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Posts tagged infanto-juvenil

Concurso Cultural Literário (136)

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“Um tesouro perdido, agora encontrado… Uma obra-prima.”
Neil Gaiman

“Estas histórias simples refletem emoções profundas e complexas
que não têm paralelo na literatura infantil ou adulta: extremamentenórdica e totalmente universal.”
Philip Pullman

 

  • Série traduzida para 49 idiomas
  • Sucesso em 60 países
  • Pela primeira vez no Brasil
  • Referência literária no norte da Europa e no Japão.
  • Histórias envolventes, que embalam o leitor e o conduzem por um mundo rico de significados, descobertas e reflexões.
  • Em 2017, será inaugurado, no Japão, um novo parque temático dos Moomins.

1266-20150826101125Um cometa na terra dos Moomins e Os Moomins e o chapéu do mago

Tove Jansson (texto), Ana Carolina Oliveira (tradução)

Quando Moomintroll descobre que um cometa vai passar pelo céu, ele e seu amigo, Sniff, vão para o Observatório nas Montanhas Solitárias consultar os professores. Ao longo do caminho, vivem muitas aventuras, correm perigos… ?

Mas a maior aventura de todas os aguarda: eles ficam sabendo que o cometa está se dirigindo para seu amado Vale dos Moomins!

 

 

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Os Moomins e o chapéu do mago

Chegou a primavera no Vale, e os Moomins estão prontos para a aventura! Moomintroll e seus amigos, Snufkin e Sniff, encontram o chapéu de Hobgoblin, uma criatura macabra. O chapéu é novo e brilhante, e está pronto para ser levado para casa. Mas eles logo percebem que aquele não é um chapéu normal: ele pode transformar qualquer coisa ou qualquer um em outra coisa!

E, daí em diante, as aventuras malucas se sucedem, trazendo consigo grandes descobertas.

 

***

Em parceria com a Autêntica, vamos sortear 3 kits com os dois livros de Tove Jansson: “Um cometa na terra dos Moomins” e “Os Moomins e o chapéu do mago“. As obras são recomendadas para crianças a partir de 8 anos.

Para concorrer, basta dizer na área de comentários o nome da criança que você pretende presentear com esses superlivros. Certamente essa iniciativa vai ajudar a despertar nela o saudável e necessário hábito da leitura. 🙂

Se participar via Facebook, por favor deixe seu e-mail de contato.

Para ficar sempre por dentro das novidades e promoções, sugerimos que curta as páginas dos envolvidos neste concurso cultural:

O resultado será divulgado em 01/10 neste post.

 

Atenção para as ganhadoras: Lia Noronha, Ariane Soriano e Dilma Fernandes.

 

Jack, o estripador em Nova York

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Cristine Tellier, no Cafeína Literária

Jack, o estripador em Nova York – 1895, um jovem detetive no encalço do serial killer mais famoso da história
Stefan Petrucha

Carver Young sonha ser um detetive, apesar de ter crescido num orfanato, tendo apenas romances policiais e a habilidade de abrir fechaduras para estimulá-lo. Entretanto, ao ser adotado pelo detetive Hawking, da mundialmente famosa Agência Pinkerton, Carver não só tem a chance de encontrar seu pai biológico como também se vê bem no meio de uma investigação de verdade, no encalço do cruel serial killer que está deixando Nova York em pânico total. Mas quando o caso começa a ser desvendado, a situação fica pior do que ele poderia imaginar, e sua relação com o senhor Hawking e com os detetives da Nova Pinkerton entra em risco. À medida que mais corpos aparecem e a investigação ganha contornos inquietantes, Carver precisa decidir: de que lado realmente está? Com diálogos brilhantes, engenhocas retrofuturistas e a participação de Teddy Roosevelt, comissário da polícia de Nova York que viria a ser presidente dos Estados Unidos, Jack, o Estripador em Nova York desafiará tudo o que você pensava saber sobre o assassino mais famoso do mundo. E o deixará sem fôlego!
(fonte: http://grupoautentica.com.br/vestigio/)

jack o estripador em ny

Stefan Petrucha, conhecido por ser autor de alguns episódios de X-Files, Nancy Drew e várias HQs de horror e sci-fi, estreia na literatura YA policial, ou de mistério. E esta sua primeira incursão é bastante bem-sucedida. Construiu um universo que flerta com o steampunk – repleto de gadgets, engenhocas, segredos e conspirações.

Se, por um lado, os gadgets são um atrativo, por outro, causam certa estranheza a qualquer leitor um pouco mais observador e com um mínimo de conhecimento de histórias das invenções. Vários instrumentos e máquinas descritos no livro são incrivelmente modernos para a época em que se passa a história – por volta de 1890. Desde elevadores pneumáticos até carros elétricos, passando por máquinas analíticas (um simulacro da máquina diferencial de Babbage), pistolas automáticas e sistemas de tubulação de voz. Apesar da suspensão de descrença, em vários momentos parei a leitura, pensando: “A tecnologia da época não era tão evoluída a ponto de conseguir fabricar algo assim!”. Há quem não se importe com isso, mas há leitores (eu me incluo) que preferem que haja coerência “tecnológica”. Mas o próprio autor se redime desses deslizes. Há um pequeno glossário no final do livro, em que Petrucha explica que – sim, eu estava certa – algumas traquitanas não seriam concebíveis na época, mas que não pode resistir à vontade de usá-las.

O ritmo da narrativa é bastante cinematográfico. Capítulos curtos, tal qual um filme de ação/aventura com vários cortes. Mas sem exageros, está longe da edição nervosa de Michael Bay. Alguns cliffhangers poderiam ter sido melhor planejados, pois alguns capítulos parecem ter sido meramente interrompidos para não excederem a média de páginas – de 3 a 5 cada um. Não chega a ser um problema, mas irrita um pouco.

stefan petrucha

Stefan Petrucha (www.petrucha.com)

Os personagens são bem construídos e bem desenvolvidos enquanto a trama avança. O trio central – Carver, Delia e Finn – não conquistam o leitor logo no início. Não são particularmente “gostáveis” à primeira vista. Mas, aos poucos, o equilíbrio entre qualidades e defeitos faz o leitor ver o quanto são verossímeis, ou seja, “gente como a gente”, fazendo-nos ficar mais interessados no destino deles e no sucesso de sua empreitada. Há um ponto incômodo com relação a eles: os diálogos. Ok, é um YA. OK, os três adolescentes passaram quase toda a vida em orfanatos. Mas em muitos trechos, a linguagem está modernosa demais, informal demais personagens que vivem no final do século XIX. Não atrapalha, mas destoa do universo criado pelo autor.

Para leitores vorazes de histórias policiais e similares, a história apresenta um ponto positivo e um negativo.

O positivo é a quantidade enorme de referências, incluindo citações diretas, a outras obras famosas do gênero – não apenas literárias, mas de outras mídias também. Logo de cara, o leitor fica sabendo que o jovem Carver é fã de Sherlock Holmes, Allan Quatermain e Nick Neverseen – é divertido ver seu mentor, Hawking, debochando das aventuras dos personagens, enfatizando que o trabalho do detetive não se resume às (aparentes) epifanias que levam à solução de um mistério.

E as referências não param:

Entrar na agência – no caso, a Nova Pinkerton – por um elevador ⇨ Agente 86

“Maravilhado, Carver olhava ao redor no cubículo apertado.
Hawking deu de ombros.
– Você nunca entrou num elevador?”
(p.39)

Um vagão de trem recondicionado, utilizado pelos personagens, cheio de bugigangas ⇨ James West

“Contudo, o mais interessante era o vagão de trem estacionado sob a escadaria dupla. O alto cilindro metálico com janelas ovais dos dois lados da porta diferia de tudo o que Carver já vira ou lera a respeito. Havia apenas o vagão, nenhuma locomotiva.”
(p.40)

Quem tiver paciência, conseguirá listar muitas mais.

O ponto negativo é a simplicidade dos mistérios. Sim, há mais de um. Um de resolução mais simples do que o outro, mas mesmo assim, pouco complexos. Talvez, fãs de literatura policial veteranos, não se se sintam suficientemente desafiados pela leitura. Mas a proposta do livro não é essa, certo? É uma aventura infanto-juvenil, em que o enfoque não é o uso intenso da lógica para a resolução do(s) mistério(s). E, naquilo que se propõe, cumpre muito bem seu papel.

Para quem (como eu) amplificou o amor aos livros lendo Marcos Rey, Stella Carr, Agatha Christie e Conan Doyle, o livro traz de volta aquela sensação boa de varar a noite lendo para saber logo como termina.

Vale um Capuccino

Leia aqui uma amostra do livro.

Terror também é coisa de criança: Neil Gaiman reimagina “João e Maria” em graphic novel sombria

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Jessica Soares, no Cultura

A história dos irmãos João e Maria – que se perdem na floresta e quase vão parar no forno de uma bruxa diabética má que vive em uma casa coberta de doces – sempre teve contornos assustadores. E, no que depender de Neil Gaiman, o conto do século 19 vai continuar encantando e amedrontando criancinhas por muito tempo. Mais de uma década depois de lançar a premiada história de Coraline, o escritor resolveu mergulhar e recontar a história registrada pelos Irmãos Grimm.

Lançado em outubro nos Estados Unidos (e ainda sem tradução para o português), a obra foi ilustrada pelo artista gráfico e cartunista italiano Lorenzo Mattotti. Juntos, os artistas resgataram os sentimentos de horror e fascinação que sentiram na infância ao conhecerem o conto para dar novo corpo à tradicional história de bravura e inteligência.

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Apesar da dificuldade de se publicar livros voltados para o público infanto-juvenil que flertam com o terror, Gaiman defende a importância de se apresentar às crianças temáticas assustadoras. “Eu acho que se você é sempre protegido das coisas sombrias você não tem como se proteger, conhecer ou compreender as coisas obscuras quando elas aparecem. Eu acho que é realmente importante mostrar o sombrio para as crianças e, nesse processo, mostrar também que essas coisas podem ser derrotadas, que você tem o poder. Diga-lhes que você pode lutar. Diga-lhes que você pode ganhar. Porque você pode, mas você tem que saber isso”, afirma o autor.

Sem fazer diferenciações entre a escrita voltada para o público adulto ou infantil (uma classificação que J.R.R. Tolkien também considerava arbitrária), Gaiman acredita (e faz valer em suas obras) na potência das narrativas assustadoras. “Nós contamos histórias sobre o desconhecido, sobre a vida além-túmulo, há um longo tempo; histórias que fazem arrepiar a pele, que tornam as sombras mais profundas e, mais importante, lembram-nos que vivemos, e que há algo de especial, algo único e extraordinário sobre estar vivo. O medo é uma coisa maravilhosa, em pequenas doses”, disse Gaiman em palestra do TED organizada em Vancouver.  Vindo do autor que nos presenteou com obras como Sandman, é difícil discordar.

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Em breve, em um cinema perto de você

Como a indústria cinematográfica não perde tempo, em setembro, um mês antes do lançamento da graphic novel, uma adaptação da releitura de Gaiman para o clássico dos irmãos Grimm já estava garantida. Juliet Blake adquiriu os direitos autorais da história e pretende levar uma versão em live action dos sombrios traços de Lorenzo Mattotti para as telonas.

Apesar de ser muito cedo para saber detalhes da produção, o selo Neil Gaiman de garantia ® assegura que o novo longa-metragem deve se parecer bem pouco com a última encarnação cinematográfica dos famosos irmãos da literatura. “Para mim, recontar ‘João e Maria’ foi uma maneira de recriar um conto antigo de uma forma que a tornasse imediata e verdadeira, e sobre nós, agora”, disse Gaiman. “Ele [o conto] nos lembra o quão frágil a civilização realmente é. Trata de fome e de famílias”, afirmou o autor em entrevista à Variety.

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O que os heróis da literatura infanto-juvenil podem ensinar para a sua carreira

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Livros para crianças e adolescentes estão recheados de ensinamentos válidos também para a vida profissional

Isabella Carrera, na Época

Uma pesquisa divulgada recentemente na publicação científica Journal of Applied Social Psychology constatou que leitores da série juvenil Harry Potter melhoraram, por meio dos livros, suas percepções sobre grupos estigmatizados. O estudo abordou crianças e adolescentes antes e depois da leitura da obra. Os resultados indicaram que aqueles que compreendiam a representação de fanatismo e preconceito nos textos de J. K. Rowling adquiriram uma visão mais tolerante em relação a imigrantes e refugiados, enquanto quem se identificou emocionalmente com Harry demonstrou uma percepção positiva sobre integrantes do grupo LGBT.

A pesquisa foi feita mostrando o efeito do herói juvenil sobre crianças e adolescentes, mas as lições aprendidas com essas histórias não servem só aos menores. Mensagens sobre amor, respeito e inspiração são aplicáveis a qualquer faixa etária. Inspirados pelo estudo sobre Harry Potter, elaboramos uma lista com outros personagens infanto-juvenis e o que eles têm a nos ensinar para a vida profissional.

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PARA QUEM BUSCA MUDANÇAS NA CARREIRA (OU DE CARREIRA)

1O Hobbit

Saia da zona de conforto e siga uma aventura

Bilbo Bolseiro é um hobbit – criatura que, por definição, é acomodada, adora hábitos e odeia sair de casa. Quando o mago Gandalf bate à sua porta um dia e convida-o para uma missão arriscada, ao lado de desconhecidos e passando por territórios perigosos, Bilbo entra em contato com um lado seu que não conhecia: a coragem de mergulhar em uma aventura inesperada e fazer de tudo para ajudar seus amigos.

PARA QUEM ANDA ESTRESSADO

1O incrível Hulk

Controle o lado emocional em momentos de estresse

As HQs de O Incrível Hulk contam a transformação do cientista Dr. Robert Bruce Banner. Depois de ser submetido a radiação enquanto salvava um adolescente em um teste de uma bomba militar, acaba ganhando uma “segunda personalidade”: o Hulk. Obscura e agressiva, ela só emerge em situações de fúria. Para seguir com uma vida normal, Banner precisa aprender a se manter calmo e controlar suas emoções.

PARA QUEM PRECISA PÔR OS PÉS NO CHÃO

1Peter Pan

Amadureça sem perder a inocência e doçura

Um dos heróis infantis mais famosos, Peter Pan é um menino que nunca cresce. Ele vive na ilha mágica da Terra do Nunca com um grupo de amigos, chamados Garotos Perdidos. Lá, eles não têm responsabilidades e passam o dia com sereias, piratas e fadas. Mas quando Peter Pan conhece os três irmãos Wendy, John e Michael, ele começa a refletir sobre o que é ser adulto.

PARA QUEM ANDA POUCO CRIATIVO

1Calvin e Haroldo

Relaxe, solte sua imaginação e divirta-se

O protagonista dessa clássica tirinha é um garoto loiro, de cabelo espetado e muito atrevido. Adora fazer perguntas aos pais e aprontar pela cidade ao lado do seu tigre de pelúcia Haroldo – quem, com a ajuda da imaginação, vira um melhor amigo e fiel escudeiro. Andar de trenó, deitar nas folhas secas, fazer guerra de bolas de neve … Calvin tem a infância despreocupada e junto à natureza que todos nós queríamos ter. Por isso, a cada quadrinho, o leitor se lembra de parar, esquecer os problemas e curtir mais o dia.

PARA QUEM ESTÁ SE SENTINDO BOICOTADO

1As vantagens de ser invisível

Todos passam por problemas e o apoio dos colegas é fundamental

O protagonista Charlie, um garoto sensível de quinze anos, está no primeiro ano do colegial. Ele tenta superar dois eventos traumáticos – o suicídio de seu irmão Michael e a morte de sua tia Helen. Enquanto busca sentido nas duas tragédias, Charlie conhece Mary Elizabeth, Sam e Patrick. Cada um dos três colegas também passa por problemas pessoais e, juntos, eles se sentem felizes e confortáveis para mostrar sua verdadeira identidade, ser quem quiserem ser.

PARA QUEM ANDA TRABALHANDO DEMAIS

1Onde vivem os monstros

Não se esqueça de sua vida pessoal

Com um enredo lúdico, Onde vivem os monstros conta a história de Max, um menino arteiro que, ao se irritar por levar uma bronca de mãe, foge de casa em um barquinho e chega sem querer em uma ilha. Nela, moram criaturas mágicas, que o coroam rei e conversam com ele sobre saudades, ter um lar e amar a família.

PARA QUEM ESTÁ QUASE DESISTINDO DE LUTAR

1Jogos vorazes

Tenha senso crítico e lute pelo que você acredita

Em um dos mais recentes fenômenos teens, Katnis Everdeen e Peeta Mellark vivem em uma comunidade que há anos se encontra sob a ditadura d’ O Capital. Esse governo promove os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show em que crianças devem lutar entre si, matando seus oponentes para conseguir sobreviver. Katnis e Peeta reconhecem o abuso de poder por parte do presidente Snow e têm coragem de se posicionar contra ele, mesmo sabendo o risco que eles correm ao fazê-lo.

PARA QUEM É MUITO RACIONAL

1O maravilhoso feiticeiro de Oz

Siga o seu coração

A obra de L. Frank Baum, eternizada pela versão cinematográfica com Judy Garland, mostra a garotinha Dorothy sendo levada por uma ventania sua fazenda no Kansas para o mundo mágico de Oz. Procurando o que é preciso para voltar para casa, ela descobre que, na verdade, sempre teve em si mesma o potencial para alcançar o que quisesse.

PARA QUEMESTÁ PRECISANDO ENGAJAR A EQUIPE

1Mary Poppins

Obrigações não precisam ser chatas

Mary Poppins é a governanta mais simpática da literatura. Ela é exigente, mas gentil. Ordena às crianças a arrumação da cama e o horário do banho, mas transforma cada tarefa em uma festa. Cobrar e organizar a equipe não significa ser um carrasco!

PARA QUEM PRECISA TRABALHAR EM EQUIPE

1Desventuras em série

Para superar crises, é preciso se unir

A saga literária começa quando os irmãos Klaus, Sunny e Violet Baudelaire perdem os pais em um incêndio e são obrigados a viver com o terrível Conde Olaf, homem interessado apenas em herdar a fortuna da família. Unidos, os três órfãos fazem de tudo para escapar das más intenções do novo tutor e lidar com a perda de seus parentes.

10 Citações de O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Gaiman é um dos mais aclamados e surpreendentes escritores contemporâneos. Seus livros, geralmente conhecidos por serem supostamente dirigidos ao público infanto-juvenil, trazem universos fantásticos, tais como Coraline, Stardust, O Livro do Cemitério e a saga de quadrinhos Sandman. Porém, mais recentemente, o autor lançou um livro que, assim como toda a sua obra, é um conto de fantasia que, apesar de parecer à primeira vista infanto-juvenil, por contar sobre a infância de seu narrador – incluindo diversos elementos fantásticos – é sobre muito mais que isso.

Nesta obra para todas as idades (pessoalmente, o vejo como sendo mais adulto do que infantil, mas é também encantador para ser lido por leitores mais jovens), Gaiman traz, neste curto livro, profundas reflexões sobre o sentido da vida e da arte, sobre a transição entre infância e a fase adulta, a importância da literatura e sobre o conhecimento de si mesmo e do mundo, como um infinito oceano transposto em um pequeno lago. As metáforas brilhantes do livro são apenas a superfície da complexidade e lirismo contido nesta obra inovadora de Gaiman. O livro contém tantas citações inspiradoras que é difícil escolher apenas dez, mas aqui está uma seleção de dez citações de O Oceano no Fim do Caminho. Mergulhe nesta lista e comente quais as suas citações preferidas, caso não estejam listadas aqui.

“I make art. Sometimes I make true art. And, sometimes, it fills the empty places in my life. Some of them. Not all.”

“Eu crio arte. Às vezes, arte verdadeira. E, às vezes, isso preenche os espaços vazios na minha vida. Alguns deles. Não todos.”

Nesta passagem, logo no início do livro, o narrador reflete sobre a importância da arte em sua vida. Para quem já assistiu o discurso de Gaiman sobre arte, isso faz mais sentido ainda. Se ainda não o assistiu, assista!

“I lay in bed and lost myself in stories. I like that. Books are safer than other people anyway.”

“Deito-me na cama e me perco em histórias. Gosto disso. Os livros são mais seguros do que as outras pessoas mesmo.”

Aqui, vemos uns dos trechos do livro com uma das mais interessantes reflexões sobre a importância da literatura, assim como uma das passagens mais citadas desta obra.

“I lived in books more than I lived anywhere else.”

“Vivia em livros mais do que em qualquer outro lugar.”

Outra passagem marcada pela paixão pela literatura do narrador. Algo que leitores de Gaiman – e leitores e geral – podem vir a se identificar.

“Small children believe themselves to be gods, or some of them do, and they can only be satisfied when the rest of the world goes along with their way of seeing things.”

“Crianças pequenas acreditam que são deuses, ou algumas delas acreditam, e só podem se satisfazer quando o resto do mundo concorda com o seu jeito de ver as coisas.”

Este é um dos trechos nos quais Gaiman denota a diferença entre crianças e adultos, mostrando a visão de dominar o mundo que uma criança pode ter (e geralmente tem).

“Adults follow paths. Children explore.”

“Adultos seguem caminhos. Crianças exploram.”

Outro trecho brilhante onde vemos a visão de Gaiman da infância como uma época de descoberta do mundo, pois crianças, que tendem a ser mais originais e verdadeiras, exploram em vez de seguir caminhos já traçados, pois, diferentemente dos adultos, não estão cansadas do mundo ou acostumadas a uma rotina redundante.

“I went away in my head, into a book. That was where I went whenever real life was too hard or too inflexible.”

“Fui para longe na minha cabeça, em um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou inflexível.”

Mais uma passagem que demonstra a importância da leitura.

“Nobody actually looks like what they are on the inside. You don’t, I don’t. People are much more complicated than that.”

“Ninguém se parece de verdade com que é por dentro. Você não se parece, nem eu. As pessoas são muito mais complicadas do que isso.”

Neste trecho, Lettie Hampstock, a amiga do protagonista, o explica que a humanidade é mais complexa do que pode aparentar.

“Grown-ups don’t look like grown-ups on the inside either. Outside, they’re big and thoughtless and they always know what they are doing. Inside, they look just like they always have. The truth is, there aren’t any grown-ups. Not one, in the whole wide world.”

“Adultos não parecem com adultos por dentro também. Por fora, são grandes e descuidados e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, parecem com quem sempre foram. A verdade é que não existem adultos. Nenhum nesse mundo inteiro.”

Esta é uma das passagens onde um dos importantes aspectos desta obra é mais enfatizado: a diferença entre crianças e adultos e a passagem para a fase adulta – revelando que, na verdade, adultos são apenas crianças que cresceram, mas continuam os mesmos.

“You don’t pass or fail at being a person, dear.”

“Você não é aprovado ou reprovado em ser uma pessoa, querido.”

Aqui vemos a sabedoria da avó de Lettie Hampstock, mostrando ao protagonista que ser uma pessoa é muito mais do que uma simples prova.

“How can you be happy in this world? You have a hole in your heart. You have a gateway inside you to lands beyond the world you know. They will call you, as you grow. There can never be a time when you forget them, when you are not, in your heart, questioning after something you cannot have, something you cannot properly ever imagine, the lack of which will spoil your sleep and your day and your life, until you close your eyes for the final time, until your loved ones give you poison and sell you to anatomy, and even then you will die with a hole inside you, and you will wail and curse at a life ill-lived.”

“Como você pode ser feliz nesse mundo? Você tem um buraco no seu coração. Um caminho dentro de você para terras além do mundo que você conhece. Esses caminhos vão te chamar, no decorrer da sua vida. Nunca haverá um segundo no qual você conseguirá esquecê-los, no qual você não estará procurando por algo que não pode ter, algo que você não consegue sequer imaginar direito, e a falta disto irá arruinar o seu sono e o seu dia e a sua vida, até que você feche os olhos pela última vez, até que os seus entes queridos lhe dêem veneno e o vendam para anatomia, e ainda assim você morrerá com um buraco dentro de você, e você irá lamentar-se e praguejar por uma vida mal vivida.”

Este é um dos mais profundos e interessantes trechos desta obra. Aqui, Gaiman reflete sobre a sobrevivência no mundo quando se tem uma ânsia por algo mais, por encontrar algo, algum caminho, que se desconhece – caminho este que muitos percorrem através da arte.

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