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Dessa vez, no entanto, elas vão começar a surgir em terminais de ônibus

Edison Veiga, no Estado de S.Paulo

As bibliotecas Embarque na Leitura, que durante quase dez anos funcionaram em estações de Metrô de São Paulo, devem voltar no segundo semestre. Desta vez, em outro transporte público. A primeira da nova série deve ser instalada no Terminal Sacomã de ônibus, em agosto.

“Vai ser um ‘sucessaço'”, empolga-se o idealizador do projeto William Nacked, presidente do Instituto Brasil Leitor. “Se o rei Roberto Carlos me desse o direito de sua música, eu cantaria ‘Eu voltei, agora pra ficar…”

Não deve ser a única biblioteca em terminais de ônibus paulistanos. “Em breve, devemos ter um também em Cidade Tiradentes. O projeto é instalar seis bibliotecas do programa em São Paulo até o fim de 2015”, antecipa Nacked.

Se nos metrôs paulistanos as unidades da Embarque na Leitura desapareceram por falta de patrocínio (a última, da Estação Paraíso, foi fechada em dezembro passado, e tinha um total de 22.720 sócios e mais de 250 mil livros emprestados), no resto do País o projeto não deixou de existir. Hoje há bibliotecas ativas em sistema de transporte de capitais como Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife e cidades como Piracicaba (SP) e Campo Largo (PR).

Atualmente são 11 bibliotecas do tipo, sempre atreladas ao transporte público, do metrô de Porto Alegre à balsa do Guarujá. Além das seis paulistanas que o instituto pretende instalar até o fim de 2015, estão no papel outras cinco espalhadas pelo Brasil. “Ou seja: vamos praticamente dobrar”, comemora o idealizador.

Pesquisa. Recentemente, o Instituto Brasil Leitor divulgou os resultados de uma pesquisa mostrando a importância de bibliotecas grátis. O levantamento foi feito com usuários da biblioteca da Estação Paraíso ao longo do ano passado, último ano de funcionamento da unidade. Foram ouvidos 500 usuários cadastrados. Para 23% deles, a biblioteca era a única opção de acesso a livros e 82% disseram que, após o contato com o projeto, passaram a estimular o hábito de leitura entre os familiares e amigos.

Para quem já tinha o hábito de ler, as bibliotecas permitiram um aumento considerável no volume de leitura. Antes do projeto, as pessoas liam em média 1,6 livro por mês. Após o cadastro na biblioteca Paraíso, o número aumentou para 2,6 livros, que representa um crescimento de 62%. Em números absolutos, o resultado representa 12 livros a mais por ano para cada leitor.

Sobre o local onde liam com mais frequência, a maior parte (54%) revelou ler dentro do transporte público (metrô, ônibus ou trem); 33% em casa; 9% no trabalho; 2% em praças e parques e o resultado mais surpreendente: apenas 2% dos usuários tem o hábito de ler em algum estabelecimento de ensino (escola, faculdade ou cursos).

A maioria dos cadastrados na biblioteca Paraíso era formada por mulheres (69%), com média de idade de 37 anos. O número de público feminino aumenta ainda mais quando analisados os frequentadores que emprestaram livros por mais de uma vez (73%), ou seja, entre aqueles que tornaram-se usuários recorrentes.