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Livros de Paulo Coelho e Dan Brown são confiscados na Líbia

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Entre os livros confiscados também estão Friedrich Nietzsche e Naguib Mahfuz. (foto: Twitter/Reprodução)

Entre os livros confiscados também estão Friedrich Nietzsche e Naguib Mahfuz. (foto: Twitter/Reprodução)

 

Obras são consideradas ‘eróticas’ e contra o Islã; escritores publicaram um manifesto em protesto

Publicado no UAI

Escritores e intelectuais líbios denunciaram nesta segunda-feira, 23, que os serviços de segurança do leste do país confiscaram dezenas de livros considerados ”eróticos” ou contra o Islã, entre eles obras de Paulo Coelho.

Entre os livros apreendidos, em árabe e importados do Egito, também há textos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do romancista americano Dan Brown e do egípcio Naguib Mahfuz, prêmio Nobel de Literatura.

Os escritores publicaram um comunicado de protesto depois da difusão, no fim de semana, de um vídeo da direção de segurança da cidade de Al Marj mostrando os livros sendo colocados em um caminhão.

No vídeo, um chefe de segurança e religiosos da cidade denunciam uma ”invasão cultural” através de livros sobre o xiismo, o cristianismo ou bruxaria, assim como romances com trechos eróticos e contrários aos preceitos do Islã sunita, praticado no país.

Os escritores, entre eles Azza Maghur, Idriss Al Tayeb e Radhuan Bushwisha, denunciaram a apreensão de livros sob qualquer pretexto, ”uma tentativa de amordaçar as vozes e confiscar a liberdade de opinião e de pensamento”.

”Líbia hoje”, escreveu Paulo Coelho no Twitter, com link para fotos dos livros confiscados.

Al Marj, como grande parte do leste líbio, é controlado pelo Exército Nacional Líbio (ANL), leal ao controvertido marechal Jalifa Haftar.

Ataque amplia polêmica sobre livro que retrata França islamizada em 2022

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Um novo livro retratando uma França que, no futuro, vive totalmente sob leis islâmicas chegou nesta quarta-feira às livrarias ─ justamente no dia do ataque à revista satírica francesa Charlie Hebdo, em Paris. Testemunhas afirmam que os atiradores gritaram palavras em árabe, levantando suspeitas de que seriam extremistas islâmicos.

Romance de Michel Houellebecq chegou às livrarias nesta quarta-feira e foi tema da última edição do 'Charlie Hebdo'

Romance de Michel Houellebecq chegou às livrarias nesta quarta-feira e foi tema da última edição do ‘Charlie Hebdo’

Publicado por BBC

Apesar de não haver nenhum indício de que o atentado estaria relacionado à novela “Soumission” (Submissão), do premiado e provocativo autor francês Michel Houellebecq, o crime pode dar publicidade ao livro e incentivar ainda mais as vendas.

Em sua edição mais recente, a Charlie Hebdo traz justamente Houellebecq e seu livro em sua capa. Nas páginas internas da revista, há também outro elemento que vem sendo chamado de “premonitório”, uma charge com um jihadista ao lado da frase “A França segue sem atentados”. O cartum foi feito por Charb, um dos 12 mortos no atentado desta quarta-feira.

O romance “Soumission” tem causado polêmica ao retratar o país como uma sociedade islâmica onde universidades são forçadas a ensinar o Corão, o livro sagrado do islamismo, mulheres usam o véu e a poligamia é permitida.

Segundo a obra de ficção, no ano de 2022, a França segue em seu lento colapso e o líder de um partido muçulmano assume como novo presidente do país.

Mulheres são incentivadas a deixar seus trabalhos e o desemprego cai. O crime evapora. Véus se transformam na nova regra e a poligamia é autorizada. As universidades são forçadas a ensinar o Corão.

Críticos de Houellebecq dizem que seu livro inflama a islamofobia e dá credibilidade intelectual a autores considerados "neo-reacionários"

Críticos de Houellebecq dizem que seu livro inflama a islamofobia e dá credibilidade intelectual a autores considerados “neo-reacionários”

Inativa e decadente, a população volta a seus instintos colaborativos. E aceita a nova França islâmica.
Mesmo antes de seu lançamento, o livro já vinha provocando debates e levantando questões como se o livro seria uma peça favorável ao temor anti-Islã disfarçado de literatura ou se o livro ajuda a extrema-direita.

Ou, pelo contrário, estaria Houellebecq simplesmente fazendo o trabalho de um artista: segurando um espelho para o mundo, talvez exagerando, mas honestamente dizendo as verdades mais profundas?
O tema é ainda mais intenso porque o Islã e identidade já estão no centro de um debate nacional feroz na França.

Grande sucesso

No ano passado, a Frente Nacional ─ anti-imigração ─ conquistou um avanço extraordinário ao vencer uma eleição nacional ─ para o Parlamento Europeu ─ pela primeira vez.

A líder do partido Marine Le Pen é uma das apostas para as eleições presidenciais de 2017. E em Soumission, é para evitar que ela seja reeleita que outros partidos apoiam o carismático Mohammed Ben Abbes.

Críticos de Houellebecq dizem que seus livros emprestam uma credibilidade intelectual para autores considerados “neo-reacionários”.

Para Laurent Joffrin, do jornal de esquerda Libération, Houellebecq acaba favorecendo Marine Le Pen.

“Intencionalmente ou não, o livro tem uma clara ressonância política”, disse. “Uma vez que o furor da mídia arrefecer, o livro será visto como um momento-chave na história das ideias ─ quando a tese da extrema direita entrou, ou reentrou, na literatura.”

Outros críticos foram além. “Esse livro me deixa enojado… me sinto insultado. O ano começa com a islamofobia disseminada na obra de um grande novelista francês”, disse o apresentador de TV Ali Baddou.

Por outro lado, defensores de Houellebecq dizem que ele trata de assuntos que as elites ligadas à esquerda fingem que “não existe”.

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