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Por ‘calma’, candidato de medicina na Fuvest alia meditação aos estudos

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Pós-graduado, engenheiro estuda mais de 10 horas por dia em São José.
Com 30 anos, Brian Hidalgo quer realizar sonho de infância com a prova.

Engenheiro de 30 anos aposta na experiência e tranquilidade para conseguir passar no vestibular da Fuvest para o curso de medicina. (Foto: Renato Celestrino/G1)

Engenheiro de 30 anos aposta na experiência e tranquilidade para conseguir passar no vestibular da Fuvest para o curso de medicina. (Foto: Renato Celestrino/G1)

Fábio França e Márcio Rodrigues, no G1

Um dos 172 mil inscritos para prestar o vestibular da Fuvest neste fim de semana busca inspiração para a prova não apenas nos estudos, mas também na meditação em São José dos Campos (SP). Budista, o engenheiro Brian Hidalgo divide as mais de 10 horas de estudo diárias com momentos de reflexão.

Com 30 anos, Brian quer realizar um sonho de infância e cursar medicina, o mais concorrido do processo seletivo com 58,57 candidatos por vaga. Ele aposta na experiência para se dar bem, já que prestou seu primeiro vestibular há 14 anos. “Desde essa época já queria fazer medicina, mas me faltou a maturidade necessária para passar em uma (universidade) pública. Até na escolha das minhas especializações, eu estava em busca de algo, que no fundo eu sabia que era o meu sonho”, disse ao G1.

Hidalgo é formado em engenharia de aquicultura e tem duas pós-graduações, uma delas pela USP. Para o dia da prova, ele garante que vai estar ‘zen’. “Sou bem calmo e por ser mais velho que a maior parte dos candidatos, não sofro tanto. Às vezes demoro um pouco para dormir, mas pratico meditação budista. No dia a dia faço as meditações em casa e também antes da prova para ajudar a acalmar”, revela.

Mudança por um objetivo
O estudante Tulio Marroquim, de 18 anos, veio de Boa Vista (RR) para São José dos Campos no começo do ano para morar em um alojamento de um curso preparatório. Concorrente de Brian a uma das vagas para medicina, ele encara cerca de 13 horas de estudo por dia. “Já fiz quatro simulados da Fuvest de janeiro até agora. Estou uma pilha. Meu problema é a ansiedade, porque durmo poucas horas na noite anterior. Foi assim no Enem também”, conta. A adaptação em São José dos Campos, onde ele também faz a prova do vestibular, foi tranquila. “A diferença de ensino foi grande, deu um choque no começo”.

Brian Hidalgo estuda mais de 10 horas por dia. (Foto: Renato Celestrino/G1)

Brian Hidalgo estuda mais de 10 horas por dia.
(Foto: Renato Celestrino/G1)

E a mudança de rotina é, muitas vezes, necessária para quem pretende se dedicar aos estudos. Nascida em Resende (RJ), Deborah Bittar, de 18 anos, também se mudou no início do ano para São José, onde divide um apartamento com dois estudantes de sua cidade natal. “Já passei no vestibular da PUC Rio, mas meu objetivo é a faculdade de direito São Francisco”.

Quanto ao nervosismo, ela, que se declara como ansiosa, afirma que tem uma tática de descontrair na véspera da prova. “No dia anterior não tem mais solução. Para relaxar, eu gosto de ler. Ficar bitolada no último instante não vai ajudar em nada”, conclui.

Concorrência acirrada
O vestibular da Fuvest é um dos mais concorridos do país. Ao todo, são 11.157 vagas para todos os cursos, número pequeno para a quantidade de inscritos. Na região do Vale do Paraíba são 7.604, com as provas sendo realizadas em São José dos Campos (4.541 candidatos), Taubaté (1.500) e Lorena (1.563).

Autor Dan Brown lança o livro “Inferno”, inspirado em “A Divina Comédia” de Dante

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

A vitrine inteira da livraria Mondadori, no bairro medieval de Santa Maria Novella, em Florença, exibe cópias de “Inferno“. E nem é a livraria local preferida de Robert Langdon, o protagonista do novo romance de Dan Brown, que se passa em boa parte na cidade italiana.

Esta, a Paperback Exchange, colocou em seu site um trecho do romance em que é citada. Não é pouca coisa ser uma livraria querida por um personagem cujas três aventuras pregressas já venderam 150 milhões de exemplares.

Desde 2003, quando lançou seu maior best-seller, “O Código Da Vinci”, o escritor norte-americano está acostumado a causar comoções. E continua alimentando-as.

O escritor americano Dan Brown durante o lançamento de "Inferno", seu mais recente romance, em Madri ( Juan Carlos Hidalgo/Efe)

O escritor americano Dan Brown durante o lançamento de “Inferno”, seu mais recente romance, em Madri ( Juan Carlos Hidalgo/Efe)

A campanha em torno de “Inferno” incluiu a informação de que tradutores de vários países verteram a obra isolados num bunker, a fim de evitar vazamentos da trama.

“Hoje é meu momento, amanhã pode não ser”, disse Brown à Folha, em Florença, onde passou dias atendendo à imprensa mundial, ao comentar a campanha de marketing do livro, que lidera listas internacionais há duas semanas, inclusive no Brasil.

Pouco antes, após cumprimentar seu editor brasileiro, Marcos Pereira, da Sextante, disse: “Estou cansado. Falta só uma semana [de entrevistas]”.

O sexto romance de Brown –o quarto protagonizado pelo professor de simbologia Robert Langdon– tem como inspiração “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, e discute a superpopulação no planeta. Leia, a seguir, trechos da entrevista.

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Folha – Em “Inferno”, o sr. usa como base uma obra literária, “A Divina Comédia”, de Dante. Como foi essa experiência?
Dan Brown – Já tinha escrito sobre artes plásticas, nunca sobre literatura. Foi empolgante. Dante dá margem a uma enorme gama de interpretações. Resolvi não interpretar a obra dele, mas deixar esse trabalho para o personagem Bertrand Zobrist, engenheiro genético fanático pela catástrofe da superpopulação. Para mim, tratava-se de juntar o velho mundo de Dante com o novo mundo da engenharia genética. Pensei num vilão que visse Dante não como história, mas como profecia, que olhasse para a descrição de horror pensando: “Isso vai acontecer”. No segundo em que fiz essa conexão, eu tinha o livro.

É irônico que o personagem seja um vilão, já que o que o move é salvar o planeta, não?
O vilão mais interessante é aquele que faz a coisa errada pela razão certa. Alguém sobre quem você pensa: “Eu não espalharia um vírus intencionalmente para acabar a superpopulação, mas ele tem um ponto aqui”. O leitor fica sem saber para onde ir.

Sua visão coincide com a dele?
Em 85 anos, a população do mundo triplicou. Nascem 250 mil pessoas a cada dia. Eu me preocupo. Sei que problemas como desmatamento, poluição, buraco na camada de ozônio e fome estão ligados à superpopulação. O que fazer a respeito é algo impossível de responder. Se tivesse a resposta, não estaria escrevendo romances.

A trama cita Dante: “Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral”. O sr. não se mantém neutro no livro?
É uma observação interessante. Não sei se mantenho a neutralidade, mas está certo: esse não é um livro ativista. Não manter a neutralidade tem a ver com escrever sobre o problema. Você tem razão sobre o posicionamento narrativo, mas acho que não mantenho a neutralidade porque quem termina o livro pensa a respeito. Não digo o que temos de fazer porque não sei o que temos de fazer.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Por que tanta preocupação prévia com a trama, ao ponto de manter tradutores isolados para a história não vazar?
Depois do “Código Da Vinci”, passei a ter acesso a lugares e a pessoas que antes eram inacessíveis, mas ficou difícil manter segredo sobre o que escrevo. Gosto de manter segredo. Quando entrevisto especialistas, faço perguntas sobre temas nada relacionados aos romances. No caso de “Inferno”, jogava o nome de Dante como se tivesse acabado de me ocorrer. Para deixar a pessoa sem pistas, falava: “Quero saber de Maquiavel. Maquiavel é o que importa”.

Seus livros costumam gerar reações agressivas, inclusive de sites que listam erros. Como lida com isso?
Não gasto energia. Alguns adoram e escrevem coisas boas, outros odeiam e fazem piadas. Temos um exército de checadores antes do lançamento para garantir que nada saia errado, mas pequenos erros passam, e as pessoas levam muito a sério.

“Inferno” saiu com forte campanha de marketing num tempo em que a autopublicação gera fenômenos no boca a boca. O sr. ainda precisa de marketing?
Hoje é meu momento, amanhã pode não ser. O marketing ajuda o livro a atingir uma massa crítica até gente o suficiente ler e começar a sugerir aos amigos. No fim, só vão vender os livros de que as pessoas gostarem. Nenhum marketing vai criar “Harry Potter”. Escrevi três livros que ninguém leu antes de “O Código”. E hoje eles são best-sellers no mundo todo. Não mudei uma vírgula e venderam milhões. Ninguém vai negar que o marketing foi importante para isso.

“O Símbolo Perdido” (2009) virou um caso notório de pirataria de e-books, com 100 mil downloads ilegais em poucos dias. Isso o incomoda?
A pirataria prejudica as editoras. Best-sellers dão dinheiro às editoras, que com isso podem lançar obras que não vendam tanto: um livro que represente uma voz importante, mas que não tenha potencial de venda. Alguns gostam do que faço, outros preferem ler outra coisa. Livros como “Inferno” ajudam as editoras a publicar outras coisas.

Suas tramas sempre trazem Langdon enfrentando, com uma mulher diferente, um desafio a ser resolvido em poucas horas. Podemos esperar algo diferente?
Escrevo com uma intenção específica: o importante é a história. Quero ser transparente, fazer a história fluir. Tento comprimir as histórias num curto período para garantir que nenhuma ponta esteja solta. E não há tensão maior que a sexual. Langdon encontra essas mulheres, eles gostam um do outro e não têm tempo para consumar suas relações. Você quer que eles fiquem juntos, mas isso não vai acontecer.

A resenhista da “New Yorker” levantou a suspeita de que Langdon seja gay.
Eu vi (risos). Mas acho que é só azar mesmo.

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