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10 Momentos em que se torna impossível ler livros

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Douglas Eralldo, no Listas Literárias

Ok. Somos fãs dos livros e da leitura, mas existem determinados momentos que o prazer de ler um livro se torna praticamente impossível, e por mais que tentamos, a leitura não prossegue. Hoje o Listas Literárias publica 10 momentos em que dificilmente você será capaz de ler um livro:

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1 – Dor de Cabeça: Pois é, não é só no momento de “namoro” que as dores de cabeça podem se tornar um grande vilão. Para quem gosta de ler, dores de cabeça também são um “empata leitura”, pois é praticamente impossível conectar-se a uma leitura em casos de dor de cabeça;

22 – Em Estrada Esburacada: Todo leitor aproveita cada momento para dedicar-se aos livros, por isso eles sempre nos acompanham durante as viagens. O problema é quando se trafega por estradas esburacadas, aí ou escolhemos salvar nossas pupilas sem correr o risco de deslocá-las, ou adiamos a leitura. E não vá pensando que isso aconteça só em estradas interioranas, esse Brasil tem uma boa quantidade de rodovias inimigas da leitura;

3 – No Rala e Rala: Não que eu pense que alguém já tenha tentado, ou faça (afinal os gostos são sempre surpreendentes, assim como a utilidade dos livros), mas certamente esse não é o melhor momento para ler livros;

4 – Vizinhos Funkeiros: Nada contra o exótico gosto de nossos amigos funkeiros, mas o problema é que não basta para eles gostar de funk, e como se estivessem no Facebook os danadinhos compartilham, quase sempre com um “puta som” seja na caranga, no buzão, ou no apartamento ao lado. Duvido alguém se concentrar na leitura com a risada do Mister Catra no último volume;

35 – Problemas de Visão: Esse é realmente complicado. Eu mesmo passei por isso antes de diagnosticar a necessidade de usar óculos. Se você não sabe que possui problemas de visão, e ainda assim insiste em ler livros chega um momento que isto se torna quase impossível. As palavras não se conectam, e como um imã em repulsão, os livros se distanciam de você;

6 – Na Feira: Você até pode ver leitores em locais públicos, inclusive em bares ou restaurantes, mas quero ver alguém encontrar alguém lendo no meio da feira. Certamente os constantes gritos com o preço do tomate e da cebola não contribuem para a concentração na leitura;

7 – Na hora do Futebol: Olha até acredito que as meninas consigam abandonar as novelas (alias os livros são melhores que elas mesmo) para a leitura de um livro, mas isso jamais, jamais acontecerá com os meninos. A fidelidade ao horário do futebol é tamanha, que se torna impossível ler naquele momento, independente do jogo que esteja passando na tevê;

8 – No Meio de um Bombardeio: Esse item entrou na lista porque dia desses selecionamos 10 imagens de soldados lendo durante o descanso no front. Agora imagina “as bombas pegando” o quão alto seriam jogados aqueles livros na correria;

9 – No meio da “DR”: Não que isso seja impossível, na verdade o que quero aqui é proteger a integridade física dos leitores do Listas Literárias. Certamente mergulhar em uma leitura durante uma discussão de relação seria um ótimo escape, além de tentador, mas isso, guardem bem, não é nem um pouco aconselhável;

10 – Quando Você Não Está Afim: Como eu disse o hábito da leitura é um prazer, um prazer que não nos ensinam na escola, pois lá esse hábito geralmente é uma obrigação. Mesmo aquele leitor mais dedicado tem dias que não está a fim de ler nada, eu mesmo as vezes passo por esses dias. Por isso não force, se naquela hora, ou naquele dia não estiver afim, simplesmente não leia;

‘Venci’, diz ex-catadora de latinhas do DF que passou em concurso do TJ

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Marilene Lopes trocou renda mensal de R$ 50 por salário de R$ 7 mil.
‘Passei um ano com uma só calcinha’, lembra a hoje técnica judiciária.

Raquel Morais, no G1

Uma catadora de latinhas do Distrito Federal conseguiu passar em um concurso para o Tribunal de Justiça estudando apenas 25 dias durante período de repouso por causa de uma cirurgia. Ela trocou uma renda mensal de R$ 50 por um salário de R$ 7 mil. “Foi muito difícil. Hoje, contar parece que foi fácil, mas eu venci”, diz. Agora, ela diz que pensa em estudar direito.

Ex-catadora de latinhas Marilene Lopes e os filhos em frente ao barraco em que moravam em uma invasão em Brazlândia, no Distrito Federal (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

Ex-catadora de latinhas Marilene Lopes e os filhos em frente ao barraco em que moravam em uma invasão em Brazlândia, no Distrito Federal (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

Sem dinheiro nem para comprar gás e obrigada a cozinhar com gravetos, Marilene Lopes viu a vida dela e a da família mudar em 2001, depois de ler na capa de um jornal a abertura das inscrições para o concurso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Ela, que até então ganhava R$ 50 por mês catando latinhas em Brazlândia, a cerca de 30 quilômetros de Brasília, decidiu usar os 25 dias de repouso da cirurgia de correção do lábio leporino para estudar com as irmãs, que tinham a apostila da seleção. Apenas Marilene foi aprovada.

Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”
Marilene Lopes, ex-catadora de latinhas que hoje trabalha no TJDF

“Minha mãe disse que, se eu fosse operar, ela cuidava dos meninos, então fui para a casa dela. Minha mãe comprou uma apostila para as minhas irmãs, aí dei a ideia de formarmos um grupo de estudo. Íamos de 8h às 12h, 14h às 18h e de 19h às 23h30. Depois eu seguia sozinha até as 2h”, explica.

O esforço de quase 12 anos atrás ainda tem lugar especial na memória da família. Na época, eles moravam em uma invasão em Brazlândia.

Marilene já havia sido agente de saúde e doméstica, mas perdeu o emprego por causa das vezes em que faltou para cuidar das crianças. Como os meninos eram impedidos de entrar na creche se estivessem com os pés sujos, ela comprou um carrinho de mão para levá-los e aproveitou para unir o útil ao agradável: na volta, catava as latinhas de alumínio.

Segundo ela, a situação durou um ano e meio, e na época a família passava muita fome. “Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”, conta.

Mesmo para se inscrever na prova Marilene, que é técnica em enfermagem e em administração, encontrou dificuldades. Ela lembra ter pedido R$ 5 a cada amigo e ter chegado à agência bancária dez minutos antes do fechamento, no último dia do pagamento. E o resultado foi informado por uma das irmãs, que leu o nome dela no jornal.

“Tinha medo [de não passar] e ao mesmo tempo ficava confiante. Sabia que se me dedicasse bem eu passaria, só precisava de uma vaga”, diz. “Dei uma flutuada ao ver o resultado. Pedi até para minha irmã me beliscar.”

Ganhando atualmente R$ 7 mil, a técnica judiciária garante que não tem vergonha do passado e que depois de formar os cinco filhos pretende ingressar na faculdade de direito. “Mesmo quando minhas colegas passavam por mim com seus carros e riam ao me ver catando latinhas com o meu carrinho de mão eu não sentia vergonha. E meus filhos têm muito orgulho de mim, da nossa luta. Eles querem seguir meu exemplo.”

Marilene já passou pelo Juizado Especial de Competência Geral, 2ª Vara Cível, Órfãos e Sucessões de Sobradinho, 2ª Vara Criminal de Ceilândia, 12ª Vara Cível de Brasília e Contadoria. A trajetória dela inspira os colegas. Por e-mail, o primeiro chefe, o analista Josias D’Olival Junior, é só elogios. “A sua história de vida, a sua garra e o seu caráter nos tocavam e nos inspiravam profundamente.”

Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal Marilene Lopes, que foi catadora de latinhas (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Marilene Lopes, que foi catadora de latinhas
(Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)

A técnica afirma ainda que não se arrepende de nada do que passou, nem mesmo de ter tido cinco filhos – como diz terem comentado amigos. “Ainda hoje choro quando me lembro de tudo. Eu não tinha gás e nem comida e não ia falar pra minha mãe. Se falasse, ela me ajudaria, mas achava um abuso. Além de ficar 25 dias na casa dela, comendo e bebendo sem ajudar nas despesas, ainda ia pedir compras ou o dinheiro para o gás? Ah, não. Então assim, quando passei, foi como se Deus me falasse ‘calma, o deserto acabou’.”

Da época de catar latinhas, Marilene diz que mantém ainda a qualidade de ser supereconômica. Ela afirma que não junta mais alumínio por não encontrá-los mais na rua. “As pessoas descobriram o valor, descobriram que dá para vender e juntar dinheiro”. Já as irmãs com quem estudou, uma se formou em jornalismo em 2011 e outra passou quatro anos depois no concurso do TJ de Minas Gerais, e foi lotada em Paracatu.

Dificuldades

O primeiro problema enfrentado por Marilene veio na posse do concurso. A cerimônia ocorreu três dias após o nascimento do quinto filho, em um parto complicado. A médica não queria liberá-la para a prova, mas só consentiu com a garantia de que ela voltaria até 18h30. Por causa do trânsito, a catadora se atrasou em uma hora.

“A médica chamou a polícia dizendo que eu tinha abandonado meu filho. É que eu estava de alta, mas o bebê não, e ele precisava tomar leite no berçário enquanto eu estivesse fora”, lembra. “A enfermeira ligou para a polícia do hospital e explicou a situação e aí pararam de me procurar. A médica me deixou com o problema e foi embora, no término do plantão dela.”

Resolvida a situação, Marilene e a família viveram bem até 2003, quando o marido resolveu sair de casa. O homem, que já havia sido preso por porte ilegal de arma, havia “se deslumbrado” com a situação econômica da mulher. A casa e o carro comprados a partir do salário do tribunal precisaram ser divididos.

Atualmente, ela mora com os filhos na casa de um amigo, na Estrutural, enquanto aguarda a entrega de um apartamento de três quartos em Águas Claras. Marilene tem uma moto e, junto com uma das irmãs, está pagando um consórcio para comprar um carro zero.

10 Escritores candidatos a uma vaga no Medida Certa

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Publicado no Listas Literárias

Um dos quadros de maiores sucessos no Fantástico é o Medida Certa, que botou até mesmo Ronaldo para malhar e perder uns quilinhos. Hoje o Listas Literárias imaginou uma edição literária com nossos adorados autores, e veja só que seleção de peso com escritores candidatos a uma vaga no Medida Certa:

 

 

Quadrinhos podem ajudar a formar leitores e na educação de crianças e adolescentes

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Publicado no Diário da Manhã

Rio de Janeiro – A gerente executiva de Projetos do Instituto Pró-Livro (IPL), Zoraia Failla, disse hoje (9), em entrevista à Agência Brasil, que as histórias em quadrinhos (HQ) podem ser uma ferramenta para formar leitores e auxiliar na educação de crianças e adolescentes. “Eu penso que dentro de um espaço de mediação, todo tipo de leitura é importante, especialmente para a gente tirar aquela imagem que se cria em relação a um livro que é oferecido em uma sala de aula e que se transforma em obrigação, em tarefa”.

Zoraia acredita que o trabalho com quadrinhos dentro da escola pode quebrar um pouco a seriedade do livro, contribuindo para trazer a criança e o jovem para a leitura de uma forma mais prazerosa e interessante. “Eu acho que pode ser um meio, nunca um fim. Porque o quadrinho pode até trabalhar algum conteúdo, mas o faz de forma superficial. Como incentivo à leitura, ele pode ser um mobilizador”, disse.

Para a gerente do IPL, a HQ pode desenvolver habilidades na escola, entre as quais a concentração e o interesse pela leitura em geral. “Sem dúvida, deveria ser melhor trabalhada para conseguir que, a partir dali,  o aluno se interesse por uma leitura um pouco mais complexa, com mais conteúdo”.  Zoraia avaliou que é preciso se usar hoje todos os meios para conseguir conquistar as crianças e jovens para a leitura.

Zoraia indicou que a HQ pode ser um instrumento eficiente para passar conteúdos de disciplinas curriculares, como história, ciências e geografia,  para os estudantes. “É uma forma talvez mais agradável, mais interessante, para a garotada de hoje, de levar o conhecimento”. Como as crianças, em geral, sentem uma atração forte pelos quadrinhos, que são considerados uma forma de entretenimento, ela avalia que “seria inteligente usar essa ferramenta como uma forma de trazer a garotada seja para a leitura, seja para conteúdos mais complexos”.

O diretor comercial da Comix Book Shop, uma livraria especializada em histórias em quadrinhos, Jorge Rodrigues, destacou a qualidade, inclusive literária, das histórias em quadrinhos feitas no Brasil. “Hoje, a gente tem crescido bastante na produção de quadrinhos nacionais. O mercado independente, onde o autor mesmo produz o seu livro, edita e lança,  aumentou muito de uns anos para cá e há gráficas que imprimem com demanda menor.  Com isso,  há muitos projetos e ideias muito boas sendo lançadas que, de repente,  não encontraram respaldo nas editoras”, disse.

Rodrigues ressaltou que muitas editoras têm investido em adaptar literatura clássica para quadrinhos. “É uma vertente que tem crescido muito no mercado”. O objetivo, conforme enfatizou, é que o governo compre e as escolas venham a consumir esse produto, visando que seja uma ferramenta na parte da educação.  O estande da Comix na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, encerrada ontem (8), foi um dos mais frequentados durante os 11 dias do evento, com filas extensas na porta que reuniam público de todas as faixas etárias.

Foto: Reprodução

                                   Foto: Reprodução

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) supre as escolas de ensino público das redes federal, estadual, municipal e do Distrito Federal de obras e materiais de apoio à prática da educação básica, incluindo HQs. Em 2013, serão atendidas as escolas dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, informou a assessoria de imprensa do Ministério da Educação. O programa vai distribuir cerca de 6,7 milhões de obras literárias a mais de 68,8 mil escolas de todo o país. Os investimentos na compra dos livros alcançam em torno de R$ 66 milhões.

Em 2006, por exemplo, o Ministério da Educação incluiu livros de histórias em quadrinhos e de imagens na coleção do PNBE. Dom Quixote em Quadrinhos, de Caco Galhardo; Toda Mafalda , de Quiño; Na Prisão (mangá – quadrinho japonês), de Kazuichi Hanawa; Santô e os Pais da Aviação, de João Spacca de Oliveira; e Café Van Gogh, de Ana Maria Machado Mello & Mayer Design, foram alguns dos HQs incluídos na lista.

Com licenciatura em desenho pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denis Mello tem experiência na aplicação de oficinas em salas de aula da rede pública de ensino, inclusive em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Sesc), utilizando a HQ e o desenho como ferramenta principal. Falando à Agência Brasil, ele disse que consegue ver como os quadrinhos despertam a curiosidade dos alunos. “Eles tendem a colaborar mais, a se interessar mais pelo assunto”

Mello salientou que a HQ é uma forma de arte. “Do mesmo jeito que as outras formas de arte podem colaborar como ferramenta de educação, a HQ também funciona. Da mesma forma que você pode usar música, literatura e pintura, você pode usar história em quadrinhos”, manifestou.

Denis Mello está desenvolvendo agora, com um grupo de amigos, um projeto voltado à produção de quadrinhos educativos, que será efetuado em parceria com secretarias municipais de educação do estado do Rio de Janeiro. O projeto deverá ser iniciado em Magé. “Foi a primeira secretaria a se interessar pelo projeto”. Pretende-se suprir a carência de material didático onde ela exista, nas escolas, por HQ. “Na educação ambiental,  por exemplo, a gente chegaria com a história em quadrinho para suprir essa necessidade e com um material didático que vai conversar mais com os jovens do que o material burocrático tradicional”.

Literatura nacional está em alta, mas é desprezada por críticos, diz historiador

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Publicado no Jornal do Brasil

A literatura fantástica é um gênero que está em alta no Brasil.  A avaliação foi feita hoje  (6) àAgência Brasil pelo historiador, escritor e professor colaborador da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ( PUC-Rio), João Alegria, curador do espaço Acampamento, na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Embora seja uma expressão “válida, criativa e profissional”, o historiador não entende por que os títulos de literatura fantástica, “principalmente os brasileiros”,  não costumam ser incluídos nas listas dos cadernos literários, das análises literárias e das leituras dos críticos nacionais. “Na realidade, são obras muito interessantes, que mereceriam uma resenha crítica”.

Alegria esclareceu que os autores brasileiros de obras fantásticas não são cópia de autores estrangeiros conhecidos no país.  A ambientação dos livros de André Vianco  tem por base o contexto social em que ele mora, que é a cidade de Osasco, na Grande São Paulo. Vianco  criou um grupo de vampiros que chegou ao Brasil na época da colonização. “Sua coleção de livros, iniciada com a obra  Os Sete,  já resultou em uma série de produtos, como histórias em quadrinhos”, disse João Alegria.

Outro autor, Leonel Caldela, do Rio Grande do Sul, escreve  livros de role-playing game (RPG – livros de jogos que descrevem um determinado universo de ficção, com características e regras próprias) e de literatura fantástica. A história de sua última obra,  O Código Élfico, se passa no Brasil e traz temas do mundo contemporâneo, como sectarismo religioso, grandes conglomerados globais de empresas e pesquisa genética. “É um livro que envolve muitas variantes da cultura contemporânea, tratados de maneira bastante segura e competente”.

Eduardo Spohr e Raphael Draccon  são outros nomes de destaque na literatura fantástica brasileira. “São autores interessantes cuja forma de escrever pode dialogar com outras tradições internacionais,  mas que falam muito do Brasil,  para lá ou para cá”, destacou o historiador e professor da PUC.

João Alegria observou que embora essa literatura fantástica seja bem-sucedida do ponto de vista do mercado, todos esses autores “tiveram que construir a sua obra suando a ferro e fogo. Não foi uma coisa de graça para nenhum deles”.  Alguns tiveram que bancar do próprio bolso a primeira edição dos livros.  “Não há certeza, entretanto, que essa é a melhor estratégia para se lançar na carreira de escritor”, advertiu.  “Geralmente, quem fez a edição paga entende que, naquele momento da história pessoal dele, essa era a única alternativa possível’.

Segundo informou João Alegria, hoje há menos dificuldade de as editoras quererem publicar literatura fantástica, devido ao sucesso comercial que o gênero mostra. “Antigamente, isso não era considerado literatura”. Quando procuradas por algum autor de obras fantásticas, as editoras em geral costumavam indicar que ele procurasse empresas especializadas na publicação de literatura religiosa ou de autoajuda.  “É falta de sensibilidade de não perceber um movimento literário”, avaliou.

Em relação aos leitores, Alegria disse que fazem distinção entre autores brasileiros e estrangeiros. O componente econômico, ou seja, o mercado,  é a explicação para isso e tem a ver com a capacidade de distribuição da produção e de fazer marketing (propaganda)  dos lançamentos.  Alguns escritores de livros fantásticos já estão em editoras de grande porte, mas outros são editados ainda por empresas pequenas, o que dificulta que suas obras entrem nas grandes redes de livrarias do país.

A vantagem em relação aos autores estrangeiros é que eles não estão todo dia trabalhando para si mesmos no Brasil. Já os escritores nacionais, segundo João Alegria, são “guerreiros” e organizam eventos, estabelecem relações com os leitores. “Esse é um diferencial grande para quem está no Brasil”. A tradução de livros de Raphael Draccon para o espanhol, com lançamento no México previsto para ocorrer após a Bienal do Rio, abre novas oportunidades para os demais escritores de livros fantásticos brasileiros, acredita Alegria.

Não dá, porém, para dizer que o autor de livros fantásticos pode viver de literatura no Brasil.  Para isso, ele deverá apresentar uma venda de 50 mil exemplares por ano, o que implica estar na lista dos dez livros mais vendido no país. “É raro um escritor que vende 50 mil exemplares no Brasil, o que obriga o autor a ter outras fontes de renda”, diz.

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