Contando e Cantando (Volume 2)

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Primeira na UnB passou 4 vezes em engenharia e 9 em medicina

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‘Não me julgo inteligente. Julgo-me esforçada’, diz jovem.
Aos 18 anos, Isadora escolheu área de saúde, na USP.

Isadora Santos Bittar, primeira colocada no PAS da UnB e aprovada nove vezes em medicina e quatro vezes em engenharia (Foto: Isadora Bittar/Arquivo pessoal)

Isadora Santos Bittar, primeira colocada no PAS da UnB e aprovada nove vezes em medicina e quatro vezes em engenharia (Foto: Isadora Bittar/Arquivo pessoal)

Raquel Morais, no G1

Primeira colocada no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília, Isadora Santos Bittar, de 18 anos, chama a atenção pela humildade: ela afirma não se julgar inteligente e diz que se sentiu aliviada com o bom resultado. Mas a lista de conquistas da menina, que começaram ainda no 1º ano do ensino médio, não para por aí: são quatro aprovações para engenharia e nove para medicina em diversas universidades públicas.

Eu sonhava com os bons resultados, mas não tinha certeza de que iria consegui-los. Senti-me feliz e aliviada com eles. Eu não me julgo inteligente, conheço pessoas tanto mais quanto menos inteligentes do que eu, então vejo como algo relativo. Julgo-me esforçada”
Isadora Santos Bittar, estudante de 18 anos aprovada nove vezes em medicina e quatro vezes em engenharia

A primeira delas ocorreu no final do 1º ano do ensino médio, quando ela ficou em primeiro lugar em engenharia no campus de Catalão da Universidade Federal de Goiás, pelo Sisu. No ano seguinte, ela foi aprovada para o mesmo curso na UFG (no meio do ano) e na Universidade Federal de Ouro Preto e para medicina na Universidade Federal do Ceará, na UniRio e na UFG (final de 2012).

Já no 3º ano, Isadora conquistou o primeiro lugar em engenharia na UFG e o terceiro em medicina na Universidade Federal Fluminense na metade do ano, e o quarto lugar em medicina na Universidade Federal de Minas Gerais, o quarto lugar em medicina na Universidade Estadual de São Paulo, o terceiro na Universidade de São Paulo, o primeiro na UnB e uma vaga na Universidade Federal de São Paulo no final do ano.

Ciente de que obteve desempenhos admiráveis, a menina não se deixa impressionar. “Eu sonhava com os bons resultados, mas não tinha certeza de que iria consegui-los. Senti-me feliz e aliviada com eles”, afirma.

“Eu não me julgo inteligente, conheço pessoas tanto mais quanto menos inteligentes do que eu, então vejo como algo relativo. Julgo-me esforçada. Acho que os bons resultados vieram do esforço; do hábito de leitura que tenho desde criança – ajudou na interpretação dos enunciados, assimilação do conteúdo e elaboração de respostas. Além disso, o contato com professores e amigos críticos, conscientes”, completou a jovem.

A preparação, segundo Isadora, aconteceu ao longo de todo o ensino médio. Ela estudava entre três e quatro horas por dia no primeiro ano, fazendo listas de exercícios e revisando a matéria do dia. Na série seguinte, a jovem passou a resolver provas de vestibular de anos anteriores e a ler sobre as matérias em que tinha dificuldade. Na última etapa, ela incluiu ainda leituras sobre assuntos diversos nas tardes e noites em que não tinha aula.

Meu tempo de estudo variou muito. Em um domingo conseguia estudar mais de sete horas, mas durante a semana às vezes eram menos de quatro. Fazia mais exercícios do que lia. Para mim exercitar é o mais importante na preparação”
Isadora Santos Bittar, estudante de 18 anos aprovada nove vezes para medicina e quatro para engenharia

“Nessa fase meu tempo de estudo variou muito. Em um domingo conseguia estudar mais de sete horas, mas durante a semana às vezes eram menos de quatro. Fazia mais exercícios do que lia. Para mim exercitar é o mais importante na preparação. No primeiro e segundo anos sobrava muito tempo para o lazer, no terceiro reduziu bastante, mas eu continuei reservando um tempo para ler, ver um filme ou conversar com os amigos, pois o estresse é um dos piores inimigos”, lembra.

Além disso, a jovem fazia caminhada e corrida para controlar a ansiedade e conversava com o namorado, amigos e professores para se sentir mais confiante. E, para as provas, levava suco, bolacha e chocolate.

Ansiosa em relação à nova etapa, a garota, que se prepara para deixar Goiânia, se diz feliz. “A partir de agora eu espero ter mais tempo para atividades extracurriculares. Creio que a rotina será um pouco pesada, pois a grade do meu curso é bem densa, mas menos cansativa do que no ensino médio, pois há menor pressão e vou estudar coisas pelas quais me interesso bastante.”

Escolha

Motivada pelos incentivos à pesquisa e intercâmbio, qualidade do corpo docente, infraestrutura e tradição, Isadora optou por cursar medicina na USP. Ela afirma que ainda não se decidiu em relação à especialidade, mas garante já ter cogitado cirurgia-geral, obstetrícia, genética e saúde da família.

Já a escolha do curso aconteceu no 2º ano, depois de ela se ver inclinada para jornalismo, direito, química, física médica, engenharias civil e elétrica e biotecnologia. “Sempre gostei muito de biológicas e exatas, mas percebi que não queria me aprofundar em matemática e física (estudando cálculo, por exemplo). Já sobre biologia eu queria conhecer cada vez mais, principalmente nas áreas de citologia, genética e fisiologia. Além disso, comecei a me interessar pela atuação médica na cura, no alívio da dor, pela medicina humanizada. Então optei pelo curso”, explica.

Isadora não esconde as expectativas para a nova fase. “Espero aprender bastante, envolver-me em projetos de pesquisa e trabalhar tanto pelo progresso científico quanto por uma medicina humanizada, cujo foco seja auxiliar o paciente, e não possibilitar enriquecimento ou status ao profissional.”

Isadora Faber defende tecnologia em sala de aula

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Criadora do Diário de Classe fala sobre sua ONG, que ajudará escolas a se incluírem no mundo digital

Publicado por Jornal do Brasil

“Minha irmã ganhou bolsa para uma escola particular e eu fui conhecer a escola com ela. Comecei a comparar a minha, que não era pintada e estava cheias de problemas, com a dela, que era direitinha. E pensei: nossa escola não é de graça só porque é pública, nós pagamos impostos. Isso foi a gota d’água para criar a página para reclamar da minha escola”.

Estas foram algumas das primeiras frases da Isadora Faber, a criadora do Diário de Classe, durante palestra no TEDx Unisinos, que foi disponibilizada na última semana. Durante o evento, a jovem de 14 anos apresentou algumas de suas conquistas com a página: 630 mil pessoas mobilizadas no Facebook, apoio da mídia nacional e internacional, mais de 700 mil visualizações e sua escola (quase) novinha em folha.

Todos esses ganhos chamaram a atenção de outros alunos, gestores e professores que desejam melhorar as instituições que estudam ou trabalham. Desde o dia 11 de julho de 2012 – data de lançamento da página –, Faber já recebeu mais de 6.000 solicitações de outras pessoas pedindo dicas de como fazer um trabalho como o dela. Para ajudar toda essa gente, a ideia foi criar a ONG Isadora Faber. “É uma maneira de dar palestras e falar sobre cidadania, que é um assunto pouco discutido nas escolas. A gente quer ajudar essas pessoas porque estão precisando. Educação é um assunto muito sério”, afirmou.

Para apoiar essa turma toda, a ONG vai organizar minicursos com profissionais para criação de vídeos, uso de fotografias, internet e cursos para atualização e aperfeiçoamento para professores. É também objetivo da instituição angariar fundos, por meio de doações, para que escolas de rede pública comprem computadores, notebooks e tablets, além de ajudar essas instituições a entrarem no mundo digital, formando seus professores e guiando as turmas para o acesso à informação.

Faber – que vai lançar um livro no ano que vem sobre os bastidores, os desafios e as conquistas da Diário de Classe, A Verdade – defende a tecnologia em sala de aula. “Eu sou aluna e sei que, com um quadro e negro e um giz, os professores não prendem mais nossa atenção. Tendo um celular, um tablet ou um notebook em casa, é muito mais difícil”, disse a estudante, que depois de sua apresentação respondeu a algumas questões dos espectadores.

Estudante do Diário de Classe sonha em ser jornalista e escrever livro

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 Isadora Faber, do blog Diário de Classe, participou da 16ª Bienal do Livro no Rio de Janeiro

Isadora Faber, do blog Diário de Classe, participou da 16ª Bienal do Livro no Rio de Janeiro

Fabíola Ortiz, no UOL

“Eu sou meio tímida, mas quando tem que falar eu falo”, disse ao UOL a adolescente catarinense Isadora Faber, 14, que ficou famosa com seu blog “Diário de Classe”.

Tímida e meiga, a adolescente foi estrela em um debate, neste domingo (1), que reuniu dezenas de estudantes, professores e curiosos por conhecer a menina que denunciou problemas de sua escola pública em Florianópolis.

“É direito nosso ter uma escola pública de qualidade. Muita gente diz que é de graça e por isso não pode cobrar. Mas a gente paga imposto todo dia”, falou Isadora que sonha em ser jornalista e tem ainda a meta de terminar de escrever seu primeiro livro contando suas experiências.

Convidada para ir à feira internacional do livro no Rio, Isadora disse ter ficado feliz mas, ao mesmo tempo, envergonhada. “Acho que as pessoas aqui estão também interessadas na educação, se preocupam e vem para conhecer a minha história. Devem ter feito algo parecido também”, comentou.

A estudante recebe diariamente 10.000 mensagens no Facebook e sua FanPage tem mais de 620 mil curtidas. “As críticas são poucas, todas as mensagens incentivam e me fortalecem”, destacou.

O blog “Diário de Classe” completou um ano em 11 de julho e o foco é denunciar os problemas ou dificuldades que a escola enfrenta. “Se o professor faltava eu ia lá (na diretoria), é direito nosso saber por quê o professor faltou. Assim como ele tem direito de saber por quê o aluno faltou. Eu publicava tudo o que acontecia, era mesmo um diário”.

A catarinense se inspirou no blog NeverSeconds da escocesa Martha Payne que reclamava das merendas das escolas britânicas.

“Minha irmã foi para uma particular, aí eu comecei a ver a diferença, por quê na escola dela tinha mais coisas e a minha não. Eu via mais problemas e decidi criar o Diário de Classe”.

Logo no início, Isadora convidou uma amiga para participar, “mas os pais dela ficaram com muito medo do diretor da escola que falava que nossos pais iam ser presos”.

A menina admite que não imaginava que seu blog se tornaria tão famoso. “Mas para mim faz sentido, várias escolas públicas têm muitos problemas e muita gente vê isso. Me apoiar ou fazer algo parecido é uma maneira de ajudar”, salientou.

Apesar de ameaças, inclusive uma de morte pelo Facebook, Isadora diz não temer. Ela conta que os professores incentivavam alunos a fazer ameaças. “Eles me olhavam com cara feia e me diziam que ia apanhar na saída, se eu não parasse iam me bater”.

A vida de Isadora deve mudar daqui em diante. Assim que voltar à Florianópolis, a menina irá tocar uma ONG que leva seu nome. A entidade oficializada, na última sexta-feira (30), terá o objetivo de ajudar a outras escolas e atender o apelo das milhares de mensagens de seguidores que desejam denunciar problemas de suas próprias escolas.

Ela diz que está atrás de voluntários de outras cidades para serem representantes de sua ONG.

Prestes a concluir a oitava série, Isadora terá que mudar de escola. Ainda não sabe se irá para uma pública ou privada, mas admitiu que pretende continuar publicando denúncias caso a próxima escola apresente problemas.

Menina do Diário de Classe vai abrir ONG

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Após expor falhas de sua escola no Facebook, Isadora Faber quer ajudar outros estudantes

Tomás M. Petersen, no Estadão

Um ano após ganhar projeção nacional com a página no Facebook Diário de Classe, em que denuncia os problemas de sua escola, a estudante Isadora Faber, de 14 anos, trabalha com seus pais para fundar uma ONG batizada com o seu nome.

JB Neto/AE Isadora conseguiu 626 mil seguidores em sua página

JB Neto/AE
Isadora conseguiu 626 mil seguidores em sua página

“Pretendo ajudar mais escolas da forma que for possível, com a participação de todos que quiserem entrar nessa”, afirma a menina, que mora em Florianópolis. A mãe de Isadora, Mel Faber, explica que um dos objetivos da ONG será descobrir formas de financiar reformas das escolas brasileiras.

A página Diário de Classe foi criada em 11 de julho de 2012, inspirada em uma iniciativa semelhante de um garoto inglês. Nos primeiros posts, Isadora denunciou a situação da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, onde estuda. A menina descreveu portas sem maçanetas, fios desencapados, carteiras quebradas e ventiladores que davam choque. Em pouco mais um mês, 15 mil internautas deram um “curtir” na página.

Na época, a estudante foi hostilizada por professores e funcionários. A mãe conta ter sido chamada pela direção da escola assim que o Diário de Classe foi criado. Afirma ter ouvido que era melhor tirar a ideia da cabeça da menina. Com apoio da família, Isadora não cedeu.

Hoje, a situação está mais tranquila. “As ameaças pararam. Sei que há professores que não gostam do Diário, às vezes fazem algumas indiretas, mas nada grave”, conta. “Os funcionários, em geral, agem como se eu não existisse.”

Melhorias. As denúncias de Isadora surtiram efeito. Dois meses depois de iniciar o Diário de Classe, a estudante postou que a escola estava sendo reformada. O banheiro para pessoas com deficiência física ganhou fechadura, a escola recebeu portas, pintura nova e até um bebedouro.

No mesmo mês, Isadora foi intimada a ir à delegacia, acompanhada pelo pai, após registro de boletim de ocorrência feito por sua professora de Português. A docente acusava a estudante de calúnia e difamação.

Na época, o delegado Marcos Alessandro Vieira Assad, da 8.ª DP de Florianópolis, disse que o que motivou o BO foi o fato de Isadora ter escrito no Facebook que era perseguida e humilhada pela professora. Dias depois, a Polícia Civil informou que o processo seria arquivado porque nenhuma das partes entrara com representação criminal.

Mas a polêmica envolvendo a menina não parou por aí. Em novembro de 2012, a avó de Isadora – então com 353 mil seguidores no Facebook – teria sido atingida por uma pedra, quando estava na casa da estudante. Ela chegou a publicar na internet uma foto da idosa com um ferimento da cabeça.

Com 626 mil seguidores no Facebook, Isadora diz que sua vitória vai muito além da reforma de sua escola. “A maior conquista é saber que vários diários surgiram pelo País e mais alunos se conscientizaram de que podem e devem exigir seus direitos. Isso me deixa muito feliz.”

Criadora de “Diário de Classe” lançará livro sobre sua experiência

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Isadora Faber caminha para a escola em Florianópolis / Marco Dutra/UOL

Isadora Faber caminha para a escola em Florianópolis / Marco Dutra/UOL

Publicado por UOL

A criadora do “Diário de Classe”, Isadora Faber, vai escrever um livro sobre sua experiência de ativismo pelas redes sociais. O contrato foi fechado com a editora Gutenberg e o livro deve sair até o fim do ano, explica Alessandra Ruiz, publisher da editora.

No livro, a garota contará toda a trajetória da experiência, começando pelos problemas na escola e a ideia de criar uma página no Facebook para denunciá-los até a fama e as conquistas na escola.

“O livro vai mostrar o poder das redes sociais e a coragem dela em denunciar os problemas de sua escola, mesmo sofrendo represálias”, afirmou Alessandra.

“A negociação foi rápida, já tínhamos recebido propostas anteriores, mas achamos que não era o momento. Agora a editora procurou a gente, conversamos com a Isadora, que gostou da ideia e resolveu fazer o livro”, conta Mel Faber, mãe de Isadora.

O texto será escrito pela própria Isadora Faber, com o suporte da editora. O livro trará também depoimentos de personalidades sobre a experiência da menina no “Diário de Classe”.

“Ela está gostando bastante da ideia. A gente está incentivando ela porque sempre tentamos passar a importância dos livros”, afirma a mãe de Isadora.

Após a fama, Isadora Faber, criadora da página “Diário de Classe”, tenta manter rotina escolar

A casa em que mora com a família tem de tudo, até piscina. Também vive lá a avó materna, portadora de uma doença degenerativa que exige cuidados. Isadora e as irmãs ajudam Mel. A tarefa de Isa é alimentar a senhora - o que faz com paciência e carinho /  Marco Dutra/UOL

A casa em que mora com a família tem de tudo, até piscina. Também vive lá a avó materna, portadora de uma doença degenerativa que exige cuidados. Isadora e as irmãs ajudam Mel. A tarefa de Isa é alimentar a senhora – o que faz com paciência e carinho / Marco Dutra/UOL

Fama
Isadora Faber foi citada em uma lista de “estrelas ascendentes” brasileiras do jornal inglês Financial Times. A lista de personalidades tem 25 nomes — Isadora está na categoria “social” junto com a escritora Thalita Rebouças — e foi divulgada no dia 22 de fevereiro.

Os protestos de estudantes por melhorias nas escolas públicas ganharam força nas redes sociais com a iniciativa da menina catarinense. A garota deu o que falar: ganhou muitos elogios, fez palestras e concedeu várias entrevistas, mas também criou inimizades, principalmente na escola, teve a casa apedrejada e acabou tendo que ir depor na delegacia mais de uma vez. O último episódio que a envolveu foi uma ameaça de morte pelo Facebook, rede social que a tornou famosa.

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