Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Ian Fleming

Ian Fleming: O agente secreto que criou James Bond

0

Ian Fleming Foto:Express Newspapers/Getty Images

 

Morto há 54 anos, escritor sabia do que estava falando

Publicado na Aventuras na História

Em 1946, recém-desligado da Marinha Real Britânica, Ian Fleming decidiu construir uma casa em Oracabessa, cidadezinha litorânea no norte da Jamaica. Ex-comandante do Serviço de Inteligência, Fleming conheceu a ilha durante a Segunda Guerra, quando foi designado para espionar a suposta presença de submarinos alemães no Mar do Caribe. Foi lá que Ian Lancaster Fleming escreveu os 14 livros, entre contos e romances, de James Bond, o mais famoso agente secreto da literatura universal.

Na hora de batizar a propriedade, Fleming não teve dúvida. “Golden Eye foi o nome dado à operação que tinha por objetivo montar bases de apoio na Espanha”, diz o biógrafo Andrew Lycett, de Ian Fleming. “O Estreito de Gibraltar era considerado estratégico porque, caso a Espanha fosse invadida, os nazistas teriam controle sobre toda a costa do Atlântico, o que representaria um risco ainda maior aos navios aliados. Fleming sentia tanto orgulho dessa operação que, anos depois, deu o nome dela à sua casa de veraneio na Jamaica.”

Fleming trabalhando em sua casa na Jamaica Reprodução

Autor de uma completa biografia sobre o criador de 007, Lycett afirma que o convite para ingressar no mundo da espionagem partiu do contra-almirante John Henry Godfrey, ex-diretor da Inteligência Naval da Marinha Real Britânica. Em maio de 1939, quatro meses antes do início da Segunda Guerra, Godfrey perguntou a Fleming se ele não gostaria de trabalhar como seu assistente pessoal. Convite aceito, Fleming ficou incumbido, entre outras tarefas, de estudar dossiês sobre agentes secretos e bolar projetos de inteligência contra os alemães. O mais bem-sucedido deles foi Golden Eye.

Fleming desempenhou tão bem a função que, em 1942, foi encarregado de chefiar uma unidade secreta conhecida como 30 Assault Unit. “Sua missão era se infiltrar em territórios prestes a serem invadidos e recolher documentos importantes antes que fossem destruídos pelo inimigo”, explica o escritor Nigel West, de Historical Dictionary of Ian Fleming’s World of Intelligence: Fact and Fiction. Segundo West, Fleming raramente saía para o campo de batalha. “Ele não tinha autorização para estar próximo das linhas inimigas. Se fosse capturado, representaria um risco à segurança.”

Jogada de mestre

Já nessa época, Fleming colecionava amigos que atuavam como agentes secretos. O primeiro foi Conrad O’Brien-ffrench, que conheceu em 1927, quando, aos 19 anos, estudou na Escola Tennerhof, na Áustria. Depois vieram outros, como Dusan “Dusko” Popov e Patrick Dalzel-Job. Durante a Segunda Guerra, Popov trabalhou tanto para o serviço secreto alemão, sob o codinome Ivan, quanto para o MI5, serviço de segurança nacional, com a alcunha de Triciclo. Como agente duplo, contava aos alemães tudo o que os ingleses gostariam que soubessem.

Fleming conheceu Popov no Casino Estoril, em Portugal, durante uma rodada de bacará, em 1941. Na ocasião, o agente sérvio fez uma aposta de US$ 40 mil, que obrigou um adversário a se retirar da mesa. A cena impressionou tanto que Fleming a usou em seu primeiro romance, Casino Royale, escrito em 1953.

Já Dalzel-Job era um dos 30 homens de confiança de Fleming na 30 Assault Unit. Em maio de 1940, quando servia na Noruega, Dalzel- Job montou uma operação que resgatou 4.500 civis, entre homens, mulheres e crianças, de um povoado ameaçado por bombardeios alemães. Por ter desobedecido as ordens de seus superiores, Dalzel-Job foi levado à corte marcial. Só escapou porque o rei Haakon VII intercedeu em seu favor. De quebra, ainda levou a Cruz de Cavaleiro de Saint Olav, a mais alta condecoração da Noruega, por seu ato de bravura.

Ao ser indagado, certa vez, se reconhecia traços de sua personalidade no jeitão mulherengo de James Bond, deu de ombros: “Os livros e filmes dele nunca fizeram o meu estilo”. “Além disso, só amei uma única mulher em toda a minha vida”, disse Dalzel-Job, por ocasião da morte da esposa, Bjorg, em 1986.

Fluente em francês, William Somerset Maugham foi recrutado para trabalhar como agente secreto durante a Primeira Guerra. Em 1928, ele tirou proveito dos anos vividos como espião para escrever os 16 contos que integram a antologia O Agente Britânico. A exemplo de James Bond e Ian Fleming, John Ashenden, um agente de hábitos refinados, também pode ser considerado o alter ego de Maugham. Autor de clássicos como Servidão Humana, de 1915, e O Fio da Navalha, de 1944, Somerset Maugham morreu em Nice, na França, em 1965, aos 91 anos.

Partiu de Kim Philby, o famoso agente duplo soviético, o convite para Henry Graham Greene ingressar no serviço secreto, em 1941. Naquele mesmo ano, foi mandado para Freetown, Serra Leoa, onde permaneceu até 1943. Um de seus livros mais famosos é Nosso Homem em Havana, de 1958. Nele, conta a história de um vendedor inglês de aspirador de pó que aceita trabalhar como espião em Cuba, onde mora. Só que, em vez de somente relatar o que viu e ouviu, começa a inventar histórias para os seus superiores.

Nascido David John Moore Cornwell, John Le Carré trabalhava como agente disfarçado de diplomata na embaixada de Bonn, na Alemanha, quando lançou O Espião que Saiu do Frio, em 1963. O romance deu a ele tanta projeção que resolveu pedir dispensa do serviço secreto.

Ao todo, foram 13 anos dedicados à espionagem: tanto no MI5, o serviço de segurança nacional, quanto no MI6. Aos 82 anos, ele já escreveu mais de 20 livros, muitos adaptados para o cinema, como O Espião Que Sabia Demais, de 1974; O Alfaiate do Panamá, de 1996; e O Jardineiro Fiel, de 2001.

Arquivo confidencial

Para o historiador Keith Jeffery, a lista de agentes que serviram de inspiração para Fleming é extensa e inclui alguns nomes do MI6 (sigla para Military Intelligence, Section 6, a CIA do Reino Unido), como Wilfred “Biffy” Dunderdale, ex-chefe do escritório da organização em Paris, e Pieter Tazelaar. É o que revela Jeffery em MI6: The History of the Secret Intelligence Service, um calhamaço de 800 páginas que vira pelo avesso os arquivos da agência britânica, desde sua criação, em 1909, até pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Bond com o famoso smoking que foi inspirado nos amigos de Fleming Reprodução

Algumas das histórias contadas por Jeffery são familiares aos aficionados por James Bond. Como a que descreve a chegada de Pieter Tazelaar a uma praia da Holanda, então ocupada pelo exército alemão, com um smoking, impecável, sob a roupa de mergulho. Ao tomar conhecimento da façanha, Fleming fez questão de incluí-la em Goldfinger, lançado em 1959 e levado às telas em 1964. “Os espiões da vida real são bem mais interessantes do que os da ficção”, afirma Jeffery. “O James Bond dos filmes mais parece um super-herói de desenho animado do que um agente de carne e osso.”

Professor da Universidade de Belfast, no Reino Unido, Jeffery se apressa em esclarecer que os membros do MI6 – ao contrário do mais famoso deles, James Bond – nunca tiveram qualquer “licença para matar”: “Isso é pura invenção do Fleming”. “Durante a Segunda Guerra, os agentes britânicos, principalmente os que serviram em unidades especiais, aprenderam técnicas de combate. Muitos deles tiveram que usá-las, por exemplo, quando a França foi ocupada pelos alemães. Mas tais técnicas só podiam ser usadas pelos agentes em situações de legítima defesa”, afirma.

Criador e Criatura

Ainda hoje, 54 anos depois da morte de Fleming, vítima de ataque cardíaco no dia 12 de agosto de 1964, aos 56 anos, jornalistas e historiadores se perguntam: mas, afinal, onde termina Fleming? E onde começa Bond? Para o historiador James Chapman, da Universidade de Leicester, na Inglaterra, James Bond pode ser entendido como o alter ego ficcional de seu criador. “Ele é tudo o que Ian Fleming gostaria de ter sido”, declara. “Na hora de criar o personagem, Fleming emprestou a Bond o seu gosto pessoal em roupas, cigarros, carros, bebidas e mulheres”, enumera.

Fleming e Sean Connery, o Bond de 1962 Foto ATP

Autor de Licence To Thrill: A Cultural History of the James Bond Films, Chapman aponta “semelhanças” entre Fleming e Bond. A primeira é que os dois eram fumantes incorrigíveis. E eles não fumavam qualquer cigarro, só os da marca Morland Special. No caso de Fleming, chegava a quase 60 por dia. Outra paixão é o golfe. Nos filmes, o agente secreto apareceu dando umas tacadas em 007 contra Goldfinger, de 1964, e O Amanhã Nunca Morre, de 1997. Quanto a Fleming, ele sofreu o infarto que tiraria sua vida no campo de golfe Royal St. George’s Sandwich, em Kent, na Inglaterra.

Na opinião do historiador Vincent Chenille, da Universidade de Versalhes, na França, as semelhanças entre Fleming e Bond vão além do fascínio por carros velozes, mulheres bonitas e jogos de azar. Segundo ele, Bond permitiu que Fleming realizasse alguns de seus sonhos, como seguir a carreira diplomática. Se Fleming fracassou no exame, Bond teve melhor sorte no livro A Morte no Japão, que ganhou o título de Com 007 Só Se Vive Duas Vezes, quando chegou às telas, em 1967. “A relação de Fleming com Bond era de puro amor e ódio. No fundo, sabia que seu personagem era melhor do que ele”, afirma.

Vidas duplas

Espiões que escrevem best-sellers? Ou escritores que atuam como agentes secretos? Como definir autores, como os britânicos Somerset Maugham, Graham Greene e John Le Carré, que prestaram serviços de espionagem para o governo de Sua Majestade? Segundo o historiador Keith Jeffery, autor de MI6: The History of the Secret Intelligence Service, escritores foram recrutados pelo SIS (“Serviço Secreto de Inteligência Britânico”), para atuar como espiões porque tinham fácil acesso a informações importantes e, principalmente, por não levantarem suspeitas.

História de espião que inspirou “M” de James Bond vai virar série

0

007_5jepFiD

Roteirista de Ponte de Espiões vai adaptar o livro M: Maxwell Knight para TV

Rafael Gonzaga, no Omelete

A produtora Mammoth Screen adquiriu os direitos de adaptação do próximo livro de não-ficção de Henry Hemming, M: Maxwell Knight, que conta a história do maior espião do MI5, o serviço britânico de inteligência e contra-espionagem. Matt Charman, indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original pelo filme Ponte dos Espiões, será o responsável por adaptar o livro para uma série de televisão. A informação é do Screen Daily.

M conta a história de Maxwell Knight do MI5, um espião que ajudou a quebrar o fascismo britânico durante a Segunda Guerra Mundial e que serviu de inspiração para o M da franquia James Bond de Ian Fleming – os últimos a interpretarem o personagem no cinema foram Judi Dench em 007 Operação Skyfall e Ralph Fiennes em 007 Contra Spectre.

Charman não economizou elogios ao livro de Hemming. “Ele realmente tem tudo o que você quer de uma grande história de espionagem: agentes incríveis arriscando suas vidas; as apostas mais altas possíveis, a segurança do mundo pendurado por um fio… e no meio de tudo, um complicado espião tecendo uma teia cada vez mais intrincada.”

Além da série, a produtora tem os direitos para mais dois projetos envolvendo a história. O livro chega ao mercado no Reino Unido em 4 de maio e nos EUA em 9 de maio.

Livros sobre espionagem que são melhores que James Bond

0

Fábio Mourão, no Dito pelo Maldito

Apesar do Agente 007 praticamente dominar o hall da fama dos espiões graças a sua enorme franquia de filmes, não podemos esquecer que antes disso ele foi um protagonista clássico de um livro sobre espionagem. Inclusive sendo até um espião bem mais insano que no cinema.

Mas ao contrário do que vemos transportado para os filmes, não é apenas de um personagem principal durão que se faz um bom livro de espionagem. Para funcionar, o gênero precisa principalmente da intriga e rivalidade entre duas superpotências mundiais com ávido desejo de ganhar vantagens sobre o outro. Algo que tivemos em abundância durante o século passado, período em que o gênero se popularizou fortemente.

Mestres do estilo como Ian Fleming e Robert Ludlum ajudaram a popularizar grandes espiões da ficção e nos emocionaram com histórias incríveis, mas abaixo você pode encontrar outras obras de espionagem que merecem a sua atenção.

O-Inocente-Ian-Mcewan-113710✔ O Inocente (Ian McEwan)
Em meados da década de 50, Berlim está dividida segundo a lógica da Guerra Fria. A cidade ainda exibe marcas dos bombardeios da Segunda Guerra, mas tem uma vida noturna intensa – e bastante americanizada. Para fazer dinheiro nesse momento de reconstrução, alguns jovens trabalham como informantes para espiões dos países que controlam a Alemanha.

Esse é o cenário que o jovem técnico do governo britânico Leonard Marnham encontra ao chegar a Berlim Ocidental para trabalhar na Operação Gold, uma missão secreta dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. A operação – que de fato existiu – consiste na escavação de um túnel sob a região controlada pelos soviéticos para instalar escutas nas principais linhas de comunicação com o Leste Europeu.

Longe dos pais, com quem levava uma vida pacata em Londres, o tímido e ingênuo Leonard se sente, pela primeira vez, um homem livre e passa por uma dupla iniciação, sexual e política. Sob influência do chefe americano, o jovem começa a desvendar os meandros do mundo da espionagem. Ao mesmo tempo, conhece Maria Eckdorf, uma bela alemã que o apresenta ao sexo e ao amor. Ao lado de Maria, porém, Leonard acaba por cometer uma atrocidade e sua vida se transforma num pesadelo. (Companhia das Letras)

nosso-homem-em-havana✔ Nosso Homem em Havana (Graham Greene)
Mr. Wormold possui uma loja de aspiradores de pó em Havana. A única preocupação do inglês é garantir o futuro de Milly, sua bela e devota filha de 16 anos. Porém, a vida na Cuba pré-Fidel Castro parecia mais pacata do que realmente estava. Um misterioso inglês aparece na ilha para fazer uma proposta irrecusável a Mr. Wormold: espionar, em troca de um ótimo dinheiro. Isso implicava identificar possíveis infiltrações comunistas, observar suspeitos e escrever longos relatórios. Mr. Wormold aceita o trabalho e mais: passa a criar inúmeras intrigas e personagens para continuar recebendo o salário. De repente suas fraudes parecem uma a uma se tornar realidade e então sua rede de mentiras começa a ruir.

Neste livro publicado em 1958, Graham Greene (1904-1991) adota um tom satírico para falar sobre um tema recorrente em sua obra: o do espião em terra estrangeira. Neste caso, a experiência como agente do Serviço Secreto Britânico permitiu ao escritor situar suas tramas em lugares reais – restando sempre a dúvida de onde começa e termina a ficção. Em Nosso homem em Havana, Greene descreve o ambiente da Cuba pré-revolução, revelando uma rede de intrigas e um ambiente paranóico que mostra o esquema – muitas vezes absurdo – das relações internacionais. A história se transformou num grande filme noir em 1959, nas mãos do diretor Carol Reed, que captou perfeitamente o clima tropical da Havana de Greene. (Editora L&PM)

OS_39_DEGRAUS_1305669779B✔ Os 39 Degraus (John Buchan)
John Buchan estava se recuperando de uma úlcera no estômago em uma casa de repouso em Ramsgate, na costa do extremo sudeste da Inglaterra, ele começou a trabalhar no que se referia como seu primeiro “choque”. Em 1914, Buchan supostamente tirou o título do romance de uma escada de madeira que levava até a praia de Ramsgate.

Embora existam vários relatos conflitantes: uma versão da história diz que a filha mais nova de Buchan descia as escadas de dois em dois, anunciando que havia “39 passos” para a praia, enquanto outro afirma que, como houve na verdade 78 passos, Buchan cortpou o número pela metade simplesmente para o título ficar mais curto, ou então mudou, porque ele tinha 39 anos na época.

O romance inspirou o filme homônimo de Alfred Hitchckok, a peça de Patrick Barlow e a peça radiofônica de Orson Welles, e é considerado um dos dez melhores livros de espionagem da história. (Editora Tordesilhas)

FUGA_1383238720B✔ Fuga (William Boyd)
Por quanto tempo uma pessoa consegue viver sob uma pesarosa atmosfera de segredo sem gerar desconfianças, embora se corroa dia após dia, temendo as trágicas conseqüências que um passado velado possa acarretar? Sally Gilmartin, 66 anos, uma respeitável viúva inglesa, escondeu de todos, num meticuloso cofre de silêncio, sua real identidade. Mas é chegada a hora de acertar as contas com o passado. E somente sua filha, Ruth, terá acesso à combinação deste cofre que guarda um espelho em que a velha inglesa Sally enxerga a jovem russa Eva Delectorskaya. Este é o ponto de partida de Fuga, eletrizante e envolvente thriller histórico de suspense e espionagem, novo livro do laureado ganês William Boyd.

Na trama, Sally resolve revelar, em capítulos, sua verdadeira identidade como Eva a sua filha (e ao leitor) através de uma minuciosa e detalhada história contada em terceira pessoa: o olhar da avó da década de 70 sobre a pré-balzaquiana na Paris de 1939, que, no funeral de Kolia, o caçula da casa, é recrutada pelo misterioso e ambíguo homem de chapéu de feltro marrom, “sorriso camaleônico e enorme autoconfiança”, Lucas Romer, como espiã do serviço secreto britânico na Segunda Guerra. Ela assume o posto que foi de seu irmão, assassinado por nazifascistas em perigosa missão ? “um gesto de desafio para mostrar que sua morte não tinha sido em vão”.

Aceito o emprego, Eva Delectorskaya se vê mudando de identidade (Eve Dalton, a primeira de muitas) e abandonando o cargo de tradutora da Frellon, Gonzáles et Cie. para tornar-se espiã na Escócia sob o comando do sargento Law. Código Morse, taquigrafia, manejo de vários tipos de revólver, leitura de mapa e bússola, criação e quebra de códigos simples, falsificação de documentos, fabricação de tinta invisível, e uma memória precisa, capaz de arquivar senhas e esquemas variados, estão entre as muitas lições de espionagem que recebeu. Porém, apesar de todo treinamento, movida pelo coração e por uma entrega cega, ela se esquece da única regra em seu serviço: não confiar em ninguém. (Editora Rocco)

Roleta-Russa✔ Roleta Russa (Jason Matthews)
Desde pequena, o sonho de Dominika Egorova era fazer parte do Bolshoi, o balé mais importante da Rússia. Após ser vítima de uma sabotagem, porém, ela vê sua promissora carreira se encerrar de forma abrupta. Logo em seguida, mais um golpe: a morte inesperada do pai, seu melhor amigo.

Desnorteada, Dominika cede à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto da Rússia, o SVR, e entra para a organização. Pouco tempo depois, é mandada à Escola de Pardais, um instituto onde homens e mulheres aprendem técnicas de sedução para fins de espionagem.
Em seus primeiros meses como pardal, ela recebe uma importante missão: conquistar o americano Nathaniel Nash, um jovem agente da CIA, responsável por um dos mais influentes informantes russos que a agência já teve. O objetivo é fazê-lo revelar a identidade do traidor, que pertence ao alto escalão do SVR.

Logo Dominika e Nate entram num duelo de inteligência e táticas operacionais, apimentado pela atração irresistível que sentem um pelo outro. (Editora Arqueiro)

Semelhanças entre a arte de escrever e a espionagem

0
A espionagem foi uma fonte de inspiração para os romances de Graham Greene (Foto: Wikimedia)

A espionagem foi uma fonte de inspiração para os romances de Graham Greene (Foto: Wikimedia)

 

Paralelos entre a arte de escrever e a espionagem estimularam muitos escritores a trabalhar em agências de inteligência

Publicado no Opinião e Notícia

Graham Greene iniciou sua carreira como jornalista e, em seguida, se dedicou à literatura. Já com livros publicados o MI6, a agência de inteligência britânica, o recrutou em 1941. Suas viagens a lugares exóticos em busca de material de pesquisa para os livros como Libéria, México, Haiti, Cuba e Vietnã, mostraram como a escolha de Greene fora valiosa como informante do serviço secreto. Além disso, a espionagem foi uma fonte de inspiração para seus romances.

Greene, que morreu há 25 anos em 3 de abril, não foi o primeiro escritor que se envolveu com a espionagem. Quando a Universidade de Cambridge hesitou em dar o diploma de graduação ao poeta e dramaturgo inglês Christopher Marlowe em razão de suas ausências frequentes, o Privy Council da rainha Elizabeth I explicou que suas ausências justificavam-se pelo fato de trabalhar “em benefício do país”. Especula-se que Marlowe tenha sido recrutado como espião por Sir Francis Walsingham, o chefe do serviço secreto da rainha. Ele morreu em circunstâncias misteriosas aos 29 anos, apunhalado durante uma briga em uma taverna onde estava na companhia de outros conhecidos de Walsingham.

As carreiras de Ian Fleming e John Le Carré no serviço secreto britânico são bem conhecidas, mas outras pessoas menos óbvias também foram recrutadas por agências de inteligência. O escritor Roald Dahl foi espião em Washington a serviço do MI6. O escritor americano Peter Matthiessen ingressou na CIA após se formar em Yale. Matthiessen foi um dos fundadores da prestigiosa revista literária The Paris Review, um dos artifícios que usava como disfarce para seu trabalho de espionagem: “Eu precisava encobrir minhas atividades desprezíveis, sendo que a pior delas era a tarefa desagradável de vigiar o que alguns americanos estavam fazendo em Paris. Oficialmente, eu era um escritor que tinha publicado o primeiro livro.”

Ernest Hemingway tinha contatos com agências de inteligência americanas, assim como com o serviço secreto NKVD da União Soviética, o antecessor da KGB. Hemingway montou uma rede de informantes com um grupo da resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. E em Cuba costumava patrulhar o litoral à procura de submarinos alemães. Ele não teve sucesso em sua busca, mas se divertiu com a perseguição. Não é tão surpreendente como se poderia imaginar que tantos escritores tenham trabalhado em agências de inteligência. Os escritores criam tramas e os espiões encarregam-se de descobri-las. Em certo sentido, todos os escritores agem como espiões, observando as pessoas ao redor deles e estudando as diferentes personalidades e características furtivamente, com o objetivo de criar as histórias de seus livros.

Os carros mais famosos dos livros de 007

0
Dianteira do Aston Martin DB9 GT Bond Edition (Foto: Divulgação)

Dianteira do Aston Martin DB9 GT Bond Edition (Foto: Divulgação)

 

O novo filme da série terá novamente um Aston Martin, mas o agente já teve outros carros; selecionamos os mais interessantes aqui

Publicado no Auto Esporte

James Bond parece ter uma fixação por martinis mexidos, pistolas Walther e Aston Martins. No novo filme 007 contra Spectre, que estreou nesta semana no Brasil, o Aston DB10 dará o ar da graça. Mas se você deixar o merchandising de lado e embarcar nos livros do Ian Fleming e dos autores seguintes, vai ver que a obssessão do famoso 007 era com outra marca: a Bentley. O clássico modelo 4.5 litros (ou 4 1/2-litre na denominação da marca) apareceu já no primeiro livro, Cassino Royale, de 1953. O modelo 1933 foi comprado quase novo e contava com supercompressor da Amerherst-Villiers e foi guardado ciumentamente durante a Segunda Guerra Mundial. Ciúme de motivações amorosas.

“Bond o dirigia rápido e com prazer quase sensual”, já dizia Fleming, fã dos Bentley. Claro que o tempo passou e vieram outros Bentley e até um Aston na literatura, o que inspirou a escolha do eterno DB5. Mas o espião já dirigiu ou estrelou ao lado de carros de todo lugar. Até do Brasil.

Bentley Continental GT

007 teve vários autores, entre eles Raymond Benson, que reproduzia o gosto por Aston Martins e BMWs dos filmes. Mas Jeffery Deaver homenageou Fleming em Carte Blanche de 2011, no qual Bond tem um Continental GT.

Bentley Continental GT (Foto: Divulgação)

Bentley Continental GT (Foto: Divulgação)

 

Saab 900

Nos três livros escritos por John Gardner, Bond dirige um 900 Turbo. O modelo prata ganhou o apelido de Silver Beast. Havia gadgets como visão noturna e o 2.0 turbo foi preparado para levá-lo além dos 270 km/h.

Saab 900 (Foto: Divulgação)

Saab 900 (Foto: Divulgação)

 

Bentley 4.5 litros

O primeiro foi um 4.5 litros que foi perdido em uma perseguição contra Hugo Drax em Moonraker. Depois veio um Mark II Continental batido que ele comprou barato e reformou. Como outros, era tratado no feminino. “Ela voava como um pássaro e como uma bomba e Bond amava ela mais do que todas as mulheres que passaram na sua vida, se possível, reunidas”, dizia Fleming em Thunderball.

A origem do fetiche pela Aston Martin

Fleming gostava de carros chamativos, teve um Ford Thunderbird, Bentley Continental e até um Studebaker Avanti. Mas nunca teve um Aston Martin.

A inspiração

No livro Goldfinger, Bond abandona o seu Continental por um Aston DB4. Foi uma escolha familiar. Um modelo DB2/4 era o carro da família de Lord Swinton, exchefe de Fleming no serviço secreto MI6.

Aston Martin DB4 (Foto: Divulgação)

Aston Martin DB4 (Foto: Divulgação)

Go to Top