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Clubes de leitura: a delícia de compartilhar saberes, livros e opiniões

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Café-Clube de Leitura, no Espaço O POVO (Foto: divulgação)

Café-Clube de Leitura, no Espaço O POVO (Foto: divulgação)

 

Isabel Costa, no Leituras da Bel

Conversar sobre um livro é quase tão prazeroso quanto o ato de ler. Envolvidos pela leitura e pelas personagens, nós discutimos com amigos e colegas sobre as características do texto, a perspicácia do narrador, a engenhosidade do escritor, os caminhos da história. Em Fortaleza, nos últimos meses, vários Clubes de Leitura começaram atividades ou ampliaram o número de participantes. São coletivos envolvidos e engajados, que se reúnem periodicamente para discutir sobre um ou dois livros escolhidos. Com a ajuda de amigos, colegas e desconhecidos do Facebook, eu fiz uma lista com alguns dos Clubes de Leitura em funcionamento na cidade.

Há opções em vários bairros e com vários perfis de leitura! Dos quadrinhos aos clássicos internacionais. Dos autores nordestinos aos livros contemporâneos.

Você conhece outro Clube de Leitura? Sabe mais informações sobre um dos coletivos da lista? Quer fazer uma correção nas informações da postagem? Quer formar um Clube de Leitura? Tem experiência com compartilhamento de leitura e quer opinar? É só comentar na postagem! Essa lista pode/deve ser ampliada, mexida, acrescentada e incrementada! O importante é que todo mundo encontre um grupo para compartilhar saberes, leituras, personagens e opiniões!

Veja a lista:

Leia Mulheres Fortaleza
Acontece na Livraria Leitura do Shopping Del Paseo (avenida Santos Dumont, 3131), sempre no último sábado do mês às 19 horas. O próximo encontro acontece no dia 25 de março, quando será discutido o livro As boas mulheres da China, de Xinran. A mediação é de Alessandra Jarreta. Outras informações no telefone 3458 0300 ou no link!

Clube do Quadrinho Rebirth
O coletivo é especializado em HQs. Também é realizado na Livraria Leitura do Shopping Del Paseo (avenida Santos Dumont, 3131). Os encontros acontecem nas últimas quintas do mês, às 19 horas. Outras informações através do telefone 3458 0300 ou no link!

Clube de Leitura Dito e Feito
O grupo discute mensalmente uma obra de autor nordestino. Em março, o encontro acontece no dia 11, às 9 horas, e o livro é Capitães da Areia, de Jorge Amado. A mediação é de Alessandra Jarreta. Os encontros acontecem no Dito Feito Brechó & Cultura (rua João Alves Albuquerque, 34, Parque Manibura). Outras informações no link!

Café-Clube de Leitura
Realizado no Espaço O POVO de Cultura & Arte (avenida Aguanambi, 282). São encontros mensais para discutir sexualidade e literatura. A próxima reunião do coletivo acontece no dia 15 de março, às 19 horas, e o livro trabalhado será Sergio Y. Vai À América, de Alexandre Vidal Porto. A mediação é dos jornalistas Jáder Santana e Marina Solon. Outras informações no link!

Clube de Leitura Divina Comédia Humana
Criado em dezembro de 2014 para realizar leituras da Comédia Humana de Honoré de Balzac, o grupo já fez mais de 50 encontros. A próxima reunião será na segunda-feira, dia 6 de março, a partir das 18h30min, no Mais Açaí (avenida 13 de Maio, 793). Será trabalhado o livro Noites Brancas, de Fiodor Dostoievski. Outras informações no link!

Clube do Livro – PET Pedagogia da UFC
Foi criado pelo Programa de Educação Tutorial do curso de Pedagogia/UFC. Um encontro acontece na próxima segunda-feira, 6 de março, às 17 horas, no Bosque Moreira Campos (Centro de Humanidades – Área I – Benfica). O desafio será discutir os livros Noite na Taverna (Álvares de Azevedo) e Coraline (Neil Gaiman).

Clube de Leitura Sublime
As atividades acontecem na Confeitaria Sublime (rua Eduardo Bezerra, 1276 – São João do Tauape). O próximo encontro acontece no dia 18 de março, quando será discutido o livro A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera. Outras informações no link!

Concurso Cultural Literário (15)

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capa contra a servidão voluntáriacapa manifestações ideológicas do autorismo

A influência e o reconhecimento de Marilena Chaui como uma das mais importantes intelectuais do país estão relacionados não somente aos seus escritos estritamente filosóficos, mas, sobretudo, à sua contribuição para o pensamento social e político brasileiro nas últimas décadas.

A coleção Escritos de Marilena Chaui, criada para facilitar o acesso aos textos publicados em diferentes veículos e oferecer aos leitores volumes que reúnem temas específicos abordados pela filósofa, traz compilações especiais de ensaios, artigos e intervenções – entre já publicados e inéditos, todos revistos pela autora.

Neste primeiro volume, Marilena acompanha a reflexão política do francês Étienne de La Boétie e enfrenta o desafio de compreender a paradoxal experiência humana de uma servidão voluntária, analisando seus meandros e suas implicações. Em oito textos que contemplam três décadas de intensa produção sobre o tema (de 1982 a 2013), Chaui mostra como a servidão voluntária está presente por toda parte: muitos vivem sob o domínio de um que se destaca de seus pares, ergue-se acima da sociedade e a sujeita, comandando-a, enquanto os outros servem, voluntariamente. Fecha o volume uma entrevista especialmente concedida para esta publicação. Nela a autora realiza um balanço da coletânea e de seu encontro com La Boétie.

Mesmo em uma democracia, não é incomum observar, com olhos mais atentos, manifestações ideológicas do autoritarismo no Brasil. Elas estiveram presentes no país, entre outros momentos, na ação integralista dos anos 1930, na luta pela redemocratização cinco décadas depois, no arcaísmo fora de moda dos anos 1990 – e hoje surgem de forma mais sofisticada nas relações de poder, apesar dos quase 30 anos do fim do último regime ditatorial.

Este segundo volume da coleção Escritos de Marilena Chaui chega em hora propícia, logo quando o país se surpreende com inúmeras manifestações massivas, intimamente vinculadas ao evidente autoritarismo da política brasileira. Estão reunidos aqui artigos publicados em livros, revistas e jornais nas décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000, que oferecem ao leitor uma consistente análise das diversas manifestações ideológicas do autoritarismo já ocorridas e ainda presentes no país, tendo como pano de fundo o contexto dessas décadas.

O leitor encontrará nestes textos motivações para investigar as origens do autoritarismo brasileiro e criticar as suas manifestações atuais. Observadora atenta das lutas sociais na sociedade de classes desde a década de 1970, Marilena Chaui oferece aqui um instrumental crítico que compreende desde a visão autoritária das elites dominantes até sua atuação na conformação do Estado.

O livro traz, portanto, questões de fundo da ideologia e do autoritarismo nativo, em um rico conjunto de textos de cunho eminentemente político e que reforçam o fortalecimento, ainda necessário, da democracia brasileira.

Vamos sortear 2 exemplares de cada um dos novos livros da filósofa Marilena Chaui: “Manifestações ideológicas do autoritarismo brasileiro” e “Contra a servidão voluntária“.

Para participar, basta completar na área de comentários a frase “Estudar filosofia é importante para…“. Use no máximo 2 linhas na resposta.

O resultado será divulgado no dia 4/10 às 17h30 neste post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

Lembrete: Se você participar pelo Facebook, por gentileza mencione um e-mail de contato.

Boa sorte! 🙂

***

Parabéns aos ganhadores:

Livro: Manifestações ideológicas do autoritarismo brasileiro: Daiane Teles e Thales Brunos

Livro: Contra a servidão voluntária: Erica Tavares e Angelo Miranda

Por gentileza enviar seus dados completos para [email protected] até o dia 7/10.

“10 livros para idiotas [?]” e 1 texto para o maior deles – #ARTIGO RESPOSTA

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Gustavo Magnani, no Literatortura

*este é um ARTIGO RESPOSTA. Leia na íntegra e entenderá que eu não ataco os livros, mas os defendo.

Ontem foi publicado um texto na revista bula [de quem sou seguidor e admirador, pra constar] ao qual os colaboradores do literatortura trouxeram ao nosso grupo, para discutirmos. Não demorou muito, então, para eu receber os links direto dos leitores, abismados com tanta bestialidade bobeira em um único artigo de teor cultural. E veja você, leitor, que poucas vezes aqui usamos palavras sem volta, de teor ofensivo ou pesado, prezamos pelo bom senso, equilíbrio e boa argumentação nas matérias cá escritas. Se por vezes erramos? Naturalmente, mas jamais com a intenção de soar pretensioso ou ofender uma classe, enquanto olhamos de cima, desprezando-a.

Foi isso, porém, que fez o publicitário que escreveu o respectivo artigo: 10 livros para idiotas, repleto de falácias, ignorância teórica (e humana, por que não?) da área e uma pretensão, hum, que não faz jus ao conhecimento aplicado no artigo: por isso o título, que espelha a infeliz afirmação do autor que, por sair conclamando idiotice à torto e à direito, acaba apontando pra si mesmo o que tanto condena. – eu questionei, também, se o texto não seria uma sátira, uma grande ironia… e não [o autor até pode vir a dizer algo do gênero, para amenizar a discussão, mas não há pistas pra tal interpretação. O texto não é falacioso pra ser irônico, é falacioso porque é falacioso mesmo]

Diferente do autor de lá, não quero bater o martelo aqui e concluir a discussão que apontarei, pelo contrário, quero apenas enriquece-la e apontar, dentro da fala originária, os erros, contradições e furos que ele cometeu ao conclamar idiota milhões de pessoas – por pura aleatoriedade.

Antes disso, citarei aqui a introdução do autor (mas você pode acessar o texto na íntegra e ler aqui, enquanto vai lendo lá:

Está enganado quem acha que idiotas não leem. A verdade é que boa parte da literatura está voltada para eles, que tratam de transformar autores sem talento em multimilionários. Acontece desde antes do tempo em que seu bisavô era criança. Antes disso, Schopenhauer já dizia que “quem escreve para os tolos encontra sempre um grande público”.

Também é notado que não só os livros ruins conseguem leitores idiotas. Clássicos da literatura, alguns dos livros mais brilhantes já escritos, também carregam esse fardo. Nesta lista, elejo os 10 maiores livros para idiotas, que chamam de burro quem fala “indiota”, mas citam “Harry Potter” como um dos melhores livros já escritos na história.

O teor de verdade absoluta tá aí, deu pra sentir, não? “autores sem talentos em multimilionários”. Tem a citação de um autor renomado (Schopenhauer) – fora de contexto, pra melhorar -, que supostamente corrobora a afirmação, né, pra mostrar como ele encontra base nos gênios. E aí começa a ficar ainda mais legal, pois o autor entra no terreno dos clássicos, trata de escrever um deboche sutil (“indiota” e Harry Potter”) e parte pra lista.

Antes de dissecar, um por um, os livros que ele traz, vou deixar claro que: é óbvio que existem idiotas leitores, como existem idiotas cinéfilos, idiotas fazendeiros, idiotas políticos, idiotas sacerdotes e, pasmem, idiotas publicitários. Isso é algo inerente a estar no mundo, a existir. Sempre terão idiotas. Em todos os lugares. Em todas as classes. Em todas as atividades. Todavia, isso não limpa a barra do autor, pois ele não vai por esse lado, mas para o lado de conclamar a idiotice de todos os leitores que ele cita, sem chance de questionamento ou reflexão. Aponta sua arma e pimba!

E o que torna tudo isso ainda mais abismal é que não há lógica definida em seu texto, nem lógica interna [de raciocínio, mesmo], nem amparada em qualquer escola de crítica literária. Nada. Há um bocado de falácias, ao qual, tentarei tratar aqui, à pedido do nosso querido leitor, que sempre envia mensagens desejando saber sobre nossa opinião em cima de determinado fato, matéria. E aqui já aproveito para dizer que não há nada pessoal contra o autor do texto base, obviamente.

Antes da lista, dou a palavra para a linguista e colaboradora Cecília García dar uns pitacos técnicos:

“O que foi dito a respeito do valor dos livros tem, inclusive, um equivoco de concepção de letramento. O conceito de sujeito letrado abrange, por exemplo, como um indivíduo lida com o hábito da leitura. Isto é, ler é um hábito adquirido, que tem passos e etapas. Isso significa que, basicamente, (quase) ninguém sai do “Meu pé de laranja lima” para um Ulysses de uma hora para a outra. Existe um processo, uma escada. Livros com a forma mais fácil – como é o caso das sagas adolescentes – são alguns destes degraus e colaboram para que o indivíduo crie o hábito de sentar, ler, manusear o livro, entender a capa, a organização de capítulos. Tudo é letramento e, tendo este hábito cultivado, é mais fácil mediar o processo até os livros de maior valor acadêmico. Todo leitor precisa passar por este processo – na escola, com os pais, os amigos, a avó, enfim. Ler Crepúsculo também é letramento, por mais que haja muita divergência acadêmica sobre seu real valor enquanto arte literária. Só a arte literária e ela por si só não compõem o letramento de ninguém nem tornam ninguém proficiente na leitura”

10- O morro dos ventos uivantes e a contradição que marca toda a falácia do artigo

[10 livros para idiotas – o link do artigo que eu rebato, pra você acompanhar.]

Existe uma contradição tão notável que já deixa perceptível que a matéria ali é totalmente pessoal e sem nenhuma apuração técnica, visto que, ao longo do texto inteiro, é dito que “best-sellers” não servem para nada, mas quando um deles (crepúsculo), cita O Morro dos Ventos Uivantes, de repente, como quem não quer nada, o autor acha ruim (!) que Stephenie Meyer tenha disseminado um clássico (!!!!!), mas… não era esse o ponto da idiotice dos best? que eles não disseminam nada de “útil”?

E depois, o publicitário reclama do fato da capa de uma reedição do livro constar “O livro favorito de Bella e Edward da série Crepúsculo”, ora, eu também achei isso terrível, do ponto de vista de leitor de clássicos. Agora, do ponto de vista mercadológico, foi a referência encontrada pela editora para poder vender a obra.

“Acontece que a memória do clássico de Ellis Bell, pseudônimo da britânica Emily Brontë, está sendo perturbada nos últimos anos.”

Perturbada pelo quê exatamente? Por ser lida…? Ah sim, pois deveria repousar em berço esplêndido e apenas leitores sábios, direcionados, terem a chance de ler a obra. Entendi.

9- “Inferno”, Dan Brown.

Essa eu faço questão de citar na íntegra:

“Inferno”, o mais recente livro do autor best-seller Dan Brown, é a perfeita definição de “mais do mesmo”. O autor escreveu seis livros; são meia dúzia de histórias iguais com panos de fundo diferentes. Só muda o tema (às vezes nem isso) e as informações pesquisadas. Seus livros possuem personagens sempre iguais, superficiais e ordinários. Dan Brown é um autor para se ler de vez em quando, para relaxar a mente, não ter compromisso algum. Adorar Dan Brown é, digamos… idiotice.

A inconsistência argumentativa é, mais uma vez, notável. Há uma descrição bastante comum do que é Dan Brown e do que se trata sua obra – a qual eu não posso falar por mim, pois nunca li um livro dele -, e no final a conclusão de que quem adora Dan Brown é idiota. mas, nesse meio termo existe uma defesa, um “lado positivo”, que ler pra relaxar a mente não tem problema. Ora, existe aí quase uma vergonha em admitir que gosta de ler os textos do Dan.

“ah… eu leio sim… mas só pra relaxar a mente, né? Ah… Se eu comprei na pré-venda, com o dobro do preço, tenho edição especial, vou na pré-estreia dos filmes? ah… só pra relaxar a mente”

Isso pra não cair no mérito da “adoração”. Até parece conspiração religiosa. Vixi, aí já virou trama do Dan Brown e não pode, pra não sermos idiotas.

8-Assim Falou Zaratustra (Friedrich Nietzsche)

Vamos na íntegra, que é curtinho.

Um exemplo de um livro e escritor genial que é lido por um grande público idiota. Nove entre dez idiotas que querem falar sobre filosofia citam Nietzsche. A razão, confesso, desconheço, mas o fato sempre me incomodou. Talvez seja pelo seu conhecido ateísmo. Existe muito ateu fanático atualmente. Quer algo mais idiota?

tem até dados do Ibope ali. Nove entre dez. E daí que nove entre dez que vão falar de filosofia citam Nich? O que isso tem a ver com “Assim falou zaratustra”, confesso, desconheço, mas o fato me incomodou.

7-A Hora da Estrela (Clarice Lispector)

Ainda acaba que, por isso (popularização nas redes sociais), muita gente se interessa e busca conhecer os autores. O livro oficial desse público é “A Hora da Estrela”, muito porque o livro não chega nem a cem páginas. Esse status pop de Clarice Lispector se elevou ainda mais, recentemente, entre o público adolescente no Brasil por causa do seriado Malhação. Uma das personagens costumava soltar frases aleatórias e remetê-las a Clarice. “Então a anta pisca o olho e os burros vem atrás” — Fatinha Lispector.

Se ele admite que muita gente se interessa e BUSCA os livros (algo que eu nem sei se realmente acontece), por que, então, partindo do pressuposto estabelecido, isso é ruim? Que seja 100, 200 páginas, porque é ruim, eu não entendi. E a crítica velada de que “A Hora da Estrela” é só o livro preferido por ter 100 páginas, desmerece um pouquinho uma das obras mais aclamadas de Clarice, não?

Outra coisa interessante é citar a personagem de Malhação. E agora agradeço por ter televisão na academia, porque eu me lembro exatamente de uma citação de Clarice, onde, pra mim, pareceu muito mais ironia/piada dos roteiristas do que algo a ser levado a sério. Faltou um tiquinho de interpretação aí, também. Quem diria, em…

Para você ver como era tudo uma ironia, brincadeira das roteiristas, pode clicar aqui, ou só acompanhar o diálogo que eu transcrevi de uma das cenas do vídeo, e você verá:

Fatinha: ”Como diria Clarice Lispector: pau que nasce torto nunca se endireita”

Menino: não viaja

Menina: Fatinha, essa frase não foi da Clarice Lispector, não. Essa é de uma letra do “É o tchan”

Vale se informar antes de sair atirando pro lugar errado, ou, caprichar na interpretação.

6 — Saga Crepúsculo (Stephenie Meyer)

Tanto já se disse sobre “Crepúsculo” que falar mal já virou clichê, mas uma saga que mistura história de monstros com romance platônico e que, incrivelmente, consegue ter seus livros entre os mais vendidos do mundo por anos, merece um lugar cativo entre os maiores livros para públicos idiotas.

existem inúmeros motivos pra questionar a qualidade literária de Crepúsculo, mas o autor não concede nenhum, pra que, né? TUDO IDIOTAA!!

5 — O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

um fator inusitado está seduzindo boa parte dos leitores do autor irlandês: a homossexualidade […] O que se vê ultimamente é um culto à memória de Wilde mais pela sua herança de mártir do que pela sua capacidade intelectual. E não é incomum ouvir palavras proferidas por seus personagens na boca de seus leitores sem nenhum traço de personalidade.

Veja como a matéria não possui nem lógica interna. O Retrato de Dorian Gray, segundo o autor, figura entre os seus 10 livros para idiotas. Mas a crítica dele é dirigida aos leitores “sem nenhum traço de personalidade” …? Falta nexo, falta coerência, falta tato literário, falta sentido. Só não falta ataque gratuito e presunção.

4 — Justin Bieber: A Biografia

Biografias geralmente não são grandes obras literárias e o que se pode dizer da biografia de, na época, uma criança de 16 anos? Biografias deveriam ser feitas apenas para grandes personagens da história na maturidade ou fim de suas vidas, pois praticamente toda sua estória já estaria escrita. Acontece que, para se aproveitar dos milhões de fãs idiotas que possui, Justin Bieber decidiu fazer mais dinheiro e lançar um livro sobre seus 16 anos de vida. O que me deixa horrorizado é que nem sempre são crianças que compram esse tipo de livro.

Eu acho um absurdo Justin ter lançado uma biografia com 16 anos? Lógico. provavelmente ele não viveu nem 1/4 de sua vida. Porém, chamar seus milhões de fãs de idiotas é de um ataque ridículo. Minha prima de 10 anos era uma idiota por ler um livro de 300 páginas, então? Será mesmo? 10 anos.

3 — Porta dos Fundos / Não faz Sentido: Por Trás da Câmera

De sensações do Youtube para escritores best-sellers, os comediantes do Porta dos Fundos e o vlogger Felipe Neto parece que decidiram aventurar-se em novas mídias para fazer um pouco mais de dinheiro explorando seu enorme público idiota. Pessoalmente, acho que eles estão certos mesmo, errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida.

Esse elitismo literário, crendo que só “grandes obras” devem ser publicadas e circular pelas livrarias, é o que afastou e continuará afastando as crianças, os jovens, o grande público, da literatura. Esse pensamento é vexatório, totalmente preconceituoso e soberbo. Além disso, o autor diz que “errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida”, mas admite que ler Dan Brown “pra relaxar” pode. Ora, ora, ora…

2 — Kafka para Sobrecarregados (Allan Percy)

“Livros de autoajuda já são, essencialmente, destinados a pessoas idiotas”

Não vou citar o resto. Parei por aí. Eu, Gustavo Magnani, detesto autoajuda, mas conheço pessoas de uma inteligência absurda que são leitoras assíduas do gênero. Além de que, a dona de casa, a mulher que trabalhou o dia inteiro, o pai que chegou do serviço, o pai que cuidou do filho, eles que querem só sentar, ler um livro “fácil”, “didático”, eles são idiotas? Sério mesmo?

A conclusão é de que, então, um leitor de autoajuda está destinado a idiotice suprema e irremediável. Me assusta, realmente me assusta, pessoas que supostamente leem tanto, terem uma visão tão preconceituosa, fechada, limitada, como se tudo precisasse encaixar nos seus parâmetros de vida e inteligência. O problema não é da autoajuda, não, o problema é a falta de ajuda que esses seres tiram dos clássicos que tanto veneram – muitas vezes sem a menor noção do que realmente estão lendo.

1 — Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James)

“Sim! Ele ainda reina soberano entre os (a) idiotas do mundo.”

Não se preocupe, há um candidato a ocupar esse trono, autor.

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Por que eu fiz questão de tratar ponto por ponto? Para mostrar que não, nenhum leitor é idiota por ler determinado livro, seja erótico, seja biográfico, seja autoajuda, seja lá o que for.

adj. 2 g. s. 2 g.

1. Que ou quem se mostra incapaz de coordenar idéias. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

2. Que ou quem denota estupidez. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

3. Que ou quem apresenta idiotia. [retirado de priberam]

Acredite, você não é incapaz de coordenar ideias por ler 50 tons de cinza, crepúsculo, porta dos fundos. Essa crença de que todo livro precisa acrescentar, diretamente, algo palpável em sua vida, é conto da carochinha. A literatura não foi feita pra ser uma caixinha de conhecimento facilmente codificado: “olha só, aqui eu li 1984 e não serei mais manipulado pelo governo!!!”… vai nessa, bobinho.

Aprendi [sabe quando alguém define algo que você sente, mas nunca conseguiu definir, expressar?] em uma aula sobre Bakhtin, com um dos melhores professores que já tive, que, primeiro, a arte deve ser sentida. É você e ela, amigo. No livro, é você ali, sentado, deitado, em pé, encurvado, e ela, sempre disposta, a te entregar emoção. Pode ser Dostoiévski, Machado ou Rowling. O sentimento é entre você e o livro. A técnica, o “CONHECIMENTO” são secundários, bem vindos, mas secundários. Um romance pode conter a sabedoria do mundo, mas se ele não for um bom romance, não será bem recebido pelo leitor [e quando falo de bom romance, é de uma forma abstrata. bom romance pra você é diferente de bom romance pra mim].

A recepção da obra pelo indivíduo, é muito mais importante para ele, como Ser, do que a análise crítica de tal livro. A crítica fica pra gente, que ama e adora esse assunto [sim, eu me incluo, pois por mais que defenda a suma e máxima importância da recepção individual, sou um grande aficionado por teoria e crítica literária. Porém, esse sou eu, é um adendo que funciona PRA MIM e pode não funcionar pro Zé – e não, não é de extrema importância que o Zé tenha noção das ferramentas teóricas. É de extrema importância que o Zé seja confrontado, tirado do lugar comum, emocionado. ISSO é importante. Acima de qualquer coisa.]

Quantas histórias você já não ouviu de livros que, literalmente, mudaram a vida das pessoas? Pode ter sido Os Sofrimentos do Jovem Werther, O Apanhador no campo de centeio, ou A Cabana, Kairós, Ágape. E como se mede isso? Como se mede o impacto que um livro pode ter na vida de uma pessoa, por pior que o livro seja para você? Qual a importância disso perante a interpretação da ironia machadiana?

Nós, que amamos teoria e clássicos, não devemos, de maneira alguma, subirmos num pedestal e lá de cima julgarmos os incultos leitores de best-seller, pois pareceremos bestiais, presunçosos, tolos… idiotas: incapazes de coordenar idéias.

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p.s: para deixar claro – por que eu me dei ao trabalho de escrever um artigo sobre o assunto, você pode se perguntar. Bem, tanto pela interessante discussão que tivemos no grupo, quanto pelo pedido dos leitores, quanto pela reação nos comentários da matéria, quanto pelo alcance e, principalmente, pela paixão em discutir literatura e a cultura em questão: Bakhtin neles!

p.s2: não quis, de maneira alguma, ofender pessoalmente o autor do texto, apenas confrontar suas ideias.

Paulo Rónai e a inspiração do romance ‘Budapeste’ (de brinde, um poema)

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Raquel Cozer, no A Biblioteca de Raquel

O crítico e tradutor Paulo Rónai (1907-1992) nunca chegou a sumir de livrarias brasileiras. Mesmo que houvesse uma má vontade fora do comum das editoras, ia ser difícil estancar publicações relacionadas a ele, que sofria de uma invejável incontinência produtiva, fosse com traduções, como “Os Meninos da Rua Paulo” (Cosac Naify), de Ferenc Molnár, fosse com obras próprias, como “Curso Básico de Latim” (Cultrix), que é, acredite, o título mais vendido dele no Brasil.

Mas algumas pérolas de sua produção andaram esquecidas, lapso que vem sendo revertido desde 2012, quando quatro editoras passaram a reeditar alguns de seus trabalhos mais importantes como ensaísta, tradutor ou organizador.

A saber: Globo (“A Comédia Humana”, de Balzac), José Olympio (“A Tradução Vivida” e “Escola de Tradutores”; em breve, “Pois É”), Casa da Palavra (“Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”; em breve, “Encontros com o Brasil”, “Não Perca o Seu Latim” e “Contos Húngaros”) e Nova Fronteira (em breve, “Mar de Histórias”, parceria com Aurelio Buarque de Holanda).

Esse resgate, incluindo o motivo pelo qual essas obras andaram deixadas de lado, foi tema de reportagem minha para a “Ilustríssima”, mais de um metro e meio de texto, uma maravilha de espaço, mas precisaria de uns três metros para incluir tudo de que gostaria.

Rónai (o segundo da esq. para a dir.) com Drummond (ao centro), de quem ficou amigo (os outros não sei mesmo, você me diga se souber)

Rónai (o segundo da esq. para a dir.) com Drummond (ao centro), de quem ficou amigo (os outros não sei mesmo, você me diga se souber)

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Um ponto que ficou de fora, embora tenha sido conversado com familiares, foi a extensão da inspiração em Paulo Rónai para o romance “Budapeste”, de Chico Buarque.

Quem atentou para a semelhança às avessas com a vida de Rónai (no livro de Chico, um brasileiro vai lidar com letras na Hungria) foi Sérgio Rodrigues, no extinto No Mínimo. O texto, reproduzido no blog da jornalista Cora Rónai, filha do crítico, me chegou no Facebook via Renata Lins, que disse ter tido, na época, a mesma impressão ao ler “Budapeste”.

Ele escreveu à época, sobre “Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”:

“Um livro que, escrito a partir dos anos 40 e lançado em 1975, compartilha com o grande best-seller do momento [o livro de Chico] dois traços fundamentais: a oscilação entre a capital húngara e o Rio de Janeiro (com a diferença de que parte daquela para chegar a este, enquanto o herói buarquiano faz o caminho inverso) e a coragem de mergulhar de cabeça nos abismos da língua, das línguas, da linguagem.

[…] De um lado, encontramos o brasileiro José Costa, que por acaso ou fastio começa a construir uma nova identidade – uma identidade húngara – no dia em que a música de um idioma incompreensível o subjuga e mesmeriza. “Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava ou até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio a faca.”

[…] Do outro lado, temos a presença comovente de um jovem húngaro, Paulo Rónai, e sua paixão também gratuita pelo português, numa Budapeste que estava a poucos anos de se tornar quintal da Alemanha nazista. “A mim, sob seu aspecto escrito, (o português) dava-me antes a impressão de um latim falado por crianças ou velhos, de qualquer maneira gente que não tivesse os dentes. Se os tivesse, como haveria perdido tantas consoantes?”

***

Quando entrevistei Laura, filha mais nova de Rónai, perguntei se Chico chegara a falar algo com a família a respeito, algum sinal além da impressão.”Ele nunca falou, mas todo mundo percebe. É fato conhecido. É tão fato que é a história do papai ao contrário”, ela respondeu.

Então perguntei ao Mario Canivello, assessor do Chico, que entrou em contato com o homem, na França, e me enviou a resposta dias depois: “Durante a escrita de Budapeste, Chico leu alguns contos húngaros traduzidos por Paulo Rónai, numa antologia organizada por ele e com prefácio do Guimarães Rosa. Dos contos, ele se lembra de ter tirado alguns apelidos húngaros, como Kriska e Pisti. E se lembra sobretudo de ter adorado o prefácio, mas só isso.”

Tendo lido “Budapeste” e “Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”, também tenho a impressão de que foi mais do que isso. Ainda que Chico acredite que não.

***

Rónai com a mulher, a professora aposentada Nora, que hoje, duas décadas após essa foto, é campeã de natação na faixa 85-89 anos

Rónai com a mulher, a professora aposentada Nora, que hoje, duas décadas após essa foto, é campeã de natação na faixa 85-89 anos

E vai aqui também a íntegra do poema que encerra a reportagem, enviado por Rónai para Américo, marido de sua irmã Clara.

Foi escrito em 13 de março de 1970, logo depois de Américo ter comprado um carro novo. No aniversário do cunhado, Rónai lhe deu uma pasta para guardar documentos (Américo era um bagunceiro convicto), acompanhada dos seguintes versos:

Américo, eu vos peço,
Prestai atenção ao problema:
Como reza o nosso lema,
Sem ordem não há progresso.

Para que à desordem escapeis
Sem perder tempo em vã busca,
Correndo feliz no fusca,
Guardai bem os vossos papéis

Arquivados, classificados,
Em bom lugar conservados,
Todos na pasta competente,
Para serem encontrados fácilmente.

Afim de atingirdes essa perfeição
Oferecemos-vos neste dia festivo
Para bem e felicidade da nação
Nada menos do que êste arquivo.

Ficai digno dêste lindo móvel
Arranjando quanto antes algum imóvel
Valores à beça, cédulas em quantidade
Consolando-vos assim dos estragos da idade.

A ambição da criação poética Rónai abandonou muito cedo, antes mesmo de vir ao Brasil. Mas, em seu acervo no sítio Pois É, em Nova Friburgo –biblioteca para a qual a família busca, sem sucesso, uma instituição disposta a administrar–, há vários poeminhas do gênero. Escritos para amigos, familiares, colegas, sempre como brincadeira.

Alunos da UEG são presos durante protesto na abertura do Fica, em GO

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Jovens afirmam que foram agredidos no festival, na cidade de Goiás.
Policiais alegam que reagiram após serem apedrejados por manifestantes.

Estudantes da UEG protestam na abertura do Fica, na cidade de Goiás (Foto: Zuhair Mohamad/O Popular)

Estudantes da UEG protestam na abertura do Fica, na cidade de Goiás (Foto: Zuhair Mohamad/O Popular)

Paula Resende, no G1

A abertura oficial do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) foi marcada por protesto de estudantes e professores da Universidade Estadual de Goiás (UEG) na noite de terça-feira (2), na cidade de Goiás, a 130 quilômetros de Goiânia. Eles manifestavam por melhorias na cidade e na instituição de ensino, que está há mais de dois meses em greve. A manifestação acabou em confronto com os policias. De acordo com a Polícia Militar, sete alunos foram presos. Já os estudantes afirmam ter sido agredidos, mesmo sem reagir à ação dos PMs.

O grupo saiu em protesto pelas ruas da cidade com cartazes, faixas, aparelho de som e um caixão, que representava a situação de decadência do estado. Eles caminharam até o Palácio Conde dos Arcos, antiga sede do governo estadual , onde acontecia o evento.

No entanto, a policiais isolaram a entrada do local com uma barreira humana. Eles, então, vaiaram os militares. O estudante Bruno César disse ao G1 que o grupo decidiu sentar na Praça do Coreto e esperar a saída do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

A situação ficou tensa, conforme os manifestantes, quando policiais anunciaram que eles precisavam evacuar o local porque o governador sairia do palácio. Bruno César afirmou que em deliberação a maioria decidiu permanecer na praça, mas sem qualquer violência. Nesse momento, os policias teriam começado a expulsar os manifestantes.

1Ele conta que os policiais também agrediram os manifestantes e arrancaram à força os objetos que seguravam. “Não oferecemos resistência. Mesmo assim, deram cacetadas, bateram muito, foram truculentos”, ressalta Bruno. Ele afirma que ficou com hematomas nas costas e teve o ligamento de dois dedos rompidos.

O estudante Janiel Souza, que também estava no local, afirma que os militares jogaram spray de pimenta sem o grupo ter reagido.

Com a confusão, sete manifestantes foram detidos por volta da meia-noite de terça-feira (2). Em nota, a Polícia Militar justifica que os alunos da UEG arremessaram pedras e objetos nos policiais, o que é negado pelo grupo. Os estudantes foram presos por desacato à autoridade e resistência.

O grupo prevê nova manifestação para o sábado (6). Professores e estudantes entraram em greve no dia 25 de abril de 2013. Desde então, fizeram inúmeros protestos em cidades do interior e na capital.

Fica

A 15ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) acontece o dia 7 deste mês, na cidade de Goiás. Neste ano, o evento faz homenagem à escritora Cora Coralina, natural do município. A expectativa da organização é de que 100 mil pessoas passem pela cidade durante os cinco dias de festival.

A programação traz mostras de cinema competitiva e paralela, mesas-redondas, atividades com população local, oficinas, além do Fórum Ambiental. Durante a noite, o evento conta com apresentações musicais de artistas goianos e nacionais.

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