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Escolas de São Paulo inovam para formar leitores

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Livros: o Colégio Santa Maria, montou um book truck (caminhão de livros) para que os alunos do ensino fundamental 2 tenham as obras sempre próximas

Livros: o Colégio Santa Maria, montou um book truck (caminhão de livros) para que os alunos do ensino fundamental 2 tenham as obras sempre próximas

 

Isabela Palhares, na Exame

São Paulo – Redes sociais, internet, jogos e televisão. Cada vez mais aumenta a lista de concorrentes dos livros pela atenção dos jovens.

Para que os estudantes descubram o prazer da leitura, escolas particulares de São Paulo estão desenvolvendo projetos para aproximar os jovens dos livros.

O Instituto Pró-Livro, associação de incentivo à leitura, publicou neste ano a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que mostrou que, conforme vão crescendo, as crianças deixam de indicar o “gosto” como motivação para a leitura.

Nas faixas etárias de 5 a 10 anos e de 11 a 13, o “gosto” é apontado como maior motivação por 40% e 42%, respectivamente, dos entrevistados.

Já nas faixas de 14 a 17 e de 18 a 24 anos, essa justificativa cai para 29% e 21%, respectivamente.

Para Zoara Failla, coordenadora do levantamento, a mudança de motivação para a leitura resulta de uma série de transformações na vida do jovem e, na maioria das vezes, não é acompanhada de ações que mostrem como ela pode ser prazerosa.

“O livro na infância é quase um brinquedo, é colorido, cheio de ilustrações e normalmente traz um contato da criança com os adultos. Depois, ele passa a representar uma obrigação que a criança tem na escola, justamente no momento em que descobre novos interesses.”

Para evitar o distanciamento com o mundo da leitura, o Colégio Santa Maria, na zona sul da capital, montou neste ano um book truck (caminhão de livros) para que os alunos do ensino fundamental 2 (do 6.º ao 9.º ano) tenham as obras sempre próximas.

Os próprios estudantes passaram por treinamento, são bibliotecários voluntários do caminhão e têm como responsabilidade organizar os livros e indicá-los para colegas.

“Até o 6.º ano, os alunos frequentam muito a nossa biblioteca, mas quando ficam maiores e com outros interesses – celular, amizades, redes sociais – deixam de frequentá-la e passam a encará-la como um lugar burocrático. Nós queríamos mudar isso e os aproximar da leitura”, afirma Marcia Rufino, orientadora do colégio.

Mateus Aranha, de 13 anos, é um dos que se voluntariou para o projeto. “É bom conhecer mais sobre diversos tipos de livro e indicar para amigos, principalmente para aqueles que dizem que não gostam de ler.”

Sem preconceitos

Para incentivar os alunos a lerem livros e gêneros diferentes dos quais estão acostumados, o Colégio Marista, também na zona sul, fez em julho uma experiência com os alunos.

Antes de saírem de férias, os do fundamental 2 e do ensino médio foram convidados a levar um livro da biblioteca, mas não puderam escolher o título que levariam.

As obras foram embrulhadas em papel pardo e pistas foram espalhadas pela sala. Pela primeira pista que escolheram, os alunos chegavam ao título, sem saber qual era.

“Percebemos que eles só querem ler os best-sellers, os livros que estão em alta nas redes sociais e acham que o restante é chato. A ideia era incentivá-los a não julgar um livro pela capa e estar aberto a experiências literárias”, explica Valéria Santos, bibliotecária do colégio.

No Colégio Humboldt, também na zona sul, autores de livros são convidados a conversar com os alunos sobre os livros que leram.

Segundo a professora de português Daniella Buttler, essa é uma forma de fazer com que os jovens fiquem mais motivados para a leitura.

“Eles se sentem mais comprometidos com a leitura, não porque vão ter uma prova ou atividade sobre o livro. Mas porque vão receber e conversar com quem o escreveu. Essa é uma forma de aproximá-los da leitura.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Com mercado em crise, segmento religioso impulsiona número de leitores

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Primeira mesa do ciclo 'Retratos do Leitor e do Não Leitor' - Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Primeira mesa do ciclo ‘Retratos do Leitor e do Não Leitor’ – Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Análise foi feita na primeira mesa do ciclo “Retratos do Leitor e do Não Leitor”

Lucas Altino, em O Globo

PARATY — Entre exposições de autores renomados e debates sobre tendências, expressões artísticas e processos criativos, a Flip também reserva relevante espaço para discussões de mercado. Nesta quinta, na primeira mesa do ciclo “Retratos do Leitor e do Não Leitor”, realizada na FlipMais em parceria entre o Instituto C&A, o Instituto Pró-Livro e o jornal O Globo, foram apresentados dados de pesquisas sobre o nicho de leitura do Brasil. Entre aumento no número de leitores brasileiros, e queda de vendas de exemplares e de faturamento das editoras, a explicação, concluíram os palestrantes, está na importância do segmento religioso para a indústria.

Com o objetivo de traçar um perfil do leitor brasileiro e as dificuldades no processo de educação, que culminam na formação de analfabetos funcionais, os palestrantes Luis Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, Marcos Pereira, presidente do Instituto Pró Leitura (IPL), Zoara Failla, coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil do IPL, e Mariana Silveira Bueno, coordenadora da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentaram dados das pesquisas “Produção e Vendas do Mercado Editorial”, da Fipe, e da “Retratos da Leitura no Brasil”, do IPL. A mediação da mesa foi feita pelo jornalista do GLOBO, Leonardo Cazes.

Zoara Failla lembrou que o principal motivo da pesquisa do IPL, realizada a cada quatro anos, é orientar políticas públicas e ações da sociedade civil. Em comparação com 2011, houve aumento no número total de leitores no Brasil, de 50% da população (considerado os maiores de cinco anos que leram algum livro, ou partes, nos últimos três meses), para 56%. Em 2007, porém, a quantidade era de 55%. Ao apresentar microdados específicos, como relações com escolaridade, hábitos e influências para leitura, a pesquisa foi traçando o perfil do leitor brasileiro.

— O gênero mais lido é a Bíblia; em segundo “livros religiosos”. Muitos autores religiosos também são citados como os preferidos — destacou Zoara, em relação ao segmento mais relevante do mercado — há outros dados importantes, como a falta de tempo como principal motivo para a não leitura, o crescimento de leitura em meios de transporte, devido aos smartphones e tablets, a redução de dificuldades citadas para a não leitura, o uso ainda baixo de e-books, e a visão de que a biblioteca é um espaço somente para estudantes. Apesar de melhora nos números de uma forma geral, é preciso pensar em políticas públicas para melhorar o panorama.

Na sua pesquisa, a Fipe detectou uma aparente incoerência: o aumento no número de leitores, mas a queda na quantidade de vendas de exemplares, de 8,19%, e no faturamento das editorias, de 4%. Na tentativa de entender esse quadro, Mariana Bueno explicou que a fundação cruzou dados e levantou algumas hipóteses, como o governo ser um grande comprador, abastecendo bibliotecas públicas, o que não se sustentou.

— Percebemos, então, que a Bíblia lidera ranking de leituras. Resolvemos considerar, nos dados, um novo indicador exclusivo para leitura religiosa. Nessa nova leitura dos gráficos, concluímos que esse subsetor foi o único que apresentou crescimento considerável. E faz sentido não influenciar tanto na venda de editoras ao pensarmos que a Bíblia, citada mais lida, raramente tem um exemplar novo comprado pelas pessoas.

‘MERCADO SOBREVIVENTE’

Perguntado por Leonardo Cazes sobre as explicações para os fenômenos de público nas bienais, apesar do momento de desvalorização das editoras, Marcos Pereira classificou o mercado editorial como um “mercado sobrevivente”.

— De 2004 a 2015 o mercado de produção editorial perdeu 40% de valor. A indústria pode comemorar o aumento de seis pontos percentuais de leitores, mas a verdade é que precisamos de ajuda. Aí a a gente vê uma Bienal lotadíssima e não entendemos o segredo de tanto sucesso. Às vezes quero perguntar para o visitante aonde ele vai no resto do ano. Nosso papel é tentar aumentar essa procura, criar volume maior, e mais interesse. Meu avô dizia que Brasil é país do futuro e estou cansado. Quero dizer aos meus filhos e netos que Brasil é o país do presente — disse Pereira.

Dentro dessa questão, Zoara também lembrou que cerca de quatro milhões de jovens se declaram leitores, número suficiente para abastecer um mega evento. Luis Torelli ainda citou fenômeno de audiência de blogueiros, que atraem muito público, e concluiu que as pesquisas apresentadas são “importantíssimas para atendermos melhor o desafio de democratizar o livro”:

— Precisamos trabalhar muito para que brasileiros possam comprar mais livros. Dependemos de políticas públicas de educação e inclusão, e também da retomada do crescimento econômico. O Brasil tem uma das mais plurais produções editoriais do mundo. Nas numerosas inscrições do premio Jabuti, por exemplo, vemos a quantidade de talento que existe aqui. O mercado também precisa fazer sua parte para que o Brasil seja redimido pela leitura. O livro pede passagem.

O ciclo “Retratos do Leitor e do Não Leitor”, realizada em parceria entre o Instituto C&A, o Instituto Pró-Livro e o jornal O Globo, tem prosseguimento nesta sexta, às 14h30m, na Casa de Cultura, com a mesa “O X da questão”, em que estarão presentes o colunista do GLOBO Antonio Gois, Marcilio França Castro e Neca Setubal.

Número de leitores no Brasil sobe 6% entre 2011 e 2015, diz pesquisa

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Foto: G1

Foto: G1

 

Total de livros lidos, inteiros ou em parte, foi de 2,54 obras. Pesquisa foi feita pelo Ibope, sob encomenda do Instituto Pró-Livro

Publicado no GAZETA WEB

O número de leitores no Brasil subiu 6% entre 2011 e 2015, de acordo com a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope sob encomenda do Instituto Pró-Livro. O levantamento, que teve abrangência nacional, aponta que o país tem cerca de 104,7 milhões de leitores, ou seja, 56% da população.

A metodologia da pesquisa considera como leitor, aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. No intervalo entre as pesquisas, o percentual de homens considerados leitores foi o que mais subiu. O percentual passou de 44%, em 2011, para 52%, no ano passado.

A pesquisa aponta que o brasileiro lê, em média, 2,54 livros no período referência de três meses anteriores à pesquisa. O número equivale a 4,96 livros por habitante/ano. O levantamento considerou todos gêneros: literatura, contos, romances, poesia, gibis, Bíblia, livros religiosos e livros didáticos. Deste total de 2,54 livros, o brasileiro leu 1,06 livro inteiro e 1,47 em partes nos três meses anteriores à pesquisa.

A Bíblia foi citada como o “gênero” que mais costuma ser lido entre aqueles que não estão estudando, sendo citado por 50% dos entrevistados com esse perfil. Entre os estudantes, a Bíblia foi citada por 31% dos entrevistados, mesmo percentual que a resposta “contos”, seguindo por “didáticos” com 28%.

Depois do “gosto ou interesse pessoal”, com 47%, a motivação religiosa foi apontada como a segunda principal razão para ler, com 22% das respostas. “Indicação da escola” aparece na sequência com 10%, “para se distrair” teve 8% e “por motivo profissional”, 7%.

Aumento da escolaridade

De acordo com os responsáveis pela análise, o aumento da escolarização pode ajudar a explicar o aumento dos entrevistados considerados leitores: o percentual de analfabetos ou de pessoas que não frequentaram escola formal caiu de 9%, em 2011, para 8%, em 2015. Por outro lado, em 2011, o número de entrevistados que não estudavam era de 68% e, em 2015, passou para 73%.

O aumento na escolaridade foi percebido no aumento do total de entrevistados que declarou ter ensino superior, dado que subiu de 10% em 2011 para 13% no ano passado. Também houve aumento no ensino médio, de 28% para 33%.

Os dados apresentados pelo Instituto Pró-Livro apontam que, quanto maior o nível de escolaridade, menores são as proporções de motivações de leitura ligadas à “exigência escolar” ou a “motivos religiosos” e, maiores são as menções a “atualização cultural ou de conhecimento geral”.

Livros mais citados

Abaixo, os livros mais citados, em ordem decrescente:

Bíblia

Diário de um banana

Casamento Blindado

A Culpa é das Estrelas

Cinquenta Tons de Cinza

Ágape

Esperança

O Monge e o Executivo

Ninguém é de ninguém

Cidades de Papel

O Código da Inteligência

Livro de Culinária

Livro dos Espíritos

A Maldição do Titã

A Menina que Roubava Livros

Muito mais que cinco minutos

Philia

A Única Esperança

Na lista de livros, a Bíblia mantém o primeiro lugar também obtido em 2007 e 2011. Neste ano, ela teve 225 menções diretas entre os mais de 5 mil entrevistados. O livro Ágape, segundo lugar em 2011, e a Menina que roubava livros, que foi 19º na pesquisa anterior, são os únicos que voltaram a constar entre os mais citados.

Ainda segundo os autores do levantamento, 28% dos entrevistados se declararam como integrantes de religiões em que a leitura da Bíblia é central para a prática religiosa, como no caso das diversas denominações evangélicas.

Autores mais citados

Abaixo, os livros mais citados, em ordem decrescente:

Augusto Cury

João Ferreira de Almeida

Zibia Gasparetto

Padre Marcelo Rossi

Cristiane Cardoso

Cristiane e Renato Cardoso

Paulo Coelho

Allan Kardec

John Green

Chico Xavier

Ellen G. White

Machado de Assis

Padre Fábio de Melo

Maurício de Souza

Bispo Edir Macedo

Kéfera Buchmann

Evolução por regiões

Com exceção do Nordeste, a pesquisa identificou aumento no total de leitores em todas as regiões. Os dados não foram detalhados por estados.

Na terceira edição da pesquisa, em 2011, o Centro-oeste do país liderava o número de leitores por região com 53%. Nesta última edição, o melhor percentual passou a ser o da região Sudeste, com 61%. A região Centro-oeste caiu para a segunda posição com 57% e a região Norte ultrapassou a região Nordeste alcançando o terceiro lugar com 53%.

O primeiro lugar no quesito número de livros lidos (inteiro ou em partes) por habitantes nos últimos três meses também ficou com a região Sudeste, com 2,98 – índice que ultrapassa a média nacional de 2,54. O Centro-oeste torna-se o segundo colocado com 2,52, seguido do Norte com 2,44, do Nordeste com 2,15 e do Sul com 2,05. Em 2011, o Centro-oeste apresentava 2,12, o Nordeste 2, o Suddeste 1,84, o Sul 1,68 e o Norte 1,51.

Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes

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Índice é o mesmo de cinco anos atrás; dados são do Ministério da Cultura.
Tocantins é o estado com a maior oferta; Rio de Janeiro tem a pior taxa.

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Thiago Reis, no G1

O Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes, em média. São 6.148 no país. É o que mostra levantamento feito pelo G1 com base nos dados do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, do Ministério da Cultura, atualizados neste segundo semestre.

O índice é o mesmo de cinco anos atrás. Apesar de terem sido criados mais espaços no período, o aumento da oferta não foi maior que a taxa de crescimento da população.

A meta do governo de zerar o número de municípios sem bibliotecas também não foi alcançada ainda. Hoje, 115 cidades ainda não contam com o equipamento de cultura. Em 2009, eram 361.

A presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), Regina Céli de Sousa, diz que os dados não refletem a realidade, ainda mais crítica. “Há casos em que a biblioteca é listada no sistema, mas ela está fechada.” O conselho diz que não estão em funcionamento várias das bibliotecas listadas no site do governo federal.

“Em muitos estados, o que existem são apenas espaços com amontoados de livros sem nenhum tipo de controle, organização, serviço e produtos para a sociedade. Estão lá apenas para justificar as verbas recebidas”, afirma a presidente do CFB. “É difícil encontrar nas bibliotecas públicas do país espaços prazerosos, com um acervo atualizado, e isso é fundamental para que a população frequente os espaços.”

Na semana passada, foi comemorado o Dia Nacional do Livro. Segundo o Instituto Pró-Livro, 76% dos brasileiros não frequentam bibliotecas. Dados da associação mostram também que 50% das pessoas com mais de 5 anos não praticam o hábito da leitura no Brasil – mais da metade diz que a falta de tempo é um dos principais motivos.

Para Regina Céli, um outro problema é a falta de profissionais qualificados atuando nos espaços. “Grande parte não conta com um bibliotecário, que tem um papel fundamental. Além de gerir bases de dados e desenvolver produtos e serviços de qualidade à população, ele atua com mediação e rodas de leitura, com a hora do conto”, diz.

Diferenças regionais
O estado com a maior oferta de espaços por habitante é o Tocantins. São 141 bibliotecas – uma para cada 10 mil pessoas. Já o Rio de Janeiro registra o pior índice: um equipamento para cada 111 mil. O estado, que tem 16 milhões de habitantes, abriga apenas 148 bibliotecas.

Entre as regiões, a que possui o maior número absoluto de bibliotecas é a Sudeste: 1.968. Na Nordeste, são 1.873. A região Sul possui 1.263, a Norte, 525, e a Centro-Oeste, 519.

Compromisso
A Fundação Biblioteca Nacional diz, no entanto, que tem realizado ações para ampliar a quantidade de bibliotecas e que a meta de zerar o número de municípios “vem sendo pactuada junto aos governos estaduais e municipais”. O órgão não comenta as críticas do CFB.

Segundo a fundação, por meio do projeto ‘Mais Bibliotecas Públicas’, o Sistema Nacional de Bibliotecas tem realizado um processo de “mobilização local” em busca da ampliação. O órgão diz ainda que, com o programa, foi possível reunir 1.400 gestores públicos de mais de 350 cidades do país. Vários encontros já foram feitos nos estados.

Também está em curso, de acordo com a fundação, um projeto que tem o objetivo de transformar bibliotecas em referência em acessibilidade. “O governo federal investe na área de bibliotecas integrando as instituições de ensino na área de biblioteconomia”, informa.

Livro vai se adaptar à revolução das plataformas digitais, diz especialista

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A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros, realizada entre junho e julho de 2011, foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Segundo o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Crédito: Lopes/Reprodução

Segundo o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Crédito: Lopes/Reprodução

Publicado por Diário de Pernambuco

O fim do livro impresso representa, para os apaixonados pelo cheiro e textura do papel, o apocalipse, sem exageros — mais aterrorizante que qualquer saga de zumbis ou vampiros. Mas os especialistas em mercado literário tranquilizam o público do livro impresso. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil — realizada pelo Ibope em parceria com o Instituto Pró-Livro — apesar da crescente ascensão dos tablets, os chamados e-books ainda não são muito populares entre os leitores brasileiros, uma vez que 82% afirmam nunca ter lido um.

O professor da Unesp, João Ceccantini, especializado em literatura e mercado, acredita se tratar de uma “falsa guerra”. Ceccantini admite ter lido estimativas bem apocalípticas que apontam para a extinção do livro impresso. Mas, para ele, a tendência é que cada tipo de leitura se adapte à plataforma mais adequada e que tanto o eletrônico quanto o papel terão espaço no mercado.

“O escritor está muito ligado às práticas contemporâneas e a trama conta muito na hora de escolher o tipo de suporte de leitura. Se o livro impresso vai acabar, o tempo vai dizer. Porém, o que eu vejo é uma falsa guerra, porque, se alguns gêneros precisam de recursos eletrônicos para que as pessoas tenham acesso, há os gêneros que se encaixam melhor no impresso. Por exemplo, muitas pessoas preferem ler poesia no papel.”

A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros — realizada entre junho e julho de 2011 — foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De acordo com o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. A presidente da Câmara do Livro, Karine Pensa, avalia que os resultados podem ser considerados bons.

“Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média — que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa, de 45% em 2007 para 48% em 2011 —, e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens”, afirma ela.

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