O primeiro depoimento de Vidal à página, que gerou a campanha (Reprodução/Facebbok/humansofnewyork)

O primeiro depoimento de Vidal à página, que gerou a campanha (Reprodução/Facebbok/humansofnewyork)

Publicado no F5

Vidal, um garoto negro e pobre morador do Brooklyn, em Nova York, acabou mudando a vida de seus colegas de escola e da sua diretora.

Estudante da escola pública Mott Hall Bridges, em Brownsville, Vidal contou sua história à página do Facebook “Humans of New York”, que traz a cada dia mini-perfis de personagens interessantes da metrópole norte-americana.

O bairro onde ele vive e estuda tem a maior taxa de criminalidade da cidade de Nova York.

Questionado pelo autor da página sobre quem mais o influenciou na vida, Vidal disse que foi a diretora de sua escola.

“Quando nos metemos em alguma confusão, ela não nos dá suspensão. Ela nos chama à sua sala e explica como somos marginalizados da sociedade. Ela diz que cada vez que alguém falha na escola, uma nova cela de cadeia é construída. Uma vez ela fez todos nós ficarmos em pé, um de cada vez, e disse a cada um de nós que nós somos importantes”, contou o menino.

Tocado pela história, o dono da página do Facebook resolveu criar um “crowdfunding”, uma vaquinha on-line para ajudar a escola de Vidal. A vaquinha já arrecadou mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,59 milhões).

O dinheiro será usado para pagar uma viagem para os alunos da Mott Hall Bridges conhecerem Harvard. O restante será usado para pagar a faculdade daqueles que conseguirem ser aceitos para alguma universidade.

Depois do sucesso da campanha, a foto de Vidal foi refeita e acabou angariando ainda mais fundos. A página também decidiu ouvir a diretora da escola, Sra. Lopez. Ela disse que chegou a pensar em desistir das crianças.

“Eu tenho uma coisa para admitir a todos vocês. Antes disso tudo acontecer, eu estava prestes a desistir. Eu estava arrasada. Eu estava prestes a digitar minha carta de demissão. Disse para minha mãe: ‘Mãe, acho que não consigo mais. Eu acho que meus alunos não se importam. Acho que eles não acreditam em si mesmos o suficiente para se importar. Acho que eles não pensam que são bons o suficiente’. Ela me mandou rezar, mas eu disse que estava brava demais para rezar”, contou a diretora.

“Sei que é difícil acreditar, porque vocês nunca me viram arrasada. Mas eu estava arrasada. É igual quando você vê sua mãe arrasada, você a vê chorando porque ela lutou tanto por você e ela acha que você não se importa. É isso que eu sentia. Mas aí, alguns dias depois, eu estava com minha filha em um show da Broadway e antes do início do espetáculo comecei a receber um monte de mensagens de alunos e professores. Vi a cara do Vidal nas mensagens na hora pensei que era coisa ruim, porque geralmente quando a foto de alguém aparece inesperadamente, a gente acha que é coisa ruim. E de repente vi que ele tinha dito uma coisa boa sobre mim. […] Li o que ele disse, li os comentários e lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto. Porque apesar de eu dizer para vocês que vocês são importantes, até aquele momento, eu não me sentia importante”.