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Escola acaba com a lição de casa e índice de leitura aumenta

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 Lição de casa possibilita ao aluno desenvolver o hábito e a autonomia para o estudo. Foto: Bigstock

Lição de casa possibilita ao aluno desenvolver o hábito e a autonomia para o estudo. Foto: Bigstock

 

Com apoio de 80% dos pais, medida incentiva os estudantes a lerem, brincarem e “serem crianças” . Especialistas em Educação ponderam a obrigatoriedade das tarefas de casa

Publicado na Gazeta do Povo

É possível acabar com a lição de casa? Uma escola norte-americana está provando que sim – e mais: com apoio dos pais e bons efeitos colaterais. Passados cinco meses do início de uma política que aboliu as tarefas de casa na Orchard Elementary, escola primária localizada no distrito de South Burlington, nos Estados Unidos, os pais dos estudantes relatam que os índices de leitura de seus filhos têm melhorado.

A medida foi tomada antes do início do ano letivo, quando os professores da instituição decidiram, por unanimidade, extinguir o dever de casa dos alunos do jardim de infância até a quinta série. Ao invés disso, no entanto, os estudantes são incentivados a ler, brincar e “serem crianças”. A proposta recebeu o apoio de cerca de 80% dos pais que responderam à pesquisa realizada pela direção da escola.

“Nosso filho está no primeiro ano e, em sua idade, [a lição de casa] é tanto uma tarefa para os pais como para os pequenos. Em vez disso, passamos o tempo lendo, não precisamos nos apressar”, disse Rani Philip, mãe de um estudante, em entrevista ao Burlington Free Press. Outros pais também se mostraram surpresos com a medida de não haver tarefa de casa, mas também afirmaram que seus filhos estão lendo mais.

Especialistas em Educação, no entanto, defendem que a lição de casa é uma oportunidade para a criança complementar os estudos, mas que para isso ela precisa ter seus objetivos bem delimitados. Entre eles estão o de fixar ou dar significado ao conteúdo que foi visto em sala de aula ou desenvolver habilidades cognitivas, por exemplo.

O primeiro aspecto a ser destacado, como lembra Daniele Saheb, doutora em Educação e coordenadora do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), são as diferenças culturais entre os países que têm reflexos diretos sobre seus sistemas de ensino. “Nos Estados Unidos, por exemplo, as crianças passam mais tempo na escola durante o ensino fundamental do que no Brasil, onde o período costuma ser de quatro horas diárias”, pontua.

Neste sentido, uma das principais funções da tarefa de casa é a de possibilitar ao aluno desenvolver o hábito e a autonomia para o estudo, como acrescenta Viviane Stacheski, coordenadora dos cursos de pós-graduação em Educação Infantil, Alfabetização e Letramento do Centro Universitário Internacional Uninter.

“Se a criança não desenvolve isso nas séries iniciais, ficará mais difícil para ela fazê-lo na adolescência, o que poderá acarretar prejuízos a partir do sexto ano, período no qual os alunos passam a ter as disciplinas separadas por aulas [e precisam aprender a organizar os estudos]”, explica.

Preocupação

Mesmo aprovando a medida, muitos pais da Orchard Elementary manifestaram a preocupação de que, sem a lição de casa, seus filhos não desenvolvam habilidades que os auxiliarão a serem bem-sucedidos nos demais anos escolares. Alguns deles, inclusive, esperam que um trabalho adicional seja desenvolvido na quinta série como forma de evitar possíveis prejuízos.

Nem todos os pais, no entanto, concordaram com a extinção da l ição de casa pela escola. A mãe de um estudante contou ao Burlington Free Press que optou por tirar a filha da instituição e a matricular em uma escola na qual a criança tem cerca de 30 minutos de tarefa por noite.
Complemento do estudo

As especialistas lembram que as discussões sobre a necessidade ou não de as crianças levarem tarefas para casa são amplas e envolvem diferentes vertentes, que vão de sua quantidade e objetivo ao papel que a família desempenha junto aos filhos nos momentos em que ele está fora da escola.

Por isso, é necessário que as tarefas sejam bem planejadas pelos professores, de forma que não se tornem muito longas e/ou que os estudantes tenham condições de resolvê-las sozinhos.

“A tarefa não pode ter uma conotação tecnicista, no sentido de simplesmente ocupar o tempo da criança”, orienta Daniele, da PUCPR. Ela acrescenta, ainda, que a aprendizagem não acontece só no período escolar, o que faz com que a participação e o comprometimento da família sejam fundamentais para se garantir a qualidade do tempo que a criança passa fora da escola.

Ministro da Cultura diz que baixo índice de leitura no Brasil ‘é uma vergonha’

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Índice é de 1,7 livro por ano. Para Juca Ferreira, os três pilares da literatura são a família, a escola e a biblioteca

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Publicado em O Globo

Na abertura do Seminário Internacional sobre Política Públicas do Livro e Regulação de Preços, na manhã desta terça-feira, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que o Brasil não dá a importância necessária à leitura e que é uma vergonha nosso índice de livros per capita ano ser de apenas 1,7 por ano. Ele defendeu que seja feita uma campanha de estímulo à leitura semelhante à contra a paralisia infantil.

— É de uma gravidade enorme a questão da leitura. Termos 1,7 livro per capita ano é uma vergonha. É abaixo do índice de leitura de vários países vizinhos com índices de pobreza maior do que o do Brasil. O Brasil, sétima economia do mundo, nunca deu a importância necessária à leitura. É um índice muito baixo para que a gente não fique preocupado, como nação — discursou Juca, emendando um pouco depois:

— Devemos levar a leitura para campanhas semelhantes à do Fome Zero (programa que originou o Bolsa Família) e a da paralisia infantil.

Para Juca, os três pilares da literatura são a família, a escola e a biblioteca. Os três – ou ao menos algum deles – têm que estimular o interesse da criança pelos livros, segundo o ministro. Juca lembrou que as histórias em quadrinho despertaram nele a curiosidade por esse mundo. E contou que seu primeiro livro foi dado a ele por “Papai Noel” e foi Robson Crusoé, traduzido por Monteiro Lobato.

— A leitura tem que ser apresentada como algo prazeroso, das crianças terem curiosidade por saberem que dali vai sair algo interessante — afirmou.

Juca disse que quando foi secretário municipal de Cultura de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad, ficou chocado ao ser informado por um colega de que dos 12 milhões de moradores da capital paulista, 5 milhões são analfabetos funcionais, ou seja: sabem ler, mas não captam integralmente o teor do que leem.

— É preciso enfrentar isso. Não podemos encarar isso como um dado normal. Nossa herança histórica não é boa — pontuou.

O ministro defendeu ainda que haja um melhor ambiente regulatório para a cultura, para desestimular o fechamento das livrarias de rua e para impedir que autores e compositores brasileiros deixem de receber direitos autorais.

Na mesa de debates, estava o secretário-executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa e na plateia, o senador Cristovam Buarque, que ao ter o direito à palavra disse que parte das desigualdades sociais se devem ao fato de os municípios serem desiguais e oferecerem diferentes níveis de qualidade educacional. Sobre isso, Juca disse ver com “simpatia” a ideia da federalização da educação básica.

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