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Conheça a mulher que largou carreira de executiva para dar educação a crianças pobres na Índia

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Shukla Bose, que fará uma palestra no seminário Educação 360, fala sobre os desafios do ensino em comunidades carentes

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Por Andrea Rangel, O Globo

RIO – Em 2003, a indiana Shukla Bose decidiu jogar para o alto a carreira de executiva e criou a Fundação Humanitária Parikrma, uma organização não governamental que oferece ensino gratuito de qualidade a 1,6 mil crianças de Bangalore, a quarta cidade mais populosa da Índia. Shukla será uma das conferencistas do encontro internacional Educação 360, promovido por O GLOBO e “Extra”, em parceria com Sesc, Prefeitura do Rio e Fundação Getulio Vargas, com o apoio do Canal Futura. O encontro vai acontecer nos dias 5 e 6 de setembro na Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá.

Há 11 anos, a senhora abandonou uma carreira de sucesso numa empresa multinacional para se dedicar ao trabalho social na área da educação. O que a motivou?

Abandonei a carreira de diretora executiva numa multinacional e enveredei pelo campo do trabalho social porque não estava satisfeita com a vida corporativa, com aquela rotina de fazer balanços financeiros que só beneficiam uma minoria milionária. Trabalhei como voluntária ao lado de Madre Teresa de Calcutá durante sete anos, quando ainda era estudante. E por meio dessa experiência aprendi que o verdadeiro trabalho está nas ruelas da Índia, e que era preciso mergulhar nas mazelas da nossa sociedade para operar uma pequena mudança de verdade.

Quais as principais frentes de trabalho da Fundação Parikrma?

Temos quatro escolas que atendem a 1,6 mil crianças, entre cinco e 18 anos, que moram nas ruas, favelas e orfanatos de Bangalore, na Índia. Desenvolvemos também um trabalho com os pais dos alunos que já alcança cerca de 25 mil pessoas. Recentemente, inauguramos a Academia de Formação de Professores, que atende a cerca de 2 mil educadores e a 63 mil alunos de escolas estaduais que trabalham como auxiliares em instituições de difícil acesso. São escolas que carecem de profissionais de ensino.

Como se dá o trabalho com os familiares dos alunos?

Nós identificamos os problemas de cada família e damos início a um trabalho de aconselhamento e capacitação. Oferecemos cursos de capacitação profissional para a família, que passa a ter uma renda maior. Abrimos contas bancárias para as mães, que são orientadas a lidar com suas finanças. Também oferecemos treinamento em nutrição infantil e transmitimos noções básicas de higiene e saúde.

Qual é o maior desafio de todo esse trabalho social?

Um problema sério que enfrentamos é a alta incidência de alcoolismo entre os pais. Por isso decidimos criar um programa de reabilitação, que não só atende aos pais como gera empregos para a comunidade escolar. Os próprios familiares que recebem alta no tratamento são empregados no programa. Eu comemoro a participação ativa dos pais na vida escolar dos seus filhos — 98% deles frequentam as reuniões com professores. Mas o maior desafio é garantir que a fundação tenha verba para levar adiante todos os projetos.

Qual é a filosofia adotada pela Fundação Humanitária Parikrma?

Acreditamos que é preciso estimular o potencial que existe nas comunidades pobres, que são ignoradas por conta do estigma social que carregam. Nossa filosofia defende que mesmo as pessoas marginalizadas podem ser bem-sucedidas se tiverem a oportunidade no momento certo. E essa oportunidade não está ligada apenas à oferta de uma vaga numa escola com uma boa infraestrutura de ensino. Essas pessoas só irão prosperar se estiverem num ambiente onde amor, dignidade e esperança sejam cultivados.

Está dando certo?

Nossas crianças não faltam às aulas, e frequentam a escola, inclusive, nos feriados, quando atendemos a cerca de 97% de nossos alunos.

Como se alcança esse resultado?

A educação voltada para os mais pobres deve ganhar uma abordagem diferenciada para, de fato, colher bons resultados. A condição básica para o aprendizado é uma vida familiar estável. E 98% dos nossos pais são alcoólatras, enquanto 92% dos nossos alunos possuem algum familiar preso. Com uma atmosfera familiar tumultuada, é muito mais difícil para um aluno se concentrar nos estudos.

Qual é o diferencial da formação de professores feita pela fundação?

Nosso programa de formação de professores oferece laboratórios de crescimento pessoal para todos os educadores, que aprendem a contornar algumas situações adversas do cotidiano através de empatia, paciência e tolerância. Na fundação, acreditamos que amor e compreensão podem operar grandes mudanças, uma vez que as crianças precisam de alguém que realmente tome conta delas. E elas costumam responder muito bem a essa acolhida, tornando-se crianças bastante carinhosas.

Como avalia a educação hoje?

As coisas estão mudando tão rapidamente nesta década que o conteúdo ensinado nas escolas de hoje se torna redundante tão logo o aluno ingressa no mercado de trabalho. As instituições de ensino precisam modificar seus métodos e estratégias de forma a tornar o aprendizado relevante também para a vida do aluno.

Na sua opinião, como deve ser a educação do futuro?

As escolas deverão existir como espaços de facilitação do acesso ao conhecimento, e deverão oferecer um ambiente onde os alunos aprendam de maneira autônoma. O professor deve ser apenas um guia para os alunos, e não um repositório de informações. O que percebo na Fundação Humanitária Parikrma é que o estímulo para a inovação parte dos próprios alunos. Quando um professor lança uma novidade em sala, e identifica uma resposta positiva do grupo, ele é encorajado a tentar outros métodos, concebendo uma vibrante atmosfera de aprendizado.

Professora faltou ao trabalho por 23 anos na Índia

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Autoridades da Índia descobriram que uma professora da rede públicas de escolas faltou ao trabalho durante 23 dos seus 24 anos de carreira.

Hábito de professores de faltar ao trabalho é problema grave nas escolas da Índia

Hábito de professores de faltar ao trabalho é problema grave nas escolas da Índia

Publicado por BBC

Sangeeta Kashyap foi contratada em 1990 para dar aulas de biologia em uma escola do Estado de Madhya Pradesh, região central do país.

As autoridades do setor de educação do Estado afirmaram que não sabem quando foi a última vez que Sangeeta recebeu um salário, mas ela ainda está na lista de funcionários.

Elas disseram à BBC que a professora será demitida. Acredita-se que Sangeeta estabeleceu um novo recorde de faltas no trabalho na Índia.

O caso de Sangeeta Kashyap foi divulgado pela imprensa do país, mas ela ainda não foi encontrada para comentar o caso.

Ainda não se sabe porque a professora não voltou ao trabalho ou se ela está trabalhando em outro lugar.

Três anos de licença

Sangeeta passou o primeiro ano de trabalho em uma escola da cidade de Dewas. Depois disso, ela tirou três anos de licença.

Em 1994 ela foi transferida para uma escola na cidade de Indore, entrou com pedido de licença maternidade e nunca mais voltou a trabalhar.

Sushma Vaishya, diretora da Escola Pública Ahilya Ashram, em Indore, afirmou que as cartas enviadas pela escola ao endereço dela ficaram sem resposta.

Uma autoridade do departamento de educação informou que as autoridades na capital do Estado, Bhopal, foram contactadas para que Sangeeta fosse demitida.

“Não faço ideia da razão de nada ter sido feito. Estamos escrevendo para eles de novo para retirá-la (do cargo)”, disse Sanjay Goel à BBC.

A escola pode ter três professores de biologia, mas apenas duas vagas estão ativas. A terceira é da professora Sangeeta Kashyap.

Segundo correspondentes, o hábito de faltar ao trabalho é um problema comum em escolas públicas da Índia.

Um estudo do Banco Mundial feito em 2004 descobriu que 25% dos professores da Índia faltavam do trabalho e apenas cerca de metade dos professores estava presentes durante visitas surpresa em escolas pública primárias.

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