falando em comprar alguns livros coloridos, jogar no quarto do seu filho e esperar que ele comece a lê-los por osmose. Além de ler em voz alta, há uma infinidade de outras atividades que você pode fazer com a sua família para ajudar a incentivar o excelente hábito da leitura e desenvolver um duradouro amor pelos livros.
Veja alguns exemplos abaixo.

✔ Criar um ambiente apropriado. Só de ter algumas prateleiras recheadas de livros já ajudaria bastante a estimular a leitura no seu lar. Durante os primeiros anos de vida, esse ambiente será tudo que seu filho conhecerá, e seria excelente se os livros fizessem parte dele.

✔ Aprenda mais sobre os interesses dos seus filhos. Desse modo você poderá sugerir livros, artigos ou revistas que abordam temas que eles realmente gostam.

✔ Certifique-se de que seus filhos vejam você lendo. As crianças gostam de imitar os adultos. Quando estiver lendo na presença deles, demonstre através de gestos e comentários o quão satisfatório é aquele ato. Além disso, dessa forma o seu filho será estimulado a dar valor a leitura, e isso criará um vínculo entre vocês ao associar todo aquele agradável sentimento com a leitura.

✔ Visite a biblioteca da sua cidade. Um passeio em família para a biblioteca local é uma excelente oportunidade para diversas atividades. Vocês podem ler um para o outro, compartilhar interesses e discutir suas preferências de leitura. Também pode gravar as histórias lidas para ser tocada em casa na hora de dormir na falta de uma babá.

✔ Alguns filmes são excelentes pontos de partida para motivar a leitura. Após assistir um filme baseado em um livro, por exemplo, as crianças podem ficar motivadas em ler os livros ligados aquele universo.

✔ Experimente realizar atividades relacionadas a temática da literatura. Você pode encontrar inúmeros títulos cujo os conteúdos sugerem a realização de tarefas e atividades divertidas.

✔ Prepare uma noite de jogos com a família. Você pode encontrar muitos jogos tradicionais inspirados em clássicos da literatura, e também sempre pode contar com o RPG como uma forma eficiente de polir o interesse do seu filho pela leitura.

✔ Encene peças teatrais entre a família. A escrita de roteiros, ensaios e o simples ato de decorar as falas, pode ajudar as crianças a aprender sobre escrita, organização e estrutura de histórias.

A leitura e a infidelidade

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Cláudia De Villar, no Homo Literatus

A leitura provoca muitos sentimentos, mas percebe-se, já há algum tempo, que esse hábito está levando alguns leitores à infidelidade. Você que pensou que essa infidelidade ocorre quando um deles não lê e é deixado de lado pelo parceiro leitor, engana-se. Ambos traem. Não é uma traição levada pelas narrativas de amor e sexo, mas uma traição literária.

O leitor apaixona-se por uma obra, a narrativa não lhe sai da cabeça. Os sonhos são repletos de lugares e cenários do livro e essa paixão cega os olhos, provoca suores, calafrios. Esse leitor, doente de amor por seu livro, passa somente a falar dele. Não tem mais assunto. O assunto é o livro. A todos que ele encontra é feita uma ‘propaganda’ da obra. As qualidades daquela trama são descritas minimamente. Passa a achar ilógico alguém não se apaixonar por sua obra. Sim, sua, pois nesse momento a obra não é mais do autor, mas sua. Apodera-se do enredo, dos diálogos, dos pensamentos da personagem. Decide vestir-se igualmente ao mocinho da trama. Revolta-se com a proximidade do fim dos capítulos. Porém, a criatura vai a uma livraria e… É amor à primeira vista. Apaixona-se, perdidamente, por outra obra!

Então, o leitor, antes apaixonado pelo livro 1, vai até a prateleira, toca no novo livro, acaricia-o, vagarosamente, sente o seu cheiro, abre o livro, com ar de cientista, toca, novamente, em suas folhas, como se estivesse tocando em uma joia rara, aproxima os olhos, como se fosse míope, e olha com olhos arregalados o prefácio, lê o que há nas orelhas… Ah, as orelhas, são locais fantásticos para o leitor faminto por papel novo e, dessa forma, se vê perdidamente apaixonado pela nova obra. É infiel.

Sim, o leitor, mas o leitor com o terrível fetiche por leitura não consegue controlar os seus instintos literários e é infiel. Trai o livro que ainda está lendo. Muitas vezes, leva a nova obra para casa e a lê escondido, para que não seja descoberto! Vê o livro antigo na cabeceira de sua cama. Deixa-o ali mesmo e passa a levar o novo livro para o serviço. Lê nas horas vagas, lê na hora do almoço, lê nos intervalos, lê no ônibus e, quando chega em casa, age como um leitor honesto. Faz tudo igual, como sempre fez nos tempos remotos, toma banho, janta, assiste à novela e vai deitar ao lado de seu velho livro, de seu amor antigo. Primeiramente, ele olha para a obra e dá um longo suspiro e toca-o, meio a contragosto, abre-o. Nem o olha mais com aquele mesmo olhar apaixonado. Nem aspira mais o seu perfume. Lembra-se do livro que está em seu trabalho. O perfume do novo livro está em sua memória olfativa. Balança a cabeça a fim de espantar aquele cheiro inebriante! Esforça para se concentrar no livro antigo. Não lembra em qual página parou. Procura o marcador de páginas. Encontra-o. Volta a ler e dorme no meio da leitura. Sonha com o livro do serviço e suas páginas tentadoras com os seus belos parágrafos e sua língua, ops, sua linguagem envolvente. É infiel.

Como esse triângulo amoroso termina? Diga você, leitor, o que faz um leitor voraz?

Estudos comparam compreensão de texto de quem lê livros eletrônicos e de papel

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Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

O hábito de ler em meios digitais ainda é minoritário –menos de 5% dos livros vendidos hoje no Brasil são e-books, enquanto o número nos EUA chega a 25% –, mas cada vez mais pessoas aderem aos livros eletrônicos. Faz alguma diferença, para o bem ou para o mal?

Comparações entre os dois tipos de leitura indicam um empate técnico.

Por um lado, é possível que ler uma narrativa num e-reader (aparelho projetado para a leitura digital) atrapalhe um pouco a percepção que a pessoa tem da estrutura da história, ainda que não interfira em outros aspectos. Por outro, a possibilidade de personalizar detalhes do texto parece ajudar quem tem dificuldades de ler no papel.

A ligeira desvantagem do leitor digital foi identificada num estudo liderado por Anne Mangen, da Universidade de Stavanger, na Noruega.

Ela dividiu 50 estudantes em dois grupos –um tinha de ler a versão em papel de um conto da americana Elizabeth George, enquanto o outro lia o texto num e-reader Kindle. Depois, tinham de responder a perguntas sobre o conto.

A percepção sobre os personagens da narrativa, por exemplo, não variou de forma significativa entre os grupos, e a sobre objetos da história foi até melhor entre quem lia via e-reader, mas os usuários do Kindle sofreram mais para identificar a sequência correta de acontecimentos na trama.

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Editoria de Arte/Folhapress

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Editoria de Arte/Folhapress

Já a equipe de Matthew Schneps, do departamento de educação científica do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica (EUA), trabalhou com mais de cem adolescentes com dislexia (dificuldade de leitura e escrita). A comparação foi entre ler em papel e em iPods Touch configurados para mostrar de duas a três palavras por linha em letras grandes.

O resultado: os adolescentes com mais dificuldade para captar o som das palavras, bem como os que tinham menos capacidade de atenção visual, tiveram melhora significativa na velocidade de leitura e na compreensão.

A possibilidade de personalizar os aparelhos é um dos trunfos dos e-readers, afirma Carla Viana Coscarelli, especialista em letramento digital da Faculdade de Letras da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“Do ponto de vista da acessibilidade, isso é um achado. O mesmo vale para a conversão de texto para áudio no caso de leitores com deficiência auditiva”, compara.

No entanto, no caso de leitores sem grandes dificuldades, ela aponta que não há diferença entre os meios. “O trabalho cognitivo de fazer inferências e perceber ideias implícitas é o mesmo”, diz.

“A situação ainda é muito fluida, porque os dois tipos de leitura continuam misturados, e essa transição vai ser demorada”, diz Ana Elisa Ribeiro, doutora em linguística aplicada e professora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais.

Uma das variáveis que influenciam os hábitos de leitura é a relação da pessoa com cada tipo de livro. E-readers e tablets têm tido impacto grande em quem lê textos acadêmicos –nesse caso, a tendência é trabalhar só com o formato eletrônico.

“Por outro lado, vi um estudo interessante com aqueles romances populares femininos, do tipo ‘Júlia’ e ‘Sabrina’. Nesse caso, as pessoas tendem a comprar em papel uma grande quantidade de títulos, em especial os preferidos delas”, diz Ana Elisa.

Também não parece haver diferença no tempo de leitura entre livros digitais e impressos, ou mesmo no nível de concentração.

“Mesmo que você esteja ouvindo música e lendo no tablet ao mesmo tempo, sua atenção só vai ter um único foco”, exemplifica Ana Elisa.

“É uma faca de dois gumes. Outros aplicativos podem acabar tirando você do texto, mas você também pode usá-los para procurar uma palavra no dicionário, acessar vídeos ou blogs sobre o tema. A experiência de leitura não necessariamente fica mais dispersa –pode se tornar mais aprofundada.”

dica do Jarbas Aragão

Ler: um hábito ou um vício?

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Até que ponto o gosto pela leitura pode ser considerado um hábito saudável e que deve ser mantido? Quando essa prática pode se tornar um vício? Existe algum mecanismo que possa ser utilizado para que possamos chegar a um veredito?

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Cláudia De Villar, no Homo Literatus

Todos sabemos que a leitura agrega conhecimento, melhora o vocabulário, ajuda a manter a mente sempre em ação, leva o leitor a passear por lugares ainda não conhecidos, estimula a criatividade e insere o cidadão no mundo globalizado. Mas como algo que traz tantos benefícios pode ser considerado um vício?

Como toda a ação tem a sua reação, a prática excessiva da leitura pode sim levar o leitor a um mundo particular, desvinculando-o do convívio com a sociedade. Quando o cidadão passa a não mais participar da vida ‘fora’ do livro ele passa a sofrer as consequências da vida solitária. Não basta viajar nas páginas dos livros, temos que respirar o ar que existe além da obra.

O hábito da leitura passa a ter ares de vício quando a pessoa transfere a sua vida para a leitura apenas. Não sai mais com amigos, não conversa com a família, não vê diversão senão através da alegria vivida pelas personagens. O vício é algo que não faz bem a ninguém, nem ao usuário do livro e nem aos quem convivem com um leitor compulsivo.

Para esse leitor compulsivo a verdade e a vida estão apenas nas palavras ditas pelo escritor e suas personagens. Qualquer pessoa real que venha a discordar de algum personagem ou autor passa a ser seu inimigo. Eis um dos malefícios do vício em ler: não enxergar veracidade além da obra ou de seu autor preferido.

Autores erram. São humanos. Mas o leitor viciado em apenas acreditar sem questionar não percebe isso e fica indignado quando um amigo contradiz o que o seu escritor escreveu.

Dessa forma, o leitor viciado não aceita palpites, não aceita convites para saídas, pois vê na leitura a única saída para a sua salvação. Perde, aos poucos, amizades, colegas e a sua própria vida. Vira um zumbi letrado. E nada é mais chato do que conviver com um leitor viciado que não tem assunto além das páginas de um livro. Assim sendo, há uma grande diferença entre o vício e o hábito de ler. Quem tem o hábito tem tudo! Além de todos os benefícios anteriormente citados, tem a vantagem de viver por si só.

Com “Netflix dos livros”, Amazon quer ampliar influência no mercado editorial

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Kindle Unlimited permite que usuários paguem mensalidade e leiam quantas obras quiserem; serviço pode dificultar relação com editoras e estimular leitores a descobrir novos escritores

Luísa Pécora, no Último Segundo

“Netflix dos livros” foi o apelido dado ao Kindle Unlimited, serviço lançado pela Amazon no qual, pagando uma assinatura mensal, o usuário pode ler quantos e-books quiser. Anunciada há duas semanas, a novidade da gigante do comércio online movimentou o mercado editorial, que avalia o impacto do modelo para autores, editores e leitores.

Ainda não disponível no Brasil, o Kindle Unlimited cobra pouco menos de US$ 10 (R$ 22) ao mês e permite que o usuário leia um número ilimitado de livros dentro de um catálogo de 600 mil títulos. O sistema funciona mais como biblioteca do que como livraria: o leitor “aluga” as obras, mas não é dono delas; se a assinatura é cancelada, o livro é retirado do e-reader.

Thinkstock/Getty Images Venda de ebooks por assinatura mensal são nova tendência nos EUA

Thinkstock/Getty Images
Venda de ebooks por assinatura mensal são nova tendência nos EUA

O serviço pode ampliar a já enorme influência da Amazon no mercado editorial e de e-books, que a empresa ajudou a fortalecer com o lançamento do Kindle, em 2007. Hoje, só livros digitais para adultos movimentam US$ 1,3 bilhão (R$ 2,9 bilhões) nos Estados Unidos, de acordo com dados da Association of American Publishers relativos a 2013.

Entre o Kindle e seus competidores, como Apple iBooks e Kobo, 79 milhões de norte-americanos usarão e-readers em 2014, quase 9% a mais do que no ano passado, de acordo com pesquisa da eMarketer.

A Amazon é a primeira grande companhia a apostar no mercado de livros por assinatura, mas o serviço já é oferecido por empresas norte-americanas menores como a Oyster e a Scribd. Por mensalidades similares à do Kindle Unlimited, elas oferecem acesso ilimitado a 500 mil e 400 mil títulos, respectivamente.

As três empresas apostam na ideia de que o consumo de mídia digital por assinatura, que tem funcionado para serviços como o Netflix e o Spotify, chegou para ficar. Mas ainda não está claro se o sistema tem o mesmo apelo quando aplicado à literatura: afinal, a maior parte das pessoas lê menos livros por mês do que assiste a filmes ou ouve música.

AP Alguns dos livros disponíveis no Kindle Unlimited

AP
Alguns dos livros disponíveis no Kindle Unlimited

“Há uma diferença no consumo do produto e no hábito do leitor. Filme eu assisto em uma hora e meia. No caso de um livro, posso levar duas semanas ou mais”, afirma Breno Lerner, superintendente da editora Melhoramentos, em entrevista ao iG.

Duas semanas é pouco: dados divulgados em janeiro pelo Pew Research Center apontam que a média de norte-americanos leu 5 livros em 2013. Para estes consumidores, assinar o Kindle Unlimited pode ser menos interessante do que comprar os e-books individualmente. O Amazon Prime, da própria empresa, pode ser uma opção mais vantajosa, já que, por preço mais barato, oferece conteúdo de vídeo, vantagens na entrega de produtos e o “empréstimo” de um e-book grátis por mês.

Amazon x editoras

Para leitores mais vorazes (2% dos usuários do Scribd leem mais de 10 obras por mês, segundo o “New York Times”), o que fará a diferença será o acervo. Como o Netflix, nenhum dos serviços de assinatura de livros oferece lançamentos muito recentes e o número de títulos disponíveis é relativamente pequeno: o catálogo completo da Amazon, por exemplo, ultrapassa 2,5 milhões de e-books.

Além disso, ao contrário da Oyster e do Scribd, o Kindle Unlimited por enquanto não inclui obras das cinco principais editoras norte-americanas: Penguin Random House, Macmillan, HarperCollins, Hachette and Simon & Schuster.

Getty Images Stephen King é um dos 900 autores da Hachette que assinaram carta contra a Amazon

Getty Images
Stephen King é um dos 900 autores da Hachette que assinaram carta contra a Amazon

A ausência não foi comentada oficialmente, mas há meses a Amazon trava uma disputa com a Hachette. A empresa foi acusada de usar táticas agressivas – entre elas o atraso na entrega de obras da editora – para garantir vantagem nas negociações sobre preços e conseguir aumentar sua renda com a venda de e-books.

A chegada do Kindle Unlimited deve tornar mais complexa a já difícil negociação entre as editoras e a empresa quanto ao pagamento. É possível, por exemplo, que o serviço acabe puxando uma queda nos preços que não interessa às editoras.

“Há uma preocupação na indústria de que o serviço por assinatura pode desvalorizar os livros por torná-los ‘grátis'”, afirma Mark Coker, criador do Smashword, plataforma de autopublicação e distribuição de e-books.

O site de Coker é o maior fornecedor de títulos do Oyster e do Scribd, com mais de 250 mil títulos disponíveis em cada serviço. Mas ele não faz negócios com a Amazon, já que a empresa só dá espaço a autores independentes que lhe cedam exclusividade, ou seja, retirem sua obra de todos os sistemas concorrentes.

Novos autores

A negociação é delicada: por um lado, o autor se beneficia da estrutura e do alcance da Amazon; por outro, se submete a um sistema de pagamento mais incerto. No Oyster e no Scribd, o valor pago por cada livro é definido previamente no contrato. No Kindle Unlimited, varia a cada mês, com a divisão de um fundo entre todas as obras “emprestadas” definindo o preço unitário.

“No Oyster e no Scridb, nossos autores ganham 60% do preço da venda”, diz Coker. “O Kindle Unlimited não paga sob os mesmos termos, o que significa que os autores de livros mais caros vão ganhar menos em assinaturas do que nas vendas convencionais.”

Spencer Platt/Getty Images O Nook, da Barnes and Noble, concorrente do Kindle da Amazon

Spencer Platt/Getty Images
O Nook, da Barnes and Noble, concorrente do Kindle da Amazon

Autor dos digitais “O Jogo dos Papeletes Coloridos” e “O Centro do Universo”, o escritor Paulo Santoro acha que entrar no Kindle Unlimited é mais atrativo no mercado norte-americano, dada a expressiva participação de mercado da Amazon.

“Se o novo serviço vingar, oferecerá ao livro uma vitrine gigantesca de exposição, sugerindo valer a pena a troca da porcentagem nas vendas das livrarias online pelo diminuito pagamento a cada streaming do livro”, diz. “No Brasil, o volume operado não indica que poderia valer a pena num primeiro momento.”

Degustação gratuita

Uma das vantagens do Kindle Unlimited e dos demais serviços de livros por assinatura é estimular os usuários a dar uma chance a obra de autores que não conhecem – arriscar e testar, afinal, não custará nada. “Os leitores não terão mais o peso de ter de decidir se o livro vale o investimento”, explica Coker.

O estímulo também é visto com bons olhos por Tiago Ferro, sócio da editora brasileira de livros digitais e-galáxia. “Mas isto vai variar conforme o catálogo disponível. Se for muito completo, o autor iniciante terá que lutar contra os nomes estabelecidos. Se for incompleto, os leitores não se sentirão atraídos pelo produto. Resta saber para que lado vai o equilíbrio.”

Ferro acha difícil opinar sobre se o Kindle Unlimited vingaria no Brasil, onde os e-books estão em alta: ainda que a participação de mercado seja pequena, de 2,3%, o faturamento subiu de R$ 3,8 milhões em 2012 para R$ 12,7 milhões em 2013, segundo dados divulgados na semana passada pela Câmara Brasileira do Livro.

“Não saberia avaliar um produto antes da sua chegada”, diz Ferro. “Depende do modelo de negócios com autores e editoras, como será o catálogo, a facilidade do acesso e o preço para o leitor.”

O superintendente da Melhoramento concorda e acrescenta que, desde já, não vê o novo serviço da Amazon como ameaça. “Sou fornecedor de conteúdo. A mídia quem vai solicitar é o consumidor”, afirma. “Se quiser e-book, vou fazer. Se quiser CD, vou fazer. Se quiser tabuinha de barro, vou descobrir como faz.”

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