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Posts tagged Homero

Conheça a casa onde Ariano Suassuna morou

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O universo mágico dos livros de Ariano Suassuna permeia toda a casa onde o escritor morou com a mulher durante 55 anos, no Recife

Rogério Maranhão/ Casa Cláudia - Casa de Ariano Suassuna: escritor viveu durante 55 anos cercado de tudo o que mais amava

Rogério Maranhão/ Casa Cláudia – Casa de Ariano Suassuna: escritor viveu durante 55 anos cercado de tudo o que mais amava

Rosele Matins, na Revista Exame

São Paulo – Assassinado por um cangaceiro, João Grilo, protagonista da peça Auto da Compadecida (1955), recebe autorização para ressuscitar. Mas o perdão não vem facilmente: como havia ludibriado seu algoz, além do padre, do sacristão, do bispo e do padeiro da cidade com mentiras, o personagem precisou enfrentar um julgamento, no qual Jesus, na fgura de um homem negro, e o Diabo, vestido de vaqueiro, disputam sua alma.

Não fosse a intercessão da Virgem, o herói malandro (autodenominado “um amarelo muito safado”) padeceria no fogo eterno. Já no Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), o fidalgo dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna narra sangrentas e mirabolantes epopeias medievais, ocorridas em pleno sertão, com vocabulário pitoresco, em que onças, anjos e caboclos dividem as páginas com bestas marinhas e menções aos escritores Homero e Euclides da Cunha.

Situações insólitas como essas, repletas de fantasia e elementos da cultura regional (a exemplo da literatura de cordel e de versos dos repentistas), caracterizam os textos de Ariano Suassuna (1927-2014), o Imperador da Pedra do Reino – a nobre condecoração ele recebeu dos organizadores de uma cavalgada que acontece anualmente em São José do Belmonte, no interior pernambucano, inspirada em lendas locais e em seu livro mais famoso.

Assim como as demais, a obra foi escrita à mão, no gabinete da casa na qual esse paraibano, radicado no Recife desde a adolescência, morou por mais de cinco décadas com a parceira de toda a vida, Zélia Andrade Lima.

“Ele era muito rigoroso e disciplinado. Acordava cedo e trabalhava de domingo adomingo. Só interrompia o ofício para ler”, conta um de seus genros, o artista plástico Alexandre Nóbrega, braço direito na tarefa de migrar o conteúdo manuscrito para o computador.

Uma espreguiçadeira – gênero de móvel pelo qual Ariano tinha especial predileção – deixada na sala de jantar era sua companhia na leitura do jornal, logo após o café da manhã.

No ambiente, decorado com móveis de jacarandá do século 19, piso de ladrilhos hidráulicos também antigos e um belo painel de azulejos, presenteado pelo amigo Francisco Brennand, o autor de Uma Mulher Vestida de Sol (1947) e O Santo e a Porca (1964) saboreava almoços com os seis filhos e os 15 netos aos domingos.

Mantê-los por perto, aliás, era uma de suas grandes alegrias. Tanto que vários integrantes da família moram neste mesmo lote, em outras construções, e se visitam cotidianamente. “Sou patriarcal”, declarou Ariano na reportagem publicada por CASA CLAUDIA em 1997.

Quando não estava lendo ou escrevendo, exercia outra atividade: ministrava aulas-espetáculo sobre a cultura popular brasileira, acompanhado de músicos e bailarinos. A última delas ocorreu cinco dias antes de encontrar Caetana, como se referia à morte, parafraseando um termo comum no sertão da Paraíba e de Pernambuco.

O ritmo das saídas, no entanto, diminuiu desde o ano passado, quando ficou hospitalizado para tratar dois infartos e um aneurisma cerebral. Mais recolhido, pôde concluir o livro O Jumento Sedutor, que vinha preparando há 33 anos, com previsão de lançamento ainda para 2014.

“Fiz um pacto com Deus. Se ele achasse que o romance tinha algo de sacrílego ou de desrespeitoso, que o interrompesse pela morte”, disse o escritor numa entrevista concedida em dezembro último ao jornal Folha de S.Paulo. Pelo jeito, o interesse em ver a obra pronta não era apenas terreno.

Refúgio povoado de lembranças carinhosas

O endereço eleito por Ariano, ao qual o escritor se referia como “minha fortaleza, um marco de resistência da cultura brasileira”, só poderia ser peculiar, a exemplo das histórias que ele imaginou.

Erguida em 1870, a construção (cuja fachada foi revestida de azulejos criados por Brennand) fica na Casa Forte, bairro de atmosfera bucólica na Zona Norte do Recife, às margens do rio Capibaribe.

Do portão, já se avistam esculturas de contornos oníricos moldadas por Zélia, painéis cerâmicos e mosaicos que reverenciam a religiosidade e o legado do ilustre morador, que, apesar de conhecido pelo talento com as letras, flertava com as artes plásticas – alguns de seus livros trazem ilustrações que ele mesmo desenhou.

Lá dentro, móveis herdados, lembranças da infância e muitos presentes, dados por filhos e amigos, preenchem os ambientes, que expressam um registro mantido com afeto na memória do autor.

“Assim como eu, Zélia também cresceu num engenho, em Tapera, na zona da mata pernambucana. Talvez por isso, tenhamos escolhido uma casa assim, com ar de fazenda”, afirmou ele, imperador em São José do Belmonte e aqui, em seu reino, onde viveu durante 55 anos cercado de tudo o que mais amava.

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Imagens: Rogério Maranhão/Casa Cláudia

10 filmes baseados em poemas

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Tamires Martins, no Vá Ler um Livro!

Todos os anos nós vemos muitos livros serem adaptados para filmes. São tantos títulos que fica difícil contabilizá-los aqui. Mas, juro que nunca havia parado para pensar que existem poemas tão famosos que caíram no gosto cinematográfico. Então, a lista a seguir nos propõe conhecer os poemas e seus respectivos filmes. Começamos com cinco poemas famosos publicados pelo site Flavorwire.

1.Lady Lazarus: Este filme de 1991 foi feito pela feminista e cineasta Sandra Lahire. O longa é todo experimental e centrado em torno famoso poema de Sylvia Plath Lady Lazarus, levando o áudio da própria leitura do poema, assim como Cut, Daddy, Ariel e Ouija de Plath, bem como trechos de uma entrevista de 1962. Segue trechos traduzidos por Mariana Ruggieri:

Lady Lazarus de Sylvia Plath

Eu o fiz de novo
Um ano em cada dez
Eu agüento

Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilhante tal qual um abajur nazista
Meu pé direito

Um peso de papel,
Minha face, como um pano inexpressivo, delicado
Em linho judeu.

Tire o lenço
Ó, meu inimigo
Eu te assusto […]

2. E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?: Em 2000, a comédia dos irmãos Coen foi baseado no poema épico de Homero, a Odisséia, com George Clooney como Ulysses Everett McGill, que traz um Ulisses moderno. No Brasil, o filme recebeu o título de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? Segue um pequeno trecho do poema.

“O Muse!
Sing in me, and through me tell the story
Of that man skilled in all the ways of contending,
A wanderer, harried for years on end …”

3. Mulan: Baseado na lendária Hua Mulan, o poema chinês do século VI, Ballad of Mulan, ficou famoso nas telas com o famoso filme da Disney, Mulan. Há sites como esse que trazem o poema escrito em chinês, como este: http://www.chinapage.com/mulan.html

4. O Estranho Mundo de Jack: O diretor Tim Burton começou a escrever esse poema em 1982, enquanto estava trabalhando como animador na Disney. Oito anos mais tarde, ele assinou um contrato com a empresa para transformar o poema em uma produção. Você pode lê-lo aqui. No Brasil, o filme ficou como O Estranho Mundo de Jack.

5. Coração Valente: O filme Coração Valente de Mel Gibson foi baseado em um poema épico por século 15, intitulado As Actes e Deidis do Illustre e Vallyeant Campioun Schir William Wallace, ou simplesmente o Wallace, que canta a vida e obras de escocês William Wallace. (mais…)

Jorge Luis Borges: os livros podem ter nos emburrecido?

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Alessandro Martins, no Livros e Afins

Procurava alguns elementos para ir adiante no texto em que o Paulo tenta responder à eterna pergunta: por que, afinal, lemos?

Buscava alguma palavra de Borges que me desse uma luz, que mostrasse algo à frente no escuro caminho de lugares comuns que ora preparo.

Afinal, um dos maiores escritores que já tivemos por aí não cansava de dizer que sua maior ambição era ser um bom leitor tão somente.

Atirei no que vi. Acertei no que não vi.

Encontrei um texto José Nêumanne em que ele descreve seu encontro com Borges.

Achava que a invenção de Gutenberg era uma das maiores responsáveis pelo “emburrecimento” da humanidade. Ele gostaria de ter vivido no tempo dos copistas, aqueles monges medievais que anotavam com sua caligrafia bem desenhada os textos que seus colegas de claustro teriam de ler. O trabalho penoso dos copistas funcionava como um rigoroso sistema de controle de qualidade, a seu ver. A facilidade da publicação de textos impressos por tipos móveis o irritava: “Veja o que ocorre por causa da imprensa: imprime-se qualquer porcaria. Qualquer idiota escreve qualquer coisa. Você não acha isso um horror?”, perguntou-me, quase exigindo a confirmação. Claro que concordei – logo eu, pobre de mim, que vivo do que imprimo.

Claro que se, por um lado, o livro democratizou a manifestação da burrice pelo lado da produção, também tornou acessível a inteligência pelo lado do consumo.

Afinal, sem ele não conheceríamos Shakespeare ou Homero ou seja lá qual for o seu escritor preferido.

(publicado originalmente em 27 de janeiro de 2008)

Talvez eu nem conhecesse Borges. Podemos dar a essa declaração a licença do exagero didático, apesar de sua boa dose de verdade.

De qualquer forma, recomendo a leitura integral desse texto que ajuda a conhecer um pouco mais da personalidade e das idéias desse escritor argentino. Achei-o precioso.

Garoto de 10 anos já leu ‘Odisseia’ e ‘Ilíada’

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Andréa Lemos, na Folhinha12356584

Renato Barreiros, 10, aprendeu na escola um pouco sobre a Guerra de Troia e leu em sala de aula partes do poema “Odisseia”. Ele fala da viagem do guerreiro Ulisses de volta para a casa, depois do fim da guerra.

Empolgado com essa história e com vontade de entendê-la melhor, Renato pediu para o pai comprar “Ilíada”. Esta é uma versão adaptada para crianças do texto escrito por Homero, o mesmo autor de Odisseia. Em “Ilíada”, o leitor fica sabendo que a guerra começou por causa do rapto da rainha Helena pelo príncipe de Troia.

“Esse livro é muito interessante. As histórias são um pouco complicadas, mas a linguagem é fácil e tem ilustrações”, conta. Renato já leu outros livros sobre mitologia. “Eu gosto bastante desses temas.” Dá para perceber!

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