Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged interpretação

Fiquei em estado de choque, diz Ana Maria Machado sobre polêmica com livro

0

A escritora Ana Maria Machado (Bel Pedrosa/Claudia/Dedoc)

Livro da escritora e membro da Academia Brasileira de Letras escrito em 1983 foi acusado nas redes sociais de incitar o suicídio infantil

Fabiana Futema, na Veja

A escritora Ana Maria Machado, membro da Academia Brasileira de Letras, foi arrastada sem querer para uma polêmica criada em grupos de pais de WhatsApp. No fim da semana passada, pais começaram a compartilhar em suas redes alertas contra o livro O menino que espiava pra dentro, publicado em 1983.

A partir de uma leitura superficial de uma das páginas da publicação, alguns entenderam que o livro incitava o suicídio infantil. Foi o que bastou para a ameaça se espalhar, obrigando a editora do livro a publicar uma explicação sobre o livro.

O menino que espiava pra dentro, de Ana Maria Machado (//Divulgação)

“Fiquei meio em estado de choque, não podia acreditar que eu estava sendo alvo de tanta hostilidade, tanta raiva , do nada, sem ter feito nada para merecer”, disse ela ao blog.

O menino que espiava pra dentro, de Ana Maria Machado (//Divulgação)

Veja abaixo o que escritora disse ao blog sobre a polêmica:

Como você ficou sabendo que seu livro estava sendo alvo de protestos nas redes sociais?

Eu soube ainda no corredor de um avião, numa escala em Brasília, de um voo de horas, que vinha de Santarém via Manaus, voltando de um encontro com professores patrocinado pela universidade local. Entre saltar de um avião e correr para outro que estava encerrando o embarque, às oito da noite, recebi um telefonema de meu filho e um e-mail da editora, contando o que estava acontecendo com essas mensagens viralizando nas redes sociais. No primeiro momento, não pude avaliar a extensão, só fiquei incrédula. Tarde da noite, ao chegar em casa no Rio, verifiquei quanto aquilo tinha se espalhado.

Como você se sentiu ao ser arrastada para essa discussão?

Fiquei meio em estado de choque, não podia acreditar que eu estava sendo alvo de tanta hostilidade, tanta raiva, do nada, sem ter feito nada para merecer.

A que atribui essa interpretação equivocada do livro? Falta repertório e leitura às pessoas ou vivemos um tempo de excesso de patrulha?

Talvez seja um sintoma destes tempos de polarização exacerbada que estamos vivendo. Já escrevi todo um romance (para adultos) sobre isso, o premiado Infâmia. É uma época de denúncias levianas e de irresponsabilidade, que está fazendo muito mal ao país como um todo. Vivemos um momento em que há uma perigosa mistura de ódios, intolerância, fanatismo e superficialidade, em que falta diálogo e desacostumamos de ouvir os outros.

O que a sociedade pode fazer para evitar que obras literárias passem por esse tipo de patrulha?

Vários professores e críticos literários tentaram analisar isso, a partir deste episódio. Concordo muito com um que falou de um momento autoritário em que andam querendo controlar até a imaginação. Outro que fez uma ótima reflexão foi o escritor mineiro Leo Cunha, que diz que interpretações enviesadas geralmente não são fruto de má fé ou implicância, mas resultam, ‘quase sempre, da falta de traquejo coma leitura literária, com as metáforas, com o universo simbólico que é próprio da arte e da literatura. Falta ler mais, ler obras mais variadas, ampliar a bagagem cultural.’

Cotas sociais têm aprovação maior do que raciais, aponta pesquisa

0

Hello Research diz que 48% apoia cotas sociais no acesso a universidades.
Total cai para 38% quando pergunta trata de afrodescendentes e minorias.

usp_7divulga

Publicado no G1

Os brasileiros são mais favoráveis que universidades públicas adotem cotas sociais como políticas de inclusão de alunos do que cotas raciais, segundo pesquisa feita pela agência de pesquisa Hello Research no primeiro semestre de 2015.

De acordo com o levantamento, 48% dos pesquisados apoiam a política de cotas sociais no ensino superior, enquanto 38% aprovam o uso de cotas raciais.

No caso das cotas sociais, os pesquisados se posicionaram diante da pergunta dos entrevistadores sobre se apoiam a reserva de vagas para alunos que frequentaram o ensino público.

Já quando o levantamento abordou as cotas raciais, eles opinaram sobre reserva para afrodescendentes e minorias étnicas.

A pesquisa ouviu mil pessoas, maiores de 16 anos e em 70 cidades de todas as regiões do país. A margem de erro é de três pontos porcentuais e o índice de confiança é de 95%.

Quando o tema é seleção para o serviço público, 39% são favoráveis, enquanto 34% são contra.

Para Nelson Fernando Inocêncio da Silva, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade de Brasília (UnB), as pessoas ainda têm dificuldade para diferenciar cotas socias e raciais.

“Uma [cota] não anula a outra, mas precisam ser tratadas de formas distintas”, explica.

Cotas raciais são aquelas destinadas a pessoas autodeclaradas pretas, pardas ou indígenas. Já cotas sociais podem ser destinadas para egressos de escolas públicas ou para quem possui baixa renda.

O levantamento também aponta que a classe A é o grupo com maior rejeição à qualquer tipo de cota, sendo 58% contra às cotas raciais e 50% contra às cotas sociais. Segundo Nelson Inocêncio, os dados podem ser o reflexo da discussão sobre o tema no país.

“No Brasil não é difícil de reconhecer a pobreza como um fenômeno que atinge as pessoas. Não temos problema para discutir a pobreza, mas temos para discutir o racismo. É uma das limitações da nossa sociedade”, afirma o especialista.

Somadas, as regiões Norte e Centro-Oeste concentram o maior apoio às cotas, sendo 54% a favor das cotas sociais e 48% a favor das cotas raciais. Em contrapartida, a região Nordeste é a mais desfavorável sobre às cotas raciais (38%), seguida do Sudeste (33%).

Falha em interpretação
João Feres Júnior, do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), acredita que a rejeição às cotas raciais se deve à má interpretação feita sobre elas.

“Existe ainda uma impressão disseminada de que as cotas sociais resolveriam o problema das cotas raciais, o que estudos contestam, já que existe desigualdade racial em qualquer faixa de renda”.

Mas o especialista discorda dos dados da pesquisa, já que, segundo ele, “existem pesquisas que apontam que a aceitação para cotas raciais está crescendo”.

cotas

Política de cotas
Em agosto de 2012, o Ministério da Educação adotou a política de cotas sociais e raciais no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em 2013, as universidades federais e institutos tecnológicos destinaram 12,5% das vagas para alunos de escolas públicas e, dentro deste universo, um percentual para estudantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Em 2014, 25%. Em 2015, 37,5%. Em 2016, 50% das vagas serão para cotistas.

Nelson Inocêncio aponta que ainda é necessária uma discussão profunda sobre as cotas raciais, já que elas remontam para o passado do país.

“O racismo no Brasil é histórico. Quando continuamos com esse medo de discutir a questão racial, o prejuízo vai ser para a sociedade brasileira, porque discutimos para superá-lo”.

O professor também afirma que a educação é essencial para entender a questão racial no Brasil. “Eu acredito que a gente precisa trabalhar com a informação, com a produção de conhecimento, com a nossa cultura e as nossas contradições. Os brasileiros precisam se conhecer mais, inclusive para ter uma posição crítica sobre eles mesmo”.

Brasileiro sofre para interpretar até bula

0

Índice de Letramento Científico mostra falta de domínio sobre conceitos básicos
L11A0DFF484164BDBAEEAC0403793473E

Decifrar contraindicações de remédios é uma tarefa tão difícil que o consultor de vendas Sérgio Brant costuma jogar as bulas fora e perguntar direto ao médico. E ele não está sozinho. Quase dois terços dos brasileiros têm só conhecimentos básicos ou ausentes sobre a ciência que envolve situações cotidianas, como ler rótulos nutricionais, estimar o consumo de energia de eletrodomésticos ou interpretar os dados das bulas.

Isso é o que mostra o Índice de Letramento Científico, que calcula a habilidade das pessoas de aplicar conhecimentos científicos básicos em atividades rotineiras. A medição inédita foi desenvolvida pela Abramundo, empresa que produz materiais de educação em ciências, em parceria com o Ibope, o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa. Foram ouvidas 2.002 pessoas, entre 15 e 40 anos, nas nove principais Regiões Metropolitanas do País.

Só 5% foram considerados proficientes, com domínio de conceitos e termos mais complexos, além da capacidade de interpretar fenômenos. “A linguagem das bulas é complicada, com muitos nomes científicos”, diz Brant, de 67 anos, que toma medicamentos para diabetes e hipertensão. “Preciso reler para entender”, confessa. “Ou então jogo a bula no lixo e pergunto ao médico.”

Para evitar distorções nos resultados, pelas dificuldades de interpretação de texto, participou do estudo apenas quem tinha mais de quatro anos de estudo. Os entrevistados responderam a perguntas e declararam as próprias habilidades. Isso levou a uma disparidade curiosa: o desempenho nos testes revela dificuldades bem maiores do que as admitidas.

Segundo o levantamento, o nível de escolaridade maior não significa necessariamente intimidade com as ciências. Dos entrevistados com curso superior, 41% tinham competência ausente ou elementar. A proporção de pessoas nesse grupo salta para 66% entre aqueles com ensino médio completo e chega a79% para quem só terminou o fundamental. “O ensino médio não fez tanta diferença”, analisa o presidente da Abramundo, Ricardo Uzal. “Parece que o conteúdo mais fixado é o dos primeiros anos na escola”, afirma.

Ciência na prática. Na opinião dos coordenadores do estudo, a competência alta em conhecimentos científicos práticos deixa as pessoas com maior senso crítico no consumo, na preservação ambiental e na saúde. “No supermercado, sempre leio os rótulos dos alimentos. E me preocupo com a quantidade de calorias, de gordura”, diz a estudante de Arquitetura Romila Rocha, de 18 anos, que nega dificuldades nesse campo. “Quando meus pais têm problemas desse tipo, eles correm até mim para pedir ajuda”, diz a jovem, que atribui seu desembaraço científico às recordações do colégio. “Era boa em Física, Química e Biologia”, lembra.

Mais tempo longe da sala de aula, Brant garante que seu aprendizado de ciências foi no trabalho. “O que sei foi por experiência prática, no contato com a indústria”, afirma ele, que já atuou no comércio de suplementos alimentares.

O mercado de trabalho, destaca o estudo, é justamente a área em que o traquejo científico pode render mais frutos. “Só quem está no grupo dos 5% (proficientes) consegue questionar e inovar”, explica Ricardo Uzal.

Entre os entrevistados com cargos gerenciais só 12% eram proficientes. No grupo de profissionais liberais, empresários, comerciantes ou proprietários rurais, o total foi de 15%.

Conteúdo e realidade. Os tropeços nas ciências dão pistas sobre dificuldades de professores em conectar os conteúdos à realidade dos alunos. “A educação científica é apartada do mundo real”, avalia o físico e educador da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Carlos Menezes. “Isso começou a mudar só nos últimos anos”, diz ele, que ajudou na elaboração dos questionários da pesquisa.

Para a especialista em Educação Científica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Alice Helena Pierson, a responsabilidade não é só da escola. “A população adulta, em geral, não é estimulada a se posicionar em debates técnicos ou científicos.” Também falta mais interesse pelo tema: 39% não gostam de estudar ciências ou ler texto técnico.

Outro ponto preocupante, na opinião de Alice Helena, é a diferença entre resultados dos testes e da autodeclaração. “Se a pessoa acha que sabe, não tem noção das limitações e deixa de buscar ajuda”, diz.

Fonte: Estadão

Go to Top