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Na Flip, escritores indicam livros e filmes sobre seus países de origem

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Publicado no Cineset

Considerada pela revista Fast Company a empresa de educação mais inovadora no mundo em 2016, a Babbel aproveita a 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começou na quarta (26) à noite, para perguntar a escritores convidados do evento quais livros e filmes eles indicariam para pessoas que desejam aprender seus idiomas de origem. Companhia internacional com sede em Berlim, a Babbel dedica-se ao ensino online de 14 idiomas,

A Babbel tem foco na linguagem, na literatura e no multiculturalismo, disse à Agência Brasil Julie Krauniski, relações públicas da empresa. A empresa conta com uma equipe de mais de 450 profissionais de 39 nacionalidades, sendo 15 do Brasil, onde atua há dois anos.

“Falar muitas línguas não é só uma questão acadêmica ou de habilidades. Falar várias línguas abre uma porta para um universo diferente”, afirmou Julie. Segundo a relações públicas, tudo que é relacionado a linguagem e a multiculturalismo interessa à Babbel. “A Flip é um festival literário que tem tradição no Brasil e escolhe sempre escritores muito bons, do mundo todo. Por isso, decidimos perguntar a alguns autores internacionais que livros e filmes eles recomendariam para estrangeiros entenderem melhor o país de cada um no idioma original.”

Brasil

Em sua estreia literária, o brasileiro Jacques Fux, natural de Belo Horizonte, ganhou o Prêmio São Paulo de 2013 com a obra Antiterapias. No romance mais recente, Meshugá, o tema é a loucura. Na obra, Fux reinventa a vida e a obra de nomes como a filósofa Sarah Kofman e o cineasta Woody Allen. Para entender o Brasil, Fux recomenda o livro K. Relato de uma Busca, de Bernardo Kucinsky, da editora Companhia das Letras, e o filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.

Jacques Fux lembrou que o Brasil foi formado por diferentes povos e culturas. Sua literatura explora a questão judaica e a influência do povo judeu no Brasil. Por isso, disse Fux, é que indica o livro de Kucinsky e o filme de Hamburger. “Tanto o livro quanto o filme abordam o período da ditadura militar no Brasil, mas falam também do antissemitismo, da assimilação e do amor pelo futebol, temas muito importantes e relevantes na construção política e cultural do Brasil”, explicou o escritor.

Islândia

O autor slandês Sjón (abreviatura de Sigurjón Birgir Sigurðsson), cuja obra é influenciada por contos de fada e pela mitologia nórdica e já foi traduzida para mais de 30 idiomas, sugeriu o livro O Cisne, de Guðbergur Bergsson, editado pela Rocco, e o filme é O Albino Noi, com direção de Dagur Kári. Bergsson e Kári também são islandeses.

Ao comentar o livro, Sjón ressaltou que ele mostra “a beleza, a crueldade e a estupidez da pequena sociedade vistas pelos olhos de uma menina de 9 anos, que foi enviada para trabalhar numa fazenda como punição por furto. “Guðbergur Bergsson mapeou a mentalidade islandesa melhor do que qualquer outro autor contemporâneo”, disse Sjón. Sobre o filme, que relata a história de uma adolescente rebelde, Noi, moradora de uma vila próxima de um fiorde da costa oeste islandesa, Sjón afirmou: “em uma sociedade tão pequena, não é preciso tanta rebeldia para arrumar encrenca. O diretor cria uma miniatura incrível da Islândia moderna”.

O escritor é também compositor e um dos principais parceiros da cantora Björk. Seu novo livro, Pela Boca da Baleia, será lançado durante a Flip deste ano.

Angola

O rapper e ativista político Ikonoklasta, como é conhecido no meio musical o autor angolano Luaty Beirão, publicou em 2016 o livro Sou Eu Mais Livre, Então, um diário escrito na prisão. Ikonoklasta foi preso por ter lido, em 2015, um livro considerado subversivo pelo governo de José Eduardo dos Santos. O livro é considerado um testemunho da resistência de Angola. Para Luaty Beirão, quem quiser entender seu país tem de ler A Geração da Utopia, de Pepetela, que considera “um bom ponto de partida para perceber a geração de angolanos que segurou o poder e se mantém até hoje, lá amarrada. Essas pessoas destruíram o sonho comum – depredando o que deveria ser de todos – para enriquecimento pessoal. O livro explica muita coisa”.

O filme que ele indica, É Dreda Ser Angolano (Mambo Tipo Documentário), dá uma breve ideia sobre a vida na capital, Luanda. “Não chega a ser um documentário, porque inserimos pequenos e bem localizados elementos de ficção. Por isso o chamamos de mambo tipo documentário. Ele foi inspirado em um álbum de música do Conjunto Ngonguenha”, disse o escritor.

Suíça

Nascida na Suíça em 1975, Prisca Agustoni é poeta, tradutora e professora. Mora no Brasil desde 2003 e dá aula de literatura comparada na Universidade Federal de Juiz de Fora, cidade mineira onde reside atualmente. Para entender a Suíça, ela sugere o livro L’anno della valanga, de Giorgio Orelli, publicado pela editora Casagrande, de Bellinzona. Não há edição em português. Prisca não recomendou nenhum filme.

Espanha

A jornalista e escritora espanhola Pilar del Río é viúva do autor português José Saramago, que conheceu em 1986 e cuja obra traduziu para o castelhano. Em 2016, recebeu o Prêmio Luso-Espanhol de Arte e Cultura por sua dedicação “à defesa dos direitos humanos, à promoção da literatura portuguesa e ao intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e latino-americana”. Suas oções para entender a Espanha são o livro Los Aires Difíciles, de Almudena Grandes, e o filme La Vaquilla, de Luis García Berlanga.

França

O escritor francês Patrick Deville foi adido e professor em Cuba, em países da África e do Golfo Pérsico, antes de estrear na literatura em 1987. Seu livro mais recente publicado no Brasil é Peste e Cólera. Para entender a França, Deville recomenda o livro À la Recherche du Temps Perdu(Em Busca do Tempo Perdido), de Marcel Proust, e o filme Vivre Sa Vie (Viver a Vida), de Jean-Luc Godard.

Referência

O português falado no Brasil foi lançado como um dos idiomas de referência do aplicativo Babbel em 2012 e é considerado o sexto idioma de maior procura, informou Julie Krauniski. O Brasil é o quinto maior mercado da Babbel no mundo e o primeiro na América Latina, correspondendo a 60% da procura pelos cursos da empresa de educação alemã na região. Os brasileiros são os que mais se inscrevem para aprender com a Babbel, e os cursos que eles mais buscam são inglês, francês,alemão, italiano e espanhol.

Fundada há 10 anos na Europa, a escola tem cerca de 1 milhão de alunos no mundo inteiro e oferece cursos de 14 idiomas: inglês, alemão, dinamarquês, espanhol, francês, holandês, indonésio, italiano, norueguês, polonês, português brasileiro, russo, sueco e turco.

da Agência Brasil

Vai desacelerar no final do ano? Eis bons livros para ler entre os cochilos

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Rodrigo Cazarin, no Página Cinco

Dia 21 de dezembro. Quem nessa época do ano não está pensando em alguns dias de descanso? Para os afortunados que poderão desacelerar e curtir uma praia, uma montanha ou até mesmo o sofá de casa, separei cinco bons livros que servem de companhia entre uma cochilada – ou uma cerveja – e outra:

“Detetive à Deriva”, de Luís Henrique Pellanda (Arquipélago Editorial): Pellanda é atualmente um dos cronistas mais respeitados do país. Suas histórias são retiradas das ruas de Curitiba, de onde surgem achados como um par de botas abandonado, um misterioso rastro de pétalas, um bebê chinês sozinho na calçada e uma família de urubus que habita o topo de um prédio. Vale a leitura para conhecer um cronista que ainda se preocupa mais com uma boa história do que em expor suas opiniões sobre tudo.

“Guerra de Ninguém”, de Sidney Rocha (Iluminuras): daqueles nomes que ainda carecem de reconhecimento que faça jus à qualidade de seu trabalho, Sidney Rocha fala da morte nos contos de seu novo livro. Da morte de quem foi parar em uma cova sem nome em Alto Santo, da morte de uma garotinha jogando videogame, da morte em Bombaim, na Índia. Vale a leitura para conhecer a estética bastante própria do autor e para refletir sobre os caminhos que o mundo tem tomado – sim, férias também servem para isso, principalmente para aqueles que vivem sem tempo para nada além do próprio umbigo.

“Allegro Ma Non Troppo”, de Paulliny Gualberto Tort (Oito e Meio): romance de estreia de Paulliny, a obra narra a jornada de um violinista que precisa atender ao pedido de uma mãe um tanto desvairada: encontrar onde seu irmão mais velho está vivendo, isso após o pai de ambos, um ex-político de certa importância, falecer. Vale a leitura por conta do bom ritmo que autora emprega, pela complexidade dos personagens e pelos cenários que se alternam entre a gélida Brasília e as cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

“De Tudo um Pouco”, de Ana Luisa Escorel (Ouro Sobre Azul): “Conjunto de impressões de alguém frente a seu cotidiano, ao qual se acrescentaram histórias de outro tempo que parecia fazer sentido contar”. É assim que Ana Luisa Escorel define o seu “De Tudo um Pouco”. Vale a pena porque, além da autora ser uma ótima escritora – vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2014 por “Anel de Vidro”, romance que lançou aos 70 anos -, quando reflete sobre o cotidiano, fala a respeito de temas corriqueiros, e quando recorre às memórias, traz registros relacionados a nomes como Rubem Braga e Umberto Eco.

“Eu Contra o Sol”, de Alex Tomé (Confraria do Vento): Benício, um estudante de direito, escapa da morte e tenta entender como funciona a vida adulta enquanto o país ameaça entrar em colapso. No romance, Alex cria um possível retrato da juventude nos dias de hoje. Vale para conhecer um novo autor publicado por uma editora que costuma ousar em suas apostas.

Livros para o Natal

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Raphael Montes, em O Globo

Em outras oportunidades, já escrevi sobre a aparente dificuldade de conjugar, na literatura brasileira contemporânea, entretenimento com alta literatura

Faz parecer que os dois são elementos absolutamente dissociados, de modo que, como em um Fla x Flu, os literatos preferem ignorar os livros que vendem muito ou os livros de gênero (policial, terror, fantasia), enquanto aqueles que escrevem “entretenimento” torcem o nariz para as experimentações textuais e as riquezas estilísticas. Assim, fica cada um no seu quadrado, ninguém atrapalha ninguém, ninguém tampouco ajuda ninguém, e a vida segue. Basta pensar a última vez que um romance de gênero ganhou o prêmio Jabuti… Em outra via, a última vez que um romance que ganhou o Jabuti chegou às listas de mais vendidos… Casos raros (para não dizer impensáveis).

Pessoalmente, me recuso a ficar em cima do muro. Por isso, vai chegando o fim do ano e meus dedos começam a coçar para escrever minhas listas do ano — como bom virginiano, a tentativa inútil de reunir, ainda que de maneira pouco criteriosa e absolutamente parcial, os melhores livros de 2016. Depois de pensar muito, este ano resolvi fazer diferente. Nas linhas seguintes, indicarei não apenas ótimos livros publicados em 2016, como serão apenas ótimos livros de autores brasileiros. Afinal, já falei bastante aqui da importância de valorizar a produção nacional — e me causa certa tristeza ver como certos autores brasileiros contemporâneos de talento ainda não atingiram o grande público. Por isso, a lista de livros abaixo oferece dicas de presente de Natal, mas serve também para mostrar que é, sim, possível fazer boa literatura brasileira unindo diversão e linguagem. Chega do professor universitário de meia idade compartilhando suas angústias e intenções filosóficas. A literatura brasileira é muito mais do que isso.

Começo por “O romance inacabado de Sofia Stern”, de Ronaldo Wrobel, um dos meus autores favoritos na atual ficção brasileira. Após seu genial livro de estreia, “Traduzindo Hannah”, Ronaldo tinha uma missão difícil pela frente, que cumpriu com louvor ao publicar este novo romance no início do ano. Fui convidado para escrever a orelha e acabei lendo o livro em dois dias, imerso na Alemanha nazista enquanto acompanhava uma história de amor e de suspense bem intrincada, repleta de cenas memoráveis, com ironia fina e linguagem inteligente. Faz lembrar “O segredo dos seus olhos”, só que melhor.

Também em ritmo de thriller, numa mistura de aventura de capa e espada e cenas de ação e erotismo, “Homens elegantes”, de Samir Machado de Machado, merece ser conferido. Na história, Érico é um jovem enviado a Londres para investigar a produção de um romance erótico contrabandeado ao Brasil colonial. Lá, infiltrado na alta sociedade londrina do século XVIII, o protagonista aprofunda sua sexualidade, e Samir aproveita para discutir questões de gênero ao apresentar o vilão da trama, o conde Bolsonaro. Além dos diálogos bem humorados e dos personagens complexos, o grande mérito de Samir está na crítica social: conforme as páginas avançam, começamos a perceber que a sociedade do Brasil colonial apresentada no livro infelizmente não é tão diferente da nossa sociedade brasileira contemporânea.

Trazendo ainda esta reflexão sobre os anos que avançam, mas que parecem continuar os mesmos, vale a leitura de “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, romance de estreia de Martha Batalha. Passado na sociedade carioca dos anos 1940, acompanhamos a história de duas irmãs — Eurídice e Guida — que fazem escolhas diferentes na vida para tentar sobreviver na sociedade machista (da época?). Com uma prosa rica e sem ser panfletária, Martha aborda o empoderamento feminino e traz uma gama de personagens que povoam nosso imaginário, como a vizinha fofoqueira e o solteirão apaixonado.

Falando em personagens femininas fortes, há que se conhecer Corina, protagonista de “As águas-vivas não sabem de si”, romance de estreia de Aline Valek. Corina é uma mergulhadora que faz parte de uma equipe que pesquisa os arredores de uma zona hidrotermal. Passado debaixo d’água, o romance se atém ao grupo de pesquisadores e, nas profundezas, trata mesmo é da solidão, das complexidades humanas e da vastidão do oceano. O oceano, inclusive, é personagem do livro, num misto de ficção científica com linguagem poética. Ainda que seja um romance mais lento, vale ser conferido pela proposta inusitada e pelo texto saboroso.

Por fim, indico com veemência “Os invernos da ilha”, o melhor romance brasileiro que li em 2016. É espantoso que este livro não tenha causado burburinho ou caído no gosto dos jornalistas literários. No primeiro romance de Rodrigo Duarte Garcia, Florian Links se isola na ilha de Sant’Anna Afuera, onde passa a viver em um mosteiro, com planos de se tornar monge. Ali, passa a conviver com Rousseau, um antropólogo excêntrico que estuda o diário do holandês Oliver Van Noort, um corsário que teria deixado um grande tesouro na ilha, séculos atrás. Assim, começa a busca por encontrar o tesouro, ao mesmo tempo em que se forma um clássico triângulo amoroso entre Florian, Rousseau e a bela Cecília. Em sua estreia, o autor escreve um clássico romance de aventuras (raro no Brasil), tecendo duas linhas narrativas com a firmeza de um veterano. A linguagem rica em detalhes contribui para o clima de mistério e confirma como ainda temos muitos campos inexplorados em nossa literatura. Um livro que me deu orgulho de ser brasileiro.

10 livros incríveis lançados em 2016 que você deveria ler até o final desse ano

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Confira obras imperdíveis que são ótimas sugestões de leitura

Publicado no Guia da Semana

Todo ano, o mercado editorial lança livros incríveis, que nos convidam a entrar em universos únicos, nos ensinando e fazendo com que possamos romper as barreiras com tudo o que já conhecemos – ou julgamos conhecer.

Assim, a literatura sempre nos surpreende e, independente do conteúdo tratado em suas páginas, tem o poder arrebatador de nos colocar em contato com nosso mundo interno e, junto ao livro, criar uma nova rede de simbologias e significados de coisas interiores e exteriores.

Pensando nisso, o Guia da Semana lista 10 livros imperdíveis (e lançados em 2016) que você deveria ler até o fim desse ano. Confira:

POR QUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS?

Bateu aquela preguiça de ir para o escritório na segunda-feira? A falta de tempo virou uma constante? A rotina está tirando o prazer no dia a dia? Anda em dúvida sobre qual é o real objetivo de sua vida? O filósofo e escritor Mario Sergio Cortella desvenda em “Por que fazemos o que fazemos?” as principais preocupações com relação ao trabalho. Dividido em vinte capítulos, ele aborda questões como a importância de ter uma vida com propósito, a motivação em tempos difíceis, os valores e a lealdade – a si e ao seu emprego. O livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira, mas vive se questionando sobre o presente e o futuro. Recheado de ensinamentos como “Paciência na turbulência, sabedoria na travessia”, é uma obra fundamental para quem sonha com realização profissional sem abrir mão da vida pessoal.

HARRY POTTER E A CRIANÇA AMALDIÇOADA

Baseada numa história original escrita por J.K.Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, “Harry Potter e a criança amaldiçoada” é a oitava história da série Harry Potter e a primeira a chegar aos palcos. A peça teve sua estreia mundial em 30 de julho de 2016 no West End de Londres. Sempre foi difícil ser Harry Potter, e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

A GAROTA NO TREM

Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson -, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.

O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS

“O Menino que Desenhava Monstros” é um livro para fazer você fechar as cortinas e conferir se não há nada embaixo da cama antes de dormir. Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar. Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa.

ISSO ME TRAZ ALEGRIA

A japonesa Marie Kondo revolucionou casas – e vidas – após lançar, em 2015, “A mágica da arrumação”. Seu método sensível de organização se tornou um estrondoso sucesso ao redor do mundo. Agora, Marie se aprofunda no tema e lança Isso me traz alegria, um guia ilustrado que ensina passo a passo como arrumar da forma mais eficiente possível cada cômodo da casa- do quarto ao banheiro, da sala à cozinha. Cheio de dicas práticas e explicações detalhadas, o livro ensina como guardar cada tipo de roupa, documento e utensílio, como arrumar armários, armazenar alimentos, organizar maquiagens, CDs e fotografias, como envolver as crianças no processo e muito mais. Respondendo às principais dúvidas dos seus clientes e leitores, Marie aborda temas que ficaram de fora do livro anterior e reafirma a etapa mais importante do seu método- descobrir, entre tudo aquilo que está à sua volta, o que realmente lhe traz alegria – e descartar o restante. Quando nos cercamos apenas de coisas que amamos, a vida flui de forma muito mais leve. A bagunça não retorna e tudo se transforma. E é aí que a mágica acontece.

CLARICE LISPECTOR, TODOS OS CONTOS

Autora de romances e contos que figuram entre os mais emblemáticos da literatura brasileira, Clarice Lispector é considerada uma das mais importantes escritoras do século XX. Sua popularidade alcançou níveis surpreendentes nas últimas décadas, especialmente após o fenômeno da internet, mas sua figura e sua obra seguem exercendo sobre leitores o mesmo e fascinante estranhamento que causaram desde sua estreia literária, em 1943. Nesta coletânea, que reúne pela primeira vez todos os contos da autora num único volume, organizado pelo biógrafo Benjamin Moser, é possível conhecer Clarice por inteiro, desde os primeiros escritos, ainda na adolescência, até as últimas linhas. Essencial para estudantes e pesquisadores, para fãs de Clarice Lispector e iniciantes na obra da escritora, Todos os contos foi lançado nos Estados Unidos em 2015, figurando na lista de livros mais importantes do ano do jornal The New York Times e ganhou importantes prêmios, como o Pen Translation Prize, de melhor tradução. Agora é a vez de os leitores brasileiros (re)descobrirem por completo esta contista prolífica e singular.

DEPOIS DE VOCÊ

Em “Depois de você”, Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres, ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la. Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente.

ADÉLIA PRADO – POESIA REUNIDA

Adélia Prado, uma das mais renomadas autoras brasileiras, sabe como ninguém retratar a alma e os sentimentos femininos em seus poemas, contos e romances. Acostumada a verbalizar em sua obra a perplexidade e o encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico – uma das características de seu estilo único -, a poetisa mineira usa o mais comum da vida cotidiana em um tom doce e apaixonado para recriar a vida do interior mineiro por meio de uma linguagem inovadoramente feminina. Neste único volume repleto de seu imaginário acolhedor, encontram-se todos os poemas de Bagagem, “O coração disparado”, “Terra de Santa Cruz”, “O pelicano”, “A faca no peito”, “Oráculos de maio”, “A duração do dia” e “Miserere”. Esta edição conta ainda com textos de Carlos Drummond de Andrade e Affonso Romano de Sant’Anna e posfácio de Augusto Massi. Um verdadeiro presente para o leitor de clássicos da literatura brasileira.

DEPOIS A LOUCA SOU EU

À primeira vista estão ali os clichês da loquacidade histérica, a coragem implícita na condição exposta da mulher, “aberta a fungos e promessas”. Autocompaixão e autocrítica se alternam em ritmo estonteante, que persegue o pulso cômico do exagero para exibir o reverso dos gêneros (o sexual e o da escrita feminista, ou pós-feminista) na forma de uma escatologia inédita, feita de cistites e constipações. Mas esta autora não é misógina, porque resvala antes na misantropia em geral, mostrando se adepta da mais drástica intensidade narrativa, como uma roteirista de telenovelas que fosse em segredo discípula, sei lá, de Kierkegaard. Raro ver, ainda mais na crônica, gênero que quase exige o diletantismo hesitante e a falta de assunto, tamanha pressa de dizer tanta coisa ardente sob as aparências do que o poeta popular chamou de “guizos falsos da alegria”. Neste volume autobiográfico, porém, é como se a tampa da cabeça de Tati Bernardi fosse desatarraxada para que os fãs bisbilhotassem à vontade lá dentro. Revela-se que a vertigem alucinatória de sua prosa é produto tanto de fibrilação estilística quanto do estado natural do psiquismo da autora. Seu avô já tinha “a coisa”, como sua avó dizia. Medo de ir, ela resume – ataques de pânico, fobia a avião, a patas de barata, a vomitar, a cheiros, festa, a lugar fechado, a Ano-Novo.

DESNORTE

Uma rapariga em busca da própria voz. Um homem lançado nas curvas do tempo até à pré-história do amor. Um pai criando um mar de livros através do qual a filha possa voltar para ele. Uma família polindo os caixões dos seus mortos. Uma amiga leve e voadora como um balão. Uma mulher que queria ser águia. Um casal de jovens que se encontra para se suicidar. Uma obsessão erótica. Uma paixão fatal. O que fazem os escritores de festival em festival. Um escritor ansioso por se tornar rico e famoso. Um cantor sentado numa nuvem, esperando por uma fadista. Um avião cheio de personagens literárias, com uma bomba a bordo. Um homem que regressa à sua ilha e descobre o mistério da infância.

Quais os livros favoritos dos escritores quando eram crianças?

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Onze autores brasileiros contemporâneos revelam de qual leitura de infância eles se lembram com mais carinho

Ruan de Sousa Gabriel, na Época

Qual o melhor livro que você leu na infância? Foi O Pequeno Príncipe? Ou Um dono para Buscapé? Ou será que foi um do Monteiro Lobato ou da Maria José Dupré? Não há quem não guarde com carinho lembrança de uma história que leu ainda pequeno e que, por meio de ilustrações ou versos, ensinou uma ou outra lição sobre o mundo, que parecia tão grande.

ÉPOCA perguntou para 11 escritores brasileiros qual era o livro favorito deles quando eram crianças. Confira o que eles responderam.

(Spoiler: Os meninos da rua Paulo aparentemente perambulavam por várias cidades)

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(Foto: Francisco Perosa)

 

“Quando eu tinha 11 anos, fui passar três meses na casa de uma família alemã, perto da cidade de Freiburg. Falava um pouco de alemão e lá aprendi mais, o suficiente para me comunicar bem e conseguir seguir as aulas na escola que frequentei nesse período. Era a primeira vez que ficava tanto tempo fora de casa e senti muita falta da minha família. Fiquei macambúzia, triste. O casal que me hospedava conseguiu um livro em português, O boi aruá, de Luís Jardim. Eu não era muito de ler, mas li o livro, que na verdade é um conto grande, e adorei. Minha tristeza sossegou, foi impressionante o efeito da leitura em mim, parece que por estar lendo uma história em português, e numa linguagem coloquial e nordestina, eu me sentia mais perto de casa, na verdade, dentro mesmo de casa. A partir de então, nunca mais deixei de ler. O livro conta a história de um vaqueiro orgulhoso que persegue um boi aruá, grande e forte, sem nunca conseguir apanhá-lo. Por três vezes eles se embrenham na Caatinga, o cavalo do vaqueiro quase se acaba, o homem fica todo lanhado, vozes e barulhos estranhos o atormentam e, do nada, o boi some. É uma história no estilo conto popular, contada por uma velha cozinheira negra e com um final edificante.”

Beatriz Bracher é autora de Antonio e Anatomia do paraíso (Editora 34)

 

(Foto: Julia Moraes)

(Foto: Julia Moraes)

 

“A escola primária onde estudei, no Rio de Janeiro, promovia uma feira do livro todos os anos. As livrarias armavam suas barraquinhas e, na hora do recreio, a gente saía da sala de aula para comprar livros. Houve um ano (acho que foi em 1969, quando eu tinha 8 anos) em que, entre romances de aventura e álbuns de Asterix e Tintim, comprei A mulher que matou os peixes, de Clarice Lispector. É uma história de amor e culpa. Clarice a escreveu como uma forma de se desculpar e de se redimir, depois de ter esquecido de dar comida aos peixes (porque estava escrevendo), enquanto os filhos estavam em férias. No livro, ela conta aos filhos histórias dos animais que ela conheceu ao longo da vida, para provar que não é má pessoa e que ama os animais. É um livro lindo. No ano passado, num festival literário em Córdoba, na Argentina, me pediram para ler uma história que tivesse me marcado na infância. Escolhi A mulher que matou os peixes e, antes de terminar, já estava às lágrimas.”

Bernardo Carvalho é autor de Nove noites, Reprodução e Simpatia pelo demônio (Companhia das Letras)

 

(Foto: Guilherme Pupo)

(Foto: Guilherme Pupo)

 

“O primeiro livro que li inteiro foi A chave do tamanho, de Monteiro Lobato. Eu morava na Rua Mateus Leme, em Curitiba, portanto foi entre 1961 e 1963 – como nasci em 1952, li este livro entre 9 e 11 anos. Lembro que era um livrão imenso, com poucas gravuras. Comecei a ler sem muita esperança, mas logo a narrativa me agarrou e não parei mais. É uma história de imaginação delirante – a boneca Emília mexe com a ‘chave do tamanho’ e as pessoas todas diminuem de estatura. Ao mesmo tempo, escrito em plena Segunda Guerra Mundial, o livro é uma reflexão humanista sobre as tragédias do mundo que a genialidade de Lobato conseguia colocar ao alcance da inteligência infantil com uma inacreditável clareza e vitalidade. Depois deste livro, nunca mais parei de ler.”

Cristovão Tezza é autor de O filho eterno, Um erro emocional, Beatriz e A tradutora (Record)

 

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

 

“O livro da infância de que nunca me esqueci é Marcelo, marmelo, martelo, de Ruth Rocha. Um menino que não se conforma com o nome das coisas e decide, de maneira ingênua mas engenhosa, renomear tudo – colherinha vira mexedor, leite, suco de vaca, e leiteira, por conseguinte, suco-de-vaqueira – faz o que todos que querem criar usando linguagem têm de fazer: distanciar as palavras de um uso excessivamente convencional e gasto, que pode acabar por emudecê-las. Claro que, na época que li, criança, não pensei em nada disso. Era divertida e ousada essa mania do Marcelo de rebatizar o mundo todo, para loucura dos pais, e só. Livro bom é bem assim mesmo: fala de um modo diferente em tempos diferentes para pessoas diferentes.”

Estevão Azevedo é autor de Nunca o nome do menino (Record) e Tempo de espalhar pedras (Cosac Naify)

 

(Foto: Jorge Bispo)

(Foto: Jorge Bispo)

 

“Este livro alemão de 1979 com mais de 500 páginas é uma das leituras mais memoráveis que guardo da minha infância, um livro de aventura que acaba prestando tributo à própria arte da ficção narrativa. A história começa com um garoto órfão que encontra um livro de fantasia num sebo – um livro chamado A história sem fim, o livro que temos em mãos. Acompanhamos a vida e a leitura de Bastian ao mesmo tempo que também temos (mais…)

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