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Historiador francês vem à USP para debate sobre o medo dos livros

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Em evento no Instituto de Estudos Avançados, Jean-Yves Mollier vai abordar o poder político da literatura

Diego C. Smirne, no Jornal da USP

Há quem considere o advento da escrita como o maior divisor de águas da história da humanidade. Tomando essa premissa como verdadeira, não é surpresa que certos livros, em razão de seu poder de moldar a sociedade, tenham inspirado medo a ponto de serem censurados, banidos ou destruídos. A partir da pergunta “Quem tem medo dos livros?”, o historiador francês Jean-Yves Mollier vem à USP para uma conferência no Instituto de Estudos Avançados (IEA), coordenada pela professora Marisa Midori Deaecto, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. O evento é nesta quinta-feira, dia 17, às 10h30, na Sala de Eventos do IEA.

O medo foi o tema escolhido pela rede internacional Ubias (University-based Institutes for Advanced Study) para ser debatido neste ano em diversas áreas do conhecimento. A escolha veio a calhar para a professora Midori e o professor Mollier, da Universidade de Versalhes Saint-Quentin-en-Yvelines, na França, que já conversavam sobre a ideia de discutir o medo dentro e ao redor dos livros.

“Em 2016 a obra Mein Kampf, de Hitler, caiu em domínio público, o que gerou discussões em torno de sua republicação na França, na Alemanha e em outros países, o que nos deu a ideia para o debate. De fato, Mein Kampf é um livro que se enquadra bem no que queríamos discutir, pois há medo em torno do que essa obra simboliza e também do que é pregado dentro dela”, explica a professora.

A partir de uma introdução em que a professora Midori apresentará algumas questões para o público e para o conferencista, o professor Mollier deverá traçar um panorama histórico da relação de poder e medo em torno dos livros. Para isso, abordará momentos da história em que o livro foi tido como uma ferramenta maligna por instituições como a Igreja Católica – como a época da publicação do Index Librorum Proibitorum, que entre 1559 e 1966 listava obras de leitura proibida aos fiéis – e outros em que o livro foi importante para mudanças políticas.

O historiador francês Jean-Yves Mollier: censura a livros ao longo da história será destaque em sua palestra – Foto: Marcos Santos

O historiador francês Jean-Yves Mollier: censura a livros ao longo da história será destaque em sua palestra – Foto: Marcos Santos

“Jean-Paul Marat costumava ler em praça pública a obra O Contrato Social, de Rousseau, no período da Revolução Francesa. Na França, o livro sempre teve um papel revolucionário muito forte. O professor Mollier certamente falará bastante sobre esse tema, além de censuras que aconteceram mais adiante, nos séculos 19 e 20, em reações da Igreja à laicização do ensino, de uma perspectiva francesa e europeia”, diz a professora Marisa.

“Vamos abordar também o papel do livro em movimentos políticos recentes, como na Primavera Árabe e nas Jornadas de Junho, aqui no Brasil, em que havia jovens empunhando livros nas manifestações. O livro tem um fator simbólico muito importante nesses episódios, e sempre teve muita influência nas lutas da juventude.”

Por esse motivo, a professora afirma que, embora hoje em dia não haja uma censura explícita, o medo do poder político e revolucionário que os livros possuem ainda persiste. É o caso com Mein Kampf, em que Hitler estabeleceu seu ideário de genocídio e dominação. “Há muito medo de que a reedição de Mein Kampf possa servir de impulso para a xenofobia e o ódio que o livro prega, especialmente no momento histórico que vivemos hoje”, diz a professora.

Para ela, porém, a censura nunca é solução. “Sou contra a censura a qualquer livro, a qualquer coisa na verdade. Se decidirem por reeditar o livro, apoio que isso seja feito com o devido debate, com a contextualização de quem foi o autor, em qual momento ele escreveu suas ideias e os horrores que foram causados pela aplicação delas. É o debate que pode enfraquecer o poder de um livro, não a censura.”

Marisa lembra ainda que hoje, com a internet, é muito mais difícil impedir o acesso a qualquer tipo de material, o que permite que uma obra como a do ditador nazista seja divulgada sem as considerações necessárias. Isso, no entanto, não quer dizer que a censura esteja com os dias contados.

“Não temos hoje exemplos de censura explícita por parte de governos ou instituições religiosas, como aconteceu diversas vezes na história, mas há uma espécie de censura velada por parte do mercado editorial, que hoje opera pela lógica do lucro, chefiado por profissionais que são mais gestores do que editores”, afirma. Segundo a professora, os grandes conglomerados editoriais e os vínculos que estabelecem com livrarias e meios de comunicação e difusão de conhecimento acabam limitando o acesso a determinados livros.

“O leitor passivo só lerá aquilo que lhe for disponibilizado, como acontece com quem assiste a telejornais ou lê jornais e revistas impressas. Para encontrar outras visões que não a hegemônica, é preciso ir atrás delas. Assim, somente um público restrito tem contato com títulos importantes que questionam problemas do mundo atual e que teriam o poder de provocar mudanças, mas que, por não serem publicadas pelas grandes editoras, circulam apenas à margem.”

“A internet tem a capacidade de publicizar e divulgar esse tipo de obra, mas somente para quem procurar por ele. Hoje, o mercado editorial acaba ditando o que é a boa leitura, de maneira semelhante ao que a Igreja fazia tempos atrás”, completa a professora.

A conferência Quem tem medo dos livros?, com o historiador francês Jean-Yves Mollier e coordenação da professora da ECA Marisa Midori, ocorre na quinta-feira, dia 17 de agosto, às 10h30, na Sala de Eventos do IEA. O endereço é rua da Praça do Relógio, 109, no 5º andar do Bloco K, na Cidade Universitária. O evento é público e gratuito, mediante inscrição prévia neste formulário, e terá tradução simultânea do francês para o português e transmissão ao vivo pelo site www.iea.usp.br/aovivo.

Enem 2017 será em dois domingos seguidos de novembro

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Novo Enem deixa de ser realizado no sábado. (Foto: Graziele Frederico/G1)

Novo Enem deixa de ser realizado no sábado. (Foto: Graziele Frederico/G1)

Exame deixará de ser aplicado aos sábados. MEC ampliou possibilidade de isenção de taxa, vai personalizar cadernos e eliminar ‘ranking’ de escolas.

Graziele Frederico, no G1

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 será realizado em dois domingos consecutivos: 5 e 12 de novembro. No ano passado, a prova foi aplicada em um fim de semana (sábado e domingo, 5 e 6 de novembro). A modificação integra uma lista de novidades divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (9).

As demais mudanças foram:

*Primeiro domingo terá linguagens, ciências humanas e redação, com cinco horas e meia de prova; no segundo, matemática e ciências da natureza, com quatro horas e meia de prova
*Cadernos de prova serão personalizados, com nome e número de inscrição na capa e cartão de respostas
*Passam a ser isentos da taxa de inscrição também aqueles que tiverem cadastro no CadÚnico (que reúne famílias de baixa renda)
*Não serão divulgados dados do Enem por escola
*Isentos do pagamento da inscrição que não comparecem perdem direito ao benefício no ano seguinte se a ausência não for justificada
*Enem não valerá como certificado do ensino médio
*Solicitação de tempo adicional para atendimento especial deve ser solicitada na inscrição
*MEC diz que estudantes recusaram, em consulta pública, possibilidade de fazer a prova no computador

A decisão de alterar o esquema de datas do Enem foi tomada após a realização da consulta pública sobre o exame, entre os dias 18 de janeiro e 17 de fevereiro. Dos mais de 600 mil participantes, 63,70% votaram que o Enem deveria ocorrer em dois dias e 36,30% opinaram que deveria ser aplicado em um dia só.

Em seguida, aqueles que participaram da consulta pública tiveram de responder à seguinte questão: “Caso o exame continue sendo aplicado em dois dias, qual formato deverá ser realizado?”.

A maior parte (42,30%) optou que ele ocorresse em dois domingos seguidos – por isso, o MEC implementou a mudança.

Em segundo lugar, ficou a opção de um domingo e uma segunda-feira (que se tornaria feriado escolar), votada por 34,10% dos participantes. Por último, restou a alternativa de manter-se o esquema até então vigente, de sábado e domingo, com 23,60% dos votos.

Sabatistas

Uma das consequências da realização do exame somente aos domingos é atender uma antiga reclamação dos candidatos sabatistas – por causa da religião, eles só podem estudar ou trabalhar aos sábados após o sol se pôr.

Consequentemente, todos os anos, eles entram no local de prova às 13h (horário de Brasília) e ficam isolados em uma sala até as 19h, quando começam o exame. No Acre, por exemplo, por causa do fuso horário, o tempo de espera é de 9 horas.

De acordo com o Inep, isso faz com que cada candidato sabatista custe para o governo R$ 16,39 a mais do que os demais participantes, devido às despesas extras trazidas pela aplicação do exame à noite no sábado. No Enem 2016, os 76 mil sabatistas que fizeram a prova acarretaram um gasto de aproximadamente R$ 646 mil.

Redação muda de data

O MEC não mudou total de questões ou qualquer item de conteúdo, mas mudou o dia da prova de redação. Antes, a redação era cobrada no segundo dia, junto com as 45 questões de matemática e as 45 de linguagens. Na configuração anterior, nesse dia os alunos tinham cinco horas e meia de prazo.

Agora, redação, linguagens e ciências humanas serão os temas do primeiro domingo. Com a alteração, o primeiro dia de provas passa a ter duração de cinco horas e meia de prova. Uma semana depois será feita a prova de matemática e ciências da natureza, com quatro horas e meia para realização.

A diagramação das provas também será alterada, buscando uma apresentação “mais amigável”, segundo o Inep.

Inscrições

As inscrições para o Enem 2017 ficarão abertas entre os dias 8 e 19 de maio de 2017. O edital com mais informações sobre o exame será publicado até o dia 10 de abril, segundo o MEC.

Isenção da taxa de inscrição

De acordo com a pasta, continuarão isentos da taxa de inscrição os concluintes do ensino médio de escolas públicas, os candidatos com renda familiar per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio e aqueles que cursaram o ensino médio completo em escola da rede pública ou como bolsista integral de escola privada.

A novidade do Enem 2017 é que passam a ser isentos também aqueles que tiverem cadastro no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal), que reúne famílias em situação de pobreza e pobreza extrema. Para comprovar o dado, o candidato deverá informar, no ato da inscrição, o NIS (número de identificação social) – o sistema permitirá a busca automática.

Data do resultado

Os resultados do Enem 2017 serão divulgados em 19 de janeiro de 2018. Os candidatos continuarão podendo acessar o resultado por área de conhecimento e o desempenho individual.

Fim do ‘ranking’ do Enem por escola

O MEC também decidiu que não haverá mais o resultado do Enem por escola – dado que costuma ser disponibilizado anualmente. A lista é popularmente conhecida como “ranking” do Enem por escolas.

Sobre a exclusão desse dado, a presidente do INEP Maria Inês Fini afirmou que a mudança é uma reivindicação antiga dos especialistas em educação. “O Enem não avalia escola, avalia o estudante e isso é só um dos muitos indicadores para poder avaliar uma escola”.

Ainda sobre o cancelamento do resultado por escola o ministro da Educação, Mendonça Filho afirmou que “o ranking das escolas que é utilizado como propaganda, e não é missão do Estado brasileiro estabelecer esse ranking. Produzia um desserviço e uma desinformação. ”

Ausência

O candidato que obtiver a isenção da taxa de inscrição e não comparecer à prova perderá o benefício no Enem 2018, caso queira solicitá-lo novamente. A exceção ocorrerá nos casos em que o indivíduo justificar sua ausência por meio de atestado médico ou documento oficial que comprove a impossibilidade de seu comparecimento. Antes, bastava fazer uma autodeclaração com a justificativa da ausência.

Estrutura da prova e segurança

Os participantes do Enem 2017 receberão cadernos de prova personalizados, com o nome e o número de inscrição escritos na capa, juntamente com os cartões de resposta encartados, que também levam os dados do candidato.

Continuam havendo quatro cadernos diferentes, identificados por cores, para manter a segurança do exame.

Certificação do ensino médio

O MEC já havia informado que o Enem não poderia mais ser usado como certificação do ensino médio. A partir de 2017, os jovens poderão obter o documento pelo Encceja (Exame Nacional de Certificação De Competências de Jovens e Adultos) – tanto para ensino fundamental quanto para ensino médio.

Atendimento especializado

Aqueles candidatos que precisarem de atendimento especializado na prova, como no caso daqueles que têm alguma deficiência, deverão fazer a solicitação de tempo adicional no ato da inscrição, apresentando um documento que comprove a necessidade do benefício.

No Enem 2016, o requerimento era feito nos dias de aplicação do exame – foram 68.907 solicitações na última edição da prova.

Reforma do ensino médio

É importante esclarecer que as mudanças no Enem 2017 não têm relação com a reforma do ensino médio. O MEC lembra que ainda é preciso concluir a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), documento que lista os conteúdos obrigatórios a serem ensinados nas escolas, para que as instituições de ensino tenham tempo de ensinar essas matérias em sala de aula. Só depois é que ocorrerão mudanças no conteúdo do exame.

Prova virtual

Outra questão levantada pela consulta pública diz respeito à realização da prova por computador. O MEC já havia avisado que, caso a mudança fosse aprovada, não seria implementada antes de 2018. Mas os participantes votaram contra a prova virtual: 70,10% disseram não a ela.

Sobre o resultado, o ministro se disse surpreso e afirmou ainda acreditar que a medida será inevitável. “De fato foi uma surpresa, eu imaginava que a maioria indicaria o computador como mecanismo para aplicação da prova e aí contradiz um pouco ou bastante a própria tendência do jovem. De um lado acho que há sempre um receio com relação à segurança, de que o computador poderia facilitar fraudes e, de outra parte, o medo com relação ao novo. O ser humano gosta do novo, mas ele não gosta de ousar. Eu acho que é uma coisa inevitável, não sei em quanto tempo a gente vai conseguir promover essa mudança, mas ela virá”, disse o Mendonça Filho.

Consulta pública

O MEC realizou uma consulta pública sobre o Enem do dia 18 de janeiro até 17 de fevereiro. Os participantes, após preencherem um formulário com nome completo, e-mail e CPF, responderam três questões:

– A primeira questionava se o exame deveria continuar ocorrendo no formato atual, em dois dias, ou se aconteceria em um dia só, com um número reduzido de questões. A intenção, conforme declarado pelo ministro Mendonça Filho, era estudar a possibilidade de haver economia nos custos de segurança e de volume de papel.

Segundo o Inep, especialistas contratados pelo governo garantiram que não haveria redução na qualidade do exame caso ele ficasse concentrado em uma jornada. Em janeiro, o MEC reforçou que não haveria a possibilidade de eliminar a redação do Enem.

– A segunda questão era sobre a possibilidade de aplicação da prova por computador. A pasta afirmou que, caso a mudança fosse aprovada, não seria implementada antes de 2018, por exigir uma nova demanda de infraestrutura e de modificação no sistema de segurança do Enem.

– A última pergunta da consulta pública permitia que o participante escrevesse contribuições para o aprimoramento do exame.

Inep alerta estudantes sobre falsos e-mails do Enem 2015

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O Instituto avisou pelo Twitter que não enviou mensagens sobre recadastramento e alteração de dados da inscrição do Enem 2015

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Publicado em Veja

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou nesta quinta-feira (10) que é falso o e-mail que alguns participantes do Enem 2015 receberam sobre erros na inscrição e avisou que não solicitou recadastramento dos candidatos. O alerta foi feito pelo Twitter do Inep, após a circulação de e-mails que utilizam o nome do Ministério da Educação (MEC).

Em sua página do Twitter, o Instituto pediu que os estudantes ficassem atentos a essas mensagens, pois não foi publicada nenhuma errata sobre erros ou falhas na inscrição do exame deste ano.

Enem – O Enem 2015 teve mais de 7,7 milhões de inscritos para as provas que foram aplicadas nos dias 24 e 25 de outubro. O resultado está previsto para a primeira semana de janeiro de 2016. O gabarito está disponível neste link.

Aos 76 anos, idosa faz Enem pela sétima vez: ‘nunca vou desistir’

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Osmarina Duarte é aposentada e divide os afazeres de casa com os estudos.
Veterana de seis edições do Enem, idosa se mostra otimista para este ano.

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Publicado em G1

Otimismo e persistência não faltam para a aposentada de 76 anos Osmarina Duarte de Sousa, que mora na Zona Sudeste de Teresina. Mesmo depois de participar de seis edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a idosa não desanimou e pela sétima vez vai enfrentar a maratona de provas do exame que será realizada neste fim de semana.

A aposentada que mora no bairro Deus Quer, Zona Sudeste da capital piauiense, esbanja descontração. Ela contou ao G1 que tem feito o que pode para se preparar para o exame. Além das aulas no turno da noite, ela divide os afazeres de casa e aproveita o tempo livre para revisar os conteúdos. É comum, segundo ela, ficar até tarde da noite estudando.

“Nunca vou desistir de estudar. Faço preparatório todos os anos, estudo muito e os professores me ajudam. As pessoas perguntam o que eu ainda estou fazendo na escola, mas a vida é assim não se pode parar de estudar. Acordo de manhã cedo e cuido dos afazeres de casa, depois volto aos estudos. Estudar muito é só o que eu tenho feito”, contou.

Osmarina Duarte foi alfabetizada ainda nos seus 60 anos e vê no Enem uma porta para um futuro melhor. Ela conta que seu sonho sempre foi entrar na faculdade e que não tira da cabeça o desejo e a vontade de ser professora de geografia.

“Eu era analfabeta. Trabalhei por muito tempo na roça com meus pais e não tive tempo para estudar como hoje os jovens têm. Vim morar no Piauí, terminei os estudos e aqui continuo me preparando para o vestibular. Meu sonho é esse, entrar na faculdade, e estou muito confiante de que vou conseguir esse ano, e se conseguir ficarei muito feliz”, disse.

Questionada se sua história de determinação, por estar focada nos estudos, serve de exemplo para outros estudantes, ela foi modesta. Preocupada com candidatos que não tenham dado a importância necessária ao exame, ela aconselha e pede que os estudantes mais jovens aproveitem ao máximo o tempo que tiverem livre.

“Existem muitas pessoas que têm maior facilidade em aprender, tirar boas pontuações no Enem, e passar. Já outras, como eu (risos), têm dificuldade. O tempo e a idade não voltam mais. Quanto mais você puder aproveitar para estudar, melhor. Quando vai passando o tempo você vai perdendo o pique e tudo fica perdido. É preciso que os jovens se preocupem com os estudos”, contou dando conta que não para porque precisa exercitar a mente.

Realização das provas
As provas do Enem acontecem neste fim de semana, no sábado (24) e domingo (25). No primeiro dia, as provas com questões de ciências humanas e ciências da natureza terã duração máxima de 4 horas e 30 minutos. Já no segundo dia, o tempo de duração é de 5 horas e 30 minutos para serem respondidas questões de linguagens, matemática e redação.

O candidato só pode sair do local das provas após duas horas do início do exame. Os candidatos que quiserem levar o caderno de questões para casa tem que esperar até 30 minutos antes do término da prova.

Abertura dos portões
Por conta do horário de verão, no Piauí, os portões dos locais de aplicação das provas serão abertos uma hora mais cedo porque a realização do exame segue o horário de Brasília. Enquanto nos estados que aderiram ao horário de verão os portões se abrem ao meio dia e fecham às 13h, no Piauí os portões serão abertos às 11h e fechados ao meio dia.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) orienta que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora de antedecência e que visitem o local de realização da prova dias antes para que o candidato não perca o caminho.

Cartão de inscrição do candidato
Neste ano o Inep não enviou pelos Correios o cartão de confirmação da inscrição. O acesso ao cartão do candidato está sendo feito através da internet. É através dele que o candidato fica sabendo em qual escola vai fazer o exame.

O cartão deve ser baixado ou consultado diretamente no site do Inep. Segundo o órgão, o cartão não é obrigatório ou requisito para fazer a prova, mas é preciso que o candidato leve anotado dados como o endereço, andar, número da sala e o número do candidato, além dos documentos de identificação.

Documentos obrigatórios
Segundo o edital do Enem, os documentos de identidade previstos são: documento de cédula de identidade (RG) expedida pelas Secretarias de Segurança Pública, pelas Forças Armadas, pela Polícia Militar, e pela Polícia Federal; identidade expedida pelo Ministério da Justiça para estrangeiros; identificação fornecida por ordens ou conselhos de classes que por lei tenham validade como documento de identidade; Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), emitida após 27 de janeiro de 1997; Certificado de Dispensa de Incorporação; Certificado de Reservista; passaporte; Carteira Nacional de Habilitação com fotografia, na forma da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997; e identidade funcional em consonância com o Decreto nº 5.703, de 15 de fevereiro de 2006.

Alimentação
Água e comida não são proibidas. O candidato deve se preocupar com sua própria alimentação durante a prova.

Punição para faltas no Enem
Quem for liberado da taxa e faltar nos dois dias do exame em 2015 terá obrigatoriamente que pagar a inscrição em 2016.

Funções do Enem
O Enem é usado como critério de entrada em diversos programas federais. A prova substitui vestibulares no acesso a instituições federais de ensino superior. Também são exigidas as notas do Enem para o candidato que pretende uma bolsa de estudos pelo ProUni, para quem quer uma vaga gratuita no ensino técnico pelo Sisutec ou para quem vai tentar financiamento estudantil pelo Fies.

Quem tem mais de 18 anos pode usar o exame nacional para obter o diploma do ensino médio. E quem já está na faculdade precisa de boas notas no Enem para concorrer a bolsas de estudos no exterior pelo Ciência sem Fronteiras.

Operário de 48 anos faz Enem para incentivar filha a escolher profissão

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Além de dar o exemplo, marmorista de Piracicaba quer fazer direito na USP.
Esposa de 34 anos fez inscrição do marido e também pretende fazer exame.

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Publicado em G1

O operário da construção civil Milton Costa, de 48 anos, vai fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com uma intenção especial, a de inspirar a filha, de 17 anos, a escolher uma profissão. “Penso que as pessoas devem trabalhar com aquilo que escolhem, não só ocupar uma vaga disponível no mercado. Só com educação isso é possível”, disse.

Mais que servir de exemplo, no entanto, ele fará o Enem também para tentar realizar um sonho. Costa é marmorista (dá acabamento em mármore) em Piracicaba (SP) e pretende usar a pontuação do Enem para garantir uma vaga no curso de direito da Universidade de São Paulo (USP), um dos mais concorridos do Brasil.

Candidato de primeira viagem no exame, ele sabe do desafio que tem pela frente. “Estou ansioso e apreensivo. Espero ter bom desempenho na redação, área que tenho mais facilidade, mas o frio na barriga existe e não é pequeno”, afirmou.

Independentemente do resultado das provas, que acontecem neste sábado (24) e domingo (25), parte do objetivo de Costa com o Enem já foi alcançado. É que a filha decidiu que vai presta o exame no ano que vem. “Ele é um lutador. Sinto-me orgulhosa por ter um pai que me incentiva assim”, disse Caroline de Aquino Costa, que vai tentar cursar administração de empresas.

Volta aos estudos
A vida escolar do marmorista, segundo ele, é marcada pela persistência. Costa contou que precisou interromper os estudos no ensino fundamental para trabalhar.

Quando tinha 35 anos, ele resolveu retornar à sala de aula e conseguiu concluir o fundamental e o ensino médio pelo Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Para o operário, o esforço de concluir os estudos e agora tentar a faculdade por meio do Enem tem justificativa. “A educação é o bem mais importante, é nosso ponto de transformação na vida”, disse.

Motivação em casa
O incentivo que Costa ofereceu à filha ele também recebeu da mulher, a dona de casa Silvana de Rodrigues Costa, de 34 anos, com quem é casado há 10 anos. Ela vai prestar o Enem e fez a inscrição do marmorista para o exame deste ano.

Os dois farão as provas e se prepararam juntos. “Começamos a nos preparar em janeiro deste ano. Estudamos juntos, com os livros didáticos dos nossos filhos, e também por simuladores na internet”, contou a dona de casa.

“Além disso, procuramos nos atualizar dos acontecimentos de política e economia com a leitura diária das notícias”, contou Silvana. Ela também não esconde a ansiedade para realizar as provas e disse temer os testes de matemática.

Tempo livre forçado
Costa passou por uma cirurgia no joelho em julho deste ano e ficou afastado do trabalho. A princípio, o afastamento deveria durar 30 dias, mas devido a complicações clínicas, o período foi prolongado para quatro meses. “Aproveitei essa oportunidade para estudar e me preparar.”

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