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Posts tagged Ian McEwan

Benedict Cumberbatch fará adaptação televisiva de romance do escritor de Desejo e Reparação

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Pedro Prado no Pipoca Moderna

O ator Benedict Cumberbatch reforçou seus laços com a rede BBC. O astro da série “Sherlock” vai estrelar e produzir a adaptação televisiva do romance “The Child In Time”, do célebre escritor britânico Ian McEwan.

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Publicado em 1987, o romance gira em torno de Stephen Lewis, um autor de livros infantis de sucesso, cuja filha desaparece repentinamente, devastando seu casamento e sua vida.

Cumberbatch descreveu seu entusiasmo pelo projeto em comunicado. “Eu li o romance anos atrás e ele ficou comigo – profundo, bonito e muito comovente. Só Ian McEwan poderia escrever sobre a perda com tal honestidade”, disse.

O telefilme será a segunda vez que Cumberbatch atuará numa história original de McEwan. Um dos primeiros papéis notáveis do ator foi na adaptação do livro mais conhecido do escritor, “Desejo e Reparação”, há exatamente 10 anos.

O roteiro está sendo escrito por Stephen Butchard (criador da série “The Last Kingdom”) e a direção ficou a cargo de Julian Farino (“A Filha do Meu Melhor Amigo”), mas ainda não há previsão de estreia.

Em novo romance, Ian McEwan explora mundo jurídico e religioso

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Juíza precisa decidir sobre caso de jovem com leucemia cujos pais religiosos recusam transfusão de sangue

Premiado escritor britânico leu várias sentenças judiciais para escrever novo livro e diz que descobriu nelas um “subgênero literário” - André Teixeira / Agência O Globo

Premiado escritor britânico leu várias sentenças judiciais para escrever novo livro e diz que descobriu nelas um “subgênero literário” – André Teixeira / Agência O Globo

Maurício Meireles em O Globo

RIO – É bem possível que Ian McEwan, em 66 anos de vida, tenha entrado mais vezes na lista final do Man Booker Prize do que em uma igreja. Embora seja ateu, ele, que é um dos maiores romancistas britânicos em atividade, botou as testemunhas de Jeová no centro do conflito legal — e moral — atravessado pela protagonista de seu novo livro: “A balada de Adam Henry”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Jorio Dauster. Enquanto escrevia o romance, McEwan se lembrava de algumas vezes ter feito a seguinte pergunta a membros dessa religião, que batiam à sua porta para convertê-lo: você deixaria seu filho de 8 anos morrer, se para salvá-lo fosse preciso uma transfusão de sangue?

Todos diziam sim, que era a lei de Deus. O romancista rebatia dizendo que muita gente acharia tal resposta estarrecedora: tudo bem um adulto morrer por suas crenças, mas fazer o mesmo com uma criança não é correto, argumentava.

— Para eles, eu só pensava assim porque não entendia a morte. Diziam que a morte não é o fim, mas o começo. O começo da vida no Paraíso — lembra McEwan. — Eles estão convencidos não só de que Deus existe, mas de que conhecem os desejos d’Ele. O que na verdade é só uma versão dos seus próprios desejos.

Testemunhas de Jeová se opõem, por dogma religioso, a transfusões de sangue. E é com isso que Fiona, personagem principal do livro, precisa lidar. Juíza de uma Vara de Família com uma crise no casamento — o marido sai de casa para viver um romance —, ela precisa julgar o caso de Adam Henry. Com 17 anos, sofrendo de leucemia, o rapaz precisa de uma transfusão, mas os pais se recusam a permiti-la. O hospital recorre ao Judiciário para fazer o procedimento de forma compulsória. Assim, em “A balada de Adam Henry” vai buscar a dimensão literária do mundo da lei.

— Há poucos juízes na literatura. Normalmente, quando a ficção encontra a lei é para tratar de criminosos, detetives, espiões, advogados e vítimas. Mas o juiz é uma figura central nesse mundo — afirma Ian McEwan.

‘Às vezes, a lei é muito estúpida. Mas, quando bem aplicada, ela traz uma prosa límpida e precisa.’

– Ian McEwansobre o efeito da lei na literatura

Reconhecido como um mestre da engenharia e da arquitetura do romance, o autor britânico pesquisou muito para escrever o livro — algo comum em seu processo de criação. Ian McEwan conversou com amigos juízes. Leu sentenças judiciais. Foi quando impressionou-se com a qualidade filosófica, histórica e legal dos argumentos dos homens de toga.

— Às vezes, a lei é muito estúpida. Mas, quando bem aplicada, ela traz uma prosa límpida e precisa. Descobri (nas sentenças) um subgênero literário — diz o escritor. — A lei aplicada tem uma dose de racionalidade e compaixão. O direito da família me interessou porque é o mais próximo dos problemas cotidianos, em oposição ao direito penal. Há muito em comum entre a boa literatura e as sentenças judiciais. E, na Vara de Família, os julgamentos envolvem crianças, divórcios, o fim do amor.

Assim, Fiona é um personagem que usa sua racionalidade para organizar a vida alheia — mas que não consegue resolver seus próprios conflitos. Ela escreve muito bem, mas em casa não encontra as palavras para discutir sua vida sexual com o marido. Numa virada da trama, a juíza vai a um quarto de hospital encontrar Adam Henry a fim de clarear seu julgamento sobre o caso. Nesse encontro, ela recita um poema de W. B. Yeats para o jovem, que a partir daquilo começa a questionar suas crenças e depois compõe uma balada — daí o título do romance. O final da história é dúbio.

— Não é uma reflexão sobre a leitura como um todo, mas sobre minha própria experiência ao ler Yeats pela primeira primeira vez, aos 16 anos. Foi o poema que abriu a porta de toda a poesia para mim. Yeats tem esse efeito em adolescentes. Por isso, a balada que Adam compõe é influenciada por ele e tem a mesma métrica do poema — diz Ian McEwan.

CONDIÇÃO HUMANA

Além de ateu, Ian McEwan foi amigo próximo do escritor e jornalista Christopher Hitchens — um crítico sempre virulento da religião. Por isso, poderia surpreender o tratamento humano que o autor britânico dá às testemunhas de Jeová. Mas isso é o resultado de seu amadurecimento. Mais jovem, Ian McEwan escreveu livros conhecidos pela dimensão sombria. Agora, diz ele, sua escrita mudou para uma exploração mais profunda da condição humana.

— Acho que aprendi a perdoar, fiquei mais generoso e tolerante. Por isso, quis tratar as testemunhas de Jeová de modo mais terno. Se eu fosse mais jovem, talvez tivesse agido de forma mais agressiva contra eles, em vez de tentar entendê-los. Seria fácil fazer piada sobre a crença em relação ao sangue, mas não quis desenvolver uma tese ateísta — afirma o escritor. — Sim, meu trabalho mudou, até porque comecei muito jovem. Mas ainda estou interessado em conflitos, dilemas morais e em tentar entender quem nós somos.

Autores fazem leilão beneficente para colocar fãs em livros

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Após Stephen King e George R. R. Martin, figuras como Julian Barnes e Ian McEwan incluem pagantes em contos e romances

Julian Barnes lidera projeto de leilão beneficente onde autores venderão direitos de personagens a fãs - Reuters

Julian Barnes lidera projeto de leilão beneficente onde autores venderão direitos de personagens a fãs – Reuters

Publicado em O Globo

NOVA YORK — Julian Barnes diz que está oferecendo “a oportunidade genuína de vida após a morte” para seus fãs, mas a premissa é literária. Ele e outros autores, como Margaret Atwood, Ian McEwan, Ken Follett, Will Self e Zadie Smith, estão lançando um leilão para arrecadar fundos para a fundação Freedom from Torture. No evento, que acontece em 20 de novembro, em Londres, 17 escritores venderão direitos para os pagantes terem os próprios nomes incluídos em seus futuros romances.

Barnes, que é um dos representantes Freedom from Torture — que trabalha dando apoio a sobreviventes de tortura —, foi o primeiro a lançar a ideia. Ele fará uma oficina de escrita, da qual sairá um conto e a primeira parte do leilão.

Outros já sabem até quais serão seus personagens nomeados. A americana Tracy Chevalier (“Quando os anjos caem”, “Moça com brinco de pérola”) procura um nome feminino para a “dona durona de uma pensão na São Francisco da corrida pelo ouro”, na década de 1850. Já a canadense Margaret Atwood (ganhadora do Booker Prizer com “O assassino cego”) dá duas opções: ou uma aparição no romance que está escrevendo, ou sua releitura de “A tempestade”, de Shakespeare, que sai em 2016.

A iniciativa de vender direitos de nome para arrecadar fundos já foi feita antes. Mas justamente por dois autores sanguinolentos… e que deram um final pesado para os personagens “comprados”. Stephen King criou um em “Celular” (2006) que morre de forma violenta. Dois fãs pagaram US$ 20 mil cada a George R. R. Martin para entrar na saga de “Game of thrones”. Acabaram mortos, como era de se esperar.

“Não deixe que suba à cabeça”, aconselha McEwan a jovens escritores

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Ian McEwan
Divulgação

Publicado originalmente no Primeira Edição

O escritor inglês Ian McEwan, um dos principais nomes da décima edição da Flip, disse ontem, durante entrevista em Paraty, que os jovens escritores brasileiros selecionados pela revista literária “Granta” não deveriam deixar a fama subir a cabeça.

Em 1983, McEwan foi ele próprio selecionado para uma edição da “Granta” com os melhores jovens romancistas britânicos.

“Não deixe que isso suba à cabeça”, disse, em resposta a que conselho daria aos jovens colegas.

“É importante o que você continuará a fazer na manhã de quarta-feira. Elimine o barulho de prêmios, entrevistas, listas. O mundo moderno adora listas.”

“Tenho um conselho de duas palavras: compareça, esteja lá todo dia, não importa se estiver mal, você tem que estar na sua mesa de trabalho todo dia às dez da manhã”, declarou.

McEwan –que neste sábado (7) participa de um debate na Flip com a americana Jennifer Egan– esteve, na última quinta-feira, no coquetel de lançamento da edição brasileira da “Granta” em Paraty.

“Senti-me fora de lugar e com inveja. Adoraria estar nos meus vinte e tantos, trinta e poucos anos. Lembro que, em 83, eu tinha publicado quatro ou cinco livros, não era um novato completo. E foi muito interessante, porque muitos dos 20 escolhidos já eram meus amigos.”

Além dele, nomes como Salman Rushdie e Martin Amis ampliaram sua projeção ao publicar na “Granta”, uma das mais influentes revistas literárias do mundo, que no Brasil é editada pela Alfaguara.

Indagado sobre a importância de cursos de escrita criativa, ele declarou que “é muito difícil ensinar literatura”.

“Você pode ensinar técnicas, mas é importante dar às pessoas a moldura, o contexto. A maioria dos bons escritores que fizeram esses cursos normalmente já chegaram bons escritores.”

O autor inglês está lançando o romance “Serena” (Companhia das Letras) mundialmente no Brasil –só depois sairá nos países de língua inglesa.

McEwan explicou que se tratou de uma “grande sorte e maravilhosa oportunidade”. Como havia a Flip em julho, o seu editor brasileiro pediu que ele corresse e ele diz ter ficado feliz.

O romancista contou que está próximo do Brasil desde que seu filho o acompanhou à Flip em 2004, se encantou com o país e, ao voltar para a Inglaterra, arranjou uma namorada brasileira e aprendeu português.

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