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Escola pública americana instala máquina de livros para incentivar leitura entre alunos

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Estudantes recebem moedas na sala de aula e têm direito de escolher obras na máquina para irem formando sua própria biblioteca.

Publicado no G1

A Escola Arthur O. Eve, em Buffalo, no estado americano de Nova York, instalou uma máquina de venda automática, como aquelas que normalmente oferecem doces e bebidas, mas cheia de livros, para incentivar a leitura entre seus alunos.

Máquina de livros foi instalada em escola de Buffalo, nos EUA — Foto: Reprodução/Twitter/Dee Romito

O vice-diretor Unseld Robinson contou à afiliada local da rede NBC que o primeiro passo após ter a ideia foi conseguir os US$ 3 mil necessários para comprar a máquina. A diretora do colégio apoiou a iniciativa e, um ano depois, a máquina está instalada na biblioteca da escola. Os livros são escolhidos para desafiar os alunos à medida que progridem pelos diferentes níveis de leitura.

Outro objetivo é ajudar os alunos a desenvolver suas próprias bibliotecas e incentivá-los a ler em casa com seus próprios pais. Os estudantes recebem moedas na aula e podem depositar na máquina para comprar um livro. Cada série terá a oportunidade de pegar livros na máquina uma vez por mês.

Ana Maria Machado pede a volta de projetos para incentivar leitura no país

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livros

Publicado na IstoÉ

A escritora Ana Maria Machado, imortal da Academia Brasileira de Letras e ícone da literatura infantil no país, pediu hoje (1º) a retomada de políticas públicas que incentivem a leitura no país. Ela citou programas implementados e já extintos, como o Literatura em Minha Casa, do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), que em 2002, pela primeira vez levou livros para muitas famílias do interior. Outro programa, mencionado pela escritora, fomentava a formação do professor leitor no Rio de Janeiro.

“A literatura abre os horizontes, porque não está preocupada só em ensinar, em dar informação. Ela torna cidadãos mais conscientes, pessoas mais felizes, mais solidárias com os outros, entendendo a diversidade alheia, o que os outros sentem, sofrem, querem, temem. Porque a literatura permite a você entrar no papel de outro personagem. Isso enriquece muito a experiência da gente, muito mais do que apenas o livro didático.”

Ana Maria foi homenageada ontem (1º) na 18ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em cerimônia de comemoração dos 80 anos da Política Pública do Livro. Outro homenageado foi o ex-ministro da Educação e Cultura e imortal Eduardo Portella, morto há quatro meses.

Participaram da cerimônia os ministros da Educação, Mendonça Filho, e da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Domício Proença Filho, além de Célia Portella, viúva do ex-ministro.

Plano de Leitura

Segundo Sá Leitão, o ministério tem articulado no Congresso Nacional a aprovação do Plano Nacional do Livro e da Leitura, uma das principais frentes da pasta para estímulo de leitura nas escolas.

“Estamos articulando com os deputados e senadores para que possamos aprovar o Plano Nacional do Livro e da Leitura, que traz uma série de diretrizes, metas e ações. Boa parte delas, a ser executada pelo Ministério da Cultura, mas isso vai nos dar uma base legal para que possamos realizar esse papel importante, que o ministério tem que ter numa política de incentivo ao livro e à leitura. Certamente vai ser um instrumento muito importante para incentivarmos o livro e a leitura no país”, disse Sá Leitão

O ministro Mendonça Filho disse que, além dos livros didáticos enviados às escolas de todo o país, o MEC também investe em livros literários.

“Temos um programa nacional de livros paradidáticos e literatura. No ano passado, investimos R$ 100 milhões em livros dedicados ao Programa Nacional na Idade Certa e queremos soltar brevemente novo edital de aquisição de livros de literatura, para estímulo da leitura nas escolas públicas de todo o país. Essa é a política principal.”

Mendonça Filho informou que planeja ações conjuntas com a ABL para criar políticas públicas de estímulo à leitura nas escolas, “principalmente nas escolas públicas”.

Antes da cerimônia, os dois ministros fizeram uma visita à bienal, passando pelos estandes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro.

Escoteira doa coleção de gibis para incentivar leitura em escola municipal

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Isabela Cardia, de Sorocaba, aprendeu a ler com as revistas em quadrinhos.
Além da coleção, de 400 exemplares, jovem ainda arrecadou mais 200.

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Publicado em G1

Páginas que um dia ensinaram a junção das sílabas a uma jovem de Sorocaba (SP) agora poderão formar novos leitores na cidade. Isabela Cardia, de 17 anos, doou 600 gibis para a escola municipal “Duljara Fernandes de Oliveira”, no Jardim Santo Amaro, para que a unidade pudesse montar uma gibiteca. “Me sinto feliz. Vai dar a chance para as crianças se encantarem e criarem o gosto pela leitura, entrarem nesse mundo assim como eu entrei: através dos gibis”, diz a jovem.

Dos 600 exemplares doados, 400 pertenciam à coleção particular de Isabela. Os outros 200 foram arrecadados pela jovem em menos de dois meses. Ela também teve o cuidado de providenciar um tapete e pintar caixas para armazenar o material.

“Aprendi a ler com os gibis e colecionei-os dos 6 aos 12 anos. Desde então, já tinha a ideia de repassa-los e meus pais incentivaram isso. O único exemplar que guardei foi o primeiro [gibi] que tive.”

A oportunidade de dar um novo uso ao material surgiu de um desafio proposto pelo grupo escoteiro, o qual Isabela participa há oito anos. “Para conseguir o distintivo de escoteiro da pátria, era necessário desenvolver um projeto que beneficiasse a comunidade. Eu já tinha a ideia de doar os gibis para uma instituição de ensino pública, então escolhi essa escola que fica em uma rua próxima da onde eu moro”, conta Isabela.

Gibiteca
A escola “Duljara Fernandes de Oliveira” atende cerca de 900 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A inciativa da doação foi bem recebida e a previsão é que os estudantes possam frequentar a Gibiteca já no início do ano que vem. “A equipe não esperava e ficou bastante feliz com a proposta. Quando o espaço for inaugurado, irei conversar com as crianças para incentivá-las sobre a leitura, a doação e apresentar o local”, comemora Isabela.

A jovem conta que não pensa em seguir carreira na área educacional, mas acredita no poder de criar novos leitores. “Leitura é uma coisa que todos deviam ter o hábito, não só pela questão linguística, mas também porque ajuda a formar caráter, a conhecer o mundo e abrir a cabeça para novas possibilidades”, finaliza.

O responsável pelas salas de leituras e bebetecas da Secretaria da Educação (Sedu) instaladas na cidade, Pedro Luiz Rodrigues, elogiou a atitude da escoteira e ressaltou a importância do contato das crianças com esse tipo de leitura. “São textos sem o compromisso literário, mas que desenvolvem o hábito da leitura. E isso é o mais importante”, enfatiza.

Feiras literárias existem para estimular mercado e não para promover leitura, diz gestor

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Segue o debate sobre a função dos eventos literários no Brasil

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Afonso Borges, em O Globo

Alhos e bugalhos. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Suzana Vargas, na edição passada do Prosa, comparou (no artigo “O que se festeja nas festas literárias?”) eventos com eventualidade. O jogo de palavras é saudável, mas às vezes ilude. Não tem sentido comparar a realização de eventos literários, sejam quais for, com a necessidade de se educar uma população e aumentar o índice de leitura — mesmo que isso ocorra, em muitos casos.

Em primeiro lugar, eventos não são necessariamente, eventuais. A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é um evento e não é eventual. Realiza-se todos os anos. O projeto “Sempre um Papo”, que realizo há 29 anos, bate a marca das 5 mil atividades realizadas. E os exemplos de programas consistentes pelo Brasil, como o Fliaraxá, a Fliporto, a Feira de Porto Alegre e tantos outros, nos ultrapassam. Em recente debate no Salão do Livro de Paris, dividi a mesa com Jean Zarzana, falando exatamente deste tema — “A relevância dos eventos literários no Brasil e a questão da leitura” —, ao lado de Antônio Campos e Guiomar de Grammont. Zarzana, curador de 13 das 15 edições do Salão do Livro, é reticente com relação ao assunto: “não tenho a mínima ideia se os Salões do Livro que realizei aumentaram o índice de leitura”, disse, “mas sei do impacto que eles produziram no mercado”.

Esta é a função dos salões, feiras, festivais e bienais: dessacralizar o livro. Somente popularizando este produto ornado de mitologia é que a população vai ler mais. Mas este não é o centro da questão, ainda. O que deve ser dito, de uma vez por todas, é que o principal objetivo dos eventos literários não é o aumento dos índices da leitura no Brasil. E Suzana tem toda razão em seu texto. Isso é tarefa da educação formal. Um dos países que detém os mais altos índices de leitura no mundo é a França. E lá o livro é tratado como tal: um negócio. E dos mais rentáveis da economia. No Salão do Livro de Paris, assim com o de outros países, o que vale é o bom funcionamento do motor: o autor está ali para o livro ser vendido. Por que no Brasil existe tanto pudor em assumir isso? Por que tanta firula e discussões inócuas? O escritor quer, claro, ser reconhecido. Mas o reconhecimento se dá de uma só forma: em vendas. Ou existe escritor que vendeu 10 exemplares e é um sucesso?

No Brasil, há um moto-contínuo terrível, decorrente do mito que demoniza quem vende muito. Paulo Coelho é o ícone deste ritual estúpido. Antes, porém, Tom Jobim já preconizava isso em frases célebres sobre a fama. Os índices de leitura na França são altíssimos porque não se discute isso. Livro é para ser vendido e lido, de preferência. Mas antes de ser lido, vendido. E basta. Vejam a reação divertida do Milton Hatoum, ao ser eleito a estrela do Salão do Livro: “Não quero vender muito, porque se eu for chamado de best-seller, no Brasil, fica ruim…” A participação dos autores brasileiros no Salão foi sensacional. A despeito da forma como os escritores foram tratados pela organização, com honorários vergonhosos, os debates foram ótimos. Mas vejam: dê-se o devido crédito às editoras francesas, às entidades do livro e à Academia, que compuseram uma excelente programação paralela, entupindo a agenda dos autores de atividades. Uma palavra a mais: Luiz Ruffato foi a grande estrela do Salão. E isso ninguém disse. E ele não foi convidado pela organização brasileira e sim pelas suas editoras naquele país. Desde o discurso em Frankfurt, o mineiro Ruffato segue carreira solo, e brilhante, pelo mundo.

A eterna e complexa discussão do preço do livro, por exemplo, encontrou um oásis no Fliaraxá. Um acordo entre a rede Leitura e os organizadores colocou um contraponto nesta questão. A mais recente edição vendeu 40 mil livros em 4 dias. Como? A livraria colocou mais de 15 mil livros para vender com preços entre R$ 1 e R$ 10. Tornou-se, assim, o coração do Festival. De crianças a operários, ninguém saiu dali sem um livro debaixo do braço.

De resto, é importante dizer também que hoje vivemos o momento do autor. Não vale mais o livro, como objeto. Antigamente, o escritor passava anos escrevendo um livro e, por ele, era celebrado, e convidado. E vinha, cheio de graça, desfrutar de seu esforço solitário e criativo, metamorfoseado em páginas de um livro. Hoje, não. Hoje é o tempo do autor, da sua fala, da sua presença. O livro é sua extensão, seu… produto (palavra áspera, para os puritanos).

Esta é a verdadeira tarefa dos eventos literários: colocar autor e livro, postos frente a uma mesa de autógrafos, pronto para vender sua obra. Colocar o autor à frente de uma mesa de debates e seus leitores, na próspera tarefa de divulgar seu livro. Colocar o livro e a literatura em seu devido papel: fundamento e alicerce das outras artes. Aí entra a festa, o festival, com o cinema e as artes cênicas como atração, mas em segundo plano. Cada macaco no seu lugar. Ou, no caso, cada coruja em seu galho.

* Afonso Borges é gestor cultural, criador do projeto “Sempre Um Papo” e curador do Festival Literário de Araxá (Fliaraxá)

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