Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Henry James

40 trocas de insultos entre escritores e cantores famosos

0

1

Carlos Willian Leite, na Revista Bula

A literatura e a música são um terreno fértil para intrigas. Não foram poucas as vezes que nomes consagrados da literatura e da música mundial deixaram a elegância de lado e alfinetaram colegas de ofício. Pequenas declarações se transformaram em polêmicas gigantes e inimizades eternas. Nesta edição, publico uma seleção de insultos literários e musicais. A lista compila “grosserias” de escritores e músicos de díspares perfis, nacionalidades e épocas. Na seleção aparecem escritores canonizados como William Faulkner, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Gore Vidal, Oscar Wilde, Truman Capote, Nietzsche e Henry James. E músicos ilustres como Mick Jagger, Elvis Costello, George Harrison, John Lennon, Jerry Lee Lewis, Elton John e Caetano Veloso. Em comum entre eles, o fato de um dia, por mera provocação, impulso, raiva, terem externado suas opiniões pouco elegantes sobre seus companheiros de ofício.

— William Faulkner sobre Mark Twain
Um escritor mercenário que não conseguia nem ser considerado da quarta divisão na Europa.

— William Faulkner sobre Ernest Hemingway
Ele nunca sequer pensou em usar uma palavra que pudesse mandar o leitor para um dicionário.

— Ernest Hemingway sobre William Faulkner
Pobre Faulkner. Ele realmente acha que grandes emoções vêm de longas palavras.

— Gore Vidal sobre Truman Capote
Truman Capote fez da mentira uma arte. Uma arte menor.

— Truman Capote sobre Gore Vidal
Sempre fico triste quando penso em Gore. Triste por ele respirar todo dia.

— Truman Capote sobre Jack Kerouac
Isso não é escrever, é datilografar.

— Harold Bloom sobre J. K. Rowling
Sempre houve, na história da literatura ocidental, livros que são muito populares, entre adultos e crianças, mas 30 ou 40 anos depois ninguém se lembra quais são. Viram pó. Eu não estarei por aqui em 30 anos para ver, mas Harry Potter já terá desaparecido.

— Stephen King sobre Stephenie Meyer
Tanto Rowling quanto Meyer estão falando diretamente para os jovens. A diferença é que Rowling é uma escritora magnífica e Stephenie Meyer não consegue escrever nada de valor.

— Nietzsche sobre Dante
Uma hiena que escreveu sua poesia em tumbas.

— Joseph Conrad sobre D. H. Lawrence
Sujeira. Nada além de obscenidades.

— Martin Amis sobre J. M. Coetzee
Ele não tem qualquer talento.

— Alice B. Toklas sobre Gertrude Stein
Quando se aprontava, Gertrude ficava igualzinha a um general da Guerra de Secessão.

— Oscar Wilde sobre Bernard Shaw
Bernard Shaw não tem um inimigo no mundo. Em compensação, nenhum de seus amigos gosta dele.

— D.H. Lawrence sobre James Joyce
Nada além de cigarros velhos e citações furtadas da Bíblia; e o resto, cozido no caldo da deliberada sujeira jornalística. Falta de originalidade, mascarada como se fosse tudo novo!

— Virginia Woolf sobre James Joyce
James Joyce escrevendo me lembra um colegial repugnante espremendo espinhas.

— Paulo Francis sobre José Sarney
Dizem que escrever é um processo torturante para Sarney. Sem dúvida, mas quem grita de dor é a língua portuguesa.

— Henry James sobre Edgar Allan Poe
Se entusiasmar com o Poe é a marca de um estágio decididamente primitivo da reflexão.

— Evelyn Waugh sobre Marcel Proust
Estou lendo Proust pela primeira vez. É uma coisa muito pobre. Eu acho que ele tinha algum problema mental.

— Charles Darwin sobre Shakespeare
Ultimamente tenho tentado ler Shakespeare; achei-o tão intoleravelmente monótono que chegou a causar-me náuseas.

— Caetano Veloso sobre Paulo Francis
É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas.

— Zeca Baleiro sobre Caetano Veloso
O cara é uma comadre linguaruda.

— Keith Richards sobre Elton John
Não trabalho com animais. Já trabalhei com Elton John e isso chega.

— Elton John sobre Keith Richards
É como um macaco com artrite, tentando subir ao palco e parecer jovem.

— Elton John sobre Rod Stewart
Rod Stewart devia ter continuado coveiro. O lugar dele é sete palmos abaixo da terra.

— Elton John sobre Madonna
Ela é um pesadelo. Desculpa, a carreira dela acabou.

— David Bowie sobre Elton John
Elton John se tornou o viado-padrão. Como Liberace, antigamente.

— Mick Jagger sobre B.B. King
Jimi Hendrix foi o maior guitarrista que já existiu. De cabeça para baixo tocava mais do que B.B. King.

— Dave Grohl sobre Courtney Love
Ela é uma puta feia.

— Mark Everett sobre Os Beatles
John Lennon canta sobre a paz porque ele é um espancador de mulher. Hippies são tão cheios de merda.

— Jerry Lee Lewis sobre Os Beatles
Sempre achei os Beatles um lixo.

— Nick Cave sobre Red Hot Chili Peppers
Eu sempre estou perto de um aparelho de som dizendo: que porra é esse lixo? E a resposta é sempre Red Hot Chili Peppers.

— John Lennon sobre Os Rolling Stones
Tudo o que fazíamos, os Stones tentavam fazer igual — três meses depois.

— George Harrison sobre Paul McCartney
Paul faz música para menores mentais de 14 anos.

— Elvis Costello sobre Ray Charles
Ray Charles não passa de um crioulo cego e ignorante.

— Elvis Costello sobre Morrissey
Morrissey cria títulos maravilhosos para as músicas, mas infelizmente, muitas vezes ele se esquece de escrever a canção.

— Paul Anka sobre Buddy Holly
Sempre achei que Buddy Holly ficaria melhor servindo hambúrgueres numa lanchonete.

— Oscar Levant sobre Leonard Bernstein
Leonard Bernstein vem nos revelando grandes segredos musicais que são do conhecimento geral há mais de quatrocentos anos.

— Nietzsche sobre Richard Wagner
Wagner é mesmo um homem? Ele não é mais que uma doença. Tudo que ele toca cai doente. Ele fez a música ficar doente.

— Tchaikovsky sobre Brahms
Que bastardo sem talento.

As bicicletas na literatura e na (por vezes trágica) vida real

0

Publicado em O Globo

O jornal espanhol El País publicou nesta segunda-feira um texto do escritor Antonio Muñoz Molina, membro da Real Academia Española, sobre ciclistas. Molina começa falando sobre a presença das bicicletas nas artes, na literatura, no cinema (pra música não ficar de fora, coloquei um vídeo bacaninha de “Bike”, do Pink Floyd, ali embaixo). Depois, passa a relatar um triste caso de atropelamento recentemente ocorrido em Madrid. Acho que os comentários dele sobre o trânsito e o sistema judiciário espanhol vão ressoar nos corações dos leitores brasileiros.

“A bicicleta é uma máquina tão literária que recém-inventada já começou a circular pelos livros. Relendo “Misericórdia”, descobri algo que não lembrava desse romance assombroso, publicado em 1897: um dos personagens aluga uma bicicleta para ir de Madrid ao Pardo. Na Madrid de subúrbios macabros e personagens desgarrados de Valle-Inclán, essa bicicleta insuspeita é um sobressalto ágil da vida moderna em meio ao atraso, obscurantismo, injustiça crua e pobreza. Quem quiser saber mais sobre ela, pode imaginá-la elevada e veloz, democrática, futurista, circulando entre carroças lentas e carruagens arrogantes da aristocracia.

Marcel Proust via fraqueza em todas as formas de transporte moderno, em particular os automóveis e os aviões, mas quando quis retratar a primeira visão das “jovens em flor” que deslumbram um adolescente durante um passeio marítimo as descreveu montadas em bicicletas, avançando em bandos com os vestidos desportivos livres de adornos barrocos e espartilhos que permitiram que as mulheres adotassem o hábito do ciclismo na virada do século.

H. G. Wells observou que cada vez que via um adulto em cima de uma bicicleta crescia sua confiança na possibilidade de um mundo melhor.

Há relatos de que Henry James tentou aprender a pedalar, mas com consequências desastrosas. Se lançou por uma estrada rural e perdeu o controle da bicicleta, atropelando, sem gravidade, uma menina que brincava na porteira de uma fazenda. Que essa menina tenha se tornado Agatha Christie é dessas coincidências que assombram os aficcionados da literatura e do ciclismo.

Ramón Casas gostava de sugerir um erotismo moderno nas mulheres ciclistas, mulheres em automóveis, mulheres fumantes. Em um de seus melhores contos escritos em espanhol, e também um dos mais tristes, “La cara de la desgracia”, Juan Carlos Onetti toma de Proust o tema do verão e da mulher na bicicleta. Mas quem a vê passar de um balcão é um homem desolado que graças a ela revive, desfazendo-se em desejo e ternura.

Uma figura numa bicicleta é passageira, mas não tão rápida que seja também fugaz. A verticalidade necessária favorece o perfil. O ritmo da pedalada ressalta a beleza das pernas.

O ápice da arte inspirada em torno das bicicletas talvez seja um curta de François Truffaut de 1957, “Les mistons”, um poema visual de 17 minutos feito de longos planos sinuosos de uma mulher muito jovem, a atriz Bernadette Lafont, pedalando descalça, as pernas nuas, o vestido branco agitado pela brisa da velocidade.

A bicicleta é uma máquina silenciosa e perfeita, como um veleiro, tão prática que causa assombro também ser poética.

As bicicletas são para o verão, disse um pai ao filho adolescente na comédia triste na qual Fernando Fernán-Gómez pôs o melhor de seu talento e a verdade de sua memória e imaginação. Sobre o infortúnio de se crescer numa cidade em guerra e a saudade de um pai que era maior e mais nobre por, no caso de Fernando, ser um pai inventado.

O verão pode ser um modesto paraíso para os fãs das bicicletas, sobretudo para os ciclistas urbanos que lidam com o tráfego nos dias de trabalho, mas nas cidades espanholas, que com duas ou três exceções são hostis para quem se atreve a pedalar, assim como com qualquer um que tente exercer o direito soberano de caminhar de um ponto a outro. E também, desde cedo, para os lentos, os distraídos, os idosos.

Quando se volta de países com o tráfego mais civilizado, é difícil se adaptar à agressividade dos motoristas na Espanha. Nova York não é exatamente Amasterdã ou Copenhagen nas facilidades que oferece aos ciclistas, mas quando venho de lá para Madrid e saio na rua, me imponho uma mudança instintiva de atitude.

É preciso estar muito mais alerta, na defensiva, atento sempre a acelerações bruscas. É preciso acostumar-se ao fato de que a visível fragilidade raramente gera maior cuidado – alguns motoristas se tornam ainda mais agressivos contra os mais frágeis, como se despertasse neles uma impaciência que leva a acelerar sobre a faixa de pedestres, ou deixa passar quem vai mais lento contendo o impulso do motor como quem trinca os dentes. Como se caminhar lentamente fosse uma ofensa que merece o desprezo e punições ocasionais.

Às 7h, hora do frescor da manhã, no silêncio das ruas amplas e vazias nas quais alguém pode pedalar com mais velocidade, também pode acontecer o choque. As bicicletas são para o verão, para o exercício saudável e a mobilidade sem emissões tóxicas, mas não têm defesa contra a barbárie.

As bicicletas são para o passeio despreocupado, mas também para a ida diária ao trabalho.

Óscar Fernández Pérez, um garçom de 37 anos, ia para o sul de Madrid na quarta-feira, 6 de agosto, quando foi atropelado por um motorista que fugiu e o deixou agonizando na rua. Óscar Fernández Pérez está morto e o infeliz que o matou não tem motivos para preocupação.

Em 2012 foi preso por dirigir bêbado, de forma “negligente e temerária”, e lhe tomaram a carteira. Mas em fevereiro desse ano já havia voltado a conduzir. Com esse histórico, e tendo fugido depois de matar um ciclista, era de se esperar que a justiça o tratasse com algum rigor. Mas em nosso país as leis e o sistema judicial quase sempre protegem os poderosos contra os mais frágeis, os corruptos contra os honrados, os bárbaros contra as pessoas afáveis, os motoristas contra os ciclistas ou pedestres.

O golpe que matou Óscar Fernández Pérez foi tão forte que sua bicicleta despedaçada voou a 15 metros do seu corpo. Mas o juiz considerou que o motorista sem carteira que o atropelou e não teve sequer a compaixão de parar para ajudá-lo merece se defender em liberdade. Ele foi denunciado por homicídio culposo, por imprudência. A pena por acabar com uma vida é de um a quatro anos.

José Javier Fernández Pérez, irmão de Óscar, resumou o caso melhor que ninguém, com poucas palavras, muito verdadeiras: “A justiça é uma merda. Matar sai muito barato nesse país”.”

Flip confirma John Banville

0

Publicado no brpress

John Banville: Man Booker Prize por O Mar. Foto: Barry McCall/wbur.org

John Banville: Man Booker Prize por O Mar. Foto: Barry McCall/wbur.org

Vencedor do Booker Prize, e nome cotado ao Prêmio Nobel de Literatura, o romancista irlandês John Banville confirma presença na 11ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 3 e 7 de julho. Antes, em 22 de fevereiro, Banville recebe o Prêmio PEN irlandês, em uma cerimônia em Dún Laoghaire.

Seu título mais recente, Luz Antiga (Ancient Light), será lançado no Brasil pela Globo Livros (Biblioteca Azul) durante sua visita à Festa. O romance, o 16º publicado pelo autor, acompanha a história de um ator cuja carreira parece seguir para o fim – assim como sua própria vida.

Diante do processo, Alexander Cleave passa a viver de suas recordações, memórias de seu primeiro amor (um relacionamento delicado com uma mulher bem mais velha e mãe de seu melhor amigo) e de sua falecida filha.

Beckett e Joyce

Banville é autor de uma obra em que se combinam uma dicção exuberante, marcada pelo lirismo e pelos jogos de linguagem, e enredos complexos. Dizendo-se influenciado acima de tudo pelo realismo sofisticado do americano Henry James, Banville é comparado pela crítica a mestres da literatura moderna como os irlandeses Samuel Beckett e James Joyce, e o russo Vladimir Nabokov.

Colecionador de prêmios ao longo de sua trajetória, Banville foi agraciado, em 2001, com o Prêmio Franz Kafka. Seu maior sucesso, O Mar (2005), recebeu o Man Booker Prize, mais importante distinção da literatura em língua inglesa.

Escrevendo sob o pseudônimo de Benjamin Black, Banville publicou ainda sete romances policiais, entre eles O Cisne de Prata e O Pecado de Christine (Ed. Rocco). Ambientados na Irlanda dos anos 50, os romances compõem uma intrincada teia de romances e adultérios envolvendo o protagonista Garret Quirke.

O autor

Nascido em 8 de dezembro de 1945, em Wexford (Irlanda), Banville, o mais velho dos três filhos do casal Doran Née e Banville Martin, declarou, após o período escolar, que a faculdade teria pouco benefício para ele.

Dono de um espírito aventureiro, o escritor começou a trabalhar cedo, como balconista, na companhia aérea Aer Lingus, que lhe permitiu viajar a preços muito baixos. Na época, aproveitou para explorar países como Itália e Grécia e, mais tarde, se mudou para os Estados Unidos, onde viveu entre 1968 e 1969. Em seu retorno à Irlanda, trabalhou como jornalista e editor.

Go to Top