Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged investigação

Traição à família de Anne Frank é investigada e vai virar livro

0

Anne Frank em maio de 1942 (Anne Frank House/VEJA)

Ex-agente do FBI retomou a investigação sobre quem delatou o esconderijo de famílias judias — entre elas, a de Anne Frank

Publicado na Veja

– O que – ou quem – levou à prisão de Anne Frank e sua família em 1944 é a pergunta que Vincent Pankoke, um agente aposentado do FBI, tenta responder. Ele lidera uma investigação que envolve uma equipe multidisciplinar, novas técnicas e moderna tecnologia – e que promete os primeiros resultados para 4 de setembro de 2019, 75 anos depois de o esconderijo da família Frank e de outros quatro judeus ter sido denunciado e todos terem sido levados a campos de concentração nazistas.

Anne Frank (1929-1945), autora do famoso diário, morreu quase um ano depois, em Bergen-Belsen. Pankoke mantém um diário com os “bastidores” de seu trabalho no site http://www.coldcasediary.com. Tudo bem construído e com cara de que vai virar filme… e livro. O livro acaba de ser confirmado. Anne Frank: A Cold Case Diary será publicado simultaneamente em 2020 em pelo menos 13 países – incluindo o Brasil – pela HarperCollins.

(Com Agência Estado)

Como uma investigação para um jornal da escola levou à demissão da diretora

0
Reprodução Twitter

Reprodução Twitter

 

Podia ser o argumento de um filme, mas aconteceu na realidade. O que começou com um simples perfil da nova diretora de um liceu de Pittsburg para o jornal da escola acabou por se transformar numa investigação que levou à demissão da recém contratada

Publicado no Visão

A escola secundária de Pittsburg, Kansas, EUA, contratou, no início de março, Amy Roberstson, para o cargo de diretora, com rasgados elogios à sua “experiência extensa e diversificada”. Menos de um mês depois, no entanto, o liceu anunciava a demissão da recém-contratada, na sequência de uma investigação de um grupo de alunos para o jornal da instituição, o The Booster Redux. Tudo começou quando Maddie Baden, uma das alunas que colabora com o jornal, se propôs escrever um perfil sobre a nova diretora. O que os estudantes não contavam, nem Emily Smith, a professora orientadora, é que o artigo acabasse pôr em causa as credenciais de Amy Roberstson.

Foram as declarações sobre a sua experiência profissional que suscitaram a curiosidade dos estudantes de jornalismo. “Não batia certo”, recorda Emily Smith, ao The New York Times. Depois, a recém-contratada começou a tornar-se cada vez mais evasiva e os jovens perceberam que os seus relatos não coincidiam com a realidade: “Faziam-lhe perguntas diretas, mas ela não respondia diretamente”, acrescenta.

Entre os pontos que levarantaram dúvidas aos estudantes estavam as declarações sobre o seu mestrado e o seu doutoramento obtidos, alegadamente, na Universidade de Corllins, que não disponibiliza nenhum endereço onde se possam consultar as acreditações.

Se até aqui os alunos já suspeitavam da veracidade das suas declarações, outros detalhes acentuaram as dúvidas, como foi o caso do bacharelato em Belas Artes que Roberstson alegava ter tirado na Universidade de Tulsa. Após uma investigação, os estudantes concluíram que a universidade não conferia esse grau académico.

Uma vez publicado, o perfil chamou a atenção dos principais órgãos de comunicação social dos EUA e a diretora acabou por se demitir do cargo que acabara de estrear e pelo qual ia receber quase 87 mil euros por ano.

O superintendente da escola, Destry Brown, elogiou o trabalho dos alunos: “Eu acredito fortemente nos nossos jovens que questionam coisas e não acreditam apenas no que lhes dizem.”

Investigação sugere assassinato na morte de Pablo Neruda

0
fed7311c82724db45be97f8f5b5410d0
As primeiras suspeitas teve-as o próprio, naquela tarde de 23 de setembro de 1973. Por isso ligou para a mulher, do hospital onde estava internado havia seis dias. Pablo Neruda sofria de cancro na próstata, mas o que disse foi que lhe tinham dado qualquer coisa e se sentia cada vez pior. O Nobel da Literatura chileno morreria nessa noite, em vésperas de embarcar para o México, onde se dizia que ia liderar um governo no exílio. Cancro, rezavam os documentos oficiais – até que o seu motorista denunciou o alegado assassinato em 2011.

Paulo Alexandre Amaral, na RTP

Agora, pela primeira vez, um documento oficial do Ministério do Interior do Governo chileno admite de forma muito segura a possibilidade de o poeta ter sido de fato assassinado, escreve o jornal espanhol El Pais, que teve acesso a esse papel: “[Pablo Neruda] não morreu em consequência do cancro de que padecia, sendo muito possível e altamente provável a intervenção de terceiros”.

As primeiras desconfianças de que a sua morte nada tivera que ver com o cancro de que sofria – que não estaria sequer em fase avançada – foram levantadas pelo próprio poeta.

De acordo com os documentos oficiais, nesse domingo de 23 de setembro – 12 dias depois do golpe de Estado contra Salvador Allende encabeçado por Augusto Pinochet – foi injetado, ou deram-lhe algo na bebida, com uma substância que precipitaria a sua morte. No dia seguinte estava previsto que viajasse rumo ao México, onde o regime suspeitava que iria encabeçar um governo no exílio, para denunciar a atuação do general Pinochet.

São conclusões que constam do documento enviado a Mario Carroza Espinosa, o magistrado encarregado da investigação à morte do poeta, pela equipa do Programa de Direitos Humanos do Ministério do Interior chileno.

Esta revelação consta igualmente de uma nova biografia de Pablo Neruda, da autoria do historiador Mario Amorós – “Neruda. O príncipe dos poetas” – e com publicação marcada para a próxima quarta-feira em Espanha e dia 23 no Chile.

Estafilococos dourado

Antes de validar definitivamente a tese de assassinato, Mario Carroza Espinosa prefere esperar pelas provas. Admite que há uma série de coincidências, provas testemunhais e documentais a apontar nesse sentido, mas há que esperar pelas provas científicas: “Sempre nos inclinámos para a ideia de que havia algo de estranho nos últimos dias. Neruda tinha cancro, mas não estava nem em agonia nem em fase terminal. Ainda que a 23 de setembro o seu estado de saúde se tenha deteriorado e morrido em seis horas”.

E há um novo elemento que parece fazer valer a atitude reservada do juiz: o estafilococos dourado.

Em maio passado saíam as primeiras notícias de que uma perícia levada a cabo em Espanha, na Universidade de Múrcia, apontou para a presença do estafilococo dourado no corpo do poeta, que foi exumado depois das suspeitas levantadas pelo seu motorista, Manuel Araya, quase quatro décadas após a sua morte.

De acordo com estudo realizado em Murcia, esta bactéria nada tinha a ver com a outra doença do poeta. Trata-se de uma bactéria que, em doses altas, pode revelar-se letal.

É assim que o juiz Carroza Espinosa afirma que está à espera “do resultado de dados científicos mais recentes, revelados em maio. É uma bactéria, germe estafilococos dourado, encontrada no corpo do poeta”. De acordo com o El País, a data limite para a entrega destes últimos exames aponta a março de 2016. Ou seja, em quatro meses poderá ser confirmada a tese de que o regime do general Augusto Pinochet voltou a usar os seus algozes amestrados – no caso um médico – para silenciar a voz dissonante do poeta.

Relatório aponta abuso sexual contra mais de 60 crianças em escola tradicional dos EUA

0

Agressões começaram na década de 1960 na Horace Mann School

Segundo o relatório, Horace Mann School não tomou providências sobre o caso - Divulgação Horace Mann School

Segundo o relatório, Horace Mann School não tomou providências sobre o caso – Divulgação Horace Mann School

Publicado em O Globo

Pelo menos 64 alunos foram abusados sexualmente em uma escola de elite em Nova York entre os anos de 1960 e 1990 por 24 membros da equipe do colégio. O relatório atualizado dos abusos cometidos na escola Horace Mann, no Bronx, revelam mais que o dobro dos casos descritos em um relatório de 2013, feito pela procuradoria distrital, no qual havia a notificação de 25 vítimas.

A investigação é liderada por um ex-juiz e pelo promotor Leslie Crocker Synder e revelou que alunos de ambos os sexos foram abusados na escola, no entanto, a maior parte dos casos envolve os meninos. Em alguns casos, uma mesma vítima foi atacada por mais de um funcionário do colégio.

“Entre 1962 e 1996, mais de 20 denúncias sobre abuso sexuais foram feitas pelas vítimas, por seus pais, professores, testemunhas ou administradores . Os casos foram relatados em várias administrações e ao longo de décadas. Nenhum dos relatórios foi encaminhado para a aplicação da lei. Além disso, a investigação não indica que a escola tenha compartilhado a denúncia da vítima com os pais. Na maioria dos casos, os agressores foram autorizados a permanecer na escola por anos ou décadas depois que o primeiro abuso foi relatado ”, afirma o relatório.

Na terça-feira, a Horace Mann School afirmou que irá rever o relatório para verificar se ele contém sugestões para reforçar a segurança das crianças. A escola já havia anunciado uma série de acordos com ex-alunos, em pelo menos um dos casos estima-se que o valor pago no acordo tenha superado US$ 1 milhão.

Site que oferece livros para download gratuito está ameaçado

0

São 3 mil títulos, entre lançamentos e best-sellers; associação que representa editores ainda investiga os responsáveis pelo projeto

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

No ar há quase dois anos, o site Le Livros construiu um acervo de mais de três mil obras (o último de Chico Buarque já está lá), atraiu 402 mil seguidores no Facebook e, mais incrível, manteve-se fora do radar das editoras e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). Os livros oferecidos lá gratuitamente são protegidos pela Lei de Direitos Autorais e envolveram diversos profissionais em sua produção. A questão é polêmica. Trata-se de pirataria ou de democratização do acesso à cultura?

“Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, disse um dos representantes do grupo, por e-mail, ao Estado. Mas, enquanto uma nova lei de direitos autorais ainda é discutida, o argumento não convence juízes. Agora mesmo, a ABDR ganhou uma ação contra uma pessoa que oferecia três obras acadêmicas para download. A indenização, pela lei, seria no valor de 3 mil exemplares de cada obra. Mas foi fixada em 100 exemplares porque não houve venda.

Lançamentos, como "O Irmão Alemão", de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Lançamentos, como “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Entre janeiro e setembro, foram excluídos 92.847 links desse tipo. Só não é possível saber a quantidade de downloads. As editoras mais pirateadas são acadêmicas e a Record encabeça a lista das de interesse geral. As denúncias chegam a partir de autores e editoras. A ABDR, a quem as editoras delegam a questão, ainda briga na Justiça com o site Livros de Humanas, que foi muito popular e está fora do ar. E há dois meses ela mira no Le Livros, embora não saiba, ainda, a identidade dos responsáveis. Segundo o advogado da entidade, Dalton Morato, um mês depois de conseguir a informação, ele terá uma liminar para retirar o site do ar. “Não há dúvidas de que ele viola a lei de direitos autorais. Ele não cobra pelo conteúdo, mas aceita publicidade”, comentou.

O Le Livros sabe que está em perigo. “Quem luta por uma revolução sabe que cedo ou tarde cairá, mas que sua morte não será em vão, pelo contrário! Servirá para conscientizar milhares e posteriormente estes entrarão na luta e um dia a sede de conhecimento vencerá a ganância por dinheiro”, escreveram também no e-mail.

O site faz frequentemente vaquinhas online para pagar a hospedagem e comprar títulos. Aos usuários, pedem que doem os e-books comprados e o único vídeo no canal deles no YouTube ensina a tirar a proteção dos e-books da Amazon – ao que a gigante americana respondeu: “Respeitamos direitos autorais e esperamos que os consumidores também os respeitem. A política de nossa empresa é tentar prevenir a pirataria, oferecendo uma alternativa legal de baixo custo”.

Um dos argumentos de quem adere à prática é que o produto é caro, e o escritor Carlos Henrique Schroeder concorda. “Como autor, acho que o meio termo é o melhor caminho, e que a pirataria é um aviso válido: ou as editoras baixam o preço dos livros ou ela só vai crescer.”

Se as bibliotecas já tivessem encontrado um bom modelo de empréstimo de livro digital, é possível que esse tipo de site não tivesse mais função. Eduardo Spohr, um dos best-sellers do Grupo Record e cujos títulos estão no Le Livros, vê o compartilhamento do arquivo como um empréstimo de volume físico. No entanto, faz um alerta aos leitores – não falando exatamente sobre o novo portal, que conheceu pela reportagem: “É preciso tomar cuidado com sites hipócritas que usam a imagem de que estão fazendo um favor e democratizando a cultura, mas quando você vê eles têm fins lucrativos. O leitor é manipulado. Não paga um tostão, mas é vítima da publicidade. Não é pela grana, é pela justiça”.

Sobre baixar livros de modos alternativos, a escritora Luisa Geisler conta: “Se a ideia é matar a curiosidade de algo que todo mundo anda falando, faço isso do mesmo jeito como pegaria emprestado. Me sinto bastante culpada, se gosto do livro, compro pelo menos o e-book. E, se gosto muito do e-book, compro o livro em papel, porque nada compensa o livro na estante”. Se suas obras dependessem só de seu trabalho – e porque não se vive de direitos autorais – ela não veria problema em encontrá-los em sites como esse, mas não acha justo com a editora e as pessoas envolvidas, afinal, o livro é um produto comercial.

Cristiane Costa analisa a questão com suas três experiências. Como professora e ex-aluna de universidade pública, ela vê que os estudantes teriam uma bibliografia mais limitada se ficassem restritos às bibliotecas tradicionais. “Sempre que consigo um download gratuito de um livro importante, disponibilizo no grupo fechado no Facebook”, disse.

Como ex-editora, diz que se menos pessoas compram obras acadêmicas, menos obras serão publicadas. “E como autora desse tipo de livro, me pergunto: ainda vale a pena tentar a publicação em papel ou por uma editora de e-book? Depois do Google Acadêmico, a pior coisa que pode acontecer para um pesquisador é ter seu trabalho enterrado numa publicação em papel ou fechada em DRM e que não será encontrada em livraria nenhuma. Nesse sentido, ter seu conteúdo aberto significa mais chances de outras pessoas saberem que sua pesquisa existe.”

Go to Top