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Copa de Literatura Brasileira promove disputa bem-humorada entre livros

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Primeira fase do torneio começa na próxima terça-feira com confrontos diretos entre as obras

Fernanda Oliveira no Diário Catarinense

Copa de Literatura Brasileira promove disputa bem-humorada entre livros Daniel Conzi/Agencia RBS

Copa de Literatura: torneio inspirado no futebol premia melhor narrativa longa recente Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

Depois de muita espera e ansiedade da torcida, na terça-feira o Brasil assiste ao início da Copa. Mas não a de futebol, naturalmente, e sim a de literatura.

Em vez dos pelo menos 4 mil metros quadrados do campo, a etérea realidade virtual. No lugar de times bem treinados, uma penca de livros. Dos gramados para a biblioteca, chega à quinta edição a Copa de Literatura Brasileira, o evento mais futeboleiro das letras do país.

Os concorrentes foram pré-selecionados pelo júri a partir da lista de narrativas nacionais longas publicadas entre 2011 e 2012. Entre os participantes, jogadores de peso como o vencedor do Prêmio Jabuti, Nihonjin, e o recente trabalho de João Gilberto Noll, Solidão Continental.

Outro forte concorrente é O Céu dos Suicidas, de Ricardo Lísias, que venceu a 4ª Copa com O Livro dos Mandarins pelo placar de 8×2. Lísias admite que não foi fácil chegar à final em 2011.

– Foi difícil. No começo não me sentia muito à vontade, não conhecia bem o terreno e estava ainda frio na competição. Aos poucos fui me aclimatando, o pessoal foi vendo o que eu podia e cheguei bem na final. Acho que fui crescendo durante o torneio – comenta o atual campeão, que destaca também O Sonâmbulo Amador como candidato à taça – simbólica – deste ano.

Na primeira fase da competição, 16 títulos se enfrentam em oito confrontos, livro contra livro: cada partida tem como juiz um crítico literário, que decide o vencedor em voto público e justificado – uma resenha, na verdade.

Após as quartas de final, a etapa de repescagem coloca frente a frente os perdedores das oitavas, ressuscitando mais quatro times. Os vencedores das quartas enfrentam os repescados naquela que foi batizada de rodada zumbi.

Daí pra frente é semifinal e a grande decisão, no dia 29 de outubro, na qual todos os jurados votam. Os jogos – a publicação dos textos no www.copadeliretarura.com.br – acontecem às terças e sextas-feiras, ao estilo Série B do Brasileirão.

– Nos anos anteriores, o estilo mata-mata deixava muitos livros com a opinião de somente um jurado. Isso será diferente em 2013 – garante Lu Thomé, que organiza a competição ao lado de Lucas Murtinho e Raphael Dyxklay.

O escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder, que apita o penúltimo jogo das oitavas, considera a Copa mais democrática que os prêmios literários.

– Os jurados emitem suas opiniões, fazem suas resenhas e as pessoas acompanham passo a passo. A Copa não tem fins lucrativos. É independente, não tem patrocínios, só apoiadores – defende Schroeder.

Quanto ao prêmio, quem ganhar a Copa não vai receber medalha nem dinheiro. Leva para casa as quatro resenhas positivas e o título oficial de campeão, a ser batido no próximo torneio.

Confira livros, datas e jurados dos jogos da primeira rodada da Copa:

A maldição da resenha mal-humorada

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Maltratar ou ignorar livros de sucesso é sempre uma péssima ideia

Danilo Venticinque, na Época

Acompanhei, por obrigação e com uma enorme preguiça, as críticas da imprensa internacional ao livro Inferno, de Dan Brown. Torço para que o leitor tenha escapado. São textos que não explicam nada sobre o sucesso internacional do autor, mas explicam muito sobre a perda de prestígio dos críticos. Segundo eles, Dan Brown é prolixo, repetitivo e tem um estilo pedestre. Por que, então, seus livros vendem centenas de milhões de exemplares?

Na coluna anterior, sobre a importância dos best-sellers, faltou mencionar que a crítica é uma das principais fontes do discurso contra autores que fazem sucesso – ou do silêncio a respeito deles. Há uma enorme dificuldade para lidar com livros que vendem bem.

É uma lição que o jornalismo de cinema – ao menos o bom jornalismo de cinema – aprendeu há algumas décadas. Um bom crítico sabe que não pode julgar um blockbuster de Holywood e um filme independente com os mesmos critérios. Não se trata de estabelecer uma diferença de qualidade entre os dois, mas de avaliar de forma diferente obras que têm propostas distintas. O brilhante Roger Ebert, primeiro crítico de cinema a receber um prêmio Pulitzer, sabia fazer isso como poucos. Escrevia com sensibilidade sobre cineastas como Terrence Malick, mas também era capaz de divertir-se com os filmes de James Cameron.

O mesmo vale para a literatura. Analisar a prosa de Dan Brown e criticá-lo por seu estilo é como criticar Os vingadores por sua história leve e ritmo acelerado. Nenhum crítico de cinema capaz de se levar a sério faria isso. É algo tão despropositado quanto criticar Morangos silvestres pela falta de explosões e perseguições de carros.

Os leitores e espectadores sabem o que esperar de cada filme e de cada livro. O único desorientado é o crítico. Quem reclama da prosa pedestre de Dan Brown deveria, antes, respirar fundo e tentar se divertir com o enredo de seus livros. A vida não precisa ser sempre tão séria.

Há os que criticam os sucessos comerciais por princípio, na tentativa de fazer o público ler obras literárias mais profundas. É um esforço vão. O extrato bancário de Dan Brown é a prova de que ninguém deixará de ler um livro divertido por causa de uma resenha mal-humorada. Chega a ser ridículo ver jornais com centenas de milhares de leitores se engajarem numa campanha contra autores que vendem centenas de milhões de livros. É muito mais produtivo analisar Dan Brown como um fenômeno de entretenimento e tentar ajudar o leitor a escolher o que ele lerá depois de Inferno. Há livros bons nas listas de mais vendidos. Elogiá-los é muito mais útil do que criticar os livros supostamente ruins.

No Brasil, as resenhas mal-humoradas de best-sellers são mais raras do que no exterior. A postura usual aqui é fingir que eles não existem – sobretudo se são autores nacionais. É algo que só existe no jornalismo cultural. Se uma multidão ocupa uma grande avenida numa manifestação, os cadernos de política do dia seguinte inevitavelmente trarão manchetes sobre isso. É uma regra básica. O que se faz nas páginas dedicadas à literatura equivale a desprezar a multidão e, em vez disso, elogiar a beleza de uma outra avenida, vazia, a quilômetros de distância. É um perigoso exercício de ignorar notícias, e um flerte com a irrelevância.

Há algumas semanas, no Fórum das Letras de Ouro Preto, o editor Ivan Pinheiro Machado citou o sucesso dos livros de bolso da L&PM como um exemplo de como os jornais têm pouca influência sobre as vendas. A coleção ultrapassou os 30 milhões de exemplares, mesmo sendo rotineiramente ignorada na imprensa. No ano passado, quando revistas e jornais se comoviam com o lançamento da antologia de jovens autores brasileiros pela Granta, a editora Record oportunamente lançou a coletânea Geração subzero, com textos de 20 autores “congelados” pela crítica e adorados pelo público. Estavam lá os vampiros de André Vianco, o fenômeno infantojuvenil Thalita Rebouças e sucessos recentes da literatura fantástica, como Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Carolina Munhóz. Todos conquistaram os leitores sem a ajuda da crítica. Bom para eles – e péssimo para os críticos.

Numa época em que qualquer um pode publicar sua opinião na internet e centenas de blogs divulgam boas resenhas de best-sellers, há vários caminhos para o futuro da crítica. Ignorar as preferências dos leitores certamente é o pior deles.

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