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Turma da Mônica homenageia uma das mais influentes escritoras negras do Brasil

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Foto: Facebook/Turma da Mônica / Reprodução

Foto: Facebook/Turma da Mônica / Reprodução

 

Carolina de Jesus foi a mulher escolhida para representar o projeto #DonasdaRua, em parceria com a ONU Mulheres

Publicado no Zero Hora

Uma postagem feita nesta segunda-feira na página da Turma da Mônica no Facebook movimentou as redes em torno de uma figura ainda pouco lembrada na história nacional. Os personagens de Mauricio de Sousa homenagearam Carolina de Jesus (1914-1977), uma das primeiras e mais relevantes escritoras negras do Brasil.

Moradora da favela do Canindé, em São Paulo, Carolina trabalhava como catadora e registrava o cotidiano de sua comunidade em cadernos encontrados no lixo. No final da década de 1950, foram descobertos mais de 20 diários da escritora, que mais tarde deram origem ao livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. A publicação foi recusada por diferentes editoras na época, e acabou sendo impressa apenas em 1960.

A iniciativa faz parte do projeto Donas da Rua, lançado pela Turma da Mônica ainda no ano passado em parceria com a ONU Mulheres. A ideia é reforçar a autoestima de meninas de todo o Brasil e a defesa de seus direitos. A iniciativa já destacou outras brasileiras importantes, como a professora Dorina Nowill (1919-2010), pedagoga cega e uma das maiores ativistas pela inclusão de pessoas com deficiência visual no Brasil.

“Conhecer e honrar as guerreiras do passado é uma das formas de cultivar um futuro mais justo para as meninas. E nesse quesito, não temos nem o que dizer sobre Carolina de Jesus. Dona da Rua nata!”, destaca a publicação que já foi compartilhada quase 5 mil vezes, e movimentou as redes sociais no começo da semana.

Para acompanhar as homenagens do projeto, basta seguir a hashtag #DonasdaRua ou acessar o site da Turma.

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Netflix quer levar seus sucessos para os quadrinhos

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Samir Naliato, no Universo HQ

A Netflix rapidamente se tornou uma gigante da indústria de entretenimento. Agora, o maior serviço de streaming de filmes e séries do mundo quer expandir seus negócios para outras áreas.

A empresa busca um executivo para gerenciar a concessão de licenças de suas séries e filmes originais para serem criados produtos como livros, brinquedos e, claro, quadrinhos.

“Estamos apostando em produtos de consumo e em promoção associada, porque acreditamos que isso gerará uma exposição significativa para nossos programas, com formas mais tangíveis de interagir com os nossos conteúdos mais populares. Queremos fazer licenciamentos para ajudar a promover nossos títulos, para que eles se tornem parte cultural por longos períodos de tempo”, afirmou a Netflix.

Recentemente, uma parceria com a Hot Topic gerou produtos como camisetas, bonés, canecas e joias baseados em Stranger Things. A ação serve de teste para a expansão em novos segmentos.

Isso significa que, em breve, poderemos ter (pelo menos em teoria) revistas em quadrinhos de Stranger Things, Black Mirror, Orange is the New Black, House of Cards, Marco Polo, Sense8, Narcos, The OA e vários outros.

As informações são do site Bloomberg, especializado em informações do mercado financeiro.

As aventuras do poderoso Xangô: HQ transforma Orixás em super-heróis

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A criação: Página de "Contos de Òrun Àiyè", com lançamento previsto para junho imagem: Divulgação

A criação: Página de “Contos de Òrun Àiyè”, com lançamento previsto para junho imagem: Divulgação

Tiago Dias, no UOL

Se a Marvel se inspirasse na mitologia yorubá para criar suas histórias, o guerreiro Xangô teria uma força tão impressionante quanto Thor, defenderia a justiça tanto quanto Capitão América, e contaria com a ajuda de Oxum, Ogum e Oxossi para conquistar o trono do império africano de Oyó.

Mas não é mais necessário uma gigante do ramo para fazer explodir um novo universo nos quadrinhos. A HQ “Contos de Òrun Àiyé”, que deve ser lançada em agosto, dará aos Orixás cores e contornos de super-heróis.

“Eles têm poderes e distinções muito claras de personalidade, como os super-heróis têm. Xangô e Iansã são vermelhos. Ogun é azul e verde. Oxum é dourado”, conta o criador da história, Hugo Canuto. “Tem um código ali que dialoga muito com a figura do super-herói.”

Os Vingadores da mitologia de matriz africana: Hugo Canuto bebe na fonte dos Orixás para nova HQ imagem: Divulgação

Os Vingadores da mitologia de matriz africana: Hugo Canuto bebe na fonte dos Orixás para nova HQ imagem: Divulgação

 

Como qualquer fã de heróis que se preze, o quadrinista baiano cresceu lendo o universo de Thor, Conan e Super-Homem, personagens inspirados em mitologias distantes, mas que nunca tiveram dificuldade de assimilação por parte dos leitores brasileiros.

Caiu então a ficha na cabeça do autor, que já visitara outras culturas em “A Canção de Mayrube”, inspirada nos povos latinos: Por que o deus nórdico, na ficção da Marvel, é um super-herói e Xangô, guerreiro africano, é considerado um demônio?

“Por que aquilo que é brasileiro, que faz parte da cultura do país, é vista dessa maneira negativa e esse mesmo arquetípico da cultura euro ocidental é vista como herói?”, questiona.

"The Might Xangô" ou "O Poderoso Xangô": Homenagem a Jack Kirby deu origem ao projeto imagem: Divulgação

“The Might Xangô” ou “O Poderoso Xangô”: Homenagem a Jack Kirby deu origem ao projeto imagem: Divulgação

“The Orixás”

Com a vontade de afugentar preconceitos e fundir suas duas paixões, a cultura brasileira e as HQs, recriou em agosto passado uma capa clássica de “Os Vingadores”, com Xangô na mesma pose de Capitão América, e Ogún no lugar do Homem de Ferro.

Nascia ali “The Orixás” – uma homenagem despretensiosa ao quadrinista americano Jack Kirby, fundador da Marvel e um de suas maiores inspirações, que completaria 99 anos naquele dia se estivesse vivo.

A ilustração foi recebida com uma onda de curtidas e compartilhamentos. Canuto criou então capas fictícias para cada Orixá e decidiu bancar um projeto de verdade. Recusou ofertas de editores e foi para o conhecido crowdfunding. A “vaquinha” iniciada em novembro bateu sua meta de R$ 12 mil logo nas primeiras semanas — e encerrou a arrecadação com R$ 40 mil.

Fundindo mundos

Hugo Canuto: "Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos" imagem: Bruno Sarrion/Divulgação

Hugo Canuto: “Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos” imagem: Bruno Sarrion/Divulgação

Na prévia de “Contos de Òrun Àiyé”, cedida pelo artista e que abre esta reportagem, é possível ver a influência dos heróis clássicos, como se Jack Kirby e Stephen “Steve” J. Ditko (responsável pela arte de “Dr. Estranho”) jogassem suas cores e influências pop em um novo mundo de super-deuses.

Mas o projeto vai além de transformar os Orixás em meros arquétipos. “A história que eu estou construindo se situa no tempo lendário, no passado mítico, em que céu [Òrun] e terra [Àiye] é um só. Não tem como ser maniqueísta. Eles são muitos complexos, não se reduzem a bom e ruim”, explica Canuto.

“Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos. Trazer algo que é tão vítima de preconceito, que é combatida por movimentos reacionários, para uma linguagem diferente e fazer com que as pessoas olhem de outra maneira”, observa o baiano. “Fiz uma ponte entre duas realidades.”

Stephen Collins lança graphic novel, ‘A gigantesca barba do mal’

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Autor critica a sociedade atual ao abordar a xenofobia e a espetacularização pela mídia, com lirismo e pleno domínio dos recursos da linguagem da HQ

Pablo Pires Fernandes, no UAI

Há muitos casos em que a primeira obra de uma carreira artística, seja criação individual ou coletiva, é a que se torna definitiva. Há outros casos, todavia, em que a excelência do trabalho é alcançada com depuração e maturidade, com tempo. O quadrinista britânico Stephen Collins tem alguns anos de experiência com tiras e cartuns, publicados em veículos britânicos e americanos. Mas é estreante no formato de romance em quadrinhos, chamado de graphic novel.

Em 2013, publicou A Gigantesca Barba do Mal, que só agora chega ao Brasil pelo selo Nemo, da Editora Autêntica. O trabalho é uma obra-prima dos quadrinhos. Como é jovem, espera-se que o autor não se encaixe na primeira categoria e siga nos brindando com outras pérolas.

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A gigantesca barba do mal é uma fábula contemporânea. Descreve uma sociedade idealizada, mas verossímil e não distante da realidade atual. Na ilha chamada Aqui, tudo é extremamente ordenado, asseado e funciona sob uma lógica estritamente ”normal”. Seus habitantes não conhecem outro mundo e, além da imensidão do mar, fica Lá – em inglês, a palavra here (aqui) está contida na palavra there (lá).

Lugar tão temido quanto desconhecido, é cercado por lendas e rumores. Lá ”era a desordem, era o caos, era mau”, embora ninguém tivesse ido até lá. No entanto, mesmo sem ser mencionada, a noção da existência de Lá paira sobre os habitantes de Aqui como uma ameaça à ”normalidade” de suas vidas. A mera possibilidade de alguma espécie de bagunça é fonte de temor, inclusive para Dave.

SONHOS CAÓTICOS

Para lidar com esse medo e com os sonhos caóticos que o assombram de vez em quando, Dave desenha o que vê diante de sua janela. A prática, feita com regularidade e disciplina, afasta seus temores e o ajuda a manter o sentido de ordem e sua rotina. Dave é careca e, mais do que isso, seus únicos pelos no corpo são as sobrancelhas e um único fio renitente debaixo do nariz. Afora o fio de barba, que teima em despontar. Dave leva sua vida de burocrata em uma corporação dentro dos padrões dos moradores de Aqui.

Certo dia, os gráficos e previsões que Dave meticulosamente monitora diariamente no trabalho saem do padrão. Em seguida, seu único fio de cabelo começa a crescer inesperadamente e dá origem a uma barba. Rapidamente, a barba vai lhe tomando o rosto. Os pelos se expandem, causam repugnância a todos que o cercam. Dave foge. De maneira inexplicável, a barba cresce e toma conta de sua casa, de sua rua. Desse momento em diante, a estimada organização de Aqui começa a desmoronar. A desenfreada barba de Dave institui a entropia que desestabiliza todo o sistema.

Em 'A gigantesca barba do mal', personagens temem a desordem. (foto: Fotos Editora Nemo/Reprodução do livro 'A gigantesca barba do mal')

Em ‘A gigantesca barba do mal’, personagens temem a desordem. (foto: Fotos Editora Nemo/Reprodução do livro ‘A gigantesca barba do mal’)

Essa ruptura criada pelo autor, recorrendo ao fantástico, confere à narrativa uma dimensão metafórica. A sutileza da abordagem, porém, não deixa qualquer dúvida de que a visão do quadrinista a respeito da sociedade atual é cáustica e até sombria. Suas metáforas são mordazes, expressas ora com ironia, ora com pessimismo. A mídia e a espetacularização, a manipulação de discursos e da ”realidade” também são objetos de questionamento nesse trabalho.

Em A gigantesca barba do mal, o cerne da narrativa é a desestabilização daquela sociedade a partir de um elemento inesperado. Ali, as pessoas não sabem lidar com o diferente, com o novo, com o imprevisto. O personagem, confinado em sua casa, é hostilizado pela população, explorado pela mídia e julgado pelas autoridades. Cultuado e arraigado, o medo do outro – mesmo sem saber se esse outro representa perigo de fato – é o gatilho para a reação de repúdio e negação. Diante da iminente ameaça à segurança pública (ou à segurança nacional), o medo acaba por induzir à rejeição do desconhecido. Lá e também aqui.

Ao expor esse dilema de maneira fabular, sutil e elegantemente, Stephen Collins critica a sociedade que teme a diferença, xenófoba, que não é capaz de olhar para além de suas próprias certezas e que reproduz preconceitos. O brilho do autor, porém, não se resume à criação de uma boa metáfora. O quadrinista consegue aliar forma e conteúdo de maneira surpreendente, ressaltando seus conceitos por meio de um amplo repertório da linguagem gráfica (e específica) das histórias em quadrinhos.

Um dos mais particulares elementos da gramática dos quadrinhos é a relação entre texto e imagem. Collins faz uso desse recurso de maneira pouco comum, introduzindo placas e sinais gráficos como parte do texto, colocando pequenas frases entre os quadros, o que cria pausa na leitura e certo distanciamento entre a escrita e os desenhos.

MONTAGEM

O ritmo das imagens e as composições de página, outro elemento específico das HQs, são explorados com habilidade singular. Faz oposições entre desenhos semelhantes, mas que, em quadros diferentes, estabelece passagem de tempo. Outro recurso próprio dessa linguagem, rarissimamente utilizado, é a passagem entre as páginas. O último quadro da página ímpar, que antecede a virada de página, pressupõe um gesto do leitor e uma passagem de tempo. Em vários momentos, Collins consegue criar relações interessantes entre esse último quadro e o primeiro da página seguinte, remetendo ao princípio eisensteiniano de montagem.

Mesmo sem empregar cores, o autor maneja bem as nuances entre o preto e o branco. Seu emprego de vários tons de cinza é capaz de criar atmosferas e acrescentar dramaticidade às cenas e sequências. Desenhos de página inteira (ou até duplas) se alternam com outros com mais de 15 quadros, além de variada disposição da verticalidade e horizontalidade na composição, o que evidencia um pleno domínio da nona arte e seus recursos.

A gigantesca barba do mal explora um campo fértil possibilitado pelos quadrinhos, ao mesclar o cotidiano e o fantástico. Assim, é capaz de estabelecer identificação direta e simples com o leitor e, ao mesmo tempo, introduzir elementos na narrativa para algo fora da lógica ”natural”. É inevitável relacionar esta graphic novel ao realismo fantástico da literatura latino-americana, mas, sobretudo, ao realismo mágico do mineiro Murilo Rubião.

Collins foi capaz de aliar uma narrativa lírica a uma sagaz crítica da sociedade contemporânea. Com lirismo, ele mostra que a ideia de ordem (e um suposto progresso) nem sempre faz sentido. A entropia é inevitável, não existe sistema perfeito. Portanto, saímos dessa fábula cientes de que precisamos de um pouco de caos em nossas vidas.

Editora Nemo e os quadrinhos feitos por mulheres

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“Placas Tectônicas”, de Margaux Motin, fala sobre relacionamentos, maternidade real e amizade entre mulheres.

“Placas Tectônicas”, de Margaux Motin, fala sobre relacionamentos, maternidade real e amizade entre mulheres.

 

Amanda Alboino, no Lady’s Comics

Dos 22 títulos publicados pela Editora Nemo em 2016, 13 tiveram pelo menos uma mulher na equipe criativa.­

2016 foi um grande ano para as autoras de quadrinhos no Brasil. Dos 22 títulos publicados este ano pela Editora Nemo, do Grupo Autêntica, 13 contaram com a participação de mulheres desenhando, escrevendo ou roteirizando narrativas gráficas. Desses, 3 HQs foram escritas ou roteirizadas por brasileiras: Bear 3 (Bianca Pinheiro), O Mundo de Dentro (Bruna Vieira e Lu Caffagi) e Fazendo o Meu Filme (Paula Pimenta). Tudo isso ajudou a reforçar a imagem da Nemo como uma das grandes editoras brasileiras incentivadoras do quadrinho feito por mulheres.

Para entender como foram planejadas as publicações durante este ano e as perspectivas para 2017, conversamos com a editora assistente da Nemo (e também colaboradora Lady’s Comics), Carol Christo!

É perceptível que a Nemo está publicando mais obras de mulheres. Isso é um posicionamento de valor da empresa, ou vocês estão seguindo uma tendência de mercado?
Não foi algo pensado. Percebemos que a maioria dos títulos selecionados para publicação pela editora eram de mulheres. Então, quando nos demos conta disso, vestimos a camisa da proposta, porque significou que os quadrinhos de grande qualidade, pelos quais tanto nos interessamos, eram de mulheres. Acho que isso por si só diz muito do mercado. Não é simplesmente uma tendência, é uma realidade, nua e crua. As mulheres estão conquistando espaço pela qualidade.

Avaliando as obras que foram publicadas em 2016, como você faz o balanço da recepção do público sobre obras feitas por mulheres? Elas venderam mais, menos ou equivalente? A que você atribui esse fato?
É muito difícil fazer uma constatação geral, porque publicamos coisas muito diferentes umas das outras. Se pensarmos no todo, o resultado é muito positivo. Margaux Motin, Lu Cafaggi, Bianca Pinheiro foram muito bem.

É comum receber sugestões de quadrinhos para serem publicados pela editora?
É bastante comum. Elas geralmente chegam pelas redes sociais.

Além do terceiro volume de “Bear”, Bianca Pinheiro publicou a graphic novel “Mônica”, da MSP.

Além do terceiro volume de “Bear”, Bianca Pinheiro publicou a graphic novel “Mônica”, da MSP.

 

Como você avalia o mercado de quadrinhos para autoras e artistas aqui no Brasil?
O mercado está mudando muito. Ainda bem! Há poucos anos a dominação masculina era evidente, e pouco se via da produção de mulheres por aí. Agora, o jogo está virando. Entre os nomes de destaque no Brasil, está sempre presente o nome de uma mulher: Cris Peter, Lu Cafaggi, Cristina Eiko, e tantos outros nomes. Agora, o desafio é conquistar ainda mais espaço, continuar apostando e contribuindo para o desenvolvimento da produção de quadrinhos feitos por mulheres. Temos muito ainda por fazer.

Como você avalia o mercado para editoras de quadrinhos aqui no Brasil?
É um mercado em ascensão. Temos muito espaço para crescer, mas os quadrinhos ainda são recebidos com menos interesse por parte dos livreiros. Nossa missão é tentar mudar essa mentalidade, para que os quadrinhos conquistem espaço também nas livrarias e se tornem itens de desejo. Ainda existe muito aquela ideia de que quadrinho é coisa de criança, mas estamos abrindo caminho. A cada ano conquistamos mais leitores.

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Você percebe diferenças de recepção de obras masculinas e femininas?
Acredito que homens e mulheres podem se divertir e se emocionar com quadrinhos feitos tanto por homens ou mulheres quanto com personagens homens ou mulheres. Quadrinhos são para todo mundo. Não acredito em “temáticas femininas”, isso me assusta. Acredito que tudo faz parte da vida de todos, de um jeito ou de outro. Não faço ideia de porque homens não podem se divertir lendo Margaux Motin ou Lu Cafaggi, mas infelizmente isso ainda existe, essa é a diferença na recepção, essa coisa de não querer ler um quadrinho porque “ele é para mulher”. É outra barreira que precisamos transpor. E, aos poucos, estamos conseguindo.

Para 2017, o que podemos esperar em relação a quadrinhos feitos por mulheres?

Muitas obras de mulheres vão ser publicadas em 2017. Estamos com uma grade linda, que tenho certeza de que será muito bem recebida. Aurélie Neyret é uma das nossas novidades! Ela tem um traço espetacular. Teremos também a Lucy Knisley, além de outros nomes que não podem ser divulgados ainda.

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