Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Inventor

Aos 13 anos, criador de impressora feita com Lego gerencia marca de 2,5 milhões de dólares

0

Shubham Banerjee apresentou o aparelho de impressão em braile de baixo custo na Campus Party nesta quarta-feira

tecnologia-20150204-09-size-598

Bianca Bibiano, na Veja

Dezenas de pessoas se reuniram na tarde desta quarta-feira na Campus Party para escutar a história do americano Shubham Banerjee, criador de uma inovadora impressora braile feita de peças de Lego. A impressora — que funciona perfeitamente, ainda que feita de um brinquedo — rendeu a Banerjee investimentos da fabricante de processadores Intel para que o projeto avançasse para além do protótipo.

A história é semelhante à de muitos jovens que anualmente se reúnem no Vale do Silício, na Califórnia, Estados Unidos, para levantar capital para seus projetos empreendedores. Não fosse por um detalhe: Banerjee tem apenas 13 anos de idade e é considerado a pessoa mais jovem a conseguir capital para sua startup.

O projeto que lhe rendeu destaque no universo dos empreendedores do Vale do Silício foi criado no início do ano passado para uma feira de ciências da escola. Usando um kit de robótica chamado Lego Mindstorms EV3, um microprocessador e um código de programação em Java, Banerjee conseguiu tirar das peças de Lego páginas impressas com micro furos, reproduzindo a escrita braile. O estudante conta que não fazia ideia de como os cegos faziam para ler. “Meu pai disse ‘procure no Google’ e, então, comecei a me interessar pelo tema”, contou em entrevista ao site de VEJA. “Eu montei e desmontei o modelo seis vezes até que ele realmente funcionasse. Nesse tempo, comecei a entender melhor a necessidade das pessoas cegas.”

Diante da genialidade do filho, Niloy Banerjee, indiano naturalizado americano, decidiu investir do próprio bolso a quantia de 35.000 dólares para criar a startup Braigo Labs.Tornou-se conselheiro da empresa de seu filho — com apenas 13 anos, Shubham não pode assinar documentos e negociar investimentos. A mãe, até então professora primária, assumiu o cargo de CEO. Menos de seis meses depois, a Braigo Labs é avaliada em cerca de 2,5 milhões de dólares.

Apesar de todo o trabalho e relacionamento com empresários, Banerjee tenta levar a rotina de um adolescente comum. “Eu vou para a escola todos os dias, faço a lição de casa e só então encontro meu pai para as reuniões com investidores”, disse.

Tímido como a maioria dos adolescentes nessa idade, Banerjee recebeu a reportagem na sede da Intel em São Paulo antes de sua palestra para a Campus Party. Acompanhado do pai, falou sobre seus hobbies — beisebol e videogame —, do fato de não ter amigos de sua idade interessados em projetos de tecnologia e do trabalho árduo para chegar ao modelo atual. “Trabalhei na impressora sentado na cozinha de casa, com a ajuda do meu pai. Às vezes, seguíamos até a madrugada trabalhando no protótipo”.

Mesmo com todo o capital que circula ao seu redor, o estudante afirma que não se importa com o dinheiro. “Meu objetivo é reduzir o custo das impressoras em braile, de aproximadamente 2.000 dólares, e torná-las acessíveis a quem realmente precisa”, explica. O custo estimado da impressora criada por ele é de 350 dólares. “Reduzi os valores em 82% e fico feliz em ver o retorno positivo das pessoas que estão usando a impressora”.

Com o investimento familiar e também da Intel, o sistema projetado por Banerjee ganhou vida em uma impressora ‘de verdade’, que já está sendo testada por entidades representativas de deficientes visuais. Ao todo, 25 instituições receberão a impressora este ano. No Brasil, a beneficiada será a Fundação Dorina Nowill para Cegos, que recebeu uma visita do jovem nesta manhã.

“As empresas não têm interesse em investir nesse mercado por pensarem que se trata de um público-alvo pequeno, mas o mundo tem mais de 280 milhões de deficientes visuais. A maioria vive em países em desenvolvimento e não tem condições de arcar com os custos das impressoras que existem no mercado”, afirma o pai do estudante. “Queremos que a impressora de Banerjee chegue a quem precisa, por isso o código de configuração também será aberto, permitindo adaptações para os mais variados idiomas”, orgulha-se o pai.

Diplomatas de Israel procuram bíblia hebraica antiga na Universidade de Coimbra

0

Publicado no RTP Notícias

Diplomatas de Israel procuram bíblia hebraica antiga na Universidade de Coimbra                                                   Elisardojm, Wikimedia Commons

A “Bíblia hebraica de Abravanel”, do século XV, é um dos livros mais raros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) e costuma ser procurada pelos representantes de Israel em Portugal.

O livro sagrado foi manuscrito em 1450, em Lisboa, por encomenda do financista Isaac Abravanel, um judeu português com ligações familiares a Sevilha.

A obra é procurada “pelos embaixadores de Israel que tomam posse”, disse à agência Lusa o diretor da BGUC, José Augusto Bernardes, indicando que os diplomatas de Telavive vão “a Coimbra visitar a bíblia hebraica como quem se dirige a um santuário”.

Uma bíblia latina de 48 linhas (editada no século XV em Mogúncia, na gráfica que pertenceu ao alemão Gutenberg, inventor da prensa móvel), a primeira edição de “Os Lusíadas”, de Camões, e os dicionários Tupi-Português estão também entre os livros raros da Biblioteca.

O diretor adjunto, Maia Amaral, explica a importância de outras preciosidades, como os manuscritos de Almeida Garrett ou o primeiro livro imprimido no Brasil.

“Temos a conviver manuscritos do século XII com livros do século XXI”, disse Augusto Bernardes, enquanto mostrava um missal seiscentista do Mosteiro de Santa Cruz, acabado de restaurar.

A Biblioteca, acolhida em 1962 num edifício construído na Alta da cidade, vai celebrar 500 anos, com um programa que terminará em janeiro de 2014.

(mais…)

No Brasil, livro é produto de elite, diz entusiasta dos e-books

0

Leonardo Pereira, no Olhar Digital

Campus Party proporciona discussão sobre futuro do mercado editorial e como o digital se adapta a isso

Leonardo Pereira/Olhar Digital

Leonardo Pereira/Olhar Digital

A Campus Party criou uma situação curiosa ao promover um debate sobre livros digitais no palco que leva o nome de Johannes Gutenberg. Foi ele o inventor da impressão por tipos móveis, que possibilitou o desenvolvimento da imprensa e revolucionou o setor editorial no mundo. Nesta quarta-feira, 30, ao comentar a coincidência, o consultor editorial Carlo Carrenho, do Publishnews, disse que ela é mais do que oportuna, pois o alemão promoveu um momento de ruptura na história da humanidade – basicamente o que acontece hoje em relação ao mercado editorial.

Assim como a invenção de Gutenberg, o livro digital leva informação a quem tem dificuldade de obtê-la. Antes dos tipos (basicamente carimbos em formato de letras), a cultura escrita era extremamente restrita, mas passou a se abrir porque a reprodução foi facilitada; com os e-books é a mesma coisa: o consumidor não precisa esperar que a obra recém-lançada chegue à livraria mais próxima. Porque ele nem precisa da livraria.

Este cenário, obviamente, incomoda livrarias, distribuidoras e transportadoras, que veem uma clara ameaça aos negócios. “Nenhum dos principais players do mercado ganha dinheiro com livro digital, pelo contrário, tem muita gente perdendo”, disse Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura, em que 3% das vendas de livros já correspondem a obras em formato digital.

Segundo Hubert Alquéres, vice-presidente de Comunicações da Câmara Brasileira do Livro (CBL), todos os envolvidos no setor editorial estão focados no digital, ainda mais depois da chegada de Amazon e Google e do lançamento do Kobo pela Livraria Cultura. “Se o Brasil estava ainda muito cauteloso de entrar nesse mundo, percebe-se que agora é um caminho sem volta.”

Democratização da leitura

Os dados mais recentes da CBL dizem que o preço médio do livro no Brasil é de R$ 10 – em 2011, quando foram vendidos 470 milhões de exemplares, o mercado faturou R$ 4,8 bilhões. Sergio, então, fez as contas: um tablet bem básico pode ser comprado por R$ 400, portanto, 40 obras já valeriam o investimento. O problema, comentou, começa na questão da durabilidade: “O tablet, na mão do aluno, dura seis meses. O livro impresso dura dez.”

Além disso, a banda larga brasileira não é das melhores e a penetração é muito baixa, sem contar o fato de que a parcela da população com acesso doméstico ao computador ainda é baixa. Mas nada disso convenceu Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais do Grupo Gol.

“Livro no Brasil é produto de elite. Há em Buenos Aires (Argentina) mais livrarias do que no Brasil inteiro, e sabe quanto vai custar um device daqui a alguns anos? R$ 100”, disse ele, lembrando que embora grupos como o comandado por Sergio façam “esforços legítimos” em prol da difusão da leitura, o ideal é o digital, que por não ter empecilhos físicos teoricamente chega a todos os cantos. “Vivemos um divisor de águas, estamos diante de um fato novo, inegociável.”

A briga do device

Há dois anos, antes que os gigantes olhassem para cá, a Vivo e o Grupo Gol lançaram a Nuvem de Livros, que disponibiliza obras a clientes da operadora por uma assinatura semanal. O modelo dispensa o uso de um Kobo ou Kindle e Roberto garante que o brasileiro pulará uma etapa ao adquirir o tablet, ao invés do e-reader, outra hipótese que desagrada livrarias.

Sergio, da Cultura, afirmou que aparelhos como iPad dificultam a concentração, deixam a leitura mais lenta e comprometem a absorção do conteúdo. Por outro lado, Roberto atacou que os e-readers servem, na realidade, para fidelizar o consumidor e fazer com que ele compre produtos ou serviços mais caros futuramente. A Amazon, por exemplo, poderia usar o cadastro de quem adquiriu livros para oferecer televisores.

Com o tablet você baixa o formato que quiser e pode comprar obras interativas, vídeos, jogos e outros tipos de aplicativos. “Para o brasileiro que lê dois livros por ano não faz sentido ter um leitor digital”, disse Carlo, do Publishnews. Mas um aparelho específico pode ajudar a prender o cliente por limitar os formatos de arquivo que podem ser lidos ali, criando um cenário parecido com o que instituiu o iTunes quando o MP3 foi popularizado.

Quando a Apple fez com que a música digital caísse no gosto das pessoas, a indústria fonográfica levou uma chacoalhada. As primeiras a sentirem o impacto foram as empresas maiores, o que deve ocorrer com o mercado editorial. Se o brasileiro pular direto para o tablet, não há como força-lo a comprar de uma loja específica.

Impresso tem futuro?

“O livro impresso ainda vai durar um tempo; alguns tipos, como os de arte, existirão sempre – por outro lado, os digitais vão tomar cada vez mais espaço”, opinou Carlo.

Para ele, as editoras não serão impactadas, desde que façam apenas seu serviço original. ”O que acontece é que muitas editoras viraram distribuidoras, e como a ruptura é na distribuição, essa editora está com problema, porque o autor agora publica direto, sem passar por ninguém. As editoras que souberem fazer a transição estão salvas.”

Hubert, da CBL, acredita que no futuro o mercado será reorganizado de forma que existam grandes empresas de conteúdo – “se vai ser para impresso ou digital, não importa”. O papel deve continuar forte, mas sem ser o principal meio de consumo; tanto que até o governo, principal comprador de livros do país, já está migrando para o digital (saiba mais aqui). Segundo ele, como o brasileiro tende a se apegar rapidamente a novas tecnologias – como aconteceu com celular ou as eleições, hoje totalmente eletrônicas -, o e-book deve se consolidar rapidamente.

Mais leitores

Pesquisas dizem que pessoas que compraram e-readers ou passaram a consumir obras em formato digital começaram a ler mais por causa disso. Outras afirmam que quem não era leitor, se tornou um. Nada disso, porém, garante que essa novidade pode fazer com que o brasileiro leia mais.

Há, de acordo com Carlo, um fator determinante: a cultura. E ela só mudaria em corrente. “O que é mais determinante para criar um leitor é pai e mãe”, ressaltou. “Ter pais que leem forma leitores.”

Academia de ciências nos EUA cria selo para livros ‘verossímeis’

0

Publicado por BBC [via Estadão]

Com avanços tecnológicos, credibilidade de trama se tornou um desafio para autores de romances policiais.

Muitas tramas de romances policiais caem por terra quando os leitores desconfiam da verossimilhança dos acontecimentos. E enquanto escritores tentam garantir que suas histórias sejam críveis e plausíveis, uma organização científica dos Estados Unidos passou a oferecer um selo de aprovação para livros que acertaram na exposição dos fatos.

Não é uma tarefa fácil, a dos escritores. A ficção policial hoje requer um profundo conhecimento de áreas técnicas e científicas, essencial para o roteiro – e que muitas vezes leva a situações difíceis de serem descritas em palavras e de forma precisa.

Agora, a Academia de Ciências de Washington (WAS na sigla em inglês), criada em 1898 por Alexander Graham Bell – o inventor do telefone -, deu início a um projeto que dá selos de aprovação para livros que tenham fatos científico corretos.

“Muito lixo é publicado atualmente na área de ciência”, diz Peg Kay, escritora e membro da WAS. Segundo ela, esse declínio deve-se à pressão comercial e à falta de bons editores por esse declínio.

“Tudo que os agentes querem é atingir as massas. Ninguém sabe mais no que acreditar porque não há mais filtro.”

O presidente da WAS, Jim Cole, afirma que muitas pessoas acompanham séries de ciência da TV, como CSI, que podem dar a impressão de que a tecnologia pode resolver qualquer crime.

“A ciência da maneira como é percebida pelo público não é necessariamente a ciência correta”, diz Cole.

“Com autores publicando na internet sem editoras, acho que essa questão vai ganhar ainda mais importância no futuro, sobre o que é real e o que não é.”

Pesquisa

A maioria dos autores de renome estão cientes da importância de se fazer pesquisas extensas. Eles também costumam entrar em contato com especialistas.

“Sempre me preocupo em não errar”, diz John Gilstrap, autor de onze livros, vários deles na lista de best-sellers do New York Times. “Quanto mais detalhes houver em questões técnicas, o risco é maior. (Basta) Uma frase errada e é incrível o número de e-mails que você recebe dizendo que você cometeu um erro.”

O protagonista de muitos dos livros de Gilstrap é Jonathan Grave, especialista em resgate de reféns.

Enquanto Sherlock Holmes seguia pegadas, Grave usa tecnologia do celular, GPS e rastreia o uso de cartões de crédito.

“O desafio para mim era vender Grave como um cara tecnológico, sendo que eu não sou assim”, diz o escritor.

Gilstrap tem sido tão bem sucedido que um especialista militar chegou a acreditar que ele estava revelando informações tecnológicas secretas em um de seus livros.

“Mas eu não tinha revelado nada, inventei tudo.” (mais…)

Go to Top