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Livros à venda em igrejas e ao lado de frutas? Isso existe!

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Livraria em Óbidos (Foto: Aryane Cararo)

Livraria em Óbidos (Foto: Aryane Cararo)

Ariane Cararo, no Blog da Crescer

Nunca imaginei que sairia de uma igreja carregando um livro infantil não religioso. Mas foi o que aconteceu na minha última viagem de férias, em Portugal. Acabo de voltar de lá e devo confessar que fiquei maravilhada com a proposta. Não só porque uma livraria funciona dentro de um templo, mas porque toda a cidade de Óbidos resolveu ficar conhecida como vila literária. E, assim, não só a igreja, como o Mercado Biológico, os museus, a antiga cadeia, os correios, a Casa do Pelourinho e outros imóveis foram transformados em livrarias temáticas.

Óbidos fica a 80 quilômetros ao norte de Lisboa e, pela proximidade, muita gente costuma fazer um bate e volta até lá, atrás de sua mercadoria mais famosa: a ginja, um licor feito de uma fruta semelhante à cereja. No entanto, Óbidos só entrou no meu roteiro por causa da vila literária, um projeto lançado em 2013 e que, apesar de incipiente, já encanta. E encantadora é a palavra perfeita para a experiência. A começar porque se trata de uma vila medieval, que conserva todo o clima mágico de reis e rainhas. Só para saber, em 1148, Óbidos foi tomada dos árabes pelo primeiro monarca português, D. Afonso Henriques. Nos anos subsequentes, acabou sendo oferecida a muitas rainhas como presente de casamento, e elas fizeram no lugarejo muitas melhorias.

Livraria dentro de igreja (Foto: Aryane Cararo)

Livraria dentro de igreja (Foto: Aryane Cararo)

É por isso que fica ainda mais especial descobrir entre as casinhas onde se escondem as livrarias. São 11 espaços, sendo o principal a Igreja de São Tiago, que começou a ser construída no século 12 e foi remodelada no século 18, e agora atende pelo nome de a Grande Livraria de Santiago. Como é a maior de todas, oferece um pouco de tudo, de projeção de filmes a livros para crianças – e foi lá que eu comprei O Arenque Fumado, uma obra de formato muito interessante, ilustrada pelo português André da Loba, sobre texto de Charles Cros, de 1872. Mas este não é o local mais recomendado para comprar literatura infantil em Óbidos: os melhores endereços são o Espaço para Promoção da Inovação e Criatividade (Epic), uma espécie de coworking que tem uma área destinada à venda desses livros, ou o casarão batizado Histórias com Bicho, que já foi escola primária.

A igreja, porém, não foi a única a me espantar. Conhecer o Mercado Biológico foi também incrível. Recheado de caixotes de feiras por todas as paredes, vende livros, queijos, verduras, frutas, um ao lado do outro. Ali, o espaço é dos títulos de segunda mão, alguns raros. Há de tudo, até livros de autores brasileiros, a 3, 4, 5 euros. Proposta ousada? Sim! Mas por que não colocar ao lado dos alimentos para o corpo os alimentos da alma? Da mesma forma que pergunto: por que não usar o local, que embora tenha sido construído para um fim sagrado, não funcionava mais como igreja há mais de duas décadas e sim como espaço multiuso – para espalhar conhecimento e instigar sabedoria? Os livros não precisam de lugares específicos para estarem à nossa disposição, eles podem estar integrados como parte de nossas vidas, nos mercados, nos correios, nos museus, nas padarias, nas estações de metrô… Por que não?

Mercado Biológico em Óbidos (Foto: Aryane Cararo)

Mercado Biológico em Óbidos (Foto: Aryane Cararo)

“Livro não dá dinheiro, só da Ibope”

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Para autor da periferia, a elite e a imprensa conseguem fazer com que o povo fique contra o povo. “O culpado é a vítima. Sempre”

/ , no El País

Título original:“Até hoje eu não sei o que é pior, a igreja ou a droga”

O escritor Ferrez. / Fernando Cavalcanti

O escritor Ferrez. / Fernando Cavalcanti

“Vocês não vão fechar a minha loja, né? Aqui é o meu ganha pão”, perguntou Ferrez, ao ver o cenário que o fotógrafo montava para fazer a foto ao lado, ocupando casi todo el espacio. O escritor acabava de chegar, pontualmente no horário combinado para essa entrevista, à sua loja, a 1DASUL, no Capão Redondo. O bairro, que fica a mais de uma hora de distância do centro de São Paulo, abriga a loja de roupas e acessórios que o escritor paulistano de 39 anos criou há 16 anos. “Livro não dá dinheiro, só da Ibope”, diz ele, que está prestes a publicar seu 11º livro, Os ricos também morrem, pela Editora Planeta. A pergunta, que assustou, foi seguida de piada.

Autor da chamada ‘literatura marginal’ ou ‘literatura combativa’ – ou os dois, Ferrez começou a escrever aos sete anos, copiando trechos da Bíblia porque “era o único livro que eu tinha na mão”. Aos 12, escrevia poesia. Em 1997, lançou o primeiro livro de poemas. Seu pai, que foi motorista a vida toda, levou carne para a família comer pela primeira vez quando Ferrez tinha 15 anos. A realidade na periferia vivida pelo escritor é o que alimenta as linhas agressivas dos seus textos. Crítico e ácido, Ferrez é também irônico e engraçado, características muito expostas nos contos que serão publicados no novo livro.

Nasceu em Valo Velho, um bairro pertencente ao Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Foi para o Capão com três anos de idade, onde vive até hoje com a mulher e uma filha. Não pensa em sair de lá, ainda que seja um dos bairros mais perigosos de São Paulo. Pouco após o término dessa entrevista, houve um assassinato em uma rua próxima de onde estávamos, segundo informava a rádio. Ferrez não cogita ir embora do bairro por duas razões. A primeira é que “aqui eu sou importante. Em outro lugar, eu não sou nada”. E a segunda tem a ver com a sua própria literatura e sua própria voz: “Daqui eu tiro o tom das minhas histórias”.

Pergunta. Seu novo livro é feito apenas de contos inéditos?
Resposta. Não, já publiquei alguns. Mas eu fiz esse livro para ser falado na rua, para ser uma piada. Eu queria sentir o que eu senti quando escrevi Capão Pecado (seu primeiro romance, publicado em 2000) e o Manual Prático do Ódio (2003), que é ver as pessoas comentarem sobre os personagens nas ruas…

P. Isso acontecia?
R. Muito. As pessoas me paravam na rua e diziam “meu, e aquela mina é mó pilantra, traiu o cara…” Eu ia nas escolas e os alunos me paravam para perguntar sobre um capítulo do livro. Me ligavam da cadeia pra perguntar do Manual Prático do Ódio. Me diziam “mano, não to entendendo, fala aí, o que que quer dizer isso?”. E eu dizia: mano, cê tá falando de onde? De [presídio] Presidente Bernardes? Para, to fora”.

P. E você queria que isso acontecesse de novo?
R. Sim, porque deu saudade de ver as pessoas comentando. O que eu tinha era isso, eu não tenho mais nada além de ver as pessoas lendo as minhas histórias e comentando comigo. Eu cheguei a escrever um livro com contos mais formais e tinha uns oito contos prontos.

P. Formais, você quer dizer com uma linguagem menos coloquial que essa sua?
R. Isso. E aí eu estava numa festa e queria fazer as pessoas rirem, e aí eu começava a dizer: você viu a história do Bolonha?, aí eu contava a história do Bolonha, as pessoas começavam a rir… E aí eu ia ler meus contos novos, esses mais formais, e ninguém prestava atenção. E eu falava: O que foi? E as pessoas: Conta a história do Bolonha, mano. Mas aquilo era uma brincadeira, eu dizia. Não, mas aquilo é mais da hora que isso aí. Aí eu escrevi esses contos e passei a ler eles nas escolas. A história do pintinho é a mesma coisa (um dos contos do novo livro). A história do ovo também é boa, onde eu vou as pessoas pedem. Na Alemanha já me pediram “conta a história do ovo”.

P. Mas são ficções então? Não são histórias reais.
R. Não, mas eu pego o tom das pessoas.

P. É por isso que você precisa viver aqui no Capão Redondo…
R. Isso. Eu não pego a história, eu pego o tom das pessoas. Se uma mulher passa aqui [na padaria onde estávamos] e diz “para de beijar o menino, tira essa boca de chupar rola do menino”, isso é muito foda! (risos) Eu tenho que escrever um conto com isso. Se você falar isso na escola, você ganha todo mundo. Eu fico convivendo com essa mulher dentro de mim e incorporo nos contos.

P. Mas você tem um tipo de literatura combativa…
R. Eu não fujo disso. Todo lugar que eu estou no mundo, quando estou falando de literatura combativa, tem autor que diz que não tem esse compromisso, que não é prisioneiro disso ou daquilo. Eu acho lindo isso, mas não tem como você escrever uma coisa, sair na esquina, ver um cara morto e não sentir nada. Se você consegue fazer isso, boa sorte. Mas eu não consigo.

P. Sim, mas é um eterno debate entre os escritores que não querem compromisso e os que querem mudar as coisas através da literatura, que é uma ideia velha… Na Europa, por exemplo, muita gente diz que ser combativo na literatura é uma ideia velha, ultrapassada…
R. Mas agora que a Europa está entrando em crise, talvez voltem a ser mais combativos. É que eles viveram da América Latina por muito tempo, sugaram tudo o que a gente tinha em termos de ouro, de madeira, levaram as nossas pedras pra lá pra fazer o chão onde hoje eles pisam, passaram séculos sem trabalhar. Agora, talvez eles voltem a ser combativos.

P. Você acha que os livros podem mudar a vida das pessoas daqui do Capão Redondo?
R. Eu tenho prova [de que isso é possível] todas os dias. Tem gente aqui que já está na segunda faculdade e o primeiro livro que leu foi o meu. Eu não sou salvador de ninguém. Mas não sou o contraexemplo também. O cara não vai me ver fumando maconha na rua, batendo na minha mulher. Eu lido com criança também. Eu faço livro pra criança e tenho um projeto pra criança. Se eu entrar para falar com a criança e estiver bêbado, que exemplo eu vou estar dando? Todo mundo bebe na favela. Não precisam de mais um. Todo escritor tem essa coisa de pagar de louco, beber, fumar. Mas aqui é outra realidade. O moleque apanha do pai que bebe. Então não dá pra ser assim. De vez em quando eu tomo uma cachaça com um amigo ou outro. Mas os caras aqui ostentam. Porque tudo pra pobre é excesso. Ele tem que beber e encher essa mesa de cerveja, pro vizinho dele ver e falar “porra, o cara tá abonado, bebendo 200 cervejas”.

P. Você disse no ano passado, em uma entrevista, que “o rolezinho era só o começo”. No que mais deu esse movimento da periferia?
R. Eu acho que não é um movimento. É a aceitação de um novo país. É as pessoas estarem preparadas para entender que tem gente que ascendeu financeiramente e que tem que participar das coisas boas que aquela faixa de consumo pode alcançar. Ter acesso ao shopping faz parte, comprar tênis de marca faz parte, andar de avião faz parte. Tem um monte de coisa que faz parte, só que a gente [a periferia] tem um jeito diferente de fazer as coisas e essa elite vai ter que entender isso.

P. Todo mundo está falando da chegada de uma crise econômica nesse momento. Como você, que além de escritor também é empresário, sente isso? A crise chegou na favela?
R. Pra gente nunca foi fácil. Enquanto está todo mundo falando que está bem, pra gente sempre foi pior. Mas de dezembro do ano passado pra cá piorou muito. Hoje mesmo eu estava (mais…)

Com contos de terror, escritor com livro ‘censurado’ faz sucesso na web

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Jovem autor de 21 anos teve livro citado como ‘pernicioso’ para igreja.
De Poços de Caldas, jovem é convidado em mesa de debate no Flipoços.

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Publicado no G1

Aos 21 anos, o paulista-mineiro Antônio Lima, conhecido como Ant Lima, de Caconde (SP), mas morador de Poços de Caldas (MG), desde criança adiou o sonho de ser jornalista formado para ser escritor. Autor de um livro de contos de terror e ‘celebridade’ virtual, ele se tornou conhecido por um projeto literário digital de contos eróticos. O jovem, que atualmente trabalha em uma fábrica de camisetas e está ‘grávido’ do primeiro filho, planeja a fala para a mesa “Cidade Celeiro Natural dos Escritores”, que acontece no próximo sábado (25) durante o encontro de autores poços-caldenses no Festival Literário de Poços de Caldas, o Flipoços. “Eu gosto de chocar”, diz ele sobre suas obras.

A declaração fica evidente em poucos minutos de conversa. Ele, freneticamente, conta à repórter que não para de pensar em ideias para contos de terror, e ao avistar a janela do 10º andar do prédio em que estavam, já fantasia uma cena. “É uma janela em que alguém pode pular. Nesta sala também há uma televisão, que é um elemento que pode causar terror, já que pode ser ligada sozinha, ou a porta pode bater e nos trancar aqui dentro para sempre”, brincou, para mostrar que criar enredos não é problema.

Entretanto, as histórias e a maneira de se comportar do escritor é que lhe trouxeram problemas – ou não – e de fato chocaram. O livro entrou para uma lista de livros ‘proibidos’ em um blog de jovens de uma igreja evangélica, citado como uma leitura perniciosa, ou seja, prejudicial e nociva.

Conforme o blog, uma jovem de 15 anos teria mudado o comportamento e se tornado gótica após ler o livro, o que não seria recomendado aos frequentadores da igreja, já que estaria ligado à maldições.

A história, contada pelo próprio escritor, foi motivo para alavancar as vendas e a curiosidade em torno do livro. “A partir do momento em que disseram que era um livro ‘não recomendado’, aumentou a curiosidade em torno dele. O site também o comparou com outras leituras, como Harry Potter e O Crepúsculo, que são bestsellers, o que eu achei ótimo, porque atraiu ainda mais fãs pro meu trabalho”, divertiu-se Lima.

Questionado sobre a religiosidade, Ant Lima contou que quando criança, foi criado em uma igreja evangélica, e que toda a família, apesar da veia artística – com  a mãe pianista, o avô na roda de samba e o pai apaixonado por violão – todos são muito religiosos e não entenderam inicialmente a paixão do jovem pelo terror. “Eles logo associam com coisas do mal, mas não tem nada a ver. Eu só gosto. Eu acredito muito em Deus. No momento, não sinto necessidade de frequentar nenhuma igreja, mas se eu tiver que voltar, voltaria para a igreja evangélica, sem problemas”, destacou.

Pela web para editar livros e atrair leitores
Sem condições financeiras de bancar uma edição do próprio livro, o jovem autor apostou na internet – e no gosto popular virtual – para se tornar conhecido e lançou, em 2013, o livro “O baú das maldições”, que é seu segundo lançamento oficial, mas que ele considera o primeiro, pelas críticas positivas.  Agora, em 2015, lança a segunda versão do livro, ampliada, revisada e com novos contos.  “Minha noiva, Jéssica Ribeiro, a Jessie Esseker, fez a revisão e diagramação, mudamos a capa, incluímos novos contos e está bem mais completa”, disse.

Desta maneira, por um site que faz a impressão sob demanda, conforme chegam os pedidos dos clientes, Ant Lima torna-se conhecido na rede mundial de computadores, recebe recados de fãs e se diz satisfeito com o ofício escolhido. Ele é fã de Ira Levin, autor do livro “O Bebê de Rosemary” e de James Redfield, autor de “A Profecia”, mas começou a carreira na literatura a partir do teatro, quando tinha 11 anos e descobriu que tinha mais talento para roteirizar do que para atuar.

“Eu amo escrever. Me dá uma garrafa de café e um maço de cigarro que eu esqueço da vida. Fico escrevendo por horas”, contou.

Mas a inspiração às vezes vem quando o rapaz está na rua ou no trabalho. “Quando não posso ter o processo criativo que gosto, eu pego o celular e gravo em voz as histórias, para depois escrevê-las”.

Além disso, a familiaridade com o ambiente virtual fazem com que Ant Lima tenha um bom desempenho nas redes sociais. Com perfis e interação em boa parte delas, ele cria book trailers para as obras, produtos digitais, promoções e conteúdos com bastante frequência.

Ao lado da noiva, eles dão dicas em um canal de vídeos sobre como escrever livros de terror, como ter medo para passar isso para a literatura e não ter medo de clichês.

“Eu sou um escritor de web, porque todo escritor quer ser lido e esta foi a forma que eu encontrei, mas para o meu próximo trabalho, não quero ser apenas isso. Já estou negociando com uma editora a publicação do meu novo livro”, pontuou.

Somadas as redes sociais e os temas discutidos, que vão desde os contos de terror e eróticos ao vegetarianismo e a defesa animal, Ant Lima acumula pelo menos 10 mil seguidores assíduos, que saem em sua defesa quando as críticas chegam e que escrevem para festivais literários, mídias e blogs, para sugerir o livro e o autor como convidado.

“É espontâneo. Eu interajo com eles, respondo o que perguntam, acho que sou uma pessoa que posta coisas interessantes”, comentou.

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Uma pequena biblioteca está fazendo a diferença em Granada

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West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

West Indian Stories. Foto do usuário do Flickr coconinoco. CC BY-NC-ND 2.0

Lú Sampaio, no Global Voices

Existe uma biblioteca em Granada fora do comum. Foi fundada por um escritor, um grupo da igreja e por um grupo de ação social chamado Groundation GrenadaMt. Zion é uma pequena biblioteca que está promovendo a cultura do voluntariado, o que não é comum no Caribe, incentivando a juventude não apenas a se envolver, mas também a aprender a gostar de ler.

O foco do projeto são os jovens, o que é especialmente importante após o relatório sobre desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,de 2009, mostrar que Granada possui a mais alta taxa de pobreza dos países ingleses do Caribe. A juventude é a mais prejudicada, a situação econômica afeta sua escolaridade e empregabilidade. A taxa de desemprego no país, atualmente, está em torno de 40%.

A Mt. Zion está transformando os serviços bibliotecários em uma opção de carreira viável e sendo o bônus uma nova geração que está se apaixonando pela leitura.

Groundation Grenada compartilha um exemplo: Alesia Aird, 20 anos, cantora e artista que não se parece em nada com uma bibliotecária convencional. Ela escuta o ícone do reggae jamaicano Peter Tosh e sua música consciente e se parece mais com a Lauryn Hill do que com a Nancy Pearl. No entanto, ela passa a maior parte de seu tempo livre voluntariando na biblioteca e se apaixonou por literatura indiana contemporânea e por obras de ficção científica.

Groundation explica:

Alesia nem sempre foi leitora. Na verdade, ela relembra que a leitura parecia uma punição, algo que era forçada a fazer. Descreve sua experiência na escola sendo similar a ensinar um peixe a subir em uma árvore, já que o sistema escolar não conseguiu reconhecer e aplicar diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.

Então, como um não leitor se candidata a voluntário de uma biblioteca? Pouco a pouco, como se vê. Um amigo pediu-lhe para ajudá-lo na classificação de alguns livros. Ela concordou e se deixou levar pela “boa vibração” do que dizem as pessoas envolvidas no projeto. Diz que o que a fez ficar foi “o sorriso dos leitores que se converteram depois da leitura de um livro de que gostaram”.

Aird está convencida que a biblioteca Mt. Zion é especial, não apenas pela paixão dos voluntários, mas também pela “sua localização [no coração de St. George] e sua origem, que dão à biblioteca características únicas e pouco convencionais”.

A popularidade da Mt. Zion continua crescendo – dois novos membros se registram por dia – especialmente os mais jovens, que lá encontram um espaço de apoio, onde podem trocar ideias e serem eles mesmos.

dica do Tom Fernandes

Com Greg Kinnear, drama “O Céu é de Verdade” adapta best-seller religioso

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Filme é baseado em relato de garoto norte-americano que deixe ter passado por “experiência de quase-morte”

Publicado por Último Segundo

Os números comprovam: o mercado gospel é um dos que mais crescem em todo mundo. De olho neste filão, chega às telas “O Céu é de Verdade” (2014), produção com elenco e equipe técnica renomados em Hollywood e estrutura narrativa dos modestos filmes cristãos.

O longa de Randall Wallace – roteirista de “Coração Valente” (1995) e diretor de “O Homem da Máscara de Ferro” (1998) – baseia-se no relato do garoto norte-americano Colton Burpo, que disse ter ido ao céu após uma experiência de quase-morte aos quatro anos de idade.

Divulgação - Imagem do filme 'O Céu é de Verdade'

Divulgação – Imagem do filme ‘O Céu é de Verdade’

Transformada em livro pelo seu pai, o pastor Todd Burpo, e Lynn Vincent, a ghost-writer da política conservadora Sarah Palin, a história do menino virou best-seller, com mais de 10 milhões de exemplares vendidos.

A obra cinematográfica começa com uma menina lituana pintando algo – cuja relação com a trama dos Burpos, nos EUA, somente é revelada no final – em um sótão escuro, onde um raio de luz invade o ambiente através de um buraco no telhado, ao som de uma música tocante e inspiradora.

São os sinais de recursos que serão utilizados constantemente no decorrer do filme: a trilha sonora incessante, desnecessária em muitos momentos, e uma fotografia que não só usa os feixes de luz como símbolo de divindade, como destaca o céu em suas composições de enquadramento.

Isso porque o fotógrafo Dean Semler, que ganhou o Oscar com “Dança com Lobos” (1990), junto com o diretor, tenta transformar a cidade de Imperial, no Nebraska – que, na realidade, é a canadense Manitoba, que serviu de locação para a produção –, em um Paraíso na Terra, com planos gerais dos campos locais e seus horizontes.

É lá que vive Todd (Greg Kinnear), que além de pastor da Crossroads Wesleyan Church, é bombeiro voluntário do lugarejo, treinador de luta livre na escola local e instalador de portas de garagem.

Assim é apresentado o bom caráter do protagonista, que se desdobra, mesmo tendo várias contas a pagar, situação agravada quando fica impossibilitado de trabalhar ao quebrar a perna jogando softbol e sofrer com uma crise de pedras renais.

Divulgação - Imagem do filme 'O Céu é de Verdade'

Divulgação – Imagem do filme ‘O Céu é de Verdade’

No entanto, fora as amostras desse esforço no início e uns boletos jogados na mesa, não parece que ele está realmente passando pelas graves dificuldades financeiras de que fala com sua esposa, Sonja (Kelly Reilly), já que consegue até fazer uma viagem com a família de mais de 300 quilômetros para Denver, com a intenção de espairecer.

Na volta do passeio, seus dois filhos sofrem com os efeitos de uma virose. Mas enquanto Cassie (Lane Styles) logo se recupera, o pequeno Colton (Connor Corum) ainda padece até descobrirem que se trata de uma apendicite grave.

O menino é submetido a uma cirurgia de emergência, que preocupa muito seus pais e todos os conhecidos da igreja, mas, de repente, ele já está acordado e fazendo pedidos.

Subtende-se que o procedimento médico foi um sucesso. Logo, vê-se também que o foco da história é outro, quando o garoto começa a contar ao pai o que viu enquanto era operado: quando ele saiu do próprio corpo, assistiu à aflição de seus progenitores e, acompanhado de Jesus Cristo, visitou o céu, onde encontrou parentes já falecidos que nunca conheceu.

A partir daí evidencia-se a fragilidade do roteiro, incapaz de construir uma história que realmente convença até alguns cristãos; o que dirá de quem não for. Não que Wallace e seu parceiro de texto, Chris Parker, tivessem que necessariamente persuadir todo o público da existência do Paraíso.

Mas era preciso fazer com que o espectador realmente entendesse o que levou os pais dele, os outros personagens do longa e milhares de leitores a acreditarem na experiência de Colton, com seus relatos sobre Jesus montado em um cavalo “cor de arco-íris”, em um Paraíso onde todos são jovens e outra série de imagens que ele poderia muito bem ter visto antes, consciente ou inconscientemente, já que cresceu em um ambiente religioso.

No entanto, em vez disso, tornam tudo muito caricatural.

Veja o trailer de “O Céu é de Verdade“:

Randall Wallace, que chegou a estudar religião na Universidade de Duke, teria condições de fazer uma obra sobre a fé e as dúvidas que ela inevitavelmente gera no ser humano.

Às vezes, há indícios de que o longa se voltará para esse caminho, seja com os questionamentos que Todd faz a si mesmo ou com a desconfiança dos membros da igreja em relação à decisão do seu pastor, a exemplo de Nancy (Margo Martindale), a amiga um tanto amargurada pelo passado.

Contudo, “O Céu é de Verdade” perde-se em diálogos rasos e logo o receio de toda a assembleia de fiéis facilmente desaparece. Produzido por T. D. Jakes, fundador de uma mega igreja não-confessional norte-americana, a The Potter’s House, o filme ainda introduz uma psicóloga na história como uma espécie de “voz contrária”, mas com um discurso pífio apenas para servir de recurso de convencimento dos espectadores mais céticos.

Não é surpresa que, com este material em mãos, as interpretações fiquem abaixo do potencial do competente elenco.

Thomas Haden Church, por exemplo, interpreta Jay, bom companheiro de Todd, que é um coadjuvante de peso para a trama, mas não é bem desenvolvido na produção. Mesmo distante do seu melhor, Kinnear tem o poder de cativar o público, especialmente quando o roteiro lhe permite isso no discurso final e em sua relação com o filho, vivido pelo carismático e estreante ator mirim Connor Corum.

Além disso, o diretor abusa de “travellings” e “steady-cams” contemplativos, com exceção de raros momentos de tensão com câmera na mão. A maioria dos planos, no entanto, tem estilo mais televisivo, de filmes e séries de TV “para a família”, do que realmente cinematográfico.

No final das contas, “O Céu é de Verdade” não passa de um leve entretenimento, daqueles que se assiste no sofá durante um feriado.

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