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HQ ‘O Enterro das Minhas Ex’ narra amor lésbico com sutileza

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Érico Assis, na Folha de S.Paulo

A leitora e o leitor heterossexuais vivem em uma cultura de reforço em que sua orientação sexual torna padrão o enredo “garoto-encontra-garota”. Por mais que esta situação venha mudando, outras orientações sexuais ainda aparecem como insinuação ou novidade. Até mesmo, como uma puxada de tapete no meio da trama.

A representatividade do público LGBT na literatura, na TV, nos quadrinhos e em outras mídias ainda é problemática. Faz parte do problema o elogio fácil: o simples motivo de incluir na narrativa relações que fogem do padrão, às vezes, vira motivo para a crítica subir o número de estrelinhas.

“O Enterro das Minhas Ex”, da francesa Anne-Charlotte Gauthier, pode ser lido sem esse elogio imediato. A HQ conta as desilusões românticas da autora entre os sete e os 19 anos. Desilusões no amor, da infância à adolescência, fazem parte da vida de todo ser humano. No caso de Gauthier, envolve uma menina que gosta de meninas.

Desenhos de Anne-Charlotte Gauthier para "O Enterro das Minhas Ex"

Desenhos de Anne-Charlotte Gauthier para “O Enterro das Minhas Ex”

 

A HQ começa com a autora aos sete anos, precocemente (ou não) interessada por uma bunda feminina na TV. A descoberta é canalizada em investidas nos esportes –vôlei, judô, natação– e uma sucessão de decepções em cada modalidade.

É na segunda parte do livro, sobre os anos finais do ensino fundamental, que começam de fato as relações amorosas. Um tema que vai atravessar o álbum, a partir daí, é algo que pode ser particular às relações homoafetivas: a dificuldade e a violência das parceiras a aceitar a própra homossexualidade (o que não aconteceu com a própria Gauthier).

A criatividade narrativa cresce ao longo da narrativa. As duas primeiras partes são um pouco mais arrastadas e o traço da autora, às vezes, peca nas expressões faciais.

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Na terceira parte, que corresponde à metade do livro e trata do período no ensino médio, os desenhos de Gauthier melhoram levemente, com a diminuição progressiva dos texto para retratar seus sentimentos.

A cena de sua primeira relação sexual, por exemplo, atinge um equilíbrio bonito entre a sutileza dos enquadramentos e o pudor de esconder os corpos. Pausas abruptas, como páginas em branco ou com apenas uma imagem dão ritmo especial ao quadrinho.

O álbum é curto e, com a mudança narrativa do final, acaba rápido. A última cena, despojada e alongada na medida precisa, mostra como a autora cresceu em estilo –e em idade, junto com a sua personagem– ao longo da obra.

Mesmo que a oferta de narrativas LGBT ainda fuja do ideal, “O Enterro das Minhas Ex” não se destaca porque quer preencher cotas de representatividade. A HQ vale, primeiro, por retratar essas relações como aspecto comum aos nossos arredores. Acima de tudo, interessa como bom quadrinho.

Deuses Americanos, de Neil Gaiman, ganhará versão em quadrinhos

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Samir Naliato, no Universo HQ

Deuses Americanos é um dos livros mais conhecidos e celebrados de Neil Gaiman. Lançado originalmente em 2001, já saiu no Brasil por duas editoras: primeiramente pela Conrad e, neste mês de outubro, será relançado pela Intrínseca.

Agora, a Dark Horse anunciou que adaptará a história para os quadrinhos, com roteiro de P. Craig Russell e arte de Scott Hampton.

Russell é conhecido de Gaiman e já trabalhou com o autor na série Sandman, além de adaptar o livro ilustrado Sandman – Os Caçadores de Sonhos em forma de HQ.

A série contará ainda com desenhos dos artistas convidados Walt Simonson, Mark Buckingham, Colleen Doran, do próprio P. Craig Russell e outros. As capas serão de Glenn Fabry e Adam Brown, além de capas variantes de David Mack e Dave McKean.

Ao todo, serão 27 edições que contemplarão três arcos de histórias: Shadows, My Ainsel e The Moment of the Storm. O lançamento será em março de 2017.

Deuses Americanos também está sendo adaptado para uma série de televisão, pelo canal Starz (assista ao trailer no final deste artigo).

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A história mostra a jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático.

Shadow aceita trabalhar para Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos, um país tão estranho para Shadow quanto para Gaiman. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses – os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) –, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido.

Após hiato de seis anos, Laerte Coutinho volta às livrarias

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Foto: Rafael Roncato/divulgação

Foto: Rafael Roncato/divulgação

 

Isabel Costa, no Leituras da Bel

A cartunista Laerte Coutinho retorna às livrarias com Modelo Vivo, um recorte da multiplicidade de seu eu-artístico, fruto do caminho de livre experimentação que seguiu em sua trajetória. O novo livro, que será lançado pelo selo Barricada, da Boitempo Editorial, chega às livrarias em novembro. Laerte passou por um hiato de seis anos sem publicar livros físicos.

O lançamento anterior de Laerte foi o graphic-folhetim Muchachua, pela Quadrinhos na Cia., selo de HQs da editora Companhia das Letras.

“A Laerte que emerge dessa abertura para novas questões e desafios está presente nos desenhos baseados em modelos humanos, produzidos no decorrer de um curso livre organizado em 2013, junto com o filho Rafael Coutinho. Neles, Laerte retorna às origens, antes da profissionalização, e deixa de lado vários procedimentos que consolidaram seu lugar na história gráfica, como o uso de personagens e o traço “humorístico”, divulgou a Boitempo.

O livro também remete a um retrato histórico, por trazer uma seleção de histórias em quadrinhos – algumas já publicadas, outras muito pouco conhecidas e uma inédita – publicadas nas décadas de 1980 e 1990, em fanzines e revistas icônicas da Circo Editorial, como Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Geraldão, Circo e Cachalote.

Desenhos do passado e do presente se intercalam, revelando ao mesmo tempo um forte contraste e a possibilidade de uma imersão criativa na obra da artista. O volume é organizado por Toninho Mendes, ex-editor das revistas da Circo Editorial.

Alan Moore, de ‘V de vingança’ e ‘Watchmen’, anuncia aposentadoria dos quadrinhos

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O quadrinista e roteirista Alan Moore - Reprodução

O quadrinista e roteirista Alan Moore – Reprodução

 

Autor pretende dedicar-se ao cinema e a literatura

Publicado em O Globo

RIO – Mestre dos quadrinhos, Alan Moore está dando adeus à arte que o consagrou. O roteirista, que deu ao mundo obras como “Batman: A piada mortal”, “V de vingança” e “Watchmen”, anunciou que vai parar de escrever HQs para tentar os tais “novos desafios”.

Em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”, em que divulga o romance “Jerusalem”, Moore afirmou que ainda tem “umas 250 páginas de quadrinhos para fazer”, e depois está oficialmente aposentado da arte sequencial.

“Acho que eu já fiz o bastante de quadrinhos. Já fiz tudo o que eu podia. Acho que se eu fosse continuar a trabalhar com isso, as ideias inevitavelmente iriam sofrer, vocês começariam a me ver como um pneu velho reutilizado. Você e eu provavelmente merecemos algo melhor que isso”, disse.

Além de quadrinista, Moore é romancista, roteirista, cartunista, músico e mágico. Seu plano é focar no seu trabalho literário e no cinema. Há algum tempo, ele vem externando seu desejo de passar o bastão para uma nova geração de quadrinistas. Segundo Moore, a decisão veio quando ele percebeu que se sentia “muito confortável” com o meio.

“As coisas que me interessam no momento são as coisas que eu não sei se consigo fazer, como filmes, que eu não faço ideia do que estou fazendo, ou romances gigantescos. Coisas que eu não tenho certeza de que tenho vigor para ir até o fim”, disse ele. “Não preciso provar nada para mim mesmo ou a ninguém. Eu sempre vou reverenciar os quadrinhos, é um meio maravilhoso. Mas esses outros campos são mais empolgantes para mim”.

A aposentadora, no entanto, não será imediata:

“Ainda estou fazendo algumas edições de um livro da Avatar, parte de uma obra do HP Lovecraft em que eu tenho trabalhado recentemente. Kevin O’Neil e eu estamos finalizando ‘Cinema purgatorio’ e temos um outro livro, um livro final do ‘League of extraordinary gentlemen’ para completar. Depois disso, embora eu possa fazer pequenas obras em algum momento do futuro, eu vou parar com os quadrinhos”.

Quadrinista recria capas de HQs da Marvel com Orixás

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Capa de "The Orixas", inspirada na estética dos quadrinhos de "Os Vingadores" - Hugo Canuto

Capa de “The Orixas”, inspirada na estética dos quadrinhos de “Os Vingadores” – Hugo Canuto

 

Fã da estética de Jack Kirby, Hugo Canuto se inspirou na cultura afro-brasileiras para criar “The Orixás”

Milena Coppi, em O Globo

RIO — Inspirado nos HQs de Jack Kirby, um dos criadores do universo Marvel ao lado de Stan Lee, o quadrinista baiano Hugo Canuto recriou uma capa clássica de “Os Vingadores” e substituiu os famosos heróis da saga por divindades oriundas de religiões afro-brasileiras. Em sua versão, batizada de “The Orixás”, Xangô e Ogún trocam de lugar com Capitão América e Homem de Ferro.

— Resolvi imaginar o que aconteceria se Kirby resolvesse produzir uma saga baseada nas lendas da cultura afro-brasileira, assim como ele fazia com outras mitologias em seus quadrinhos — afirmou ele.

— Quis abordar a estética pop do quadrinho americano e trazer para a elementos da nossa cultura. Acredito que precisamos de referências próprias nesse aspecto.

A ideia surgiu despretensiosamente como forma de juntar duas de suas paixões, a cultura brasileira e os HQs, e de homenagear o quadrinista americano que, se estivesse vivo, completaria 99 anos em agosto. Mantendo a estética usada por Kirby, a versão de Hugo teve grande repercussão em sua página no Facebook.

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—Fiquei muito surpreso com a repercussão positiva das pessoas em relação aos desenhos. Muitas curtiram e se sentiram representados — declarou o quadrinista.

Há oito anos, Hugo criou o HQ “A Canção de Mayrube”, inspirada nas grandes mitologias da América. A partir desse projeto, o artista se aprofundou ainda mais no tema e levou as referências que buscou para seus trabalhos mais recentes.

— Queria fazer algo diferente, mas sempre tomando cuidado com a mensagem para não desrespeitar ninguém. Sei que algumas pessoas demonizam e atacam a cultura afro-brasileira. Mas, como artista, não posso deixar de realizar esse trabalho por conta de visões exclusivas da realidade.

Para criar a história, Hugo busca referências em livros de autores como Edison Carneiro e Pierre Verger. Ele também pretende sair de São Paulo e voltar a morar em Salvador para ficar mais próximo da cultura que o inspirou.

— Quero mergulhar nesse universo não apenas para criar um trabalho interessante, mas para não faltar com respeito. Sou um espiritualista e procuro entender todas as crenças. Como nasci na Bahia, é muito natural para mim entender várias visões de religiosidade — comentou ele.

Com os sucessos dos desenhos, o quadrinista já ensaia para transformar o projeto online em uma HQ.

— Por enquanto, vou continuar fazendo essas artes homenageando os Orixás dentro dessa estética. Mas estamos empolgados com a ideia de fazer um quadrinho. Queremos botar o projeto de pé com a ajuda de financiamento coletivo.

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