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Conheça Carolina Maria de Jesus, autora homenageada pelo Salgueiro

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Carro representando uma Pietá negra com o filho morto, com o texto de ‘Quarto de despejo’ – Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Escritora foi lembrada com trechos do livro ‘Quarto de despejo’ em carro alegórico

Publicado em O Globo

RIO — Uma das alegorias mais comentadas dos desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca, o carro da Pietá negra, que encerrou o desfile do Salgueiro na segunda-feira, levou à Sapucaí a obra de uma escritora pouco conhecida do grande público, mas que se tornou uma das maiores expressões negras das letras brasileiras. A escultura trazia partes do texto de “Quarto de despejo”, primeiro livro publicado em 1960 por Carolina Maria de Jesus (1914 — 1977), uma catadora de papéis que foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas na extinta favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo.
Filha de pais analfabetos, Carolina de Jesus nasceu numa comunidade rural em Sacramento (MG) e se mudou aos 23 anos para São Paulo, onde teve seus três filhos. Em 1947, sem emprego e grávida aos 33 anos, foi obrigada a seguir para a comunidade do Canindé, onde começou a registrar o seu cotidiano e de seus vizinhos. Em 1958, Audálio Dantas a conhece durante uma reportagem sobre a favela para a “Folha da Manhã” e decide publicar um de seus cadernos, com o título de “Quarto de despejo”, que logo se tornou um sucesso editorial.

GG exclusiva Carolina Maria de Jesus (dir.) e Ruth de Souza, que a interpretou no cinema em 1961 – Arquivo

Após ter edição inicial de 10 mil exemplares rapidamente esgotada, o livro vendeu mais de um milhão de cópias e foi traduzido para 14 idiomas. Carolina de Jesus foi tema de reportagens de revistas “Time”, “Life”, “Paris Match” e do jornal “Le Monde”. O dinheiro dos direitos autorais a possibilitou deixar a casa improvisada na favela, embora sem mudar sua situação financeira.

Carolina de Jesus publicou depois “Casa de alvenaria” (1961), “Pedaços de fome” (1963) e “Provérbios” (1963), mas nenhum obteve o mesmo destaque de seu livro de estreia. Após a sua morte, foram publicados “Diário de Bitita” (1982), “Meu estranho diário” (1996), “Antologia pessoal” (1996) e “Onde estaes felicidade” (2014).

A homenagem à escritora foi realizada dentro do enredo “Senhoras do ventre do mundo”, um tributro à mulher negra, representando desde rainhas e guerreiras a figuras contemporâneas da força feminina. O Salgueiro venceu o Estandarte de Ouro e ficou com o terceiro lugar entre as escolas do Grupo Especial.

 

Autora Carolina Maria de Jesus é celebrada em feiras e relançamentos

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Carolina Maria de Jesus em 1958 na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, onde viveu até lançar 'Quarto de Despejo' (foto: Divulgação/Audalio Dantas)

Carolina Maria de Jesus em 1958 na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, onde viveu até lançar ‘Quarto de Despejo’ (foto: Divulgação/Audalio Dantas)

Karla Monteiro, na Folha de S.Paulo

Aos 60 anos, a professora Vera Eunice de Jesus Lima está descobrindo, “estupefata”, como ela gosta de dizer, a “força e a poesia” de sua mãe, Carolina Maria de Jesus (1914-1977).

Até então, Vera se via apenas como personagem de uma fábula de miséria e glória, que começa em 1958, na favela do Canindé, nos arredores do estádio da Portuguesa, em São Paulo, e termina silenciosa em um sítio em Parelheiros, zona sul da cidade.

“Não tinha dimensão da importância dela. Só agora, com este rebuliço, é que fui reler tudo o que ela escreveu. É como se eu estivesse conhecendo a minha mãe agora”, diz, sentada na sala do apartamento de dois quartos, em condomínio de Interlagos.

O “rebuliço” tem razão de ser: uma série de eventos marcam o centenário da escritora negra, favelada, semianalfabeta, nome acidental e revolucionário da literatura brasileira, que desapareceu das estantes das livrarias.

Carolina Maria de Jesus será a homenageada da edição deste ano da Flink Sampa, festival de literatura negra que acontece neste sábado (22) e domingo (23), no Memorial da América Latina. Haverá o relançamento de dois de seus livros: “Quarto de Despejo” (Ática, 200 págs., R$ 34,90) e “Diário de Bitita” (Sesi-SP, 216 págs., preço a definir).

Ela é também a homenageada da Balada Literária, com eventos que vão até domingo em SP. E no Rio, foi a estrela da Flupp (Festa Literária Internacional das Periferias), na semana passada.

Na segunda (17), foi lançado, na Câmara Municipal de SP, o livro “Onde Estaes Felicidade?”, com dois contos inéditos e apoio do MinC.

“Para o grande público, é um resgate de Carolina”, diz Uelinton Farias Alves, professor de literatura brasileira da Universidade Zumbi dos Palmares e curador da Flink.

“Hoje há muitos autores de periferia, como o Paulo Lins. Ela é a precursora. Abriu um precedente na literatura”.

CONFIRA DESTAQUES DA FLINK SAMPA

Sábado (22)

14h – Mesa Carolina Maria de Jesus, com Audálio Dantas, Vera Eunice e Elzira Perpétua

16h – Conversa com as misses negras Deise Nunes, Yitayish Ayenew (Israel) e Leila Lopes (Angola) e Paulo Borges

Domingo (23)

14h – Lançamento do livro “O Leito do Silêncio”, da escritora angolana Isabel Ferreira

16h – Palestra com a ativista Graça Machel, viúva de Nelson Mandela, em defesa das mulheres e crianças

FLINKSAMPA
QUANDO sab. (22) e dom. (23), das 9h às 19h
ONDE Memorial da América Latina, av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, tel. (11) 3823-4600
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO livre

 

Cecília Meireles é homenageada em Doodle do Google

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Thiago Barros, no TechTudo

Cecília Meireles recebeu uma homenagem do Doodle nesta sexta-feira (7). A imagem comemora o 113º aniversário da escritora carioca. Cecília foi poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira, além de ter sido considerada uma das vozes líricas mais importantes da língua portuguesa. A imagem do Doodle mostra Cecilia escrevendo sob a luz do luar.

113º aniversário de Cecília Meireles é comemorado com Doodle (Foto: Reprodução/Google)

113º aniversário de Cecília Meireles é comemorado com Doodle (Foto: Reprodução/Google)

Autora de obras consagradas, como “Ou isto ou aquilo” e “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca. Filha dos portugueses Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil, e Matilde Benevides Meireles, professora, a escritora carioca ficou órfã muito cedo. Seu pai faleceu três meses antes de seu nascimento, e sua mãe quando ela tinha só três anos de idade. Por isso, foi criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides.

Casada duas vezes, em 1922 com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a se suicidar em 1935, e em 1940 com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinicius da Silveira Grilo, Cecília teve três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, além de cinco netos. Faleceu aos 63 anos, de câncer, em 9 de novembro de 1964.

Talento de infância

Seu talento para a escrita vem da infância. Aos nove anos, começou a escrever poesia. Completou o curso primário em 1910 recebendo uma medalha de ouro por “distinção e louvor”. Em 1917, com apenas 16 anos, formou-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro e passou a exercer o magistério no estado do Rio de Janeiro.

Cecília é uma das maiores poetisas da história do Brasil (Foto: Reprodução/Ibamendes)

Cecília é uma das maiores poetisas da história do Brasil (Foto: Reprodução/Ibamendes)

Aos 18, publicou o seu primeiro livro de sonetos, Espectros. E logo fez sucesso por ser uma escritora atemporal. Ou seja, tinha a influência do Modernismo da sua época, mas apresentava também técnicas do Simbolismo, Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Panasianismo, Realismo e Surrealismo. Depois, vieram, em 1923, “Nunca mais… e Poema dos Poemas” e “Baladas para El-Rei”, em 1925.

Entre aulas e poemas, Cecília ainda arrumou tempo para trabalhar como jornalista, de 1930 a 1931, no Diário de Notícias, com uma página diária sobre educação. Em 1934, organizou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em Botafogo. De 1935 a 1938, virou professora universitária na antiga Universidade do Distrito Federal, hoje UFRJ. No mesmo período, colaborou ativamente no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.

Mas foi em 1939, quando lançou “Viagem”, que ganhou ainda mais reconhecimento. Recebeu o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras. Nos anos seguintes, fez diversas viagens pelo mundo, fazendo conferências sobre Literatura, Educação e Folclore. Na década de 40, lançou seis publicações. Já nos anos 1950, foram 15, incluindo o clássico “Romanceiro da Inconfidência”.

No entanto, seu legado é eterno na literatura brasileira. Prova disso é que não faltaram homenagens a ela. Em 1964 mesmo, ganhou o Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Em 1989, uma cédula de cruzados novos com a sua efígie foi feita em sua homenagem.

Nota com homenagem à poetisa foi lançada em 1989 (Foto: Reprodução/Instituto Cecília Meireles)

Nota com homenagem à poetisa foi lançada em 1989 (Foto: Reprodução/Instituto Cecília Meireles)

Legado internacional

Seu reconhecimento é internacional. Cecília é Sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, Sócia honorária do Instituto Vasco da Gama (Goa), Doutora “honoris causa” pela Universidade de Delhi (Índia) e Oficial da Ordem do Mérito (Chile). Na cidade chilena de Valparaíso, tem até uma biblioteca com seu nome. Em Portugal, nos Açores e em Lisboa, há ruas com seu nome.

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