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Best-seller juvenil vira minissérie na Globo com empurrão de Manoel Carlos

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Laura Neiva (esq.) vive personagem inspirada na 'narradora-conselheira' de Isabela Freitas

Laura Neiva (esq.) vive personagem inspirada na ‘narradora-conselheira’ de Isabela Freitas

Gabriela Sá Pessoa, na Folha de S.Paulo

Um dos 410 mil exemplares vendidos do best-seller “Não se Apega, Não”, da autora mineira Isabela Freitas, foi parar nas mãos de Manoel Carlos. O livro saiu em 2014, pela Intrínseca, e a sequência, “Não se Iluda, Não” foi publicada recentemente pela mesma editora.

Maneco, autor de novelas globais como “Mulheres Apaixonadas”, gostou do que leu: histórias confessionais sobre relacionamentos e conselhos para dar a volta por cima em términos (“em caso de dor, desapego por favor”, diz um deles).

Tanto que convidou a moça de 24 anos para um café no Rio. A proposta: adaptar o texto para a televisão.

O resultado estreia neste domingo (8) no “Fantástico”, da TV Globo. Serão seis episódios de dez minutos, em que as desventuras amorosas da garota viraram esquetes protagonizadas por Laura Neiva, José Loreto e Rafael Vitti, destaque da última temporada de “Malhação”.

Antes de chegar aos atores, porém, o texto passou pelas mãos das roteiristas Juliana Peres e Mariana Torres, colaboradoras de Maneco há dez e seis anos. A dupla assina, pela primeira vez, uma produção sozinha.

O que Manoel Carlos —criador de oito Helenas, um dos personagens femininos mais longevos da TV—, encontrou de novidade na maneira com que Isabela Freitas aborda o universo das mulheres?

“Talvez nada que já não tenha sido feito, até mesmo por mim”, diz ele. “Mas no caso da Isabela, oriunda de um universo que eu pouco conheço, o que me cativou foi a maneira direta de se expressar, com a convicção de estar falando às pessoas certas, capazes de entendê-la.”

Coisa que a jovem escritora diz ver pouco na televisão. “Outro dia vi uma reportagem, falando que a TV está muito velha, com programação para pessoas mais velhas”, comenta ela. “O jovem tem muita vontade de ter voz na TV, por isso recorre à internet, ao YouTube.”

MAIS RÁPIDO

O ambiente virtual ela domina como a palma da mão. Seu site diz contabilizar 100 mil visitas diárias e sua página no Facebook é seguida por 406 mil pessoas.

A maneira com que Isabela se comunica com seu público foi algo que as roteiristas tentaram desvendar.

Habituadas a escrever novelas, as roteiristas contam que precisaram adaptar suas técnicas de escrita para “Não se Apega, Não”.

O fluxo “muito mais rápido” da narrativa, diz Juliana Peres, exige que o gatilho de uma cena esteja “dentro” da que a antecedeu, sem tempo para passagens.

A agilidade do texto, para Mariana, é o “mistério do talento e do sucesso” de Isabela Freitas. “Ela encontrou uma maneira de se comunicar com o público jovem, que é muito difícil”, afirma.

Com quatro anos de experiência como blogueira e escritora, Isabela dá a letra: o segredo da fama em tempos de “youtubers” é manter a autenticidade, “sem forçar ser o que você não é”.

“Sendo autêntico, direto e sincero, sem ficar pensando no que vai falar, sem se prender muito a roteiros”, conta. “As pessoas vão gostar e se sentir próximas”, acredita.

Blogueiras Isabela Freitas e Bruna Vieira são atrações da Bienal do Rio

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Autoras lançaram livros a partir de seus blogs e canais no Youtube.
Elas participam do Conexão Jovem e a distribuição de senhas é as 13h.

Publicado no G1

Isabela Freitas  (Foto: Leo Avers/Divulgação)

Isabela Freitas (Foto: Leo Avers/Divulgação)

A blogueira Isabela Freitas, autora de “Não se apega, não”, é a atração da tarde desta sexta-feira (11) na Bienal do Rio. Ela estará às 16h no Conexão Jovem, no Auditório Madureira, Pavilhão Verde do Riocentro para o “Bate-papo com a autora”, com mediação de Jaqueline Silva.

Os fãs poderão fazer perguntas para a jovem, que é mineira de Juiz de Fora, e trancou o curso de direito no oitavo período para se dedicar aos livros. Seu best-seller “Não se apega, não” vendeu 80 mil livros em três meses. A trajetória começou em 2010, quando criou um perfil no Twitter e conquistou milhares de seguidores. Não demorou muito para criar o blog e receber o convite para lançar o primeiro livro.

Os organizadores da Bienal informam que a distribuição de senhas acontece às 13h, na Central de Distribuição de Senhas, que fica entre a Praça Copacabana e o Espaço Maracanã, ao lado da Praça Central, na área externa do pavilhão.

E o Conexão Jovem continua às 18h, no mesmo local, com Bruna Vieira, autora do blog “Depois dos quinze”, uma espécie de diário na internet com 130 milhões de acessos. Bruna decidiu compilar suas crônicas e transformá-las em livro. A mediação do bate-papo é também de Jaqueline Silva.

A youtuber Bruna Vieira, do canal "Depois dos quinze" (Foto: Divulgação)

A youtuber Bruna Vieira, do canal “Depois dos
quinze” (Foto: Divulgação)

No Pavilhão Azul, no Café Literário, às 16h tem o encontro de Ignácio de Loyola Brandão, Tânia Rosing, Julio Ludemir, Marisa Lajolo e Volnei Canônica, numa conversa sobre “Feito de homens e livros: A formação de leitores no Brasil”, com mediação de Dolores Prades.

O Café Literário, espaço para discussões sobre cultura, debate as relações do Rio de Janeiro com as letras, entre outros assuntos. Serão 33 debates ao longo de todo o evento, que termina no domingo (13).

A 17ª edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro reúne mais de 200 autores autores brasileiros e estrangeiros, estreantes e experientes, de diversos estilos.

Argentina homenageada
O país homenageado é a Argentina, que tem um estande de 400 metros quadrados e um auditório batizado como Manuel Puig, em homenagem ao autor de “O beijo da mulher-aranha”, que foi transformado em filme por Hector Babenco, com Sônia Braga, Raul Julia e William Hurt no elenco.

A delegação argentina tem 15 autores, que mostrarão um pouco da literatura que é feita pelo país vizinho. Entre eles destaca-se Eduardo Sacheri, autor de “O segredo dos seus olhos”, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Outros destaques são Martín Kohan, Tamara Kamenszain, Claudia Piñero, Mariana Enríquez, Mempo Giardinelli e Sérgio Olguín.

Entre os nomes internacionais de outros países estão Jeff Kinney, autor da série de livros “Diário de um banana”, e Sophie Kinsella, autora da série de livros que consagraram a personagem Becky Bloom. Ambas as obras têm versões cinematográficas.

Mineira desbanca livros de colorir e assume topo de lista de mais vendidos

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Elemara Duarte, no Hoje em Dia

Isabela– “Quem se ama, se basta. Sou uma conselheira, uma amiga através dos livros”

Isabela– “Quem se ama, se basta. Sou uma conselheira, uma amiga através dos livros”

A escritora que mais vende livro no país é mineira. A novidade na lista, pelo balanço referente à última semana do mês de agosto, vem de Juiz de Fora, com a autora Isabela Freitas. Isso na categoria “Geral” da tradicional lista do mercado editorial Nielsen PublishNews.

Com o livro “Não Se Iluda, Não” (Editora Intrínseca), Isabela desbancou o best-seller colorível “Jardim Secreto” (de Johanna Basford, Editora Sextante), lançado no Brasil no ano passado e que tem se firmado no alto da lista pelo menos desde o início de 2015.

Como se não bastasse, Paulo Coelho, o escritor que mais sabe destas delícias de ser um autor muito lido, soube da história e mencionou o feito da garota de 24 anos no seu Twitter. “Palmas para a brasileira que conseguiu desbancar estrangeiros nas listas dos mais vendidos!”, disse o autor.

De papo com o ídolo

“Gente, não acredito!”, disse Isabela, ao saber da repercussão pela fala do “Mago” sobre a marcante venda de 26.820 exemplares do livro que escreveu na Zona da Mata mineira.

“Eu cresci junto dos livros. Desde pequena sempre li demais. A maior alegria da vida era ter um livro novo. Lia Umberto Eco, André Vianco e li Paulo Coelho também. Eu ainda era criança. Via aquele escritor no final da página e falava: pessoa inatingível. Agora, os meus sonhos se realizaram e de uma forma natural”, diz ao Hoje em Dia.

Sem sofrer

Isabela, em seu segundo livro, dá sequência às histórias dos personagens do livro “Não Se Apega, Não” (2014). São histórias de namoro adolescente, mas com um diferencial. Isabela ensina que a cabeça até que pode ficar nas nuvens em um romance – mas desde que os pés permaneçam firmes no chão. Sim, a paixão pode ser racional.

E de onde vem esta clareza para viver? “Desde pequena sempre fui muito bem resolvida. Quando adolescente, terminava um namoro e deixava”. E quando começou a escrever na internet, lembra, focava sempre nos assuntos da autoestima. “Com os livros, procurei manter isso”, afirma. “Sofremos muitas vezes com relacionamentos que não tinham nada a ver com a gente”, ensina.

Mãe é mãe

A escritora que mais vende livro hoje no Brasil mora em Juiz de Fora com os pais. Lá onde nasceu e cresceu, de vez em quando, algumas fãs a esperam na porta da academia para tietar. Mas nada que precise de uma equipe de seguranças. “Mas eu penso em sair, sim. Eu tenho um blog e trabalho com publicidade. Se eu morasse em São Paulo seria melhor”, diz.

Por enquanto, ela fica em Juiz de Fora e a culpa é da mãe dela. Mãe mineira, sabe como é… “Ela fala: ‘Ai, não vai não’. Ela faz tudo para mim. E não é porquê eu peça, ela que faz questão. E fica com o coração partido quando falo isso”. Isabela tem uma irmã mais nova.

Paula Pimenta

NA LIDERANÇA – Outra mineira, Paula Pimenta emplacou nove livros na
lista Nielsen PublishNews em agosto. Leo Drumond/Divulgação

Paula Pimenta lança ‘Fazendo Meu Filme em Quadrinhos 2’

A iniciante?e já consagrada carreira de Isabela Freitas no mundo dos best-sellers parece que segue os passos de outra mineira, a belo-horizontina Paula Pimenta que, aos 40 anos, possui 15 títulos e já vendeu quase 1 milhão de livros.

Ambas estarão na 17ª Bienal Internacional do Livro Rio. Isabela Freitas, nesta sexta-feira, dia 11, e Paula Pimenta, volta no dia 12 – ela esteve por lá no dia 5. Mais uma fila de fãs enlouquecidos certamente vai aguardá-las. Na última semana, as 450 senhas para autógrafos com Paula se esgotaram. No evento, ela lança seu 15º livro: “Fazendo Meu Filme em Quadrinhos 2”.

Entre os 20 mais lidos

Na lista Nielsen PublishNews, Paula é considerada a autora “número um” quando se trata da quantidade de livros. Ela emplacou nove livros em agosto, e na soma geral dos 20 mais lidos.

“Em 2014, neste mesmo ranking, fui a autora que mais vendeu livro no Brasil”, lembra. Além disso, acrescenta, em julho, 11 livros dela ficaram entre os 20 mais lidos do Brasil.

Mas Paula, como é a relação entre vocês duas – as autoras mais lidas? (mais…)

Autora do sucesso “Não se apega, não” dá dicas para desapego e conquista leitores

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Com 23 anos, Isabela Freitas acaba de lançar o romance Não se Apega, Não (Foto:Divulgação/Leo Aversa)

Com 23 anos, Isabela Freitas acaba de lançar o romance Não se Apega, Não (Foto:Divulgação/Leo Aversa)

Jovem mineira Isabela Freitas começou a escrever no microblog Twitter. Seus conselhos e dicas fizeram tanto sucesso que ela foi convidada a lançar seu primeiro livro

Giulia Marquezini, no Correio da Bahia

Mineira, 23 anos, e dona dos melhores conselhos sobre relacionamentos. Isabela Freitas tinha apenas 19 anos quando, em 2011, atingiu mais de 25 mil pessoas no Twitter e resolveu criar o blog isabelafreitas.com.br.

Seus conselhos amorosos faziam sucesso em 140 caracteres e ela quis expandir, já que seus fãs pediam textos mais longos e diziam que gostariam de dividir suas histórias com a moça. O blog atualmente já soma mais de 60 milhões de visualizações e conta com outros colaboradores.

A plataforma, que serviria inicialmente para colocar seus sentimentos para fora e se expressar, alcançou um sucesso inesperado e os conselhos de Isabela foram parar no livro Não se Apega, Não (Intrínseca/R$ 14,90/256 páginas).

No livro, a blogueira cunhou as 20 regas do desapego, tema central da publicação de auto- ajuda. Em uma das passagens, Isabela é clara ao definir a palavra. “Desapego não é indiferença, covardia ou desinteresse. O desapego é se libertar de tudo aquilo que faz mal e causa sofrimento […] É sinônimo de se libertar”.

Não se Apega, Não conta a história da personagem Isabela, que decide terminar o namoro de dois anos com Gustavo. Mas a Isabela da ficção sempre namorou sério desde a adolescência e permanecer solteira é um enorme desafio na sua busca pelo autoconhecimento.

A coincidência com o nome, inclusive, foi uma jogada publicitária para que o leitor se sentisse mais próximo da história e da autora. E deu certo. O romance conquistou o público jovem, mais especialmente as meninas, fãs ansiosas que se espelham em Isabela e interagem com ela nas redes sociais na busca de um conselho amoroso sobre suas vidas.

As conclusões sobre amor e relacionamento que a personagem chega no decorrer da história foram embasadas nas experiências que os leitores do blog enviavam.

Em Entrevista ao CORREIO, a jovem autora se diz feliz com o sucesso das vendas, o feedback positivo do público, responsável pela façanha de colocar Não se Apega, Não na lista dos livros mais vendidos durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, superando o best-seller A Culpa É das Estrelas, do americano John Green. Confira.

Como surgiu a ideia do blog e depois do livro?

O blog surgiu a pedido das minhas seguidoras no Twitter, que na época, novembro de 2011, contavam mais de 25 mil pessoas. Decidi entrar nessa de cabeça, e criei!. Nunca imaginei que fosse dar tão certo, ou que fosse fazer sucesso. Só me senti bem por ter um lugar onde podia me expressar, e colocar para fora meus sentimentos. Escrever um livro sempre foi um sonho, veja bem, eu, uma leitora assídua desde muito nova, escrevendo um livro? Só em sonho! Até que um dia recebo um e-mail despretensioso me convidando a escrever um livro. Era a editora Intrínseca, e eles estavam acompanhando o blog, e gostaram do meu trabalho. Foi inacreditável, ainda é.

A Isabela do livro é realmente você?
Não, eu nunca disse isso. A Isabela é uma personagem – ponto. Coloquei nela algumas de minhas experiências e as transformei em ficção. A brincadeira com o nome foi uma jogada, porque queria que o leitor se sentisse próximo, como se fôssemos amigos.

Isabela Freitas em entrevista no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Reprodução)

Isabela Freitas em entrevista no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Reprodução)

Como seu ex-namorado encarou essa exposição?

Exposição? Mas ele nem é citado no meu livro! O ex-namorado do livro só existe no livro.

Escrever funcionou como uma espécie de terapia para curar decepções amorosas?

Escrever é terapia para tudo, na real. Decepção amorosa, tristeza, insatisfação, angústia, ressentimento. Todos esses sentimentos ruins se esvaem quando os colocamos em palavras. Escrever funcionou – para mim – como um processo de autoconhecimento, através da escrita percebi meus defeitos, erros, e mudei muita coisa que não estava certa na minha vida.

O que significa desapegar pra você?

Se livrar de coisas ruins que só te retém e te fazem mal. É isso que o desapego deve tratar. Deixar para trás o que é negativo, e levar consigo somente o que te faz bem.

Qual a diferença da Isabela de antes do livro e a de depois?

Como escritora, a diferença foi gritante. Como foi minha primeira obra, me sentia muito insegura ao escrever. Não sabia o que o leitor queria de mim, e se ele ia gostar do que foi apresentado. Escrevia, apagava, escrevia, apagava. Sou extremamente perfeccionista, e acho defeito em tudo. Então dá pra imaginar como foi esse processo de escrever o primeiro livro. A Isabela de depois do livro se viu feliz com o sucesso das vendas, o feedback positivo do público, e ganhou uma confiança para escrever o próximo. Parece que agora as palavras fluem com muito mais naturalidade.

Você está namorando. Esse novo amor veio de forma distraída, como você afirmou em seu livro? Como vocês se conheceram?

Ah, sim, sim. O Leonardo, meu namorado, é irmão do meu melhor amigo, Leandro. Já conhecia o Leandro há algum tempo, mas nunca tinha sido apresentada ao irmão. Quando o conheci, logo vi que tínhamos coisas em comum, mas nada mais do que isso – afinal, eu namorava outro garoto na época. Quando terminei meu namoro, nós percebemos tudo que estava ali, e nós nunca percebemos. A química era inegável, e nós, distraídos, nunca notamos.

Como seu namorado lida com a exposição dos seus pensamentos no blog?

Ele acha o máximo, de verdade. Fico até espantada. Ele me apoia em tudo que faço, e isso é essencial, sabe? Não podemos ter ao lado uma pessoa que tudo desconfia, afinal, um escritor é uma pessoa que imagina muitas histórias, e se você for levá-las todas a sério, não há relacionamento que aguente. Além de que ele se diverte, vai nos meus lançamentos, me cobra quando esqueço de postar alguma coisa, posso dizer que ele é meu assessor.

O blog tem colaboradores que escrevem além do público que sempre comenta. Como surgiu a ideia dessa colaboração?

Surgiu da necessidade de sempre produzir novos posts, afinal, é difícil conseguir manter o blog atualizado sozinha. Então, selecionei algumas pessoas das quais gosto do trabalho, e eles colaboram uma vez por semana, com textos novos.

Você pretende lançar outro livro? Ou alguma continuação desse?

O Não se Apega, Não vai ter uma continuação, sim. Estou escrevendo neste momento! A Isabela ainda vai se encrencar muito nos seus relacionamentos…

Meninas que se identificaram e que dizem que o seu livro mudou a vida delas. Qual a sensação, como escritora, desse retorno?

Diria que perfeita. Escrever é libertador, você coloca para fora tudo que sente, e espera que alguém sinta a mesma de volta. E quando me dizem frases como essas, nossa! Tenho vontade de abraçar bem forte a pessoa, e nunca mais soltar. Para um escritor, é como ganhar um Grammy. Mudar a vida das pessoas é algo que sempre quis, mas nunca soube ao certo como fazer. Agora sei, com palavras.

Não se Apega, Não esteve na lista dos mais vendidos da Editora Intrínseca durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada em agosto, desbancando A Culpa É das Estrelas, do americano John Green. Como você encara essa conquista?

Olha, tem certeza disso aí? Não, é sério? Ainda acho que é pegadinha, rs. Brincadeira. Eu encarei dessa forma: sem acreditar. Afinal, John Green é um gênio o qual admiro e muito! Um dia chego na unha do dedo mindinho dele, sabe? Agora é sério, acho que ver o Não se Apega, Não na lista dos mais vendidos mostra que o jovem brasileiro está cada vez mais interessado na leitura, e isso é algo prazeroso de se ver. Espero que esses leitores continuem comigo, me acompanhando a cada novo livro.

Em sua descrição no livro você diz que pretende cursar Jornalismo. Como andam esses planos? Dá pra relacionar um curso na universidade com a literatura?

Tranquei a faculdade de Direito no oitavo período para terminar de escrever Não se Apega, Não, então eu pretendo primeiro concluí-la, para depois pensar na faculdade que farei em seguida. Não posso desperdiçar quatro anos de estudos, mesmo que o Direito não seja mais uma opção para mim. As pessoas mudam, eu mudei. O Jornalismo está dentro dos meus objetivos e, com certeza, cursar essa faculdade ajudaria e muito na literatura. Sempre quis escrever um romance sobre uma jornalista, rs… Não sei por quê, mas jornalistas sempre me dão uma inspiração a mais.

Isabela Freitas, do best-seller ‘Não se apega, não’, celebra autoajuda juvenil

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Autora de 23 anos explica ao G1 como foi vender 80 mil livros em 3 meses.
Obra junta ficção, realidade e tom motivacional ao abordar relacionamentos.

Cauê Muraro, no G1

A escritora Isabela Freitas, autora de 'Não se apega, não' (Foto: Divulgação/Intrínseca)

A escritora Isabela Freitas, autora de ‘Não se
apega, não’ (Foto: Divulgação/Intrínseca)

Isabela Freitas demorou para ter internet em casa: até 2010, não fazia noção do que eram redes sociais. Mas aí resolveu criar um perfil no Twitter e arrebanhou milhares de seguidores. Eles gostaram tanto que pediram mais, talvez um site. Ela jogou no Google “o que é blog e como criar”, deu certo de novo, e uma editora a convidou a escrever um livro. E Isabela escreveu.

“Não se apega, não” (Intrínseca) fala de relacionamentos, ou mais precisamente da vida após o término. Mas a abordagem é positiva e otimista. A obra saiu no final de junho e virou líder nas listas de best-sellers. Já vendeu mais de 80 mil exemplares. Isabela tem 23 anos e trancou a faculdade de Direito no oitavo período. Quer um dia retomar os estudos e pensa ainda em cursar publicidade ou jornalismo. Ou psicologia. Certeza ela só tem de que “mora em Juiz de Fora, mas vive mesmo no mundo da Lua”. O site de Isabela soma mais de 60 milhões de visualizações. E ela tem 163 mil seguidores no Twitter. Eles adoram saber detalhes da vida pessoal da autora. E também adoram o teor motivacional dos posts, atributo que a jovem sabidamente transporta para livro. “O ‘Não se apega, não” tem o lado ficção, e tem o lado autoajuda. Dei uma mesclada nos dois, e esperei para ver a reação do público. Eles gostaram! E pediram por mais!”, explicou ao G1 em entrevista por e-mail. Assim: com exclamações.

G1 – Você se diz: ‘escritora, blogueira e exagerada’. Exagerada em que sentido?
Isabela Freitas – Em todos. Eu sinto muito e a todo momento, quando gosto de alguém – gosto muito. Quando gosto de alguma coisa – gosto muito. Quando quero alguma coisa – quero muito. Sou aquele tipo de pessoa que vive aos extremos, se me matriculo em uma academia, eu me matriculo para ir todos os dias, ser a melhor. Quando entrei na faculdade, só aceitava notas altas. Quando amo, eu amo muito. Quando fico triste, você vê no meu semblante a tristeza. Aqui não tem muito meio termo, nem equilíbrio.

G1 – Também diz que você é ‘louca por histórias de amor, desenhos animados, e bichinhos de rua’. Qual a sua história de amor favorita? E o seu desenho?
Isabela Freitas – Minha história de amor favorita é Tristão e Isolda – amo histórias de amor trágicas e… exageradas. E meu desenho favorito é Mulan, porque foi o primeiro da Disney em que vi uma princesa que se salva sozinha, e é independente. Quando pequena assisti esse filme e fiquei pensando: “Quero ser igual a ela!”.

G1 – Esta perda recente, a morte do seu avô alguns dias antes da entrevista, mudou o jeito como você avalia as coisas das quais devemos ou não nos desapegar?
Isabela Freitas – Não mudou, não. Sempre disse que devemos desapegar das coisas ruins da nossa vida, no caso da morte do meu avô, estou tentando me desapegar da tristeza, da angústia, e desse sentimento sem nome que fica na minha cabeça martelando ‘’por quê? por quê?’’. Agora vou me apegar às lembranças boas que tive ao lado dele, das memórias gostosas, do sorriso, e da alegria de viver que ele tinha. Nunca vou desapegar do meu avô, mas vou aceitar a sua partida com o tempo. O amor fica, o sentimento ruim uma hora vai…

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G1 – ‘Não se apega, não’ é descrito como ‘não ficção’. Mas, numa entrevista antes de ele ser publicado, também no site, a editora informava que o livro seria ‘ficção young adults’. Afinal, o ‘Não se apega, não’ é o quê?
Isabela Freitas
– Uma mistura de tudo, pode? O “Não se apega, não” tem o lado ficção, e tem o lado autoajuda. Dei uma mesclada nos dois, e esperei para ver a reação do público. Eles gostaram! E pediram por mais! Então no próximo livro, continuação do primeiro, pretendo continuar com essa fórmula. Vou ver se foco mais na ficção, porque percebi que os leitores gostaram bastante dos personagens. Mas é claro, sem perder a essência da personagem que vem ajudando tantas pessoas por aí.

G1 – Tem diferença entre a Isabela que narra o livro e a Isabela com que está respondendo essas perguntas?
Isabela Freitas
– Ah, tem. A Isabela do livro é um “ideal”, tento colocá-la de forma bem madura (em alguns momentos, rs!). Coisa que muitas vezes na vida real, é difícil. Ela é mais o que eu queria ser. Nós somos duas pessoas diferentes, apesar de bem iguais. É o que sempre digo quando alguém me diz “você escreveu sobre minha vida!”, sim! Eu escrevi sobre a vida de uma garota comum. O nome é o que menos importa.

G1 – O material do livro é fruto de experiência pessoal ou mistura relatos?
Isabela Freitas
– Um pouco dos dois. Tem coisas que já vivi, e modifiquei para ficção, e tem relatos de amigos que tive vontade de incluir na ficção. Minha vida não é tão interessante, e tão intensa. Mas quis que a da Isabela fosse, afinal, existem muitas Isabelas por aí.

G1 – Acha que, se não fosse considerada bonita, o seu sucesso seria o mesmo?
Isabela Freitas
– Seria, sim. As pessoas não gostam do que escrevo, ou falo, pela minha aparência. Eu não vendo minha imagem, sabe? Isso é irrelevante. Até porque não me considero bonita! Minha mãe talvez me ache a mais linda do mundo (risos).

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G1 – Você começou no Twitter, em 2010, inspirada pela série ‘Gossip girl’?
Isabela Freitas
– Sim, foi isso mesmo. Gosto de ressaltar que meu pai demorou a colocar internet aqui em casa, então eu fui ter uma noção e prazer por redes sociais em 2010 só! Rs. Criei a personagem de “Gossip girl”, e postava frases ácidas, e sinceras. Os temas que rendiam eram sempre sobre relacionamentos no geral, a Blair falava o que todo mundo pensava, mas por algum receio, não falava.

G1 – Por que o seu Twitter fez tanto sucesso?
Isabela Freitas
– Olha, porque desde o início eu fugi do padrão “mais do mesmo”. Eu não pedia para me seguirem de volta, não pedia indicação, e não escrevia frases simplesmente para fazer sucesso e ganhar RTs. Eu postava porque gostava de escrever, e porque queria distrair minha mente com alguma coisa. Acho que para fazer sucesso você tem que fazer por paixão, e não por fama.

G1 – Como foi a criação para o blog? Foi ‘atendendo a pedidos’ ou era uma ideia que você já tinha?
Isabela Freitas
– Foi atendendo a pedidos mesmo. Eu não sabia o que era um blog, para você ter uma noção… Não visitava nenhum, não conhecia nenhum. Joguei no Google “o que é blog e como criar um”, e fiz. Desse jeito!

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G1 – Você se incomoda quando dizem que o livro é ‘autoajuda juvenil’?
Isabela Freitas
– Claro que não, fico muito honrada. “Seu livro mudou minha vida”, “depois do seu livro sou outra pessoa”, “você me ajuda demais”, “você se tornou minha melhor amiga” – são frases que escuto por aí. E se isso é uma autoajuda juvenil, olha que beleza? Um orgulho! Sempre quis que meu livro fosse além da ficção, porque meu blog tem esse cunho de ajudar quem o lê. O “Não se apega, não” veio para ser um refúgio para o leitor. No Twitter é fácil, são pensamentos rápidos. No blog já são textos maiores. Mas um livro, nossa! Como senti dificuldade no início. Uma história, mais de 200 páginas. Você pensa “nunca vou conseguir preenchê-las com um pensamento contínuo”, e quando vê, já se foram quatro capítulos… Cinco, o livro todo. Você precisa encontrar a voz do seu personagem.

G1 – No livro, há ’20 regras do desapego’. A número 6 diz: ‘As pessoas são falsas, e sempre que tiverem uma oportunidade vão te apunhalar pelas costas’. Já a número 19 diz: ‘É preciso acreditar nas pessoas, mesmo quando nem elas mesmas acreditam’. Mas como ‘acreditar nas pessoas’ se elas são ‘falsas e sempre que puderem vão te apunhalar pelas costas’?
Isabela Freitas
– Então vamos lá. Na regra número 6, eu me refiro a algumas pessoas, que estão sempre ali, por perto, esperando por uma oportunidade para te apunhalar pelas costas. Na 19, o significado do acreditar é diferente. Eu digo para você acreditar que a pessoa é capaz de alguma coisa. Acreditar que seu amigo pode se tornar o médico que tanto sonha, acreditar que seu irmão vai sim, passar naquele concurso tão disputado, entende? É algo que parte de você, não das outras pessoas. Você precisa acreditar no outro, torcer por ele. Se ele te decepcionar, quem está perdendo? Ele. Mas você fez de tudo. Você foi verdadeiro. Mesmo que as outras pessoas não tenham sido. Certo?

G1 – O seu livro foi inicialmente pensado para mulheres?
Isabela Freitas
– Claro. Meu público é 90% composto por mulheres. Mas eu adoro ver que alguns homens se rendem a leitura, e vem me elogiar. Alguns gostam de entender a mente das mulheres, e nada melhor do que o meu livro, né? Nós somos complicadas. Homens podem aprender a entender as mulheres, e claro, desapegar. Porque quando falamos de amor… não existe gênero.

G1 – Você costuma se comunicar bastante com o público, falar do seu dia a dia. Compartilhar esses assuntos banais é essencial para o sucessos?
Isabela Freitas
– Essencial. Os leitores gostam de saber o que você fez, o que usou no dia, o que comeu, onde foi, com quem foi, o que fez. Isso nos torna (mais) próximos, somos quase como melhores amigos distantes. Gosto bastante disso, de compartilhar com eles meus sentimentos, o que estou pensando, sentindo, comentar sobre os assuntos que estão em pauta no momento. Acho muito importante.

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