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Coleção Clássicos Autêntica apresenta contos de fadas em versões integrais

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As mais belas histórias reúnem textos de Andersen, Irmãos Grimm e Perrault

Publicado no Jornal do Brasil

Com o sucesso das recém-lançadas edições de Pollyana e Pollyana Moça, a Autêntica decidiu apostar em seu antigo projeto de publicar de clássicos infantis e juvenis criando a coleção Clássicos Autêntica. Os próximos lançamentos para este ano são dois volumes de As Mais Belas Histórias, antologias de uma das formas literárias mais importantes de todos os tempos: os contos de fadas.

Para Sonia Junqueira, editora de infantis e juvenis da Autêntica, a leitura desses textos ajuda na formação do leitor e na compreensão da vida, porque mostram a superação de medos e aflições, o perdão, o enfrentamento de situações de perigo, auxiliando na definição da estrutura psíquica do leitor infantil. “Estamos animados em publicar essa linha: títulos excelentes, que estão no imaginário das pessoas, com o habitual cuidado e rigor na tradução e na edição dos textos aliados ao cuidado gráfico, num projeto que investe num visual clássico com “pegada’vintage”, declara.

Reunindo textos conhecidos de Hans Christian Andersen, dos Irmãos Grimm e de Charles Perrault, os livros trazem versões integrais das histórias que circulam pelo mundo como clássicos por excelência. O primeiro volume conta com 14 títulos bastante conhecidos, como A bela adormecida, O gato de botas e O patinho feio. Já o segundo volume traz 7 textos, entre eles Cinderela, A Pequena Sereia, A rainha da neve e João e o pé de feijão, o único não recontado por nenhum dos três autores e sim pelo escritor e folclorista australiano Joseph Jacobs.

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De acordo com Antonieta Cunha, especialista em leitura e literatura para crianças e jovens que apresenta os dois volumes, são textos para todas as idades: a leitura dos contos de fadas pelos adultos, por exemplo, permite que cada um revisite sua infância e se lembre das emoções vividas, enquanto essas narrativas são (re)contadas ou (re)lidas. “O que todas essas histórias possuem – indefectivelmente – é um elemento mágico, o maravilhoso, responsável por um dom extraordinário, que “põe as coisas em ordem”: os inocentes e os injustiçados, os pobres desprezados acabam vencendo”.

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Para 2017, estão previstos os títulos Heidi, clássico infantil de Johanna Spyri, em tradução de Karina Jannini; Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, traduzidos por Márcia Soares Guimarães; O Mágico de Oz, por Luis Reyes Gil; Peter Pan, por Cristina Antunes; Tarzan, por Márcia Soares Guimarães, e Viagens de Gulliver, por Maria Valéria Rezende, vencedora do Prêmio Jabuti 2015 nas categorias “romance” e “livro do ano de ficção” .

Sobre os autores:

Hans Christian Andersen nasceu na Dinamarca do século XIX, era de família pobre e, na infância, não teve muitas oportunidades de estudar. Mesmo com todas as dificuldades, acreditou em seu talento para as artes e se dedicou à poesia e à escrita de histórias infantis, que se tornaram clássicos da literatura para crianças e jovens e são lidas e apreciadas até os dias de hoje.

Jacob e Wilhelm Grimm nasceram na Alemanha do século XVIII; os irmãos, ambos acadêmicos, linguistas, poetas e escritores, deram grandes contribuições à língua alemã. Dedicaram-se ao registro escrito de fábulas infantis populares e são famosos até hoje pelas histórias que compilaram e que se tornaram clássicos da literatura infantil e juvenil.

Charles Perrault é conhecido como “pai da literatura infantil”. Foi um escritor e poeta francês do século XVII. Registrou as histórias que ouvia de sua mãe no livro Contos da Mamãe Gansa, primeira publicação do gênero conto de fadas. Foi também advogado e membro da Academia Francesa de Letras.

‘O que estimula a criança a ler é o exemplo’, diz Ana Maria Machado, homenageada da Flica

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Vencedora do Prêmio Jabuti por três vezes, Ana Maria ganhou também o mais importante prêmio da literatura infantojuvenil mundial: o Hans Christian Andersen

Roberto Midlej, no Correio 24Horas

A carioca Ana Maria Machado, 74 anos, é a homenageada da Flica deste ano, que acontece até amanhã. Ontem, ela participou de bate-papo com o público, para falar sobre sua história, em uma conversa mediada pela professora de Letras Mônica Menezes.

(Foto: Egi Santana/ Divulgação)

(Foto: Egi Santana/ Divulgação)

Vencedora do Prêmio Jabuti por três vezes, Ana Maria ganhou também o mais importante prêmio da literatura infantojuvenil mundial: o Hans Christian Andersen, pelo conjunto da sua obra. Para o público mirim, escreveu clássicos como Menina Bonita do Laço de Fita e História Meio ao Contrário.

Durante a ditadura, ela não escapou da sanha dos militares e foi mantida presa por dois dias: “Nunca disseram por que fui presa, mas eu dava aula em universidades e fazia parte de movimentos ativistas de oposição. Fiquei detida por dois dias porque, na verdade, eles queriam saber outras coisas”. Receosa, a escritora, que ia começar o doutorado, acabou indo para a França, onde estudou sob orientação de Roland Barthes (1915-1980), um dos maiores filósofos e linguistas do século passado.

Em seu retorno ao Brasil, voltou às redações dos jornais, onde já havia trabalhado antes do exílio. Paralelamente, se dedicou à literatura adulta e à infantojuvenil e chegou a ter, por 18 anos, uma livraria para crianças, o que, talvez, tenha contribuído para alimentar o rótulo de “escritora infantil”.

Apesar de ter uma extensa produção voltada para o público adulto, a senhora se tornou mais popular como autora infantil. A que atribui isso?
Talvez porque, quando comecei a escrever para crianças, havia poucos escritores que pensavam nesse público. E também porque recebi prêmios importantes internacionais, como o Hans Christian Andersen. Mas acho que essa não é uma pergunta para mim. Talvez seja uma pergunta para a mídia, que, não sei por que, criou esse rótulo. Mas não me incomoda isso. O que me incomoda é não poder responder a essa pergunta.

Muitos dizem que as crianças estão cada vez mais dispersas e não se dedicam à leitura. Como estimular que elas leiam?
O que estimula a criança a ler é o exemplo. O exemplo estimula a aprender qualquer coisa. Se a criança come de garfo e faca é porque vê os pais comerem assim. Mas se ela mora numa sociedade onde adultos comem com a mão, ela vai comer com a mão. Então, se ela mora numa família ou numa sociedade em que ninguém lê, ela não vai se interessar por leitura, mas se as pessoas em volta dela leem e falam sobre livros, ela vai se interessar, porque ler é uma atividade como outra qualquer. Eu tive uma livraria por 18 anos no Rio de Janeiro e nunca encontrei uma criança que não gostasse de ler. Ela podia não gostar de ler um ou outro tipo de livro, mas logo descobria outro, futucava e encontrava. E a concorrência da leitura com outras coisas, sempre houve.

As livrarias estão condenadas ao fim, como muitos acreditam?
A livraria e a biblioteca estão mudando. As livrarias estão colocando uns cafés ou um show de vez em quando em seu espaço. Mas é fato que o número de livrarias diminuiu porque há hoje outros meios onde se pode ler, como a internet. E não importa em que meio se lê. O texto pode estar num papel, num papiro ou num pergaminho. A obra de Homero só foi escrita muitos séculos depois da morte dele, porque antes só era transmitida oralmente. No entanto, hoje todos conhecem a Odisseia.

Durante a ditadura militar, a senhora chegou a ser presa e se mudou para a França. Como os militares justificaram sua prisão? Na sua volta ao Brasil, como foi trabalhar nos jornais?
Nunca disseram por que fui presa, mas eu dava aula em universidades e fazia parte de movimentos ativistas de oposição. Fiquei detida por dois dias porque, na verdade, eles queriam saber outras coisas. Acabei deixando o Brasil por isso, por recomendação de meu advogado. Na época, eu estava inscrita para fazer doutorado e levei tudo que eu tinha pronto para a França. Me inscrevi no doutorado lá e fui aceita para estudar com Roland Barthes, por três anos. Na volta, havia sido demitida da universidade. Aí, fui trabalhar no Jornal do Brasil. Já tinha tido experiência também no jornalismo na França, na revista Elle. E na Inglaterra, na BBC.

Durante dois anos, a senhora presidiu a Academia Brasileira de Letras. Que ações a ABL realiza, além de promover os encontros entre os seus membros?
Pensam que a ABL é só para os escritores tomarem o chá das cinco e para babar na gravata, mas a Academia faz várias coisas importantes. Primeiro, precisamos esclarecer que é uma instituição que não tem nada a ver com o governo. Na época em que a presidi, fizemos uma parceria com a Federação da Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj) para montar bibliotecas em comunidades populares. A Firjan equipava as bibliotecas e nós nos responsabilizávamos pela formação de mão de obra para trabalhar lá. Demos cursos e formamos 98 técnicos auxiliares de biblioteconomia em um curso na sede da Academia. Com a Marinha, fizemos uma parceria também. Os fuzileiros navais ajudaram a recuperar escolas de comunidades do Rio. Então, a ABL faz um trabalho social intenso que não se toma conhecimento porque não se quer. No centenário de Jorge Amado, fizemos convênios com quatro universidades estrangeiras que se dedicaram a estudar a obra dele.

Qual a importância de eventos como a Flica e outras festas literárias?
Esse eventos têm dois lados positivos. O primeiro é que a mídia lembra que existem livros, então isso rende cobertura e a divulgação rende uma multiplicação enorme. Além disso, acabaram os suplementos literários nos jornais e o livro não tem o mesmo espaço de outras artes, como o cinema e a música. Outro aspecto importante dessas festas literárias: mobiliza as pessoas a escolherem e adquirirem livros, além de, eventualmente, encontrarem o autor.

Autora acusa Disney de plagiar seu livro para criar o filme Frozen

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 Frozen foi um dos maiores sucessos da Disney de todos os tempos Divulgação

Frozen foi um dos maiores sucessos da Disney de todos os tempos Divulgação

Muneefa Abdullah, do Kuwait, alega em processo que sua obra foi roubada pela Disney

Publicado no R7

Uma autora do Kuwait, chamada Muneefa Abdullah, está acusando a Disney de plagiar um de seus livros no filme Frozen: Uma Aventura Congelante.

Muneefa escreveu em 2007 o livro New Fairy Tales, algo como Novos Contos de Fada, no qual há a história de uma Princesa da Neve. A autora explica no processo algumas das ideias que ela acredita que tenham sido roubadas pela Disney.

Além da protagonista ser uma princesa que manipula o gelo, há também um reino de gelo cercado por montanhas, uma irmã em busca de salvar a tal princesa de gelo, guardas feitos de gelo e a ideia de que o amor fraternal pode combater o mal.

A Disney promoveu Frozen como sendo baseado em A Rainha da Neve, do autor Hans Christian Andersen, história publicada em 1844. A empresa ainda não se pronunciou sobre a acusação.

Frozen: Uma Aventura Congelante rendeu mais de R$ 2 bilhões para a Disney, isso apenas em bilheteria, tirando os produtos licenciados, DVDs e Blu Rays.

Qual o verdadeiro significado dos contos de fadas?

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Qual o verdadeiro significado dos contos de fadas?

, na BBC Brasil

Era uma vez um estúdio de animação chamado Walt Disney Company, que lançou um feitiço que o permitiu assumir o controle do reino dos contos de fadas e se tornar uma corporação de mídia multinacional maior que o pé-de-feijão de João.

Desde então, gerações de crianças de todo o mundo cresceram assistindo a versões animadas de histórias que durante séculos não estavam nem no papel, e muito menos vinham acompanhadas de uma infinidade de brinquedos caros.

Malévola, a mais recente aposta da Disney na caixa registradora das bilheterias, tenta recuperar o lado negro da história da Bela Adormecida. Com um orçamento de mais de US$ 175 milhões, o filme traz Angelina Jolie no papel da fada má cuja perversidade é realçada por chifres, vestidos vampirescos e bochechas pontiagudas. A narrativa é contada sob o ponto de vista dessa sedutora anti-heroína, e descreve como um coração puro se transformou em pedra por causa de uma dura traição.

Os contos de fadas eram lendas contadas verbalmente. Em seu ensaio Breaking the Disney Spell, o professor de literatura Jack Zipes afirma que essas narrativas abordam temas como “iniciação, adoração, informação e doutrinação”. Por isso, se caracterizam por uma simplicidade superficial. São apenas histórias, livres de passagens descritivas e monólogos interiores, e povoadas por personagens que podem parecer unidimensionais. Os bonzinhos são sempre bonzinhos e os malvados, malvados. As imagens que essas fábulas conjuram costumam ser pouco sofisticadas e suas descrições beiram o banal: florestas são densas, princesas são bonitas e por aí vai. Como definiu o escritor Philip Pullman, “não há psicologia em um conto de fadas”.

Bem, diga isso a Freud ou a Jung. As histórias podem até não ter uma psicologia explícita, mas observe mais de perto e verá que seus traços psicológicos são difíceis de serem ignorados.

Pense no uso de sonhos em A Bela Adormecida. E isso é apenas o começo no que se refere a essa fábula, em particular. A princesa virginal, a picada da agulha, a cerca espinhosa que brota em torno da jovem e que floresce para o príncipe: a história está embebida em simbolismo psicológico. Se a roca simboliza a penetração, o sangue derramado sugere a menstruação e a cerca viva é a vagina. Uma vagina com dentes pronta para emascular qualquer príncipe que tentar atravessá-la apressadamente.

Para analistas, 'A Bela Adormecida' traz uma série de simbolismos sexuais

Para analistas, ‘A Bela Adormecida’ traz uma série de simbolismos sexuais

Os contos de fadas mais conhecidos hoje foram recolhidos e recontados em livros por entusiastas como os Irmãos Grimm, E.T.A. Hoffman e Hans Christian Andersen. Ao fazer isso, esses autores codificaram histórias que sempre foram fluidas, passando de uma pessoa a outra, e ganhando ou perdendo detalhes a cada nova narrativa, como em uma brincadeira de telefone sem fio. Mas, uma vez que passaram a ter uma existência escrita, tornaram-se textos que especialistas podiam analisar. E para Freud e Jung, eram tão produtivas quanto a Galinha dos Ovos de Ouro.

Os dois tinham suas teorias sobre por que essas histórias ressoam tão profundamente na psique humana. Para Jung, os personagens são arquétipos, e o motivo pelo qual parecem unidimensionais é porque cada um representa diferentes facetas de nossas personalidades. Para Freud, os contos de fadas têm origem no mesmo lugar que os sonhos, e imagens como florestas e espinhos indicam desejos reprimidos e fantasias não-realizadas. E sendo Freud quem era, tudo tem um fundo sexual.

As ideias de Freud influenciaram fortemente o psicólogo austro-americano Bruno Bettelheim, cujo livro A Psicanálise dos Contos de Fadas se tornou um sucesso no fim dos anos 70. Suas visões continuam populares até hoje, definindo metamorfoses, como a transformação do sapo em príncipe e da menina em pássaro, como uma alusão ao distúrbio da personalidade múltipla, ou ainda as tarefas impossíveis enfrentadas pelos protagonistas como exemplos das relações ambíguas encontradas em famílias problemáticas. Isso sem falar nas figuras paternas dos contos de fadas, geralmente homens fracos, monstruosos ou simplesmente ausentes.
Clássicos recontados

É sempre animador ver essas histórias surradas pelo tempo serem usadas como ponto de partida para novas narrativas, como Malévola.

Michael Cunningham, ganhador do prêmio Pulitzer por As Horas, faz uma referência a Hans Christian Andersen no título de seu mais novo romance, The Ice Queen, que conta a história de um músico batalhador, seu irmão gay e sua namorada terminal. O próximo livro de Cunningham, que deve ser lançado em 2015, reúne histórias curtas que recontam as fábulas mais tradicionais.

“Aqueles que cresceram assistindo às versões da Disney muitas vezes se assustam ao ver tanta morte e violência nos contos originais, e que foram cortadas das animações comerciais. Os contos de fadas são, na realidade, bem obscuros, intensos e estranhos”, diz o escritor.

Se voltar às origens é perturbador, as fontes que as inspiraram deveriam vir com alertas. Charles Perrault é o responsável por boa parte do que conhecemos hoje de A Bela Adormecida, mas sua primeira inspiração foi uma fábula italiana na qual uma jovem virgem cai em um sono tão profundo que não acorda nem ao ser estuprada por um rei que passava pelo local, engravidar e dar à luz gêmeos. Ela só desperta quando um dos bebês acidentalmente suga seus dedos em vez de seu peito. Uma cena forte o suficiente para mandar um leitor desavisado para a terapia.

Contos violentos devem ser lidos por crianças?

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Ilustração de "O Pequeno Polegar", do livro "Contos de Fadas" (ed. Zahar)

Ilustração de “O Pequeno Polegar”, do livro “Contos de Fadas” (ed. Zahar)

Guilherme Brendler, na Folha de S.Paulo

Todo mundo sabe que a vida de príncipes e princesas nos contos de fadas não é fácil, até chegar o final feliz. Mas já foi muito pior.

As histórias originais de Branca de Neve e cia. eram bem mais violentas do que as que conhecemos hoje.

Contos de fadas não foram criados para crianças. Surgiram por causa do desejo dos homens de se comunicar. Com o passar dos séculos, eram contados por adultos na hora do lazer.

Até que vieram as publicações em papel, e os contos começaram a aparecer em livros. A partir daí, escritores passaram a fazer adaptações das histórias.

Uma dupla famosa, dois irmãos alemães, Jacob e Wilhelm Grimm, pôs no papel algumas delas, como “Chapeuzinho Vermelho” e “A Bela Adormecida”. O francês Charles Perrault e o dinamarquês Hans Christian Andersen também são famosos por adaptações.

Elas narravam cenas de violência, falavam de abandono, de rivalidade, inveja e vingança. O lado mais sombrio dos originais, abandonado nas últimas décadas, está de volta em séries de TV, filmes, livros e exposição. Muitos desses textos estão no livro “Contos de Fadas” (ed. Zahar).

Em “Rapunzel”, o pai entrega a filha à feiticeira em troca de uma verdura. A madrasta da Branca de Neve manda matá-la e pede como prova seus pulmões e o fígado para comê-los (em versões mais antigas, é a mãe quem faz isso). Em “João e Maria” e em “O Pequeno Polegar”, filhos são abandonados pelos pais.

A VIDA ERA ASSIM

“O lado sombrio dos contos de fadas sempre existiu. É um registro do que ocorria na época em que surgiram”, diz a pesquisadora e escritora Katia Canton. “Competição entre mãe e filha, homens violentos com mulheres, abandono dos filhos pelos pais eram fatos frequentes”, diz Katia, autora de livros infantis.

Katia conta que os contos de fadas ressurgiram na cultura moderna com as adaptações da Disney, no final dos anos 1930, em versões que não traziam os detalhes mais cruéis.

“Contos de fadas são fundamentais para a formação. Histórias dramáticas devem ser contadas às crianças para o desenvolvimento delas”, diz Katia.

Junto do lado sombrio, os textos apresentam lições às crianças. São uma introdução do mundo real da vida adulta. Mas elas não vão sentir medo ao ouvirem histórias assim? “E daí?”, responde a escritora. “Sentir medo é importante para formação da criança.”

PARA LER JUNTO

Além de histórias originais, “Contos de Fadas” (Zahar, R$ 64,90) traz comentários sobre elas.

Direcionados aos mais velhos, explicam os contos e a época em que foram criados. É ideal para adultos e crianças lerem juntos.

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