Publicado por Folha de S.Paulo

“Exalta a brevidade que é típica do nosso tempo”. Assim a cantora e compositora Adriana Calcanhotto define “Haicai do Brasil’ (Edições de Janeiro), livro que foi organizado e ilustrado por ela.

Lançado nesta quinta-feira (31) na Flip, a produção traz 33 poesias de Millôr, Érico Veríssimo, Mário Quintana, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

O haicai nasceu no Japão e é formado por três versos curtos.

A cantora Adriana Calcanhotto passou os últimos meses pesquisando os mais diversos haicais (tradicional forma de poemas em três linhas, de origem japonesa) já produzidos no país. O resultado chega agora às livrarias. Ela lança na Flip a coletânea “Haicai do Brasil”.

O livro traz versos de Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Millôr Fernandes, homenageado da Flip, e até mesmo Erico Verissimo, autor mais conhecido por seus romances.

Calcanhotto lançou no ano passado outro livro, “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira”, voltada ao público infantil. Durante a pesquisa, ficou surpresas com a variedade de haicais produzidos no Brasil.

A cantora Adriana Calcanhotto / Daniel Marenco/Folhapress

A cantora Adriana Calcanhotto / Daniel Marenco/Folhapress

“Eu gosto muito de perceber a influência de um poeta no outro. Durante a pesquisa para o livro anterior, percebi a enorme quantidade de poetas que se dedicaram ao haicai. É interessante, muitos dos poetas mais inquietos se interessaram por uma forma poética tão tradicional.”

Calcanhotto avalia que o haicai é hoje a forma poética mais utilizada, por conta “da brevidade, da rapidez da vida contemporânea e do tom coloquial típico do haicai”.

Como já havia feito em “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira”, a cantora fez todas as ilustrações do livro. A história é pra lá de curiosa. Calcanhotto estava em Lisboa, no quarto de Fernando Pessoa, a convite da fundação dedicada à obra do poeta português, quando fez os desenhos.

“Era meu último dia para enviar os desenhos para a editora. Então abri o caderno na cômoda em que Pessoa escrevia. Fiz quase todos os desenhos ali, naquela cômoda onde foram escritas tantas maravilhas.”

Calcanhotto é uma presença constante na Flip dos últimos anos. Fez na última quinta (31/7) uma mesa na programação paralela da feira literária com o poeta Charles Peixoto. A fila para vê-los era tão grande que muitos ficaram de fora.

“É muito bom esse clima de Paraty, você encontrar os autores na rua. No ano passado, a leitura de poemas de Pessoa com a Maria Bethânia e a professora Cleonice Berardinelli foi muito poderoso.”